domingo, 18 de junho de 2017

Uspallata, Argentina

Uspallata é um distrito da província de Mendoza, na Argentina. Fica a 1.900 metros de altitude. E reúne cerca de quatro mil habitantes. É um povoado com poucas ruas calçadas. Mas uma passagem obrigatória para quem vai ao Parque Provincial Aconcagua.

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Rodovia e Cordilheira dos Andes, Uspallata
Rodovia e Cordilheira dos Andes, Uspallata


Santa Ceia na Paróquia Nuestra Señora de Camem de Cuyo, Uspallata
Santa Ceia na Paróquia Nuestra Señora
 de Camem de Cuyo, em Uspallata

Fonte: Guia O Viajante – Argentina, Zizo Asnis, 2009.

24 comentários:

Leonardo Brocker disse...

“Do You Need Some Mouth-to-Mouth Resuscitation”

Terceiro episódio da sétima temporada de “The Amazing Race”.
As locações ocorreram na região andina, no Chile e na Argentina.
Na Argentina, as filmagens ocorreram em:
+ Camping Suizo (bloqueio de estrada);
+ Estancia San Isidro (parada);
+ Parque Provincial Aconcagua (desvio).

Fonte: IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ Uspallata: O Povo Embolsado +++

Fica entre Mendoza e a Cordilheira dos Andes.
Um vale encravado em meio às montanhas.
Esta condição geográfica deu nome ao povoado.
“Chuspallacta”, em quéchua, significa “povo embolsado”.

Fonte: Guia O Viajante – Argentina, Zizo Asnis, 2009.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Sete Anos no Tibet” +++

Quem assistiu ao filme deve ter se impressionado.
Com a beleza das paisagens tibetanas.
Na verdade, era a Cordilheira dos Andes!
Bem longe do Nepal, Uspallata não abriga templos budistas.
Mas se orgulha por servir de cenário às locações de montanha.
No caso do filme, para as cenas do Himalaia.
Na época, o governo chinês não autorizou filmar no Tibet.

Fonte: Guia O Viajante – Argentina, Zizo Asnis, 2009.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Oeste do Fim do Mundo" (2013) +++

Diretor - Paulo Nascimento
Roteirista - Paulo Nascimento

Elenco
César Troncoso - León
Fernanda Moro - Ana
Nélson Diniz - Silas
Alejandro Fiore - Javier
Marcos Verza - Marido

Fonte: IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Oeste do Fim do Mundo" - Sinopse +++

Leon (César Troncoso) é um homem introspectivo.
E vive em um velho posto de gasolina.
Perdido na imensidão da estrada transcontinental.
Entre a Argentina e o Chile.
Seu único amigo é Silas (Nelson Diniz), um brasileiro.
Este volta e meia o visita.
E traz peças para consertar a moto dele.
Um dia, a paz de Leon é abalada com a chegada de Ana (Fernanda Moro).
Uma mulher que escapou da tentativa de abuso sexual.
De um caminhoneiro com quem tinha pego carona.
Sem ter para onde ir e no meio do deserto, Ana recebe abrigo de Leon.
Inicialmente para apenas um dia.
Só que o tempo passa e ela não consegue sair do local.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Adquirindo Experiências para a Personagem +++

Fernanda Moro trabalhou anonimamente numa vinícola em Bento Gonçalves.
Para vivenciar e interiorizar seu personagem.
E participava das tarefas diárias dos trabalhadores do lugar.
A atriz também teve de fumar pela primeira vez na vida.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Inspiração de "A Oeste do Fim do Mundo" +++

O diretor e roteirista Paulo Nascimento teve a ideia do filme.
Após ler uma matéria sobre a Guerra das Malvinas.
Ela dizia que 400 dos 10 mil soldados enviados ao conflito se suicidaram.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Ordem Real dos Acontecimentos +++

Rodou-se "A Oeste do Fim do Mundo" na ordem real das ações no roteiro.
Para os atores sentirem mais intensamente o desenvolvimento dos personagens.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Sem Iluminação Especial +++

A luz nas proximidades da Cordilheira dos Andes muda de maneira rápida e intensa.
Assim, o filme foi rodado nos horários reais do roteiro.
Ou seja, as cenas matinais foram feitas efetivamente pela manhã.
Igualmente como as vespertinas e noturnas.
Todas sem a utilização de iluminação especial.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Edição Junto com as Filmagens +++

O filme foi sendo montado, diariamente.
Na medida em que as imagens eram captadas.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Produção Multinacional +++

Contou com profissionais brasileiros, argentinos, uruguaios e chilenos.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Posto de Gasolina de Alvenaria +++

A produção construiu o posto de gasolina em alvenaria.
Ali, mora o personagem Leon.
depois, ofeceram o local às autoridades locais.
Hoje, ele serve como posto de informações turísticas em Uspallata.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Outra Experiência de Fernanda Moro +++

A atriz cortou, de verdade, seus longos cabelos em cena.
E teve de fazê-lo sem a ajuda de nenhum espelho.
Foram usadas 3 câmeras para esta cena especifica.
Pois o corte foi real e a cena não poderia ser repetida.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Para Entrar no Personagem +++

Nelson Diniz e César Troncoso aprenderam a pilotar motos.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Garimpo +++

Todos os objetos de cena são reais.
E foram garimpados em casas e lojas.
Na região de Mendoza e Uspallata, na Argentina.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Oeste do Fim do Mundo" - Cineclick +++

O filme é ambientado quase que integralmente em um posto de gasolina.
Perdido numa região desértica da Argentina.
Ali, vive um veterano da Guerra das Malvinas, Leon (Cesar Troncoso).
Ele se vê obrigado a acolher uma brasileira, Ana (Fernanda Moro).
Seria só por uma noite, mas acaba virando muitas noites.
Tantas quantas são necessárias para a narrativa caminhar.
E o espectador descobrir mais sobre o passado obscuro dos dois.

Como este é o grande deleite do filme, não vou dar mais detalhes sobre a trama.
Basta saber que a chegada de Ana transforma drasticamente o cotidiano de Leon.
E de seu aparente único amigo Silas (Nelson Diniz).
Um motociclista solitário que aparece de tempos em tempos no posto.
Segredos que todos querem ver enterrados inevitavelmente vêm à tona.
Reabrindo antigas feridas e mudando para sempre suas vidas.

Pode-se se dizer que A Oeste do Fim do Mundo é um filme incomum hoje.
Daqueles que seguem a máxima desaprendida do "menos é mais".
Sem exageros, sem explicações cheias de pormenores, nada pressuroso.
O diretor e roteirista de "Em Teu Nome" arquiteta com destreza personagens e relações.
Numa produção que envolve de imediato.
E não se vale de artifícios baratos para isso.
Apenas uma boa história sendo muito bem contada.

Adaptado de Roberto Guerra (Cine Click)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Recomeço de Sacudir a Poeira +++

Paisagem empoeirada de aridez.
Escavada a cem quilômetros da província de Mendoza, na Argentina.
A cidade de Uspallata entra na trama de “A oeste do fim do mundo”.
Como um parêntese de redenção na vida cheia de cicatrizes da gaúcha Ana.
Encarnada com maestria por Fernanda Moro.

Ana vai tentar a sorte na América Latina.
Assombrada por uma perda familiar.
Santiago, no Chile, é sua rota.
Mas ela cai num canteiro argentino desértico.
Num erro de percurso pelos Andes.
Ali, só há um posto de gasolina.
Seu dono: Léon, veterano da Guerra das Malvinas.
César Troncoso, numa atuação magnética.

Sabe-se pouco dos dois e de Silas (Nelson Diniz).
O motoqueiro que testemunha a relação entre eles.
Sequer é especificada a época em que o enredo se passa.
Aqui, informações serão supérfluas.

A narrativa preserva a privacidade trágica de seus heróis.
Guiada com invejável maturidade pelo diretor Paulo Nascimento.
Interessa mais ao cineasta saber o que Ana e León farão.
Depois de se esbarrarem pela aritmética do acaso.
Sem ter para onde ir, Ana precisa de um pouso.
Léon, solitário crônico, precisa de refúgio afetivo para seus traumas bélicos.
No isolamento, nasce um esboço de romance.
Pontuado com elegância na fotografia de Alexandre Berra.
E, de carona nele, esta coprodução Brasil-Argentina nos leva a uma geopolítica poética:
A geopolítica do recomeço.

Adaptado de Rodrigo Fonseca (O Globo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Paisagens Desoladoras para Falar de Solidão e Desejos +++

Há filmes em que a ambientação se torna um personagem.
Tão importante quanto as pessoas que vemos na tela.
O local em que se passa a trama fala sobre os personagens.
Tanto quanto o que os atores imprimem em suas interpretações.
O que o figurinista define como vestimentas.
Ou o que a montagem determina como recorte para o olhar do espectador.
No caso de “A Oeste do Fim do Mundo”, a região andina surge como lugar.
E como estado de espírito, com suas cores terrosas, imensidão e silêncios.

Na trama, vemos Leon (interpretado por César Troncoso).
Dono de um posto de gasolina isolado.
Ele vive praticamente sem interagir com outras pessoas.
Exceto pelo contato pontual com o amigo brasileiro Silas (Nelson Diniz).
E com o filho, em curtas conversas por telefone.
A rotina é quebrada com a chegada de Ana (Fernanda Moro).
Brasileira que tenta ir para Santiago do Chile.
Mas nunca consegue uma carona.
A partir daí, a relação entre Leon e Ana se desenvolve.
E gera mudanças inesperadas para ambos.

É interessante perceber no filme como as estratégias da montagem sugerem algo.
Sobre as pessoas que o espectador acompanha na trama.
Quando foca em Leon, a duração dos takes é mais lenta, mais solene.
E há uma profusão de planos abertos.
Que o colocam como insignificante naquele ambiente.
Não por acaso, é exatamente assim que o personagem, vê-se por boa parte do filme.
Como ele diz, o conflito, no qual a Argentina perdeu território para o Reino Unido,
Foi visto como uma grande humilhação.
E o fez sentir que lhe haviam tirado o direito de se sentir humano.
Justificando seu desejo de isolamento.
Tanto em busca de paz como por vergonha.

Já quando foca na inquieta Ana, a montagem é mais ágil, quase apressada.
E tanto ela como a direção e a atuação de Moro ganham um aspecto mais didático.
Desde o momento em que ela surge na tela perdendo o ônibus para Santiago.
As cenas parecem querer explicar sempre o que acontece.
Quem é aquela mulher e por que ela vai embora do Brasil.
Tal quebra poderia muito bem causar incômodo ao espectador.
Mas o choque resulta interessante para mostrar a diferença entre ela e Leon.
A moça pergunta mil coisas dele.
Incomoda-o com as tentativas de comunicação que o humanizaria novamente.
Mas, como podemos perceber mais à frente, há questões cercando Ana.
Que a colocam no mesmo patamar de Leon.
O da necessidade desesperada de não mais se calar sobre o passado.

Outro elemento simbólico é a relação dos personagens com a comida.
Esta surge branca e sem apelo no prato que Ana consome no restaurante.
Logo que aparece no filme.
E mais sem graça ainda durante o almoço de Leon no posto.
Observar aquelas refeições é perceber que falta a elas tempero, cor.
Um algo a ser de fato saboreado.
Tal como a vida de Leon e Ana.
Não por acaso, o relacionamento entre eles se estreita nas refeições.
Ato que pressupõe não só a necessidade básica de comer.
Mas também da necessidade básica de conversar.
A carne surge na tela e ouvimos o chiado de seu calor.
Para depois Leon abrir-se, finalmente, sobre a guerra, a ex-mulher e o filho.
Com os laços fortalecidos aos poucos, a comida também ganha nova configuração.

As inteligentes sacadas do longa com certeza tiram a produção do campo do medíocre.
Ainda assim, falta algo para colocá-lo no mesmo patamar de um “Abril Despedaçado”.
Para só citar um filme brasileiro que gira em torno da solidão e dos desejos humanos.
Talvez um melhor nivelamento entre a excelente atuação de Troncoso e a não tão boa de Moro.
Ou quem sabe um encaixe melhor no desfecho de Ana, Leon e Silas.
Mas, no geral, a viagem proporcionada pelo diretor Paulo Nascimento vale o preço da passagem.
Ou melhor, do ingresso do cinema!.

Adaptado de Susy Freitas (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Acerta com Jogo de Reflexos e Traumas +++

"A Oeste do Fim do Mundo" nos apresenta Leon (César Troncoso).
Argentino que vive isolado no oeste de seu país.
Perto da Cordilheira dos Andes.
É proprietário de um posto de gasolina.
Uma das poucas paradas para abastecimento de viajantes.

Leon recebe frequentemente a visita de Silas (Nelson Diniz).
Brasileiro, dono de uma oficina de motos da região.
É outro personagem sem eira nem beira.
Sem destino.

Um dia, Ana (Fernanda Moro) pede abrigo no posto.
Também brasileira, de procedência e comportamento misteriosos.
E transforma o cotidiano de Leon, antes condicionado ao tédio.

Quem são esses personagens?
Por que foram parar ali?
Eles fogem do quê, e por quê?
Essas são algumas perguntas que nos ocorrem na primeira parte do filme.
Até surgirem algumas respostas.

O diretor Paulo Nascimento tem um currículo pouco animador.
Com longas esquecíveis como "Em Teu Nome" e "A Casa Verde".
Ambos também roteirizados por ele.
Mas a noção de autoria não pode nublar nosso entendimento deste novo filme.

Aqui, afinal, ele acerta a mão.
A bela paisagem andina envolve os personagens.
Num jogo de reflexos e traumas.
Que só pode provocar tragédia ou redenção.

O que vemos é a superação desses traumas.
Até a barreira das línguas diminui conforme cresce a relação entre eles.
Inicialmente, Leon não fala nem entende português.
Ana desconhece espanhol.

Pequenos cacoetes de filmes para festivais estão presentes.
Como o constante jogo de foca /desfoca.
A trilha sonora de produção independente americana.
E uma construção um tanto artificial de algumas situações.

O que predomina, contudo, é uma adequação entre forma e conteúdo.
Dessas que justificam a famosa frase de Hitchcock ("forma é conteúdo").
E a interessante relação entre fugitivos do passado.
Esta se movie por atração e dissimulação.

Adaptado de Folha de São Paulo.

Leonardo Brocker disse...

+++ Filme Gaúcho Retrata Isolamento na Patagônia Argentina +++

"A Oeste do Fim do Mundo" é uma coprodução Brasil-Argentina.
E se passa aos pés da Cordilheira dos Andes.
Venceu quatro Kikitos no Festival de Gramado de 2013.
Entre eles, o de melhor longa latino-americano.

O uruguaio César Troncoso tem trabalhado com frequência no Brasil.
Foi protagonista do novo clássico latino-americano "O Banheiro do Papa" (2007).
E poucas vezes pôde desenvolver seu talento como em "A Oeste do Fim do Mundo".
Seu personagem é um solitário e arredio veterano da Guerra das Malvinas (1982).
E sobrevive em um precário posto de combustíveis na Ruta 7.
A antiga estrada transcontinental, na Patagônia argentina.
Tem um filho com quem não fala.
E um amigo motoqueiro (Nelson Diniz).
Este, assim como ele, foi para aqueles confins buscando isolamento.

Surge uma forasteira vinda do Brasil (Fernanda Moro).
O que desencadeia o principal conflito do filme.
É a presença dela e a identificação entre esses personagens em fuga.

Ambos demoram a se abrir.
Isso permite ao diretor Paulo Nascimento trabalhar seus silêncios.
E aproveitar de maneira tímida, contudo, elementos externos como o vento.

A fotografia é de Alexandre Berra.
E a direção de arte, de Vol­taire Danckwardt
Elas são eficientes na exploração das belezas do lugar.
E na construção de um cenário que, apesar dessas belezas, é de ruína.

No fim das contas, Nascimento trabalha bem essa dicotomia.
E faz a passagem da consternação para a esperança.
De um recomeço com ritmo (lento) adequado à natureza da dupla de protagonistas.
Talvez o filme fosse melhor se as decisões do diretor fossem mais radicais.
Por exemplo, apostando mais em elipses narrativas.
E sendo menos didático nas remissões ao passado da dupla.

Não que o vazio da vida de ambos não apareça.
Ao contrário: este é o forte do filme.
A forma com que relaciona o contexto histórico e geográfico à jornada dos personagens.
Talvez o melhor filma da carreira de um dos mais prolíficos realizadores gaúchos.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora)

Leonardo Brocker disse...

+++ Paulo Nascimento filma na fronteira da Argentina com o Chile +++

O cenário é de western, e as motocicletas remetem aos filmes de estrada.
Mas o novo longa do cineasta Paulo Nascimento é um drama intimista.
Sobre um trio de personagens jogado em uma paisagem monumental e desértica.

Zero Hora acompanhou os últimos dias de filmagem de A Oeste do Fim do Mundo.
Na fronteira entre a Argentina e o Chile, aos pés da Cordilheira dos Andes.
"Um lugar amplo, onde a gente pode se reencontrar", na definição do realizador.
A vastidão do horizonte e a majestade das montanhas impressionam.
No set montado pela produção perto de Uspallata.
Cidade argentina de menos de 4 mil habitantes.
A 100 quilômetros de Mendoza, perto da fronteira com o Chile.

O vilarejo é um centro turístico movimentado o ano inteiro.
No inverno, visitado por quem quer esquiar na neve.
No verão, por quem se aventura a escalar o Aconcágua.
O maior pico do mundo depois das montanhas do Himalaia.

"Foi uma conjunção de bons fatores que me levou a filmar aqui.
Gosto de lugares assim, devo ter vivido no Velho Oeste no passado.
É um pouco como experimentar a liberdade de John Ford.
O diretor americano de faroestes.
Ele ficava acampado dois meses no set".
Brinca Nascimento, que filmou durante 13 dias na região.

Originalmente, o diretor e roteirista gaúcho pretendia filmar na Patagônia.
"Mas os argentinos estão filmando muito por lá.
Aquela paisagem tem aparecido muito no cinema".
Uspallata surgiu então como uma opção.
Apesar de Brad Pitt ter inflacionado os preços.
O astro americano filmou no local a aventura Sete Anos no Tibet (1997).
E colocou a cidade no mapa do cinema.
Recentemente, rodou-se ali o bangue-bangue cômico Lucky Luke (2009).
Estrelado pelo ator francês Jean Dujardin, de O Artista (2011).

"Tudo começou há quatro anos.
Quando li uma matéria sobre a Guerra das Malvinas.
Ela informava que cerca de 400 soldados se suicidaram.
Dos 10 mil enviados para o conflito com a Inglaterra em 1982.
Fiquei impressionado com esse número.
E comecei a desenvolver essa história sobre perdas e solidão".

Adaptado de Roger Lerina (Zero Hora)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Trama de "A Oeste do Fim do Mundo" +++

Na trama, León (César Troncoso) é um ex-combatente.
Divorciado de seu passado.
Trabalha e mora em um posto de combustíveis.
Na estrada transandina, no meio do nada.
O argentino mantém uma silenciosa e seca amizade com Silas (Nelson Diniz).
Um misterioso motociclista brasileiro.
Que vive de negociar peças de veículos e aplicar pequenos golpes.
A inércia de León é quebrada com a chegada inesperada de Ana (Fernanda Moro).
A jovem brasileira abandonou o marido violento.
E perdeu o ônibus que a levaria ao encontro da mãe e da irmã no Chile.
A presença da estrangeira perturba o solitário frentista.
E aos poucos León e Ana começam a dividir segredos e amarguras.

"O León é um cara que tem muita dor no peito.
Na minha família, havia um tio que tinha muito do León.
Também sinto essa necessidade de silêncio", disse Troncoso.
Protagonista de O Banheiro do Papa (2007).
E atualmente em cartaz com Infância Clandestina (2011).
Este, indicado pela Argentina para o Oscar de filme estrangeiro.

A coprodução entre Brasil e Argentina teve apenas 16 dias de filmagem.
E orçamento total estimado em R$ 2 milhões,
Além das locações andinas, o longa teve cenas em Bento Gonçalves e Cambará do Sul.
Graças ao sistema de produção econômico e eficiente de Nascimento.
Registrando praticamente todas as cenas em apenas uma tomada.
E montando o filme à medida em que ia sendo rodado.

"O Steven Soderbergh (cineasta americano) diz: a velocidade é disciplinadora.
Quando o ator sabe que só vai ter uma tomada, ele dá tudo de si".
Teoriza o diretor de Valsa para Bruno Stein (2007) e Em teu Nome... (2009).

Adaptado de Roger Lerina (Zero Hora)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Oeste do Fim do Mundo - Crítica Cineweb +++

Talvez seja alguma nova tendência, ou não.
Mas A oeste do fim do mundo é, como, a primeira parte de Eles voltam.
Um road movie às avessas.
Ou seja, os personagens ficam parados a estrada.
E diversas figuras passam por eles causando transformações.

Ao centro está Leon (Cesar Trancoso, de O banheiro do Papa).
Dono de um posto de gasolina no meio do nada.
Na região da Cordilheira dos Andes.

Os poucos contatos com o mundo ‘externo’ são pela interação com os caminhoneiros.
Estes eventualmente param para abastecer.
Mas não podem fazer refeição, porque Leon fechou o restaurante.
E por um amigo, Silas (Nelson Diniz).
Ele traz peças para uma moto que há anos o dono do posto tenta fazer funcionar.
O filme parece se cansar do personagem.
Ou esbarrar nas limitações que o roteiro criou.
Então, entra em cena a gaúcha Ana (Fernanda Moro).
Ela viaja em direção a Santiago.

Tanto Leon quanto Ana são personagens que tentam fugir de seus passados.
Não é preciso ficar intrigado por muito tempo.
Até o final do filme tudo será devidamente (e desnecessariamente) explicado.
As feridas dele são histórico-pessoais, enquanto a dela é apenas pessoal.

Os atores são esforçados e os personagens têm lá seus bons momentos.
Especialmente quando estão juntos.
Quando ela com sua delicadeza desmorona o mundo e a cara de durão.
Do uruguaio radicado na Argentina.
Mas ainda falta algo ao filme.
Não é sua aridez (tal qual a da região onde é situado) que o enfraquece.
Mas quando o diretor esquece que menos é mais.
E o longa toma rumos desnecessários.
Toca em assuntos um tanto delicados para servir apenas de pano-de-fundo.
Como a Guerra das Malvinas.

Adaptado de Alysson Oliveira (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Oeste do Fim do Mundo - Crítica Papo de Cinema +++

Um caminhão chega ao posto e Léon se apresenta para o serviço.
Enquanto limpa o vidro dianteiro, esforça-se para retirar o adesivo “Argentina”.
Se a memória se diluísse em água e sabão, a vida seguiria bem.

Último longa de Paulo Nascimento, o mesmo de Em teu nome (2009).
A Oeste do Fim do Mundo molda seus personagens na gênese dos heróis do sul.
A independência e a solidão são os truques para combater o passado.
Como em um Martín Fierro reatualizado.

O filme entrega-se aos poucos.
O uruguaio César Troncoso (O Banheiro do Papa, 2007) interpreta com magnanimidade Léon.
O taciturno dono de posto de gasolina.
Na imensidão da Cordilheira dos Andes.
Além do vazio, a única visita constante é a do motoqueiro Silas (Nelson Diniz).
A quebra na sequência dos vazios se dá com a chegada de Ana.
Fernanda Moro interpreta esta garota da qual sabemos pouco.
A perda do filho e o abuso sexual na vinícola em que trabalhava a colocaram na estrada.
Em direção a Santiago.
Muitas vezes, o importante não é o destino, mas ir.

Na coprodução Brasil e Argentinadestacam-se a captação e a mixagem de som.
Trabalho árduo quando falamos de filmagens externas.
E, principalmente, a impressionante composição do diretor de arte Voltaire Danckwardt.
Deixa a desejar, porém, a desenvoltura no espaço cênico.
É visível que Nascimento compromete o preenchimento dos seus planos.
Por mais de uma vez, os atores cortam a profundidade da cena.
Ou a atravessam em caminhada que, ao final, dão em pouco ou nada.
Em outros momentos, os planos escolhidos não têm bom resultado.
Como quando a câmera, entre a garota e o motorista do caminhão, destoa, da proposta estética.

A chegada de Ana alavanca o cotidiano de León.
As refeições são remodeladas.
Antes, um momento escolhido para retratar a solidão do protagonista.
Depois, um bom motivo para preparar mais comida – e prepará-la melhor.
Resistente aos primeiros contatos, a convivência faz brotar a esperança de um futuro diferente.
Frente a frente, Troncoso e Moro buscam o encaixe.
Ele é vigoroso, visualmente duro.
O texto lhe sai como sairiam as pedras à Maria Madalena.
Ela é força contida, delicadeza discreta.
Mesmo com a melhor atuação de sua carreira, Fernanda é coadjuvante da atriz que pode vir a ser.

Recado de como a vida emudece.
E de como é fácil emudecer perante a vida.
A Oeste do Fim do Mundo retém, em meio ao nada, as dores do mundo.
Reflexo de como o passado facilmente nos consome.

Adaptado de Willian Silveira (Papo de Cinema)

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