segunda-feira, 29 de maio de 2017

Locações de Filmes em Santa Tereza

A cidade de Santa Tereza fica na Região dos Vinhedos. Em 1875, italianos iniciaram colonização da região. O atual município já serviu como locação a pelo menos duas produções nacionais.

Wagner Moura e Lázaro Ramos, em Saneamento Básico, O Filme (2007)
Wagner Moura e Lázaro Ramos, em
Saneamento Básico, O Filme (2007)

O roteiro tem como inspiração uma novela de Antonio Skármeta.
Do autor chileno que escreveu “O Carteiro de Pablo Neruda”.
O Carteiro e O Poeta” é uma adaptação do romance ao cinema.

O Filme da Minha Vida” tem Vincent Cassel no elenco principal.
Selton Mello dirige e também atua neste longa-metragem. 
Além de Santa Tereza, o filme também registrou cenas em:

Vincent Cassel e Selton Mello em 'O Filme da Minha Vida'
Vincent Cassel e Selton Mello em 'O Filme da Minha Vida'


Saneamento Básico, O Filme (2007) 112 minutos
O filme também tem locações em Bento Gonçalves e Monte Belo do Sul.

5 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida +++

O jovem Tony (Johnny Massaro) decide retornar a sua cidade natal.
Remanso, na Serra Gaúcha.
Ao chegar, descobre que Nicolas (Vincent Cassel), seu pai, voltou à França.
Alegava sentir falta dos amigos e do país de origem.
Tony acaba tornando-se professor.
E se vê em meio aos conflitos e inexperiências juvenis.

Baseado no livro “Um Pai de Cinema” de Antonio Skármeta.

Selton Mello volta a trabalhar com o roteirista Marcelo Vindicato.
Depois de Feliz Natal (2008) e O Palhaço (2011).

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Selton Mello estreou na direção de longas, em 2008.
E o resultado veio com uma surpresa.
Ator talentoso e dono de uma carreira admirável.
Em "Feliz Natal", revelava uma maturidade notável.
Como indivíduo e como artista.
Criando uma narrativa densa e frequentemente dolorosa.
Através da dinâmica entre personagens angustiados.
Um tom diametralmente oposto a do magnífico filme seguinte.
"O Palhaço" equilibrava-se maravilhosamente bem.
Entre o humor e o drama.
Assim, eu talvez não devesse ficar tão surpreso.
Com a força de seu terceiro trabalho, "O Filme da Minha Vida".
Mas fiquei.
Não por suspeitar da competência de seu realizador.
Mas por não esperar sua capacidade de evocar sentimento tão intenso de nostalgia.
E o fato de ter sido fotografado pelo mestre Walter Carvalho não atrapalha, obviamente.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Baseia-se no livro do chileno Antonio Skármeta.
Que faz uma breve participação na sequência que se passa em um bordel.
O roteiro foi escrito por Mello ao lado de Marcelo Vindicato.
Seu colaborador habitual.
E conta a história de Tony (Massaro), um jovem professor.
Filho do imigrante francês Nicolas Terranova (Cassel).
E da brasileira Sofia (Clais).
Mora em um pequeno vilarejo no sul do país.
Deixando-o temporariamente ao fim da adolescência.
Para cursar faculdade em uma cidade grande.
Quando ele retorna, porém, recebe a notícia de que seu pai retornou à França.
Sem explicações, deixou a esposa sozinha.
E como foco da atenção de Paco (Mello), antigo amigo da família.
Buscando lidar com aquele abandono.
Ao mesmo tempo em que inicia a vida adulta.
Como professor em uma escola local.
Tony se divide também entre as irmãs Luna (Linzmeyer) e Petra (Arantes).
Que o atraem de maneiras diferentes e particulares.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Fotografado com inteligência e sensibilidade por Carvalho.
Este oscila entre a nostalgia de um sépia levemente dessaturado.
E o romantismo de passagens com cores mais intensas.
E com flares e contraluzes pontuais.
Que, por sua vez, se contrapõem à escuridão.
E ao triste cinza de uma sequência sob a chuva.
"O Filme da Minha Vida" é uma obra com cor de saudade.
E a melancolia que inspira no espectador é movida não a pessimismo, mas a afeto.
Além disso, o Cinema já tem um dom particular para o simbolismo.
E aqui tudo parece se converter instantaneamente em signos.
Um rádio se torna a tradição contrastada à vápida televisão.
A França se converte em uma representação da saudade e da deserção.
O clássico Rio Vermelho ilustra a ambiguidade de Tony.
Com seus conflitos relacionados a figuras paternas.
Uma bicicleta é a manifestação de um aprisionamento na infância.
E uma moto é simultaneamente a saudade e a divisa entre a meninice e a vida adulta.

Boa parte da poesia intrínseca encontra-se em sua linda compreensão.
Acerca da natureza da memória e como esta é ao mesmo tempo prisão e liberdade.
Como Tony pode se esquecer do pai, como sugere Paco.
Se foi aquele quem o ensinou a andar de bicicleta.
E, assim, encontra-se ao seu lado todas as vezes em que pedala de casa para o trabalho?
Do mesmo modo, o diretor sabe como as memórias.
Têm o poder de nos devolver às idades que tínhamos quando foram formadas.
E, portanto, é apenas normal.
Que Tony volte a ser representado na tela por sua versão infantil.
Ao lembrar-se da figura imponente do pai.
Afinal, a recordação o torna criança.
E não podemos ignorar, tampouco, como as memórias transformam tudo em signo.
Um presente se converte na representação de uma relação.
Um dia chuvoso se torna um ideal romântico passado.
Ou a angústia de um amor perdido.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Tomemos, como exemplo, o quarto de Petra.
Concebido pelo excelente designer de produção Claudio Amaral Peixoto.
Como um pequeno altar às vitórias da moça em concursos de beleza.
O aposento traz, naqueles troféus empoeirados, não uma afirmação de suas conquistas.
Mas a lembrança dolorosa de um passado melhor do que o presente.
Um presente, por sinal, que a cada dia avança rumo ao futuro.
E afasta a moça ainda mais daquilo que era sua única força verdadeira.
Sua juventude e a beleza que a acompanha.
Aliás, vivida por Bia Arantes como uma mulher que sabe.
Que cada olhar que lança a Tony (e aos homens de modo geral) tem a força de uma faca.
Petra ainda assim mal consegue ocultar uma vulnerabilidade subjacente.
À sua aparente autoconfiança.
Como se temesse ser desmascarada a qualquer momento.
Enquanto isso, sua irmã Luna é encarnada por Bruna Linzmeyer.
Como um reflexo quase perfeito da outra.
Já que, aos poucos, seu olhar vulnerável de mulher apaixonada vai cedendo lugar.
A uma força crescente – força que se tornará fundamental para o amado.

Transição igualmente complexa é retratada por Johnny Massaro.
Cujo rosto jovial e livre das marcas provocadas por decepções.
Torna-se gradualmente mais severo e menos inocente.
Permitindo que percebamos como sua ingenuidade está sendo arrancada uma decepção por vez.
O que, de forma fascinante, parece torná-lo mais forte.
E se Vincent Cassel inicialmente confere vida, força e intensidade a Nicolas.
Estas características progressivamente cedem espaço ao pesar resignado.
De alguém que sente ter uma dívida impossível de pagar.
Mas que ainda assim se sente preso a esta.
Para completar, Selton Mello interpreta Paco como um homem.
Que simultaneamente exala gentileza e ameaça.
Levando o espectador a compreender – mesmo reprovando – algumas ações.
Que, nas mãos de um ator menos capaz, afastariam o público de vez.
Ao passo que Rolando Boldrin simboliza um passado cheio de histórias e lembranças.
Com sua simples presença e seu rosto forte e expressivo esculpido pelo tempo.

Em certo momento, Paco explica a Johnny por que não gosta de ir ao cinema:
“É um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros.
Em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida”.
Pois de minha parte só tenho a agradecer aos responsáveis por esta obra.
Por me permitirem passar este tempo ao lado de personagens tão belos.
Em um universo tão cheio de afeto.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

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