quinta-feira, 30 de março de 2017

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e A Avenida Borges de Medeiros

A Santa Casa de Misericórdia é o primeiro hospital de Porto Alegre. E é um remanescente do período colonial. Já a Avenida Borges de Medeiros surgiu no período de ampliação e modernização da cidade, no início do século XX.

Chuva na Praça Dom Sebastião, Porto Alegre
Chuva na Praça Dom Sebastião


A Praça e O Hospital
Iniciei o roteiro pela Praça Dom Feliciano. Um dos espaços públicos mais antigos da capital gaúcha. Ela fica exatamente em frente à entrada principal da Santa Casa. E é um ponto de partida de algumas linhas de ônibus.

Ponte dos Açorianos, Porto Alegre
Ponte dos Açorianos

Já a Santa Casa de Misericórdia é um prédio de grande valor histórico. Afinal, trata-se de uma das poucas construções anteriores à Independência. E a fachada, apesar de eventuais pinturas, ainda conserva os tons claros...


A Confeitaria e A Fundação
Deixei a praça, em direção à Avenida Salgado Filho. Segui até a Rua Doutor Flores, onde entrei à esquerda. Caminhei uma quadra até a Rua Riachuelo. Na esquina fica a Confeitaria Rocco, repleta de esculturas na fachada.

Escultura na Confeitaria Rocco, Porto Alegre
Escultura na Confeitaria Rocco

Avancei outra quadra. Até o fim da Doutor Flores. Ali, fica a Fundação de Economia e Estatística. O antigo prédio, na Rua Duque de Caxias, estampava protestos contra o atual governo, que extinguiu a Fundação...


O Teatro e O Cinema
Enfim, segui a Rua Duque de Caxias até o Viaduto Otávio Rocha, sobre a Avenida Borges de Medeiros. E passei pelo Teatro de Arena. Um marco na resistência contra o regime militar, durante as décadas de 60 e 70.

Teatro de Arena - Entrada, Porto Alegre
Teatro de Arena - Entrada

A parada seguinte foi o antigo Cinema Capitólio. Algo meio mágico. Um saudosismo que só quem frequentou cinemas de rua nutre. Hoje, mesmo em cidades menores, as antigas salas tornaram-se uma espécie em extinção...

Porta do Cinema Capitólio, Porto Alegre
Porta do Cinema Capitólio

Após reformas, a antiga sala de projeções passou a abrigar a Cinemateca Municipal. Isso, em 2006. De lá para cá, o espaço reúne ainda a mostra histórica sobre o Capitólio, uma biblioteca e um café.


A Igreja e A Capela
Parti, então, em direção ao sul da Avenida Borges de Medeiros. E percebi a reforma da Ponte dos Açorianos, com drenagem do lago local. Cheguei, enfim, à Igreja Pão dos Pobres, onde conferi os murais juntos ao altar.

Paróquia Pão dos Pobres, Porto Alegre
Paróquia Pão dos Pobres

Minha ideia, porém, era conhecer a capela. Esta fica no Instituto Pão dos Pobres, no outro lado da rua. E passou por recente reforma, após um incêndio. Destaca-se, ali, o trabalho de marcenaria do altar.

Altar da Capela Pão dos Pobres, Porto Alegre
Altar da Capela Pão dos Pobres

Ali, concluí o roteiro da Borges. Retornei pelo outro lado da avenida. Passei pela Praça Daltro Filho. Segui até a Igreja da Conceição. Dali, contemplei a impiedosa chuva que caía sobre a Praça Dom Sebastião...

Órgão da Capela Pão dos Pobres, Porto Alegre
Órgão da Capela Pão dos Pobres

20 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ Ampliação da Santa Casa de Porto Alegre +++

As obras iniciaram em 1835, ao fim da Guerra dos Farrapos.
Na ampliação, o hospital ganhou traços neoclássicos.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ As Origens da Rua Riachuelo +++

É um dos mais antigos logradouros de Porto Alegre.
Já constava no primeiro Plano da Vila, de 1772.
Que o capitão Alexandre Montanha elaborou.
Ali, destacavam-se três ruas.
Elas corriam paralelas, no sentido leste-oeste.

A Rua da Praia ficava na porção mais baixa da península.
Esta era a rua comercial por excelência.
A Rua da Igreja ficava na parte mais alta.
E abrigava as residências aristocráticas.
Entre elas, corria a Rua Riachuelo.
Na época, Rua do Cotovelo ou Rua da Ponte.

Esta rua intermediária possuía alguns trechos comerciais.
E algumas residências simples, de porta e janela.
Mas também abrigava outras bastante sofisticadas.
Que podiam rivalizar com os palacetes da Rua da Igreja.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Dois Antigos Nomes da Rua Riachuelo +++

Um trecho iniciava na Praça do Portão.
Hoje, Praça Conde de Porto Alegre.
Seguia até os fundos do Theatro São Pedro.
Os moradores chamavam o trecho de Rua da Ponte.
Pois havia uma pinguela sobre um arroio.
Na altura da atual Avenida Borges de Medeiros.

O outro trecho iniciava no Theatro São Pedro.
E seguia até a Praia do Arsenal, na ponta da península.
Este trecho chamava-se Rua do Cotovelo.
Devido à inflexão que sofre na Rua da Ladeira.
Hoje, Rua General Câmara.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Antigos Becos da Rua do Cotovelo +++

Diversos becos cruzavam a Rua do Cotovelo.
Este é o antigo nome da parte inicial da Rua Riachuelo.

Até o século XIX, estes becos eram populares.
E abrigavam as atividades menos ilustres da cidade.
Ali ficavam as tavernas e os bordéis.
As casas de jogos e os terreiros.
Por isso, eles eram alvo de atenta vigilância das autoridades.

A sequência de becos iniciava na atual Rua Caldas Jr.
Esta rua recebeu, sucessivamente, novos nomes:
Beco do Inácio, Beco do Quebra Costas ou Beco do Fanha.

Depois da Rua Caldas Jr, todas têm, hoje, nome de generais.
A Rua General João Manoel chamava-se Rua Clara.
Já a Rua General Bento Martins teve diferentes nomes:
+ Beco do Jogo de Bola;
+ Beco dos Nabos a Doze;
+ Beco dos Pecados Mortais.

Alguns chamavam a Rua General Canabarro de Rua Direita.
Porém, a maioria conhecia-a como Beco do Pedro Mandinga.

A Rua General Portinho chamava-se Beco do Bota Bica.
E a Rua General Vasco Alves, Beco dos Guaranis.

A Rua do Cotovelo acabava junto à Praia do Arsenal.
Ali, ficava a Rua da Passagem, atual General Salustiano.
A antiga rua servia de passagem para o gado.
Este vinha do interior e desembarcava no trapiche, ali perto.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Arquitetura da Confeitaria Rocco +++

A edificação eclética possui farta decoração na fachada.
Vários atlantes e inúmeras outras figuras.
Além de sacadas e balcões em ferro trabalhado.
A decoração interior é luxuosa.
Com pinturas murais, espelhos e lustres.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Fundação de Economia e Estatística +++

Em 1943, o governo do Estado adquiriu o prédio.
E instalou a sede da Fundação de Economia e Estatística.
Esta homenageia ao deputado Siegfried Emanuel Heuser.

Em 1990, ocorreu o tombamento como patrimônio de Porto Alegre.
Um reconhecimento às qualidades arquitetônicas e históricas.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Teatro de Arena +++

Desde o início, ele enfrentou o regime militar.
O jornalista Rafael Guimaraens conta esta história.
No livro: “Teatro de Arena, Palco de Resistência”.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Arquitetura do Pão dos Pobres +++

Joseph Lutzenberger, arquiteto alemão, projetou o prédio.
Ele também projetou a Igreja São José e o Palácio do Comércio.

Lutzenberger criou um projeto em sóbrio estilo eclético.
E preocupou-se em preservar o portal do antigo palacete.
Um maciço conjunto de quatro pavimentos.
Com destaque ao frontispício arrematado por frontão triangular.
Ali, encontra-se o grupo escultório.
E nele, vemos Santo Antônio distribuir pão às crianças pobres.
Atrás do frontão, eleva-se o pequeno campanário.

Em 2000, a Prefeitura tombou o prédio patrimônio cultural.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Praça Dom Sebastião +++

Em 1889, nivelou-se e ajardinou-se a praça.
Em 1935, ocorreu um remodelamento total.
O ajardinamento ganhou um padrão geométrico.
A praça recebeu fonte luminosa e cascatas artificiais.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Características do Prédio e Fim do Cinema +++

O prédio tem características ecléticas.
Com fachadas e espaços internos ornamentados.
O cinema funcionou até 1994.
Fechou na época da crise dos “cinemas de calçada”.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Deterioração do Prédio e Cinemateca Municipal +++

Em 1995, o prédio passou a ser patrimônio do município.
E em 2002, ocorreu o tombamento como bem cultural.
Após um incêndio e vários anos de abandono.

Em 2004, iniciou o processo de restauração do prédio.
Um convênio entre Fundacine e Prefeitura Municipal de Porto Alegre.
Com apoio da Associação dos Amigos do Cinema Capitólio.

Em 2006, declarou-se patrimônio cultural do Rio Grande do Sul.
Hoje, o antigo Cinema Capitólio abriga a cinemateca municipal.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Proclamação da República +++

Com a Proclamação da República ocorreram mudanças.
Nos nomes de avenidas, praças e ruas de Porto Alegre.
Seguem exemplos com o antigo nome e o atual:

+ Praça Conde D’Eu, hoje Praça 15 de Novembro;
+ Praça Dom Pedro II, hoje Praça Marechal Deodoro;
+ Rua do Imperador, hoje Rua da República;
+ Rua Dona Isabel, hoje Rua Demétrio Ribeiro;
+ Rua Imperatriz, hoje Rua Venâncio Aires;
+ Rua Imperial, hoje Rua Benjamin Constant.

Também vieram as homenagens aos positivistas:

+ Avenida Assis Brasil;
+ Avenida Borges de Medeiros;
+ Monumento a Júlio de Castilhos;
+ Praça Júlio de Castilhos;
+ Praça Otávio Rocha;
+ Rua Alberto Bins;
+ Rua Júlio de Castilhos;
+ Viaduto Otávio Rocha.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Viaduto Otávio Rocha +++

Primeiro viaduto de Porto Alegre, em concreto armado.
Restabeleceu a continuidade da Rua Duque de Caxias.
Em passagem de nível sobre a Avenida Borges de Medeiros.

O Viaduto Otávio Rocha é um monumento ao urbanismo.
E integrou processo de modernização da cidade.
Que o intendente Otávio Rocha promoveu na época.

O engenheiro Manuel Barbosa Itaqui elaborou o projeto.
E Alfred Adloff, os elementos ornamentais.
A inauguração ocorreu em 1932.

A Avenida Borges de Medeiros surgiu na mesma época.
Para comunicar a zona sul ao centro da cidade.

Em 1988, o município tombou o viaduto patrimônio cultural.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ricos e Pobres no Centro do Século XIX +++

A Rua João Manoel era uma divisora de territórios.
Dali até a Volta do Gasômetro ficava a população mais pobre.
Da Rua João Manoel até a Santa Casa, os mais ricos.

Apolinário Porto Alegre ilustra isso no conto “Mandinga” (1867).
Os bagadus representavam os desvalidos de sorte.
E os tinteiros, as crianças que sabiam ler e escrever.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Porto Alegre na Virada do Século XX +++

Um bonde puxado a burro ia do Centro para o Menino Deus.
No caminho, este bonde passava pela Ponta da Cadeia.
No local, hoje fica o Centro Cultural Usina do Gasômetro.
Dali, ele seguia pelo Caminho de Belas (Praia de Belas).
Até o Asilo da Mendicidade, que ainda hoje existe.
Ele fica quase em frente ao Estádio Beira-Rio.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Igreja da Conceição de Porto Alegre +++

Dom João IV era devoto de Nossa Senhora da Imaculada Conceição.
E em 1646, o rei oficializou a devoção em todo o reino português.
Os primeiros açorianos que aqui chegaram trouxeram essa fé.
E criaram a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição, em 1779.
A Igreja Nossa Senhora da Conceição é uma das mais antigas.
A construção do templo iniciou em 1851.
A solene inauguração ocorreu em 1858.
Porém a conclusão da construção só se deu em 1880.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Exterior da Igreja da Conceição +++

Na década de 1960, demoliram a antiga Igreja do Rosário.
Assim, a Igreja da Conceição tornou-se um tempo único.
O único exemplar de Porto Alegre com características barrocas.

A edificação é bastante simples, com superfícies planas.
E a marcação pouco expressiva de pilastras.
Estas não possuem capitéis no trecho mais baixo.

Em 2007, o município tombou o prédio patrimônio histórico e cultural.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ As Torres da Igreja da Conceição +++

Nas laterais, há duas torres.
Com cobertura em forma de bulbo.
As divisões das torres se coordenam.
Com as duas faixas do corpo central.
E na altura do frontão, as torres têm uma terceira divisão.
Ali, observam-se as aberturas para os sinos.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Interior da Igreja da Conceição +++

A sobriedade revela influências do neoclassicismo.
A planta segue a tradição das igrejas coloniais.
Com salão, capela-mor e altar.
Como sequência decrescente de volumes retangulares.

A decoração interna contrasta com o exterior da igreja.
Pois João do Couto e Silva dotou a nave de abóboda de berço.
Assim como, quatro altares, púlpito, coro e arco cruzeiro.
Todos eles de elaborada talha de madeira.
Sem a unidade, porém, da Igreja das Dores.

A capela-mor destaca-se pelo altar principal.
Ela replica em escala menor o arco cruzeiro.
O primeiro tem colunas coríntias.
O segundo, pilastras compósitas com caneluras no fuste.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Deslocamento das Elites de Porto Alegre +++

No início da década de 1920, as elites deixam o Centro.
As residências deslocam-se gradualmente.
Deixam as áreas mais altas e sãs da Rua Duque de Caxias.
E seguem em direção à Avenida Independência.
E ao futuro bairro Moinhos de Vento.
Ali, surgiam a Hidráulica e a Praça Júlio de Castilhos.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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