terça-feira, 25 de abril de 2017

Filmes de Longa-metragem em Porto Alegre

São filmes com mais de setenta minutos e dominam as salas comerciais. A cidade de Porto Alegre já serviu de locação a dezenas. O longa-metragem mais antigo que encontrei é uma produção de 1958...

Carina Dias e Miriã Possani, Nós Duas Descendo a Escada
Nós Duas Descendo a Escada

Também tem locações em Balneário Pinhal, Cidreira e Osório.
O filme participou do Festival Internacional Lume de Cinema.
E Fabiano de Souza recebeu o prêmio de Melhor Diretor.

A Última Estrada da Praia (2010)
A Última Estrada da Praia (2010)
  

Ainda Orangotangos (2007) 81 minutos
Gustavo Spolidoro recebeu o prêmio de Melhor Diretor.
Nos festivais internacionais de Lima e de Milão.
Veja as locações do filme em Porto Alegre.
Assista ao filme "Ainda Orangotangos" completo no YouTube.

Ainda Orangotangos (2007)
Ainda Orangotangos (2007)


Alice Diz: (2012) 76 minutos
Uma das locações do filme é a PUCRS.


Castanha (2014) 95 minutos
Tramandaí serviu como locação para as cenas de praia.
O filme recebeu alguns prêmios em Festivais de Cinema:
+ Buenos Aires – Davi Pretto (Diretor e Redator);
+ Las Palmas – João Carlos Castanha (Melhor Ator);
+ Paulínia – Tiago Bello (Melhor Som);
+ Rio de Janeiro – Davi Pretto (Melhor Filme).

Castanha (2014), Davi Pretto
Castanha (2014)


Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado 2 – A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween (2011) 82 minutos
Também tem locações em Carlos Barbosa.
Assista ao filme completo no YouTube.


Eu Eu Eu José Lewgoy (2011) 95 minutos
Entrevistas em Porto Alegre e Veranópolis.
Além de Rio de Janeiro e São Paulo.
Depoimentos de Anselmo Duarte, Gilberto Braga, Tônia Carrero.


Gallito Ciego (2001) 89 minutos
Também tem locações em Buenos Aires e Colônia de Sacramento.

Gallito Ciego (2001)
Gallito Ciego (2001)


Glauco do Brasil (2015) 90 minutos
Também tem locações em Bagé, Paris (França) e Roma (Itália).


Mar Inquieto (2016) 98 minutos
Também tem locações em Mostardas e Torres.

Mar Inquieto (2016)
Mar Inquieto (2016)


Netto e o Domador de Cavalos (2008) 95 minutos
Também tem locações em Gravataí e Rio Grande.


Netto Perde Sua Alma (2001) 102 minutos
Também tem locações em Piedra Sola (Uruguai).
E Camaquã, Gravataí, Triunfo e Uruguaiana.


Nós Duas Descendo a Escada (2015) 98 minutos
O título refere-se a uma série de escadas de Porto Alegre.
Há locações em Imbé e no Morro da Borússia, em Osório.
A primeira exibição ocorreu no Festival de Gramado.

Nós Duas Descendo a Escada (2015) - Escada 24 de Maio
Nós Duas Descendo a Escada: Escada 24 de Maio


Os Senhores da Guerra (2012) 90 minutos
Também tem locações em Barra do Ribeiro, Gravataí, Viamão.
Prêmios no Festival de Cinema de Gramado:
+ Melhor Atriz Coadjuvante: Andrea Buzato;
+ Prêmio Especial do Júri: "Os Senhores da Guerra".

Júlio Bozano e Tropas, em 'Os Senhores da Guerra' (2012)
'Os Senhores da Guerra' (2012)


Ponto Zero (2016) 84 minutos
O filme recebeu dois prêmios no Festival de Cinema de Gramado:
+ Melhor Montagem: Federico Brioni;
+ Melhor Som: Christian Vaisz, Gabriela Bervian e Kiko Ferraz.

Ponto Zero (2016)
Ponto Zero (2016)


Schroeder liegt in Brasilien (2009) 95 minutos
Também tem locações em Curitiba e São Paulo.
E Alemanha: Berlin, Husum, Leipzig, Munique e Wismar.


Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos (2016) 96 minutos
Também tem locações em São Paulo.

Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos (2016)
Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos


Tolerância (2000) 100 minutos
Também tem locações em Gramado.
Carlos Gerbase recebeu prêmio de Melhor Filme, em Havana.
E Roberto Bomtempo, o de Melhor Ator, em Miami.


Transcendendo Lynch (2011) 83 minutos
Com locações em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Transcendendo Lynch (2011)
Transcendendo Lynch (2011)


Tumulto de Paixões (1958) 82 minutos
Também tem locações em Belém, Fortaleza e Rio de Janeiro.

Tumulto de Paixões (1958)
Tumulto de Paixões (1958)


Um é Pouco, Dois é Bom (1970) 90 minutos
Tramandaí serviu como locação para as cenas de praia.
Luis Fernando Veríssimo escreveu os diálogos.
E o filme possui dois segmentos:
+ "Com Um Pouquinho de Sorte" e
+ "Vida Nova Por Acaso".


Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) 85 minutos
Também tem locações em Gramado e Pelotas.


Xico Stockinger (2012) 86 minutos
Também tem locações em Rio de Janeiro e São Paulo.

Xico Stockinger (2012)
Xico Stockinger (2012)

206 comentários:

«Mais antigas   ‹Antigas   1 – 200 de 206   Recentes›   Mais recentes»
Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Diretor: Fabiano de Souza
Roteiro: Fabiano de Souza e Vicente Moreno
História Original: Dyonelio Machado

Rafael Sieg - O Desconhecido
Marcos Contreras - Norberto
Miriã Possani - Paula
Marcelo Adams - Léo
Sirmar Antunes - Seu Procópio
Janaína Kremer Motta - Cobradora
Nélson Diniz - Homem em Branco
Girley Paes - Dono do Bar

Festival International Lume 2011
+ Melhor Direção: Fabiano de Souza

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Livre adaptação de "O Louco de Cati", de Dyonelio Machado.
É a história de três grandes amigos, e também amantes.
Leo, Norberto e Paula viajam pelo litoral gaúcho.
E encontram um homem estranho.
Este não fala, e acaba, seguindo viagem com os três.
Juntos, os quatro fazem novas descobertas.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

O livro "O Louco do Cati", de Dyonélio Machado, originou o programa O Louco.
O especial é parte da série "Escritores", uma produção da RBSTV.
Desta série, saiu o longa de Fabiano de Souza "A Última Estrada da Praia".

O enredo traz Léo, Norberto e Paula.
Os três amigos partem para uma aventura pelo litoral gaúcho.
Mas no início da viagem encontram um estranho.
Quem é este homem ninguém sabe, pois ele não fala.
Mas aceitam sua companhia na aventura.
E esta tem como objetivo principal curtir o percurso sem pressa.

O cenário são as areias do sul do país.
Ali, o amigo silencioso se defronta com seus temores.
E Léo, Norberto e Paula esbarram nas fronteiras de um relacionamento triangular.
Juntos, descobrem que por mais que tentem, não é possível ser feliz o tempo todo.

Adaptado de Guia da Semana.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Ficha técnica +++

Direção: Fabiano de Souza
Produção: Aletéia Selonk, Gilson Vargas e Milton do Prado
Produção Executiva: Aletéia Selonk
Direção de Produção: Camila Machado
Roteiro: Fabiano de Souza e Vicente Moreno
Fotografia: André Luis da Cunha
Música: Arthur de Faria
Som Direto: Gabriela Bervian
Desenho de Som: Tiago Bello e Alexandre Kumpinski
Montagem: Milton do Prado
Arte: Adriana Borba
Elenco: Rafael Sieg, Marcos Contreras, Miriã Possani, Marcelo Adams
Financiamento: Fundo Municipal de Apoio à Cultura – FUMPROARTE
Apoio: RBS TV, Link Digital, Cabine Audiolab, Bunker Recording Studio.
Realização: Rainer e Okna Produções

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Leo, Norberto e Paula são muito mais que amigos.
No início de uma viagem para o litoral, conhecem um estranho que não fala.
Os quatro partem num périplo em que o sabor do percurso é vivenciado sem pressa.
Leo, Norberto e Paula mergulham nas fronteiras de um relacionamento triangular.
Enquanto o amigo silencioso se defronta com seus temores.
Nas areias intermináveis das praias gaúchas, descobrem que é impossível ser alegre o tempo inteiro.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Inspirado na obra "O Louco do Cati".
Do escritor gaúcho Dyonelio Machado.
A história é uma aventura.
E envolve três amigos e um homem estranho.
Eles viajam pelo litoral gaúcho.
E, juntos, vivem experiências singulares.

O livro foi o combustível inicial para a jornada.
Que mistura um sujeito desconhecido, misterioso, com um triângulo amoroso.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Destaques +++

Iniciou carreira de festivais nacionais em 2010.
E participou de importantes eventos nacionais.
Como o Festival de Cinema de Gramado.
A Semana dos Realizadores.
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

No 1º Festival Lume de Cinema, em 2011, recebeu prêmio de Melhor Direção.

No 4º Festival de Cinema de Triunfo ganhou troféus de:
+ Melhor Direção;
+ Melhor Ator (Rafael Sieg);
+ Melhor Atriz (Miriã Possani);
+ Melhor Som e Melhor Arte.

No FestCine Maracanaú recebeu Menção Honrosa.

No circuito internacional, participou do Festival Du Nouveau Cinema de Montreal, Canadá.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Papo de Cinema +++

A "Última Estrada da Praia" é o primeiro longa-metragem de Fabiano de Souza.
Uma adaptação livre de "O Louco do Cati" (1942).
Romance político de Dyonélio Machado (1895 - 1985).
O filme estrutura-se como um road movie clássico.
Um trio de amigos programa-se para uma viagem sem destino ao litoral do RS:
Leonardo (Marcelo Adams), Paula (Miriã Possani) e Norberto (Marcos Contreras).
Minutos antes da partida, Norberto convida um desconhecido (Rafael Sieg).
E este se junta aos demais na experiência.

O filme surgiu com um curta para a série Escritores, da RBS TV.
Mas "A Última Estrada da Praia" transformou-se em longa.
Quando Rainer e Okna Produções apostaram na complementação do trabalho.
Exemplo de como o cinema brasileiro depende de soluções criativas para existir.

Com isso não é difícil entender a demarcação do filme em dois grandes momentos.
O primeiro, o qual concentra a maioria das cenas de ação.
Desdobra-se a partir do início, quando os amigos encontram o desconhecido.
E partem rumo ao litoral.
O segundo, voltado para cenas de natureza psicológica.
Dá-se a partir da dissolução do grupo.
Com a concentração do foco narrativo.
Sobre os personagens de Contreras e Sieg até o desfecho.

O desenvolvimento das cenas envolvendo o grupo evidencia os principais equívocos.
Se esperarmos que os maiores acertos estejam nas questões menos complexas.
De início, são igualmente estranhos o trio de amigos e o desconhecido.
Espera-se, então, que o roteiro nos ofereça a oportunidades adequadas.
Sejam pelo plano físico (ações e reações) ou psicológico (pensamentos, autoconsciência).
Para que possamos romper o estranhamento com os personagens.

No entanto, a estrutura de blocos viagem-parada-viagem é pouco eficiente.
Ao menos, no que se refere a reforçar as idiossincrasias do trio.
Na mais direta das tentativas, há um esforço insuficiente nesse sentido.
O grupo divide o interior de um ônibus.
Norberto projeta a forma de seu personagem em situações isoladas.
Diferentemente de Leonardo e Paula.
Como quando resolve procurar pelo desconhecido durante a noite.

Apenas a cena de rompimento entre o primeiro e o segundo momento.
Consegue desconstruir com intensidade a linearidade dos caráteres.
Nela, há um forte desentendimento de Norberto com os companheiros.

O recurso de filmar primordialmente com a câmera na mão consegue boas cenas.
E, por vezes, constrói sequências que alçam o filme a um patamar mais elevado.
Por outro lado, o uso indiscriminado perturba a conexão do público com a cena.
Da mesma forma, há os vícios televisivos em enquadramentos.
Como o do rosto da cobradora de ônibus, logo no início.
Eles não colaboram para a fruição do longa.

O segundo momento de "A Última Estrada da Praia"...
Volta-se primordialmente para a relação de Norberto com o desconhecido.
A estridente e excessiva atuação do trio é eliminada.
Em vistas do ganho indubitável de introspecção.
Há uma exigência redobrada das atuações de Contreras e Sieg.
Bem como da direção e do roteiro não parece ser um problema.
Aí, a direção de Fabiano mostra-se mais contundente.
Diante da perspectiva desafiadora de expressar o máximo com o mínimo que
E encaminha o filme ao encontro de seus melhores momentos.

Há a conjunção dos silêncios e da imensidão desoladora das praias.
Elas proporcionam um segmento dramático.
Que culmina no desespero de Norberto ao interpelar seu companheiro.
Pois a relação de cumplicidade entre ambos se funde na mesma necessidade.
Ao buscar salvar-se, Norberto nem imagina que salva também quem o acompanha.

O ponto menos sofisticado desse segundo momento é justamente o final.
Longe de fazer jus à pulsão de vida que encontramos até então.
A decisão de Norberto ao ficar na casa de alguém que conhecera há poucos minutos.
Soa mais como final apressado.
Do que decisão embasada em seu personagem ou em sua busca.

Adaptado de Willian Silveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" (2007) +++

É a história de 16 pessoas no dia mais quente do ano em Porto Alegre.
Uma adaptação do livro de Paulo Scott.

Diretor: Gustavo Spolidoro
Roteiro: Gibran Dipp e Gustavo Spolidoro

Elenco
Karina Kazue - Garota Japonesa
Lindon Satoru Shimizu - Rapaz Japonês
Artur Pinto - Papail Noel
Kayodê Silva - Menino com Camisa do Inter
Janaína Kremer Motta - Garota Morena
Renata de Lélis - Garota Loira
Nilsson Asp - Seu Pedro
Arlete Cunha - Ginger
Roberto Oliveira - Brasa
Marcelo de Paula - Balconista do Armazém
Girley Paes - Idoso
Heinz Limaverde - Jovem Escritor
Rafael Sieg - Professor de Música
Juliana Spolidoro - Menina de Aniversário

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" - Sinopse +++

Porto Alegre, no dia mais quente do verão.
Um casal de chineses cruza a cidade num vagão de metrô.
Doentes e cansados, eles tentam ajudar um ao outro.
Ao mesmo tempo, enfrentam a desconfiança dos passageiros.
E a incompreensão de sua língua.
O chinês vagueia pelos corredores da estação de metrô.
E pelo mercado público da cidade, em busca de ajuda.
É o início de uma série de situações-limite.
Que vivem diversos habitantes da cidade.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" - Crítica Omelete +++

Gustavo Spolidoro desafia a lógica do plano-sequência


Não tem muito como inventar em filmes compostos por planos-seqüência.
É tudo um grande teatro linear cuidadosamente ensaiado.
Com as mudanças de cenas ou narrativas limitadas por obstáculos físicos.
Abra uma porta e você estará em outro lugar.

Felizmente, Gustavo Spolidoro manda às favas tais pré-concepções da técnica.
Ainda que tenha, sim, ensaiado e passado por meses de pré-produção.
"Ainda Orangotangos" é seu longa-metragem de estréia na ficção.
Ao longo de 80 minutos desafia o espaço, o tempo e até as dimensões.
Numa jornada pelo consciente e o inconsciente urbano.

São histórias sem qualquer relação a não ser a proximidade física.
Adaptadas de seis contos do livro homônimo do escritor gaúcho Paulo Scott.
Todas absolutamente insanas, ainda assim possíveis.

O filme é como um trem desgovernado.
Que serpenteia pela cidade de Porto Alegre.
E não por acaso começa dentro de um...
Conforme encontra personagens interessantes, sai dos trilhos.
Em busca de uma história melhor.
Com câmeras digitais de alta resolução perseguindo a novidade.

Cada trama é assim um vagão.
Unido por alguns inteligentíssimos e inventivos truques.
Dignos de um prestidigitador.
Spolidoro salta das ruas.
Para dentro e fora dos sonhos de uma mulher aterrorizada.
Acompanha doze horas de um perfumado desmaio alucinógeno em poucos segundos.
E até acelera o tempo no processo...

De qualquer maneira, vale a visita à Porto Alegre desenfreada de Spolidoro.
seja você adepto da escola de Sergei Eisenstein.
Este culminou na crença de que o cinema é definido pela montagem.
Ou apreciador de outro soviétivo, Aleksandr Sokurov e seu Arca Russa.

Adaptado de Érico Borgo (Omelete).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" +++

Livro de contos de Paulo Scott, poeta e romancista porto-alegrense.
A primeira edição é de 2003.
Uma publicação da editora Livros do Mal, de Porto Alegre.
Em 2007, a editora Bertrand Brasil reeditou o livro.

O livro possui vinte e dois contos.
Todos caracterizados pela brevidade de palavras.
Isso poderia melhor definí-los como mini-contos.
Os personagens são em sua maioria inominados.
Como se estivessem a representar toda a humanidade.
Além do mais são cruéis, grotescos, perversos.
Ou seja, nada agradáveis.

A estranheza também é uma outra tônica do livro.
Como por exemplo no conto que dá título ao livro.
Ele inicia com a seguinte frase:
"Trinta e quatro de agosto".

Vingança, racismo, degradação e doenças, solidão, neuroses.
Todos esses temas permeiam as rápidas histórias do livro.

Gustavo Spolidoro adaptou o livro para o cinema, em 2007.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ainda Orangotangos, de Gustavo Spolidoro +++

"Ainda Orangotangos" aposta em um projeto.
Fazer um filme todo em plano-seqüência.
O ponto de partida não é original.
Ainda assim, demanda uma capacidade de realizar algo.
Além de voltar a atenção ao dispositivo.

O filme teria grande oportunidade de ser irregular.
E naturalmente imperfeito.
E "Ainda Orangotangos" é exatamente isso.
O cineasta optou pela possibilidade da experiência.
Em detrimento do rigor do resultado.

A história dura quinze horas.
O filme, uma hora e meia.
Spolidoro parte de um trem com dois japoneses.
Depois segue um garoto torcedor colorado até um ônibus.
De lá nos vinculamos a outra personagem.
Vamos para um prédio, e a história se segue.

São várias histórias que se cruzam.
A partir do cruzamento entre personagens em trânsito.
Algo como Wong Kar-wai fez nas duas partes de "Amores Expressos".
As histórias não se fecham.
E esses filmes (o de Kar-wai e Spolidoro) terminam em andamento.
Só que tudo isso é feito em plano-seqüência em "Ainda Orangotangos".

Existe um gosto pelo dispositivo do plano-seqüência.
Uma relação com a cidade, seus elementos, personagens e referências.
Culturais em um aspecto mais amplo.
Pessoais de uma maneira mais específica.
Isso resulta em um filme orgânico.

Pode-se comparar "Ainda Orangotangos" a "5 Frações de uma Quase História".
Ambos buscam fazer um inventário pop e uma geografia da cidade.
Em "5 Frações", Belo Horizonte.
Em "Ainda Orangotangos", Porto Alegre.
Com seus referenciais, voluntária ou involuntariamente, nos anos noventa.

Há uma adiferença.
Gustavo Spolidoro sabe exatamente o que quer do seu dispositivo.
Pensa intrinsecamente o que quer contar e como quer contar.
Mmesmo que o resultado, seja muitas vezes, insatisfatório.
"5 Frações" vive uma esquizofrenia.
E um entupimento de informações visuais e sonoras.

Spolidoro está interessado no que está fazendo.
E os eventuais erros derivam de sua opção.
Há problema de ritmo, desarmonia entre registros etc.
Mas existe um gosto pela experiência.
Isso faz com que o filme tenha grandes momentos ao longo de sua projeção.

Adaptado de Francis Vogner dos Reis (Revista Cinética).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" - Papo de Cinema +++

Gustavo Spolidoro é um pioneiro.
É um cara boa praça.
Um ótimo profissional.
E também um artista inovador e criativo.
Tais qualidades estão no seu longa-metragem de estréia.
O curioso "Ainda Orangotangos"...
O primeiro filme feito no Brasil em plano-sequência.
Ou seja, sem um único corte.
São cerca de 80 minutos de ação ininterrupta.
Numa série de eventos encadeados.
Eles compõem um interessante painel sobre sociedade atual.
Não que ele tenha esta pretensão.
É mais como um efeito colateral.
E mais um ponto a seu favor.
Talvez o maior mérito do filme seja justamente a experimentação.

Filmes em plano-sequência não chegam a ser nenhuma novidade.
Alfred Hitchcock fez isso, em 1948, em "Festim Diabólico".
Com séries de planos de aproximadamente 10 minutos.
Eles ligavam-se um ao outro de modo quase imperceptível.
Nas últimas décadas, houve tentativas de repetir Hitchcock.
O próprio Spolidoro já havia se aventurara no estilo.
Nos curtas "Velhinhas" e "Outros".
E agora ele chega ao ápice.
Num projeto que combina técnica, competência.
E, por que não dizer, originalidade.

"Ainda Orangotangos" é a adaptação de seis contos.
Do livro homônimo do escritor gaúcho Paulo Scott.
E trata de diferentes situações limites.
Que personagens aparentemente escolhidos ao léu vivenciam.
Primeiro acompanhamos um casal de imigrantes chineses.
Eles chegam à cidade de metrô.
Deixamos os dois e entramos no Mercado Público Municipal.
Seguimos com um passeio de ônibus.
Um Papai Noel bêbado.
Um casal de namoradas bem abusadas.
Um encontro sexual num apartamento qualquer.
E até uma festa de noivado.
Tudo sem muita explicação nem conseqüência.
Bem como é a vida.
É como se estivéssemos na janela, no trânsito.
Só acompanhando o que acontece no lado de fora.
Ou como se estivéssemos diante de orangotangos.
Ou qualquer outro primata.
Que até tenta racionalizar o que acontece.
Mas termina reagindo de acordo com seus instintos mais básicos.

O trabalho de Spolidoro é moderno sem ser efêmero.
É pertinente sem cair da vala fácil do didatismo.
Consegue se comunicar sem recorrer à clichês óbvios.
Ou recursos já consagrados.
O filme poderia até prescindir do plano-seqüência.
Caso essa não fosse a necessidade estilística do diretor.
Infelizmente, o filme será mais lembrado pelo seu uso.
Do que pelo conteúdo e objetivos.
Mas este, talvez, seja o preço a ser pago pela ousadia.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Ainda Orangotangos - Estadão +++

O filme "Ainda Orangotangos" passou à meia-noite no Odeon.
É o primeiro filme brasileiro feito num único plano-seqüência.
E isso exigiu grande preparação.
Foram gravados seis takes.
Spolidoro escolheu o segundo.
Sei porque o próprio Gustavo me passou um folder.
Nele, há informações sobre a produção.

O filme é bastante ousado.
E não apenas do ponto de vista técnico.
Os personagens são figuras que vivem no limite.
Não sei se foi, pelo adiantado do horário.
Mas não consegui entrar no clima...
Vi o filme muito mais pelo ponto de vista da técnica.
Pensava mais na câmera, no espaço e nos atores.
Do que propriamente nos personagens.
Tive um pouco essa sensação.

Mas o filme é mais interessante que "Nome Próprio", de Murilo Salles.
Disseram que "Ainda Orangotangos" é muito gaúcho.
E por isso gostei mais do que de "Nome Próprio".

Prometo rever o filme do Gustavo.
Mas não me empolgou muito, não...

Adaptado de Luiz Carlos Merten (Estadão)

Leonardo Brocker disse...

+++ Livro "Ainda Orangotangos" - Saraiva +++

"Ainda Orangotangos" é um livro de contos.
Do escritor gaúcho Paulo Scott.
Autor dos volumes de poemas "Senhor Escuridão".

São narrativas curtas, cruéis e verdadeiras.
Que agem como disparos velozes e certeiros.
Relatos nos quais a realidade se rende à estranheza.
E se abre numa mistura do bem com o mal.

José Castello assina o prefácio.
Castello é escritor e crítico literário.
E afirma que 'os contos de Scott perseguem o ser humano.
Ali onde ele é mais humano, e mais desumano também.
Ali onde tudo fracassa e, em meio à derrota,
Num sopro de coragem,
O homem, apesar de tudo, vence.'

Temas desagradáveis são recorrentes na prosa de Scott.
Como epidemias, torturas, obsessões e perversões.
A obra é repleta de uma poesia antilírica.
Tirada do feio e do lúgubre.

'Ainda Orangotangos', prossegue Castello, 'sempre orangotangos:
Homens da floresta virgem, lançados no abismo da origem.
Homens do início, precursores.
Mas também estigmas, fardos a carregar.
Um passado que pesa.'

Os textos de Paulo Scott relatam um mundo observado.
Com as únicas lentes capazes de encarar a realidade.
Os olhos da loucura...

Adaptado de Saraiva.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Alice Diz:" (2012) +++

Daniel é um jovem solitário.
Ele começa um relacionamento online com Alice.
Uma mulher desconhecida.
Ele apaixona-se a ponto da obsessão.
Apesar de nunca ter visto a mulher.
Mas Alice tem um segredo.
A revelação de uma verdade surpreendente envolve Daniel em desespero.
E desencadeia uma série de eventos.
Estes levam os personagens ao longo de caminhos misteriosos e perigosos.
Caminhos dos quais não há retorno...

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Alice Diz:" (2012) +++

Diretor: Beto Rôa
Roteiro: Beto Rôa

Daniela Aquino - Luana
Daniel Colin - Declamador
Daniel Confortin - Daniel
Rafael Guerra - Dr. René
Eugênio Moreira - Dr. Anderson
Cynthia Müller - Paula
Rodrigo Pessin - Ciro
Plínio Marcos Rodrigues - Dr. Alberto
Roberta Savian - Dra. Júlia
Carla Stahl - Garota no Ponto de Ônibus
Catiele Stumm - Mulher-robô
Sissi Venturin - Dra. Aline
André Wofchuk - Reporter (voz)

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa Gaúcho “Alice Diz:” Estreia no Cinema +++

Longa-metragem com custo de R$ 40 mil e produção em Porto Alegre.
Em esquema de mutirão entre amigos.
O filme consegue o que muitos ambicionam: chegar ao público com um lançamento decente.

"Alice Diz:" tem direção de Beto Rôa, estreante em longa.
Rôa, 38 anos, faz parte da turma de gaúchos que se formou nas faculdades de Cinema.
É um grupo que conta, além do estofo teórico, com acesso à tecnologia.
Isso garante às suas produções acabamento profissional.
A favor deles está também o bom circuito alternativo de Porto Alegre.
Com programadores atentos e interessados em apoiar a produção audiovisual nacional.

O diretor graduou-se no Curso de Realização Audiovisual da Unisinos.
Mas, diferente da maioria dos colegas, não exercitou-se nos curtas por muito tempo.

"Sempre achei que as histórias que tinha para contar só caberiam em um longa", diz Rôa.

Destaca que a faculdade de Cinema foi o oitavo curso superior que iniciou.
E o único que concluiu.

"Fiz Letras, História, Ciência da Computação, Química, Biologia,
Administração de Empresas e Educação Física.
Além de cursos de teatro e dança.
Foi filmando as aulas de dança que surgiu o interesse pelo audiovisual.
Eu queria ser bailarino".

Segundo ele, as diferentes experiências se refletem em "Alice Diz:".
O filme tem como fio narrativo um rapaz, Daniel (Daniel Confortin).
Ele se apaixona pela garota que só conhece por mensagens trocadas no MSN.
A obsessão em conhecer a jovem leva a desdobramentos inesperados.
E aborda temas como solidão, inteligência artificial.
Interferência da tecnologia nas relações afetivas.
E até o mito de Narciso.

O lançamento será complementado, em três meses.
Com a versão de "Alice Diz:" em graphic novel.
E ilustrações de Renato Rôa, irmão do diretor.

"Nossa proposta é sempre lançar um filme com a respectiva graphic novel.
Gosto de explorar as diferenças de linguagem entre essas duas mídias".

O próximo longa, "A Voz do Sistema", está em fase de roteirização.
E deve ser tocado de Los Angeles.
Beto ficará três anos nos EUA estudando direção:

"Dirigir é complicado.
Em "Alice Diz:", trabalhei com atores vindos do teatro e da dança.
"E tive de encontrar o tom de interpretação comum a todos.
Foram muito válidos os cursos que fiz com preparadores de elenco
Com a Fátima Toledo e o Sérgio Penna".

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 04/06/2012)

Leonardo Brocker disse...

+++ Filme "Alice Diz" é exibido em Mostra Internacional +++

O festival exibe hoje o filme "Alice Diz:".
Como parte da programação da Mostra Internacional.
O filme cota com a direção do gaúcho Beto Rôa.
Ele caracteriza-o como "uma visão moderna do conto de Narciso".
O longa-metragem traz à tona a reflexão sobre o mundo cibernético.
Sem deixar de tocar no tema das relações humanas.

O diferencial é mesclar a arte do Graphic Novels com o cinema.
E dialogar de maneira fluída com a narrativa.

O set, composto de amigos, foi um desafio para o diretor.
"No começo, trabalhar com amigos é difícil.
Todo mundo se formou na mesma faculdade.
É necessário conquistar a equipe, e o lugar na hierarquia".

A motivação em acompanhar a estréia na Bahia foi voltar para o Brasil.
Beto ficou longe do país desde que se mudou para Londres.
"Estava com muitas saudades do Brasil.
Também queria ter um contato com outra cultura", explicou o diretor.

O longa-metragem passou dois meses nos circuitos alternativos de Porto Alegre.
Com direito a pré-estréia lotada.
O filme acompanha o envolvimento virtual do jovem Daniel com Alice, uma desconhecida.
Mesmo sem nunca tê-la visto, Daniel apaixona-se de forma obsessiva.
E conversa frequentemente em bate-papo.
No entanto, Alice revela um segredo surpreendente.
E isso leva Daniel ao desespero.

Adaptado de Seminário de Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" (2014) - Sinopse +++

João é um ator de 50 anos.
E mora com a mãe de 72 anos, Celina.
Passa o tempo entre o trabalho da noite.
Como um crossdresser, em pequenos bares gay
E as atuações em peças, filmes e programas de TV.
João começa, dia a dia, a fundir.
A realidade em que vivia com a ficção que interpreta.
Atormentado e assombrado por fantasmas de seu passado.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha +++

De Davi Pretto.
Com João Carlos Castanha, Celina Castanha, Zé Adão Barbosa e Gabriel Nunes.
Drama, Brasil, 2014.
Duração: 95 minutos.
Classificação etária: 14 anos.
Cotação: ótimo.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa Vai Narrar Vida de Performer da Noite +++

João Carlos Castanha é um personagem cuja presença abala uma cidade inteira.
As histórias sobre ator e performer porto-alegrense são tantas.
Que o próprio diz já não ter mais certeza daquilo que vivenciou.
E daquilo que apenas inventou – ou que inventaram sobre ele.

Ficção, realidade, fabulação se embaralham.
Nisso, Davi Pretto vislumbrou a cinebiografia de longa-metragem Castanha.
O jovem cineasta Davi explica:

"Construí um roteiro fechado.
Baseado na vida dele.
Cada episódio tem uma função dramática.
Mas estamos abertos ao acaso.
Há sequências em que o filmamos na noite.
Sem qualquer predefinição do que vai acontecer.
E deve haver ocasiões em que algo que surgir espontaneamente.
Sobretudo na relação dele com a mãe.
E isso pode substituir uma cena que planejamos antecipadamente".

“Filmar na noite” significa acompanhar um de seus shows em boates GLS.
Para compreender a valorização da figura materna...
É com Celina, 75 anos, que Castanha, 52, vive.
Em um condomínio da zona sul de Porto Alegre.
Com ela e com Joaquim e Sofia, os cachorros.

Parte significativa das filmagens terá lugar no apartamento.
ZH acompanhou as preparações da cena em que o protagonista acorda.
Esta será uma das primeiras sequências do filme.
De pantufas, com Joaquim e Sofia sobre o cobertor de oncinha.
Laptop aberto.
O retrato de um modelo masculino na estante.
E as caixas de som emanando primeiro David Bowie.
Depois música eletrônica.

Castanha estende à reportagem.
A simpatia e a paciência que mantêm diante da gurizada da equipe.
Conta quando descobriu o cinema.
Na época em que Celina trabalhava como revisora de rolos de 35mm.
No escritório porto-alegrense da United International Pictures (UIP).
Lembra a entrada no grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.
No fim dos anos 1970.
Tempos de "A Divina Proporção".
E "A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá".
E as montagens de "A Mãe e A Aurora da Minha Vida", na década seguinte.

Suas participações em espetáculos recentes, como "Adolescer".
E o troféu Açorianos pelo conjunto da obra, que ganhou em 2010.
São os ganchos para ele falar sobre um novo projeto.
A peça de sua autoria "Antes do Fim".
Deve encená-la em parceria com Zé Adão Barbosa.
Com quem escrevera antes "O Bordel das Irmãs Metralha".

Este é um Castanha sério.
Que enumera trabalhos passados e projetos futuros.
E pouco tem a ver com aquele que deve surgir na tela.
A não ser que tudo, no fundo, não passe de uma única grande performance.

"Para mim, trata-se de um homem e sua tormenta permanente.
Causada pela arte de iludir", diz o diretor, sobre o seu longa.
"Castanha será o retrato de um intérprete atuando, 24 horas por dia".

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Verdades e Mentiras +++

João Carlos Castanha diz que não tem mais certeza.
Sobre quais de suas célebres histórias aconteceram.
E quais foram inventadas.
Mas o amigo Zé Adão Barbosa sabe.
“São todas verdadeiras”, diz o ator e diretor teatral.

No filme que retrata a vida de Castanha.
Importa menos o que é realidade e o que é ficção.
E mais o que desvenda este extraordinário personagem.


Seria mentira a história em que,
Saindo da boate, cedo da manhã,
Castanha se encantou por um jornaleiro e,
Para conseguir levá-lo para casa,
Comprou todos os jornais que ele precisava vender?


E aquele causo em que ele foi preso
Após reagir ao preconceito alheio numa festa
E foi resgatado por outro parceiro de teatro
Após passar a noite na cadeia?


Teria sido Castanha o criador da expressão “lasanha”,
Comum na noite porto-alegrense dos anos 1980
Para identificar um homem bonito?


Não que o longa-metragem vá responder essas questões.
As lendas estão consolidadas – e isso é o que importa.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Sangue Novo +++

Castanha, o filme, marca a estreia no longa-metragem do diretor.
Davi Pretto, completou 25 anos neste domingo.
Dele e da produtora Tokyo Filmes.
Também é a estria de parte da equipe do longa-metragem.
Bruno Carboni, montador.
Richard Tavares, diretor de arte.
E Paola Wink, produtora-executiva.

Trata-se de um dos núcleos de produção mais promissores.
Da geração advinda dos cursos superiores de cinema.
Estes surgiram na década passada no Estado.

A Tokyo está por trás de curtas como:
+ "Quarto de Espera" (de Bruno e Davi);
+ "Gaveta" (de Richard) e
+ "Garry" (de Bruno e Richard).

E do recente clipe "Despirocar", da Apanhador Só.
Este em parceria com a Sofá Verde e a Bloco Filmes.

Castanha tem financiamento do Fumproarte.
Fundo de investimento em cultura da Prefeitura de Porto Alegre.
E tem a Casa de Cinema de Porto Alegre como produtora associada.
Depois deste projeto, um dos focos será o segundo longa
"Até o Caminho", também de Davi.
Ele recebeu o Prêmio de Desenvolvimento de Projetos Santander Cultural/APTC-RS.
E está em fase de captação de recursos.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica: Filme "Castanha" é Um Marco do Cinema Gaúcho +++

"Castanha" chegou.
Depois da exitosa carreira em festivais.
O filme mistura ficção e documentário.
E mergulha na intimidade de João Carlos Castanha.
Ator e performer da noite.
É o mais importante longa-metragem gaúcho.
Desde "Deu pra Ti, Anos 70" (1981).
Histórico filme de Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti.
E assinala uma ruptura.
Tanto estética quanto de modelo de produção.
E arrasta a cinematografia local para o século 21.

Davi Pretto, 26 anos, dirige "Castanha"
Com o selo da Tokyo Filmes.
Núcleo que areja a engessada produção de longas no RS.
Há outros núcleos.
Todos formados por jovens.
Muitos egressos dos cursos superiores.
Implantados no Estado na década passada.
"Castanha" os representa.
É o símbolo mais notável de um movimento amplo.
Caracterizado pela sintonia com os autores contemporâneos.
Estes conduzem a linguagem.
Por caminhos até então não experimentados.
A exemplo de Pedro Costa, de "Juventude em Marcha".
E João Pedro Rodrigues, de "Morrer Como um Homem".
"Castanha" paga tributo a eles.

Pretto reencena o dia a dia de Castanha e da mãe, Celina.
Algo que se viu em ícones do chamado novíssimo cinema nacional.
Como "Terra Deu, Terra Come" (2009).
E "O Céu sobre os Ombros" (2011).
Deles, a produção gaúcha de longa-metragem só se aproximara.
Com "Morro do Céu" (2009), de Gustavo Spolidoro.

"Castanha" possui caráter onírico.
O que associa o filme a títulos como "Girimunho" (2011).
Eles acrescentam imaginação ao retrato da vida.
Que flerta a todo instante com a morte.
Isso por conta das situações do pai do protagonista.
Que está internado numa casa de repouso.
E do sobrinho viciado em crack.
A quem Celina ajuda com os poucos recursos de que dispõe.

Pretto aborda os fantasmas que atormentam mãe e filho.
E constroi uma narrativa sofisticada.
Nela, o real se mistura com o que está sob as máscaras sociais.
Mas há algo ainda mais importante do que isso.
O distanciamento que Pretto mantém de Castanha.
Ele aposta nas possibilidades da ficção.
E expõe o que o homem por trás da persona artística tem de obscuro.
Alguma intolerância, egoísmo.
Que o amigo Zé Adão Barbosa define como "sadismo".

O garoto craqueiro, não é interpretado pelo seu correspondente real.
E sim por Gabriel Nunes.
Ele desencadeia os principais conflitos da trama.
Aqueles que vão expor definitivamente o protagonista.
Uma maleabilidade de "Castanha", o filme.
Que não se define entre o documentário e a invenção ficcional.
E tem a possibilidade de atingir a verdade.
Uma verdade não absoluta, ressalte-se.
Típica da arte mais inquietante, provocadora, estimulante.

"Deu pra Ti, Anos 70" revolucionou o cinema local.
E símbolizou a transição do chamado "ciclo da bombacha".
Para uma produção urbana e mais moderna.
E apresentou uma abordagem mais complexa das relações sociais.
Nesse sentido, o que ocorre com "Castanha" não é muito diferente.
Com uma vantagem para o longa de Davi Pretto.
A incorporação dessa complexidade de maneira orgânica à própria forma do filme.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Lá fora +++

"Castanha" teve première na seção Fórum do Festival de Berlim.
Também foi exibido em outros festivais.
Como Hong Kong, Copenhagen, Edimburgo e Las Palmas.
No Brasil, foi à Paulínia, à Mostra de SP e ao Festival do Rio.
Deste saiu com o prêmio de melhor filme da seção Novos Rumos.
Já estreou na Argentina.
E tem distribuição assegurada na Alemanha, na Suíça e na Áustria.
Além da televisão da Espanha.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Aqui +++

São 19 cópias espalhadas pelo Brasil.
No RS, o filme passa em Pelotas, Caxias do Sul e Porto Alegre
João Carlos Castanha e Davi Pretto estarão na noite desta quinta na CCMQ.
Para conversar com o público.
O debate terá início após a sessão das 19h40min.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Primeiro Longa de Davi Pretto +++

É o primeiro longa-metragem de Davi Pretto.
Mas "Castanha" dialoga com uma linhagem consistente.
De uma nova geração de cineastas brasileiros.
Que, nos últimos anos, estão ocupando uma cena de destaque.
Pode-se, numa síntese ansiosa, encadear uma série de elementos.
Um tanto exteriores ao filme.
Como o formato vinculado ao documentário.
O modo de trabalho coletivo e colaborativo.
Ou, ainda, produções de baixo custo.
É, contudo, pelo aspecto sensível que se percebe uma singularidade.
E uma tônica contínua.
"Castanha" compartilha mais dúvidas do que perguntas bem formuladas.
Mais inquietações do que teses.
Mais incômodos do que sensações pontuais.
Estamos diante de uma dramaturgia centrífuga.
Que desmorona como uma brisa.
E são esses vetores de desmanche que mais chamam a atenção.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - O Documentário Bográfico +++

Se escolhêssemos um enredo, caminharíamos pelo documentário biográfico.
De João Carlos Castanha, um ator e performer de Porto Alegre.
Ele transita por uma cena e um submundo um tanto underground da capital.
Há, contudo, dois elementos que desarticulam uma coerência afirmativa.
O primeiro é o foco na atuação e na interpretação como um modo de vida.
Talvez "Jogo de Cena" (2007), de Eduardo Coutinho, tenha aberto uma trilha.
Mais clara aos cineastas jovens.
Uma trilha que delineou documentários “de”, “sobre” e “com” atores.
Nesse diapasão, câmera, cena e atuação ganham mais do que combustão química.
Criam, juntos, um jogo de máscaras e de espelhos.
E captam, principalmente, o rosto do performer.
Em vez das máscaras vestidas.
O espaço da performance seria o local de onde a mise en scène também brotaria.
De forma cristalina e evidente.
Castanha – seja o personagem, seja o sujeito documentado – é um performer.
Veste-se de mulher e anima um público gay de casas noturnas.
Convive, assim, ao longo dos anos, com um ambiente de prostituição.
Filma-se seu cotidiano diurno.
Sempre meio lento e tedioso.
Alternando-se com seu convívio na noite.
Como um ator que trabalha, que vende suas piadas, seu ultraje.
Sua voz, a presença do seu corpo e da sua imagem.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Colaboração no Roteiro +++

João Carlos Castanha assina com Davi Pretto o roteiro do filme.
Uma colaboração entre diretor e ator.
Entre documentarista e documentado.
E isso engendra uma importante diferença no tom geral do filme.
Há mais do que uma cumplicidade.
E a procura por um pacto ou equilíbrio ético.
Mas uma confiança no estilo do filme que foi feito.
E, durante a filmagem, a partilha dos mesmos valores.
Das mesmas perguntas dramáticas.
Em "Castanha", ética e estética estão mais do que entrelaçados.
Eles complementam-se.
O filme também possui um roteiro que delineia bem os personagens.
O ambiente, os pequenos conflitos.
O plot concentra-se entre tensões interiores da família.
E nos (des)prazeres de fuga que a noite de Porto Alegre desperta no ator.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Círculo de Interações +++

Assim, o filme interage com o círculo imediato de indivíduos.
Que estão ao redor da vida real do ator e personagem.
Sua mãe, Celina, que visita o pai, Jairo, no asilo.
Dele Castanha deliberadamente não gosta.
E só visita em uma sequência.
Há os amigos da noite.
Um pai de santo do candomblé.
O sobrinho viciado em crack.
Parte-se desse ambiente, muito próximo a um retrato biográfico.
Para suscitar uma mise em scène com uma tônica fortemente observacional.
São instantes de interação, diálogo.
Em que a dramaturgia é apenas um sopro de sugestão.
E a câmera capta o que dali sair.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - As Escolhas Trágicas +++

Castanha é um filme que ressalta escolhas.
E, claro, suas consequências, às vezes trágicas.
Há, primeiro, a opção, insistente, apaixonada, pela profissão de ator.
Numa determinada cena, João Castanha vai ver um filme.
E comenta, em over, seus sonhos, seus reclames.
Tem certeza que se tivesse nascido em outro país, que não no Brasil.
E com uma produção cinematográfica consistente.
Teria sido um grande ator, uma ‘estrela’, obteria reconhecimento.
Mas, o filme do qual ele é o protagonista mostra a atuação de Castanha.
Em curtas universitários, comerciais locais, peças, gravações musicais.
Além, claro, de sua performance nos clubes noturnos masculinos.
Retrata-se o ambiente gay e a cena artística undergournd de Porto Alegre.
Junto ao retrato e às atuações de João Castanha.
Bem enviesado por um contexto de inferninho dos anos 1980.
E da geração que vivenciou (e sobreviveu) à Aids.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - O Elemento Morte +++

Como elemento importante, a morte figura como a outra face, oculta.
E perambula entre as escolhas, biográficas e cênicas, de João Castanha.
Dramaticamente, esse enfrentamento com a morte ganha a cena metafórica.
Já na abertura do filme.
Quando João Castanha caminha nu, à noite, ensangüentado.
Como se flertasse com sua própria morte.
No filme, há o outro elemento mais evidente de morte.
Este se revela nas sequências referentes ao sobrinho viciado em crack.
Ali, a morte é encarada tanto como um dilema ético.
Como uma violência latente que atravessa a realidade.
E o dia a dia de João Castanha.
Pode-se ler a morte como um elemento intrínseco ao ofício do ator.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" e "O Mito de Sísifo" +++

Albert Camus chama a atenção para o ator.
No seu ensaio sobre O Mito de Sísifo.
Ele é uma força estética.
E enfrenta, a cada dia, o absurdo da vida.
O absurdo, fugidio, de forjar um sentido.
De criar um personagem.
De acreditar nele.
Para voltar a viver um cotidiano nulo de qualquer significado.
Essa nulidade pode ser a própria morte.
E é o que, no filme, retrata o dia a dia de Castanha.
São gestos constantes de vestir e retirar máscaras.
Gestos de reinvenção.
De respiros profundos numa respiração já trôpega.
E que precisa renovar uma fôlego que, aos poucos, se esvai.

Roteiro e filme enfrentam esses lados obscuros.
Num retrato que não é heróico.
E nem vacila no seu oposto pessimista.
Mas, ao contrário, tenta encarar um lado sem lume.
Difícil, que cada sujeito carrega consigo.
É nesse sentido que o tempo e a mise em scène enfatizam.
Tanto o enfrentamento direto com essa face obscura.
Como uma vontade de fuga, já impossível.
Por isso, a edição de som acaba propondo escapes espaciais.
Paisagens imaginárias.
Mas sempre constrangidas pelo quadro fixo.
O som, ali, atua como vetor de desmanche.
Como elemento dispersivo.
Como se Sísifo uivasse por uma fuga vã.
Enquanto carrega seu fardo montanha acima.
Ouve-se, canta-se, e até espanta-se alguns males.
Mas, ao final, volta-se ao quadro, fixo e inerte.
De um cotidiano áspero.
A pedra rola abaixo.
E é preciso recomeçar, recomeçar, recomeçar.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa-metragem "Castanha" no Festival de Berlim +++

O ator João Carlos Castanha tem 52 anos.
Trabalha no teatro.
Faz eventuais participações em filmes.
E, à noite, se apresenta em boates gays de Porto Alegre.
Como transformista.
Vive com a mãe, Celina, de 72.
É uma pessoa real e um personagem.
Dele surgiu "Castanha", longa do diretor Davi Pretto.

A estreia mundial será na próxima sexta-feira (7).
Na programação do 64ª Festival Internacional de Cinema de Berlim.
Um dos mais importantes festivais de cinema do mundo.
E que começa no dia 6 de fevereiro.

Davi conheceu João ao filmar um curta na faculdade de cinema.
A ideia de gravar sobre ele veio um pouco depois, em 2010:

"É um cara que sempre foi muito ligado com a arte da interpretação…
E eu comecei a pensar o quanto a gente está interpretando.
Tipo eu, por exemplo.
Estou aqui interpretando.
Que sou culto, legal, que tenho uma carreira, né?
Tá todo mundo interpretando exatamente agora.
Só que ele nasceu pra atuar.
Passa o dia inteiro atuando.
Sai de uma peça infantil.
Vai pra uma casa de shows.
E lá se traveste mulher.
No dia seguinte faz um filme interpretando um gaúcho, sabe?
Aos poucos, me liguei que em casa ele também interpretava.
E aí começa a confusão.
Não há diferença entre uma coisa e outra".

Castanha é o único filme brasileiro da mostra Forum.
Anteriormente chamada de Forum of New Cinema.
Esta tem como característica o viés experimental.
Seja pelo tema, pela narrativa, por uma abordagem particular.
Ou pelo modo não-usual da filmagem.

Feito no período de um ano.
Pouco para a finalização de um longa.
O projeto inicial de Castanha era mais simples.
Com a pesquisa intensa sobre a vida de João.
O que consistiu de muitas visitas à casa dele.
E aos lugares em que trabalhava e frequentava.
O filme fez de si mesmo um longa.

Davi é o diretor e roteirista.
E esteve acompanhado da produtora Paola Wink na entrevista.
Ele deixou transparecer a forma natural de como o roteiro aconteceu.
Entre dezembro de 2012 e dezembro de 2013.
E de como essa naturalidade possibilitou o formato do filme.
Que transita entre ficção e documentário.

Adaptado de Sul 21 - 2, fevereiro, 2014

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa-metragem "Castanha" no Festival de Berlim +++

Mostrar a linha que divide vida real de fantasia não é a intenção.

"Como as duas coisas não tinham mais diferença, aceitamos.
'Então tá, vamos fazer um filme assim’.
As pessoas que viram perguntam sobre a realidade de algumas cenas.
Mas não tem o que explicar.
A ideia era que a pessoa visse o filme e se perdesse em algum momento.
E mais: entender que no final tu não tens que ficar se perguntando.
Esta é a proposta".

A produtora Tokyo Filmes já fez de seis curtas, desde 2009.
Com “praticamente nenhum dinheiro”.
Um deles, teve o orçamento de R$ 300,00.
Esta experiência contribuiu para o desenvolvimento do filme.
Ele foi subsidiado com R$60 mil por edital do Fumproarte 2012.
Como um projeto de curta-metragem.

É uma trajetória de trabalhar de forma independente.
E quase sempre com a mesma equipe.
Disposta a filmar de qualquer maneira.
Isso habilitou o cineasta.
A transformar "Castanha" em um longa-metragem de 95 minutos.
O dia em que o set de filmagens teve mais gente, foram dez pessoas.
Algumas vezes, filmaram com apenas três.
No elenco principal, Castanha e a mãe, Celina.
Como personagem coadjuvante, até a mãe do diretor atuou.

"Quando fomos rodar, pensamos: a gente já sabe fazer sem dinheiro.
A gente não vai errar.
Vamos nessa do jeito que for.
É por isso que um filme sessenta mil vira um longa.
Porque tem pessoas que querem fazer isso.
A trajetória com os curtas nos impediu de cometer erros de produção".

A narrativa foi determinada por esta característica de produção.
Davi fala que, com menos recursos, foi possível arriscar esteticamente.
E experimentar mais facilmente, sem medo.
Depois de selecionado para Berlinale, o filme foi finalizado às pressas.
E a cópia teve que ser entregue em mãos em Berlim nesta semana.
Pois não haveria tempo hábil para entrega pelo correio.

Castanha, o personagem, embarcou para Berlim com a equipe.
E verá o filme pela primeira vez no festival.
No meio de uma plateia de aproximadamente 500 pessoas.

Adaptado de Sul 21 - 2, fevereiro, 2014

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" Brinca com Limites entre Documentário e Ficção +++

Primeiro filme do gaúcho Davi Pretto.
Teve estreia na mostra Forum da Berlinale.
Entre o encenado e a realidade.
Diretor vai a fundo no universo e na essência.
Do ator e transformista João Carlos Castanha.
Não é uma tarefa fácil.
Revelar o que se encontra atrás da maquiagem.
E do figurino de um ator.
Uma escolha que pode destruir a fantasia.
E o fascínio criados pelos palcos e os holofotes.

Mas esse é o convite do diretor gaúcho Davi Pretto em "Castanha".
Que teve exibição na noite desta sexta-feira (07/02).
Dentro da mostra Forum da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim.
Pretto e Castanha se conheceram em 2008.
Quando o diretor rodava "Quarto de espera".
Seu curta-metragem de estreia.

"Toda vez que enquadrava o João, ficava impressionado com o rosto dele.
Foi algo meio mágico", disse o diretor à DW Brasil.
O fascínio pelo rosto e o olhar de Castanha levou o diretor.
A querer trabalhar novamente com o ator.
"Queria fazer um 'filme de ator'.
Nos moldes do John Wayne ou Cassavetes.
Pelo grande ator que ele é", explicou.

Pretto começou a pesquisar.
E acabou se fascinando não só pelo ator João Carlos Castanha.
Mas por sua história, universo.
E sua misteriosa e enigmática maneira de encarar a vida e seu trabalho.
Em 2011, surgiu a ideia de fazer um filme sobre Castanha, que topou.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Melhor Maneira para Contar Aquela História +++

Castanha tem 52 anos.
E vive com a mãe Celina em um apartamento no subúrbio de Porto Alegre.
Ele se ocupa com o trabalho de transformista em clubes gays da cidade.
E com pequenos papeis em peças de teatro, filmes e televisão.
Primeiramente, o filme seria um documentário de observação.
Sem roteiro, levado pela vida e pelo cotidiano de Castanha.

"Comecei a pensar no papel da ficção na vida dele.
Já que está sempre atuando.
Ele tem uma vida multifacetada.
Passando rapidamente de um personagem para o outro.
Essas muitas ficções que ele vive começaram a me fascinar", contou o diretor.

O filme ganhou uma dimensão maior.
Quando Pretto começou a frequentar a casa de Castanha.
Como parte do processo de pesquisa.

"Percebi que em casa ele era outro personagem.
Com os amigos ele era outra coisa.
Comecei a pensar como sempre nos reinventamos para as outras pessoas.
Perdemos muito tempo criando essas histórias", disse.

Assim, o projeto começou a se transformar.
Embaralhando ficção e realidade em um formato só.
Foi desenvolvido um roteiro que partia de situações concretas e subjetivas.
Para melhor se aprofundar no universo de Castanha.

"Eu dizia o que ele deveria fazer nessas situações.
Que começaram a aparecer a partir do roteiro", explicou Pretto.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Visão particular da realidade +++

O diretor nos transporta ao coração da família Castanha.
Jogando com os tênues limites entre ficção e realidade.
Somos levados a um épico de microproporções.
Através do universo de João e de sua relação com a mãe.
Uma jornada pessoal, que não é marginal.
Mas que é contada pelas bordas.
Pelos pequenos dramas de uma vida amarrada.
Pelo destino de ser quem você é.

"Comecei a perceber como o contexto da homofobia no Brasil cerca o filme.
Depois que o filme estava pronto.
Todos os personagens são muito marginalizados.
O que não parece à primeira vista porque eles são os protagonistas.
Mas através dessa história, podemos ver esse Brasil", disse o diretor.

As filmagens de Castanha ocorreram durante os protestos.
Que tomaram contam das ruas do Brasil no ano passado.
Um fato marcante que acabou entrando no filme de uma maneira natural.
E acrescentou um pano de fundo poderoso à história.

"Eu sempre fui muito fiel ao João.
Ele não se importa com essas coisas e estava sempre distante.
Os protestos afetaram o cotidiano das filmagens.
Mas colocamos no filme da maneira em que ele via aquela situação:
Através da televisão", explicou Pretto.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Verdade Através da Intimidade +++

O filme foi feito com uma equipe pequena.
Fato comum na realização de documentários.

"Tínhamos sempre só três pessoas no set de filmagem.
Era o máximo que podíamos ter para criar intimidade.
Eu não gosto da definição documentário e ficção.
Não é dessa maneira que eu encaro o cinema", completou o diretor.

Através do fascínio, da admiração e principalmente da confiança.
Alcançou-se a verdade e a cumplicidade necessárias a um projeto como Castanha.

"Conheci o Davi quando ele ainda era estudante.
Sou um fã de David Lynch e cinema europeu.
Fizemos um curta juntos.
E eu gostei muito da estética dele", disse João Carlos Castanha à DW Brasil.

A viagem para Berlim foi apenas a primeira internacional de Castanha.
E a estreia no festival será a primeira vez que o ator verá o filme.
Que conta a história da sua vida.

"Eu confio muito no trabalho do Davi.
Assim, fica muito mais fácil de me entregar.
Chegava um momento que eu anulava a câmera.
Não tenho vergonha e pudor de fazer nada.
Sou muito bem resolvido", contou o ator.

Castanha é uma espécie de celebração marginal de uma figura enigmática.
E que através dos combates diários encontra as razões para estar vivo.

"Vou me emocionar muito, mas não tenho medo.
O Davi já faz parte da família", concluiu Castanha.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Entre o Real e a Ficção +++

Ator e transformista gaúcho de meia-idade é o protagonista.
E o corroteirista do filme de Davi Pretto
Que pontua narrativa com fortes doses documentais

Castanha nos apresenta o cotidiano do personagem do título.
Em um esboço possível de narrativa.
José Carlos Castanha é um ator gaúcho cinquentão.
Que à noite se traveste e anima boates de Porto Alegre.
Durante o dia, sem os adereços femininos, uma realidade dura se impõe.
Há a mãe solitária, depois que o marido foi para um asilo.
E, mais desafiador, um sobrinho dependente de crack.
E da casa para obter dinheiro.
As ameaças e os roubos desafiam Castanha.
Tanto quanto os delírios, medos e frustrações.
De um intérprete que acredita merecer mais.

Todo o quadro realista de um indivíduo que reflete sobre problemas.
E os enfrenta surgiria de antemão incomum.
Não fosse ainda contaminado por forte dose documental.

Castanha existe fora do filme de Davi Pretto.
O transformista assina o roteiro com o diretor.
O que confere autenticidade à obra.

O espectador, a princípio, não sabe quem são os atores e os personagens reais.
O jogo estimula a compor uma noção de verdade e ilusão própria.
Do protagonista e do espectador.

Adaptado de Carta Capital

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico - Parte 2" +++

Diretor: Felipe M. Guerra
Roteiro: Felipe M. Guerra

Elenco
Eliseu Demari - Eliseu
Niandra Sartori - Niandra
Rodrigo Guerra - Goti
Kiko Berwanger - Dr. Lumis
Angélica Dalcin - Angélica
Bruna Seimetz - Bruna
Maiara Pessi - Maia
Thaís Cristina Formentini - Thaís
Cleo Meurer - Cleo
Thobias Sfoggia - Thobão
Ana Carolina Lufiego - Ana
Kasha Lee - Dominatrix
Oldina Cerutti Do Monte - Pamela
Zica Fajardini - Mãe da Bruna
Felipe da Silva - Pato

Sinopse
Sete anos após o massacre do primeiro filme.
Os sobreviventes Niandra e Eliseu ainda temem o retorno de Geison.
O terrível psicopata que mutilou seus amigos na sexta-feira 13.
Novos assassinatos começam a acontecer na cidade de Carlos Barbosa.
E coloca uma nova geração de vítimas como alvos do assassino.
Mas quem está por trás dessa máscara do Pânico?

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico - Parte 2" +++

Felipe M.Guerra realiza uma ótima paródia dos filmes de slashers.
Uma verdadeira tiração de sarro com "Pânico", de Wes Craven.
A começar pelo extenso título.
Talvez o maior de toda história do cinema.

É uma continuação mais divertida que o original.
Lançado 10 anos antes.
E também dirigido por este diretor gaúcho amante de filme B.

Há diversas referências.
Que vão dos filmes mais banais de terror aos intelectuais.
"O Iluminado" é um deles.

É bem mais divertido que outra sátira (Todo Mundo em Pânico).
E provoca mais risos que grande parte das comédias nacionais.

A produção é pobre e limitada.
Custou a bagatela de 3 mil reais.
Mas é compensada pelo roteiro esperto.
Esta aproveita bem os clichês dos filmes de terror.

É Cinema nacional de horror independente.
Feito com bastante criatividade.

Adaptado de Danilo Areosa (Cineset)

Leonardo Brocker disse...

+++ Entrei em Pânico….Parte 2 (2011) +++

E lá se foram 10 anos.
Desde o lançamento da primeira parte de "Entrei em Pânico...".
Um filme que surgiu depois de uma matéria no Fantástico.
E de um curta metragem com a participação de Luciano Huck.
Feito especialmente para o programa do apresentador.
Isso trouxe fama e divulgação a Felipe M. Guerra.
E para a Necrófilos Produções.
O diretor ganhou fãs e haters na mesma intensidade.
E também ajudou a mostrar o cinema gaúcho para o Brasil.

Nesses 10 anos, ele realizou:
+ 2 curtas "Mistério na Colônia" e "Extrema Unção" e
+ um longa "Canibais & Solidão".

E iniciou em 2008 a continuação de seu filme mais famoso.
"Entrei em Pânico... Parte 2" estreou no Fantaspoa.
Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
Um dos maiores festivais de cinema do Brasil.
Ali, foram apresentados 150 filmes.
A edição contou com a presença ilustre do italiano Lamberto Bava.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" e "Sexta-Feira 13" +++

Na primeira cena, testemunhamos o encontro de dois apaixonados.
Thobão (Thobias Sfoggia) toca violão.
Enquanto Ana (Ana Carolina Lufiego) toma chimarrão.
Sob a luz do sol, em um belo dia, às margens do Lago Cristal...
Opaaaaaa, primeira homenagem ao Sexta-feira 13?

No encontro, ele conta a história que originou o primeiro filme.
Um grupo de formandos do colegial prepara um aquecimento na casa de Goti.
Além de bebidas, drogas e mulheres, também havia um assassino.
O mascarado massacra os adolescentes.

Geison, o assassino, ainda era considerado desaparecido.
Como já era de se esperar, o casal é assassinado ali mesmo.
Po uma pessoa vestida com a famosa roupa do Pânico.

As mortes são ótimas: a garota leva uma facada na cabeça.
E a faca acaba saindo pela boca durante um beijo!!!
O sangue esguichando e a reação de Thobão são impagáveis.
Ele depois é morto com um chimarrão.
Numa cena angustiante e extremamente engraçada.
Ao ir embora o assassino chuta a placa do Lago Cristal.
E assim o filme começa.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" Goti e O Psicólogo +++

Somos reapresentados a Goti (Rodrigo M. Guerra).
Ele parecia ter morrido no primeiro filme.
Numa quebra de clichês, já que ele era o protagonista.

Mas Goti sobreviveu ao ataque.
Ficou paraplégico.
E sua família escondeu-o em Porto Alegre.
Com o intuito de evitar novos ataques.

Para ajudar a superar o trauma, Goti frequenta um psicólogo.
Este é viciado em sexo.
E ao longo do filme, proporciona uma cena antológica.
Como uma Dominatrix (Kasha) e uma beringela.
Impagável!

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - O Retono de Goti +++

Goti fica sabendo das mortes na cidade de Carlos Barbosa.
E logo as associa ao Geison.
Teme pela vida do atrapalhado Eliseu (Eliseu Demar).
E de sua ex-namorada Niandra (Niandra Sartori).
Ambos sobreviventes do primeiro massacre.
Ele resolve voltar para a sua cidade.
E avisar aos amigos que o temido assassino está de volta.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - A Nova Festa +++

A prima de Niandra, Bruna (Bruna Seimetz), está se formando no colegial.
E pretende fazer uma festinha em casa com os amigos para comemorar.
Em plena sexta-feira 13, é claro!
Momento perfeito para uma vingança.
Mesmo depois de 7 anos após o massacre.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - O Guarda-costas +++

Temos também o guarda-costas que os pais de Niandra contrataram.
Para cuidar da segurança da jovem.
O cara não deixa nem Eliseu se aproximar da garota, por ciúmes.
Já que ele é apaixonado por ela, mas sem coragem de expor os sentimentos.
O Guarda-Costas (Leandro Facchini) trabalho no estilo Kevin Costner.
Chega até a alugar o filme "O Guarda-Costas".
Para tentar se aproximar de Niandra.
E dar uma indireta sem sucesso.
Em outra cena canta a música de Whitney Houston sozinho no escuro.
Com uma arma na mão.
Enquanto o assassino está a solta.
Ótima cena, rendeu boas gargalhadas.

A avó de Felipe M. Guerra também participa.
Oldina Cerutti do Monte vive Dona Pamela, a mãe de Geison.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Citações de Filmes +++


O filme é diversão garantida e descompromissada.
Não se leva a sério em nenhum momento.
Faz homenagens e tira sarro de clássicos do horror.
E de alguns filmes não tão bons assim.
Ouvimos sobre "A Hora do Pesadelo", "Sexta-feira 13", "O Albergue".
Filmes e o estilo de Rob Zombie.

O assassino está sempre muito calmo.
Não corre, não tem pressa para pegar as armas.
E as vítimas, além de não fugir e não se defender, ficam séculos gritando...

No final, a revelação do assassino...
É incoerente e engraçada.
Tanto como algumas, ou quase todas, do próprio filme Pânico.
E de outros slashers.

Quem não conhece os filmes de Felipe vai se divertir duplamente.
Com o forte sotaque dos barbosenses e suas gírias.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Mortes Criativas +++

Mesmo com poucos recursos, as mortes são muito criativas.
Vemos pessoas mortas por um espeto de salsichão, por exemplo.
No primeiro filme tinha uma torneira no pescoço da vítima.
Dessa vez temos uma garrafa na barriga de alguém.
Que para não perder sangue põe uma rolha na mesma.
Hilário.

Felipe M. Guerra contou com a colaboração de Ricardo Ghiorzi.
Ele ficou responsável pelos horripilantes efeitos especiais.
Como tripas, cortes e cabeças decepadas.
Além de muitos litros de sangue falso.
Mas não faltou espaço para as improvisações caseiras,

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Trilha Sonora +++

Em razão dos direitos autorais, a trilha sonora é confusa.
Para mim foi o maior defeito do filme.
Já que algumas músicas não combinam com as cenas.
E outras acabaram sendo desnecessárias.
Como "Midnight, the Stars and You".
Enquanto Eliseu investiga a casa de Geison.
Talvez uma homenagem a "O Iluminado de Stanley Kubrick".

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Roteiro +++

O roteiro está afiado.
Mas muitas cenas quebraram o ritmo do filme.
Seja por seu conteúdo ou pela duração.
Mas nada disso compromete o resultado que podemos ver ao final.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Baixo Custo +++

O primeiro filme custou apenas 250 reais.
Este teve 3 mil de investimento.
Além de ser gravado em vídeo digital.
E editado no computador.
Bem melhor que a edição do anterior, feita pelo vídeo cassete.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Paixão e Criatividade +++


Este é o filme mais sangrento de Felipe M. Guerra.
E também o mais divertido e engraçado.
Repleto de cenas e frases que vão ecoar na sua mente.
E te fazer rir mesmo depois do término do filme:
"Eu nunca mais vou comer beringela na minha vida!".

A paixão e a criatividade que envolvem o filme são enormes.
Guerra entrega um filme apaixonado.
Mesmo sem dinheiro.
Sem atores profissionais.
Apenas com muita vontade de contar uma boa história.

Quem tiver a oportunidade, não se esqueça de conferir.
E de prestigiar o cinema fantástico independente!

Quem não conseguiu ver o primeiro filme não se preocupe.
Os personagens dão as explicações.
E o diretor insere várias cenas do primeiro filme no início deste.
A única coisa ruim é que você vai ficar morrendo de vontade de ver o outro.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ Eu Eu Eu José Lewgoy (2011) +++

Diretor: Cláudio Kahns
Roteiro: Marta Nehring

Depoimentos
Mauro Alencar;
Sérgio Augusto;
Glória Bissani;
Leonildo Bissani;
Luciane Bissani;
Gilberto Braga;
Fabiano Canosa;
Tônia Carrero;
Chico Caruso;
Eliana Caruso;
Helena Farina Casarin;
Mario Casarin;
Walmor Chagas;
Guilherme de Almeida Prado;
Anselmo Duarte;
Millor Fernandes;
Lucy Thereza Giugno;
Marisul Terezinha Giugno;
Valdete Giugno;
Anna Hocsman;
Felipe Rosa Hocsman;
Fernanda Rosa Hocsman;
Fernando Rosa Hocsman;
Henrique Dahmer Hocsman;
Luciano Hocsman;
Zélio Hocsman;
Alzira Maria Baptista Lewgoy;
José Lewgoy;
Laura Baptista Lewgoy;
Léo Ismar Lewgoy;
Samuel Lewgoy;
Howard Mandenbal;
Eric Nepomuceno;
Antonio Pedro;
Richard Pena;
Paulo César Peréio;
Glória Pires;
Gene Plotnik;
Marlies Plotnik;
Ana Paula Neu Rechden;
Flora Thereza Benaci Roehr;
Sônia Mari Roehr;
Eva Sopher;
Carlos Alberto Spanhol;
Elliot Stein;
Adriana Bissani Tonial;
Gilberto Tonial;
Pedro Verissimo;
Luis Fernando Veríssimo.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Eu Eu Eu José Lewgoy" +++

O documentário mostra a carreira do ator.
E sua trajetória no Brasil e no mundo.
Além de revelar fatos importantes de sua vida.
Através de depoimentos e muitas imagens de arquivo.
De quem trabalharam com ele no cinema e na televisão.
E compartilham histórias, ao longo dos anos.
Gente como Gilberto Braga, Tônia Carrero, Chico Caruso.
Millôr Fernandes, Luis Fernando Veríssimo, Anselmo Duarte.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidades de "Eu Eu Eu José Lewgoy" +++

+ Documentando ícones: do mesmo diretor de "Mamonas para Sempre" (2011).
+ Atraso no lançamento: a produção acabou em 2009 e foi lançada em 2011.
+ Festivais: exibido na Mostra Internacional de São Paulo de 2010.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Eu Eu Eu José Lewgoy" +++

Retratam-se as várias fases do cinema e da televisão do país.
Por meio de trechos da vida de José Lewgoy (1920-2003).
Um dos mais importantes atores brasileiros.

Original de uma pequena cidade do interior do Sul do Brasil.
Alfredo Chaves, atual Veranópolis.

O ator teve uma rara trajetória internacional.
Percorreu das chanchadas da Atlântida ao cinema francês dos anos 50.
Do Cinema Novo com Glauber Rocha e Fitzcarraldo (1982) de Werner Herzog.
Às novelas da Rede Globo.

Adaptado de Filmow

Leonardo Brocker disse...

+++ "Gallito Ciego" (2001) +++

Facundo é um rapaz comum e normal.
Que precisa de um emprego para sobreviver.
Acabou de terminar o ensino médio.
E está em uma situação crítica.
Que não lhe permite continuar estudando.
Assim, começa a andar pela cidade por vários dias.
Até que numa manhã através de um anúncio, conhece o Dr Benavidez.
Um homem de aparência respeitável.
Que lhe oferece um emprego em condições dignas.
Mas nem tudo é o que parece.

Adaptado de Filmaffinity España

Leonardo Brocker disse...

+++ "Gallito Ciego" - Sinopse +++

Facundo acaba de terminar la secundaria y está desocupado.
Un día encuentra un trabajo.
Y cree que podrá salir de su angustiante situación.
Pero un cheque se cruza en su camino.
Y lo que parecía algo sencillo se convierte en una pesadilla.
Que lo hace andar como gallito ciego.

Adaptado de Cine.Ar

Leonardo Brocker disse...

+++ "Gallito Ciego" +++

Diretor: Santiago Carlos Oves
Roteiro: Santiago Carlos Oves

Elenco
Rodrigo De la Serna - Facundo
Erica Rivas - Fernanda
Aída Luz - Abuela Facundo
Martín Coria - Portero
Paulo Bispo - Negro
Dario Spindler - Flaquito
Alberto Busaid - Enfermero
Silvia Iglesias - Marisa

Rodrigo De la Serna recebeu o prêmio de Melhor Novo Ator.
Da Associação Argentina de Críticos de Cinema, em 2002.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Ficha Técnica +++

Direção: Zeca Brito
Roteirista: Zeca Brito

Participações
+ Camila Amado;
+ Cecil Thiré;
+ Ferreira Gullar;
+ João Bosco;
+ Luís Fernando Veríssimo;
+ Ricardo Cravo Albin;
+ Stepan Nercessian.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Sinopse +++

A trajetória de vida, a obra e a carreira de Glauco Rodrigues.
O gaúcho é um dos principais pintores do pop art latino.
De acordo com críticos, artistas e teóricos.
O documentário funciona como um retrato intimista.
De um dos maiores artistas gráficos da história brasileira.
A partir de entrevistas, arquivos.
E imagens vivenciadas e inspiradas por Rodrigues.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Documentário Convencional +++

À primeira vista, pode despertar apreensão quanto ao formato convencional.
O diretor Zeca Brito ressalta sua ligação pessoal com o pintor Glauco Rodrigues.
Para descrever em seguida a trajetória do artista desde o início.
De modo cronológico e linear.
Baseando-se em depoimentos e imagens das obras de Glauco.
Ou seja, um conceito cinematográfico sem grande novidade.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Questionamentos +++

O filme começa a surpreender quando elabora seus questionamentos:
O que leva um homem a querer produzir arte?
Como ele fabrica e amadurece seu estilo autoral?
De que maneira o meio onde vive influencia suas obras?
Qual é a obrigação de produzir uma obra nova?
Ou obra melhor que outras existentes na época?
Ou mesmo “tipicamente brasileira”?

O ponto de vista cativa mais pelo viés teórico do que historiográfico.
O que distingue este documentário da média dos filmes do gênero.

As respostas oferecidas são múltiplas.
O diretor busca depoimentos de pessoas próximas.
De admiradores, teóricos franceses, alunos de belas artes.
Cada um fornece uma leitura pessoal e apaixonante do estilo de Glauco.
E ressalta a evolução de seus traços e seus temas ao longo das décadas.
Aos poucos, o longa-metragem efetua um caminho do particular ao universal.
No caso, saindo da história pessoal de Glauco em Bagé.
Para percorrer outras cidades do mundo.
E pergunta sobre a pertinência dessa obra não apenas para o país.
Mas para a história das artes plásticas.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Aspectos Negativos +++

Glauco do Brasil não consegue fugir do tom elogioso.
Inclui depoimentos um tanto exacerbados sobre o talento do pintor.
Com citações do tipo “Tudo que ele toca vira beleza”.
É óbvio que Brito possui grande apreço pelo biografado.
Mas o risco de cair na elegia nunca está muito distante.
O deslumbramento com as obras e a figura de Glauco é evidenciado pela montagem.
E este é o aspecto mais frágil do filme.
É uma pena!
Glauco possui uma obra radical e inventiva.
E esta é agenciada em imagens por uma montagem convencional.
Ela apresenta cidades, como Rio de Janeiro, Roma, Paris.
São pobres vinhetas turísticas ao som de canções famosas.
Um homem e um filme tão interessados no retrato múltiplo da cultura nacional.
Mereciam mais do que uma coletânea de clichês.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Aspectos Positivos +++

Mas os méritos são evidentes.
Incluindo o belo trabalho de som e fotografia.
Com iluminação cuidadosa durante os depoimentos.
Também é preciso aplaudir o fato de a vida pessoal de Glauco ficar em segundo plano.
Interessa ao diretor sobretudo seu trabalho artístico.
Brito ainda encontra espaço para criticar a herança tropicalista.
E o monopólio da música neste cenário cultural que raramente confere espaço ao pintor.
Glauco do Brasil funciona como um belo estudo da trajetória do artista.
Por enxergar seu tema como um pesquisador ao invés de um fã.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco e o Grupo de Bagé +++

Henrique de Freitas Lima registrou em "Danúbio" a trajetória de Danúbio Gonçalves.
O primeiro episódio de uma série que o diretor batizou de Grandes Mestres.
Agora, outro dos integrantes do chamado Grupo de Bagé chega às telas.
Glauco Rodrigues (1929 – 2004).

O filme "Glauco do Brasil" (2015) é um documentário.
Sobre a vida e a obra de um dos maiores artistas plásticos do país.
A direção é de Zeca Brito, realizador gaúcho.
Que estreou no longa-metragem com o drama "O Guri" (2011).
E que atualmente finaliza a ficção "Em 97 Era Assim".

Adaptado de Zero Hora (19/03/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um dos Maiores Artistas Plásticos do País +++

"Glauco do Brasil" ressalta a importância do artista.
Pintor, desenhista e gravador gaúcho.
No panorama da arte brasileira do final do século 20.
Por meio de filmes e imagens de arquivo.
E de depoimentos de especialistas e amigos célebres.
Como Ferreira Gullar, Gilberto Chateaubriand, João Bosco.
Luis Fernando Verissimo e Frederico Morais.
A produção advoga uma posição de centralidade no movimento tropicalista.
E até mesmo um pioneirismo na arte pop brasileira para Glauco.
Um dos fundadores dos clubes da gravura de Bagé e de Porto Alegre.
Esse reconhecimento póstumo teria ganho força com a exposição O Anjo da História.
Individual do artista realizada na Escola de Belas Artes de Paris em 2013.
Com curadoria do teórico francês Nicolas Bourriaud – um dos entrevistados do filme.

Adaptado de Zero Hora (19/03/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Diretor Zeca Brito e Glauco +++

Zeca Brito é diretor artístico do Festival Internacional de Cinema da Fronteira.
E revela no começo de "Glauco do Brasil" ligação precoce com o sujeito de sua obra.
Uma das entrevistas que costuram todo o filme.
O realizador gravou com uma câmera amadora em 1998.
Com apenas 12 anos de idade.
Durante o aniversário do pintor, em Bagé – cidade natal de ambos.
O diretor, porém, logo deixa esse viés personalista em segundo plano.
E privilegia a ênfase à relevância do trabalho de Glauco Rodrigues.
Artista que se destacou primeiro como cronista visual da lida do homem do campo gaúcho.
E que mais tarde, já morando no Rio, traduziu em imagens e metáforas vigorosas.
A contraditória geleia geral da cultura nacional.

Adaptado de Zero Hora (19/03/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" – Temática do Pintor +++

O artista plástico Glauco Rodrigues (1929-2004).
É autor de uma obra única.
Que teve início com gravuras próximas ao realismo socialista.
E culminou com uma espécie de pop art tropicalista.
Ainda é menos (re)conhecido no Brasil do que deveria ser.
Para aqueles que pouco sabem sobre sua obra, eis a oportunidade.
O documentário "Glauco do Brasil", de Zeca Brito.

Gaúcho de Bagé, Glauco começou a desenhar e pintar na cidade natal.
Inspirado pelos ideais socialistas e pela estética soviética.
Passeou por diversos estilos.
Nos anos 60, passou uma temporada na Europa.
Teve contato com o que surgia de pop art americana.
E sua obra tomou a face pela qual ficaria mais conhecida.

A pintura de Glauco inspira-se no movimento americano.
No entanto, é tanto temática quanto esteticamente única.
A pop art se traduziu com uma mistura insólita de elementos da brasilidade.
Aguçados por um grande senso crítico e político.
Recriações de trechos de pinturas brasileiras clássicas.
Misturam-se a pássaros e vegetação exuberantes.
Garotas na praia de Ipanema e soldados da Polícia do Exército.
Fazem o contraponto que resume os dilemas brasileiros das décadas de 60 e 70.

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Andy Warhol e Glauco Rodrigues +++

Dos anos 50 à redemocratização, as pinturas de Glauco traçam um quadro.
Ao mesmo tempo alegre e inquietante da nossa realidade.
Triste às vezes, debochado e ácido quase sempre.
Andy Warhol eternizou as sopas Campbell.
E Glauco Rodrigues retratou os militares durante a ditadura.
É… Cada cultura tem seu ícone...

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco - Reconhecimento no Exterior +++

Em 2013, Glauco acabou recebendo reconhecimento no exterior.
Com a exposição "O Anjo da História".
Na Escola de Belas Artes de Paris,
Reconhecimento maior e melhor do que que costuma ter no Brasil.
Quer coisa mais brasileira do que isso?

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco do Brasil - O Documentário +++

Para realizar o filme, Zeca Brito partiu de uma gravação da infância.
Em 1998, aos 12 anos de idade, era um estudante, também de Bagé.
E entrevistou Glauco com uma câmera amadora.
Esse primeiro registro é retomado.
E acrescido de outras entrevistas de arquivo do próprio pintor.
E de conversas com amigos, personagens retratados, colecionadores e críticos.

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Aniversário de 70 Anos de Glauco Rodrigues +++

O jovem Zeca Brito tinha apenas 12 anos de idade.
E foi com a família ao aniversário de um vizinho, em Bagé.
O aniversariante era o pintor Glauco Rodrigues.
Ele comemorava 70 anos.
Aproveitando a ocasião, Zeca levou sua câmera amadora.
E registrou uma rápida conversa com Glauco.
Questionou-o sobre o trabalho, a dimensão da obra.
E coletou conselhos para um artista em formação.
Tanto o próprio realizador-mirim.
Quanto qualquer outro que tivesse acesso a essas imagens.

Pois bem, nascia ali o documentário "Glauco do Brasil".
Dezoito anos depois, ganha enfim às telas de cinema.
E pelo resultado, percebe-se que toda essa espera valeu à pena...

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Cineasta Zeca Brito +++

Mais do que um cineasta, Zeca Brito é um agitador cultural.
Envolveu-se com cinema desde muito cedo.
É responsável pelo Festival Internacional de Cinema da Fronteira.
Esta acontece há quase uma década em sua cidade natal, Bagé.
Muito próxima das divisas com o Uruguai e com a Argentina.

Zeca também é responsável por uma série de curtas.
Alguns deles premiados no Brasil e no exterior.
E pelo longa de ficção "O Guri" (2011).
A história de um menino que vira lobisomem na Campanha gaúcha.

Como se percebe, ele está atento às diversas manifestações artísticas.
Sem preconceito de gênero ou estilo.
Seguindo essa linha, ele se aventura no registro documental.
"Glauco do Brasil" cumpre bem sua missão.
De resgatar a vida e a obra do biografado (1929-2004).
E também se revela inquieto o suficiente para ir além do esperado.
Demonstra paixão sobre a personalidade pela qual decidiu debruçar sua atenção.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco: De Bagé para O Mundo +++

"Glauco do Brasil" é tudo menos um filme bairrista.
Ainda que fortemente identificado com as cores do Rio Grande do Sul.
Assim como seu personagem fez quando vivo.
O longa parte do sul do Brasil para conquistar todo o país.
E ir além, estendendo-se pelo mundo.

Do Clube de Bagé, do qual fez parte.
Ao lado de outros expoentes como Danúbio Gonçalves e Vasco Prado.
Até sua decisão de morar no Rio de Janeiro.
E o quanto sua obra foi se adaptando a cada um dos cenários.
Passa-se também por suas experiências europeias.
Como as passagens pela Bienal de Paris (1961), de Veneza (1964).
E a influência da Pop Art norte-americana.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Trabalhos de Glauco e Depoimentos +++

O documentário não foge do registro mais tradicional.
Apresenta-se como um mosaico.
Composto por depoimentos alternados por imagens dos trabalhos do artista.
E o material coletado é bastante rico.
Tanto visualmente quanto de informações.
O que estimula o espectador a se aprofundar nesse universo.

Glauco foi praticamente relegado em seu país.
Para se tornar um ícone internacional.
Há relatos captados durante a exposição "O Anjo da História".
Esta ocorreu na Escola de Belas Artes de Paris em 2013.
Tais relatos ajudam a ilustrar essa condição.

Há tantos entrevistados.
Desde críticos e teóricos como Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant’Anna.
Até atores como Stepan Nercessian e Camila Amado.
E a conversa informal com o gigante colecionador Gilberto Chateaubriand.
Filho do próprio Chatô.
E dono da maior coleção de arte brasileira do país, com mais de 7 mil obras.

Ë o testemunho original de um profundo conhecedor sobre a grandeza do artista.
Feito determinante para revelar nossa própria ignorância.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Porta de Entrada a Um Grande Talento +++

Zeca Brito é inteligente também em não tornar seu trabalho cansativo.
Deixa o espectador com gostinho de quero mais.
E há muito ainda a ser descoberto sobre a obra de Glauco Rodrigues.
"Glauco do Brasil" é feliz inclusive em seu título.
Pois indica de partida a importância de sua arte.
Para a construção de nossa identidade nacional.
Revela ainda os momentos conturbados do último século.
Didático quando precisa, dinâmico na medida certa em sua construção.
Tem-se um filme iluminado, colorido e alegre.
Que reflete de forma eficiente as imagens perseguidas por Glauco.
E de produção detalhada.
É um longa que cumpre bem seu objetivo.
Não apenas de servir como resgate.
Mas também como porta de entrada a um dos grandes talentos brasileiros do século XX.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco do Brasil - Depoimentos do Documentário +++

O documentário “Glauco do Brasil” resgata a trajetória de vida.
Além da obra e da carreira do gaúcho Glauco Rodrigues.
O diretor Zeca Brito concebeu e realizou o filme.
Este traz uma narrativa costurada por entrevistas.
Com intelectuais, artistas e críticos de arte.
Como Frederico Moraes, Luis Fernando Verissimo, Ferreira Gullar.
Affonso Romano, Sant'Anna, Nicolas Bourbiaud.
E o colecionador Gilberto Chateaubriand.

Adaptado de Correio do Povo (20/03/2016).

Leonardo Brocker disse...

+++ Um dos maiores nomes do Pop Art da América Latina +++

O fio condutor do documentário são os depoimentos de Glauco Rodrigues.
Um dos principais pintores do Pop Art da América Latina.
Depois de sua morte, em 2004, a obra permaneceu obscura até 2013.
Ocasião da exposição “O Anjo da História”.
Na Escola de Belas Artes de Paris.
Esta apresentou um novo olhar sobre o artista brasileiro.
O teórico francês Nicolas Bourriaud foi curador da exposição.
E descreveu Glauco como um artista esquecido em seu próprio país.

Adaptado de Correio do Povo (20/03/2016).

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Filme Essencialmente Gaúcho? +++

Confesso.
Pensei que assistiria a um filme, digamos, essencialmente gaúcho.
Quando vi que um cineasta gaúcho realizou um documentário.
Sobre o artista plástico igualmente gaúcho Glauco Rodrigues,
Nada contra, mesmo porque somos todos sabedores.
Que os gaúchos se constituem no povo que mais preza suas tradições.
E seus valores regionais.

Enganei-me redondamente.
“Glauco do Brasil” é, sim, um documentário.
Sobre um artista plástico gaúcho.
Realizado por um cineasta gaúcho.
Mas com pegada nacional.

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Vídeo Amador e A Exposição em Paris +++

Zeca Brito é roteirista e diretor.
Neste seu longa de estreia.
E nos prepara, no início do filme, uma simpática surpresa.

Brito muniu-se de uma câmera amadora.
E entrevistou Glauco pela primeira vez em 1998.
Na festa dos 70 anos do artista.
Ou seja, quando tinha somente 12 anos de idade.
E sem ainda ter ideia que um dia seria cineasta.

E não foi uma entrevista qualquer.
O material coletado na ocasião tem qualidades.
E está bem aproveitado no longa.
As antigas fitas ficaram “adormecidas” em alguma gaveta.
Até 2013, nove anos após a morte de Glauco.
Quando o artista passou por uma espécie de “redescobrimento”.
Com parte de sua obra ganhando uma exposição.
Na Escola de Belas Artes de Paris.

Brito percebeu então que era o momento de resgatar.
Não apenas o antigo material.
Como também a importância do artista plástico.

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco, O Tropicalista Renegado +++

Glauco foi também diretor de arte e ilustrador.
E o documentário “Glauco do Brasil” tem o mérito de permitir.
Que a obra do biografado seja de fato o grande objeto do filme.
Suas telas, suas artes gráficas e principalmente suas cores.
Elas explodem na tela do cinema com destaque e vigor.
E permitem que o espectador trave um conhecimento mais próximo de Glauco.
Afinal, este é efetivamente um dos objetivos do filme.
Tentar posicionar o artista no panteão dos grandes Tropicalistas.
Mérito que – segundo os depoentes do documentário – lhe foi negado em vida.
Há até o ensaio de uma espécie de “teoria da conspiração”.
Na qual o gaúcho Glauco permaneceu à margem das badalações da época.
Pelo suposto fato que o Tropicalismo ficou restrito a um grupo.
De artistas e críticos baianos e paulistas.
Talvez a teoria não resista a uma análise histórica mais aprofundada.
Mas esta pequena mágoa é corroborada por alguns depoentes.
Entre eles Luís Fernando Veríssimo.
De qualquer maneira, ficam claras as influências modernistas de Glauco.
Ele incorporou fortemente os elementos antropofágicos.
Criou uma obra claramente Pop.
Misturou santos cristãos com celebridades televisivas.
Cores em profusão.
Textos políticos a siluetas urbanas.
Pitadas de surrealismo.
E uma boa dose de inconformismo.

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Documentário que Efetivamente Documenta +++

A trajetória de Glauco pode ser claramente acompanhada no filme.
Através da evolução de sua arte.
E delineada didaticamente com depoimentos.
Que reúnem de Cecil Thiré e Ferreira Gullar.
De Stepan Nercessian ao já citado Veríssimo.
Além de entrevistas com Glauco em diferentes momentos de sua carreira.
Tudo regado a canções pontualmente escolhidas de João Bosco e Aldir Blanc.
Trata-se de um documentário que efetivamente documenta.
Como digo algumas vezes, brincando, mas nem tanto...

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" (2016) +++

Diretor: Fernando Mantelli
Roteiro: Fernando Mantelli, Tiago Rezende

Áurea Baptista - Paula
Daniel Bastreghi - Vitorino
Rita Guedes - Anita
Eri Johnson - Azevedo
Leandro Lefa - Drogado

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

"Mar Inquieto"

Anita (Rita Guedes) era viciada em drogas.
E teve uma juventude conturbada.
Atualmente vive em uma praia.
Leva uma vida sem propósitos.
E amedrontada pelos próprios medos.
Enclausurada nesse local repleto de lendas.
Sobre demônios e vozes que vem do mar.
Mas o que ela mais teme está dentro de sua casa.
O marido, Vitorino (Daniel Bastreghi).

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Estreia do Diretor em Longas +++

Fernando Mantelli tem uma carreira extensa como curta-metragista.
Com trabalhos – em sua maioria – voltados para o fantástico.
Por isso, não é surpresa que seu primeiro longa passeie pelo gênero.
Embora não finque pé nele.
"Mar Inquieto" é uma mistura de sci-fi, thriller policial, suspense.
Com pitadas de comédia.
Apesar do filme não ter uma coesão neste sentido.
Isso acaba sendo um predicado.
Visto que os caminhos por quais a história se embrenha são insondáveis.
Com algumas boas surpresas e atuações acima da média.
O filme é um esforço interessante para um cineasta estreante em longas.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Sinopse +++

Fernando Mantelli e Tiago Rezende assinam a trama.
Nela, conhecemos Anita (Rita Guedes), uma ex-junkie.
Anita vive um relacionamento conturbado.
Com o explosivo Vitorino (Daniel Bastreghi).
Envolvido com negócios escusos, ele sonha ter um filho.
Mas a cada nova tentativa, uma nova decepção.
Anita toma uma atitude intempestiva e irreversível.
Depois de uma discussão acalorada.
E busca ajuda de Paula (Áurea Baptista), vizinha de confiança.
Para ajeitar a bagunça.
Se não bastasse isto, ela desconfia finalmente estar grávida.
E Hugo (Miguel Lunardi), perigoso comparsa do marido, passa a cercá-la.
Seria hora de ela dar ouvidos às vozes que tanto ouve vindas do mar?

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Suroresas do Roteiro +++

É obrigatório que algumas partes da sinopse sejam vagas.
Na tentativa de não estragar surpresas do roteiro.
De qualquer forma, o desenrolar dos acontecimentos surpreende.
Principalmente pela inclusão certeira do humor negro.
Que advém da participação roubadora de cena de Áurea Baptista.
São pitadas galhofeiras na trama.
Que revelam um senso de autorreferência muito curioso.
Quase como se os personagens entendessem que estão em história fictícia.
Talvez por isso o segundo ato do filme cresça tanto em relação ao primeiro.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Rita Guedes e Referências do Filme +++

Rita Guedes é protagonista e assina a produção do longa.
E entrega uma atuação segura.
Vive uma mulher forte e destemida.
Principalmente quando a trama se concentra no tempo presente.
Em que ela precisa se virar para escapar dos olhos de rapina.
De Hugo e seu capanga (Marcos Contreras).
Mas Rita Guedes não convence da mesma forma.
Quando a trama mostra seu passado junkie.

A dobradinha com Áurea Baptista são os melhores momentos do filme.
Por vermos duas mulheres numa relação que lembra muito Pedro Almodóvar.
É clara a referência à Volver (2006).
Um dos mais elogiados trabalhos do cineasta espanhol.
Também sobram referências ao cinema de Quentin Tarantino.
Pela mistura de referências que Mantelli e sua equipe trazem ao filme.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Esforço da Produção de "Mar Inquieto" +++

"Mar Inquieto" é um produção esmerada.
Que utiliza muito bem o cenário do litoral gaúcho.
E apresenta uma rara e interessante cena em alto mar.
Com um pequeno barco e três personagens a bordo.
Salutar ver como um orçamento limitado.
Não restringe a criatividade ou a vontade de se fazer cinema.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Elementos que Não de Desenvolvem +++

Uma pena os elementos que poderiam ser desenvolvidos.
Mas são jogados e esquecidos pelo roteiro.
Os pontos sobrenaturais são colocados a esmo.
E descartados tão logo são introduzidos.
As lendas e crendices do local poderiam ser aproveitadas.
Mas são apenas citadas em cenas que parecem soltas.
O pretenso envolvimento de Anita com as vozes do mar é mal explorado.
Embora o desenho sonoro destes momentos tenha inegável qualidade.

A cena da carne crua serve como autorreferência.
A um curta anterior do cineasta.
Não é um catalisador plausível à grande virada da história.
Visto que nunca mais retorna à trama aquele gosto culinário curioso.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Mais Acertos que Erros +++

Mas "Mar Inquieto" acerta muito mais do que erra o alvo.
Temos um esmerado trabalho sonoro.
Com a trilha e os efeitos trabalhando nos momentos certos.
Por vezes incomodando propositalmente o espectador.
É ótimo ver um longa nacional que se preocupa em contar a história.
Não apenas com imagens, mas com a ajuda de sons de forma pouco óbvia.
Não raro nos sentimentos desconfortáveis assistindo ao longa.
Principalmente por causa da camada sonora.
Que foi criada para entregar essa atmosfera.
A narrativa não-linear também funciona bem.
E revela informações sobre os personagens.
Ou sobre a trama que em um formato convencional perderiam o impacto.
E, claro, é salutar que acompanhemos uma história.
Encabeçada por uma personagem feminina forte.
Rita Guedes interpreta uma mulher corajosa, mas incompleta.
Alguém que passou pelo diabo no passado.
E só quer começar um capítulo novo em sua vida.
Para isso, no entanto, ela terá de sacrificar pontos.
Que pareciam importantes em sua trajetória.
Algo que se revela o verdadeiro motor do filme.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" (2001) +++

Diretores: Tabajara Ruas e Beto Souza
Adaptado de novela de Tabajara Ruas
Roteiro:
+ Beto Souza;
+ Fernando Marés de Souza;
+ Lígia Walper;
+ Rogério Brasil Ferrari;
+ Tabajara Ruas.

Elenco
+ Werner Schünemann - General Netto
+ Laura Schneider - Maria Escayola
+ Sirmar Antunes - Sargento Caldeira
+ Bebeto Alves - Violeiro
+ José Antônio Severo - Lucas de Oliveira
+ Lisa Becker - Enfermeira Catarina
+ Nélson Diniz - Teixeira
+ Márcia do Canto - Enfermeira Zubiaurre
+ Colmar Duarte - Calengo
+ Ricardo Duarte - João Antônio
+ Araci Esteves - Sra. Guimarães
+ João França - Capitão De Los Santos
+ Tau Golin - Corte Real
+ Arines Ibias - Dr. Phillip Blood
+ Letícia Liesenfeld - Maria Luiza
+ Milton Mattos - Maj. Davi
+ Laura Medina - Enfermeira Pilar
+ Hamilton Mosmann - Maçon
+ João Máximo - Quero-Quero
+ Fábio Neto - Mr. Thorton
+ Gilberto Perin - Padre
+ Miguel Ramos - Frei Bandoleiro
+ Thiago Real - Joaquim
+ Álvaro Rosa Costa - Palometa
+ Oscar Simch - Ramirez
+ Anderson Simões - Milonga
+ Edílson Villagram - Capataz

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" - Prêmios +++

Festival de Cinema de Brasilia 2001
+ Melhor Ator - Werner Schünemann;
+ Melhor Direção de Arte - Adriana Nascimento Borba.

Festival de Cinema de Gramado 2001
+ Prêmio da Audiência - Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro - Tabajara Ruas e Beto Souza;
+ Melhor Montagem - Lígia Walper;
+ Melhor Trilha Sonora - Celau Moreira;
+ Prêmio Especial do Júri - Tabajara Ruas e Beto Souza.

Huelva Latin American Film Festival 2001
+ Mejor Fotografía - Roberto Henkin

Festival de Cinema de Recife 2002
+ Prêmio Gilberto Freyre - Tabajara Ruas;
+ Melhor Roteiro - Tabajara Ruas, Beto Souza, Lígia Walper, Rogério Brasil Ferrari, Fernando Marés de Souza;
+ Melhor Atriz Coadjuvante - Sirmar Antunes;
+ Melhor Direção de Arte - Adriana Nascimento Borba.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" +++

Antônio de Sousa Neto é um general brasileiro.
É ferido no combate na Guerra do Paraguai.
A recuperação é no Hospital Militar de Corrientes, Argentina.
Lá ele percebe acontecimentos estranhos.
Um deles envolve o capitão de Los Santos.
Este acusa o cirurgião de amputar suas pernas sem necessidade.
Netto também reencontra um antigo camarada.
O sargento Caldeira, ex-escravo.
Os dois lutaram na Guerra dos Farrapos, décadas antes.
Com Caldeira, Netto rememora sua participação na guerra.
E o encontro com Milonga.
O jovem escravo que se alistou no Corpo de Lanceiros Negros.
Além do período em que viveu no exílio no Uruguai.

Fonte: Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidades de "Netto Perde Sua Alma" +++

Primeiro longa
É o primeiro longa-metragem dos diretores Tabajara Ruas e Beto Souza.
Ruas encarregou-se da parte escrita e dos atores.
E Souza cuidou das partes visual e técnica.

Filmagem em três etapas
As filmagens de Netto Perde Sua Alma ocorreram em três etapas:
+ setembro de 1999;
+ maio de 2000 e
+ janeiro de 2001.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Netto: História de lutas, amor, aventura e liberdade +++

O filme baseia-se no livro homônimo de Tabajara Ruas.
E recria a complexa personalidade do general Netto.
Ele comandou a cavalaria de gaúchos e lanceiros negros.
E foi orotagonista de dois episódios-chaves da história brasileira:
+ a Revolução Farroupilha (1835-1845) e
+ a Guerra do Paraguai (1861-1866).

Netto era favorável às chamadas liberdades civis.
Embora não tivesse um perfil claramente republicano.
Era contra a escravidão e nunca deixou de exercer sua liderança política.

Apesar de tantas batalhas, o guerreiro encontrou tempo para casar.
Teve duas filhas e cuidou de sua estância em Piedra Sola.
No distrito de Tacuarembó, no Uruguai.

O personagem vive um conflito com sua própria consciência.
E rememora o período da República Rio-Grandense.
Que ele proclamou em 1836, após o combate do Seival.
Lembra também da derrota, do exílio e da solidão.
Enfoques importantes do enredo que se passa no século XIX.

Adaptado de Página do Gaúcho

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" - Livro e Filme +++

A abordagem se liga ao romance "Netto Perde Sua Alma".
O processo de transposição para roteiro cinematográfigo.
E o trabalho de co-direção, com Beto Souza.
Bem como o trabalho de montagem do filme.

O general Antônio de Souza Netto fere-se na Guerra do Paraguai (1861-1866).
E é recolhido ao Hospital Militar de Corrientes, Argentina.
Percebe que ali acontecem coisas estranhas.
E uma noite recebe a visita do ex-escravo sargento Caldeira, antigo companheiro.
Juntos lembram guerras e rebeliões, amigos e inimigos, amores e desafetos.
Rememoram o passado comum durante a rebelião republicana no sul do Brasil.
A conhecida como Guerra dos Farrapos (1835-1845).
A Proclamação da República Rio-Grandense.
E a revolta dos soldados negros, após a guerra.
Na ocasião, ocorre o trágico encontro entre Netto, Caldeira e Milonga.
O jovem escravo alistou-se no Corpo de Lanceiros Negros.

Netto recorda também o exílio em Piedra Sola, no Uruguai.
Ali, conviveu com os fantasmas do passado.
E descobriu o amor, com Maria Escayola.

Agora na cama do hospital, Netto se depara com mais um desafio.
Deve vingar o capitão de los Santos.
Os dois veteranos enfrentam a derradeira batalha.
Naquela noite de surpreendentes revelações.
Unidos por um terrível segredo,

Tabajara Ruas, autor do romance e co-diretor do filme

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto e o Domador de Cavalos" (2008) +++

Direção - Tabajara Ruas
Roteiro - Tabajara Ruas

Elenco
Werner Schünemann - Netto
Tarcísio Filho - Índio Torres
Evandro Elias - Negrinho
Lu Adams - Baronesa
Sirmar Antunes - Alufá de Gabu
Zé Adão Barbosa - Sargento
Marcos Barreto - Cabo
Rogério Beretta - Henrique
Ivete Brandalise - Avó
Denizeli Cardoso - Bonifácia
Fernanda Carvalho Leite - Laura
José Vitor Castiel - Delegado
Júlio Conte - Barão
Aurelino Costa - Secretário
Apolônio Cypriano - Simões de Mobutu
Manoela D'Agostini - Manoela
Renata de Lélis - Clara
Marcelo de Paula - Caldeira
Nélson Diniz - Jaguar
Giovana Figueiredo - Viúva
Dhirley Flores da Cunha - Amâncio
João França - Dr. Fagundes
Arines Ibias - Muçum
Vera Lopes - Gabriela
Milton Mattos - Recabarren
Laura Medina - Verônica
Nico Nicolaiewsky - Catarino
Mislaine Oliveira - Maria
Ian Ramil - André
Miguel Ramos - Capincho
Álvaro Rosa Costa - Álvaro de Cabinda
Anderson Simões - Tomás
Clênia Teixeira - Governanta

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto e o Domador de Cavalos" (2008) +++

Tabajara Ruas assina o longa "Netto e o Domador de Cavalos".
Na sequência de "Netto Perde Sua Alma" (2001).
Uma releitura contemporânea da lenda do Negrinho do Pastoreio.
A mais popular do Rio Grande do Sul.
E conta um pouco da história de Antônio de Souza Netto (Werner Schünemann).
O herói farroupilha.

Na América do Sul de 1835, o Brasil ainda era um império escravocrata.
E o general Netto era um republicano que lutava pela libertação dos negros.
Contra a tirania e a opressão.
Participou de todas as guerras de fronteira no Sul do país no século 19.

A narrativa se passa no início da Guerra dos Farrapos.
Quando Netto descobre que Índio Torres (Tarcisio Filho) está preso.
Índio Torres era um antigo parceiro nas guerras do Sul.
E para libertá-lo, Netto alia-se a escravos rebelados.
Entre eles está Negrinho (Evandro Elias), o melhor cavaleiro da fronteira.

A história do guerreiro deverá ganhar mais um episódio.
Que tem o título provisório de "Netto nos Braços da Moura".
No Festival de Cinema de Gamado de 2001, o primeiro longa ganhou quatro Kikitos.
O prêmio máximo concedido no maior festival de cinema do Brasil.

Adaptado de Guia da Semana

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto e o Domador de Cavalos" (2008) +++

O coronel Netto é um veterano militar dos pampas gaúchos.
E pretende criar sua própria república rio-grandense.
No entanto, seus planos separatistas podem se complicar.
Enquanto ele vaga pelos campos uruguaios.
Pois Torres, seu velho amigo, está preso em um forte militar.
Acusam o domador de cavalos de crimes que não cometeu.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Tabajara Ruas e Os Personagens Históricos +++

Tabajara Ruas é dono de bem-sucedida e longa carreira de escritor.
Ao se aventurar no cinema, concentrou-se em figuras históricas.
Um tanto radicais em seus idealismos.
Mas firmes em suas crenças políticas e convicções ideológicas.
Isso rendeu o belo documentário "Brizola, Tempos de Luta" (2008).
Este mostra a trajetória do líder político Leonel Brizola.
Antes disso, Ruas dirigiu o longa "Netto Perde Sua Alma" (2001).
Em torno do general Antonio de Souza Netto.
Que sonhou com a República.
E não aceitou o acordo de paz entre os farroupilhas e imperialistas.
Optou pelo exílio voluntário no Uruguai.
"Netto Perde Sua Alma" acompanhava o personagem ferido em um hospital militar.
Durante a Guerra do Paraguai.
Divide-se entre suas lembranças da revolução dos farrapos.
E demais passagens de sua vida.

Adaptado de Vlademir Lazo (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ A História de "Netto e o Domador de Cavalos" +++

Quase dez anos depois, Tabajara Ruas retorna ao personagem histórico.
No longa-metragem "Netto e o Domador de Cavalos" (2008).
Mais uma vez, Werner Schünemann interpreta Netto.
Agora, Ruas concentra-se em eventos anteriores aos do primeiro filme.
E mistura História e lenda no outono de 1835.
Às vésperas do começo da Guerra dos Farrapos.
O filme divide a atenção pelo general Netto.
Com outros focos do interesse do diretor.
Na época, NEtto ainda era coronel.
E arregimentava tropas para enfrentar as forças imperiais.
A narrativa passa-se nos antigos Campos Neutrais.
Ali, animais e pessoas habitavam um lugar perdido no mundo.
Na fronteira com a Banda Oriental (atual Uruguai).
Netto vai para lá à procura de um domador de cavalos.
Mas sua intenção é resgatar um antigo companheiro de armas.
Índio Torres (Tarcisio Filho) está preso num forte ermo.
Ali, uma pequena guarnição pretende manter a ordem.
Em tempos de idéias “perigosas” pelo prenúncio de revolução.

Adaptado de Vlademir Lazo (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Domador de Cavalos e O Negrinho +++

O prisioneiro é mantido sob tortura no cativeiro.
E é forçado a revelar nomes que está decidido a não entregar.
Enquanto isso, Netto anda pela região.
Com a ideia de formar um grupo de escravos rebelados.
Para primeiro libertar o domador de cavalos.
E depois aderir à revolução que está por vir.
Toma contato com a gente do local.
E assiste às corridas de cavalos.
Nelas, encontra o barão de gado da região.
Ele aposta em um de seus escravos, o Negrinho (Evandro Elias).
Ginete celebrado na fronteira.

Adaptado de Vlademir Lazo (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ Negrinho do Pastoreio e Abolição da Escravatura +++

Tabajara Ruas ata as pontas do seu filme.
E une as histórias de "Neto e o Domador de Cavalos".
Com as belas tomadas que filmou nos campos do Albardão.
Na região do Taim, que serviu como locação.

A história do Negrinho é a transposição de um conto.
Do imaginário gaúcho.
A fábula do Negrinho do Pastoreio.

Mas Ruas não se limita a contar folclore e lenda.
A dramaturgia decorre de uma linha dramática ficcional.
Que surge a partir das veracidades do registro histórico.
Ruas evita um olhar folclórico e exotizante.
Que se deslumbra com a exibição da cultura do sul.

O próprio general Netto sempre foi cercado por uma lenda.
E estaria envolvido com os mistérios do Cerro do Jarau.
Mas um dos personagens centrais do filme desmente o mito.
E a história do Negrinho vira uma alegoria.
Sobre a situação dos escravos antes da abolição.

Adaptado de Vlademir Lazo (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ As Inconformidades de Netto +++

Netto é um veterano das guerras na Cisplatina.
O conflito pela posse do Uruguai.
Quer uma república.
E é um eterno inconformado com a situação política do Brasil.
Na época, o único país da América do Sul sob o jugo de um Império.
E que mantinha os negros como escravos.

"Neto e o Domador de Cavalos" também desconstrói um mito histórico.
O de que no RS a escravidão foi mais branda do que no resto do país.

Adaptado de Vlademir Lazo (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Western Rio-grandense +++

A exasperação desse mundo diegético culmina no clímax.
Diante do ataque dos rebeldes à casa do estancieiro.
Mas o filme era só o começo de uma triste epopéia.
Esta levaria à morte gente de ambos os lados.
Em um conflito que estava apenas começava...

O povo assombra-se pela perspectiva de uma guerra nova.
E vemos seqüências de tiroteios e duelos com armas brancas.
Enquanto contemplamas as planícies enormes e campos abertos.
Que remetem à vaga idéia de um western rio-grandense.

Adaptado de Vlademir Lazo (Cineplayers)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” (2015) +++

Elas são bem diferentes.
Adri acabou a faculdade de artes.
Mas vive naquele limbo posterior à formatura.
Perdida entre a terapia e um bico em uma livraria.
Além das conversas com o único amigo.
Mona é uma arquiteta sem neurose.
Com planos, dinheiro e uma turma cheia de parcerias.
Então, as duas se conhecem, ao acaso.
Na escada de um prédio comercial de Porto Alegre.
Uma paixão, com a cidade de fundo.
E o vento soprando os dias.
Entre a primavera e o inverno.
Entre o céu azul e o algodão das nuvens.
Elas redescobrem que a intimidade tem seus encantos.
Nove meses. Nove escadas. E nove estações de amor.

Duração: 1h47min
Diretor: Fabiano de Souza
Redação: Fabiano de Souza

Elenco:
Carina Dias (Mona)
Miriã Possani (Adri)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” +++

Escrito e dirigido por Fabiano de Souza.
Estrelado por Carina Dias e Miriá Possani.
A produção acompanha nove meses do relacionamento de duas mulheres.
Iniciando pelo final de semana em que elas se conhecem.

"A ideia era fazer um filme com intensidade que reverberasse a alma apaixonada.
Um filme que vibrasse com cores, diálogos e músicas.
Embebido de melodrama, musical, comédia, cinema íntimo, existencial.
Com alegria e tristeza no último volume", explica o diretor.

A música original foi composta por Frank Jorge.
Inspirada nos primeiros filmes do mestre francês François Truffaut.
"Me ajude a lembrar" é uma canção de clima sessentista.
E ganhou um videoclipe produzido pela Rainer Cine.

Adaptado de Roger Lerina, Zero Hora

Leonardo Brocker disse...

+++ Festival de Gramado 2015 +++

Éneas de Souza debateu ideias do livro “Trajetórias do Cinema Moderno”.
Depois, o público dirigiu-se ao Palácio dos Festivais.
Para assistir ao filme “Nós Duas Descendo a Escada”.
Eis o novo longa-metragem Fabiano de Sousa, filho de Eneas.
O filme participou da Mostra de Longas Gaúchos (não competitiva).

E conta o amor homoafetivo entre duas mulheres.
Uma arquiteta e uma jovem recém-formada pela Faculdade de Artes.
E gerou uma brincadeira com o título do longa de 107 minutos:
“Azul é a Cor Mais Morna”.
Uma referência ao filme do franco-tunisiano Abdelatif Kechiche.

Há muito sexo no filme de Fabiano.
Mas não tão explícito e intenso quanto o poderoso longa.
Que conquistou, dois ou três anos atrás, a Palma de Ouro em Cannes.

Fabiano concebeu O filme antes de “Azul é a Cor Mais Quente”.
Mas como veio, cronologicamente, depois, a comparação será inevitável.
As duas protagonistas do filme são talentosas.
Principalmente a que interpreta a jovem recém-formada.

O forte e poético registro da cidade de Porto Alegre nos cativa.
Em especial, em seus edifícios e escadarias.

A leveza da câmara de Bruno Polidoro é o que o filme tem de melhor.
É tributária dos filmes da Nouvelle Vague, em especial os de Rohmer.

Mas falta força ao roteiro.
Fato agravado por uma direção de arte excessiva e fashion.

Adaptado de Maria do Rosário Caetano, Revista de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Emociona Menos do que Poderia +++

É a primeira comédia romântica brasileira protagonizada por duas mulheres.
Diz o material publicitário de "Nós Duas Descendo a Escada".
O longa foi escrito e dirigido por Fabiano de Souza.
Mas não é plenamente bem­sucedido.
Apesar da representatividade, sempre bem­vinda e necessária.

O filme alterna tiques habituais do cinema gaúcho contemporâneo.
Com uma bela e intensa história de amor.
"Nós Duas Descendo a Escada" emociona menos do que poderia.
Apesar do ótimo trabalho das atrizes, Miriã Possani e Carina Dias.

No início é como "Azul É a Cor Mais Quente", de Abdellatif Kechiche.
Com cenas de sexo entre Adri (Possani) e Mona (Dias).
Depois lembra "Amores Urbanos".
A surpreendente estreia de Vera Egito no longa­metragem.

A semelhança com o filme de Kechiche está:
+ no erotismo homossexual feminino visto por um olhar masculino;
+ na impressão de que as duas atrizes mereciam direção mais criteriosa.

Trata­se de uma obra de cinéfilo.
Há a referência ao "Nu Descendo a Escada", de Marcel Duchamp.
Tem alusões a filmes de Godard, a"Casablanca", a longas de Arnaldo Jabor.
E uma homenagem a Carlos Reichenbach, falecido em 2012.

Alguns momentos são fortes, como a despedida no aeroporto.
O choro da pessoa amada é uma das coisas mais tristes do mundo.
Mas no geral o filme é bem irregular.

Adaptado de Sérgio Alpendre, Folha de São Paulo

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica Cine Pop +++

Me ajude a lembrar quantas declarações de amor eu falei.
Como nosso amor começou?
"Nós duas descendo a Escada" chega diretamente de Porto Alegre.
Uma das gratas surpresas do universo cinematográfico brasileiro deste ano.
Dirigido pelo cineasta Fabiano de Souza, é um leve e bonito conto moderno.
Que fala sobre o amor entre duas mulheres de maneira cativante.

A trilha sonora do filme é belíssima.
Às vezes um pouco demasiada demais para algumas sequencias.
Porém com força o suÒciente para se destacar.
Sem incomodar na maior parte do tempo.

Na trama, conhecemos Adri (Miriã Possani), uma jovem cheia de sonhos.
Em um encontro inusitado, acaba conhecendo Mona (Carina Dias).
Uma carismática mulher por quem se apaixona perdidamente.
Assim, suas semanas nunca mais serão as mesmas.
Os dias mais intensos.
Sempre em busca de fugir da tal da solidão longe de seu grande amor.

Basicamente, as idas e vindas de um amor entre duas jovens.
Completamente diferentes.
E que encontram no amor a poesia das metáforas do cotidiano.

Referências à sétima arte, ao mundo das artes, à literatura.
O roteiro navega em águas categóricas para criar suas interações.
Em alguns momentos parece que estamos vendo declamações de poemas.
Uma espécie de licença poética impactante em meio à trama.

A história é contada de maneira cronológica.
E não deixa de ser objetiva.
Há uma grande sacada para a fluidez da.
A personalidade, bem distanciada, das duas protagonistas.


A bicicleta como carruagem.
Um manual para despedidas.
Cartazes de filmes,
um drink bate igual a três quando se está sozinho.
Quem não quer um final feliz pra sua história?

O longa também fala sobre a saudade.
A única palavra que tem tradução somente no português.
E nesse sentimento que só nós temos a tradução.
É onde o filme navega por águas melancólicas com subidas e descidas.
Estas podem tocar alguns, outros não.
Mas que sempre conta com a força cênica e talentosa.
De duas atrizes que dão luz à esse belo conto de amor.

Adaptado de Rafael Camacho

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica da Revista Veja +++

O drama brasileiro "Nós Duas Descendo a Escada" acompanha nove meses do romance.
Entre a tímida Adri (Miriã Possani) e a vulcânica Mona (Carina Dias).
Com uma caprichada seleção de temas musicais.
As atrizes convencem sobretudo nas cenas de intimidade à flor da pele.
Apesar do enredo singelo.

Adaptado da Tiago Faria

Leonardo Brocker disse...

+++ "Vermelho é a cor mais quente" +++

A trama lembra a de um dos filmes mais marcantes desta década.
O francês "Azul é a cor mais quente" (2013).
Mas a história tem brilho próprio.
Conta paixão entre a jovem e inexperiente Adri (Miriã Possani).
E a segura e determinada Mona (Carina Dias).

Este é o segundo longa-metragem do cineasta Fabiano de Souza.
Ele estreou em 2010 com "A última estrada da praia".
Depois de dirigir ótimos curtas.
Como "Um estrangeiro em Porto Alegre" (1999).
E especialmente "Cinco naipes" (2004).

Os cabelos loiros de Mona são como os azuis de Emma.
A personagem de Léa Seydoux no filme de Abdellatif Kechiche.
A metáfora de um novo mundo que se descortina para Adri.
Espécie de Adèle a flanar hesitante pelas ruas da Capital.

Fabiano de Souza as filmou durante nove meses.
E apresenta o arco da relação, estabelecido nesse período.
Em capítulos correspondentes a cada mês do relacionamento.
Esses entrechos não são fechados em si.
Mas funcionam isoladamente.
Em parte por conta da elaboração do roteiro em meio às filmagens.
Os intervalos funcionam como grandes elipses narrativas.
E cada um dos mergulhos na intimidade das duas têm as próprias revelações.
Geralmente sobre temas usuais das relações.
Ciúme, possessão, renúncia a projetos pessoais em nome da parceria.

Trata-se de uma maneira inventiva de apresentar os clichês dos romances.
O que já vinha prenunciado pela escolha de duas personagens do mesmo sexo.
Mas a maior força do filme está na maneira de abordar o tempo nesse contexto.
O próprio diretor assina o roteiro.
E a organicidade deste é semelhante à de "Boyhood" (2014).
Ainda que o período destacado pelo longa gaúcho seja bem menor.
Na comparação com o ensaio sobre o amadurecimento de Richard Linklater.
Nós duas... é, também, um filme sobre o crescimento.
Mais de Adri do que de Mona.
Mas fundamentalmente do que Adri vivenciou desde que conheceu Mona.

Miriã Possani dá conta do desafio.
Adri tem seu olhar doce e inseguro.
E ao mesmo tempo, movimentos de quem domina plenamente o espaço cênico.
Vale conferir seu trabalho corporal no curta "Escotofobia".
Ou ainda em "Nua por dentro do couro".
E na série "Notas de amor", disponível na Netflix.

Há muito sexo em "Nós Duas Descendo a Escada".
E classificação etária 16 anos, o que é adequado, embora surpreendente.
Dada a polêmica da insana censura imposta (e depois revogada) a Aquarius.

O que prejudica um tantinho a fruição é a literariedade de certos diálogos.
Que vai de encontro ao naturalismo que marca todo o projeto.

As escadarias aparecem constantemente.
Em geral como cenário dos passeios das duas personagens.
E fazem parte de uma visão singular de Porto Alegre.
Que só o observador mais perspicaz é capaz de ter.
Ponto para o diretor e seu fotógrafo, Bruno Polidoro.

O título menciona que o casal está "descendo".
Isso não significa necessariamente pessimismo.
Nós duas... mostra os altos e baixos do namoro.
E não apenas uma coisa ou outra.
É no primeiro ato que Adri usa um vestido vermelho marcante.
Mas é esta a cor do relacionamento entre ela e Mona.
Da primeira à última sequência.

Adaptado de Daniel Feix, Zero Hora

Leonardo Brocker disse...

+++ "Nós Duas Descendo a Escada" - O Filme +++

Na França, o azul até pode ser a cor mais quente.
No Rio Grande do Sul, o vermelho parece dar este tom.
De acordo com o belo "Nós Duas Descendo a Escada".
É o que nos mostra o vestido de Adri.
Logo que ela adentra uma festa estranha.
Com gente esquisita – aos olhos dela, ao menos.
Todos torcedores do time de futebol Internacional.

Eles saúdam a escolha da cor do vestido.
Enquanto a jovem busca por todos os lados a real razão de estar ali.
Mona, uma mulher de cabelos loiros e curtos.
Com atitude libertária em seus modos.
E uma irresistível paixão por viver o agora.
Juntas elas passarão nove meses intensos.

Ao cabo deste tempo, será que o amor perdura?
As diferenças serão empecilhos?
E as escadas?
Serão enfrentadas de mãos dadas?

Além de dirigir, Fabiano de Souza escreve o roteiro do longa-metragem.
E o fez de forma diferente, assim como se deu a execução das filmagens.
A ideia foi realizar duas diárias por mês, em um período de nove meses.
Para conseguir capturar o passar do tempo daquele casal de namoradas.
A troca de estações, etc.

Existia um argumento no início.
Com a ideia geral do longa descortinada ali.
E o roteiro ia sendo criado a cada novo mês.
Assim como as filmagens iam se desenrolando.
Com isso, "Nós Duas Descendo a Escada" ganhou um caráter mais aberto.
Mais ao sabor dos ventos.


Na trama, Adri (Miriã Possani) vive um período de estagnação na vida.
Formada em artes, trabalha em uma livraria, sem muitas perspectivas.
Deixa o consultório psiquiátrico.
E se vê obrigada a descer as escadas do prédio.
Ali, conhece a bela Mona (Carina Dias).
Deste encontro fortuito surge um convite para uma bebida.
Este logo descamba para uma apaixonada transa no apartamento de Adri.

A partir daí, vemos momentos do relacionamento do casal a cada novo mês.
E somos informados do que acontecia no Brasil e no mundo.
Através de recortes de jornais e músicas de Pop Rock.

O que mais chama a atenção é a relação do casal principal.
Existe paixão ali.
Assim como existe muita insegurança, possessão e ciúme.

A construção deste relacionamento é um dos acertos do filme.
Por conseguir transmitir um senso de verdade naquele casal.
Ajuda o fato de Possani e Dias estarem seguras nos papéis.
Em personagens que pedem muita entrega.

Os diálogos, por vezes literários demais, atrapalham um pouco.
Quando pensamos no naturalismo que o filme parece buscar.
Mas em boa parte das vezes, as atrizes conseguem suplantar.
O desconforto de textos mais rebuscados.
E se saem bem.


Adaptado de Rodrigo de Oliveira, Papo de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Nós Duas Descendo a Escada" - Trilha e Fotografia +++

"Nós Duas Descendo a Escada" se revela quase um musical.
Cada novo mês acaba servindo como um segmento.
E uma música dá o tom do que veremos naquele trecho.
Canções de Graforréia Xilarmônica, Nei Lisboa, Frank Jorge, Júpiter Maçã.
Elas constroem a trilha sonora, com regravações ou versões originais.
Os cenários de Porto Alegre encaixam com cada uma das canções.
Méritos da montagem de Milton do Prado.

O roteiro acaba por apresentar alguns problemas.
Talvez por ter sido construído de forma aberta.
Com uma ou outra revisão maior, poderiam ser sanados.
Um deles é a falta de um grande conflito.
Em um filme romântico o casal principal sempre se separa.
Para que, ao final, retome ou não o relacionamento.

As razões do rompimento do namoro surgem de forma intempestiva.
Como uma necessidade da trama.
Podemos acreditar que as duas guardavam mágoas há tempos.
E que explodiram naquele momento.
Uma construção melhor destas angústias resolveria este problema.

Há também a inclusão de personagens que aparecem e desaparecem.
Isso parece mais descuido do que intenção.

Plasticamente é belo.
Com a sempre competente fotografia de Bruno Polidoro.
Reforça o tema do amor sem barreiras e sem fronteiras.
"Nós Duas Descendo a Escada" é um esforço interessante.
De um realizador criativo.
Que usa de sua cinefilia para preencher a boca dos personagens.
Com citações saborosas.

É certo que existem arestas a serem aparadas.
Mas em seu segundo longa, Fabiano de Souza mostra um trabalho intenso.
Por vezes divertido, outras vezes emocionante.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira, Papo de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Os Senhores da Guerra" (2012) +++

Diretor - Tabajara Ruas
Roteiro - José Antônio Severo e Tabajara Ruas
Adaptado de novela de José Antônio Severo

Elenco
André Arteche - Carlos Bozano
Rafael Cardoso - Júlio Bozano
Leonardo Machado - Ramón Díaz
Marcos Breda - Major Soveral
Marcos Verza - Tenente Brinckmann
Felipe Kannenberg - Capitão Ulisses Coelho
Sissi Venturin - Cecília Assis Brasil
Elisa Brittes - Maria Clara
Andréa Buzato - Dona Minina
Hique Gomez - Borges de Medeiros
Sirmar Antunes - Orfilla
Lizandro Belloto - Capitão Kleemann
Régius Brandão - General Honório Lemes
Alexandre Cardoso - Fortunato
Apolônio Cypriano - Raimundo
Evandro Elias - Tenente Ferico
Dhirley Flores da Cunha - Cabo Toeniges
Pirisca Grecco - Tenente João Candido
Danny Gris - General Zeca Netto
Maria Inés Rocca - Ines
Rodrigo Ruas - Tenente João Castelhano
Luíza Surreaux - Luiza
Fernando Zandonai - Capitão Muratori

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Os Senhores da Guerra" - Sinopse +++

Narra a história verídica dos irmãos Julio e Carlos Bozano.
Jovens da elite gaúcha, no início do século XX.
Cultos e unidos por profunda amizade.
Mas que se enfrentam em lados opostos na guerra civil de 1924, no RS.

Julio, chimango e legalista, é prefeito de Santa Maria.
E recebe a missão de impedir o avanço das tropas do líder da oposição.
No caso, do general Zeca Neto.
De quem Carlos, maragato e revolucionário, é secretário particular.

Os guerreiros carregam sonhos e esperanças em meio ao turbilhão da guerra civil.

O destino coloca o líder comunista Luiz Carlos Prestes entre os irmãos Bozano.
No surpreendente desfecho da batalha no Passo da Cruz.
Onde eles provam que a fraternidade é a mais forte das bandeiras.

Adaptado do site "Os Senhores da Guerra".

Leonardo Brocker disse...

+++ "Os Senhores da Guerra" +++

Sem pressa nem ânimo,
O drama de época reconstitui a história real de dois irmãos gaúchos.
Vividos por André Arteche e Rafael Cardoso.
Eles lutam em lados opostos na Revolução de 1923, no Rio Grande do Sul.
O folhetim vistoso, com produção cuidadosa, falha no ritmo.
Não é nada envolvente.

Adaptado de Tiago Faria (Veja)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Os Senhores da Guerra" +++

É uma típica produção épica gaúcha.
Que vez ou outra atravessa as divisas estaduais.
E estreia em outras regiões.
Após o Festival de Gramado.
No caso, o do ano passado.

Tabajara Ruas escreve e dirige.
A partir de romance homônimo de José Antônio Severo.

Adaptado de Alysson Oliveira (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ Grandiosidade, Filosofia e Política +++

O longa aspira a uma grandiosidade desde o início.
Com sua grandiloquência, câmera lenta.
Narração redundante e afins.

“Eu sempre acreditei no ideal positivista.
Como a religião da humanidade”.
Diz o protagonista Julio Bolzano (Rafael Cardoso).
Ainda no início do longa.

Com toques de filosofia e política, tudo meio perdido.
Logo depois dessa fala, outros personagens discutem.
Sobre o que seria ser um palhaço positivista.

Adaptado de Alysson Oliveira (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ Chimangos x Maragatos +++

O longa custa a decolar e mostrar o seu tema.
Que é a disputa entre Julio e seu irmão, Carlos (André Arteche).
Cada um de um lado do espectro político.
Depois da revolução de 1923.
Esta separa o estado entre chimangos e maragatos.
Ou seja, governistas e revolucionários.
Julio, que se elege prefeito, é chimango.
Enquanto Carlos, maragato.

Adaptado de Alysson Oliveira (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ Falas pomposas e carregadas no sotaque +++

"Os Senhores da Guerra" tem apuro formal exagerado.
E olho para os detalhes na direção de arte, figurino e fotografia.
Mas traz atores que parecem desconfortáveis declamando.
É essa a palavra, um texto que não lhes pertence.
Que parece tirado do rodapé de livros de História do ensino médio.
E é permeado por um melodrama de dois irmãos rivais.
Cujos ideais representam cada lado da guerra civil.
Que aconteceu no estado do RS entre 1923 e 1924.

Julio diz, a certa altura, ao irmão:
“Tu sabes que podemos nos encontrar no campo de batalha”.
E o outro responde:
“Então vamos deixar nas mãos de Deus”.
O primeiro, então, replica:
“Sou ateu. Acredito na ditadura científica, no positivismo”.
Não é preciso ser vidente ou acreditar na ditadura científica,
Para saber qual será o destino dos irmãos.
Se não esse “profetizado” por Julio.

Mas são quase duas horas de música incessante.
Narração reiterativa.
Falas pomposas e carregadas no sotaque.
Até que isso aconteça.
Ao som de uma música que repete o refrão:
“São dois irmãos, mesmo sangue, pela guerra divididos”.
Haja chimarrão!

Adaptado de Alysson Oliveira (Cineweb)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde sua Alma" e "Os Senhores da Guerra" +++

André Arteche espelha sua cena em "Netto Perde sua Alma" (2001).
Na primeira aparição em "Os Senhores da Guerra".
Ambos filmes com direção de Tabajara Ruas.
O ator surge correndo, trôpego, emboscado por seu algoz.
Tanto naquela produção quanto neste filme mais recente.

Em "Netto", Arteche encontra seu destino final.
Na ponta da lança de um lanceiro negro.
Em "Os Senhores da Guerra", sobrevive após levar um tiro no rosto.
Disparo que o deixou com grande cicatriz e sem parte dos dentes.

De figurante, Arteche virou protagonista.
Nos treze anos que separaram estas duas produções.
E Tabajara Ruas evoluiu como diretor nas cenas de batalha.
Conseguindo suplantar qualquer tipo de limitação.
E entrega convincentes conflitos.
A direção de arte mantém-se primorosa, cheia de detalhes e esmero.

Uma pena que estes cuidados sejam desperdiçados.
Pois o filme, ao final da sessão, não consegue dizer a que veio.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Trama de "Os Senhores da Guerra" +++

Temos os irmãos Julio (Rafael Cardoso) e Carlos Bozano (Arteche).
Eles estão em lados opostos na guerra civil que ocorre no RS em 1924.
O primeiro, chimango legalista, é prefeito de Santa Maria.
E ambiciona suceder Borges de Medeiros no Palácio Piratini.
Para isso, deve liderar sua tropa contra os insurgentes.
Dentre eles, seu irmão, um maragato revolucionário.
Que pretende lutar ao lado de Luiz Carlos Prestes.
Contra o governo vigente.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ História gigante para um filme apenas +++

José Antônio Severo e Tabajara Ruas assinam o roteiro.
Este baseia-se no livro de Severo.
Eles conceberam originalmente como dois filmes.
No caso, Passo das Carretas e Passo da Cruz.

Esta informação é importante.
Para entender os problemas narrativos do longa-metragem.

É notável que muita coisa está faltando no longa.
Muito da coesão necessária para se construir um bom trabalho.

A motivação de personagens seria melhor explicada.
Com mais tempo para o seu desenvolvimento.
Mais precisamente, a viúva que se entrega aos braços de Carlos.

Tabajara Ruas teve de cortar o que podia.
Para conceber uma produção de 124 minutos.
E, sem perceber, acabou sabotando seu próprio trabalho.

Talvez dois filmes até fosse pouco.
Com uma história gigante como essa.

"Os Senhores da Guerra" poderia tirr proveito da linguagem televisiva.
E virar um seriado, exibido em algum canal de tevê.
Talvez essa fosse a melhor saída.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Atores Jovens e Consagrados +++

Tabajara Ruas usa um número gigantesco de talentos do RS no elenco.
E se dá ao luxo de oferecer pequenos papéis a atores conhecidos do público.
Como Zé Vitor Castiel, Zé Adão Barbosa, Nelson Diniz, Hique Gomes e Miguel Ramos.
Eles passeiam brevemente pela tela.
Sem poder mostrar muito do que são capazes.
Ao contrário do lado mais jovem do elenco,
Este ganha a árdua tarefa de levar o filme nas costas.
É o caso de André Arteche, Rafael Cardoso, Leonardo Machado e Felipe Kannenberg.
Alguns atores em franca ascensão.
Conseguem demonstrar evolução em seus trabalhos.
Quando não são prejudicados pela montagem.
Como na batalha final entre Machado e Kannenberg é inexplicavelmente picotada.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Lado Positivo de "Os Senhores da Guerra" +++

"Os Senhores da Guerra" pode ter muitos problemas.
Mas também possui qualidades que merecem ser destacadas.
As belas paisagens gaúchas são predicados incontestáveis.
Assim como a pegada épica que Tabajara Ruas dá ao seu filme.
E a vontade de mostrar um importante trecho da história do país.
Notam-se boas intenções.
E o esmero do cineasta em construir seu trabalho.
As lutas e o preparo dos atores.
Eles se viram muito bem em cima dos cavalos.
Estes são detalhes que também impressionam.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Lado Negativo de "Os Senhores da Guerra" +++

O que faltou foi cuidado maior na construção dos planos.
Existem quebras de eixo gritantes.
E movimentos de atores dentro do quadro.
Estes lembram as temíveis novelas mexicanas.
Também falta coesão na trama.
Até para que pudéssemos mergulhar na história contada.
E realmente nos importarmos com o que acontece com os dois irmãos.

Por um lado técnico, "Os Senhores da Guerra" é superior.
Ao primeiro longa de Ruas, "Netto Perde Sua Alma".
Mas pela narrativa, este novo filme perde feio a batalha.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

Tabajara Ruas filma segunda parte do épico "Senhores da Guerra"

Uma estrada poeirenta leva ao set.
De "Os Senhores da Guerra: Parte II — Passo da Cruz".
A segunda metade do épico de Tabajara Ruas.
Sobre dois irmãos da elite gaúcha.
Que lutaram em lados opostos na sangrenta Revolução de 1923.

A equipe de mais de uma centena de técnicos.
E outras tantas de figurantes.
Instalou-se na fazenda de Rodi e Renato Borghetti.
Às margens da Lagoa dos Patos.
E encena as grandiosas batalhas entre chimangos e maragatos.
Os primeiros, discípulos de Borges de Medeiros.
O então presidente do Estado.
Os oposicionistas tinham um líderados:
Joaquim Francisco de Assis Brasil.

ZH encontrou um clima, paradoxalmente, de tranquilidade.
Lá para as bandas da Barra do Ribeiro,
Consequência do estilo de seu diretor.

"Mas tinha que ver como estava isso aqui pela manhã.
Com a ventania e a chuva de granizo que caiu".
Diz a produtora-executiva, Ligia Walper.
Referindo-se ao temporal que quase levou embora as tendas do set.
Na terça-feira da semana passada.
Horas antes da chegada da reportagem.

Adaptado de Daniel Feix (ZH - 12/05/2013)

Leonardo Brocker disse...

As Locações e O Elenco de "Os Senhores da Guerra"

O filme é uma adaptação do romance homônimo de José Antônio Severo.
Sim, o filme, no singular.
Tabajara explica que se trata de um único projeto, dividido em duas metades.
Ele será empacotado, para lançamento, em mais de um formato.

"O roteiro foi pensado a partir de arcos dramáticos.
Eles permitem a finalização na forma de dois longas de uma hora e meia cada um.
Para lançamento nos cinemas e em DVD.
E também de seis episódios de 30 minutos.
Adequados às grades das emissoras de televisão" — afirma o diretor.

Senhores da Guerra: Parte I – Passo das Carretas foi rodado dois anos atrás.
Será finalizado simultaneamente a esta segunda parte.
Tem locações em Canela, Bento Gonçalves, Garibaldi, Caçapava do Sul e Porto Alegre.
Além das filmagens no Recanto dos Borghetti.
A sequência mais marcante na Capital será rodada na Igreja das Dores.
Com quase metade dos mais de 800 figurantes cooptados pelo projeto.

Os atores Rafael Cardoso e André Arteche encabeçam o elenco.
Este conta ainda com dezenas de rostos conhecidos da produção local.
Entre eles Sirmar Antunes e Marcos Breda.
E participações especiais, como a do músico Pirisca Grecco.
Todos integrantes do núcleo chimango.

"Mas eu sou maragato de coração" — responde o ator Marcos Verza.
Ao receber a saudação do repórter, dirigida ao seu personagem.

"Rapaz, estamos levando um pau desgraçado neste segundo filme" — ele brinca.
E volta a incorporar a persona de soldado chimango.
"No primeiro, nós demos mais porrada do que levamos.
Mas agora a coisa está bem mais difícil".

Adaptado de Daniel Feix (ZH - 12/05/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Senhores da Guerra” nos Cinemas +++

Chega aos cinemas nesta quinta-feira “Senhores da Guerra”.
Filme dirigido por Tabajara Ruas, premiado por “Netto perde sua Alma” (2001).
Anteriormente o foco foi na Guerra dos Farrapos.
Agora é no período da revolução de 1923 no Rio Grande do Sul.

Baseado no livro homônimo de José Antônio Severo.
O longa mostra que as divergências políticas podem resultar em divisões.
Não apenas de compatriotas e amigos, mas até de membros de uma mesma família.
Inspirada em fatos reais, a narrativa resgata o caso de dois irmãos.
Carlos (André Arteche) e Julio (Rafael Cardoso), da família Bozano.

Um é chimango e legalista, optando pela manutenção do governo.
O outro, maragato e revolucionário, deseja um novo regime.
A tensão cresce até que ambos vão se encontrar em um campo de batalha.
A questão é: um matará o outro se for preciso?
A diferença de posicionamentos ideológicos precisa chegar a este ponto?

Exibido em 2014 no Festival de Cinema de Gramado, o filme levou dois Kikitos:
O Prêmio Especial do Júri e o Prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante para Andrea Buzato.
A versão que chega às telas tem 10 minutos a menos do que a vista em Gramado.
Isso tornou o longa mais dinâmico.
A produção teve filmagens em 11 municípios gaúchos.
No elenco, estão grandes nomes.
Como o saudoso ator Miguel Ramos (1948-2014) em um de seus últimos trabalhos.

Adaptado de Correio do Povo (15/09/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" (2016) +++

Diretor: José Pedro Goulart
Roteirista: José Pedro Goulart

Elenco
Patricia Selonk - Mãe
Eucir de Souza - Virgílio
Larissa Tavares - Beatriz
Camila Vergara - Maria Helena

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" +++

Ênio (Sandro Aliprandini) tem quase quinze anos.
E precisa lidar com a chegada da vida adulta que se aproxima.
Enquanto tenta superar os traumas da infância.
Que incluiam acreditar em fantasmas.
Coisa que ele não faz há muito tempo.

Na sua vida pessoal, age de ponte entre a mãe (Patrícia Selonk).
Ela acredita nesses espíritos.
E o pai (Eucir de Souza).
Uma figura apática dentro de casa.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero": Volta de José Pedro Goulart a Gramado +++

José Pedro Goulart é responsável por um clássico brasileiro.
O curta-metragem "O Dia em Que Dorival Encarou a Guarda" (1986).
O diretor retornou ao Festival de Gramado quase 30 anos depois.
E apresentou seu primeiro longa, "Ponto Zero".
Cercado de expectativa, o filme lotou o Palácio dos Festivais.
Era único representante do RS na mostra competitiva em 2015.
Ao final da sessão, aplausos tímidos e muito silêncio.
Mas isso é necessariamente ruim?
A verdade é que o silêncio do público nasce do impacto do que assistiu.
E não do descaso com a obra...

Adaptado de Lucas Salgado (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero": Um Longa Impactante +++

"Ponto Zero" está longe de ser uma obra perfeita.
Possui problemas, alguns deles graves.
Mas não é uma obra que o espectador vai assistir sem consequência.
O longa é impactante.
Tanto do ponto de vista visual quanto do ponto de vista narrativo.
Conta com um trabalho marcante de direção de arte (Valéria Verba).
E de desenho de som (Kiko Ferraz e Christian Vaisz).

Adaptado de Lucas Salgado (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero": Os Conflitos do Filme +++

Ênio (Sandro Aliprandini) é um jovem adolescente.
É vítima de bullying no colégio.
E também não consegue se soltar em casa.
Muito tímido, tem dificuldades em lidar com a chegada da puberdade.
Começa a se interessar sexualmente por garotas.
Sem saber como lidar com isso.

Ao mesmo tempo, vê a mãe sofrendo com a constante ausência do pai.
Um radialista que trabalha até altas horas da noite.
Ela acaba exigindo que Ênio a faça companhia na ausência do pai.
Dá ao menino a responsabilidade.
De suprir uma ausência que não seria dele.

Adaptado de Lucas Salgado (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero": A Mãe, O Pai e O Filho +++

A personagem da mãe é importante no desenvolvimento de Ênio.
Mas a atuação de Patricia Selonk é um pouco fora de tom.
E cai muito pro melodrama.

Já Eucir de Souza se sai muito bem na pele do pai.
Entrega pelo menos um diálogo extraordinário.
Onde contesta a necessidade da família.
De que todos estejam juntos o tempo todo.

Mas o grande destaque da obra é sim Aliprandini.
Ele desenvolve um personagem complexo.
Que é frágil.
Mas não ao ponto de incomodar e afastar o público.

Ênio não tem amigos.
E convive com problemas na família.
Decide por ir atrás de uma garota de programa.
Essa situação irá desencadear em uma série de problemas...

Adaptado de Lucas Salgado (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - A História +++

"Ponto Zero" conta a história de Ênio (Sandro Aliprandini).
Um adolescente de 14 anos sufocado pelos desafios do amadurecimento.
Tanto em casa quanto na escola.
Onde não é exatamente um dos garotos mais populares.
O pai, um radialista (Eucir de Souza), é rude.
E nem sempre está presente.
A mãe (Patricia Selonk) sofre com a frieza e a grossura do marido.
No meio dos dois, o guri se vê assombrado.
Pelos sinais de que a vida adulta está chegando.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - Porto Alegre e Quebra da Narrativa +++

Belas e surpreendentes imagens de Porto Alegre contextualizam a trama.
Especialmente aquelas que enfatizam a sensação de inadequação do jovem.
Tanto à cidade em que vive quanto à família à qual pertence.

Certa noite, Ênio pega o carro escondido para ir à Avenida Farrapos.
Provavelmente ao encontro de uma prostituta.
Ali, há uma quebra da estrutura narrativa.
Um acidente transforma a experiência de rebeldia em pesadelo.
As resoluções não são menos impactantes para o espectador.
Pelo contrário....

"Essa fase da vida é significativa.
Muitas coisas que acontecem nos marcam para sempre.
E o que é mais interessante: ainda não sabemos lidar com essas coisas.
Daí o porquê desse estilo calado, silencioso do Ênio", explica Goulart.
"Mas gosto de pensar "Ponto Zero" como um filme sobre o amadurecimento.
De maneira geral, e não apenas sobre a juventude".

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" nos Cinemas +++

"Ponto Zero" Participou do Festival de Gramado de 2015.
De lá saiu com dois troféus (melhor montagem e som).
E entrará em um circuito cada vez mais hostil ao cinema nacional.
À exceção das comédias populares da onda de "globochanchadas".
São raros os longas que dispõem de tempo e espaço para encontrar seu público.

Goulart prefere não reclamar:
"Vamos devagarinho, estreando primeiro em algumas cidades, depois em outras.
O filme é diferente do usual, mas as reações a ele têm sido muito boas.
O público age como se tivesse deparado com uma boa surpresa.
Com respeito e aquele jeito de quem sai um tanto impactado. Que siga assim".

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica: "Ponto Zero" Fala de Amadurecimento com Lirismo +++

Chama-se Ênio o jovem protagonista de "Ponto Zero".
Longa dirigido por José Pedro Goulart.
O personagem encarnado pelo ator Sandro Aliprandini passeia de bicicleta.
Em certo momento, a câmera o flagra vagando em meio a carros e ônibus.
Que trafegam em marcha ré.
Como se tentasse avançar em uma Porto Alegre que anda para trás.
Em seguida, ele pedala na própria sala de aula, entre as classes.
Sem que nenhum colega ou professor o veja.
De repente, efeitos visuais transformam o céu em chão, e o chão, em céu.

É esse o clima: Goulart aposta na força das imagens.
Algumas lúdicas, todas representativas do turbilhão que acomete o garoto.
Para retratar uma inadequação que é típica da idade.
Mas que se vê potencializada pelo contexto que o cerca.
Ênio sofre bullying na escola. Seu
pai (interpretado por Eucir de Souza) é ausente.
E a mãe (Patricia Selonk), tão afetada por essa ausência quanto o jovem.
E acaba por descarregar nele a frustração do relacionamento com o homem.
Há momentos em que o guri desejaria ser invisível.
Noutros, sente-se na contramão do mundo à sua volta.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - Comunicação sem Diálogos +++

O jeito tímido e introspectivo do jovem protagonista é a chave.
Para o cineasta abdicar de diálogos.
Estes seriam reiterativos.
O diretor aposta naquilo que as imagens são capazes de comunicar.
Bem como no excelente desenho de som de Kiko Ferraz e Chrístian Vaisz.

É uma abordagem madura da linguagem cinematográfica.
O que pode parecer improvável em um primeiro longa.
Porém possível em função da experiência do diretor.
Há três décadas dedicado a curtas, filmes comerciais.
E outras produções audiovisuais, para a TV ou o cinema.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - Transição para a Vida Adulta +++

Ênio sai de casa com o carro do pai.
Num ato de libertação e rebeldia adolescente.
Aí o realizador usufrui de liberdade ainda maior.
Para moldar a narrativa de Ponto Zero.
Está tratando de amadurecimento.
De deixar a infância para trás e encarar os próprios medos.
O que, no fundo, é um processo subjetivo.
Mais adequado que seja apresentado com elementos que não a fala.
Que seria a externalização de seus sentimentos.
Sua experiência em direção à vida adulta é traumática.
E até barulhenta.
Mas seu desabafo, no fim das contas, é silencioso.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - Coerência Formal e Lirismo +++

Valéria Verba é responsável pela direção de arte.
Léo Henkin, pela trilha.
Elas são exemplares
Ao adotar soluções simples, mas sofisticadas.

"Ponto Zero" é um grande filme.
Com sua coerência formal e seu lirismo surpreendente.
Uma das melhores notícias do cinema gaúcho nos últimos anos.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 25/05/2016)

Leonardo Brocker disse...

"Ponto Zero" - Juventude Conectada e Solitária

"Ponto Zero" foi o único filme de DNA gaúcho na disputa de longas-metragens.
No 43º Festival de Gramado, em 2015.
E começou como uma grande surpresa.
Por sua requintada fotografia.
E por sua narrativa de silêncios sufocantes.
Mas se afogou, lá pelo meio, em sua fome de mesclar referências.
E em buscar uma voz crítica em relação a desajustes sociais.
Foi uma das projeções mais aplaudidas.
Não por bairrismo.
Mas pela lufada pop ventilada pela direção de José Pedro Goulart.
Em seu olhar sobre uma adolescência nova, alienada em celulares.
Mas acossada pela solidão, como sempre.
O requinte não abafa os traços de desgoverno na narrativa.
Que mesmo se perdendo, conseguiu comover e fazer pensar.
O que se vê na telona é uma espécie de episódio do Snoopy.
Com um Charlie Brown gauchesco numa vida de cachorro.
E a comparação não é um desdém: a HQ de Charles M. Schulz é filosofia pura.
Embalada para menores e maiores.
Goulart tentou algo nessa linha e teve acertos.

Adaptado de Rodrigo Fonseca (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - Boas Atuações e Desvio da Rota +++

Goulart pilota a trama.
De um adolescente de 14 anos, Ênio (o ótimo Sandro Aliprandini).
Este tenta buscar uma saída para sua angústia.
E seu desejo ao ser oprimido diante dos conflitos amorosos entre seus pais.
Interpretados por Patricia Selonk e Eucir de Souza.
Este tem um desempenho vigoroso.
E levou Gramado a gargarejar ódio por seu personagem.
Um radialista grosseirão e adúltero.
Mesmo com boas atuações, o longa se desvia de sua rota inicial.
E acaba desperdiçando uma fauna de tipos cheios de inquietações.
Mesmo assim, o trabalho de seu fotógrafo, Rodrigo Graciosa, merece um Kikito.

Adaptado de Rodrigo Fonseca (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Diretor José Pedro Goulart +++

Um garoto preso dentro de si mesmo.
E à beira de um abismo emocional.
Este é o protagonista de "Ponto Zero".
Longa de estreia do cineasta José Pedro Goulart.
Zé Pedro realizou os primeiros curtas nos anos 1980.
Em parceria com Jorge Furtado.
Como "O Dia em que Dorival encarou a Guarda", de 1986.
Que ganhou a mostra competitiva nacional do Festival de Gramado.
Zé Pedro teve a experiência inicial em projeto de maior duração.
Ao dirigir um dos episódios de "Felicidade É..." (1995).
Projeto coletivo com Furtado, Cecílio Neto e José Roberto Torero.
Levou mais de 30 anos, para se arriscar sozinho num desafio maior.
E pelo que se vê na tela, a demora foi mais do que justificada.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Claustrofobia Familiar +++

O novato Sandro Aliprandini interpreta Ênio.
Descobriu-se o ator em uma notícia de jornal.
Ênio vive o que poderia ser chamado de “claustrofobia familiar”.
Ele está, literalmente, no meio do fogo cruzado.
Provocado pela crise no casamento dos pais.
A mãe, de comportamento instável e dependente.
Passa os dias em casa sofrendo calada pelo descaso do pai.
Este se refugia no trabalho e nas amantes.
Para não ter lidar com a falta do amor pela esposa.
O menino é, na verdade, um pré-adolescente.
Que os dois adultos usam como joguete.
Ela o envia para vigiar o marido.
E é chamado para substituí-lo, à noite na cama do casal.
Para que a solidão de um sono desacompanhado não seja tão dura.
Ao mesmo tempo, o homem que deveria ser seu exemplo lhe rechaça.
Pois vê nele tudo que despreza na mulher:
“você deveria fazer algo na vida, não apenas obedecê-la.
Afinal, é um garoto inteligente, ainda que não pareça”,
Grita, em meio a um acesso de fúria, o pai para o filho.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Ponto Zero - Tudo se Transforma +++

Na metade do filme, chegamos, então, ao Ponto Zero.
A partir desse momento tudo se transforma.
E passamos a acompanhar Ênio numa jornada noturna desesperadora.
O jovem, num tolo ato de rebeldia, rouba a caminhonete do pai.
Sai com ela pelas ruas da cidade.
E a chuva que violentamente cai lhe cega.
Como um choro que finalmente é exposto.
Neste desamparo existencial, um acidente acontece.
Um grito de dor.
Um celular que se perde.
Ele não sabe o que fazer.
Nem mesmo a quem recorrer.
Impossibilitado de tomar qualquer atitude, sai em busca de ajuda.
Os tipos com os quais se depara aumentam seu sofrimento.
Um atropelamento, o homem raivoso que o acusa.
Um motorista de ônibus revoltado.
Uma prostituta que decide tomar uma atitude drástica para tê-lo por perto.
As mulheres o atraem, até o momento em que decide rechaçá-las.
O assunto, agora, é de homens.
Dele consigo mesmo.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ponto Zero" - Um Leque de Emoções +++

Eucir de Souza (o pai) e Patricia Selonk (a mãe) estão em performances hipnotizantes.
Mas é no jovem Aliprandini em que nossos olhos se fixam atentamente.
Ao discutir uma situação tão particular, Goulart consegue abrir um leque de emoções.
Repleto de sentimentos escondidos e percepções equivocadas.
Sobre como o mundo se move.
E o tamanho do peso que cada um pode – ou não – suportar.
Contribuem neste processo alguns elementos de efeito arrebatador.
A trilha sonora de Léo Henkin, profunda e soturna.
Ela pontua cada momento com uma força singular.
A fotografia mágica de Rodrigo Graciosa.
Que é hábil em criar imagens encantadoras.
E, ao mesmo tempo, assustadoras.
Ela revela o universo de contradições pelo qual passa o menino.
Há ainda o impressionante trabalho de som de Kiko Ferraz.
Ele é competente o suficiente para nos colocar naquela rua.
Debaixo de toda essa água, e não permitir que nada passe desapercebido.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Ponto Zero - Um Pesadelo Atordoante +++

A maior parte da sua trama é noturna.
E uma das primeiras sequências é um ataque violento de colegas.
Que desprezam o personagem principal.
Mas "Ponto Zero" é um filme que nega essa escuridão.
Ou melhor, é um caminho rumo à luz.
Cada um possui suas próprias dores.
E não discutimos o que levou o pai ou a mãe à situação em que se encontram.
Mas é pertinente tentar entender como o garoto sobreviverá a mais esta noite.
E, principalmente, o quão transformado ele estará após esta passagem.
Em um caminho de cunho extremamente pessoal.
A trama impõe um realismo fantástico em determinadas sequências.
E isto poderia sugerir um encontro quase onírico.
Ou um pesadelo atordoante, que não chega a ser bem resolvido.
Um resvalo no exagero.
No entanto, o que de fato resta são as mãos seguras que surgem.
No último instante.
Para nos puxarmos para cima em busca de um novo fôlego.
Mesmo que estes braços sejam os nossos próprios.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

"Schroeder Liegt in Brasilien"

Diretor: Zé do Rock
Roteirista: Zé do Rock

Participações
Feridun Zaimoglu
Friedrich Ani
Günther Mittermayer
Klaus Hermann Schlichting
Liana Heraldine
Luiz Teixeira
Maria Leda Erich
Naila B. Junqueira
Nicolly
Silvana Rauseo
Sonia Bogner
Suzanna Salles
Zé do Rock

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

"Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" (2016)

Diretor: Paulo Nascimento
Roteirista: Paulo Nascimento

Elenco
Giovana Echeverria - Alicia
Roberto Birindelli - Dr. Jantzen
Carlos Cunha - Italiano
Soledad Villamil - Clarice
Edson Celulari - Vitrio
Héctor Bidonde - Jaime Kauffman
Leonardo Machado - Cleomar

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

"Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" - Sinopse

Vitório (Edson Celulari) é cego de nascença.
E dono de uma pizzaria herdada por seu pai.
No tradicional bairro do Bixiga, em São Paulo.
Vitório é considerado famoso.
Por oferecer a melhor pizza dos arredores.
Vive uma vida feliz.
Com a mulher Clarice (Soledad Villamil).
E a filha Alícia.
Sente que superou todas as dificuldades da cegueira.
E que deu a volta por cima.
Mas descobre que existe a possibilidade de enxergar.
E inicia um conflito consigo mesmo.
Pois vai precisar tomar uma grande decisão.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Preparação da Atriz Soledad Villamil +++

A atriz assistiu uma palestra sobre turismo em Mendonza.
Com os cônsules Karla Beszkidnyak e Carlos César García Baltar.
A palestra ocorreu em novembro de 2015.
E contou com degustação de vinhos e comidas regionais.
Também estiveram presentes diplomatas do Consulado da Argentina.

A atriz Soledad Villamil teve que aprender português.
Para executar suas falas no filme.
Ensaiou durantes três meses.
E teve aulas via Skype.
Com um professor de idiomas e especialista em fonoaudiologia.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Locações de "Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" +++

As gravações duraram dezessete dias.
Ocorreram em Porto Alegre e São Paulo.
E finalizaram em abril de 2016.
Destaque ao Banco de Olhos de Porto Alegre.
Neste Hospital, gravaram cenas em chroma key.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Diretor Paulo Nascimento +++

Já é uma trajetória profícua no audiovisual brasileiro.
"Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" é o sétimo longa-metragem de ficção.
Que Paulo Nascimento realiza desde sua estreia no formato.
Com "Diário de um Novo Mundo" (2005).

Os projetos anteriores no cinema incluem ainda um longa documental.
E na televisão, o diretor gaúcho de 52 anos experimentou diferentes gêneros.
Romance de época, drama intimista, aventura infantojuvenil e thriller político.

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Mercosul cinematográfico +++

Nascimento agora empolga-se com o novo passo que dá.
Para formalizar o que chama de "Mercosul cinematográfico".
Nos últimos anos, afinou um diálogo com países do Cone Sul.
Para a produção e também posterior exibição de seus filmes.
Já filmou em regiões de Chile, Argentina e Uruguai.
E trabalhou com o ator uruguaio César Trancoso em três longas.
Agora, o diretor buscou para seu novo projeto Soledad Villamil.
Estrela do cinema argentino.

"Mandei o roteiro para o empresário dela e cruzei os dedos.
Então me chamaram para falar sobre a proposta.
E isso é raro com artistas desse patamar.
Aí, vi que podia dar certo", conta o diretor.

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...

"Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos"

Nascimento explica que seu filme já nasceu com este nome.
Antes de ele pensar ter no elenco Soledad.
Estrela do sucesso argentino "O Segredo dos Seus Olhos. "
Uma feliz coincidência, garante.
Pois seu título tem a ver com cegueira de Vitório.
O personagem é vivido por Edson Celulari.
E é dono de uma pizzaria no bairro paulistano do Bixiga.
Berço de imigrantes italianos onde se passa a trama.
Corintiano fanático, é casado com a argentina Clarisse (Soledad).
E com ela tem uma filha adolescente (papel da gaúcha Giovana Echeverria).

"O Vitório ficou cego quando criança.
E tem a chance de voltar a enxergar graças a uma cirurgia", diz o diretor.
"Mas a nova realidade cria um impasse existencial nele.
Isto se desdobra no relacionamento dele com a mulher.
O foco do filme não está nas questões médicas e científicas.
Mas sim nas relações de afeto, com drama e um pouco de humor".

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ Portunhol em "Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" +++

No set de filmagem, o "portunhol" é comum.
Pois ali circulam, profissionais argentinos e uruguaios.
Que Nascimento recrutou de seus longas anteriores.
"A Oeste do Fim do Mundo" (2013), "Em Teu Nome" (2010).
E do ainda inédito "A Superfície da Sombra".
Adaptação do livro homônimo de Tailor Diniz.
Realizada na região fronteiriça entre Brasil e Uruguai.

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ Parcerias de "Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" +++

A presença de Soledad, deve ampliar o interesse pelo filme.
"Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos" é orçado em R$ 4 milhões.
E conta com parceiros de peso no cinema brasileiro:
Paris Filmes, Globo Filmes e Telecine.

"Um filme precisa ser pensado para circular por diferentes mercados.
E por múltiplas plataformas", destaca Nascimento.
"Meus longas passam na TV paga.
E os mais recentes foram exibidos em cinemas do Uruguai e na Argentina.
"A Oeste do Fim do Mundo" está na programação das companhias aéreas TAM e LAN.
Em "Teu Mundo..." tenho como produtor associado o (cineasta) Cacá Diegues.
Que também viu no filme um potencial para dialogar com o público.
Todos esses parceiros importantes abraçaram o projeto.
E reconheceram que faz falta no Brasil esse tipo de filme.
Com histórias comuns sobre pessoas comuns".

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ Edson Celulari e O Desafio de Fazer Uma Pizza às Escuras +++

Celulari foi protagonista do primeiro longa de Paulo Nascimento.
"Diário de um Novo Mundo" era um drama de época.
Adaptado da obra de Luiz Antônio de Assis Brasil.
O ator esteve à frente também do seriado "Animal".
Exibido pelo canal pago GNT em 2014.
E apresentado no ano seguinte na Globo como telefilme.

"Conhecer bem o Paulo facilita nosso trabalho no set.
É um cara que domina todo o processo autoral.
Da realização, do roteiro à produção.
E já estamos pensando em outros projetos juntos".

Celulari ganhou em Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos um desafio:

"É o primeiro cego que interpreto.
Novidade que é sempre fascinante para um ator.
Eu me preparei muito nos estudos científicos sobre a cirurgia.
Que o Vitório faz para recuperar a visão.
Assim como nos aspectos físicos exigidos pelo personagem em sua rotina.
Aprendi a fazer pizza vendo os ingredientes.
Mas agora já sei fazer também de olhos fechados (risos)".

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...


+++ Parceria de Edson Celulari com Soledad Villamil +++

"Está sendo uma ótima experiência.
A Soledad vem de uma escola de cinema muito respeitada.
Nós costumamos dizer: 'Olha, como eles são bons.
Como fazem bons roteiros'.
Soledad é uma grande profissional.
Pegou com facilidade os diálogos em português", elogia Celulari.

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 05/04/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Tolerância" (2000) +++

Diretor: Carlos Gerbase
Roteiristas:
+ Alvaro Teixeira;
+ Carlos Gerbase;
+ Giba Assis Brasil;
+ Jorge Furtado.

Elenco
Maitê Proença - Márcia
Roberto Bomtempo - Júlio
Maria Ribeiro - Anamaria
Ana Maria Mainieri - Guida
Nélson Diniz - Teodoro
Werner Schünemann - Juvenal
Márcio Kieling - Ciro
Júlio Andrade - Entregador de Pizza
Roberto Birindelli - Emanuel
Cleo de Paris - Sabrina
Eduardo Fachel - Orestes
Luiz Carlos Magalhães - Juiz
Júlio César Saraiva - Policial

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Tolerância" - Sinopse +++

O filme conta a história de Márcia e Júlio.
O casal confronta suas civilizadas teorias.
Sobre o sexo e a política com a realidade.
E descobrem que ainda são suficientemente civilizados.
Nem eles mesmos, nem o mundo.
Eles pensam em apenas criar seus filhos.
Em um ambiente liberal sem divórcios.
E vivendo um relacionamento aberto.
Márcia é uma advogada bem sucedida.
Ela tem um relacionamento com um amante.
Isso desperta ciúmes em Júlio.
Que resolve ter um caso com uma amiga da filha.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Tolerância" - Trilha Sonora +++

“Amor e Morte” - Dolly
“Como nossos pais” Nei Lisboa & Wander Wildner
“Pela Ciência” interpretada por Tom Bloch
“Bambu” interpretada por Os The Dharma Lovers
“Milonda argonautilus” interpretada por Os Argonautas
“Combo” interpretada por Fu Wang Foo
“Gruvi” interpretada por Flu
“Org” interpretada por Régis San
“Audrey” interpretada por Les Johnson
“Solidão” interpretada por Zzona
“Moviola” interpretada por Space Rave
“Precipício” interpretada por Os Replicantes
“Ugabugababy” interpretada por Irmãos Rocha!
“Apartment Jazz” 1 e 2 interpretada por Júpiter Apple
“Trio Para Violino, Violoncelo E Piano” interpretada por Ex Machina

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Crítica Folha de São Paulo

“A façanha principal de Gerbase é a de ter entrelaçado de modo competente e original
Suas várias linhas de força: o sexo, a política e o crime. (…)
Esse mecanismo de contínua destruição e reconstrução do ‘real’
Faz de TOLERÂNCIA um estimulante exercício de narração cinematográfica.
Que vivifica e problematiza todas as suas dimensões:
A de aventura policial, a de estudo de costumes.
E, principalmente, a de enviesado balanço de gerações.”
(José Geraldo Couto, Folha de São Paulo, 23/10/2000)

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Crítica Zero Hera

“TOLERÂNCIA parte do drama matrimonial do princípio.
E torna-se um suspense eficiente.
Nele, Gerbase usa o recurso da não-linearidade.
TOLERÂNCIA vale o ingresso.”

(Stefan Ligocki, Zero Hera, 31/10/2000)

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Crítica Época

“São quase três filmes em um.
Começa como uma moderna comédia de costumes.
Vira um drama conjugal barra-pesada.
E termina como um suspense bem arquitetado. (…)
O resultado é uma hábil mistura de ingredientes.
TOLERÂNCIA consegue ser despretensioso sem cair na banalidade.”

(Revista Época, 06/11/2000)

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Crítica Cineclick

“Logo se percebe que o filme não vai permanecer no plano das idéias e reflexões.
Pelo contrário, ele vai além, muito além.
Sempre brindando o público com dúvidas e armadilhas perspicazes.
Como deve acontecer num bom drama policial. (…)
Competente e eficiente, o filme envolve e prende a atenção do espectador.
É mais um belo trabalho brasileiro que merece ser conferido na tela grande.”

(Celso Sabadin, revista virtual Cineclick, 06/11/2000)

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Crítica Revista Veja

“A fita, dirigida por Carlos Gerbase é modernérrima.
Tem troca de casais, banda de rock pauleira formada por mulheres.
Poderia ser filmada em qualquer metrópole brasileira.
Exceto por alguns detalhes...
Todos os personagens se tratam por tu.
Até Maitê Proença, que é paulista, aprendeu a chamar policial de brigadiano.
E o personagem de Roberto Bomtempo trabalha com computação gráfica.
E, a certa altura, aparece encarando um chimarrão.”

(João Gabriel de Lima, Revista Veja, 08/11/2000)

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Crítica O Globo

“Tudo se encaixa, tudo se justifica.
Qualidade que todo roteiro quebra-cabeças persegue.
Mas quase nenhum alcança.
Tolerância é um filme afilado na teoria, exemplar na execução.
E, o mais importante, capaz de somar apelo comercial e inteligência.”

(Jaime Biaggio, O Globo, 10/11/2000)

Leonardo Brocker disse...

"Tolerância" - Agência Estado

“Tolerância é um filme muito bem feito.
Implode o conceito de gênero, porque trafega por vários deles.
O que não deixa de revelar outra das preocupações de Gerbase:
Discutir a própria linguagem.
Além de (re)ver criticamente os ideais da geração de 68.”

(Luiz Carlos Merten, Agência Estado, 10/11/2000)

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidade sobre "Tolerância" - Processo Lento +++

O projeto de Tolerância surgiu em 1995.
No mesmo ano, Carlos Gerbase terminou o primeiro tratamento do roteiro.
A partir de então foram necessários 3 anos para a captação dos recursos.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Transcendendo Lynch" (2011) +++

Diretores: Marcos Andrade, Julia Martins
Roteirista: Marcos Andrade

Participações
+ Felipe Cataldo;
+ David Lynch.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Transcendendo Lynch - Crítica

Em agosto de 2008, David Lynch passou nove dias no Brasil.
Divulgou seu livro sobre meditação, "Em Águas Profundas".
Em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.
O registro dessa miniturnê rende um documentário, "Transcendendo Lynch".
Este tem acesso privilegiado à entourage do cineasta.
Mas não vai muito além da tietagem.

A equipe do diretor Marcos Andrade segue Lynch em sessões de autógrafo, palestras.
Em trânsito e em bastidores restritos, como camarins e saguões de hotel.
Há uma distância respeitosa.
A equipe só faz perguntas a ele em alguns momentos.
Como na entrevista individual montada diante de uma cortina vermelha pesada.
Nela, o diretor fala de meditação.

Não há um olhar de repórter, como há, por exemplo, em "Entreatos".
Um olhar preocupado em encontrar na intimidade do ícone um meio de desmistificá-lo.
A intimidade de Lynch aqui são os seus muitos cigarros, fumados em silêncio.
Na verdade, "Transcendendo Lynch" se contenta frequentemente em registrar em áudio e vídeo
As perguntas protocolares feitas por jornalistas que estão cobrindo a turnê.
Nesse sentido, é um documentário não apenas de culto, mas também sobre o culto.

E o culto a David Lynch tem os seus constrangimentos.
É o fã que pede um autógrafo no antebraço, outra na calcinha.
É o inconformado que não entendeu "Cidade dos Sonhos".
Ou o aluno de faculdade de cinema que elabora uma metáfora bem louca.
Que comportaria todo o imaginário lynchiano.
Loucos de palestra existem vários.
E eles parecem se multiplicar neste filme.
A filosofice os fortalece.

Não há vergonha alheia maior, porém, do que a do imitador.
"Transcendendo Lynch" seria um filme de fã indolor.
Com seus efeitos "etéreos".
Como a câmera que se vira para o céu para encerrar o plano.
E com suas coberturas triviais.
Acharam uma barata na parede.
Para cobrir a fala do diretor sobre A Metamorfose.
Não fosse o trecho constrangedor.
Em que Andrade emula um diálogo surreal lynchiano.
Entre o diretor e duas mulheres.

O que torna o cinema de David Lynch singular é que ele não permite a imitação.
Não é preciso se esfolar na meditação pra entender isso.
Um pouco de superego já basta.

Adaptado de Marcelo Hessel (Omelete).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Transcendendo Lynch" - Guia da Semana +++

Em 2008, David Lynch fez uma viagem pelo Brasil.
Percorreu Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.
E realizou palestras em universidades e associações de empresários.
E lançou seu livro sobre Meditação Transcendental (MT).

Durante uma semana, duas câmeras acompanharam o diretor em sua viagem.
Além de outras duas que vieram com o diretor.
Este se mostrou incansável na missão de divulgar o tema.

Em Minas Gerais, Lynch visitou o projeto Cidade dos Meninos.
Ali, a Fundação David Lynch apoia o programa de ensino da Meditação Transcendental.
São mais de dois mil alunos da escola.

Transcendendo Lynch revela seu humor.
E o fervor com que defende a MT.
Como a única forma de trazer paz e bem-estar para os homens.
Especialmente em regiões violentas e socialmente instáveis.

Adaptado de Guia da Semana.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Transcendendo Lynch" - Último Segundo +++

Lynch é autor de filmes como "Cidade dos Sonhos", "Veludo Azul" e da série "Twin Peaks".
Quem procura o cineasta não o encontrará em "Transcendendo Lynch".
O documentário de Marcos Andrade tem como foco a visita de David Lynch ao Brasil em 2008.

Aqui, encontramos o Lynch zen, meditador.
Que divulga ensinamentos, passando longe das bizarrices.
Como a orelha decepada de "Veludo Azul".
A caixinha misteriosa de "Cidade dos Sonhos".
Ou os misteriosos coelhos gigantes de "Império dos Sonhos".

O documentário é um filme honesto.
Propõe-se a acompanhar a viagem do cineasta.
Que passou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Durante o lançamento de seu livro "Águas Profundas: Criatividade e Meditação".

Não deve ser fácil ser David Lynch.
Conversas com o público, em cidades brasileiras, mostram que é preciso ter paciência.
Pois sempre há ao menos meia dúzia de pessoas filosofando sobre seus filmes.
Tentando decifrá-los e explicar o inexplicável.
A cara de diversão do cineasta diz tudo.
Ele parece não estar nem aí, quer mesmo é curtir seu passeio.

A maratona com fãs inclui palestras, conversas.
Tardes e mais tardes de autógrafos a uma fila quilométrica de pessoas.
Os fãs, no entanto, não se contentam com uma assinatura em um livro ou DVD.
Querem mais.
E ele dá: autografa braços, calcinha; oferece um cigarro.

Ouve (aparentemente) atentamente o oferecimento de um roteiro.
E, dentro do carro, saindo do aeroporto, se pergunta: "O que estou fazendo aqui?".

Boa pergunta, Lynch!
E este documentário está aqui para divulgar a meditação transcendental.
É preciso simpatizar com o tema para embarcar na proposta deste filme.

Do contrário, o diretor norte-americano não passará de um chato zen.
Disposto a vender seu peixe.
Curiosamente, as primeiras imagens do filme são peixinhos num aquário...
E nesse caso, é melhor lembrar-se do grande David Lynch.
Aquele que deu ao mundo belos filmes - do contrário, será fácil se entediar com ele.

Adaptado de Último Segundo.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Tumulto de Paixões" (1958) +++

Diretor - Zygmunt Sulistrowski
Roteiristas:
+ Austin Green;
+ Anita Manville;
+ Monica Sulistrowski;
+ Zygmunt Sulistrowski.
Baseado em história de Zygmunt Sulistrowski

Elenco
John Sutton - John Morgan
Richard Olizar - Tom Dooley
Gina Albert - Anna Martin

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Tumulto de Paixões" (1958) +++

Filme com três episódios.
No terceiro Celeneh Costa aparece como uma mulher sedutora.
É acusada de feitiçaria pelas mulheres da região.
E obrigada a voltar para o mar.

Adaptado de Filmow.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" (1970) +++

Diretor - Odilon Lopez
Roteirista - Odilon Lopez
Diálogos por Luis Fernando Verissimo

Elenco
Araci Esteves
Odilon Lopez - Crioulo
Francisco Silva - Magrão

"Com Um Pouquinho de Sorte"
+ Abraão Gabinski;
+ Amélia Bittencourt;
+ Carlos Carvalho;
+ César Magno;
+ Eduardo Braul;
+ Luiz Carlos Magalhães.

"Vida Nova Por Acaso"
+ Angela Grossier;
+ Eny Neves;
+ Jorge Rosa;
+ Luiz Fernando;
+ Margarida Linera;
+ Vânia Brown.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" (1970) +++

"Um é Pouco, Dois é Bom" é um filme de drama brasileiro, de temática urbana.
Produzido e filmado no Rio Grande do Sul.
Mais precisamente, em Porto Alegre, em 1970.
A obra é dividida em duas partes.
Elas contam com diferentes núcleos de personagens.
E estruturas narrativas independentes.
Foi o primeiro longa-metragem brasileiro de diretor negro, Odilon Lopez.
E é o único filme dirigido por ele.
O cineasta também concebeu o roteiro.
E os diálogos ficam por conta de Luís Fernando Verissimo.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Sinopse +++

O filme relata os hábitos e costumes da classe média de Porto Alegre.
No início dos anos 70.
E os conflitos financeiros da realidade em que estão inseridos.
Faz parte de um importante movimento do cinema gaúcho.
Que contempla uma nova fase de abordagem dos personagens.
Rompe com o esteriótipo do gaúcho bucólico.
E traz uma nova imagem à tona: o Gaúcho Urbano.

O longa busca, em contrafluxo, fugir do gauchismo predominante em 1970.
Desfoca-se do cenário dos pampas e ampliando-o a novos horizontes.
Como a cidade grande e o litoral.

A obra do cineasta é considerada, portanto, precursora do cinema urbano gaúcho.
Divide-se em dois episódios: Com Um Pouquinho de Sorte[7] e Vida Nova por Acaso.
E conta com a atuação de Araci Esteves, Francisco Silva e o próprio diretor.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Os Dois Episódios +++

"Com um Pouquinho de Sorte"
O episódio conta a história de um casal modelo da classe média.
A mulher trabalha como comerciante.
E o marido é mutuário do Banco Nacional da Habitação.
O enredo gira em torno da crise pela qual passa o casal.
Após o marido ser demitido.
Não conseguindo assim pagar pela casa em que vivem.
Concomitantemente com a recém chegada de seu primeiro filho.

"Vida Nova por Acaso"
Já o segundo episódio conta a história de dois ladrões recém libertos.
E suas peripécias nada bem sucedidas.
Um deles apaixona-se perdidamente por uma loira de alta classe social.
Envolvendo no filme um amor platônico.
Tentam sobreviver e permanecer longe do encarceramento.
Motivados pela busca do reconhecimento da sociedade gaúcha.
Sem êxito, voltam para o presídio.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Os Dois Episódios +++

A programação da 12ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto vem jogando luz.
A vários casos em que a preservação da memória audiovisual brasileira.
E está atrelada à vontade pessoal de familiares de realizadores.
Isso pôde ser verificado na sessão de abertura, com Desarquivando Alice Gonzaga.
E através da exibição do filme de episódios Um é Pouco, Dois é Bom (1970).
Filme de Odilon Lopez, um dos primeiros negros a dirigir um longa no Brasil.

Vanessa Lopez, a filha, guardou um quadro guardado na casa, em Porto Alegre.
Ele atesta a participação do filme na 2ª Mostra do Cinema Nacional de Gramado.
O evento ocorreu em 1971.
E precedeu a criação, dois anos mais tarde, do tradicional Festival de Gramado.
Também foi em sua residência que Vanessa guardou os arquivos audiovisuais do pai.
Como os rolos do único longa-metragem de ficção realizado por ele.

Um é Pouco, Dois é Bom havia tido sua última exibição pública há 16 anos.
Após a morte de Odilon.
E provocou ótima repercussão na 12ª CineOP.
Por sua experimentação de linguagem e por algumas temáticas.
Como a do racismo, retratadas em plena Ditadura Militar.

“O próprio Francis me disse que o pessoal do Sudeste não conhece o filme.
O trabalho ficou muito restrito ao Rio Grande do Sul.
A impressão é que as pessoas não entenderam o lado crítico do filme na época”, diz Vanessa.

Odilon Lopez foi repórter e cinegrafista da TV Piratini.
E também trilhou carreira como ator de rádio, teatro e televisão.
Seu único personagem no cinema foi em “Vida Nova Por Acaso”.
O segundo episódio de Um é Pouco, Dois é Bom.
Ali ele interpreta Crioulo, um dos protagonistas.
Que realiza pequenos roubos nas ruas de Porto Alegre.
Ao lado do parceiro Magrão.

“Com Um Pouquinho de Sorte” é o primeiro episódio do filme.
Nele, Jorge é um motorista de ônibus.
E Maria, uma comerciária.
Eles se casam e vão residir em um apartamento popular.
Mas a euforia inicial se esvai.
Quando ambos perdem o emprego e ela está prestes a ter um bebê.

Os dois episódios são estruturalmente parecidos.
Com inícios que apostam em uma crônica de costumes.
Mais convencional e bem-humorada.
E com partes finais em que há guinadas formais das mais interessantes.

No primeiro episódio, no momento em que Jorge decide resistir ao despejo.
A filmagem em preto e branco e os ângulos oblíquos
Dão conta da instabilidade emocional do personagem.
E há um paralelo entre sua negativa a abandonar a residência.
E as dificuldades da mulher em dar à luz.
O plano final, com o recém-nascido de ponta cabeça, é muito impactante.
Principalmente quando contraposto ao idilismo sugerido pelas cenas iniciais.

No segundo episódio, a dupla de criminosos sai da cadeia.
E volta a cometer pequenos delitos.
A situação muda quando uma mulher rica se aproxima de Crioulo.
Atraída pela semelhança dele com um antigo conhecido.
A relação amorosa entre eles tangencia o conto de fadas.
Da ascensão socioeconômica.
Mas tudo muda quando o personagem é reconhecido como batedor de carteiras.
Tudo mesmo, inclusive a forma do filme.
Que passa a ter um teor psicodélico.
Com direito a uma diabinha.
Que lembra alguns filmes de Georges Méliès.
E a cenas na praia que remetem ao universo felliniano.

Houve também quem apontasse semelhanças com o filme norte-americano Corra!.
Lançado há pouco tempo nos cinemas brasileiros.
Nos dois trabalhos estão presentes a obsessão voyeurística.
E muitas vezes mal-intencionada de pessoas brancas por negros.
E uma tentativa posterior de restabelecer o status quo.
“É incrível que, 47 anos depois, o filme renda essas comparações.
Isso mostra a originalidade e a atualidade do trabalho”, comenta Vanessa Lopez.

Os rolos do filme ainda estavam na casa de Vanessa.
Depois da exibição em Ouro Preto, devem ganhar finalmente uma preservação apropriada.
Através da Cinemateca Capitólio, em Porto Alegre.
Possibilitando que o trabalho de Odilon Lopez consiga ser descoberto por outros públicos.

Adaptado de Adriano Garrett (Cine Festivais).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Um é Pouco, Dois é Bom" - Cinepop +++

“Com Um Pouquinho de Sorte”
Jorge, motorista de ônibus.
E Maria, comerciária.
Casam-se e vão redidir num apartamento popular.
Ela, grávida, é despedida do emprego.
E ele, sofrendo um acidente, tem o mesmo destino.
Desempregado, o motorista atrasa as prestações do apartamento.
Para fazer um biscate, vira camelô, bicheiro e termina preso.
Solto, sabe que sua mulher está dando à luz.
Quando ele chega em casa, a Justiça aparece com ordem de despejo.
Jorge resiste, enquanto o filho nasce.

“Vida Nova Por Acaso”
Magrão e Crioulo vivem às custas de pungas de bolsas femininas.
Nas ruas centrais de Porto Alegre.
Embora nem sempre sejam bem-sucedidos em seus golpes.
Magrão sonha aposentar-se algum dia.
E Crioulo imagina os dias de fausto.
Em que poderá comer mocotó na volta do mercado.
Numa festa, eles são reconhecidos como batedores de carteira.
A nova vida fica para outra ocasião: retornam à penitenciária.

Adaptado de Cinepop.

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) +++

Diretor - David Quintans
Roteiristas - David Quintans
Adaptação de história de Milton E. Nepomuceno

Elenco
+ Alventino Rocha;
+ David Quintans;
+ Geraldo Del Rey;
+ Ivan Aune;
+ Jaime de Carvalho;
+ José Wood Filho;
+ Loreni Munhoz;
+ Luiz Carlos Neves;
+ Nelson Lima;
+ Pedro Machado;
+ Ricardo Hoepper;
+ Rui Bastide;
+ Suzana Bernhardt;
+ Zeno Ribeiro.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) +++

Em um país imaginário, Hasting se rebela contra seu antigo chefe, Simon.
E concorre contra ele nas eleições.
Porém, de forma fradulenta, Simon consegue vencê-lo.
E Hasting é obrigado a exilar-se.
Ele prepara diversas tentavidas armadas para tentar desbancar Simon.
Sempre alimentando o sonho de ocupar o lugar que deveria ser seu.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) +++

Primeiro filme gaúcho selecionado para o Festival de Cinema de Gramado.
O filme foi banido assim que estreou.
E tornou-se uma raridade do cinema brasileiro.

Adaptado de Filmow.

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) +++

Hasting é o homem de confiança de Simon, presidente da Organização.
E candidata-se às eleições.
Por sentir que o regime não tem condições de sobrevivência.
Sem apoio do povo, Simon se elege fraudulentamente.
Hasting, perseguido, é obrigado a exilar-se.
Do exílio, tenta recuperar a posição que ganhou legitimamente.
Através de várias tentativas armadas.
Tudo fracassa em virtude da infiltração de homens de Simon em suas filieras.
Alguns anos mais tarde, Hasting é atraído à fronteira de seu país por Kramer.
Pois, segundo este, existem armas e homens suficientes para derrubar Simon.
Hasting aceita o plano.
Mas, no local combinado, descobre que se trata de uma cilada para eliminá-lo.
Depois de uma perseguição, Hasting é assassinado e enterrado perto de um rio.
Juntamente com sua secretária.

Adaptado de Cinemateca Brasileira.

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) +++

David Quintans fugiu da Ditadura de Salazar, em Portugal.
E chegou ao Rio Grande do Sul, no início dos anos 1970.
Idealizou uma ficção política inspirada num caso real português:
O assassinato de Humberto Delgado, “o General sem Medo”.

"Um Homem Tem de Ser Morto" entrou para a história, em 1974.
Foi a primeira produção gaúcha selecionada para o Festival de Gramado.
Censurado, acabou lançado apenas nos anos 1980.

Adaptado de Guia 21 - Sul 21.

Leonardo Brocker disse...

+++ Xico Stockinger (2012) +++

Diretor - Frederico Mendina
Roteirista - Frederico Mendina

Depoimentos
+ Bruno Giorgi;
+ Iberê Camargo;
+ José Francisco Alves;
+ Josué Guimarães;
+ Paulo Herkenhoff;
+ Severo Gomes;
+ Xico Stockinger.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Xico Stockinger (2012) +++

O filme acompanha os três últimos anos da vida do artista Xico Stockinger.
A partir da sua relação com o diretor Frederico Mendina durante o período.
Um retrato íntimo, mostrando a metodologia do trabalho de Xico.
Que se tornou um dos maiores escultores brasileiros.
Sua história de vida e obras, até seu falecimento em 2009.
Imigrante austríaco pós I Guerra Mundial.
Naturalizado brasileiro.
E com um sonho frustrado de se tornar aviador.
Xico criou um estilo próprio baseado na fusão de bronze.
Utilizava material reaproveitado.
Às vezes, destruía suas obras para criar novas.
Ele uniu técnica e força dentro de uma profusão de texturas.
E uma economia de cores, sem igual.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Xico Stockinger, de Frederico Mendina +++

O documentário apresenta a história do artista plástico Francisco Stockinger.
Que se destacou como um dos maiores escultores do país.

O diretor destacou que a cultura é um dos principais valores do Brasil.
”Eu acredito muito no Brasil.
Eu acredito muito na produção artística do Brasil.
Faz alguns anos que o principal produto de exportação brasileiro.
Em termos de retorno financeiro.
É a cultura, a arte.
E no entanto só se fala de soja, arroz e trigo”.

Mendina comentou a perda de grandes nomes que merecem ser valorizados.
Mas que não receberam documentários.
E como surgiu a ideia de criar o atual longa.
“Eu conheci o seu Xico, sua família e acabei começando a gerir a ideia”.

Este é o primeiro longa-metragem de Frederico.
Ele falou dos desafios que enfrentou.
“A principal dificuldade é por ser iniciante.
Você não conhece o caminho das pedras.
Depois que você pega o ritmo, não é que a coisa fica mais fácil.
Mas ele não fica mais sofrido.”

“É aquilo que Xico fala.
Se você tem um sonho, ai você vai correndo atrás.
E daqui a pouco está ai, se materializou.
E as pessoas estão compartilhando o teu sonho, conversando sobre ele.
E o teu sonho não é mais teu, ele é público.” finalizou Mendina.


Alex Seixas e Marcos Roberto Heck - Feevale no Festival de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Doc de Muita Personalidade +++

O formato convencional de documentário não rima.
Com a personalidade incomum e inventiva do personagem-título.
Mas o filme, apesar de erros de construção, fascina.
Pelas visões da obra de Stockinger.
E pela riqueza do material de Frederico Mendina.
Um diretor-produtor-roteirista estreante.
Foram três anos de pesquisa e convivência.
Com um dos escultores mais originais da segunda metade do século XX.

Franz (depois Francisco) Alexander Stockinger (1919-2009) nasceu na Áustria.
E, em 1923, imigrou com os pais para o Brasil.
O curioso nome Xico “pegou”.
Porque assim assinava suas caricaturas para jornais.
Antes de descobrir as artes plásticas.
A transformação de Franz em Xico também espelha franca adesão à brasilidade.
E seu amor pelas coisas do país.
Desde as espécies de cactos que descobriu, como pesquisador de botânica.
Ao naipe de nordestinos de corpo subdesenvolvido por gerações de fome.
E apelidados gabirus.
Stockinger expressou revolta ante esse espetáculo sub-humano de invisibilidade social.
E esculpiu as figuras disformes da série “Gabirus”.
Nos anos 1960, o repúdio foi à violência do regime militar.
E originou uma de suas mais expressivas fases, a da série dos “Guerreiros”.

Stockinger recebeu fartas premiações.
E foi prestigiado por encomendas de “arte pública”.
Mas encarou grande lentidão no reconhecimento de seu valor.
De início, o artista foi aeroviário, meteorologista, desenhista de imprensa.
Entre outros trabalhos de sobrevivência até descobrir a arte.
Ele exaltou amizades em esculturas públicas.
Os materiais de arquivo (vídeos, curtas) valorizam o documentário.
Em momentos valiosos com Iberê Camargo e outros.

Adaptado de Ely Azeredo (O Globo).

«Mais antigas ‹Antigas   1 – 200 de 206   Recentes› Mais recentes»

Postar um comentário

 
Free Host | new york lasik surgery | cpa website design