terça-feira, 2 de maio de 2017

Locações de Filmes em Bento Gonçalves

Bento Gonçalves é a cidade mais turística da Região dos Vinhedos. Tudo por causa do Vale dos Vinhedos. As belas paisagens serranas serviram como locação para filmes gaúchos. Seguem três longas locais.

Camila Pitanga, em Saneamento Básico, O Filme (2007)
Saneamento Básico, O Filme (2007)

A Oeste do Fim do Mundo (2013) 102 minutos
O filme também tem locações em Uspallata, Mendoza, Argentina.

A Oeste do Fim do Mundo (2013)
A Oeste do Fim do Mundo (2013)


"Decamerão - A Comédia do Sexo" (2009)
A Rede Globo exibiu os quatro episódios da série.
Uma produção do diretor Jorge Furtado.
Com locações em Bento Gonçalves, Farroupilha e Garibaldi.
No elenco, Deborah Secco, Lázaro Ramos, Leandra Leal.
Daniel de Oliveira, Drica Moraes e Matheus Nachtergale.

O Elenco de Decamerão - A Comédia do Sexo (2009)
O Elenco de 'Decamerão - A Comédia do Sexo'


O Filme da Minha Vida (em produção)
Conta com o ator Vincent Cassel no papel principal.
O roteiro do filme baseou-se em novela de Antonio Skármeta.
O autor chileno notabilizou-se por “O Carteiro de Pablo Neruda”.
Este romance originou o filme “O Carteiro e O Poeta”.
O Filme da Minha Vida” também tem locações em:
+ Farroupilha;

Bastidores de O Filme da Minha Vida
O Filme da Minha Vida


"O Quatrilho" (1995) 92 minutos
Adaptação de obra de José Clemente Pozenato.
Com direção de Fábio Barreto.
E Glória Pires e Patricia Pillar no elenco.

Há duas locações nos Caminhos de Pedra, em Bento Gonçalves.
Também há locações em Antônio Prado e Farroupilha.


Saneamento Básico, O Filme (2007) 112 minutos
O filme também tem locações em Monte Belo do Sul e Santa Tereza.

101 comentários:

Leonardo Brocker disse...

As Locações e O Elenco de "Os Senhores da Guerra"

O filme é uma adaptação do romance homônimo de José Antônio Severo.
Sim, o filme, no singular.
Tabajara explica que se trata de um único projeto, dividido em duas metades.
Ele será empacotado, para lançamento, em mais de um formato.

"O roteiro foi pensado a partir de arcos dramáticos.
Eles permitem a finalização na forma de dois longas de uma hora e meia cada um.
Para lançamento nos cinemas e em DVD.
E também de seis episódios de 30 minutos.
Adequados às grades das emissoras de televisão" — afirma o diretor.

Senhores da Guerra: Parte I – Passo das Carretas foi rodado dois anos atrás.
Será finalizado simultaneamente a esta segunda parte.
Tem locações em Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi, Caçapava do Sul e Porto Alegre.
Além das filmagens no Recanto dos Borghetti.
A sequência mais marcante na Capital será rodada na Igreja das Dores.
Com quase metade dos mais de 800 figurantes cooptados pelo projeto.

Os atores Rafael Cardoso e André Arteche encabeçam o elenco.
Este conta ainda com dezenas de rostos conhecidos da produção local.
Entre eles Sirmar Antunes e Marcos Breda.
E participações especiais, como a do músico Pirisca Grecco.
Todos integrantes do núcleo chimango.

"Mas eu sou maragato de coração" — responde o ator Marcos Verza.
Ao receber a saudação do repórter, dirigida ao seu personagem.

"Rapaz, estamos levando um pau desgraçado neste segundo filme" — ele brinca.
E volta a incorporar a persona de soldado chimango.
"No primeiro, nós demos mais porrada do que levamos.
Mas agora a coisa está bem mais difícil".

Adaptado de Daniel Feix (ZH - 12/05/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Senhores da Guerra” nos Cinemas +++

Chega aos cinemas nesta quinta-feira “Senhores da Guerra”.
Filme dirigido por Tabajara Ruas, premiado por “Netto perde sua Alma” (2001).
Anteriormente o foco foi na Guerra dos Farrapos.
Agora é no período da revolução de 1923 no Rio Grande do Sul.

Baseado no livro homônimo de José Antônio Severo.
O longa mostra que as divergências políticas podem resultar em divisões.
Não apenas de compatriotas e amigos, mas até de membros de uma mesma família.
Inspirada em fatos reais, a narrativa resgata o caso de dois irmãos.
Carlos (André Arteche) e Julio (Rafael Cardoso), da família Bozano.

Um é chimango e legalista, optando pela manutenção do governo.
O outro, maragato e revolucionário, deseja um novo regime.
A tensão cresce até que ambos vão se encontrar em um campo de batalha.
A questão é: um matará o outro se for preciso?
A diferença de posicionamentos ideológicos precisa chegar a este ponto?

Exibido em 2014 no Festival de Cinema de Gramado, o filme levou dois Kikitos:
O Prêmio Especial do Júri e o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Andrea Buzato.
A versão que chega às telas tem 10 minutos a menos do que a vista em Gramado.
Isso tornou o longa mais dinâmico.
A produção teve filmagens em 11 municípios gaúchos.
No elenco, estão grandes nomes.
Como o saudoso ator Miguel Ramos (1948-2014) em um de seus últimos trabalhos.

Adaptado de Correio do Povo (15/09/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Quatrilho" (1995) +++

Diretor - Fábio Barreto
Roteiristas - Antônio Calmon e Leopoldo Serran
Adaptado de novela de José Clemente Pozenato

Elenco Principal
Glória Pires - Pierina
Patricia Pillar - Teresa
Alexandre Paternost - Angelo Gardone
Bruno Campos - Massimo
Gianfrancesco Guarnieri - Padre Giobbe
José Lewgoy - Rocco
Cecil Thiré - Padre Gentile
Cláudio Mamberti - Batiston
Antônio Carlos - Aurélio
Arcangelo Zorzi - Sichopa
José Vitor Castiel - Miro

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Quatrilho" - Sinopse +++

O ano era 1910.
O local, uma comunidade rural de imigrantes italianos, no RS.
Na ocasião, dois casais muito amigos se unem para poder sobreviver.
E decidem morar na mesma casa.
Teresa era esposa de Angelo.
E se interessa por Mássimo, marido de Pierina.
Após um tempo, os amantes decidem fugir e começar outra vida.
Deixando para trás seus parceiros.
Que viverão uma experiência dramática e constrangedora.
Mas nem por isto desprovida de romance.

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Quatrilho" - Curiosidades +++

O Quatrilho foi o segundo filme brasileiro indicado ao Oscar.
O primeiro foi O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte.

O enredo do filme é baseado em uma história real.

Boa parte do filme foi gravada no município de Farroupilha.
Na cascata do Salto ventoso.

O fotógrafo que fotografa a família, no final do filme, é José Clemente Pozenato.
O autor do livro no qual o roteiro de "O Quatrilho" se baseou.

Alguns membros da família do diretor aparecem em pequenos papéis.
Inclusive ele mesmo, como o personagem "Gaudério".

Uma das locações do filme ocorreu no Caminhos de Pedra.
Utilizou-se uma casa de pedra, típica da região.

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Quatrilho" - Premiações +++

Óscar
Melhor Filme estrangeiro (Indicado)

Associação Paulista de Críticos de Arte
Melhor Atriz - Gloria Pires (Venceu)

Tokyo International Film Festival
Grand Prix de Tóquio - Fábio Barreto (Indicado)

Festival de Havana
Melhor Atriz - Glória Pires (Venceu)
Melhor Direção de Arte - Paulo Flaksman (Venceu)
Melhor Música - Caetano Veloso/Jaques Morelenbaum (Venceu)

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Quatrilho" - Sinopse +++

Narra a saga dos imigrantes italianos entre as décadas de 1910 e 1930.
No caso, a história de relação de dois jovens casais de imigrantes.
Teresa (Patrícia Pillar) e Ângelo (Alexandre Paternost).
E Pierina (Glória Pires) e Mássino (Bruno Campos).
Surge o inesperado amor entre Mássimo e Teresa.
Na luta pela sobrevivência diante de um novo mundo.
Apaixonados, os dois reagem contra as traições familiares e culturais.
E partem para um novo destino.
Deixam para trás seus parceiros e suas histórias.
Quatrilho é o nome de um jogo de cartas.
Nele, os participantes precisam trair seus parceiros para se sagrarem vencedores.

Adaptado de Papo de Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Quatrilho" Gerou Grande Euforia +++

Em 1995, os fãs de cinema brasileiro ainda estavam em êxtase.
Com o inesperado sucesso de "Carlota Joaquina, princesa do Brazil".
O filme de Carla Camuratti marcou a retomada de nossa filmografia.
Os mesmos fãs tiveram um motivo a mais para sentir orgulho.
"O quatrilho" concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Mais de trinta anos depois de "O pagador de promessas".
Quando o filme de Anselmo Duarte conseguiu a mesma distinção.

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme Não Era um Competidor Forte +++

A euforia do momento era enorme, que pouca gente percebeu.
Mas o filme de Fábio Barreto não era um competidor muito forte.
Apesar de suas qualidades...
"O quatrilho" tinha linguagem excessivamente televisiva.
E morreu na praia.
Mesmo com uma espécie de apadrinhamento do poderoso Steven Spielberg.
Perdeu a estatueta para o holandês "A excêntrica família de Antonia"...

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Interesse de Spielberg e A Direção Burocrática+++

Spielberg impressionou-se com o trabalho de Glória Pires.
E manifestou interesse de trabalhar com a atriz.
Assim, fez uma espécie de campanha a favor do filme brasileiro.
Mas esbarrou em um grave problema.
A direção de Fábio Barreto é burocrática e sem inspiração.
Isso impedia "O Quatrilhoo" de ser grande cinema.
E o aproxima perigosamente de filmes feitos para a televisão.
Apesar da história interessante e do brilho de suas atrizes centrais.
Nem mesmo a caprichada direção de arte e a fotografia salvou o filme.
"O quatrilho" é um filme que promete muito.
Mas jamais chega a encantar por completo sua audiência.
Em parte, pela absoluta apatia de seus dois atores principais.

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Trama de "O quatrilho" +++

A trama de "O quatrilho" se passa em Santa Corona, na serra gaúcha.
E começa em 1910.
Com o casamento do pacato Angelo Gardone (Alexandre Paternost).
Com a bela Teresa (Patrícia Pillar).
Logo após o matrimônio eles são obrigados a deixar a propriedade da família.
E, ambicioso, o rapaz resolve começar um negócio próprio.
Conta para isso com a ajuda de Mássimo (Bruno Campos).
Este é marido da prima de Teresa, a calada Pierina (Glória Pires).
As finanças prosperam.
E o casamento de Angelo e Teresa não segue o rumo certo.
A bela jovem frustra-se em suas aspirações românticas e sensuais.
E acaba encontrando no marido da prima um espelho de seus desejos.
E, em um rompante, foge com ele e a filha.
Aos poucos Angelo e Pierina começam a reconstruir a vida.
E, mais por motivos práticos do que românticos, assumem uma relação.
Que irá chocar a conservadora sociedade católico/italiana em que vivem.

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Trama com Possibilidades Desperdiçadas +++

A trama de Pozenato serve muito bem a um belo filme.
A ponto de sua adaptação ser praticamente literal.
O romance inspirou-se em um caso real.
E a troca de casais remete a um jogo de cartas dos italianos.
Neste, a cada rodada é feita uma troca de parceiros.
Mas todas as inúmeras possibilidades acabam sendo desperdiçadas.
Por roteiro preguiçoso.
E sem maiores aprofundamentos psicológicos ou dramáticos.
"O quatrilho" correria o sério risco de tornar-se um poderoso soporífero.
Não fosse o talento superlativo de Glória Pires e Patrícia Pillar.
Elas transformam qualquer cena em um espetáculo à parte.

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ Interpretação de Patrícia Pillar +++

Patrícia Pillar brilha intensamente na primeira parte do filme.
Linda, carismática e provando-se uma excelente atriz.
Ela dá consistência a uma personagem.
Que mãos menos capazes poderia soar como leviana ou mau-caráter.
Na interpretação de Patrícia, Teresa é uma Madame Bovary italiana.
Uma mulher presa em um casamento que oprime seus desejos e sonhos.
Até o ponto de não suportar mais.
E partir em busca da realização deles.
Mesmo sem ter exata consciência das consequências de seu ato.
Isso ocorre ao contrário da personagem de Flaubert.
Quando ela sai de cena, boa parte dos encantos do filme vai com ela.
Felizmente é aí que se abre espaço para Glória Pires.
Ela mostrar porque é considerada uma das grandes atrizes do país...

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ Interpretação de Glória Pires +++

Glória interpreta uma Pierina calada, taciturna, séria.
E ciente de seus deveres de esposa e mãe.
Apenas explodi dramaticamente em uma cena inesquecível.
Nela, desafia um padre diante de uma paróquia lotada.
Glória utiliza toda sua experiência para construir uma personagem.
E se comunica basicamente através de olhares baixos.
De gestos comedidos.
E de um tom de voz sussurrante.
Estes escondem uma personalidade forte, prática e batalhadora.
Se Patrícia é o corpo de "O quatrilho", Glória é sua alma.
E consegue ser boa mesmo contracenando com um tenebroso Bruno Campos.
Este, inexplicavelmente, fez relativo sucesso em carreira internacional.
Mas apresenta absoluta inexpressividade em cena.
Em um papel crucial...
E atrapalha mais as intenções do filme de ter qualidade de primeiro mundo.

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Legado do Filme +++

"O quatrilho" abdicou de palavrões e nudez gratuita.
Um avanço em relação ao que criou toda a aura de preconceito.
Em relação a filmes brasileiros.
Mas este seria parcialmente derrubado apenas anos depois.
Assim, "O quatrilho" conquistou um público considerável.
Antes que esta mudança se tornasse razoavelmente comum.
Está a anos luz de distância de "Cidade de Deus".
Mas é superior às obras posteriores do diretor.
Como o sofrível "A paixão de Jacobina".
E ouvir Caetano Veloso nos créditos sempre será um deleite...

Adaptado de Clenio (Um Filme por Dia)

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Oeste do Fim do Mundo" (2013) +++

Diretor - Paulo Nascimento
Roteirista - Paulo Nascimento

Elenco
César Troncoso - León
Fernanda Moro - Ana
Nélson Diniz - Silas
Alejandro Fiore - Javier
Marcos Verza - Marido

Fonte: IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Oeste do Fim do Mundo" - Sinopse +++

Leon (César Troncoso) é um homem introspectivo.
E vive em um velho posto de gasolina.
Perdido na imensidão da estrada transcontinental.
Entre a Argentina e o Chile.
Seu único amigo é Silas (Nelson Diniz), um brasileiro.
Este volta e meia o visita.
E traz peças para consertar a moto dele.
Um dia, a paz de Leon é abalada com a chegada de Ana (Fernanda Moro).
Uma mulher que escapou da tentativa de abuso sexual.
De um caminhoneiro com quem tinha pego carona.
Sem ter para onde ir e no meio do deserto, Ana recebe abrigo de Leon.
Inicialmente para apenas um dia.
Só que o tempo passa e ela não consegue sair do local.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Adquirindo Experiências para a Personagem +++

Fernanda Moro trabalhou anonimamente numa vinícola em Bento Gonçalves.
Para vivenciar e interiorizar seu personagem.
E participava das tarefas diárias dos trabalhadores do lugar.
A atriz também teve de fumar pela primeira vez na vida.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Inspiração de "A Oeste do Fim do Mundo" +++

O diretor e roteirista Paulo Nascimento teve a ideia do filme.
Após ler uma matéria sobre a Guerra das Malvinas.
Ela dizia que 400 dos 10 mil soldados enviados ao conflito se suicidaram.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Ordem Real dos Acontecimentos +++

Rodou-se "A Oeste do Fim do Mundo" na ordem real das ações no roteiro.
Para os atores sentirem mais intensamente o desenvolvimento dos personagens.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Sem Iluminação Especial +++

A luz nas proximidades da Cordilheira dos Andes muda de maneira rápida e intensa.
Assim, o filme foi rodado nos horários reais do roteiro.
Ou seja, as cenas matinais foram feitas efetivamente pela manhã.
Igualmente como as vespertinas e noturnas.
Todas sem a utilização de iluminação especial.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Edição Junto com as Filmagens +++

O filme foi sendo montado, diariamente.
Na medida em que as imagens eram captadas.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Produção Multinacional +++

Contou com profissionais brasileiros, argentinos, uruguaios e chilenos.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Posto de Gasolina de Alvenaria +++

A produção construiu o posto de gasolina em alvenaria.
Ali, mora o personagem Leon.
depois, ofeceram o local às autoridades locais.
Hoje, ele serve como posto de informações turísticas em Uspallata.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Outra Experiência de Fernanda Moro +++

A atriz cortou, de verdade, seus longos cabelos em cena.
E teve de fazê-lo sem a ajuda de nenhum espelho.
Foram usadas 3 câmeras para esta cena especifica.
Pois o corte foi real e a cena não poderia ser repetida.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Para Entrar no Personagem +++

Nelson Diniz e César Troncoso aprenderam a pilotar motos.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Garimpo +++

Todos os objetos de cena são reais.
E foram garimpados em casas e lojas.
Na região de Mendoza e Uspallata, na Argentina.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Oeste do Fim do Mundo" - Cineclick +++

O filme é ambientado quase que integralmente em um posto de gasolina.
Perdido numa região desértica da Argentina.
Ali, vive um veterano da Guerra das Malvinas, Leon (Cesar Troncoso).
Ele se vê obrigado a acolher uma brasileira, Ana (Fernanda Moro).
Seria só por uma noite, mas acaba virando muitas noites.
Tantas quantas são necessárias para a narrativa caminhar.
E o espectador descobrir mais sobre o passado obscuro dos dois.

Como este é o grande deleite do filme, não vou dar mais detalhes sobre a trama.
Basta saber que a chegada de Ana transforma drasticamente o cotidiano de Leon.
E de seu aparente único amigo Silas (Nelson Diniz).
Um motociclista solitário que aparece de tempos em tempos no posto.
Segredos que todos querem ver enterrados inevitavelmente vêm à tona.
Reabrindo antigas feridas e mudando para sempre suas vidas.

Pode-se se dizer que A Oeste do Fim do Mundo é um filme incomum hoje.
Daqueles que seguem a máxima desaprendida do "menos é mais".
Sem exageros, sem explicações cheias de pormenores, nada pressuroso.
O diretor e roteirista de "Em Teu Nome" arquiteta com destreza personagens e relações.
Numa produção que envolve de imediato.
E não se vale de artifícios baratos para isso.
Apenas uma boa história sendo muito bem contada.

Adaptado de Roberto Guerra (Cine Click)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Recomeço de Sacudir a Poeira +++

Paisagem empoeirada de aridez.
Escavada a cem quilômetros da província de Mendoza, na Argentina.
A cidade de Uspallata entra na trama de “A oeste do fim do mundo”.
Como um parêntese de redenção na vida cheia de cicatrizes da gaúcha Ana.
Encarnada com maestria por Fernanda Moro.

Ana vai tentar a sorte na América Latina.
Assombrada por uma perda familiar.
Santiago, no Chile, é sua rota.
Mas ela cai num canteiro argentino desértico.
Num erro de percurso pelos Andes.
Ali, só há um posto de gasolina.
Seu dono: Léon, veterano da Guerra das Malvinas.
César Troncoso, numa atuação magnética.

Sabe-se pouco dos dois e de Silas (Nelson Diniz).
O motoqueiro que testemunha a relação entre eles.
Sequer é especificada a época em que o enredo se passa.
Aqui, informações serão supérfluas.

A narrativa preserva a privacidade trágica de seus heróis.
Guiada com invejável maturidade pelo diretor Paulo Nascimento.
Interessa mais ao cineasta saber o que Ana e León farão.
Depois de se esbarrarem pela aritmética do acaso.
Sem ter para onde ir, Ana precisa de um pouso.
Léon, solitário crônico, precisa de refúgio afetivo para seus traumas bélicos.
No isolamento, nasce um esboço de romance.
Pontuado com elegância na fotografia de Alexandre Berra.
E, de carona nele, esta coprodução Brasil-Argentina nos leva a uma geopolítica poética:
A geopolítica do recomeço.

Adaptado de Rodrigo Fonseca (O Globo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Paisagens Desoladoras para Falar de Solidão e Desejos +++

Há filmes em que a ambientação se torna um personagem.
Tão importante quanto as pessoas que vemos na tela.
O local em que se passa a trama fala sobre os personagens.
Tanto quanto o que os atores imprimem em suas interpretações.
O que o figurinista define como vestimentas.
Ou o que a montagem determina como recorte para o olhar do espectador.
No caso de “A Oeste do Fim do Mundo”, a região andina surge como lugar.
E como estado de espírito, com suas cores terrosas, imensidão e silêncios.

Na trama, vemos Leon (interpretado por César Troncoso).
Dono de um posto de gasolina isolado.
Ele vive praticamente sem interagir com outras pessoas.
Exceto pelo contato pontual com o amigo brasileiro Silas (Nelson Diniz).
E com o filho, em curtas conversas por telefone.
A rotina é quebrada com a chegada de Ana (Fernanda Moro).
Brasileira que tenta ir para Santiago do Chile.
Mas nunca consegue uma carona.
A partir daí, a relação entre Leon e Ana se desenvolve.
E gera mudanças inesperadas para ambos.

É interessante perceber no filme como as estratégias da montagem sugerem algo.
Sobre as pessoas que o espectador acompanha na trama.
Quando foca em Leon, a duração dos takes é mais lenta, mais solene.
E há uma profusão de planos abertos.
Que o colocam como insignificante naquele ambiente.
Não por acaso, é exatamente assim que o personagem, vê-se por boa parte do filme.
Como ele diz, o conflito, no qual a Argentina perdeu território para o Reino Unido,
Foi visto como uma grande humilhação.
E o fez sentir que lhe haviam tirado o direito de se sentir humano.
Justificando seu desejo de isolamento.
Tanto em busca de paz como por vergonha.

Já quando foca na inquieta Ana, a montagem é mais ágil, quase apressada.
E tanto ela como a direção e a atuação de Moro ganham um aspecto mais didático.
Desde o momento em que ela surge na tela perdendo o ônibus para Santiago.
As cenas parecem querer explicar sempre o que acontece.
Quem é aquela mulher e por que ela vai embora do Brasil.
Tal quebra poderia muito bem causar incômodo ao espectador.
Mas o choque resulta interessante para mostrar a diferença entre ela e Leon.
A moça pergunta mil coisas dele.
Incomoda-o com as tentativas de comunicação que o humanizaria novamente.
Mas, como podemos perceber mais à frente, há questões cercando Ana.
Que a colocam no mesmo patamar de Leon.
O da necessidade desesperada de não mais se calar sobre o passado.

Outro elemento simbólico é a relação dos personagens com a comida.
Esta surge branca e sem apelo no prato que Ana consome no restaurante.
Logo que aparece no filme.
E mais sem graça ainda durante o almoço de Leon no posto.
Observar aquelas refeições é perceber que falta a elas tempero, cor.
Um algo a ser de fato saboreado.
Tal como a vida de Leon e Ana.
Não por acaso, o relacionamento entre eles se estreita nas refeições.
Ato que pressupõe não só a necessidade básica de comer.
Mas também da necessidade básica de conversar.
A carne surge na tela e ouvimos o chiado de seu calor.
Para depois Leon abrir-se, finalmente, sobre a guerra, a ex-mulher e o filho.
Com os laços fortalecidos aos poucos, a comida também ganha nova configuração.

As inteligentes sacadas do longa com certeza tiram a produção do campo do medíocre.
Ainda assim, falta algo para colocá-lo no mesmo patamar de um “Abril Despedaçado”.
Para só citar um filme brasileiro que gira em torno da solidão e dos desejos humanos.
Talvez um melhor nivelamento entre a excelente atuação de Troncoso e a não tão boa de Moro.
Ou quem sabe um encaixe melhor no desfecho de Ana, Leon e Silas.
Mas, no geral, a viagem proporcionada pelo diretor Paulo Nascimento vale o preço da passagem.
Ou melhor, do ingresso do cinema!.

Adaptado de Susy Freitas (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Acerta com Jogo de Reflexos e Traumas +++

"A Oeste do Fim do Mundo" nos apresenta Leon (César Troncoso).
Argentino que vive isolado no oeste de seu país.
Perto da Cordilheira dos Andes.
É proprietário de um posto de gasolina.
Uma das poucas paradas para abastecimento de viajantes.

Leon recebe frequentemente a visita de Silas (Nelson Diniz).
Brasileiro, dono de uma oficina de motos da região.
É outro personagem sem eira nem beira.
Sem destino.

Um dia, Ana (Fernanda Moro) pede abrigo no posto.
Também brasileira, de procedência e comportamento misteriosos.
E transforma o cotidiano de Leon, antes condicionado ao tédio.

Quem são esses personagens?
Por que foram parar ali?
Eles fogem do quê, e por quê?
Essas são algumas perguntas que nos ocorrem na primeira parte do filme.
Até surgirem algumas respostas.

O diretor Paulo Nascimento tem um currículo pouco animador.
Com longas esquecíveis como "Em Teu Nome" e "A Casa Verde".
Ambos também roteirizados por ele.
Mas a noção de autoria não pode nublar nosso entendimento deste novo filme.

Aqui, afinal, ele acerta a mão.
A bela paisagem andina envolve os personagens.
Num jogo de reflexos e traumas.
Que só pode provocar tragédia ou redenção.

O que vemos é a superação desses traumas.
Até a barreira das línguas diminui conforme cresce a relação entre eles.
Inicialmente, Leon não fala nem entende português.
Ana desconhece espanhol.

Pequenos cacoetes de filmes para festivais estão presentes.
Como o constante jogo de foca /desfoca.
A trilha sonora de produção independente americana.
E uma construção um tanto artificial de algumas situações.

O que predomina, contudo, é uma adequação entre forma e conteúdo.
Dessas que justificam a famosa frase de Hitchcock ("forma é conteúdo").
E a interessante relação entre fugitivos do passado.
Esta se movie por atração e dissimulação.

Adaptado de Folha de São Paulo.

Leonardo Brocker disse...

+++ Filme Gaúcho Retrata Isolamento na Patagônia Argentina +++

"A Oeste do Fim do Mundo" é uma coprodução Brasil-Argentina.
E se passa aos pés da Cordilheira dos Andes.
Venceu quatro Kikitos no Festival de Gramado de 2013.
Entre eles, o de melhor longa latino-americano.

O uruguaio César Troncoso tem trabalhado com frequência no Brasil.
Foi protagonista do novo clássico latino-americano "O Banheiro do Papa" (2007).
E poucas vezes pôde desenvolver seu talento como em "A Oeste do Fim do Mundo".
Seu personagem é um solitário e arredio veterano da Guerra das Malvinas (1982).
E sobrevive em um precário posto de combustíveis na Ruta 7.
A antiga estrada transcontinental, na Patagônia argentina.
Tem um filho com quem não fala.
E um amigo motoqueiro (Nelson Diniz).
Este, assim como ele, foi para aqueles confins buscando isolamento.

Surge uma forasteira vinda do Brasil (Fernanda Moro).
O que desencadeia o principal conflito do filme.
É a presença dela e a identificação entre esses personagens em fuga.

Ambos demoram a se abrir.
Isso permite ao diretor Paulo Nascimento trabalhar seus silêncios.
E aproveitar de maneira tímida, contudo, elementos externos como o vento.

A fotografia é de Alexandre Berra.
E a direção de arte, de Vol­taire Danckwardt
Elas são eficientes na exploração das belezas do lugar.
E na construção de um cenário que, apesar dessas belezas, é de ruína.

No fim das contas, Nascimento trabalha bem essa dicotomia.
E faz a passagem da consternação para a esperança.
De um recomeço com ritmo (lento) adequado à natureza da dupla de protagonistas.
Talvez o filme fosse melhor se as decisões do diretor fossem mais radicais.
Por exemplo, apostando mais em elipses narrativas.
E sendo menos didático nas remissões ao passado da dupla.

Não que o vazio da vida de ambos não apareça.
Ao contrário: este é o forte do filme.
A forma com que relaciona o contexto histórico e geográfico à jornada dos personagens.
Talvez o melhor filma da carreira de um dos mais prolíficos realizadores gaúchos.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora)

Leonardo Brocker disse...

+++ Paulo Nascimento filma na fronteira da Argentina com o Chile +++

O cenário é de western, e as motocicletas remetem aos filmes de estrada.
Mas o novo longa do cineasta Paulo Nascimento é um drama intimista.
Sobre um trio de personagens jogado em uma paisagem monumental e desértica.

Zero Hora acompanhou os últimos dias de filmagem de A Oeste do Fim do Mundo.
Na fronteira entre a Argentina e o Chile, aos pés da Cordilheira dos Andes.
"Um lugar amplo, onde a gente pode se reencontrar", na definição do realizador.
A vastidão do horizonte e a majestade das montanhas impressionam.
No set montado pela produção perto de Uspallata.
Cidade argentina de menos de 4 mil habitantes.
A 100 quilômetros de Mendoza, perto da fronteira com o Chile.

O vilarejo é um centro turístico movimentado o ano inteiro.
No inverno, visitado por quem quer esquiar na neve.
No verão, por quem se aventura a escalar o Aconcágua.
O maior pico do mundo depois das montanhas do Himalaia.

"Foi uma conjunção de bons fatores que me levou a filmar aqui.
Gosto de lugares assim, devo ter vivido no Velho Oeste no passado.
É um pouco como experimentar a liberdade de John Ford.
O diretor americano de faroestes.
Ele ficava acampado dois meses no set".
Brinca Nascimento, que filmou durante 13 dias na região.

Originalmente, o diretor e roteirista gaúcho pretendia filmar na Patagônia.
"Mas os argentinos estão filmando muito por lá.
Aquela paisagem tem aparecido muito no cinema".
Uspallata surgiu então como uma opção.
Apesar de Brad Pitt ter inflacionado os preços.
O astro americano filmou no local a aventura Sete Anos no Tibet (1997).
E colocou a cidade no mapa do cinema.
Recentemente, rodou-se ali o bangue-bangue cômico Lucky Luke (2009).
Estrelado pelo ator francês Jean Dujardin, de O Artista (2011).

"Tudo começou há quatro anos.
Quando li uma matéria sobre a Guerra das Malvinas.
Ela informava que cerca de 400 soldados se suicidaram.
Dos 10 mil enviados para o conflito com a Inglaterra em 1982.
Fiquei impressionado com esse número.
E comecei a desenvolver essa história sobre perdas e solidão".

Adaptado de Roger Lerina (Zero Hora)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Trama de "A Oeste do Fim do Mundo" +++

Na trama, León (César Troncoso) é um ex-combatente.
Divorciado de seu passado.
Trabalha e mora em um posto de combustíveis.
Na estrada transandina, no meio do nada.
O argentino mantém uma silenciosa e seca amizade com Silas (Nelson Diniz).
Um misterioso motociclista brasileiro.
Que vive de negociar peças de veículos e aplicar pequenos golpes.
A inércia de León é quebrada com a chegada inesperada de Ana (Fernanda Moro).
A jovem brasileira abandonou o marido violento.
E perdeu o ônibus que a levaria ao encontro da mãe e da irmã no Chile.
A presença da estrangeira perturba o solitário frentista.
E aos poucos León e Ana começam a dividir segredos e amarguras.

"O León é um cara que tem muita dor no peito.
Na minha família, havia um tio que tinha muito do León.
Também sinto essa necessidade de silêncio", disse Troncoso.
Protagonista de O Banheiro do Papa (2007).
E atualmente em cartaz com Infância Clandestina (2011).
Este, indicado pela Argentina para o Oscar de filme estrangeiro.

A coprodução entre Brasil e Argentina teve apenas 16 dias de filmagem.
E orçamento total estimado em R$ 2 milhões,
Além das locações andinas, o longa teve cenas em Bento Gonçalves e Cambará do Sul.
Graças ao sistema de produção econômico e eficiente de Nascimento.
Registrando praticamente todas as cenas em apenas uma tomada.
E montando o filme à medida em que ia sendo rodado.

"O Steven Soderbergh (cineasta americano) diz: a velocidade é disciplinadora.
Quando o ator sabe que só vai ter uma tomada, ele dá tudo de si".
Teoriza o diretor de Valsa para Bruno Stein (2007) e Em teu Nome... (2009).

Adaptado de Roger Lerina (Zero Hora)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Oeste do Fim do Mundo - Crítica Cineweb +++

Talvez seja alguma nova tendência, ou não.
Mas A oeste do fim do mundo é, como, a primeira parte de Eles voltam.
Um road movie às avessas.
Ou seja, os personagens ficam parados a estrada.
E diversas figuras passam por eles causando transformações.

Ao centro está Leon (Cesar Trancoso, de O banheiro do Papa).
Dono de um posto de gasolina no meio do nada.
Na região da Cordilheira dos Andes.

Os poucos contatos com o mundo ‘externo’ são pela interação com os caminhoneiros.
Estes eventualmente param para abastecer.
Mas não podem fazer refeição, porque Leon fechou o restaurante.
E por um amigo, Silas (Nelson Diniz).
Ele traz peças para uma moto que há anos o dono do posto tenta fazer funcionar.
O filme parece se cansar do personagem.
Ou esbarrar nas limitações que o roteiro criou.
Então, entra em cena a gaúcha Ana (Fernanda Moro).
Ela viaja em direção a Santiago.

Tanto Leon quanto Ana são personagens que tentam fugir de seus passados.
Não é preciso ficar intrigado por muito tempo.
Até o final do filme tudo será devidamente (e desnecessariamente) explicado.
As feridas dele são histórico-pessoais, enquanto a dela é apenas pessoal.

Os atores são esforçados e os personagens têm lá seus bons momentos.
Especialmente quando estão juntos.
Quando ela com sua delicadeza desmorona o mundo e a cara de durão.
Do uruguaio radicado na Argentina.
Mas ainda falta algo ao filme.
Não é sua aridez (tal qual a da região onde é situado) que o enfraquece.
Mas quando o diretor esquece que menos é mais.
E o longa toma rumos desnecessários.
Toca em assuntos um tanto delicados para servir apenas de pano-de-fundo.
Como a Guerra das Malvinas.

Adaptado de Alysson Oliveira (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Oeste do Fim do Mundo - Crítica Papo de Cinema +++

Um caminhão chega ao posto e Léon se apresenta para o serviço.
Enquanto limpa o vidro dianteiro, esforça-se para retirar o adesivo “Argentina”.
Se a memória se diluísse em água e sabão, a vida seguiria bem.

Último longa de Paulo Nascimento, o mesmo de Em teu nome (2009).
A Oeste do Fim do Mundo molda seus personagens na gênese dos heróis do sul.
A independência e a solidão são os truques para combater o passado.
Como em um Martín Fierro reatualizado.

O filme entrega-se aos poucos.
O uruguaio César Troncoso (O Banheiro do Papa, 2007) interpreta com magnanimidade Léon.
O taciturno dono de posto de gasolina.
Na imensidão da Cordilheira dos Andes.
Além do vazio, a única visita constante é a do motoqueiro Silas (Nelson Diniz).
A quebra na sequência dos vazios se dá com a chegada de Ana.
Fernanda Moro interpreta esta garota da qual sabemos pouco.
A perda do filho e o abuso sexual na vinícola em que trabalhava a colocaram na estrada.
Em direção a Santiago.
Muitas vezes, o importante não é o destino, mas ir.

Na coprodução Brasil e Argentinadestacam-se a captação e a mixagem de som.
Trabalho árduo quando falamos de filmagens externas.
E, principalmente, a impressionante composição do diretor de arte Voltaire Danckwardt.
Deixa a desejar, porém, a desenvoltura no espaço cênico.
É visível que Nascimento compromete o preenchimento dos seus planos.
Por mais de uma vez, os atores cortam a profundidade da cena.
Ou a atravessam em caminhada que, ao final, dão em pouco ou nada.
Em outros momentos, os planos escolhidos não têm bom resultado.
Como quando a câmera, entre a garota e o motorista do caminhão, destoa, da proposta estética.

A chegada de Ana alavanca o cotidiano de León.
As refeições são remodeladas.
Antes, um momento escolhido para retratar a solidão do protagonista.
Depois, um bom motivo para preparar mais comida – e prepará-la melhor.
Resistente aos primeiros contatos, a convivência faz brotar a esperança de um futuro diferente.
Frente a frente, Troncoso e Moro buscam o encaixe.
Ele é vigoroso, visualmente duro.
O texto lhe sai como sairiam as pedras à Maria Madalena.
Ela é força contida, delicadeza discreta.
Mesmo com a melhor atuação de sua carreira, Fernanda é coadjuvante da atriz que pode vir a ser.

Recado de como a vida emudece.
E de como é fácil emudecer perante a vida.
A Oeste do Fim do Mundo retém, em meio ao nada, as dores do mundo.
Reflexo de como o passado facilmente nos consome.

Adaptado de Willian Silveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Decamerão: A Comédia do Sexo +++

É uma série de televisão brasileira produzida pela Rede Globo.
Inicialmente foi exibida em 2 de janeiro de 2009.
Como um dos especiais de fim de ano.
Foi exibida em formato de série entre 31 de julho e 21 de agosto de 2009.

Foi escrita por Jorge Furtado, Guel Arraes.
Com direção geral de Jorge Furtado e Ana Luiza Azevedo.
E núcleo com Guel Arraes.

A série foi totalmente gravada no Rio Grande do Sul.
Com a parceria da produtora Casa de Cinema de Porto Alegre.

Contou, nos papéis principais, com:
+ Daniel de Oliveira,
+ Deborah Secco,
+ Drica Moraes,
+ Edmílson Barros,
+ Fernanda de Freitas,
+ Matheus Nachtergaele,
+ Lázaro Ramos,
+ Leandra Leal.

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Decamerão: A Comédia do Sexo (Sinopse) +++

O Velho Spiniellochio é dono de uma grande vinícola.
E avisa ao filho Tofano que só herdará a fortuna se casar com Monna.
O patriarca quer garantir o futuro da enfermeira.
Que está a seu lado em seu leito de morte.
E ignora a paixão do jovem por Isabel.
O enterro e o casamento da família são celebrados por Masetto.
Um falso e divertido padre.

Para consumar a união, Monna pede ajuda aos criados Tessa e Calandrino.
E promete recompensá-los.
Porém, Tofano também recorre ao casal para conquistar Isabel.
Ela está comprometida com Filipinho.
Tofano avisa que, se tudo der certo, suas vidas irão mudar.

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Decamerão: A Comédia do Sexo (Sinopse) +++

A comédia apresenta a vida sexual de vários casais.
Que vivem em uma época fictícia antiga.
Monna (Deborah Seco) é uma mulher de grande apetite sexual.
E vive reclamando da falta de atenção que recebe de seu marido.
Toffano (Matheus Nachtergaele) só pensa no trabalho.
Ela acaba tendo um caso com o padre Masetto (Lázaro Ramos).
E com Filipinho (Daniel de Oliveira).
Este é casado com a jovem recatada Isabel (Leandra Leal).
E ela não consegue acompanhar os desejos sexuais do marido.
Quando descobre a traição, Isabel tem um caso com o Tenente (Felipe de Paula).
Tessa (Drica Moraes) e Calandrino (Edmilson Barros) forma um casal.
Incrivelmente apaixonados um pelo outro.
E que se sente muito atraído um pelo outro.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida +++

O jovem Tony (Johnny Massaro) decide retornar a sua cidade natal.
Remanso, na Serra Gaúcha.
Ao chegar, descobre que Nicolas (Vincent Cassel), seu pai, voltou à França.
Alegava sentir falta dos amigos e do país de origem.
Tony acaba tornando-se professor.
E se vê em meio aos conflitos e inexperiências juvenis.

Baseado no livro “Um Pai de Cinema” de Antonio Skármeta.

Selton Mello volta a trabalhar com o roteirista Marcelo Vindicato.
Depois de Feliz Natal (2008) e O Palhaço (2011).

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Selton Mello estreou na direção de longas, em 2008.
E o resultado veio com uma surpresa.
Ator talentoso e dono de uma carreira admirável.
Em "Feliz Natal", revelava uma maturidade notável.
Como indivíduo e como artista.
Criando uma narrativa densa e frequentemente dolorosa.
Através da dinâmica entre personagens angustiados.
Um tom diametralmente oposto a do magnífico filme seguinte.
"O Palhaço" equilibrava-se maravilhosamente bem.
Entre o humor e o drama.
Assim, eu talvez não devesse ficar tão surpreso.
Com a força de seu terceiro trabalho, "O Filme da Minha Vida".
Mas fiquei.
Não por suspeitar da competência de seu realizador.
Mas por não esperar sua capacidade de evocar sentimento tão intenso de nostalgia.
E o fato de ter sido fotografado pelo mestre Walter Carvalho não atrapalha, obviamente.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Baseia-se no livro do chileno Antonio Skármeta.
Que faz uma breve participação na sequência que se passa em um bordel.
O roteiro foi escrito por Mello ao lado de Marcelo Vindicato.
Seu colaborador habitual.
E conta a história de Tony (Massaro), um jovem professor.
Filho do imigrante francês Nicolas Terranova (Cassel).
E da brasileira Sofia (Clais).
Mora em um pequeno vilarejo no sul do país.
Deixando-o temporariamente ao fim da adolescência.
Para cursar faculdade em uma cidade grande.
Quando ele retorna, porém, recebe a notícia de que seu pai retornou à França.
Sem explicações, deixou a esposa sozinha.
E como foco da atenção de Paco (Mello), antigo amigo da família.
Buscando lidar com aquele abandono.
Ao mesmo tempo em que inicia a vida adulta.
Como professor em uma escola local.
Tony se divide também entre as irmãs Luna (Linzmeyer) e Petra (Arantes).
Que o atraem de maneiras diferentes e particulares.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Fotografado com inteligência e sensibilidade por Carvalho.
Este oscila entre a nostalgia de um sépia levemente dessaturado.
E o romantismo de passagens com cores mais intensas.
E com flares e contraluzes pontuais.
Que, por sua vez, se contrapõem à escuridão.
E ao triste cinza de uma sequência sob a chuva.
"O Filme da Minha Vida" é uma obra com cor de saudade.
E a melancolia que inspira no espectador é movida não a pessimismo, mas a afeto.
Além disso, o Cinema já tem um dom particular para o simbolismo.
E aqui tudo parece se converter instantaneamente em signos.
Um rádio se torna a tradição contrastada à vápida televisão.
A França se converte em uma representação da saudade e da deserção.
O clássico Rio Vermelho ilustra a ambiguidade de Tony.
Com seus conflitos relacionados a figuras paternas.
Uma bicicleta é a manifestação de um aprisionamento na infância.
E uma moto é simultaneamente a saudade e a divisa entre a meninice e a vida adulta.

Boa parte da poesia intrínseca encontra-se em sua linda compreensão.
Acerca da natureza da memória e como esta é ao mesmo tempo prisão e liberdade.
Como Tony pode se esquecer do pai, como sugere Paco.
Se foi aquele quem o ensinou a andar de bicicleta.
E, assim, encontra-se ao seu lado todas as vezes em que pedala de casa para o trabalho?
Do mesmo modo, o diretor sabe como as memórias.
Têm o poder de nos devolver às idades que tínhamos quando foram formadas.
E, portanto, é apenas normal.
Que Tony volte a ser representado na tela por sua versão infantil.
Ao lembrar-se da figura imponente do pai.
Afinal, a recordação o torna criança.
E não podemos ignorar, tampouco, como as memórias transformam tudo em signo.
Um presente se converte na representação de uma relação.
Um dia chuvoso se torna um ideal romântico passado.
Ou a angústia de um amor perdido.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinema em Cena +++

Tomemos, como exemplo, o quarto de Petra.
Concebido pelo excelente designer de produção Claudio Amaral Peixoto.
Como um pequeno altar às vitórias da moça em concursos de beleza.
O aposento traz, naqueles troféus empoeirados, não uma afirmação de suas conquistas.
Mas a lembrança dolorosa de um passado melhor do que o presente.
Um presente, por sinal, que a cada dia avança rumo ao futuro.
E afasta a moça ainda mais daquilo que era sua única força verdadeira.
Sua juventude e a beleza que a acompanha.
Aliás, vivida por Bia Arantes como uma mulher que sabe.
Que cada olhar que lança a Tony (e aos homens de modo geral) tem a força de uma faca.
Petra ainda assim mal consegue ocultar uma vulnerabilidade subjacente.
À sua aparente autoconfiança.
Como se temesse ser desmascarada a qualquer momento.
Enquanto isso, sua irmã Luna é encarnada por Bruna Linzmeyer.
Como um reflexo quase perfeito da outra.
Já que, aos poucos, seu olhar vulnerável de mulher apaixonada vai cedendo lugar.
A uma força crescente – força que se tornará fundamental para o amado.

Transição igualmente complexa é retratada por Johnny Massaro.
Cujo rosto jovial e livre das marcas provocadas por decepções.
Torna-se gradualmente mais severo e menos inocente.
Permitindo que percebamos como sua ingenuidade está sendo arrancada uma decepção por vez.
O que, de forma fascinante, parece torná-lo mais forte.
E se Vincent Cassel inicialmente confere vida, força e intensidade a Nicolas.
Estas características progressivamente cedem espaço ao pesar resignado.
De alguém que sente ter uma dívida impossível de pagar.
Mas que ainda assim se sente preso a esta.
Para completar, Selton Mello interpreta Paco como um homem.
Que simultaneamente exala gentileza e ameaça.
Levando o espectador a compreender – mesmo reprovando – algumas ações.
Que, nas mãos de um ator menos capaz, afastariam o público de vez.
Ao passo que Rolando Boldrin simboliza um passado cheio de histórias e lembranças.
Com sua simples presença e seu rosto forte e expressivo esculpido pelo tempo.

Em certo momento, Paco explica a Johnny por que não gosta de ir ao cinema:
“É um troço escuro que você fica lá dentro vendo a vida dos outros.
Em vez de cuidar da sua e perde duas horas da vida”.
Pois de minha parte só tenho a agradecer aos responsáveis por esta obra.
Por me permitirem passar este tempo ao lado de personagens tão belos.
Em um universo tão cheio de afeto.

Adaptado de Pablo Villaça (Cinema em Cena)

Leonardo Brocker disse...

+++ Contemplando o Passado - Quarto Ato +++

Ainda lembro o meu primeiro contato com o futebol.
O meu pai me levava para alguns de seus famigerados “bate-bola” entre amigos.
Eu assistia e que, com insistência do genitor, passei a participar.
Já a minha mãe me apresentou a sétima arte.
Quando me levou para assistir Dinossauros, filme da Disney de 2000.
Enquanto isso, um tio me mostrou o universo colorido dos quadrinhos.
Que até hoje uso como literatura rotineira.
E, posteriormente, a minha namorada sugeriu uma playlist diferente.
Que, quando vou no Youtube, é muito difícil não procurar.
A lembrança, deste modo, fica muito viva.
Quando assisto uma partida de futebol, vou ao cinema, leio um quadrinho.
Ou escuto Radiohead.
O Filme da Minha Vida, nova obra de Selton Mello, trata exatamente disso: nostalgia.

A história foi escrita pelo próprio Mello e por Marcelo Vindicatto.
E adapta a obra do chileno Antonio Skármeta.
Fala de Tony, um jovem professor.
Ele retorna para sua cidade natal depois de uma formação acadêmica.
E descobre que o seu pai se separou de sua mãe e voltou para a França.
Por meio disto, o personagem fica sozinho durante as suas decepções.
De modo particular e identificável.
Ainda que tenha o apoio de Paco, um antigo amigo da família.

Selton dirige com a experiência já garantida em Feliz Natal e O Palhaço.
Fica fácil observar a elegância em sua montagem.
Ela passeia pela dor e felicidade.
Com uma técnica belíssima fotografada por Walter Carvalho.
Esta oferece uma sensibilidade ao abraçar o sentimento de ferida aberta.
O romantismo, deste modo, traz um clima de pessimismo.
Como se as desilusões fizessem parte de seu crescimento.
O que confere à obra uma beleza nos quadros.
Que, sem muita dificuldade, encantam o espectador.

Adaptado de Gabriel Amora (Quarto Ato)

Leonardo Brocker disse...

+++ Contemplando o Passado - Quarto Ato +++

Memória, melancolia e saudade são muito presentes através dos signos.
E oferecem uma representação dos personagens em pequenos objetos.
Como no rádio ou na bicicleta.
Estes brindam uma sensação agridoce, ainda que bela.
Esta manifestação, contudo, traz um aprisionamento intrínseco no cerne do roteiro.
E com ajuda da música, emociona nas passagens de tempo da fase infantil até a adulta.
Vale lembrar das sequências que Tony enxerga o pai.
Sob o ponto de vista de um personagem amadurecido.
E mesmo com saudades, sente agonia.

O elenco, semelhantemente, invoca a nostalgia.
Johnny Massaro, no caso, cumpre aqui com muito esforço a sua melhor atuação.
Principalmente quando as emoções falam mais que as palavras.
Já que as expressões constrangem, assim como trazem empolgação.
Por outro lado, Vincent Cassel desenvolve um pai ausente.
E sem muitas palavras, insiste na sensação de dúvida e arrependimento das escolhas.
Já Mello traz mais um personagem diferente em seu currículo.
Uma vez que oferece amor e afeto, ainda que no desdém.

O roteiro, por meio disto, oferece uma viagem ao crescimento.
Algo inspirado no que o personagem viveu.
Tony garante uma inspiração apaixonante de não desistir.
Dado que se baseia nos bons momentos do passado.
Seja com a bicicleta, com a música ou com o cinema.
E isto, graciosamente, já expande o afeto de Mello por seus personagens.
Mesmo que se baseando na dor de viver com o que não pode.
E pior que isto: de imaginar os bons momentos do passado em busca de melhores no futuro.

Por último, como disse Don Draper em Mad Men...
"A nostalgia é uma pontada no coração muito mais potente que a memória".
E o filme avança e retrocede em busca de um lugar a que ansiamos por voltar.
O Filme da Minha Vida fala disso, felizmente, de forma muito sincera.

Adaptado de Gabriel Amora (Quarto Ato)

Leonardo Brocker disse...

+++ Onde Sutileza se Encontra com Beleza +++

“O Filme da Minha Vida“ é a terceira investida de Selton Mello como diretor.
Na trama, acompanhamos um trecho da vida do jovem Tony (Johnny Massaro).
Quando este decide retornar a Remanso, Serra Gaúcha, sua cidade natal.
Ao chegar, descobre que Nicolas (Vincent Cassel), seu pai, voltou para França.
Tony se torna professor.
Ao mesmo tempo que se vê em meio aos conflitos e inexperiências.
Da recente vida adulta.

Selton Mello estreou na função de diretor em “Feliz Natal” (2008).
E passou pelo fabuloso “O Palhaço” (2011).
Agora, apresenta uma sinceridade que dá à história contornos de realismo.
Fortemente aliado a um esmero técnico, a assinatura se repetiu e evoluiu.
Isso é visível desde o som.
Quando opta por “vazar” o real tilintar dos dentes ao mastigar.
Algo que nem prestamos mais atenção.
Mais ainda quando o elenco apresenta seus textos sem pressa.
E dá ao espectador a possibilidade de entrar mais naquela história.
Por vezes, inclusive, o diálogo nem se fez necessário para a cena funcionar.

Pressa é algo que “O Filme da Minha Vida” não tem.
Por saber exatamente onde quer chegar.
E por acreditar muito no seu ponto de virada.
Dá muito tempo para os personagens se mostrarem.
Sabemos muito, inclusive, dos que não tem tanto tempo de tela.

Adaptado de Raphael PH Santos (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Onde Sutileza se Encontra com Beleza +++

O filme acompanha Tony (Johnny Massaro) em sua jornada.
E apresenta suficiente conhecimento dos que estão próximos ao protagonista.
Quer seja sua mãe, seu pai, o amigo do seu pai, seu aluno.
Ou sua companheira de trama, a Luna, vivida pela talentosa Bruna Linzmeyer.
Dona de beleza vintage e perfeita para o papel.
Por entregar a leveza e sensualidade que o papel pediu.
A repetida olhada de ombro carrega consigo uma sutileza admirável.
Numa sequência que se passa em uma festa.
Johnny Massaro como Tony vai muito bem também.
Apresenta um personagem que muda em pequenos detalhes ao longo da história.

Tempo é algo relevante aqui.
Apesar de não ser a principal discussão.
Pois trata-se primordialmente de problemas não resolvidos.
É tão importante para o todo quanto esse conflito do protagonista.
O trem representa o tempo que não pára.
E o ir e vir que precisamos fazer.
Para resolvermos (logo) certas situações que a vida nos dá.
Sem resolver esses pontos, fica difícil seguir.
E ser quem estamos preparados para ser.
O tempo é aquele que permanece seguindo num ritmo previsível e artificial.
Luna até fala sobre isso ao olhar um relógio.
Mas ainda assim difícil de emparelhar.
Hora você chega cedo demais e tem que esperar o trem sair.
Hora o trem te leva para outro lugar.
E você não vê os efeitos do tempo no local que você deixou.
Numa cena, a única de Rolando Boldrin, esse assunto torna-se expositivo.
Johnny Massaro e o próprio Selton Mello contracenam com Boldrin.

Adaptado de Raphael PH Santos (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Onde Sutileza se Encontra com Beleza +++

O trabalho se mostrou igualmente competente na escalação dos demais atores.
Vincent Cassel tem pouquíssimo tempo de tela.
Tempo bem utilizado por conta do natural sotaque franco-brasileiro.
E por ser um genuíno “gringo”.
Que se destaca como tal face a todos os demais do elenco.
Selton Mello se escala para um papel também curto.
Mas importante e dono de veia cômica utilizada sob medida.
O texto que apresenta a diferença entre o porco e o homem.
Teria que sair da boca e trejeitos de quem viveu Chicó e Benjamin.
“O Auto da Compadecida” e “O Palhaço”, respectivamente.
E escalar Boldrin, além de um acerto, uma belíssima homenagem.

Adaptado de Raphael PH Santos (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Onde Sutileza se Encontra com Beleza +++

A fotografia de Walter Carvalho optou por utilizar o primeiríssimo plano.
Estilo que conversa diretamente com as escolhas do roteiro.
De entregar seus detalhes com muita paciência.
Esse plano, junto com o plano detalhe, causa sentimento de ausência a partir do enfoque.
Entretanto, os planos gerais, ou os mais abertos, surgem com parcimônia.
Quando a história avança, abrindo cada vez mais o seu escopo.
Os planos gerais também atuam a fim de valorizar as lindas locações.
Assim como os close-ups conversam diretamente com uma personagem que é fotógrafa.
E em vários momentos as tomadas estáticas valorizam o mise-en-scène.
A movimentação teatral dos atores e a competente direção de arte.
Dando tempo para que analisemos com calma toda organização.

Ainda na cinematografia, a paleta de cores é quase toda em tons pasteis.
Nada cítrico, apenas destacando o vermelho pin-up.
Quando o filme precisa do tom romântico.
E, muito delicadamente, do erótico.
O filtro vintage e o chuvisco sutil e proposital somam-se.
Para apresentar a estética de época.
Além de corroborar com o assunto de tempo passado e tempo passando que a trama levanta.

Adaptado de Raphael PH Santos (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Onde Sutileza se Encontra com Beleza +++

O filme seria impecável.
Se não fosse pelo incomodo atraso na apresentação do conflito principal.
Algumas cenas aparentemente dubladas.
Mesmo onde a captação do áudio poderia ser feita ao natural.
E por algumas (poucas) transições abruptas na montagem.
Sendo que a história pede calma e leveza.
Em vez da rigidez que o corte seco transparece.

Cada minuto de projeção de “O Filme da Minha Vida” demonstra-se útil.
Para entendermos os problemas, as decisões, os personagens (principais e secundários).
E a vida simplória naquela cidade pacata e dona de charme marcante.
Duas características que podem ser literalmente atribuídas também a esse filme.
Dono de final forte e eficiente.

Adaptado de Raphael PH Santos (Cinema com Rapadura)

Leonardo Brocker disse...

+++ Rito de Iniciação em Ambiente Marcado pela Beleza +++

Selton Mello, em seu terceiro longa, dá seguimento à carreira de diretor.
Em obra inspirada no texto do chileno Antonio Skármeta.
Autor de O Carteiro e o Poeta.

No primeiro loga, Feliz Natal, abusava das referências de cinéfilo.
Mas, apesar da sobrecarga, também fazia seu trabalho mais ousado.
Em O Palhaço, houve uma simplificação, no bom sentido do termo.
E uma parceira enriquecedora com Paulo José.
Grande ator e também pensador do cinema, das artes e da vida.
Agora, em O Filme da Minha Vida, Selton ampara-se na arquitetura sólida.
De um texto bem construído e, com esses alicerces, deixa voar a imaginação.
O romance de Skármeta chama-se Um Pai de Cinema.
O título promete articulação com a magia do cinema e não nega fogo.
Embora seja, de certa forma, um anti-Cinema Paradiso.

Adaptado de Luiz Zanin Oricchio (O Estado de S.Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Rito de Iniciação em Ambiente Marcado pela Beleza +++

O Filme da Minha Vida refere-se, em sua essência, a um rito de passagem.
No caso, um tanto tardio.
Pois o personagem principal, Tony Terranova, é um jovem de 20 anos, formado.
No regresso à sua Remanso natal, na serra gaúcha, torna-se professor de francês.
E tem de dar conta de um elemento traumático da sua biografia.
O pai, Nicolas (Vincent Cassel), francês, retornou para a Europa.
Sem dar maiores explicações.
Sumiu.
Enquanto um chegava, outro partia.
Deixando um vazio a ser preenchido pelo jovem.
Um vácuo a ser preenchido de sentido.

A mãe, Sofia (Ondina Clais), é uma mulher silenciosa.
O mentor de Tony, Paco (Selton Mello), especialista na formulação de frases lapidares.
Mantém alguns fatos fundamentais na surdina.
Tony se apaixona por Luna (Bruna Linzmeyer).
Mas se sente também atraído pela irmã da moça, a envolvente Petra (Bia Arantes).
Enquanto isso, tem de levar um aluno ao bordel da cidade vizinha.
Para que este se inicie nas artes eróticas.
O próprio Tony vê-se necessitado de uma iniciação.
Que a vida acaba por lhe trazer, e não da forma que esperava.

Adaptado de Luiz Zanin Oricchio (O Estado de S.Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Rito de Iniciação em Ambiente Marcado pela Beleza +++

De certa forma, a trajetória de Tony é a de uma psicanálise.
Em que algumas pistas são colocadas para o indivíduo.
Mas terá de ser ele, e somente ele, a formular conclusões sobre si mesmo.
Deve preencher lacunas de sua biografia.
Inventar hipóteses sobre seu “romance familiar” (expressão de Freud).
Ou ainda, de maneira mais modesta, encontrar um jeito de viver e trabalhar.
Em relativa paz e funcionalidade.
O que é uma das definições possíveis da saúde, segundo o mesmo Freud.
Capacidade de amar e trabalhar - nada mais nem nada menos.

Esse trajeto existencial vem num formato em que a beleza joga papel fundamental.
Beleza de rostos, paisagens e ambientes, captados pela lente de Walter Carvalho.
Mas, no limite, beleza dos sentimentos positivos, que acabam por prevalecer.
Essa exuberância, talvez excessiva, serve também para aplainar certas arestas.
Apenas insinuadas na dramaturgia.
Sem ser um feel good movie (filme para se sentir bem) no sentido clássico.
O filme é, como definiu Selton Mello, um presente ao espectador em tempos difíceis.
Um bombom.

Adaptado de Luiz Zanin Oricchio (O Estado de S.Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Crítica Cineweb +++

O chileno Antonio Skármeta escreveu o livro que inspirou "O Carteiro e o Poeta".
E assina também o romance por trás de O Filme da minha Vida.
O terceiro longa de Selton Mello.
Pode-se ver um parentesco da obra com seu filme anterior, "O Palhaço" (2011).

Ambos tratam de um processo de amadurecimento de um jovem.
Em "O Filme da Minha Vida", Tony Terranova (Johnny Massaro).
Ele é o professor primário de uma pequena cidade no interior gaúcho, em 1963.
Dividido entre as angústias do amor e do sexo, que está começando a conhecer.
E a ausência do pai, Nicolas (Vincent Cassel).
Francês, este pai partiu para seu país.
No mesmo dia em que Tony retornava, formado, da capital.
Os dois se cruzaram na estação ferroviária.
Numa despedida breve e traumática.
Pela total ausência de explicações e de notícias depois desse dia.

A tristeza percorre não só Tony.
Mas também sua mãe, Sofia (Ondina Clais Castilho), que parece uma viúva.
De melancolia em melancolia, a vida continua a custo.
Tony procura uma figura paterna alternativa em Paco (Selton Mello).
Um rústico criador de porcos que era amigo do pai.
Dele não extrai uma única informação sobre a partida de Nicolas.
Mas conta com ele para a primeira visita ao bordel da cidade mais próxima.

Há uma dualidade da vida sexual iniciada com prostitutas.
E o flerte comportado com as irmãs Luna (Bruna Linzmeyer) e Petra (Bia Arantes).
As meninas da família Madeira.
Um dos aspectos em que o filme respira sua nostalgia.
Sua marca de um tempo passado.
Numa cidade em que o meio de comunicação mais popular ainda é o rádio.
Mesmo o cinema fica em outra cidade.
E, por tudo isso, o tempo parece correr mais lentamente.

Adaptado de Neusa Barbosa (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Crítica Cineweb +++

O veterano diretor de fotografia Walter Carvalho materializa o passado.
Ao banhar muitas dessas imagens de uma luz dourada ou sépia.
Como as velhas fotografias de uma juventude revisitada em filmes como este.
Que manifestam uma inequívoca proximidade com os dramas familiares.
Do período de ouro do cinema italiano.
Nas obras de Ettore Scola e Dino Risi.
Ou mesmo com o cinema francês.
De um François Truffaut da época de seu alter ego, Antoine Doinel.

Há, na linguagem do filme, a procura de uma simplicidade que envolva o espectador.
E a sintonia com uma experiência universal.
Nesse processo que envolve todas as vidas quando desabrocham.
E chegam àquele perigoso ponto em que amadurecer não é só preciso, como inevitável.
Embora, evidentemente, o ponto de vista aqui seja eminentemente masculino.
Com personagens femininas filtradas por sua imaginação.

Adaptado de Neusa Barbosa (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Crítica Cineweb +++

No elenco, há que se destacar uma ponta do escritor Skármeta.
Como o dono do bordel Eseban Copetta.
E o veterano cantor Rolando Boldrin.
Que volta ao cinema depois de duas décadas.
Agora, na pele de um carismático maquinista.
Há o estreante João Prates, intérprete do garoto Augusto Madeira.
Irmão das musas do filme.
E protagonizando sequências no limite do patético.
Em sua ansiedade com sua iniciação sexual.

Adaptado de Neusa Barbosa (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Rolling Stone +++

Existe um paralelo curioso.
Entre "O Filme da Minha Vida" e "O Palhaço".
Longa anterior de Selton Mello.
Em "O Palhaço", o protagonista convive com um pai.
Que parece nunca estar ali.
Agora, o personagem principal depende da saudade de um pai.
Que abandonou a família para buscar sentido na vida.
Quando Mello esteve atrás das câmeras, falou de relações familiares.
Sempre acostumado a roteiros escritos por ele mesmo.
Desta vez, parte das palavras do chileno Antonio Skármeta.
Autor de O Carteiro e o Poeta.
Mello guarda para si um papel coadjuvante.
E elege como protagonista Johnny Massaro.
É a delicadeza da performance do jovem que dá corpo.
A uma discussão sobre ausência, herança e missão.
"O Palhaço" era sobre buscar uma família verdadeira.
"O Filme da Minha Vida" é sobre remontar a ideia de família.

Adaptado de Chico Fireman (Rolling Stone)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Almanaque Virtual +++

Provavelmente quase nada seria exatamente como aconteceu.
Se todo mundo pudesse contar em filme sua história.
Claro, essa é a sua versão e você conta do seu jeito.
Aquele momento mágico do primeiro namoro.
Da viagem para uma outra cidade.
Ou aquela decepção com quem você mais admirava.
E aquela tristeza.
Que você nem quer contar para não ter que lembrar.
Tudo pode estar no filme da sua vida.

Adaptado de Ana Rodrigues (Almanaque Virtual)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Almanaque Virtual +++

Em “O Filme da Minha Vida”, o diretor Selton Mello retoma o lirismo.
De sua obra maior “O Palhaço”.
Com toques de autobiografia.
E conta a história de Tony (Johnny Massaro), um professor.
Este retorna à cidade natal na Serra Gaúcha.
E encontra a mãe, abandonada pelo pai.
Nicolas (Vincent Cassel) voltou para a França.
Com saudade do país de origem.

Tony vai buscar a forma de reconstruir sua história.
No afeto de Luna (Bruna Linzmeyer).
Na sensualidade de Petra (Bia Arantes).
Na amizade de Paco (Selton Mello).
E no carinho da mãe Sofia (Ondina Clais),
Apesar do passado sempre estar rondando.
Uma sala de cinema é o cenário de acontecimentos decisivos.
Que conectam dois pontos da vida do jovem.

Adaptado de Ana Rodrigues (Almanaque Virtual)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Almanaque Virtual +++

O longa baseia-se no livro do chileno Antônio Skármeta.
E revive os anos 60 com fidelidade.
Na reconstituição em cenários, figurinos e trilha sonora.

A música de Sérgio Reis, “Coração de Papel”, se encaixa.
Na figura cheia de desejo e melancolia de Tony.
Que não entende porque o pai foi embora.
E com ele levou o próprio passado do menino.
Que ele tanto quer recuperar.

“Hier Encore”, de Charles Aznavour, também está no longa.
Para embalar falta e arrependimento.

O filme parece um álbum de retrato de uma época ainda muito presente.
Com a saudade de Tony da infância com o pai.

E a fotografia de Walter Carvalho explora a paisagem da Serra Gaúcha.

Adaptado de Ana Rodrigues (Almanaque Virtual)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Almanaque Virtual +++

Selton Mello mostra mais uma vez grande acerto na escalação de atores.
Com Massaro e Cassel em atuações solidamente construídas.
E um elenco feminino impecável.
Além da participação especial afetuosa de Rolando Boldrin.
Como uma espécie de observador
O próprio Selton Mello atua bem, como sempre.
Mas o seu Paco é o personagem com desfecho menos satisfatório.

“O Filme da Minha Vida” é daqueles longas em que todos personagens importam.
Incluindo a pequena trama de um menino que está doido para perder a virgindade.
Um filme que conquista a nossa simpatia e mantém nosso interesse constante.

Adaptado de Ana Rodrigues (Almanaque Virtual)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinemação +++

Na coletiva de imprensa, Selton Mello falou sobre suas inspirações.
Suass sensibilidades como cineasta.
E sobre como se apaixonou instantaneamente pelo livro "Um Pai de Cinema".
De Antonio Skármeta, o renomado autor de "O Carteiro e o Poeta".
"Um Pai de Cinema" obra que dá origem a "O Filme da Minha Vida".
Estrelado por Johnny Massaro, Vincent Cassel e outros grandes talentos.
No evento, algumas coisas ficaram claras.
O apego de Mello pelo livro.
Que possui até um apaixonado prefácio escrito pelo mesmo.
E que a produção é daquelas raras de sintonia entre escritor e diretor.
Onde o diretor tem a liberdade.
Para transmitir espiritualmente as sensações passadas pelo livro.
Dessa forma, é sintomático que "O Filme da Minha Vida" seja um filme de fã.
Uma carta de amor de Mello ao livro.
Enfim, uma idealização romântica daquelas páginas transposta.
Despejada, através das imagens fotografadas de Walter Carvalho, para as telas.
Dito isso, como toda idealização, há uma sobreposição de sentimentalismo.
Que pode ser perigosa do ponto de vista cinematográfico…
E do controle que você tem sobre sua obra.

Adaptado de Cauê Petito (Cinemação)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinemação +++

Serras Gaúchas, 1963.
O jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai.
Este foi embora sem avisar à família.
E, desde então, não deu mais notícias ao filho.
Tony é professor de francês num colégio da cidade.
Convive com os conflitos dos alunos no início da adolescência.
E vive o desabrochar do amor.
Apaixonado por livros e pelos filmes que vê no cinema da cidade grande.
Tony faz do amor, da poesia e do cinema suas grandes razões de viver.
Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona.
E o obriga a tomar as rédeas de sua vida.

Adaptado de Cauê Petito (Cinemação)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinemação +++

O título "O Filme da Minha Vida" é bem literal quanto às pretensões de Mello.
Ele realiza um trabalho daqueles que reverenciam o cinema enquanto linguagem.
E tem como musa inspiradora a própria sétima arte.
Ambienta-se na mente de seu narrador.
E recebe uma roupagem em tons sépias que escancaram sua natureza fantasiosa.
Quando o Tony de Johnny Massaro observa, extasiado, as garotas da geração beat.
Todas quase pin-ups.
Enraizadas justamente na idealização romântica e arquetípica da época.
E seu personagem literalmente levita.
Numa sequência de sonho cômica mas um tanto óbvia e exagerada.
Até mesmo pela escolha óbvia de música.
Esta cena, possui uma artificialidade.
Seja os figurinos das garotas, na música, ou o próprio exagero da trilha sonora.
E de como a sequência é filmada representando o onírico.
Ela resume eficientemente esta obra.
Que se passa na cabeça de um jovem romântico.
De um poeta incorrigível que transforma sua vida literalmente, num filme.

Essa lógica fabulesca reside nos nomes dos próprios personagens.
Que são diferentes de suas contrapartes no livro.
Tony Terranova é daquelas aliterações quase super-heroicas.
Por um lado essa abordagem é interessante.
Por outro, prejudica o filme.
Por nunca aprofundar todos os seus personagens de fato.
Ainda mais em um filme desses de transição para a vida adulta.
Carregado de reviravoltas dramáticas.
Em que é necessário que nos importemos realmente com aquelas pessoas.
E isso nem sempre acontece com esses arquétipos engessados.
Do jovem solitário, da it girl da escola, do pai ausente…

Adaptado de Cauê Petito (Cinemação)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinemação +++

Isso não quer dizer que os atores não estejam bem em seus papeis.
O Tony de Johnny Massaro passa sentimentos sem mesmo verbalizá-los.
Com uma postura física que escancara sua insegurança.
Seu olhar triste e distante consegue dizer muito mais.
Que as poéticas falas que saem de sua boca.
Essa tristeza contida é partilhada por Sofia, sua mãe.
Vivida por Ondina Clais com uma voz aconchegante.
Mas que esconde anos de dor.
As irmãs Luna e Petra não têm muito o que mostrar.
E são vividas pelas belas e talentosas Bruna Linzmeyer e Bia Arantes.
Servem mais como os já mencionados arquétipos.
Que servem para o “crescimento” do personagem.
O excelente Vincent Cassel não precisa se esforçar muito.
Para atribuir carisma à Nicolas, pai de Tony.
E Selton Mello transforma Paco num dos personagens mais interessantes.
Parte disso vem da própria personalidade de Paco.
Ele parece diferir daquelas pessoas.
Que proferem cada frase como se fosse a mais bela e poética já feita.
A cena na qual Luna conta um sonho que teve para Tony é um exemplo disso.

Adaptado de Cauê Petito (Cinemação)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Filme da Minha Vida - Cinemação +++

O lirismo reflete a idealização de Selton Mello pelo trabalho que adapta.
Este é um filme apaixonado desde o início pela história que quer contar.
Pela obra de Skármeta, por seus personagens.
Mas falta justamente um estofo.
Mais que esta visão plana, mas inegavelmente bela, desta história.
Essa beleza vem na fotografia.
Na trilha orquestrada.
Nos figurinos.
E nas próprias paisagens, filmadas na bela Serra Gaúcha.

É uma pena que Mello esteja tão deslumbrado com a própria história.
Que a conta como se fosse desde já um clássico.
Os trechos do clássico Rio Bravo (1959) se encaixam na narrativa de forma bonita.
Mas também vem acompanhados de uma certa pedância.

Voltando às palavras do próprio Mello, sobre Antonio Skármeta.
Ao se questionar sobre o por quê de o autor o escolher para adaptar a obra:
“Um sonhador reconhece o outro”.

"O Filme da Minha Vida" acaba sendo nada mais do que um filme de fã,
daqueles românticos, repletos de paixão, com uma bela mensagem.
E como a maioria dos apaixonados, deixa-se levar pelas próprias idealizações.
Numa obra que extrapola um conto que já era fabulesco.
Mas, ganha contornos de resolução artificial e “final feliz”.
E acaba por anular qualquer efeito mais dramático.
Que poderia ser extraído de seus personagens.
Estes nunca podem se tornar reais.
Aprisionados nessa realidade de cinema mágica e imaculada.
Mas também artificial que Selton Mello – sonhador – propõe.

Adaptado de Cauê Petito (Cinemação)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Ausente Presente +++

Já faz mais de 10 anos que Selton Mello resolveu se afastar das novelas.
Para, cada vez mais, se dedicar ao cinema.
Inicialmente apenas como ator.
Depois também como diretor.
Teve sucesso em seu segundo filme como realizador, O Palhaço.
E muito se especulou sobre qual seria seu passo seguinte.
Para a surpresa de muitos, ele resolveu se dedicar à TV.
Por dois anos, dirigiu mais de uma centena de episódios da série Sessão de Terapia.
Apenas seis anos depois, Selton retornou ao cinema.
Com "O Filme da Minha Vida".
Conceitualmente, a continuidade natural de seu modo de enxergar a sétima arte.

"O Palhaço" trazia uma bem-vinda delicadeza na abordagem.
Da busca da identidade em meio ao universo mambembe do circo.
Em "O Filme da Minha Vida", outra vez, busca mesclar o lírico e o literal.
A brutalidade e a fantasia.
Com uma pitada de melancolia.
A síntese de tal proposta surge a partir dos contrapontos.
Entre Tony (Johnny Massaro) e Paco (Selton).
Tão antagônicos quanto amigos.
Tony é letrado e sonhador.
Professor de tudo em uma pequena escola em um local ermo.
Paco é pé no chão e rude.
Se agarrando ao dia a dia.
E não vê sentido nem utilidade.
No que permite qualquer tipo de viagem da mente.
Daí sua incompreensão diante do cinema, por exemplo.
A sétima arte, por sinal, tem grande importância dentro da narrativa.
Não só pelo que representa para a alma.
Mas também pelo lado físico de onde é projetada.

Em meio às tais alternâncias, há a melancolia decorrente da ausência.
O retorno do pai de Tony (Vincent Cassel) à França.
Isso abre uma fenda profunda dentro do jovem.
Não só pela saudade mas pelo impacto que tal partida provoca.
Dia após dia.
Há em O Filme da Minha Vida uma forte reverência ao passado.
Seja pela ambientação idealizada situada no sul do Brasil.
Com figurinos típicos dos anos 1960.
Seja pela lembrança constante de uma felicidade que já não existe mais.
Daí vem o tom melancólico em torno do sensível Tony.
E também a rudeza de Paco.
Reações diretas do modo como lidam com fatos marcantes da vida.

Adaptado de Francisco Russo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Ausente Presente +++

Mas nem sempre o lado poético da narrativa é bem desenvolvido.
Há uma certa mão pesada do Selton diretor.
No modo como tais sonhos são representados.
Por vezes, de forma até pretenciosa.
É o caso da sequência lírica em que Tony, literalmente, flutua.
Ela remete diretamente à obra de Fellini, mais exatamente 8 1/2.
Mas soa deslocada dentro da história como um todo.
E, mesmo dentro da própria sequência, não atinge os objetivos lúdicos.
Soa como mero exercício de linguagem.

Além disto, há um incômodo tom brusco.
Na maneira com a qual apresenta certas literalidades.
Especialmente em relação ao personagem de Cassel.
Percebe-se o interesse em provocar a quebra entre sonho e realidade.
Mas a condução muitas vezes soa bastante artificial.
E prejudica o desenvolvimento da própria narrativa.
O ritmo lento da história é repleto de sequências contemplativas.
E frases efêmeras de suposto tom poético.
Isso amplifica uma sensação cada vez maior de gratuidade.
Em torno daquele universo bem retratado e tão mal desenvolvido como narrativa.
É como se houvesse uma beleza estética aliada a conceitos bem definidos.
Só que mal empregados.
Nesta busca constante por uma complexidade emocional.
Jamais entregue de forma fluida e natural.
Isso acaba sendo um tiro no pé em relação à própria história.
De forte tom pessoal.

Diante disto, "O Filme da Minha Vida" transcorre de forma irregular.
Mesmo que Johnny Massaro e Selton Mello cumpram a dualidade dos personagens.
E Bruna Linzmeyer surja mais contida que o habitual.
Há no filme problemas narrativos.
Em parte, decorrentes da ampliação da história de Antonio Skarmeta.
Mas, também, das modificações na trama que, uma vez mais, soam gratuitas.
Problema maior ainda que o conteúdo é a forma com a qual este é apresentado.
E, neste ponto, o Selton diretor apresenta seu filme mais disperso.

Pela ambientação, é possível compreender "O Filme da Minha Vida".
Como um passo seguinte natural após "O Palhaço".
E é necessário também reconhecer o tom poético.
Que soa, em vários momentos, artificial e pouco convincente.
São tantos problemas narrativos e de direção.
Que o filme se sustenta apenas no bom elenco e na bela ambientação de época.

Adaptado de Francisco Russo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Diretor, Roteirista, Ator: Os Seltons Não se Encontram +++

Um cineasta pode encontrar dificuldades em ter uma voz própria.
De tanto homenagear e buscar referências.
E as mesmas não se comunicarem entre si,
Não podemos acusar Selton Mello de não ter talento.
Ou de não trabalhar com os melhores profissionais do mercado.
Nada disso seria justo.
Mello entrega seu terceiro longa.
O poético "O Filme da Minha Vida".
E vive novo momento de estabilidade profissional.
Com belos trabalhos como ator paralelos à paixão de realizador.
Sobra paixão em seu novo filme.
E o que se observa são suas inspirações temáticas e imagéticas.
Elas teimam em não ganhar sentido maior que os de uma homenagem.
De um fã maravilhado com seus ídolos.
Alguém talentoso e capaz, mas assolado por tanta informação.
Que o excesso embaça o roteiro escrito com Marcelo Vindicato.
A ânsia era de acertar tantos gols quanto possível.
E contou com os melhores jogadores a disposição.
Para um jogo que termina sem vitória...

Adaptado de Francisco Carbone (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ Diretor, Roteirista, Ator: Os Seltons Não se Encontram +++

Em "Feliz Natal", a atmosfera amarga de típicas reuniões familiares.
Ela foi claramente abençoada por Lucrécia Martel e seu "O Pântano".
Um projeto de estreia ousado e seguro de si.
Com "O Palhaço", a infância de Selton foi o alvo.
Mas não dá pra negar a influência da inocência de Chaplin e Fellini.
Ficam claras na bela atmosfera desse grande sucesso.
Inclusive de bilheteria.
O novo filme traz é mais um mergulho no cinema italiano.
Tanto Fellini quanto o Tornatore de "Cinema Paradiso" e "Malena".
Numa narrativa que esbanja nostalgia pelo passado.
E a busca por um entendimento particular de nosso crescimento pessoal.
Tanto etário quanto emocional.
Com elementos estéticos que não apenas situam o filme na década de 60.
Onde é passado como tentam promover uma viagem visual para lá.
Selton tecnicamente entrega o prometido ao projeto.
Este almeja nos situar no passado de maneira onírica e delicada.
Com um Walter Carvalho mais uma vez assombrando nas lentes.
Direção de arte, figurinos e a bela trilha incidental de Plínio Profeta.
Isto completa o quadro geral, de alcance indiscutível.

Adaptado de Francisco Carbone (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ Diretor, Roteirista, Ator: Os Seltons Não se Encontram +++

Os excessos começam a ser observados rapidamente até.
quando se percebe que o corpo de canções ocupara toda extensão do filme.
Por mais lindas que sejam as músicas da Jovem Guarda.
A voz de Charles Aznavour.
E tantas outras
Selton construiu uma atmosfera de imagens, sons, sentidos e delicadeza.
Estas deveriam prescindir a experiência do áudio.
Quase sentimos o filme clamar pelos acordes suaves de "Profeta".
Quando os microfones não param de trabalhar.
O mesmo podemos dizer do trabalho de Walter Carvalho.
Ele ultrapassa o limite da beleza em determinados momentos.
Quando parece chegar no limite de sufocar o todo.
Imerso numa paleta ostensivamente perfeita.
Em enquadramentos tão milimétricos que simplesmente abafam a história.
Uma história que com outras escolhas teria sido muito menos explícita.
E muito mais sentida.
E é aí que percebemos que talvez falte sutileza ao trabalho.

Adaptado de Francisco Carbone (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ Diretor, Roteirista, Ator: Os Seltons Não se Encontram +++

E aí entra a observação ao roteiro.
Este nos faz atentar para todo esse entorno.
Se o material escrito correspondesse, o filme não fosse tão sufocante.
Em seu filme anterior Selton deixou a poesia correr solta.
Em imagens e pensamentos.
Dessa vez, a fórmula desandou e produziu cenas canhestras.
De estrutura a usar e abusar das metáforas.
E lições entre seus personagens e situações.
Selton verbaliza tudo até esgarçar a narrativa.
Com um sem fim de "poemas" narrados, e explicados.
E se não estiver ainda bem entendido, ele ainda os transforma em imagem.
A vida do protagonista Toni Terranova é observada com os olhos da poesia visual.
E também da forma tradicional.
Até os possíveis momentos de dor são tão esteticamente elaborados.
Que lá pelas tantas as intenções foram esvaziadas.
Por mais beleza e doçura que o filme queira nos arremessar...

Adaptado de Francisco Carbone (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ Diretor, Roteirista, Ator: Os Seltons Não se Encontram +++

É esse mesmo carinho e talento que salvam o projeto.
Porque ao final, mesmo de maneira exacerbada, sobra talento aos envolvidos.
E nada é mal feito.
Talvez se a atmosfera de sonho atribuída às memórias de Toni forem absorvidas.
Com o mesmo espírito que Selton empregou.
Talvez se o foco de observação for o lado onírico e apenas ele.
E se deixar o trabalho do elenco ser sentido em seus silêncios particulares...
Talvez exale alma.
Dos olhos de Johnny Massaro, saem a vida.
Que é atribuída aos tantos diálogos expositivos.
Dos olhos do ator Selton Mello, saem a sabedoria que faltou ao diretor.
Dos olhos de Bruna Limzmeyer, saem a inocência e a doçura tão obsessivamente procurada.
Por fim, dos olhos de Martha Nowill, sai a real poesia.
A real beleza e o real encantamento que o filme nos propõe.
O diretor Selton Mello poderia ter um filme menos bonito para dentro.
Porém muito mais bonito para fora.
Se tivesse mergulhado ainda mais nesses olhares...

Adaptado de Francisco Carbone (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

O Filme da Minha Vida (Veja)

Selton Mello volta para trás das câmeras.
Depois de Feliz Natal (2008) e O Palhaço (2011).
Agora, dirige "O Filme da Minha Vida".
Inspirado no livro Um Pai de Cinema.
Do chileno Antonio Skármeta.
O longa tem produção de época caprichada da década de 60.
E deslumbrante fotografia de Walter Carvalho.
Seu requinte visual emoldura uma bela história familiar.
De encontros e desencontros.
Tony Terranova (Johnny Massaro) é um jovem professor.
Volta à sua pequena cidade no interior gaúcho.
E descobre que seu pai (Vincent Cassel) abandonou a mãe.
E retornou para a França, seu país de origem.
Tony apaixona-se pela melhor amiga (Bruna Linzmeyer).
E desabafa angústias com o grosseiro criador de porcos Paco (Mello).
A narrativa titubeia na meia hora inicial.
Entre o drama, o romance juvenil e o humor.
E deslancha levemente a partir de uma revelação surpreendente.
Atração à parte, a maravilhosa trilha sonora.
Vai de Nina Simone e Charles Aznavour a Sérgio Reis.
Quando está em cena, Selton Mello/Paco é um gigante imbatível.
Com suas tiradas irônicas.
Como realizador, tem uma sensibilidade artística de repertório apurado.

Adaptado de Miguel Barbieri Jr. (Veja)

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico, O Filme +++

Diretor: Jorge Furtado
Roteirista: Jorge Furtado

Elenco
Fernanda Torres - Marina
Wagner Moura - Joaquim
Camila Pitanga - Silene
Bruno Garcia - Fabrício
Janaína Kremer Motta - Marcela
Lázaro Ramos - Zico
Tonico Pereira - Antônio
Paulo José - Otaviano

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico, O Filme - Prêmios +++

+ Paris Brazilian Film Festival - Jorge Furtado
+ Prêmio Contigo Cinema - Fernanda Torres (Melhor Atriz)

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico, O Filme - Sinopse +++

O filme conta a história dos moradores da fictícia Linha Cristal.
Uma pequena vila de descendentes de italianos na Serra Gaúcha.
Eles decidem construir uma fossa para o tratamento do esgoto.
E elegem uma comissão que faz o pedido para a sub-prefeitura.
A secretária do prefeito reconhece a necessidade da obra.
Mas informa que não há verba para realizá-la.
Mas a prefeitura dispõe de quase R$10.000 para a produção de um filme.
Este dinheiro foi dado pelo governo federal.
E, se não for usado, será devolvido em breve.
Surge então a idéia de usar a quantia para realizar a obra.
E rodar um filme sobre a própria obra.
Mas a retirada da quantia depende da apresentação de um roteiro.
Além de haver a exigência de que ele seja de ficção.
Desta forma os moradores se reúnem para elaborar um filme barato.
Que conta a história de um monstro.
Este vive nas obras de construção de uma fossa.

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico, O Filme - Produção +++

Jorge Furtado trabalhou durante dois anos no roteiro.
Monte Belo do Sul serviu de locação para as cenas da Vila Cristal.
Ali, também se situava a Movelaria.
Bento Gonçalves também serviu de locação para algumas cenas do filme.
E Santa Teresa serviu de locação para as cenas com as autoridades municipais.
As filmagens ocorreram entre 11 de julho e 13 de agosto de 2006.

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico, O Filme - Recepção +++

De acordo com Ana Paula Sousa, da revista Carta Capital:
O filme é "engraçado como poucos títulos brasileiros recentes têm conseguido ser".
Já Dayanne Mikevis, da Folha de S.Paulo, afirma que
O filme é "uma diversão leve e pode ser visto como uma comédia ingênua".
E que "o destaque é o elenco".

Adaptado de Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidade de "Saneamento Básico, O Filme" +++

É o terceiro filme em que Jorge Furtado e Lázaro Ramos trabalham juntos.
Os anteriores foram:
+ "O Homem que Copiava" (2003) e
"Meu Tio Matou um Cara" (2005).

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidade de "Saneamento Básico, O Filme" +++

É o segundo filme em que Jorge Furtado e Paulo José trabalham juntos.
O anterior foi "O Homem que Copiava" (2003)

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidade de "Saneamento Básico, O Filme" +++

É o nono filme em que os atores Wagner Moura e Lázaro Ramos atuam juntos.
Os demais foram:
+ "Sabor da Paixão" (2000);
+ "As Três Marias" (2002);
+ "Carandiru (2003)";
+ "O Homem do Ano" (2003);
+ "Nina" (2004);
+ "Cidade Baixa" (2005);
+ "A Máquina" (2006) e
+ "Ó Paí, Ó" (2007).

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Filme Básico: Saneamento +++

Temos uma dica de que tem algo de diferente no ar.
Ao brincar com o título do filme de Jorge Furtado.
E a confirmação é a voz em off de Fernanda Torres.
Ela invade a sala escura, sem o filme ter começado.
Com um texto brincalhão.
Gravado por cima das logomarcas dos apoiadores na tela.
Fosse menor, teria sido melhor ainda.

O filme começa com os principais participantes.
E suas características.
Eles são apresentados de uma só vez.
Numa peculiar reunião de uma pequena vila italiana, no sul do Brasil.
Para decidir o destino do esgoto da cidade.
Bizarro?
Oportuno...

Marina (Fernanda Torres) e Joaquim (Wagner Moura) contatam o governo.
E descobrem a única maneira de conseguir verba para a tal obra.
A maneira seria a realização de um filme.
E essa sacada de fazer um filme dentro do filme foi muito boa.
Mostrou a verdadeira via-crucis que um produtor precisa enfrentar.
Desde a definição do figurino até o uso do merchandising.
Diversão garantida.

Foi possível criticar a nossa ignorância.
A safadeza da classe política e dos empreiteiros.
Sobrou também para o pessoal que faz cinema para poucos.
E detona muitos que não seguem esta linha.
Quer frase mais emblemática para o grupo do que "Vamos ganhar prêmios!"?

Engraçada também as explicações de Marina.
Sobre o uso do "obrigada" no lugar do "obrigado" dito por tantas famosas (?).
Isso é Brasil.

Torres e Moura mostraram boa química em cena.
A dúvida sobre o que seria uma produção de ficção rende boas risadas.
Ficou incoerente apenas o fato de eles saberem o que era mutação genética.
Aliás, o roteiro explorou bem esta questão do brasileiro ignorante, mas espirituoso.

Boa fotografia, luz e trilha sonora toda em italiano.
Com direito ao clássico "Io Che Amo Solo Te".
Um belo momento do roteiro, mas gratuito.
Porque Joaquim aparece com uma moto rara para salvar uma situação financeira.
Haja deus ex machina.

Destaque para o duelo sonoro.
Entre a Cherokee do empreiteiro (Tonico Pereira).
E a Rural do ex-prefeito (Paulo José).
Foi sublime e tocante, com trocadilho.
As divergências entre os dois espelham os valores.
E as relações de amor e ódio entre políticos e empreiteiros.

Camila Pitanga está bem no papel de Cilene e de Cilene Seagal.
Impagável a seqüência dos peões contracenando com ela na floresta.
O detalhe fica para a cena que o monstro (Moura) machuca a boca dela.
E a cena passou na edição.

Mas nem tudo é perfeito!
Não deu para entender uma criança com um isqueiro Zippo no bolso.
Para acender o cigarro de Joaquim.

Fim do longa e fica aquela certeza.
De que é possível fazer filme inteligente para muitos sem ser comercial.
Mesmo que seja um "filme do filme".
Saneamento para o cinema arte!

Adaptado de Roberto Cunha (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Saneamento Básico - O Filme", de Jorge Furtado +++

O cinema de Jorge Furtado talvez possa ser chamado de cinema de engrenagem.
A definição é um bocado técnica.
E se desdobra de forma múltipla ao longo de seus filmes.
Porque a engrenagem pode ser algo simples, mas só aparentemente.
Dois curtas são explícitos neste aspecto.
"Ilha das Flores" e "O Dia em que Dorival Encarou a Guarda"
Eles mostram a maneira ilógica.
Através de um movimento aparentemente lógico.
Como o homem compõe uma engrenagem de produção ou de repressão.

O jogo com a narrativa.
A primazia do roteiro.
A decupagem exata.
Os desdobramentos lógicos das ações dos personagens.
Tudo isso é muito marcante na sua produção.

Basta lembrarmos da longa introdução de "O Homem que Copiava".
Nela, o personagem narra sua vida em off.
As mãos agitadas trabalhando na fotocopiadora.
As pequenas narrativas construídas.
Sobre as pessoas que passam pela loja.

Neste filme, a luta do personagem será exatamente.
A de tentar se livrar da engrenagem do trabalho que o subjuga.
E para isso ele terá que entender o seu funcionamento.
Para depois conseguir burlar o sistema.
O plano bem sucedido o leva para um lugar mais alto.
E confortável na escala social.
Mas a estrutura permanecerá intacta.

Adaptado de Revista Cinética

Leonardo Brocker disse...

+++ "Saneamento Básico - O Filme", de Jorge Furtado +++

Saneamento Básico – O Filme, menos ácido e muito mais alegre.
É também um filme sobre uma luta.
Marina, moradora de Linha Cristal, se reúne à comunidade.
Para exigir da prefeitura a construção de uma fossa.
Pois a poluição do rio tem causado danos à saúde pública local.
Marina e o marido Joaquim tentam atuar junto à engrenagem.
E visitam a prefeitura munidos de um documento.
Com orçamento e detalhes para a construção da obra.
A secretária da prefeitura atende-os educadamente.
E diz que no orçamento não há mais verba para saneamento básico.
Somente para a realização de um vídeo no valor de 10 mil reais.
E propõe que a verba seja usada para a construção da fossa.
Contanto que um vídeo seja produzido.
Começa a partir daí a verdadeira luta de Marina.
Dirigir um filme de ficção.
E cumprir os trâmites burocráticos do projeto.
Sem ter a mínima idéia de como realizar nenhuma das duas funções.

Adaptado de Revista Cinética

Leonardo Brocker disse...

+++ "Saneamento Básico - O Filme", de Jorge Furtado +++

E eis que mais uma vez estamos diante das engrenagens.
De um lado os caminhos da liberação de verbas federais.
E de outro o funcionamento do fazer cinematográfico.
O importante é que a máquina inevitavelmente estará lá.
E o mérito dos filmes do Furtado é o de operar artisticamente.
Dentro desta máquina sem transformá-la em tema direto.
Porque o filme trata do estado atual da produção nacional.
As políticas públicas de democratização da cultura.
A voga da “alfabetização” audiovisual.
E todo investimento financeiro que decorre desta campanha.
Mas tratar disso diretamente talvez não seja tão interessante.
Quanto agir cinematograficamente sobre isso.
Não é à toa, portanto, que a prática do cinema vá sendo descoberta.
Com a produção da ficção científica.

Adaptado de Revista Cinética

Leonardo Brocker disse...

+++ "Saneamento Básico - O Filme", de Jorge Furtado +++

O envolvimento da equipe agrupada em torno de Marina é gradual.
Ela é composta pelo marido cenotécnico.
A irmã-atriz Silene.
O cunhado-câmera Fabrício.
E posteriormente, o diretor, interpretado por Lázaro Ramos.
Com o projeto e com o código.
É, de alguma forma, a brincadeira proposta por Furtado.
A dúvida sobre o termo ficção.
A lógica de um roteiro.
O conceito de montagem.
Essas coisas simples, porém complicadas.
São as portas de entrada do humor que permeia todo o filme.
O espectador também entra na dança.
Quando a direção e a montagem jogam com o código.
Na conversa entre Marina e Joaquim sobre o que é uma subjetiva.
A câmera atua de forma didática e ao mesmo tempo diegética.
E mostra uma subjetiva de Marina.
Ao mesmo tempo em que exemplifica o que é recurso ao marido.

Adaptado de Revista Cinética

Leonardo Brocker disse...

+++ "Saneamento Básico - O Filme", de Jorge Furtado +++

O filme ainda traz outra marca de Furtado.
A riqueza dos diálogos e cenas.
Principalmente no que eles trazem de mais corriqueiro.
Como a discussão de um casal sobre a micose.
Ou os dois tomando remédio juntos.
Na mesma proporção, o diretor insere o erudito inusitado.
Como na cena de Silene recitando um poema sobre o cabelo.
Tudo se transforma numa brincadeira autoral e comunicativa.
Este clima de brincadeira também se reflete no ótimo entrosamento dos atores.
E muito do humor só consegue ser alcançado por conta disso.
O que nos faz lembrar que o filme é mais uma produção da Casa de Cinema.
Grupo unido há 20 anos e que não teve que sair de Porto Alegre.
Para produzir seus curtas e longas-metragens.
E isso também vira brincadeira no filme...

Adaptado de Revista Cinética

Leonardo Brocker disse...

+++ "Saneamento Básico - O Filme", de Jorge Furtado +++

Filmado em casa e com gente de casa.
Talvez este seja o filme mais engraçado de Jorge Furtado.
Além de ser o que mais respira.
Pois não deixa as engrenagens se sobreporem aos personagens.
E, principalmente, à decupagem.
Mas, elas estão lá, sempre.
Finaliz-se "O Monstro do Fosso".
Vive-se a emoção da realização de um filme.
E formam-se novos artistas.
Mas a fossa continua em aberto.
E sem dinheiro para a sua finalização.
Qualquer tentativa de diagnóstico passa longe do espectador.
No entanto, a brincadeira e o humor falam mais alto.

Adaptado de Revista Cinética

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica de Omelete +++

Jean-Claude Bernardet é um dos principais críticos de cinema do Brasil.
E diz que a metalinguagem é uma "doença juvenil".
Em certo ponto, concordamos.
Fazer um filme para falar do processo de fazer filmes é egocentrismo.
No mínimo.
Charlie Kaufman está aí e não nos deixa mentir.

Mas há casos como o de Jorge Furtado.
O curta-metragista gaúcho que estreou em longas em 2002.
Com "Houve uma vez dois verões".
A comédia romântica dialoga com o cinema já no título.
Referência ao clássico de 1971, de Robert Mulligan.
A metalinguagem se intensificou nos longas mais recentes de Furtado.
"Meu tio matou um cara" e "O homem que copiava".
De certo modo, eles já tratavam da arte de contar histórias.
Xerocopiando referências.
Remontando cenas de memória.
E investindo no hipertexto.

"Saneamento Básico - O Filme" consolida o nome do diretor gaúcho.
Como o melhor autor de humor no cinema nacional recente.
Não é um caso isolado, portanto.
O longa recorre abertamente à fórmula do filme-dentro-de-filme.
Mas isso não vem de agora.
Se Furtado tem a "doença juvenil", a seu caso não há remédio.
A sua metalinguagem é um traço congênito, não uma caxumba.

Adaptado de Marcelo Hessel (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ Riqueza Incalculável +++

A narração de Fernanda Torres antes do filme começar já é metalinguística.
Ela convida todos a se sentarem, acomodarem-se.
Depois pergunta se compensa esperar aquele cara atrasado.
Ou se podemos dar início logo à sessão...
Surge a primeira imagem.
E descobrimos - veja só - que Fernanda não estava falando conosco.
Mas com outros personagens.
Quer dizer, estava falando conosco, sim, disfarçadamente.
Porque é desse jogo duplo que depende Furtado.

A personagem, Marina, organizava uma reunião com outros moradores.
De uma vila na serra gaúcha.
A vila tenta há anos construir uma fossa.
E eliminar o esgoto a céu aberto.
Eles chegam à conclusão de que a obra continua cara demais.
E recorrem à prefeitura.
O saneamento básico não é a prioridade do governo local.
E a única verba disponível é o dinheiro que Brasília oferece.
Em um concurso de curtas-metragens a novos realizadores.
A família de Marina e Joaquim precisa, então, produzir um filmete.
E, daí, usar o dinheiro federal para pagar a fossa.

E lá vão eles emprestar câmera, costurar fantasia, arrumar figurante...
O tema é uma ficção científica com monstro.
E só o processo que os leva à escolha já é absurdamente hilário.
Curiosidade (para depois do filme):
"Quimera", no dicionário, também quer dizer "utopia".

No meio de tudo, o diretor comenta sobre o financiamento público da cultura.
Furtado assume, por meio do filme, que há distorções no sistema.
Os personagens questionam a todo momento.
Como o governo pode dar dinheiro para o cinema se as pessoas mal têm esgoto?
Com o desenrolar do filme, os personagens percebem o valor do que estão criando.
Não é algo tangível, que dê pra colocar numa prestação de contas.
Mas um valor simbólico, emocional.
E é dessa riqueza incalculável que o bom cinema é feito.

Quanto ao lado umbiguista da metalinguagem, Bernardet não deixa de estar certo.
Furtado se auto-elogia por meio de seu alter-ego, o malandro Zico (Lázaro Ramos).
O sujeito que bota ordem e injeta sangue no set mambembe de Marina e Joaquim.
Lázaro é sempre ótimo, mas nos filmes de Furtado ele se supera.
Por essa e outras, a massagem de ego do gaúcho dá até pra perdoar.
Competente criador, ele tem o direito de se exibir.

Adaptado de Marcelo Hessel (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico +++

Numa pequena cidade gaúcha, os habitantes sofrem.
Com a falta de uma fossa para o tratamento do esgoto local.
Isso faz com que haja um odor na região, juntamente com doenças.
Há uma reunião com alguns moradores.
E Marina (Fernanda Torres) vai até a subprefeitura da cidade.
Junto com o marido Joaquim (Wagner Moura).
Para exigir que façam a obra.
Mas chegando lá a secretária explica que não possuem recursos.
Apenas um dinheiro enviado de Brasília para a produção de um vídeo.
Então Marina decide fazer um filme.
Sobre a necessidade da construção da fossa.
Este é o enredo de Saneamento Básico – O Filme.

O diretor nos entrega uma ótima comédia com situações simples.
Baseadas no desespero das personagens, principalmente a protagonista.
Ela deseja que o filme seja feito.
Para que o dinheiro possa ser aplicado na obra.
Marina tenta convencer os outros a ajudá-la.
Logo após de ter a ideia de fazer o tal filme.
Otaviano (Paulo José), o pai, acha a ideia ridícula.
A irmã adotiva Silene (Camila Pitanga) é uma moça vaidosa.
E se empolga com a ideia.

Adaptado de Obvious

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico +++

"Saneamento Básico" retrata pessoas muito simples.
Levadas pela espontaneidade.
Elas são tratadas com muito carinho por Furtado.
E são responsáveis por vários momentos engraçados do filme.
Seria impossível falar sobre apenas uma situação dessas.

O plano de Marina era um filme baseado na construção da fossa.
Mas uma das “condições” para o vídeo é que seja uma ficção.
E é totalmente hilário o processo.
Em que Marina e Joaquim tentam descobrir o que seria ficção.
De acordo com Otaviano, um filme de ficção é um filme de futuro.
De monstros, de algo que não existe.
Joaquim questiona: e se for um filme de monstros no passado?
Ou um filme futurista sem monstro?
Ou seja, não necessariamente deve haver monstros.
Mas eles fazem uuma consulta ao dicionário.
E ficção está relacionada à imaginação, sonho, quimera.
E conforme o dicionário, quimera é um tipo de monstro mitológico.
Então é necessário ter um monstro?

Ao ler, provavelmente deve ser até ruim, tem que ver pra se divertir.
E reflexões como essas acontecem aos montes na película.
Por exemplo, a dona de uma loja exige merchandising.
E o jeito de mostrar em que loja compraram um vestido é simplesmente genial.

Adaptado de Obvious

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico +++

Por falar em filmagens...
Ah, sim...
O amadorismo das personagens também proporciona sinceras gargalhadas.
Seja na elaboração do roteiro ou, principalmente, nas filmagens.
Não sei o que Furtado fez.
Para transformar profissionais do ramo em canastrões dentro do filme.
Só pode-se dizer que o resultado é perfeito.
Da dupla de operários iniciais até o “montro da fossa” com sua dancinha.
Todos são verdadeiros robôs tanto nos movimentos quanto nas suas falas.

Adaptado de Obvious

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico +++

Em certo momento, o pai de Marina questiona sobre a edição do vídeo.
Ela afirma que estão gravando as cenas em sequência.
Mas param pra refletir que é preciso uma edição, para montar melhor o filme.
Nessas, aparece Zico (Lázaro Ramos), que dá ao filme um gás ainda maior.

Posso estar sendo exagerado ou algo do tipo.
Mas particularmente enxerguei no filme uma infinidade de personagens típicas.
Como já disse, são pessoas pobres, humildes e por vezes tolas e ingênuas.
Elas têm dificuldades em fazer um discurso num microfone.
Ou em encontrar a escrita correta de algo.
Pessoas que se contentam com pequenos detalhes.
Seja com a pessoa amada ou com um elogio.

A personagem Silene é o principal exemplo disso.
Ao ser elogiada demasiadamente por Zico.
Ela a denominou como uma estrela talentosa.
E ela fica de peito estufado.
No restante das cenas do “filme dentro do filme”.
E quando vão assistir ao projeto já finalizado.

Também há os velhos teimosos e cheios de costumes e sotaques.
O político que, diante da mídia, finge ser alguém honesto.
E bondoso e preocupado com seu povo, etc.

Adaptado de Obvious

Leonardo Brocker disse...

+++ Saneamento Básico +++

Baseando nesta análise, lembro-me bem dos estereótipos.
Que muitas vezes são criados para os filmes brasileiros.
Não sei quanto a vocês leitores, mas eu já ouvi algo como:
“Filme brasileiro só tem palavrão, violência, favela e sexo”.
Só tenho a lamentar por quem pensa assim.

Após assistir a "Saneamento Básico" chego à conclusão.
De que o retrato do Brasil não deve apenas ser lembrado por:
"Central do Brasil" e a pobreza.
"Cidade de Deus" e as favelas.
"Tropa de Elite" e a violência de polícia-e-ladrão.
Resumindo: Jorge Furtado mostra uma outra faceta de nossa sociedade.

Adaptado de Obvious

Leonardo Brocker disse...

+++ Quarto Longa de Furtado +++

"Saneamento Básico, O Filme" é o quarto longa-metragem de Jorge Furtado.
E marca uma série de mudanças em sua cinematografia.
Com um humor ágil e roteiro inteligente.
O filme trata com muito bom humor o conhecido "jeitinho brasileiro".
Uma maneira de se superar obstáculos.
E ainda faz uma delicada declaração de amor à arte cinematográfica.

Adaptado de cineclick

Leonardo Brocker disse...

+++ O Resumo do Filme +++

O filme se passa numa simplória comunidade de imigrantes italianos.
No interior do Rio Grande do Sul.
Marina (Fernanda Torres) e Joaquim (Wagner Moura) são casados.
E lideram um grupo de residentes que se mobiliza.
Para construir uma fossa para abrigar o esgoto local.
Até então, a céu aberto.
Eles procuram a prefeitura para solicitar verbas.
E são informados de que não há valores para o saneamento básico.
No entanto, existe um montante de R$ 10 mil.
Sestinado à produção de um curta-metragem de ficção.
E resolvem produzir um vídeo de baixíssimo orçamento.
E usar o dinheiro que a prefeitura disponibilizaria nele.
Para a construção da fossa.

Aos poucos, os personagens se envolvem cada vez mais com o curta-metragem.
A irmã de Marina, Silene (Camila Pitanga), descobre-se atriz.
Assim como seu namorado, Fabrício (Bruno Garcia).
Ele também é o dono da câmera usada nas filmagens.
Marina e Joaquim ganham as funções de roteiristas, diretores e produtores.
Até o pai das irmãs, seu Otaviano (Paulo José), cede em sua teimosia.
E se envolve na produção do vídeo.

Adaptado de cineclick

Leonardo Brocker disse...

+++ As Mudanças de Jorge Furtado +++

São evidentes as mudanças de estilo no trabalho de Jorge Furtado.
Em comparação aos longas anteriores.
Além de não ter um narrador, o roteiro não gira em torno de personagens juvenis.
Aqui, Furtado mostra um humor muito mais afiado.
Um roteiro sagaz e diálogos que funcionam muito bem.
Principalmente por conta da atuação dos atores.
Fernanda Torres e Wagner Moura trabalham juntos pela primeira vez.
E mostram química e timing perfeitos para o texto de Furtado.

"Saneamento Básico, O Filme" é uma comédia deliciosa.
E os personagens de têm uma ligação afetiva forte e calorosa.
É como se os laços familiares poucos importassem na afetividade dos protagonistas.
Os atores estão confortáveis o suficiente no filme.
A ponto de passar essa impressão ao espectador.
Isso é essencial para o bom funcionamento do longa.
Também fascina a forma como todos se envolvem com a produção do vídeo.
No começo eles não faziam a mínima idéia do que é um filme de ficção.
Mas são conquistados pela arte de se fazer filmes ao longo do processo.
"Saneamento Básico, O Filme" é o filme mais maduro na carreira de Furtado.
Com um humor ao mesmo tempo inocente e extremamente sagaz.

Adaptado de cineclick

Leonardo Brocker disse...

+++ “Saneamento Básico – O Filme” +++

Gosto muito desse “Saneamento Básico – O Filme”.
Principalmente, por ser mais um trabalho do sempre criativo Jorge Furtado.
De “O Homem Que Copiava” e “Meu Tio Matou um Cara”.
Aqui ele passa para uma pequena cidade do Rio Grande do Sul.
Mais especificamente, numa comunidade que há anos recorre à prefeitura local.
Para a construção de um fosso.
Marina (Fernanda Torres) é a filha de um marceneiro.
E tenta tomar as decisões, sempre em vão.
Até descobrir uma verba no valor de R$10 mil dada ao município.
Para a produção de um curta-metragem fictício de cunho educativo.
Caso não saia o vídeo, o montante será devolvido à Brasília.
Marina, junto com o marido Joaquim (Wagner Moura), irá produzir o filme.
Que será estrelado pela irmã Silene (Camila Pitanga).
E o cunhado Fabrício (Bruno Garcia).
Com a participação dos moradores locais.
O resultado é um filme de terror.
Em que o monstro é resultado de uma mutação genética.
“Saneamento Básico – O Filme” possui um humor genuíno.
Desses com selo de Jorge Furtado.
Sem as gritarias constantes de boa parte do que é produzido pela Globo Filmes.
O texto possui atribuições lógicas.
Para as funcionalidades de cada passo de um roteiro, direção, montagem…
E é tudo uma maravilha de ser acompanhado.
O elenco é outro ponto forte.
Fernandinha Torres funciona em tudo em que é colocada pra fazer.
Mesmo que seja uma gaúcha sem sotaque.
Alguns podem reclamar dessa ausência.
Mas se tivesse iriam falar que é caricatura barata.
Mas o melhor de tudo isso está na maneira como respondem a uma dúvida.
Que vez ou outra é levantada ali na história:
Por quê existe uma verba para um filme enquanto a cidade está com um esgoto a céu aberto?
“Saneamento Básico – O Filme” mostra o quão transformador o cinema pode ser.
Com muito bom humor...

Adaptado de Adécio Moreira Jr. (Poses e Neuroses)

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