quarta-feira, 7 de junho de 2017

Locações de Filmes em Tramandaí

Tramandaí fica no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. A eterna “Capital das Praias” conta com atrativos históricos e naturais. Além do farto calendário de eventos. A cidade já serviu de locação a pelo menos dois filmes...

João Carlos Castanha - Castanha (2014)
João Carlos Castanha - Castanha (2014)

Veja também...
Porto Alegre também serviu como locação.
O filme recebeu alguns prêmios em Festivais de Cinema:
+ Buenos Aires – Davi Pretto (Diretor e Redator);
+ Las Palmas – João Carlos Castanha (Melhor Ator);
+ Paulínia – Tiago Bello (Melhor Som);
+ Rio de Janeiro – Davi Pretto (Melhor Filme).


Um é Pouco, Dois é Bom (1970) 90 minutos
Também tem locações em Porto Alegre.
Luis Fernando Veríssimo escreveu os diálogos.
E o filme possui dois segmentos:
+ "Com Um Pouquinho de Sorte" e
+ "Vida Nova Por Acaso".

28 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" (2014) - Sinopse +++

João é um ator de 50 anos.
E mora com a mãe de 72 anos, Celina.
Passa o tempo entre o trabalho da noite.
Como um crossdresser, em pequenos bares gay
E as atuações em peças, filmes e programas de TV.
João começa, dia a dia, a fundir.
A realidade em que vivia com a ficção que interpreta.
Atormentado e assombrado por fantasmas de seu passado.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha +++

De Davi Pretto.
Com João Carlos Castanha, Celina Castanha, Zé Adão Barbosa e Gabriel Nunes.
Drama, Brasil, 2014.
Duração: 95 minutos.
Classificação etária: 14 anos.
Cotação: ótimo.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa Vai Narrar Vida de Performer da Noite +++

João Carlos Castanha é um personagem cuja presença abala uma cidade inteira.
As histórias sobre ator e performer porto-alegrense são tantas.
Que o próprio diz já não ter mais certeza daquilo que vivenciou.
E daquilo que apenas inventou – ou que inventaram sobre ele.

Ficção, realidade, fabulação se embaralham.
Nisso, Davi Pretto vislumbrou a cinebiografia de longa-metragem Castanha.
O jovem cineasta Davi explica:

"Construí um roteiro fechado.
Baseado na vida dele.
Cada episódio tem uma função dramática.
Mas estamos abertos ao acaso.
Há sequências em que o filmamos na noite.
Sem qualquer predefinição do que vai acontecer.
E deve haver ocasiões em que algo que surgir espontaneamente.
Sobretudo na relação dele com a mãe.
E isso pode substituir uma cena que planejamos antecipadamente".

“Filmar na noite” significa acompanhar um de seus shows em boates GLS.
Para compreender a valorização da figura materna...
É com Celina, 75 anos, que Castanha, 52, vive.
Em um condomínio da zona sul de Porto Alegre.
Com ela e com Joaquim e Sofia, os cachorros.

Parte significativa das filmagens terá lugar no apartamento.
ZH acompanhou as preparações da cena em que o protagonista acorda.
Esta será uma das primeiras sequências do filme.
De pantufas, com Joaquim e Sofia sobre o cobertor de oncinha.
Laptop aberto.
O retrato de um modelo masculino na estante.
E as caixas de som emanando primeiro David Bowie.
Depois música eletrônica.

Castanha estende à reportagem.
A simpatia e a paciência que mantêm diante da gurizada da equipe.
Conta quando descobriu o cinema.
Na época em que Celina trabalhava como revisora de rolos de 35mm.
No escritório porto-alegrense da United International Pictures (UIP).
Lembra a entrada no grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.
No fim dos anos 1970.
Tempos de "A Divina Proporção".
E "A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá".
E as montagens de "A Mãe e A Aurora da Minha Vida", na década seguinte.

Suas participações em espetáculos recentes, como "Adolescer".
E o troféu Açorianos pelo conjunto da obra, que ganhou em 2010.
São os ganchos para ele falar sobre um novo projeto.
A peça de sua autoria "Antes do Fim".
Deve encená-la em parceria com Zé Adão Barbosa.
Com quem escrevera antes "O Bordel das Irmãs Metralha".

Este é um Castanha sério.
Que enumera trabalhos passados e projetos futuros.
E pouco tem a ver com aquele que deve surgir na tela.
A não ser que tudo, no fundo, não passe de uma única grande performance.

"Para mim, trata-se de um homem e sua tormenta permanente.
Causada pela arte de iludir", diz o diretor, sobre o seu longa.
"Castanha será o retrato de um intérprete atuando, 24 horas por dia".

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Verdades e Mentiras +++

João Carlos Castanha diz que não tem mais certeza.
Sobre quais de suas célebres histórias aconteceram.
E quais foram inventadas.
Mas o amigo Zé Adão Barbosa sabe.
“São todas verdadeiras”, diz o ator e diretor teatral.

No filme que retrata a vida de Castanha.
Importa menos o que é realidade e o que é ficção.
E mais o que desvenda este extraordinário personagem.


Seria mentira a história em que,
Saindo da boate, cedo da manhã,
Castanha se encantou por um jornaleiro e,
Para conseguir levá-lo para casa,
Comprou todos os jornais que ele precisava vender?


E aquele causo em que ele foi preso
Após reagir ao preconceito alheio numa festa
E foi resgatado por outro parceiro de teatro
Após passar a noite na cadeia?


Teria sido Castanha o criador da expressão “lasanha”,
Comum na noite porto-alegrense dos anos 1980
Para identificar um homem bonito?


Não que o longa-metragem vá responder essas questões.
As lendas estão consolidadas – e isso é o que importa.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Sangue Novo +++

Castanha, o filme, marca a estreia no longa-metragem do diretor.
Davi Pretto, completou 25 anos neste domingo.
Dele e da produtora Tokyo Filmes.
Também é a estria de parte da equipe do longa-metragem.
Bruno Carboni, montador.
Richard Tavares, diretor de arte.
E Paola Wink, produtora-executiva.

Trata-se de um dos núcleos de produção mais promissores.
Da geração advinda dos cursos superiores de cinema.
Estes surgiram na década passada no Estado.

A Tokyo está por trás de curtas como:
+ "Quarto de Espera" (de Bruno e Davi);
+ "Gaveta" (de Richard) e
+ "Garry" (de Bruno e Richard).

E do recente clipe "Despirocar", da Apanhador Só.
Este em parceria com a Sofá Verde e a Bloco Filmes.

Castanha tem financiamento do Fumproarte.
Fundo de investimento em cultura da Prefeitura de Porto Alegre.
E tem a Casa de Cinema de Porto Alegre como produtora associada.
Depois deste projeto, um dos focos será o segundo longa
"Até o Caminho", também de Davi.
Ele recebeu o Prêmio de Desenvolvimento de Projetos Santander Cultural/APTC-RS.
E está em fase de captação de recursos.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica: Filme "Castanha" é Um Marco do Cinema Gaúcho +++

"Castanha" chegou.
Depois da exitosa carreira em festivais.
O filme mistura ficção e documentário.
E mergulha na intimidade de João Carlos Castanha.
Ator e performer da noite.
É o mais importante longa-metragem gaúcho.
Desde "Deu pra Ti, Anos 70" (1981).
Histórico filme de Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti.
E assinala uma ruptura.
Tanto estética quanto de modelo de produção.
E arrasta a cinematografia local para o século 21.

Davi Pretto, 26 anos, dirige "Castanha"
Com o selo da Tokyo Filmes.
Núcleo que areja a engessada produção de longas no RS.
Há outros núcleos.
Todos formados por jovens.
Muitos egressos dos cursos superiores.
Implantados no Estado na década passada.
"Castanha" os representa.
É o símbolo mais notável de um movimento amplo.
Caracterizado pela sintonia com os autores contemporâneos.
Estes conduzem a linguagem.
Por caminhos até então não experimentados.
A exemplo de Pedro Costa, de "Juventude em Marcha".
E João Pedro Rodrigues, de "Morrer Como um Homem".
"Castanha" paga tributo a eles.

Pretto reencena o dia a dia de Castanha e da mãe, Celina.
Algo que se viu em ícones do chamado novíssimo cinema nacional.
Como "Terra Deu, Terra Come" (2009).
E "O Céu sobre os Ombros" (2011).
Deles, a produção gaúcha de longa-metragem só se aproximara.
Com "Morro do Céu" (2009), de Gustavo Spolidoro.

"Castanha" possui caráter onírico.
O que associa o filme a títulos como "Girimunho" (2011).
Eles acrescentam imaginação ao retrato da vida.
Que flerta a todo instante com a morte.
Isso por conta das situações do pai do protagonista.
Que está internado numa casa de repouso.
E do sobrinho viciado em crack.
A quem Celina ajuda com os poucos recursos de que dispõe.

Pretto aborda os fantasmas que atormentam mãe e filho.
E constroi uma narrativa sofisticada.
Nela, o real se mistura com o que está sob as máscaras sociais.
Mas há algo ainda mais importante do que isso.
O distanciamento que Pretto mantém de Castanha.
Ele aposta nas possibilidades da ficção.
E expõe o que o homem por trás da persona artística tem de obscuro.
Alguma intolerância, egoísmo.
Que o amigo Zé Adão Barbosa define como "sadismo".

O garoto craqueiro, não é interpretado pelo seu correspondente real.
E sim por Gabriel Nunes.
Ele desencadeia os principais conflitos da trama.
Aqueles que vão expor definitivamente o protagonista.
Uma maleabilidade de "Castanha", o filme.
Que não se define entre o documentário e a invenção ficcional.
E tem a possibilidade de atingir a verdade.
Uma verdade não absoluta, ressalte-se.
Típica da arte mais inquietante, provocadora, estimulante.

"Deu pra Ti, Anos 70" revolucionou o cinema local.
E símbolizou a transição do chamado "ciclo da bombacha".
Para uma produção urbana e mais moderna.
E apresentou uma abordagem mais complexa das relações sociais.
Nesse sentido, o que ocorre com "Castanha" não é muito diferente.
Com uma vantagem para o longa de Davi Pretto.
A incorporação dessa complexidade de maneira orgânica à própria forma do filme.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Lá fora +++

"Castanha" teve première na seção Fórum do Festival de Berlim.
Também foi exibido em outros festivais.
Como Hong Kong, Copenhagen, Edimburgo e Las Palmas.
No Brasil, foi à Paulínia, à Mostra de SP e ao Festival do Rio.
Deste saiu com o prêmio de melhor filme da seção Novos Rumos.
Já estreou na Argentina.
E tem distribuição assegurada na Alemanha, na Suíça e na Áustria.
Além da televisão da Espanha.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Aqui +++

São 19 cópias espalhadas pelo Brasil.
No RS, o filme passa em Pelotas, Caxias do Sul e Porto Alegre
João Carlos Castanha e Davi Pretto estarão na noite desta quinta na CCMQ.
Para conversar com o público.
O debate terá início após a sessão das 19h40min.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Primeiro Longa de Davi Pretto +++

É o primeiro longa-metragem de Davi Pretto.
Mas "Castanha" dialoga com uma linhagem consistente.
De uma nova geração de cineastas brasileiros.
Que, nos últimos anos, estão ocupando uma cena de destaque.
Pode-se, numa síntese ansiosa, encadear uma série de elementos.
Um tanto exteriores ao filme.
Como o formato vinculado ao documentário.
O modo de trabalho coletivo e colaborativo.
Ou, ainda, produções de baixo custo.
É, contudo, pelo aspecto sensível que se percebe uma singularidade.
E uma tônica contínua.
"Castanha" compartilha mais dúvidas do que perguntas bem formuladas.
Mais inquietações do que teses.
Mais incômodos do que sensações pontuais.
Estamos diante de uma dramaturgia centrífuga.
Que desmorona como uma brisa.
E são esses vetores de desmanche que mais chamam a atenção.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - O Documentário Bográfico +++

Se escolhêssemos um enredo, caminharíamos pelo documentário biográfico.
De João Carlos Castanha, um ator e performer de Porto Alegre.
Ele transita por uma cena e um submundo um tanto underground da capital.
Há, contudo, dois elementos que desarticulam uma coerência afirmativa.
O primeiro é o foco na atuação e na interpretação como um modo de vida.
Talvez "Jogo de Cena" (2007), de Eduardo Coutinho, tenha aberto uma trilha.
Mais clara aos cineastas jovens.
Uma trilha que delineou documentários “de”, “sobre” e “com” atores.
Nesse diapasão, câmera, cena e atuação ganham mais do que combustão química.
Criam, juntos, um jogo de máscaras e de espelhos.
E captam, principalmente, o rosto do performer.
Em vez das máscaras vestidas.
O espaço da performance seria o local de onde a mise en scène também brotaria.
De forma cristalina e evidente.
Castanha – seja o personagem, seja o sujeito documentado – é um performer.
Veste-se de mulher e anima um público gay de casas noturnas.
Convive, assim, ao longo dos anos, com um ambiente de prostituição.
Filma-se seu cotidiano diurno.
Sempre meio lento e tedioso.
Alternando-se com seu convívio na noite.
Como um ator que trabalha, que vende suas piadas, seu ultraje.
Sua voz, a presença do seu corpo e da sua imagem.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Colaboração no Roteiro +++

João Carlos Castanha assina com Davi Pretto o roteiro do filme.
Uma colaboração entre diretor e ator.
Entre documentarista e documentado.
E isso engendra uma importante diferença no tom geral do filme.
Há mais do que uma cumplicidade.
E a procura por um pacto ou equilíbrio ético.
Mas uma confiança no estilo do filme que foi feito.
E, durante a filmagem, a partilha dos mesmos valores.
Das mesmas perguntas dramáticas.
Em "Castanha", ética e estética estão mais do que entrelaçados.
Eles complementam-se.
O filme também possui um roteiro que delineia bem os personagens.
O ambiente, os pequenos conflitos.
O plot concentra-se entre tensões interiores da família.
E nos (des)prazeres de fuga que a noite de Porto Alegre desperta no ator.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Círculo de Interações +++

Assim, o filme interage com o círculo imediato de indivíduos.
Que estão ao redor da vida real do ator e personagem.
Sua mãe, Celina, que visita o pai, Jairo, no asilo.
Dele Castanha deliberadamente não gosta.
E só visita em uma sequência.
Há os amigos da noite.
Um pai de santo do candomblé.
O sobrinho viciado em crack.
Parte-se desse ambiente, muito próximo a um retrato biográfico.
Para suscitar uma mise em scène com uma tônica fortemente observacional.
São instantes de interação, diálogo.
Em que a dramaturgia é apenas um sopro de sugestão.
E a câmera capta o que dali sair.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - As Escolhas Trágicas +++

Castanha é um filme que ressalta escolhas.
E, claro, suas consequências, às vezes trágicas.
Há, primeiro, a opção, insistente, apaixonada, pela profissão de ator.
Numa determinada cena, João Castanha vai ver um filme.
E comenta, em over, seus sonhos, seus reclames.
Tem certeza que se tivesse nascido em outro país, que não no Brasil.
E com uma produção cinematográfica consistente.
Teria sido um grande ator, uma ‘estrela’, obteria reconhecimento.
Mas, o filme do qual ele é o protagonista mostra a atuação de Castanha.
Em curtas universitários, comerciais locais, peças, gravações musicais.
Além, claro, de sua performance nos clubes noturnos masculinos.
Retrata-se o ambiente gay e a cena artística undergournd de Porto Alegre.
Junto ao retrato e às atuações de João Castanha.
Bem enviesado por um contexto de inferninho dos anos 1980.
E da geração que vivenciou (e sobreviveu) à Aids.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - O Elemento Morte +++

Como elemento importante, a morte figura como a outra face, oculta.
E perambula entre as escolhas, biográficas e cênicas, de João Castanha.
Dramaticamente, esse enfrentamento com a morte ganha a cena metafórica.
Já na abertura do filme.
Quando João Castanha caminha nu, à noite, ensangüentado.
Como se flertasse com sua própria morte.
No filme, há o outro elemento mais evidente de morte.
Este se revela nas sequências referentes ao sobrinho viciado em crack.
Ali, a morte é encarada tanto como um dilema ético.
Como uma violência latente que atravessa a realidade.
E o dia a dia de João Castanha.
Pode-se ler a morte como um elemento intrínseco ao ofício do ator.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" e "O Mito de Sísifo" +++

Albert Camus chama a atenção para o ator.
No seu ensaio sobre O Mito de Sísifo.
Ele é uma força estética.
E enfrenta, a cada dia, o absurdo da vida.
O absurdo, fugidio, de forjar um sentido.
De criar um personagem.
De acreditar nele.
Para voltar a viver um cotidiano nulo de qualquer significado.
Essa nulidade pode ser a própria morte.
E é o que, no filme, retrata o dia a dia de Castanha.
São gestos constantes de vestir e retirar máscaras.
Gestos de reinvenção.
De respiros profundos numa respiração já trôpega.
E que precisa renovar uma fôlego que, aos poucos, se esvai.

Roteiro e filme enfrentam esses lados obscuros.
Num retrato que não é heróico.
E nem vacila no seu oposto pessimista.
Mas, ao contrário, tenta encarar um lado sem lume.
Difícil, que cada sujeito carrega consigo.
É nesse sentido que o tempo e a mise em scène enfatizam.
Tanto o enfrentamento direto com essa face obscura.
Como uma vontade de fuga, já impossível.
Por isso, a edição de som acaba propondo escapes espaciais.
Paisagens imaginárias.
Mas sempre constrangidas pelo quadro fixo.
O som, ali, atua como vetor de desmanche.
Como elemento dispersivo.
Como se Sísifo uivasse por uma fuga vã.
Enquanto carrega seu fardo montanha acima.
Ouve-se, canta-se, e até espanta-se alguns males.
Mas, ao final, volta-se ao quadro, fixo e inerte.
De um cotidiano áspero.
A pedra rola abaixo.
E é preciso recomeçar, recomeçar, recomeçar.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa-metragem "Castanha" no Festival de Berlim +++

O ator João Carlos Castanha tem 52 anos.
Trabalha no teatro.
Faz eventuais participações em filmes.
E, à noite, se apresenta em boates gays de Porto Alegre.
Como transformista.
Vive com a mãe, Celina, de 72.
É uma pessoa real e um personagem.
Dele surgiu "Castanha", longa do diretor Davi Pretto.

A estreia mundial será na próxima sexta-feira (7).
Na programação do 64ª Festival Internacional de Cinema de Berlim.
Um dos mais importantes festivais de cinema do mundo.
E que começa no dia 6 de fevereiro.

Davi conheceu João ao filmar um curta na faculdade de cinema.
A ideia de gravar sobre ele veio um pouco depois, em 2010:

"É um cara que sempre foi muito ligado com a arte da interpretação…
E eu comecei a pensar o quanto a gente está interpretando.
Tipo eu, por exemplo.
Estou aqui interpretando.
Que sou culto, legal, que tenho uma carreira, né?
Tá todo mundo interpretando exatamente agora.
Só que ele nasceu pra atuar.
Passa o dia inteiro atuando.
Sai de uma peça infantil.
Vai pra uma casa de shows.
E lá se traveste mulher.
No dia seguinte faz um filme interpretando um gaúcho, sabe?
Aos poucos, me liguei que em casa ele também interpretava.
E aí começa a confusão.
Não há diferença entre uma coisa e outra".

Castanha é o único filme brasileiro da mostra Forum.
Anteriormente chamada de Forum of New Cinema.
Esta tem como característica o viés experimental.
Seja pelo tema, pela narrativa, por uma abordagem particular.
Ou pelo modo não-usual da filmagem.

Feito no período de um ano.
Pouco para a finalização de um longa.
O projeto inicial de Castanha era mais simples.
Com a pesquisa intensa sobre a vida de João.
O que consistiu de muitas visitas à casa dele.
E aos lugares em que trabalhava e frequentava.
O filme fez de si mesmo um longa.

Davi é o diretor e roteirista.
E esteve acompanhado da produtora Paola Wink na entrevista.
Ele deixou transparecer a forma natural de como o roteiro aconteceu.
Entre dezembro de 2012 e dezembro de 2013.
E de como essa naturalidade possibilitou o formato do filme.
Que transita entre ficção e documentário.

Adaptado de Sul 21 - 2, fevereiro, 2014

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa-metragem "Castanha" no Festival de Berlim +++

Mostrar a linha que divide vida real de fantasia não é a intenção.

"Como as duas coisas não tinham mais diferença, aceitamos.
'Então tá, vamos fazer um filme assim’.
As pessoas que viram perguntam sobre a realidade de algumas cenas.
Mas não tem o que explicar.
A ideia era que a pessoa visse o filme e se perdesse em algum momento.
E mais: entender que no final tu não tens que ficar se perguntando.
Esta é a proposta".

A produtora Tokyo Filmes já fez de seis curtas, desde 2009.
Com “praticamente nenhum dinheiro”.
Um deles, teve o orçamento de R$ 300,00.
Esta experiência contribuiu para o desenvolvimento do filme.
Ele foi subsidiado com R$60 mil por edital do Fumproarte 2012.
Como um projeto de curta-metragem.

É uma trajetória de trabalhar de forma independente.
E quase sempre com a mesma equipe.
Disposta a filmar de qualquer maneira.
Isso habilitou o cineasta.
A transformar "Castanha" em um longa-metragem de 95 minutos.
O dia em que o set de filmagens teve mais gente, foram dez pessoas.
Algumas vezes, filmaram com apenas três.
No elenco principal, Castanha e a mãe, Celina.
Como personagem coadjuvante, até a mãe do diretor atuou.

"Quando fomos rodar, pensamos: a gente já sabe fazer sem dinheiro.
A gente não vai errar.
Vamos nessa do jeito que for.
É por isso que um filme sessenta mil vira um longa.
Porque tem pessoas que querem fazer isso.
A trajetória com os curtas nos impediu de cometer erros de produção".

A narrativa foi determinada por esta característica de produção.
Davi fala que, com menos recursos, foi possível arriscar esteticamente.
E experimentar mais facilmente, sem medo.
Depois de selecionado para Berlinale, o filme foi finalizado às pressas.
E a cópia teve que ser entregue em mãos em Berlim nesta semana.
Pois não haveria tempo hábil para entrega pelo correio.

Castanha, o personagem, embarcou para Berlim com a equipe.
E verá o filme pela primeira vez no festival.
No meio de uma plateia de aproximadamente 500 pessoas.

Adaptado de Sul 21 - 2, fevereiro, 2014

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" Brinca com Limites entre Documentário e Ficção +++

Primeiro filme do gaúcho Davi Pretto.
Teve estreia na mostra Forum da Berlinale.
Entre o encenado e a realidade.
Diretor vai a fundo no universo e na essência.
Do ator e transformista João Carlos Castanha.
Não é uma tarefa fácil.
Revelar o que se encontra atrás da maquiagem.
E do figurino de um ator.
Uma escolha que pode destruir a fantasia.
E o fascínio criados pelos palcos e os holofotes.

Mas esse é o convite do diretor gaúcho Davi Pretto em "Castanha".
Que teve exibição na noite desta sexta-feira (07/02).
Dentro da mostra Forum da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim.
Pretto e Castanha se conheceram em 2008.
Quando o diretor rodava "Quarto de espera".
Seu curta-metragem de estreia.

"Toda vez que enquadrava o João, ficava impressionado com o rosto dele.
Foi algo meio mágico", disse o diretor à DW Brasil.
O fascínio pelo rosto e o olhar de Castanha levou o diretor.
A querer trabalhar novamente com o ator.
"Queria fazer um 'filme de ator'.
Nos moldes do John Wayne ou Cassavetes.
Pelo grande ator que ele é", explicou.

Pretto começou a pesquisar.
E acabou se fascinando não só pelo ator João Carlos Castanha.
Mas por sua história, universo.
E sua misteriosa e enigmática maneira de encarar a vida e seu trabalho.
Em 2011, surgiu a ideia de fazer um filme sobre Castanha, que topou.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Melhor Maneira para Contar Aquela História +++

Castanha tem 52 anos.
E vive com a mãe Celina em um apartamento no subúrbio de Porto Alegre.
Ele se ocupa com o trabalho de transformista em clubes gays da cidade.
E com pequenos papeis em peças de teatro, filmes e televisão.
Primeiramente, o filme seria um documentário de observação.
Sem roteiro, levado pela vida e pelo cotidiano de Castanha.

"Comecei a pensar no papel da ficção na vida dele.
Já que está sempre atuando.
Ele tem uma vida multifacetada.
Passando rapidamente de um personagem para o outro.
Essas muitas ficções que ele vive começaram a me fascinar", contou o diretor.

O filme ganhou uma dimensão maior.
Quando Pretto começou a frequentar a casa de Castanha.
Como parte do processo de pesquisa.

"Percebi que em casa ele era outro personagem.
Com os amigos ele era outra coisa.
Comecei a pensar como sempre nos reinventamos para as outras pessoas.
Perdemos muito tempo criando essas histórias", disse.

Assim, o projeto começou a se transformar.
Embaralhando ficção e realidade em um formato só.
Foi desenvolvido um roteiro que partia de situações concretas e subjetivas.
Para melhor se aprofundar no universo de Castanha.

"Eu dizia o que ele deveria fazer nessas situações.
Que começaram a aparecer a partir do roteiro", explicou Pretto.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Visão particular da realidade +++

O diretor nos transporta ao coração da família Castanha.
Jogando com os tênues limites entre ficção e realidade.
Somos levados a um épico de microproporções.
Através do universo de João e de sua relação com a mãe.
Uma jornada pessoal, que não é marginal.
Mas que é contada pelas bordas.
Pelos pequenos dramas de uma vida amarrada.
Pelo destino de ser quem você é.

"Comecei a perceber como o contexto da homofobia no Brasil cerca o filme.
Depois que o filme estava pronto.
Todos os personagens são muito marginalizados.
O que não parece à primeira vista porque eles são os protagonistas.
Mas através dessa história, podemos ver esse Brasil", disse o diretor.

As filmagens de Castanha ocorreram durante os protestos.
Que tomaram contam das ruas do Brasil no ano passado.
Um fato marcante que acabou entrando no filme de uma maneira natural.
E acrescentou um pano de fundo poderoso à história.

"Eu sempre fui muito fiel ao João.
Ele não se importa com essas coisas e estava sempre distante.
Os protestos afetaram o cotidiano das filmagens.
Mas colocamos no filme da maneira em que ele via aquela situação:
Através da televisão", explicou Pretto.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Verdade Através da Intimidade +++

O filme foi feito com uma equipe pequena.
Fato comum na realização de documentários.

"Tínhamos sempre só três pessoas no set de filmagem.
Era o máximo que podíamos ter para criar intimidade.
Eu não gosto da definição documentário e ficção.
Não é dessa maneira que eu encaro o cinema", completou o diretor.

Através do fascínio, da admiração e principalmente da confiança.
Alcançou-se a verdade e a cumplicidade necessárias a um projeto como Castanha.

"Conheci o Davi quando ele ainda era estudante.
Sou um fã de David Lynch e cinema europeu.
Fizemos um curta juntos.
E eu gostei muito da estética dele", disse João Carlos Castanha à DW Brasil.

A viagem para Berlim foi apenas a primeira internacional de Castanha.
E a estreia no festival será a primeira vez que o ator verá o filme.
Que conta a história da sua vida.

"Eu confio muito no trabalho do Davi.
Assim, fica muito mais fácil de me entregar.
Chegava um momento que eu anulava a câmera.
Não tenho vergonha e pudor de fazer nada.
Sou muito bem resolvido", contou o ator.

Castanha é uma espécie de celebração marginal de uma figura enigmática.
E que através dos combates diários encontra as razões para estar vivo.

"Vou me emocionar muito, mas não tenho medo.
O Davi já faz parte da família", concluiu Castanha.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Entre o Real e a Ficção +++

Ator e transformista gaúcho de meia-idade é o protagonista.
E o corroteirista do filme de Davi Pretto
Que pontua narrativa com fortes doses documentais

Castanha nos apresenta o cotidiano do personagem do título.
Em um esboço possível de narrativa.
José Carlos Castanha é um ator gaúcho cinquentão.
Que à noite se traveste e anima boates de Porto Alegre.
Durante o dia, sem os adereços femininos, uma realidade dura se impõe.
Há a mãe solitária, depois que o marido foi para um asilo.
E, mais desafiador, um sobrinho dependente de crack.
E da casa para obter dinheiro.
As ameaças e os roubos desafiam Castanha.
Tanto quanto os delírios, medos e frustrações.
De um intérprete que acredita merecer mais.

Todo o quadro realista de um indivíduo que reflete sobre problemas.
E os enfrenta surgiria de antemão incomum.
Não fosse ainda contaminado por forte dose documental.

Castanha existe fora do filme de Davi Pretto.
O transformista assina o roteiro com o diretor.
O que confere autenticidade à obra.

O espectador, a princípio, não sabe quem são os atores e os personagens reais.
O jogo estimula a compor uma noção de verdade e ilusão própria.
Do protagonista e do espectador.

Adaptado de Carta Capital

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" (1970) +++

Diretor - Odilon Lopez
Roteirista - Odilon Lopez
Diálogos por Luis Fernando Verissimo

Elenco
Araci Esteves
Odilon Lopez - Crioulo
Francisco Silva - Magrão

"Com Um Pouquinho de Sorte"
+ Abraão Gabinski;
+ Amélia Bittencourt;
+ Carlos Carvalho;
+ César Magno;
+ Eduardo Braul;
+ Luiz Carlos Magalhães.

"Vida Nova Por Acaso"
+ Angela Grossier;
+ Eny Neves;
+ Jorge Rosa;
+ Luiz Fernando;
+ Margarida Linera;
+ Vânia Brown.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" (1970) +++

"Um é Pouco, Dois é Bom" é um filme de drama brasileiro, de temática urbana.
Produzido e filmado no Rio Grande do Sul.
Mais precisamente, em Porto Alegre, em 1970.
A obra é dividida em duas partes.
Elas contam com diferentes núcleos de personagens.
E estruturas narrativas independentes.
Foi o primeiro longa-metragem brasileiro de diretor negro, Odilon Lopez.
E é o único filme dirigido por ele.
O cineasta também concebeu o roteiro.
E os diálogos ficam por conta de Luís Fernando Verissimo.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Sinopse +++

O filme relata os hábitos e costumes da classe média de Porto Alegre.
No início dos anos 70.
E os conflitos financeiros da realidade em que estão inseridos.
Faz parte de um importante movimento do cinema gaúcho.
Que contempla uma nova fase de abordagem dos personagens.
Rompe com o esteriótipo do gaúcho bucólico.
E traz uma nova imagem à tona: o Gaúcho Urbano.

O longa busca, em contrafluxo, fugir do gauchismo predominante em 1970.
Desfoca-se do cenário dos pampas e ampliando-o a novos horizontes.
Como a cidade grande e o litoral.

A obra do cineasta é considerada, portanto, precursora do cinema urbano gaúcho.
Divide-se em dois episódios: Com Um Pouquinho de Sorte[7] e Vida Nova por Acaso.
E conta com a atuação de Araci Esteves, Francisco Silva e o próprio diretor.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Os Dois Episódios +++

"Com um Pouquinho de Sorte"
O episódio conta a história de um casal modelo da classe média.
A mulher trabalha como comerciante.
E o marido é mutuário do Banco Nacional da Habitação.
O enredo gira em torno da crise pela qual passa o casal.
Após o marido ser demitido.
Não conseguindo assim pagar pela casa em que vivem.
Concomitantemente com a recém chegada de seu primeiro filho.

"Vida Nova por Acaso"
Já o segundo episódio conta a história de dois ladrões recém libertos.
E suas peripécias nada bem sucedidas.
Um deles apaixona-se perdidamente por uma loira de alta classe social.
Envolvendo no filme um amor platônico.
Tentam sobreviver e permanecer longe do encarceramento.
Motivados pela busca do reconhecimento da sociedade gaúcha.
Sem êxito, voltam para o presídio.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Os Dois Episódios +++

A programação da 12ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto vem jogando luz.
A vários casos em que a preservação da memória audiovisual brasileira.
E está atrelada à vontade pessoal de familiares de realizadores.
Isso pôde ser verificado na sessão de abertura, com Desarquivando Alice Gonzaga.
E através da exibição do filme de episódios Um é Pouco, Dois é Bom (1970).
Filme de Odilon Lopez, um dos primeiros negros a dirigir um longa no Brasil.

Vanessa Lopez, a filha, guardou um quadro guardado na casa, em Porto Alegre.
Ele atesta a participação do filme na 2ª Mostra do Cinema Nacional de Gramado.
O evento ocorreu em 1971.
E precedeu a criação, dois anos mais tarde, do tradicional Festival de Gramado.
Também foi em sua residência que Vanessa guardou os arquivos audiovisuais do pai.
Como os rolos do único longa-metragem de ficção realizado por ele.

Um é Pouco, Dois é Bom havia tido sua última exibição pública há 16 anos.
Após a morte de Odilon.
E provocou ótima repercussão na 12ª CineOP.
Por sua experimentação de linguagem e por algumas temáticas.
Como a do racismo, retratadas em plena Ditadura Militar.

“O próprio Francis me disse que o pessoal do Sudeste não conhece o filme.
O trabalho ficou muito restrito ao Rio Grande do Sul.
A impressão é que as pessoas não entenderam o lado crítico do filme na época”, diz Vanessa.

Odilon Lopez foi repórter e cinegrafista da TV Piratini.
E também trilhou carreira como ator de rádio, teatro e televisão.
Seu único personagem no cinema foi em “Vida Nova Por Acaso”.
O segundo episódio de Um é Pouco, Dois é Bom.
Ali ele interpreta Crioulo, um dos protagonistas.
Que realiza pequenos roubos nas ruas de Porto Alegre.
Ao lado do parceiro Magrão.

“Com Um Pouquinho de Sorte” é o primeiro episódio do filme.
Nele, Jorge é um motorista de ônibus.
E Maria, uma comerciária.
Eles se casam e vão residir em um apartamento popular.
Mas a euforia inicial se esvai.
Quando ambos perdem o emprego e ela está prestes a ter um bebê.

Os dois episódios são estruturalmente parecidos.
Com inícios que apostam em uma crônica de costumes.
Mais convencional e bem-humorada.
E com partes finais em que há guinadas formais das mais interessantes.

No primeiro episódio, no momento em que Jorge decide resistir ao despejo.
A filmagem em preto e branco e os ângulos oblíquos
Dão conta da instabilidade emocional do personagem.
E há um paralelo entre sua negativa a abandonar a residência.
E as dificuldades da mulher em dar à luz.
O plano final, com o recém-nascido de ponta cabeça, é muito impactante.
Principalmente quando contraposto ao idilismo sugerido pelas cenas iniciais.

No segundo episódio, a dupla de criminosos sai da cadeia.
E volta a cometer pequenos delitos.
A situação muda quando uma mulher rica se aproxima de Crioulo.
Atraída pela semelhança dele com um antigo conhecido.
A relação amorosa entre eles tangencia o conto de fadas.
Da ascensão socioeconômica.
Mas tudo muda quando o personagem é reconhecido como batedor de carteiras.
Tudo mesmo, inclusive a forma do filme.
Que passa a ter um teor psicodélico.
Com direito a uma diabinha.
Que lembra alguns filmes de Georges Méliès.
E a cenas na praia que remetem ao universo felliniano.

Houve também quem apontasse semelhanças com o filme norte-americano Corra!.
Lançado há pouco tempo nos cinemas brasileiros.
Nos dois trabalhos estão presentes a obsessão voyeurística.
E muitas vezes mal-intencionada de pessoas brancas por negros.
E uma tentativa posterior de restabelecer o status quo.
“É incrível que, 47 anos depois, o filme renda essas comparações.
Isso mostra a originalidade e a atualidade do trabalho”, comenta Vanessa Lopez.

Os rolos do filme ainda estavam na casa de Vanessa.
Depois da exibição em Ouro Preto, devem ganhar finalmente uma preservação apropriada.
Através da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre.
Possibilitando que o trabalho de Odilon Lopez consiga ser descoberto por outros públicos.

Adaptado de Adriano Garrett (Cine Festivais).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Cinepop +++

“Com Um Pouquinho de Sorte”
Jorge, motorista de ônibus.
E Maria, comerciária.
Casam-se e vão redidir num apartamento popular.
Ela, grávida, é despedida do emprego.
E ele, sofrendo um acidente, tem o mesmo destino.
Desempregado, o motorista atrasa as prestações do apartamento.
Para fazer um biscate, vira camelô, bicheiro e termina preso.
Solto, sabe que sua mulher está dando à luz.
Quando ele chega em casa, a Justiça aparece com ordem de despejo.
Jorge resiste, enquanto o filho nasce.

“Vida Nova Por Acaso”
Magrão e Crioulo vivem às custas de pungas de bolsas femininas.
Nas ruas centrais de Porto Alegre.
Embora nem sempre sejam bem-sucedidos em seus golpes.
Magrão sonha aposentar-se algum dia.
E Crioulo imagina os dias de fausto.
Em que poderá comer mocotó na volta do mercado.
Numa festa, eles são reconhecidos como batedores de carteira.
A nova vida fica para outra ocasião: retornam à penitenciária.

Adaptado de Cinepop.

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