quarta-feira, 24 de maio de 2017

Locações de Filmes em Osório

O município é a porta de entrada para as praias do Litoral Norte do RS. Ali, inicia a Estrada do Mar. Osório também faz divisa com Tramandaí. E serviu de locação a, pelo menos, dois filmes recentes.

Miriã Possani e Carina Dias, em 'Nós Duas Descendo a Escada' (2015)
'Nós Duas Descendo a Escada' (2015)

A Última Estrada da Praia (2010) 93 minutos
Também tem locações em Balneário Pinhal, Cidreira e Porto Alegre.
O filme participou do Festival Internacional Lume de Cinema.
E Fabiano de Souza recebeu o prêmio de Melhor Diretor.

A Última Estrada da Praia (2010) - Montanha Russa
A Última Estrada da Praia (2010)


Nós Duas Descendo a Escada (2015) 98 minutos
Os encontros em escadas de Porto Alegre deram nome ao filme.
Mas uma das mais belas cenas ocorre no Morro da Borússia, em Osório.
A Praia de Imbé também serviu de locação a uma cena.
A primeira exibição ocorreu no Festival de Gramado.

17 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Diretor: Fabiano de Souza
Roteiro: Fabiano de Souza e Vicente Moreno
História Original: Dyonelio Machado

Rafael Sieg - O Desconhecido
Marcos Contreras - Norberto
Miriã Possani - Paula
Marcelo Adams - Léo
Sirmar Antunes - Seu Procópio
Janaína Kremer Motta - Cobradora
Nélson Diniz - Homem em Branco
Girley Paes - Dono do Bar

Festival International Lume 2011
+ Melhor Direção: Fabiano de Souza

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Livre adaptação de "O Louco de Cati", de Dyonelio Machado.
É a história de três grandes amigos, e também amantes.
Leo, Norberto e Paula viajam pelo litoral gaúcho.
E encontram um homem estranho.
Este não fala, e acaba, seguindo viagem com os três.
Juntos, os quatro fazem novas descobertas.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

O livro "O Louco do Cati", de Dyonélio Machado, originou o programa O Louco.
O especial é parte da série "Escritores", uma produção da RBSTV.
Desta série, saiu o longa de Fabiano de Souza "A Última Estrada da Praia".

O enredo traz Léo, Norberto e Paula.
Os três amigos partem para uma aventura pelo litoral gaúcho.
Mas no início da viagem encontram um estranho.
Quem é este homem ninguém sabe, pois ele não fala.
Mas aceitam sua companhia na aventura.
E esta tem como objetivo principal curtir o percurso sem pressa.

O cenário são as areias do sul do país.
Ali, o amigo silencioso se defronta com seus temores.
E Léo, Norberto e Paula esbarram nas fronteiras de um relacionamento triangular.
Juntos, descobrem que por mais que tentem, não é possível ser feliz o tempo todo.

Adaptado de Guia da Semana.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Ficha técnica +++

Direção: Fabiano de Souza
Produção: Aletéia Selonk, Gilson Vargas e Milton do Prado
Produção Executiva: Aletéia Selonk
Direção de Produção: Camila Machado
Roteiro: Fabiano de Souza e Vicente Moreno
Fotografia: André Luis da Cunha
Música: Arthur de Faria
Som Direto: Gabriela Bervian
Desenho de Som: Tiago Bello e Alexandre Kumpinski
Montagem: Milton do Prado
Arte: Adriana Borba
Elenco: Rafael Sieg, Marcos Contreras, Miriã Possani, Marcelo Adams
Financiamento: Fundo Municipal de Apoio à Cultura – FUMPROARTE
Apoio: RBS TV, Link Digital, Cabine Audiolab, Bunker Recording Studio.
Realização: Rainer e Okna Produções

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Leo, Norberto e Paula são muito mais que amigos.
No início de uma viagem para o litoral, conhecem um estranho que não fala.
Os quatro partem num périplo em que o sabor do percurso é vivenciado sem pressa.
Leo, Norberto e Paula mergulham nas fronteiras de um relacionamento triangular.
Enquanto o amigo silencioso se defronta com seus temores.
Nas areias intermináveis das praias gaúchas, descobrem que é impossível ser alegre o tempo inteiro.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Inspirado na obra "O Louco do Cati".
Do escritor gaúcho Dyonelio Machado.
A história é uma aventura.
E envolve três amigos e um homem estranho.
Eles viajam pelo litoral gaúcho.
E, juntos, vivem experiências singulares.

O livro foi o combustível inicial para a jornada.
Que mistura um sujeito desconhecido, misterioso, com um triângulo amoroso.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Destaques +++

Iniciou carreira de festivais nacionais em 2010.
E participou de importantes eventos nacionais.
Como o Festival de Cinema de Gramado.
A Semana dos Realizadores.
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

No 1º Festival Lume de Cinema, em 2011, recebeu prêmio de Melhor Direção.

No 4º Festival de Cinema de Triunfo ganhou troféus de:
+ Melhor Direção;
+ Melhor Ator (Rafael Sieg);
+ Melhor Atriz (Miriã Possani);
+ Melhor Som e Melhor Arte.

No FestCine Maracanaú recebeu Menção Honrosa.

No circuito internacional, participou do Festival Du Nouveau Cinema de Montreal, Canadá.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Papo de Cinema +++

A "Última Estrada da Praia" é o primeiro longa-metragem de Fabiano de Souza.
Uma adaptação livre de "O Louco do Cati" (1942).
Romance político de Dyonélio Machado (1895 - 1985).
O filme estrutura-se como um road movie clássico.
Um trio de amigos programa-se para uma viagem sem destino ao litoral do RS:
Leonardo (Marcelo Adams), Paula (Miriã Possani) e Norberto (Marcos Contreras).
Minutos antes da partida, Norberto convida um desconhecido (Rafael Sieg).
E este se junta aos demais na experiência.

O filme surgiu com um curta para a série Escritores, da RBS TV.
Mas "A Última Estrada da Praia" transformou-se em longa.
Quando Rainer e Okna Produções apostaram na complementação do trabalho.
Exemplo de como o cinema brasileiro depende de soluções criativas para existir.

Com isso não é difícil entender a demarcação do filme em dois grandes momentos.
O primeiro, o qual concentra a maioria das cenas de ação.
Desdobra-se a partir do início, quando os amigos encontram o desconhecido.
E partem rumo ao litoral.
O segundo, voltado para cenas de natureza psicológica.
Dá-se a partir da dissolução do grupo.
Com a concentração do foco narrativo.
Sobre os personagens de Contreras e Sieg até o desfecho.

O desenvolvimento das cenas envolvendo o grupo evidencia os principais equívocos.
Se esperarmos que os maiores acertos estejam nas questões menos complexas.
De início, são igualmente estranhos o trio de amigos e o desconhecido.
Espera-se, então, que o roteiro nos ofereça a oportunidades adequadas.
Sejam pelo plano físico (ações e reações) ou psicológico (pensamentos, autoconsciência).
Para que possamos romper o estranhamento com os personagens.

No entanto, a estrutura de blocos viagem-parada-viagem é pouco eficiente.
Ao menos, no que se refere a reforçar as idiossincrasias do trio.
Na mais direta das tentativas, há um esforço insuficiente nesse sentido.
O grupo divide o interior de um ônibus.
Norberto projeta a forma de seu personagem em situações isoladas.
Diferentemente de Leonardo e Paula.
Como quando resolve procurar pelo desconhecido durante a noite.

Apenas a cena de rompimento entre o primeiro e o segundo momento.
Consegue desconstruir com intensidade a linearidade dos caráteres.
Nela, há um forte desentendimento de Norberto com os companheiros.

O recurso de filmar primordialmente com a câmera na mão consegue boas cenas.
E, por vezes, constrói sequências que alçam o filme a um patamar mais elevado.
Por outro lado, o uso indiscriminado perturba a conexão do público com a cena.
Da mesma forma, há os vícios televisivos em enquadramentos.
Como o do rosto da cobradora de ônibus, logo no início.
Eles não colaboram para a fruição do longa.

O segundo momento de "A Última Estrada da Praia"...
Volta-se primordialmente para a relação de Norberto com o desconhecido.
A estridente e excessiva atuação do trio é eliminada.
Em vistas do ganho indubitável de introspecção.
Há uma exigência redobrada das atuações de Contreras e Sieg.
Bem como da direção e do roteiro não parece ser um problema.
Aí, a direção de Fabiano mostra-se mais contundente.
Diante da perspectiva desafiadora de expressar o máximo com o mínimo que
E encaminha o filme ao encontro de seus melhores momentos.

Há a conjunção dos silêncios e da imensidão desoladora das praias.
Elas proporcionam um segmento dramático.
Que culmina no desespero de Norberto ao interpelar seu companheiro.
Pois a relação de cumplicidade entre ambos se funde na mesma necessidade.
Ao buscar salvar-se, Norberto nem imagina que salva também quem o acompanha.

O ponto menos sofisticado desse segundo momento é justamente o final.
Longe de fazer jus à pulsão de vida que encontramos até então.
A decisão de Norberto ao ficar na casa de alguém que conhecera há poucos minutos.
Soa mais como final apressado.
Do que decisão embasada em seu personagem ou em sua busca.

Adaptado de Willian Silveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” (2015) +++

Elas são bem diferentes.
Adri acabou a faculdade de artes.
Mas vive naquele limbo posterior à formatura.
Perdida entre a terapia e um bico em uma livraria.
Além das conversas com o único amigo.
Mona é uma arquiteta sem neurose.
Com planos, dinheiro e uma turma cheia de parcerias.
Então, as duas se conhecem, ao acaso.
Na escada de um prédio comercial de Porto Alegre.
Uma paixão, com a cidade de fundo.
E o vento soprando os dias.
Entre a primavera e o inverno.
Entre o céu azul e o algodão das nuvens.
Elas redescobrem que a intimidade tem seus encantos.
Nove meses. Nove escadas. E nove estações de amor.

Duração: 1h47min
Diretor: Fabiano de Souza
Redação: Fabiano de Souza

Elenco:
Carina Dias (Mona)
Miriã Possani (Adri)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” +++

Escrito e dirigido por Fabiano de Souza.
Estrelado por Carina Dias e Miriá Possani.
A produção acompanha nove meses do relacionamento de duas mulheres.
Iniciando pelo final de semana em que elas se conhecem.

"A ideia era fazer um filme com intensidade que reverberasse a alma apaixonada.
Um filme que vibrasse com cores, diálogos e músicas.
Embebido de melodrama, musical, comédia, cinema íntimo, existencial.
Com alegria e tristeza no último volume", explica o diretor.

A música original foi composta por Frank Jorge.
Inspirada nos primeiros filmes do mestre francês François Truffaut.
"Me ajude a lembrar" é uma canção de clima sessentista.
E ganhou um videoclipe produzido pela Rainer Cine.

Adaptado de Roger Lerina, Zero Hora

Leonardo Brocker disse...

+++ Festival de Gramado 2015 +++

Éneas de Souza debateu ideias do livro “Trajetórias do Cinema Moderno”.
Depois, o público dirigiu-se ao Palácio dos Festivais.
Para assistir ao filme “Nós Duas Descendo a Escada”.
Eis o novo longa-metragem Fabiano de Sousa, filho de Eneas.
O filme participou da Mostra de Longas Gaúchos (não competitiva).

E conta o amor homoafetivo entre duas mulheres.
Uma arquiteta e uma jovem recém-formada pela Faculdade de Artes.
E gerou uma brincadeira com o título do longa de 107 minutos:
“Azul é a Cor Mais Morna”.
Uma referência ao filme do franco-tunisiano Abdelatif Kechiche.

Há muito sexo no filme de Fabiano.
Mas não tão explícito e intenso quanto o poderoso longa.
Que conquistou, dois ou três anos atrás, a Palma de Ouro em Cannes.

Fabiano concebeu O filme antes de “Azul é a Cor Mais Quente”.
Mas como veio, cronologicamente, depois, a comparação será inevitável.
As duas protagonistas do filme são talentosas.
Principalmente a que interpreta a jovem recém-formada.

O forte e poético registro da cidade de Porto Alegre nos cativa.
Em especial, em seus edifícios e escadarias.

A leveza da câmara de Bruno Polidoro é o que o filme tem de melhor.
É tributária dos filmes da Nouvelle Vague, em especial os de Rohmer.

Mas falta força ao roteiro.
Fato agravado por uma direção de arte excessiva e fashion.

Adaptado de Maria do Rosário Caetano, Revista de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Emociona Menos do que Poderia +++

É a primeira comédia romântica brasileira protagonizada por duas mulheres.
Diz o material publicitário de "Nós Duas Descendo a Escada".
O longa foi escrito e dirigido por Fabiano de Souza.
Mas não é plenamente bem­sucedido.
Apesar da representatividade, sempre bem­vinda e necessária.

O filme alterna tiques habituais do cinema gaúcho contemporâneo.
Com uma bela e intensa história de amor.
"Nós Duas Descendo a Escada" emociona menos do que poderia.
Apesar do ótimo trabalho das atrizes, Miriã Possani e Carina Dias.

No início é como "Azul É a Cor Mais Quente", de Abdellatif Kechiche.
Com cenas de sexo entre Adri (Possani) e Mona (Dias).
Depois lembra "Amores Urbanos".
A surpreendente estreia de Vera Egito no longa­metragem.

A semelhança com o filme de Kechiche está:
+ no erotismo homossexual feminino visto por um olhar masculino;
+ na impressão de que as duas atrizes mereciam direção mais criteriosa.

Trata­se de uma obra de cinéfilo.
Há a referência ao "Nu Descendo a Escada", de Marcel Duchamp.
Tem alusões a filmes de Godard, a"Casablanca", a longas de Arnaldo Jabor.
E uma homenagem a Carlos Reichenbach, falecido em 2012.

Alguns momentos são fortes, como a despedida no aeroporto.
O choro da pessoa amada é uma das coisas mais tristes do mundo.
Mas no geral o filme é bem irregular.

Adaptado de Sérgio Alpendre, Folha de São Paulo

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica Cine Pop +++

Me ajude a lembrar quantas declarações de amor eu falei.
Como nosso amor começou?
"Nós duas descendo a Escada" chega diretamente de Porto Alegre.
Uma das gratas surpresas do universo cinematográfico brasileiro deste ano.
Dirigido pelo cineasta Fabiano de Souza, é um leve e bonito conto moderno.
Que fala sobre o amor entre duas mulheres de maneira cativante.

A trilha sonora do filme é belíssima.
Às vezes um pouco demasiada demais para algumas sequencias.
Porém com força o suÒciente para se destacar.
Sem incomodar na maior parte do tempo.

Na trama, conhecemos Adri (Miriã Possani), uma jovem cheia de sonhos.
Em um encontro inusitado, acaba conhecendo Mona (Carina Dias).
Uma carismática mulher por quem se apaixona perdidamente.
Assim, suas semanas nunca mais serão as mesmas.
Os dias mais intensos.
Sempre em busca de fugir da tal da solidão longe de seu grande amor.

Basicamente, as idas e vindas de um amor entre duas jovens.
Completamente diferentes.
E que encontram no amor a poesia das metáforas do cotidiano.

Referências à sétima arte, ao mundo das artes, à literatura.
O roteiro navega em águas categóricas para criar suas interações.
Em alguns momentos parece que estamos vendo declamações de poemas.
Uma espécie de licença poética impactante em meio à trama.

A história é contada de maneira cronológica.
E não deixa de ser objetiva.
Há uma grande sacada para a fluidez da.
A personalidade, bem distanciada, das duas protagonistas.


A bicicleta como carruagem.
Um manual para despedidas.
Cartazes de filmes,
um drink bate igual a três quando se está sozinho.
Quem não quer um final feliz pra sua história?

O longa também fala sobre a saudade.
A única palavra que tem tradução somente no português.
E nesse sentimento que só nós temos a tradução.
É onde o filme navega por águas melancólicas com subidas e descidas.
Estas podem tocar alguns, outros não.
Mas que sempre conta com a força cênica e talentosa.
De duas atrizes que dão luz à esse belo conto de amor.

Adaptado de Rafael Camacho

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica da Revista Veja +++

O drama brasileiro "Nós Duas Descendo a Escada" acompanha nove meses do romance.
Entre a tímida Adri (Miriã Possani) e a vulcânica Mona (Carina Dias).
Com uma caprichada seleção de temas musicais.
As atrizes convencem sobretudo nas cenas de intimidade à flor da pele.
Apesar do enredo singelo.

Adaptado da Tiago Faria

Leonardo Brocker disse...

+++ "Vermelho é a cor mais quente" +++

A trama lembra a de um dos filmes mais marcantes desta década.
O francês "Azul é a cor mais quente" (2013).
Mas a história tem brilho próprio.
Conta paixão entre a jovem e inexperiente Adri (Miriã Possani).
E a segura e determinada Mona (Carina Dias).

Este é o segundo longa-metragem do cineasta Fabiano de Souza.
Ele estreou em 2010 com "A última estrada da praia".
Depois de dirigir ótimos curtas.
Como "Um estrangeiro em Porto Alegre" (1999).
E especialmente "Cinco naipes" (2004).

Os cabelos loiros de Mona são como os azuis de Emma.
A personagem de Léa Seydoux no filme de Abdellatif Kechiche.
A metáfora de um novo mundo que se descortina para Adri.
Espécie de Adèle a flanar hesitante pelas ruas da Capital.

Fabiano de Souza as filmou durante nove meses.
E apresenta o arco da relação, estabelecido nesse período.
Em capítulos correspondentes a cada mês do relacionamento.
Esses entrechos não são fechados em si.
Mas funcionam isoladamente.
Em parte por conta da elaboração do roteiro em meio às filmagens.
Os intervalos funcionam como grandes elipses narrativas.
E cada um dos mergulhos na intimidade das duas têm as próprias revelações.
Geralmente sobre temas usuais das relações.
Ciúme, possessão, renúncia a projetos pessoais em nome da parceria.

Trata-se de uma maneira inventiva de apresentar os clichês dos romances.
O que já vinha prenunciado pela escolha de duas personagens do mesmo sexo.
Mas a maior força do filme está na maneira de abordar o tempo nesse contexto.
O próprio diretor assina o roteiro.
E a organicidade deste é semelhante à de "Boyhood" (2014).
Ainda que o período destacado pelo longa gaúcho seja bem menor.
Na comparação com o ensaio sobre o amadurecimento de Richard Linklater.
Nós duas... é, também, um filme sobre o crescimento.
Mais de Adri do que de Mona.
Mas fundamentalmente do que Adri vivenciou desde que conheceu Mona.

Miriã Possani dá conta do desafio.
Adri tem seu olhar doce e inseguro.
E ao mesmo tempo, movimentos de quem domina plenamente o espaço cênico.
Vale conferir seu trabalho corporal no curta "Escotofobia".
Ou ainda em "Nua por dentro do couro".
E na série "Notas de amor", disponível na Netflix.

Há muito sexo em "Nós Duas Descendo a Escada".
E classificação etária 16 anos, o que é adequado, embora surpreendente.
Dada a polêmica da insana censura imposta (e depois revogada) a Aquarius.

O que prejudica um tantinho a fruição é a literariedade de certos diálogos.
Que vai de encontro ao naturalismo que marca todo o projeto.

As escadarias aparecem constantemente.
Em geral como cenário dos passeios das duas personagens.
E fazem parte de uma visão singular de Porto Alegre.
Que só o observador mais perspicaz é capaz de ter.
Ponto para o diretor e seu fotógrafo, Bruno Polidoro.

O título menciona que o casal está "descendo".
Isso não significa necessariamente pessimismo.
Nós duas... mostra os altos e baixos do namoro.
E não apenas uma coisa ou outra.
É no primeiro ato que Adri usa um vestido vermelho marcante.
Mas é esta a cor do relacionamento entre ela e Mona.
Da primeira à última sequência.

Adaptado de Daniel Feix, Zero Hora

Leonardo Brocker disse...

+++ "Nós Duas Descendo a Escada" - O Filme +++

Na França, o azul até pode ser a cor mais quente.
No Rio Grande do Sul, o vermelho parece dar este tom.
De acordo com o belo "Nós Duas Descendo a Escada".
É o que nos mostra o vestido de Adri.
Logo que ela adentra uma festa estranha.
Com gente esquisita – aos olhos dela, ao menos.
Todos torcedores do time de futebol Internacional.

Eles saúdam a escolha da cor do vestido.
Enquanto a jovem busca por todos os lados a real razão de estar ali.
Mona, uma mulher de cabelos loiros e curtos.
Com atitude libertária em seus modos.
E uma irresistível paixão por viver o agora.
Juntas elas passarão nove meses intensos.

Ao cabo deste tempo, será que o amor perdura?
As diferenças serão empecilhos?
E as escadas?
Serão enfrentadas de mãos dadas?

Além de dirigir, Fabiano de Souza escreve o roteiro do longa-metragem.
E o fez de forma diferente, assim como se deu a execução das filmagens.
A ideia foi realizar duas diárias por mês, em um período de nove meses.
Para conseguir capturar o passar do tempo daquele casal de namoradas.
A troca de estações, etc.

Existia um argumento no início.
Com a ideia geral do longa descortinada ali.
E o roteiro ia sendo criado a cada novo mês.
Assim como as filmagens iam se desenrolando.
Com isso, "Nós Duas Descendo a Escada" ganhou um caráter mais aberto.
Mais ao sabor dos ventos.


Na trama, Adri (Miriã Possani) vive um período de estagnação na vida.
Formada em artes, trabalha em uma livraria, sem muitas perspectivas.
Deixa o consultório psiquiátrico.
E se vê obrigada a descer as escadas do prédio.
Ali, conhece a bela Mona (Carina Dias).
Deste encontro fortuito surge um convite para uma bebida.
Este logo descamba para uma apaixonada transa no apartamento de Adri.

A partir daí, vemos momentos do relacionamento do casal a cada novo mês.
E somos informados do que acontecia no Brasil e no mundo.
Através de recortes de jornais e músicas de Pop Rock.

O que mais chama a atenção é a relação do casal principal.
Existe paixão ali.
Assim como existe muita insegurança, possessão e ciúme.

A construção deste relacionamento é um dos acertos do filme.
Por conseguir transmitir um senso de verdade naquele casal.
Ajuda o fato de Possani e Dias estarem seguras nos papéis.
Em personagens que pedem muita entrega.

Os diálogos, por vezes literários demais, atrapalham um pouco.
Quando pensamos no naturalismo que o filme parece buscar.
Mas em boa parte das vezes, as atrizes conseguem suplantar.
O desconforto de textos mais rebuscados.
E se saem bem.


Adaptado de Rodrigo de Oliveira, Papo de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Nós Duas Descendo a Escada" - Trilha e Fotografia +++

"Nós Duas Descendo a Escada" se revela quase um musical.
Cada novo mês acaba servindo como um segmento.
E uma música dá o tom do que veremos naquele trecho.
Canções de Graforréia Xilarmônica, Nei Lisboa, Frank Jorge, Júpiter Maçã.
Elas constroem a trilha sonora, com regravações ou versões originais.
Os cenários de Porto Alegre encaixam com cada uma das canções.
Méritos da montagem de Milton do Prado.

O roteiro acaba por apresentar alguns problemas.
Talvez por ter sido construído de forma aberta.
Com uma ou outra revisão maior, poderiam ser sanados.
Um deles é a falta de um grande conflito.
Em um filme romântico o casal principal sempre se separa.
Para que, ao final, retome ou não o relacionamento.

As razões do rompimento do namoro surgem de forma intempestiva.
Como uma necessidade da trama.
Podemos acreditar que as duas guardavam mágoas há tempos.
E que explodiram naquele momento.
Uma construção melhor destas angústias resolveria este problema.

Há também a inclusão de personagens que aparecem e desaparecem.
Isso parece mais descuido do que intenção.

Plasticamente é belo.
Com a sempre competente fotografia de Bruno Polidoro.
Reforça o tema do amor sem barreiras e sem fronteiras.
"Nós Duas Descendo a Escada" é um esforço interessante.
De um realizador criativo.
Que usa de sua cinefilia para preencher a boca dos personagens.
Com citações saborosas.

É certo que existem arestas a serem aparadas.
Mas em seu segundo longa, Fabiano de Souza mostra um trabalho intenso.
Por vezes divertido, outras vezes emocionante.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira, Papo de Cinema.

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