terça-feira, 25 de abril de 2017

Filmes de Longa-metragem em Porto Alegre

São filmes com mais de setenta minutos e dominam as salas comerciais. A cidade de Porto Alegre já serviu de locação a dezenas. O longa-metragem mais antigo que encontrei é uma produção de 1958...

Carina Dias e Miriã Possani, Nós Duas Descendo a Escada
Nós Duas Descendo a Escada

Também tem locações em Balneário Pinhal, Cidreira e Osório.
O filme participou do Festival Internacional Lume de Cinema.
E Fabiano de Souza recebeu o prêmio de Melhor Diretor.

A Última Estrada da Praia (2010)
A Última Estrada da Praia (2010)
  

Ainda Orangotangos (2007) 81 minutos
Gustavo Spolidoro recebeu o prêmio de Melhor Diretor.
Nos festivais internacionais de Lima e de Milão.
Veja as locações do filme em Porto Alegre.
Assista ao filme "Ainda Orangotangos" completo no YouTube.

Ainda Orangotangos (2007)
Ainda Orangotangos (2007)


Alice Diz: (2012) 76 minutos
Uma das locações do filme é a PUCRS.


Castanha (2014) 95 minutos
Tramandaí serviu como locação para as cenas de praia.
O filme recebeu alguns prêmios em Festivais de Cinema:
+ Buenos Aires – Davi Pretto (Diretor e Redator);
+ Las Palmas – João Carlos Castanha (Melhor Ator);
+ Paulínia – Tiago Bello (Melhor Som);
+ Rio de Janeiro – Davi Pretto (Melhor Filme).

Castanha (2014), Davi Pretto
Castanha (2014)


Entrei em Pânico ao Saber o que Vocês Fizeram na Sexta-feira 13 do Verão Passado 2 – A Hora da Volta da Vingança dos Jogos Mortais de Halloween (2011) 82 minutos
Também tem locações em Carlos Barbosa.
Assista ao filme completo no YouTube.


Eu Eu Eu José Lewgoy (2011) 95 minutos
Entrevistas em Porto Alegre e Veranópolis.
Além de Rio de Janeiro e São Paulo.
Depoimentos de Anselmo Duarte, Gilberto Braga, Tônia Carrero.


Gallito Ciego (2001) 89 minutos
Também tem locações em Buenos Aires e Colônia de Sacramento.

Gallito Ciego (2001)
Gallito Ciego (2001)


Glauco do Brasil (2015) 90 minutos
Também tem locações em Bagé, Paris (França) e Roma (Itália).


Mar Inquieto (2016) 98 minutos
Também tem locações em Mostardas e Torres.

Mar Inquieto (2016)
Mar Inquieto (2016)


Netto e o Domador de Cavalos (2008) 95 minutos
Também tem locações em Gravataí e Rio Grande.


Netto Perde Sua Alma (2001) 102 minutos
Também tem locações em Piedra Sola (Uruguai).
E Camaquã, Gravataí, Triunfo e Uruguaiana.


Nós Duas Descendo a Escada (2015) 98 minutos
O título refere-se a uma série de escadas de Porto Alegre.
Há locações em Imbé e no Morro da Borússia, em Osório.
A primeira exibição ocorreu no Festival de Gramado.

Nós Duas Descendo a Escada (2015) - Escada 24 de Maio
Nós Duas Descendo a Escada: Escada 24 de Maio


Os Senhores da Guerra (2012) 90 minutos
Também tem locações em Barra do Ribeiro, Gravataí, Viamão.
Prêmios no Festival de Cinema de Gramado:
+ Melhor Atriz Coadjuvante: Andrea Buzato;
+ Prêmio Especial do Júri: "Os Senhores da Guerra".

Júlio Bozano e Tropas, em 'Os Senhores da Guerra' (2012)
'Os Senhores da Guerra' (2012)


Ponto Zero (2016) 84 minutos
O filme recebeu dois prêmios no Festival de Cinema de Gramado:
+ Melhor Montagem: Federico Brioni;
+ Melhor Som: Christian Vaisz, Gabriela Bervian e Kiko Ferraz.

Ponto Zero (2016)
Ponto Zero (2016)


Schroeder liegt in Brasilien (2009) 95 minutos
Também tem locações em Curitiba e São Paulo.
E Alemanha: Berlin, Husum, Leipzig, Munique e Wismar.


Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos (2016) 96 minutos
Também tem locações em São Paulo.

Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos (2016)
Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos


Tolerância (2000) 100 minutos
Também tem locações em Gramado.
Carlos Gerbase recebeu prêmio de Melhor Filme, em Havana.
E Roberto Bomtempo, o de Melhor Ator, em Miami.


Transcendendo Lynch (2011) 83 minutos
Com locações em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.

Transcendendo Lynch (2011)
Transcendendo Lynch (2011)


Tumulto de Paixões (1958) 82 minutos
Também tem locações em Belém, Fortaleza e Rio de Janeiro.

Tumulto de Paixões (1958)
Tumulto de Paixões (1958)


Um é Pouco, Dois é Bom (1970) 90 minutos
Tramandaí serviu como locação para as cenas de praia.
Luis Fernando Veríssimo escreveu os diálogos.
E o filme possui dois segmentos:
+ "Com Um Pouquinho de Sorte" e
+ "Vida Nova Por Acaso".


Um Homem Tem Que Ser Morto (1973) 85 minutos
Também tem locações em Gramado e Pelotas.


Xico Stockinger (2012) 86 minutos
Também tem locações em Rio de Janeiro e São Paulo.

Xico Stockinger (2012)
Xico Stockinger (2012)

102 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Diretor: Fabiano de Souza
Roteiro: Fabiano de Souza e Vicente Moreno
História Original: Dyonelio Machado

Rafael Sieg - O Desconhecido
Marcos Contreras - Norberto
Miriã Possani - Paula
Marcelo Adams - Léo
Sirmar Antunes - Seu Procópio
Janaína Kremer Motta - Cobradora
Nélson Diniz - Homem em Branco
Girley Paes - Dono do Bar

Festival International Lume 2011
+ Melhor Direção: Fabiano de Souza

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Livre adaptação de "O Louco de Cati", de Dyonelio Machado.
É a história de três grandes amigos, e também amantes.
Leo, Norberto e Paula viajam pelo litoral gaúcho.
E encontram um homem estranho.
Este não fala, e acaba, seguindo viagem com os três.
Juntos, os quatro fazem novas descobertas.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

O livro "O Louco do Cati", de Dyonélio Machado, originou o programa O Louco.
O especial é parte da série "Escritores", uma produção da RBSTV.
Desta série, saiu o longa de Fabiano de Souza "A Última Estrada da Praia".

O enredo traz Léo, Norberto e Paula.
Os três amigos partem para uma aventura pelo litoral gaúcho.
Mas no início da viagem encontram um estranho.
Quem é este homem ninguém sabe, pois ele não fala.
Mas aceitam sua companhia na aventura.
E esta tem como objetivo principal curtir o percurso sem pressa.

O cenário são as areias do sul do país.
Ali, o amigo silencioso se defronta com seus temores.
E Léo, Norberto e Paula esbarram nas fronteiras de um relacionamento triangular.
Juntos, descobrem que por mais que tentem, não é possível ser feliz o tempo todo.

Adaptado de Guia da Semana.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Ficha técnica +++

Direção: Fabiano de Souza
Produção: Aletéia Selonk, Gilson Vargas e Milton do Prado
Produção Executiva: Aletéia Selonk
Direção de Produção: Camila Machado
Roteiro: Fabiano de Souza e Vicente Moreno
Fotografia: André Luis da Cunha
Música: Arthur de Faria
Som Direto: Gabriela Bervian
Desenho de Som: Tiago Bello e Alexandre Kumpinski
Montagem: Milton do Prado
Arte: Adriana Borba
Elenco: Rafael Sieg, Marcos Contreras, Miriã Possani, Marcelo Adams
Financiamento: Fundo Municipal de Apoio à Cultura – FUMPROARTE
Apoio: RBS TV, Link Digital, Cabine Audiolab, Bunker Recording Studio.
Realização: Rainer e Okna Produções

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Leo, Norberto e Paula são muito mais que amigos.
No início de uma viagem para o litoral, conhecem um estranho que não fala.
Os quatro partem num périplo em que o sabor do percurso é vivenciado sem pressa.
Leo, Norberto e Paula mergulham nas fronteiras de um relacionamento triangular.
Enquanto o amigo silencioso se defronta com seus temores.
Nas areias intermináveis das praias gaúchas, descobrem que é impossível ser alegre o tempo inteiro.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" (2010) +++

Inspirado na obra "O Louco do Cati".
Do escritor gaúcho Dyonelio Machado.
A história é uma aventura.
E envolve três amigos e um homem estranho.
Eles viajam pelo litoral gaúcho.
E, juntos, vivem experiências singulares.

O livro foi o combustível inicial para a jornada.
Que mistura um sujeito desconhecido, misterioso, com um triângulo amoroso.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Destaques +++

Iniciou carreira de festivais nacionais em 2010.
E participou de importantes eventos nacionais.
Como o Festival de Cinema de Gramado.
A Semana dos Realizadores.
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

No 1º Festival Lume de Cinema, em 2011, recebeu prêmio de Melhor Direção.

No 4º Festival de Cinema de Triunfo ganhou troféus de:
+ Melhor Direção;
+ Melhor Ator (Rafael Sieg);
+ Melhor Atriz (Miriã Possani);
+ Melhor Som e Melhor Arte.

No FestCine Maracanaú recebeu Menção Honrosa.

No circuito internacional, participou do Festival Du Nouveau Cinema de Montreal, Canadá.

Adaptado de OKNA.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Última Estrada da Praia" - Papo de Cinema +++

A "Última Estrada da Praia" é o primeiro longa-metragem de Fabiano de Souza.
Uma adaptação livre de "O Louco do Cati" (1942).
Romance político de Dyonélio Machado (1895 - 1985).
O filme estrutura-se como um road movie clássico.
Um trio de amigos programa-se para uma viagem sem destino ao litoral do RS:
Leonardo (Marcelo Adams), Paula (Miriã Possani) e Norberto (Marcos Contreras).
Minutos antes da partida, Norberto convida um desconhecido (Rafael Sieg).
E este se junta aos demais na experiência.

O filme surgiu com um curta para a série Escritores, da RBS TV.
Mas "A Última Estrada da Praia" transformou-se em longa.
Quando Rainer e Okna Produções apostaram na complementação do trabalho.
Exemplo de como o cinema brasileiro depende de soluções criativas para existir.

Com isso não é difícil entender a demarcação do filme em dois grandes momentos.
O primeiro, o qual concentra a maioria das cenas de ação.
Desdobra-se a partir do início, quando os amigos encontram o desconhecido.
E partem rumo ao litoral.
O segundo, voltado para cenas de natureza psicológica.
Dá-se a partir da dissolução do grupo.
Com a concentração do foco narrativo.
Sobre os personagens de Contreras e Sieg até o desfecho.

O desenvolvimento das cenas envolvendo o grupo evidencia os principais equívocos.
Se esperarmos que os maiores acertos estejam nas questões menos complexas.
De início, são igualmente estranhos o trio de amigos e o desconhecido.
Espera-se, então, que o roteiro nos ofereça a oportunidades adequadas.
Sejam pelo plano físico (ações e reações) ou psicológico (pensamentos, autoconsciência).
Para que possamos romper o estranhamento com os personagens.

No entanto, a estrutura de blocos viagem-parada-viagem é pouco eficiente.
Ao menos, no que se refere a reforçar as idiossincrasias do trio.
Na mais direta das tentativas, há um esforço insuficiente nesse sentido.
O grupo divide o interior de um ônibus.
Norberto projeta a forma de seu personagem em situações isoladas.
Diferentemente de Leonardo e Paula.
Como quando resolve procurar pelo desconhecido durante a noite.

Apenas a cena de rompimento entre o primeiro e o segundo momento.
Consegue desconstruir com intensidade a linearidade dos caráteres.
Nela, há um forte desentendimento de Norberto com os companheiros.

O recurso de filmar primordialmente com a câmera na mão consegue boas cenas.
E, por vezes, constrói sequências que alçam o filme a um patamar mais elevado.
Por outro lado, o uso indiscriminado perturba a conexão do público com a cena.
Da mesma forma, há os vícios televisivos em enquadramentos.
Como o do rosto da cobradora de ônibus, logo no início.
Eles não colaboram para a fruição do longa.

O segundo momento de "A Última Estrada da Praia"...
Volta-se primordialmente para a relação de Norberto com o desconhecido.
A estridente e excessiva atuação do trio é eliminada.
Em vistas do ganho indubitável de introspecção.
Há uma exigência redobrada das atuações de Contreras e Sieg.
Bem como da direção e do roteiro não parece ser um problema.
Aí, a direção de Fabiano mostra-se mais contundente.
Diante da perspectiva desafiadora de expressar o máximo com o mínimo que
E encaminha o filme ao encontro de seus melhores momentos.

Há a conjunção dos silêncios e da imensidão desoladora das praias.
Elas proporcionam um segmento dramático.
Que culmina no desespero de Norberto ao interpelar seu companheiro.
Pois a relação de cumplicidade entre ambos se funde na mesma necessidade.
Ao buscar salvar-se, Norberto nem imagina que salva também quem o acompanha.

O ponto menos sofisticado desse segundo momento é justamente o final.
Longe de fazer jus à pulsão de vida que encontramos até então.
A decisão de Norberto ao ficar na casa de alguém que conhecera há poucos minutos.
Soa mais como final apressado.
Do que decisão embasada em seu personagem ou em sua busca.

Adaptado de Willian Silveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" (2007) +++

É a história de 16 pessoas no dia mais quente do ano em Porto Alegre.
Uma adaptação do livro de Paulo Scott.

Diretor: Gustavo Spolidoro
Roteiro: Gibran Dipp e Gustavo Spolidoro

Elenco
Karina Kazue - Garota Japonesa
Lindon Satoru Shimizu - Rapaz Japonês
Artur Pinto - Papail Noel
Kayodê Silva - Menino com Camisa do Inter
Janaína Kremer Motta - Garota Morena
Renata de Lélis - Garota Loira
Nilsson Asp - Seu Pedro
Arlete Cunha - Ginger
Roberto Oliveira - Brasa
Marcelo de Paula - Balconista do Armazém
Girley Paes - Idoso
Heinz Limaverde - Jovem Escritor
Rafael Sieg - Professor de Música
Juliana Spolidoro - Menina de Aniversário

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" - Sinopse +++

Porto Alegre, no dia mais quente do verão.
Um casal de chineses cruza a cidade num vagão de metrô.
Doentes e cansados, eles tentam ajudar um ao outro.
Ao mesmo tempo, enfrentam a desconfiança dos passageiros.
E a incompreensão de sua língua.
O chinês vagueia pelos corredores da estação de metrô.
E pelo mercado público da cidade, em busca de ajuda.
É o início de uma série de situações-limite.
Que vivem diversos habitantes da cidade.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" - Crítica Omelete +++

Gustavo Spolidoro desafia a lógica do plano-sequência


Não tem muito como inventar em filmes compostos por planos-seqüência.
É tudo um grande teatro linear cuidadosamente ensaiado.
Com as mudanças de cenas ou narrativas limitadas por obstáculos físicos.
Abra uma porta e você estará em outro lugar.

Felizmente, Gustavo Spolidoro manda às favas tais pré-concepções da técnica.
Ainda que tenha, sim, ensaiado e passado por meses de pré-produção.
"Ainda Orangotangos" é seu longa-metragem de estréia na ficção.
Ao longo de 80 minutos desafia o espaço, o tempo e até as dimensões.
Numa jornada pelo consciente e o inconsciente urbano.

São histórias sem qualquer relação a não ser a proximidade física.
Adaptadas de seis contos do livro homônimo do escritor gaúcho Paulo Scott.
Todas absolutamente insanas, ainda assim possíveis.

O filme é como um trem desgovernado.
Que serpenteia pela cidade de Porto Alegre.
E não por acaso começa dentro de um...
Conforme encontra personagens interessantes, sai dos trilhos.
Em busca de uma história melhor.
Com câmeras digitais de alta resolução perseguindo a novidade.

Cada trama é assim um vagão.
Unido por alguns inteligentíssimos e inventivos truques.
Dignos de um prestidigitador.
Spolidoro salta das ruas.
Para dentro e fora dos sonhos de uma mulher aterrorizada.
Acompanha doze horas de um perfumado desmaio alucinógeno em poucos segundos.
E até acelera o tempo no processo...

De qualquer maneira, vale a visita à Porto Alegre desenfreada de Spolidoro.
seja você adepto da escola de Sergei Eisenstein.
Este culminou na crença de que o cinema é definido pela montagem.
Ou apreciador de outro soviétivo, Aleksandr Sokurov e seu Arca Russa.

Adaptado de Érico Borgo (Omelete).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" +++

Livro de contos de Paulo Scott, poeta e romancista porto-alegrense.
A primeira edição é de 2003.
Uma publicação da editora Livros do Mal, de Porto Alegre.
Em 2007, a editora Bertrand Brasil reeditou o livro.

O livro possui vinte e dois contos.
Todos caracterizados pela brevidade de palavras.
Isso poderia melhor definí-los como mini-contos.
Os personagens são em sua maioria inominados.
Como se estivessem a representar toda a humanidade.
Além do mais são cruéis, grotescos, perversos.
Ou seja, nada agradáveis.

A estranheza também é uma outra tônica do livro.
Como por exemplo no conto que dá título ao livro.
Ele inicia com a seguinte frase:
"Trinta e quatro de agosto".

Vingança, racismo, degradação e doenças, solidão, neuroses.
Todos esses temas permeiam as rápidas histórias do livro.

Gustavo Spolidoro adaptou o livro para o cinema, em 2007.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ainda Orangotangos, de Gustavo Spolidoro +++

"Ainda Orangotangos" aposta em um projeto.
Fazer um filme todo em plano-seqüência.
O ponto de partida não é original.
Ainda assim, demanda uma capacidade de realizar algo.
Além de voltar a atenção ao dispositivo.

O filme teria grande oportunidade de ser irregular.
E naturalmente imperfeito.
E "Ainda Orangotangos" é exatamente isso.
O cineasta optou pela possibilidade da experiência.
Em detrimento do rigor do resultado.

A história dura quinze horas.
O filme, uma hora e meia.
Spolidoro parte de um trem com dois japoneses.
Depois segue um garoto torcedor colorado até um ônibus.
De lá nos vinculamos a outra personagem.
Vamos para um prédio, e a história se segue.

São várias histórias que se cruzam.
A partir do cruzamento entre personagens em trânsito.
Algo como Wong Kar-wai fez nas duas partes de "Amores Expressos".
As histórias não se fecham.
E esses filmes (o de Kar-wai e Spolidoro) terminam em andamento.
Só que tudo isso é feito em plano-seqüência em "Ainda Orangotangos".

Existe um gosto pelo dispositivo do plano-seqüência.
Uma relação com a cidade, seus elementos, personagens e referências.
Culturais em um aspecto mais amplo.
Pessoais de uma maneira mais específica.
Isso resulta em um filme orgânico.

Pode-se comparar "Ainda Orangotangos" a "5 Frações de uma Quase História".
Ambos buscam fazer um inventário pop e uma geografia da cidade.
Em "5 Frações", Belo Horizonte.
Em "Ainda Orangotangos", Porto Alegre.
Com seus referenciais, voluntária ou involuntariamente, nos anos noventa.

Há uma adiferença.
Gustavo Spolidoro sabe exatamente o que quer do seu dispositivo.
Pensa intrinsecamente o que quer contar e como quer contar.
Mmesmo que o resultado, seja muitas vezes, insatisfatório.
"5 Frações" vive uma esquizofrenia.
E um entupimento de informações visuais e sonoras.

Spolidoro está interessado no que está fazendo.
E os eventuais erros derivam de sua opção.
Há problema de ritmo, desarmonia entre registros etc.
Mas existe um gosto pela experiência.
Isso faz com que o filme tenha grandes momentos ao longo de sua projeção.

Adaptado de Francis Vogner dos Reis (Revista Cinética).

Leonardo Brocker disse...

+++ "Ainda Orangotangos" - Papo de Cinema +++

Gustavo Spolidoro é um pioneiro.
É um cara boa praça.
Um ótimo profissional.
E também um artista inovador e criativo.
Tais qualidades estão no seu longa-metragem de estréia.
O curioso "Ainda Orangotangos"...
O primeiro filme feito no Brasil em plano-sequência.
Ou seja, sem um único corte.
São cerca de 80 minutos de ação ininterrupta.
Numa série de eventos encadeados.
Eles compõem um interessante painel sobre sociedade atual.
Não que ele tenha esta pretensão.
É mais como um efeito colateral.
E mais um ponto a seu favor.
Talvez o maior mérito do filme seja justamente a experimentação.

Filmes em plano-sequência não chegam a ser nenhuma novidade.
Alfred Hitchcock fez isso, em 1948, em "Festim Diabólico".
Com séries de planos de aproximadamente 10 minutos.
Eles ligavam-se um ao outro de modo quase imperceptível.
Nas últimas décadas, houve tentativas de repetir Hitchcock.
O próprio Spolidoro já havia se aventurara no estilo.
Nos curtas "Velhinhas" e "Outros".
E agora ele chega ao ápice.
Num projeto que combina técnica, competência.
E, por que não dizer, originalidade.

"Ainda Orangotangos" é a adaptação de seis contos.
Do livro homônimo do escritor gaúcho Paulo Scott.
E trata de diferentes situações limites.
Que personagens aparentemente escolhidos ao léu vivenciam.
Primeiro acompanhamos um casal de imigrantes chineses.
Eles chegam à cidade de metrô.
Deixamos os dois e entramos no Mercado Público Municipal.
Seguimos com um passeio de ônibus.
Um Papai Noel bêbado.
Um casal de namoradas bem abusadas.
Um encontro sexual num apartamento qualquer.
E até uma festa de noivado.
Tudo sem muita explicação nem conseqüência.
Bem como é a vida.
É como se estivéssemos na janela, no trânsito.
Só acompanhando o que acontece no lado de fora.
Ou como se estivéssemos diante de orangotangos.
Ou qualquer outro primata.
Que até tenta racionalizar o que acontece.
Mas termina reagindo de acordo com seus instintos mais básicos.

O trabalho de Spolidoro é moderno sem ser efêmero.
É pertinente sem cair da vala fácil do didatismo.
Consegue se comunicar sem recorrer à clichês óbvios.
Ou recursos já consagrados.
O filme poderia até prescindir do plano-seqüência.
Caso essa não fosse a necessidade estilística do diretor.
Infelizmente, o filme será mais lembrado pelo seu uso.
Do que pelo conteúdo e objetivos.
Mas este, talvez, seja o preço a ser pago pela ousadia.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Ainda Orangotangos - Estadão +++

O filme "Ainda Orangotangos" passou à meia-noite no Odeon.
É o primeiro filme brasileiro feito num único plano-seqüência.
E isso exigiu grande preparação.
Foram gravados seis takes.
Spolidoro escolheu o segundo.
Sei porque o próprio Gustavo me passou um folder.
Nele, há informações sobre a produção.

O filme é bastante ousado.
E não apenas do ponto de vista técnico.
Os personagens são figuras que vivem no limite.
Não sei se foi, pelo adiantado do horário.
Mas não consegui entrar no clima...
Vi o filme muito mais pelo ponto de vista da técnica.
Pensava mais na câmera, no espaço e nos atores.
Do que propriamente nos personagens.
Tive um pouco essa sensação.

Mas o filme é mais interessante que "Nome Próprio", de Murilo Salles.
Disseram que "Ainda Orangotangos" é muito gaúcho.
E por isso gostei mais do que de "Nome Próprio".

Prometo rever o filme do Gustavo.
Mas não me empolgou muito, não...

Adaptado de Luiz Carlos Merten (Estadão)

Leonardo Brocker disse...

+++ Livro "Ainda Orangotangos" - Saraiva +++

"Ainda Orangotangos" é um livro de contos.
Do escritor gaúcho Paulo Scott.
Autor dos volumes de poemas "Senhor Escuridão".

São narrativas curtas, cruéis e verdadeiras.
Que agem como disparos velozes e certeiros.
Relatos nos quais a realidade se rende à estranheza.
E se abre numa mistura do bem com o mal.

José Castello assina o prefácio.
Castello é escritor e crítico literário.
E afirma que 'os contos de Scott perseguem o ser humano.
Ali onde ele é mais humano, e mais desumano também.
Ali onde tudo fracassa e, em meio à derrota,
Num sopro de coragem,
O homem, apesar de tudo, vence.'

Temas desagradáveis são recorrentes na prosa de Scott.
Como epidemias, torturas, obsessões e perversões.
A obra é repleta de uma poesia antilírica.
Tirada do feio e do lúgubre.

'Ainda Orangotangos', prossegue Castello, 'sempre orangotangos:
Homens da floresta virgem, lançados no abismo da origem.
Homens do início, precursores.
Mas também estigmas, fardos a carregar.
Um passado que pesa.'

Os textos de Paulo Scott relatam um mundo observado.
Com as únicas lentes capazes de encarar a realidade.
Os olhos da loucura...

Adaptado de Saraiva.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Alice Diz:" (2012) +++

Daniel é um jovem solitário.
Ele começa um relacionamento online com Alice.
Uma mulher desconhecida.
Ele apaixona-se a ponto da obsessão.
Apesar de nunca ter visto a mulher.
Mas Alice tem um segredo.
A revelação de uma verdade surpreendente envolve Daniel em desespero.
E desencadeia uma série de eventos.
Estes levam os personagens ao longo de caminhos misteriosos e perigosos.
Caminhos dos quais não há retorno...

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Alice Diz:" (2012) +++

Diretor: Beto Rôa
Roteiro: Beto Rôa

Daniela Aquino - Luana
Daniel Colin - Declamador
Daniel Confortin - Daniel
Rafael Guerra - Dr. René
Eugênio Moreira - Dr. Anderson
Cynthia Müller - Paula
Rodrigo Pessin - Ciro
Plínio Marcos Rodrigues - Dr. Alberto
Roberta Savian - Dra. Júlia
Carla Stahl - Garota no Ponto de Ônibus
Catiele Stumm - Mulher-robô
Sissi Venturin - Dra. Aline
André Wofchuk - Reporter (voz)

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa Gaúcho “Alice Diz:” Estreia no Cinema +++

Longa-metragem com custo de R$ 40 mil e produção em Porto Alegre.
Em esquema de mutirão entre amigos.
O filme consegue o que muitos ambicionam: chegar ao público com um lançamento decente.

"Alice Diz:" tem direção de Beto Rôa, estreante em longa.
Rôa, 38 anos, faz parte da turma de gaúchos que se formou nas faculdades de Cinema.
É um grupo que conta, além do estofo teórico, com acesso à tecnologia.
Isso garante às suas produções acabamento profissional.
A favor deles está também o bom circuito alternativo de Porto Alegre.
Com programadores atentos e interessados em apoiar a produção audiovisual nacional.

O diretor graduou-se no Curso de Realização Audiovisual da Unisinos.
Mas, diferente da maioria dos colegas, não exercitou-se nos curtas por muito tempo.

"Sempre achei que as histórias que tinha para contar só caberiam em um longa", diz Rôa.

Destaca que a faculdade de Cinema foi o oitavo curso superior que iniciou.
E o único que concluiu.

"Fiz Letras, História, Ciência da Computação, Química, Biologia,
Administração de Empresas e Educação Física.
Além de cursos de teatro e dança.
Foi filmando as aulas de dança que surgiu o interesse pelo audiovisual.
Eu queria ser bailarino".

Segundo ele, as diferentes experiências se refletem em "Alice Diz:".
O filme tem como fio narrativo um rapaz, Daniel (Daniel Confortin).
Ele se apaixona pela garota que só conhece por mensagens trocadas no MSN.
A obsessão em conhecer a jovem leva a desdobramentos inesperados.
E aborda temas como solidão, inteligência artificial.
Interferência da tecnologia nas relações afetivas.
E até o mito de Narciso.

O lançamento será complementado, em três meses.
Com a versão de "Alice Diz:" em graphic novel.
E ilustrações de Renato Rôa, irmão do diretor.

"Nossa proposta é sempre lançar um filme com a respectiva graphic novel.
Gosto de explorar as diferenças de linguagem entre essas duas mídias".

O próximo longa, "A Voz do Sistema", está em fase de roteirização.
E deve ser tocado de Los Angeles.
Beto ficará três anos nos EUA estudando direção:

"Dirigir é complicado.
Em "Alice Diz:", trabalhei com atores vindos do teatro e da dança.
"E tive de encontrar o tom de interpretação comum a todos.
Foram muito válidos os cursos que fiz com preparadores de elenco
Com a Fátima Toledo e o Sérgio Penna".

Adaptado de Marcelo Perrone (Zero Hora - 04/06/2012)

Leonardo Brocker disse...

+++ Filme "Alice Diz" é exibido em Mostra Internacional +++

O festival exibe hoje o filme "Alice Diz:".
Como parte da programação da Mostra Internacional.
O filme cota com a direção do gaúcho Beto Rôa.
Ele caracteriza-o como "uma visão moderna do conto de Narciso".
O longa-metragem traz à tona a reflexão sobre o mundo cibernético.
Sem deixar de tocar no tema das relações humanas.

O diferencial é mesclar a arte do Graphic Novels com o cinema.
E dialogar de maneira fluída com a narrativa.

O set, composto de amigos, foi um desafio para o diretor.
"No começo, trabalhar com amigos é difícil.
Todo mundo se formou na mesma faculdade.
É necessário conquistar a equipe, e o lugar na hierarquia".

A motivação em acompanhar a estréia na Bahia foi voltar para o Brasil.
Beto ficou longe do país desde que se mudou para Londres.
"Estava com muitas saudades do Brasil.
Também queria ter um contato com outra cultura", explicou o diretor.

O longa-metragem passou dois meses nos circuitos alternativos de Porto Alegre.
Com direito a pré-estréia lotada.
O filme acompanha o envolvimento virtual do jovem Daniel com Alice, uma desconhecida.
Mesmo sem nunca tê-la visto, Daniel apaixona-se de forma obsessiva.
E conversa frequentemente em bate-papo.
No entanto, Alice revela um segredo surpreendente.
E isso leva Daniel ao desespero.

Adaptado de Seminário de Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" (2014) - Sinopse +++

João é um ator de 50 anos.
E mora com a mãe de 72 anos, Celina.
Passa o tempo entre o trabalho da noite.
Como um crossdresser, em pequenos bares gay
E as atuações em peças, filmes e programas de TV.
João começa, dia a dia, a fundir.
A realidade em que vivia com a ficção que interpreta.
Atormentado e assombrado por fantasmas de seu passado.

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha +++

De Davi Pretto.
Com João Carlos Castanha, Celina Castanha, Zé Adão Barbosa e Gabriel Nunes.
Drama, Brasil, 2014.
Duração: 95 minutos.
Classificação etária: 14 anos.
Cotação: ótimo.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa Vai Narrar Vida de Performer da Noite +++

João Carlos Castanha é um personagem cuja presença abala uma cidade inteira.
As histórias sobre ator e performer porto-alegrense são tantas.
Que o próprio diz já não ter mais certeza daquilo que vivenciou.
E daquilo que apenas inventou – ou que inventaram sobre ele.

Ficção, realidade, fabulação se embaralham.
Nisso, Davi Pretto vislumbrou a cinebiografia de longa-metragem Castanha.
O jovem cineasta Davi explica:

"Construí um roteiro fechado.
Baseado na vida dele.
Cada episódio tem uma função dramática.
Mas estamos abertos ao acaso.
Há sequências em que o filmamos na noite.
Sem qualquer predefinição do que vai acontecer.
E deve haver ocasiões em que algo que surgir espontaneamente.
Sobretudo na relação dele com a mãe.
E isso pode substituir uma cena que planejamos antecipadamente".

“Filmar na noite” significa acompanhar um de seus shows em boates GLS.
Para compreender a valorização da figura materna...
É com Celina, 75 anos, que Castanha, 52, vive.
Em um condomínio da zona sul de Porto Alegre.
Com ela e com Joaquim e Sofia, os cachorros.

Parte significativa das filmagens terá lugar no apartamento.
ZH acompanhou as preparações da cena em que o protagonista acorda.
Esta será uma das primeiras sequências do filme.
De pantufas, com Joaquim e Sofia sobre o cobertor de oncinha.
Laptop aberto.
O retrato de um modelo masculino na estante.
E as caixas de som emanando primeiro David Bowie.
Depois música eletrônica.

Castanha estende à reportagem.
A simpatia e a paciência que mantêm diante da gurizada da equipe.
Conta quando descobriu o cinema.
Na época em que Celina trabalhava como revisora de rolos de 35mm.
No escritório porto-alegrense da United International Pictures (UIP).
Lembra a entrada no grupo teatral Ói Nóis Aqui Traveiz.
No fim dos anos 1970.
Tempos de "A Divina Proporção".
E "A Felicidade Não Esperneia Patati Patatá".
E as montagens de "A Mãe e A Aurora da Minha Vida", na década seguinte.

Suas participações em espetáculos recentes, como "Adolescer".
E o troféu Açorianos pelo conjunto da obra, que ganhou em 2010.
São os ganchos para ele falar sobre um novo projeto.
A peça de sua autoria "Antes do Fim".
Deve encená-la em parceria com Zé Adão Barbosa.
Com quem escrevera antes "O Bordel das Irmãs Metralha".

Este é um Castanha sério.
Que enumera trabalhos passados e projetos futuros.
E pouco tem a ver com aquele que deve surgir na tela.
A não ser que tudo, no fundo, não passe de uma única grande performance.

"Para mim, trata-se de um homem e sua tormenta permanente.
Causada pela arte de iludir", diz o diretor, sobre o seu longa.
"Castanha será o retrato de um intérprete atuando, 24 horas por dia".

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Verdades e Mentiras +++

João Carlos Castanha diz que não tem mais certeza.
Sobre quais de suas célebres histórias aconteceram.
E quais foram inventadas.
Mas o amigo Zé Adão Barbosa sabe.
“São todas verdadeiras”, diz o ator e diretor teatral.

No filme que retrata a vida de Castanha.
Importa menos o que é realidade e o que é ficção.
E mais o que desvenda este extraordinário personagem.


Seria mentira a história em que,
Saindo da boate, cedo da manhã,
Castanha se encantou por um jornaleiro e,
Para conseguir levá-lo para casa,
Comprou todos os jornais que ele precisava vender?


E aquele causo em que ele foi preso
Após reagir ao preconceito alheio numa festa
E foi resgatado por outro parceiro de teatro
Após passar a noite na cadeia?


Teria sido Castanha o criador da expressão “lasanha”,
Comum na noite porto-alegrense dos anos 1980
Para identificar um homem bonito?


Não que o longa-metragem vá responder essas questões.
As lendas estão consolidadas – e isso é o que importa.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Sangue Novo +++

Castanha, o filme, marca a estreia no longa-metragem do diretor.
Davi Pretto, completou 25 anos neste domingo.
Dele e da produtora Tokyo Filmes.
Também é a estria de parte da equipe do longa-metragem.
Bruno Carboni, montador.
Richard Tavares, diretor de arte.
E Paola Wink, produtora-executiva.

Trata-se de um dos núcleos de produção mais promissores.
Da geração advinda dos cursos superiores de cinema.
Estes surgiram na década passada no Estado.

A Tokyo está por trás de curtas como:
+ "Quarto de Espera" (de Bruno e Davi);
+ "Gaveta" (de Richard) e
+ "Garry" (de Bruno e Richard).

E do recente clipe "Despirocar", da Apanhador Só.
Este em parceria com a Sofá Verde e a Bloco Filmes.

Castanha tem financiamento do Fumproarte.
Fundo de investimento em cultura da Prefeitura de Porto Alegre.
E tem a Casa de Cinema de Porto Alegre como produtora associada.
Depois deste projeto, um dos focos será o segundo longa
"Até o Caminho", também de Davi.
Ele recebeu o Prêmio de Desenvolvimento de Projetos Santander Cultural/APTC-RS.
E está em fase de captação de recursos.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 16/06/2013)

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica: Filme "Castanha" é Um Marco do Cinema Gaúcho +++

"Castanha" chegou.
Depois da exitosa carreira em festivais.
O filme mistura ficção e documentário.
E mergulha na intimidade de João Carlos Castanha.
Ator e performer da noite.
É o mais importante longa-metragem gaúcho.
Desde "Deu pra Ti, Anos 70" (1981).
Histórico filme de Giba Assis Brasil e Nelson Nadotti.
E assinala uma ruptura.
Tanto estética quanto de modelo de produção.
E arrasta a cinematografia local para o século 21.

Davi Pretto, 26 anos, dirige "Castanha"
Com o selo da Tokyo Filmes.
Núcleo que areja a engessada produção de longas no RS.
Há outros núcleos.
Todos formados por jovens.
Muitos egressos dos cursos superiores.
Implantados no Estado na década passada.
"Castanha" os representa.
É o símbolo mais notável de um movimento amplo.
Caracterizado pela sintonia com os autores contemporâneos.
Estes conduzem a linguagem.
Por caminhos até então não experimentados.
A exemplo de Pedro Costa, de "Juventude em Marcha".
E João Pedro Rodrigues, de "Morrer Como um Homem".
"Castanha" paga tributo a eles.

Pretto reencena o dia a dia de Castanha e da mãe, Celina.
Algo que se viu em ícones do chamado novíssimo cinema nacional.
Como "Terra Deu, Terra Come" (2009).
E "O Céu sobre os Ombros" (2011).
Deles, a produção gaúcha de longa-metragem só se aproximara.
Com "Morro do Céu" (2009), de Gustavo Spolidoro.

"Castanha" possui caráter onírico.
O que associa o filme a títulos como "Girimunho" (2011).
Eles acrescentam imaginação ao retrato da vida.
Que flerta a todo instante com a morte.
Isso por conta das situações do pai do protagonista.
Que está internado numa casa de repouso.
E do sobrinho viciado em crack.
A quem Celina ajuda com os poucos recursos de que dispõe.

Pretto aborda os fantasmas que atormentam mãe e filho.
E constroi uma narrativa sofisticada.
Nela, o real se mistura com o que está sob as máscaras sociais.
Mas há algo ainda mais importante do que isso.
O distanciamento que Pretto mantém de Castanha.
Ele aposta nas possibilidades da ficção.
E expõe o que o homem por trás da persona artística tem de obscuro.
Alguma intolerância, egoísmo.
Que o amigo Zé Adão Barbosa define como "sadismo".

O garoto craqueiro, não é interpretado pelo seu correspondente real.
E sim por Gabriel Nunes.
Ele desencadeia os principais conflitos da trama.
Aqueles que vão expor definitivamente o protagonista.
Uma maleabilidade de "Castanha", o filme.
Que não se define entre o documentário e a invenção ficcional.
E tem a possibilidade de atingir a verdade.
Uma verdade não absoluta, ressalte-se.
Típica da arte mais inquietante, provocadora, estimulante.

"Deu pra Ti, Anos 70" revolucionou o cinema local.
E símbolizou a transição do chamado "ciclo da bombacha".
Para uma produção urbana e mais moderna.
E apresentou uma abordagem mais complexa das relações sociais.
Nesse sentido, o que ocorre com "Castanha" não é muito diferente.
Com uma vantagem para o longa de Davi Pretto.
A incorporação dessa complexidade de maneira orgânica à própria forma do filme.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Lá fora +++

"Castanha" teve première na seção Fórum do Festival de Berlim.
Também foi exibido em outros festivais.
Como Hong Kong, Copenhagen, Edimburgo e Las Palmas.
No Brasil, foi à Paulínia, à Mostra de SP e ao Festival do Rio.
Deste saiu com o prêmio de melhor filme da seção Novos Rumos.
Já estreou na Argentina.
E tem distribuição assegurada na Alemanha, na Suíça e na Áustria.
Além da televisão da Espanha.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Aqui +++

São 19 cópias espalhadas pelo Brasil.
No RS, o filme passa em Pelotas, Caxias do Sul e Porto Alegre
João Carlos Castanha e Davi Pretto estarão na noite desta quinta na CCMQ.
Para conversar com o público.
O debate terá início após a sessão das 19h40min.

Adaptado de Daniel Feix (Zero Hora 20/11/2014)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Primeiro Longa de Davi Pretto +++

É o primeiro longa-metragem de Davi Pretto.
Mas "Castanha" dialoga com uma linhagem consistente.
De uma nova geração de cineastas brasileiros.
Que, nos últimos anos, estão ocupando uma cena de destaque.
Pode-se, numa síntese ansiosa, encadear uma série de elementos.
Um tanto exteriores ao filme.
Como o formato vinculado ao documentário.
O modo de trabalho coletivo e colaborativo.
Ou, ainda, produções de baixo custo.
É, contudo, pelo aspecto sensível que se percebe uma singularidade.
E uma tônica contínua.
"Castanha" compartilha mais dúvidas do que perguntas bem formuladas.
Mais inquietações do que teses.
Mais incômodos do que sensações pontuais.
Estamos diante de uma dramaturgia centrífuga.
Que desmorona como uma brisa.
E são esses vetores de desmanche que mais chamam a atenção.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - O Documentário Bográfico +++

Se escolhêssemos um enredo, caminharíamos pelo documentário biográfico.
De João Carlos Castanha, um ator e performer de Porto Alegre.
Ele transita por uma cena e um submundo um tanto underground da capital.
Há, contudo, dois elementos que desarticulam uma coerência afirmativa.
O primeiro é o foco na atuação e na interpretação como um modo de vida.
Talvez "Jogo de Cena" (2007), de Eduardo Coutinho, tenha aberto uma trilha.
Mais clara aos cineastas jovens.
Uma trilha que delineou documentários “de”, “sobre” e “com” atores.
Nesse diapasão, câmera, cena e atuação ganham mais do que combustão química.
Criam, juntos, um jogo de máscaras e de espelhos.
E captam, principalmente, o rosto do performer.
Em vez das máscaras vestidas.
O espaço da performance seria o local de onde a mise en scène também brotaria.
De forma cristalina e evidente.
Castanha – seja o personagem, seja o sujeito documentado – é um performer.
Veste-se de mulher e anima um público gay de casas noturnas.
Convive, assim, ao longo dos anos, com um ambiente de prostituição.
Filma-se seu cotidiano diurno.
Sempre meio lento e tedioso.
Alternando-se com seu convívio na noite.
Como um ator que trabalha, que vende suas piadas, seu ultraje.
Sua voz, a presença do seu corpo e da sua imagem.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Colaboração no Roteiro +++

João Carlos Castanha assina com Davi Pretto o roteiro do filme.
Uma colaboração entre diretor e ator.
Entre documentarista e documentado.
E isso engendra uma importante diferença no tom geral do filme.
Há mais do que uma cumplicidade.
E a procura por um pacto ou equilíbrio ético.
Mas uma confiança no estilo do filme que foi feito.
E, durante a filmagem, a partilha dos mesmos valores.
Das mesmas perguntas dramáticas.
Em "Castanha", ética e estética estão mais do que entrelaçados.
Eles complementam-se.
O filme também possui um roteiro que delineia bem os personagens.
O ambiente, os pequenos conflitos.
O plot concentra-se entre tensões interiores da família.
E nos (des)prazeres de fuga que a noite de Porto Alegre desperta no ator.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - Círculo de Interações +++

Assim, o filme interage com o círculo imediato de indivíduos.
Que estão ao redor da vida real do ator e personagem.
Sua mãe, Celina, que visita o pai, Jairo, no asilo.
Dele Castanha deliberadamente não gosta.
E só visita em uma sequência.
Há os amigos da noite.
Um pai de santo do candomblé.
O sobrinho viciado em crack.
Parte-se desse ambiente, muito próximo a um retrato biográfico.
Para suscitar uma mise em scène com uma tônica fortemente observacional.
São instantes de interação, diálogo.
Em que a dramaturgia é apenas um sopro de sugestão.
E a câmera capta o que dali sair.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - As Escolhas Trágicas +++

Castanha é um filme que ressalta escolhas.
E, claro, suas consequências, às vezes trágicas.
Há, primeiro, a opção, insistente, apaixonada, pela profissão de ator.
Numa determinada cena, João Castanha vai ver um filme.
E comenta, em over, seus sonhos, seus reclames.
Tem certeza que se tivesse nascido em outro país, que não no Brasil.
E com uma produção cinematográfica consistente.
Teria sido um grande ator, uma ‘estrela’, obteria reconhecimento.
Mas, o filme do qual ele é o protagonista mostra a atuação de Castanha.
Em curtas universitários, comerciais locais, peças, gravações musicais.
Além, claro, de sua performance nos clubes noturnos masculinos.
Retrata-se o ambiente gay e a cena artística undergournd de Porto Alegre.
Junto ao retrato e às atuações de João Castanha.
Bem enviesado por um contexto de inferninho dos anos 1980.
E da geração que vivenciou (e sobreviveu) à Aids.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" - O Elemento Morte +++

Como elemento importante, a morte figura como a outra face, oculta.
E perambula entre as escolhas, biográficas e cênicas, de João Castanha.
Dramaticamente, esse enfrentamento com a morte ganha a cena metafórica.
Já na abertura do filme.
Quando João Castanha caminha nu, à noite, ensangüentado.
Como se flertasse com sua própria morte.
No filme, há o outro elemento mais evidente de morte.
Este se revela nas sequências referentes ao sobrinho viciado em crack.
Ali, a morte é encarada tanto como um dilema ético.
Como uma violência latente que atravessa a realidade.
E o dia a dia de João Castanha.
Pode-se ler a morte como um elemento intrínseco ao ofício do ator.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" e "O Mito de Sísifo" +++

Albert Camus chama a atenção para o ator.
No seu ensaio sobre O Mito de Sísifo.
Ele é uma força estética.
E enfrenta, a cada dia, o absurdo da vida.
O absurdo, fugidio, de forjar um sentido.
De criar um personagem.
De acreditar nele.
Para voltar a viver um cotidiano nulo de qualquer significado.
Essa nulidade pode ser a própria morte.
E é o que, no filme, retrata o dia a dia de Castanha.
São gestos constantes de vestir e retirar máscaras.
Gestos de reinvenção.
De respiros profundos numa respiração já trôpega.
E que precisa renovar uma fôlego que, aos poucos, se esvai.

Roteiro e filme enfrentam esses lados obscuros.
Num retrato que não é heróico.
E nem vacila no seu oposto pessimista.
Mas, ao contrário, tenta encarar um lado sem lume.
Difícil, que cada sujeito carrega consigo.
É nesse sentido que o tempo e a mise em scène enfatizam.
Tanto o enfrentamento direto com essa face obscura.
Como uma vontade de fuga, já impossível.
Por isso, a edição de som acaba propondo escapes espaciais.
Paisagens imaginárias.
Mas sempre constrangidas pelo quadro fixo.
O som, ali, atua como vetor de desmanche.
Como elemento dispersivo.
Como se Sísifo uivasse por uma fuga vã.
Enquanto carrega seu fardo montanha acima.
Ouve-se, canta-se, e até espanta-se alguns males.
Mas, ao final, volta-se ao quadro, fixo e inerte.
De um cotidiano áspero.
A pedra rola abaixo.
E é preciso recomeçar, recomeçar, recomeçar.

Adaptado de Pablo Gonçalo (Revista Cinética)

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa-metragem "Castanha" no Festival de Berlim +++

O ator João Carlos Castanha tem 52 anos.
Trabalha no teatro.
Faz eventuais participações em filmes.
E, à noite, se apresenta em boates gays de Porto Alegre.
Como transformista.
Vive com a mãe, Celina, de 72.
É uma pessoa real e um personagem.
Dele surgiu "Castanha", longa do diretor Davi Pretto.

A estreia mundial será na próxima sexta-feira (7).
Na programação do 64ª Festival Internacional de Cinema de Berlim.
Um dos mais importantes festivais de cinema do mundo.
E que começa no dia 6 de fevereiro.

Davi conheceu João ao filmar um curta na faculdade de cinema.
A ideia de gravar sobre ele veio um pouco depois, em 2010:

"É um cara que sempre foi muito ligado com a arte da interpretação…
E eu comecei a pensar o quanto a gente está interpretando.
Tipo eu, por exemplo.
Estou aqui interpretando.
Que sou culto, legal, que tenho uma carreira, né?
Tá todo mundo interpretando exatamente agora.
Só que ele nasceu pra atuar.
Passa o dia inteiro atuando.
Sai de uma peça infantil.
Vai pra uma casa de shows.
E lá se traveste mulher.
No dia seguinte faz um filme interpretando um gaúcho, sabe?
Aos poucos, me liguei que em casa ele também interpretava.
E aí começa a confusão.
Não há diferença entre uma coisa e outra".

Castanha é o único filme brasileiro da mostra Forum.
Anteriormente chamada de Forum of New Cinema.
Esta tem como característica o viés experimental.
Seja pelo tema, pela narrativa, por uma abordagem particular.
Ou pelo modo não-usual da filmagem.

Feito no período de um ano.
Pouco para a finalização de um longa.
O projeto inicial de Castanha era mais simples.
Com a pesquisa intensa sobre a vida de João.
O que consistiu de muitas visitas à casa dele.
E aos lugares em que trabalhava e frequentava.
O filme fez de si mesmo um longa.

Davi é o diretor e roteirista.
E esteve acompanhado da produtora Paola Wink na entrevista.
Ele deixou transparecer a forma natural de como o roteiro aconteceu.
Entre dezembro de 2012 e dezembro de 2013.
E de como essa naturalidade possibilitou o formato do filme.
Que transita entre ficção e documentário.

Adaptado de Sul 21 - 2, fevereiro, 2014

Leonardo Brocker disse...

+++ Longa-metragem "Castanha" no Festival de Berlim +++

Mostrar a linha que divide vida real de fantasia não é a intenção.

"Como as duas coisas não tinham mais diferença, aceitamos.
'Então tá, vamos fazer um filme assim’.
As pessoas que viram perguntam sobre a realidade de algumas cenas.
Mas não tem o que explicar.
A ideia era que a pessoa visse o filme e se perdesse em algum momento.
E mais: entender que no final tu não tens que ficar se perguntando.
Esta é a proposta".

A produtora Tokyo Filmes já fez de seis curtas, desde 2009.
Com “praticamente nenhum dinheiro”.
Um deles, teve o orçamento de R$ 300,00.
Esta experiência contribuiu para o desenvolvimento do filme.
Ele foi subsidiado com R$60 mil por edital do Fumproarte 2012.
Como um projeto de curta-metragem.

É uma trajetória de trabalhar de forma independente.
E quase sempre com a mesma equipe.
Disposta a filmar de qualquer maneira.
Isso habilitou o cineasta.
A transformar "Castanha" em um longa-metragem de 95 minutos.
O dia em que o set de filmagens teve mais gente, foram dez pessoas.
Algumas vezes, filmaram com apenas três.
No elenco principal, Castanha e a mãe, Celina.
Como personagem coadjuvante, até a mãe do diretor atuou.

"Quando fomos rodar, pensamos: a gente já sabe fazer sem dinheiro.
A gente não vai errar.
Vamos nessa do jeito que for.
É por isso que um filme sessenta mil vira um longa.
Porque tem pessoas que querem fazer isso.
A trajetória com os curtas nos impediu de cometer erros de produção".

A narrativa foi determinada por esta característica de produção.
Davi fala que, com menos recursos, foi possível arriscar esteticamente.
E experimentar mais facilmente, sem medo.
Depois de selecionado para Berlinale, o filme foi finalizado às pressas.
E a cópia teve que ser entregue em mãos em Berlim nesta semana.
Pois não haveria tempo hábil para entrega pelo correio.

Castanha, o personagem, embarcou para Berlim com a equipe.
E verá o filme pela primeira vez no festival.
No meio de uma plateia de aproximadamente 500 pessoas.

Adaptado de Sul 21 - 2, fevereiro, 2014

Leonardo Brocker disse...

+++ "Castanha" Brinca com Limites entre Documentário e Ficção +++

Primeiro filme do gaúcho Davi Pretto.
Teve estreia na mostra Forum da Berlinale.
Entre o encenado e a realidade.
Diretor vai a fundo no universo e na essência.
Do ator e transformista João Carlos Castanha.
Não é uma tarefa fácil.
Revelar o que se encontra atrás da maquiagem.
E do figurino de um ator.
Uma escolha que pode destruir a fantasia.
E o fascínio criados pelos palcos e os holofotes.

Mas esse é o convite do diretor gaúcho Davi Pretto em "Castanha".
Que teve exibição na noite desta sexta-feira (07/02).
Dentro da mostra Forum da Berlinale, o Festival de Cinema de Berlim.
Pretto e Castanha se conheceram em 2008.
Quando o diretor rodava "Quarto de espera".
Seu curta-metragem de estreia.

"Toda vez que enquadrava o João, ficava impressionado com o rosto dele.
Foi algo meio mágico", disse o diretor à DW Brasil.
O fascínio pelo rosto e o olhar de Castanha levou o diretor.
A querer trabalhar novamente com o ator.
"Queria fazer um 'filme de ator'.
Nos moldes do John Wayne ou Cassavetes.
Pelo grande ator que ele é", explicou.

Pretto começou a pesquisar.
E acabou se fascinando não só pelo ator João Carlos Castanha.
Mas por sua história, universo.
E sua misteriosa e enigmática maneira de encarar a vida e seu trabalho.
Em 2011, surgiu a ideia de fazer um filme sobre Castanha, que topou.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Melhor Maneira para Contar Aquela História +++

Castanha tem 52 anos.
E vive com a mãe Celina em um apartamento no subúrbio de Porto Alegre.
Ele se ocupa com o trabalho de transformista em clubes gays da cidade.
E com pequenos papeis em peças de teatro, filmes e televisão.
Primeiramente, o filme seria um documentário de observação.
Sem roteiro, levado pela vida e pelo cotidiano de Castanha.

"Comecei a pensar no papel da ficção na vida dele.
Já que está sempre atuando.
Ele tem uma vida multifacetada.
Passando rapidamente de um personagem para o outro.
Essas muitas ficções que ele vive começaram a me fascinar", contou o diretor.

O filme ganhou uma dimensão maior.
Quando Pretto começou a frequentar a casa de Castanha.
Como parte do processo de pesquisa.

"Percebi que em casa ele era outro personagem.
Com os amigos ele era outra coisa.
Comecei a pensar como sempre nos reinventamos para as outras pessoas.
Perdemos muito tempo criando essas histórias", disse.

Assim, o projeto começou a se transformar.
Embaralhando ficção e realidade em um formato só.
Foi desenvolvido um roteiro que partia de situações concretas e subjetivas.
Para melhor se aprofundar no universo de Castanha.

"Eu dizia o que ele deveria fazer nessas situações.
Que começaram a aparecer a partir do roteiro", explicou Pretto.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Visão particular da realidade +++

O diretor nos transporta ao coração da família Castanha.
Jogando com os tênues limites entre ficção e realidade.
Somos levados a um épico de microproporções.
Através do universo de João e de sua relação com a mãe.
Uma jornada pessoal, que não é marginal.
Mas que é contada pelas bordas.
Pelos pequenos dramas de uma vida amarrada.
Pelo destino de ser quem você é.

"Comecei a perceber como o contexto da homofobia no Brasil cerca o filme.
Depois que o filme estava pronto.
Todos os personagens são muito marginalizados.
O que não parece à primeira vista porque eles são os protagonistas.
Mas através dessa história, podemos ver esse Brasil", disse o diretor.

As filmagens de Castanha ocorreram durante os protestos.
Que tomaram contam das ruas do Brasil no ano passado.
Um fato marcante que acabou entrando no filme de uma maneira natural.
E acrescentou um pano de fundo poderoso à história.

"Eu sempre fui muito fiel ao João.
Ele não se importa com essas coisas e estava sempre distante.
Os protestos afetaram o cotidiano das filmagens.
Mas colocamos no filme da maneira em que ele via aquela situação:
Através da televisão", explicou Pretto.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Verdade Através da Intimidade +++

O filme foi feito com uma equipe pequena.
Fato comum na realização de documentários.

"Tínhamos sempre só três pessoas no set de filmagem.
Era o máximo que podíamos ter para criar intimidade.
Eu não gosto da definição documentário e ficção.
Não é dessa maneira que eu encaro o cinema", completou o diretor.

Através do fascínio, da admiração e principalmente da confiança.
Alcançou-se a verdade e a cumplicidade necessárias a um projeto como Castanha.

"Conheci o Davi quando ele ainda era estudante.
Sou um fã de David Lynch e cinema europeu.
Fizemos um curta juntos.
E eu gostei muito da estética dele", disse João Carlos Castanha à DW Brasil.

A viagem para Berlim foi apenas a primeira internacional de Castanha.
E a estreia no festival será a primeira vez que o ator verá o filme.
Que conta a história da sua vida.

"Eu confio muito no trabalho do Davi.
Assim, fica muito mais fácil de me entregar.
Chegava um momento que eu anulava a câmera.
Não tenho vergonha e pudor de fazer nada.
Sou muito bem resolvido", contou o ator.

Castanha é uma espécie de celebração marginal de uma figura enigmática.
E que através dos combates diários encontra as razões para estar vivo.

"Vou me emocionar muito, mas não tenho medo.
O Davi já faz parte da família", concluiu Castanha.

Adaptado de Deutsche Welle Brasil

Leonardo Brocker disse...

+++ Castanha: Entre o Real e a Ficção +++

Ator e transformista gaúcho de meia-idade é o protagonista.
E o corroteirista do filme de Davi Pretto
Que pontua narrativa com fortes doses documentais

Castanha nos apresenta o cotidiano do personagem do título.
Em um esboço possível de narrativa.
José Carlos Castanha é um ator gaúcho cinquentão.
Que à noite se traveste e anima boates de Porto Alegre.
Durante o dia, sem os adereços femininos, uma realidade dura se impõe.
Há a mãe solitária, depois que o marido foi para um asilo.
E, mais desafiador, um sobrinho dependente de crack.
E da casa para obter dinheiro.
As ameaças e os roubos desafiam Castanha.
Tanto quanto os delírios, medos e frustrações.
De um intérprete que acredita merecer mais.

Todo o quadro realista de um indivíduo que reflete sobre problemas.
E os enfrenta surgiria de antemão incomum.
Não fosse ainda contaminado por forte dose documental.

Castanha existe fora do filme de Davi Pretto.
O transformista assina o roteiro com o diretor.
O que confere autenticidade à obra.

O espectador, a princípio, não sabe quem são os atores e os personagens reais.
O jogo estimula a compor uma noção de verdade e ilusão própria.
Do protagonista e do espectador.

Adaptado de Carta Capital

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico - Parte 2" +++

Diretor: Felipe M. Guerra
Roteiro: Felipe M. Guerra

Elenco
Eliseu Demari - Eliseu
Niandra Sartori - Niandra
Rodrigo Guerra - Goti
Kiko Berwanger - Dr. Lumis
Angélica Dalcin - Angélica
Bruna Seimetz - Bruna
Maiara Pessi - Maia
Thaís Cristina Formentini - Thaís
Cleo Meurer - Cleo
Thobias Sfoggia - Thobão
Ana Carolina Lufiego - Ana
Kasha Lee - Dominatrix
Oldina Cerutti Do Monte - Pamela
Zica Fajardini - Mãe da Bruna
Felipe da Silva - Pato

Sinopse
Sete anos após o massacre do primeiro filme.
Os sobreviventes Niandra e Eliseu ainda temem o retorno de Geison.
O terrível psicopata que mutilou seus amigos na sexta-feira 13.
Novos assassinatos começam a acontecer na cidade de Carlos Barbosa.
E coloca uma nova geração de vítimas como alvos do assassino.
Mas quem está por trás dessa máscara do Pânico?

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico - Parte 2" +++

Felipe M.Guerra realiza uma ótima paródia dos filmes de slashers.
Uma verdadeira tiração de sarro com "Pânico", de Wes Craven.
A começar pelo extenso título.
Talvez o maior de toda história do cinema.

É uma continuação mais divertida que o original.
Lançado 10 anos antes.
E também dirigido por este diretor gaúcho amante de filme B.

Há diversas referências.
Que vão dos filmes mais banais de terror aos intelectuais.
"O Iluminado" é um deles.

É bem mais divertido que outra sátira (Todo Mundo em Pânico).
E provoca mais risos que grande parte das comédias nacionais.

A produção é pobre e limitada.
Custou a bagatela de 3 mil reais.
Mas é compensada pelo roteiro esperto.
Esta aproveita bem os clichês dos filmes de terror.

É Cinema nacional de horror independente.
Feito com bastante criatividade.

Adaptado de Danilo Areosa (Cineset)

Leonardo Brocker disse...

+++ Entrei em Pânico….Parte 2 (2011) +++

E lá se foram 10 anos.
Desde o lançamento da primeira parte de "Entrei em Pânico...".
Um filme que surgiu depois de uma matéria no Fantástico.
E de um curta metragem com a participação de Luciano Huck.
Feito especialmente para o programa do apresentador.
Isso trouxe fama e divulgação a Felipe M. Guerra.
E para a Necrófilos Produções.
O diretor ganhou fãs e haters na mesma intensidade.
E também ajudou a mostrar o cinema gaúcho para o Brasil.

Nesses 10 anos, ele realizou:
+ 2 curtas "Mistério na Colônia" e "Extrema Unção" e
+ um longa "Canibais & Solidão".

E iniciou em 2008 a continuação de seu filme mais famoso.
"Entrei em Pânico... Parte 2" estreou no Fantaspoa.
Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre.
Um dos maiores festivais de cinema do Brasil.
Ali, foram apresentados 150 filmes.
A edição contou com a presença ilustre do italiano Lamberto Bava.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" e "Sexta-Feira 13" +++

Na primeira cena, testemunhamos o encontro de dois apaixonados.
Thobão (Thobias Sfoggia) toca violão.
Enquanto Ana (Ana Carolina Lufiego) toma chimarrão.
Sob a luz do sol, em um belo dia, às margens do Lago Cristal...
Opaaaaaa, primeira homenagem ao Sexta-feira 13?

No encontro, ele conta a história que originou o primeiro filme.
Um grupo de formandos do colegial prepara um aquecimento na casa de Goti.
Além de bebidas, drogas e mulheres, também havia um assassino.
O mascarado massacra os adolescentes.

Geison, o assassino, ainda era considerado desaparecido.
Como já era de se esperar, o casal é assassinado ali mesmo.
Po uma pessoa vestida com a famosa roupa do Pânico.

As mortes são ótimas: a garota leva uma facada na cabeça.
E a faca acaba saindo pela boca durante um beijo!!!
O sangue esguichando e a reação de Thobão são impagáveis.
Ele depois é morto com um chimarrão.
Numa cena angustiante e extremamente engraçada.
Ao ir embora o assassino chuta a placa do Lago Cristal.
E assim o filme começa.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" Goti e O Psicólogo +++

Somos reapresentados a Goti (Rodrigo M. Guerra).
Ele parecia ter morrido no primeiro filme.
Numa quebra de clichês, já que ele era o protagonista.

Mas Goti sobreviveu ao ataque.
Ficou paraplégico.
E sua família escondeu-o em Porto Alegre.
Com o intuito de evitar novos ataques.

Para ajudar a superar o trauma, Goti frequenta um psicólogo.
Este é viciado em sexo.
E ao longo do filme, proporciona uma cena antológica.
Como uma Dominatrix (Kasha) e uma beringela.
Impagável!

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - O Retono de Goti +++

Goti fica sabendo das mortes na cidade de Carlos Barbosa.
E logo as associa ao Geison.
Teme pela vida do atrapalhado Eliseu (Eliseu Demar).
E de sua ex-namorada Niandra (Niandra Sartori).
Ambos sobreviventes do primeiro massacre.
Ele resolve voltar para a sua cidade.
E avisar aos amigos que o temido assassino está de volta.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - A Nova Festa +++

A prima de Niandra, Bruna (Bruna Seimetz), está se formando no colegial.
E pretende fazer uma festinha em casa com os amigos para comemorar.
Em plena sexta-feira 13, é claro!
Momento perfeito para uma vingança.
Mesmo depois de 7 anos após o massacre.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - O Guarda-costas +++

Temos também o guarda-costas que os pais de Niandra contrataram.
Para cuidar da segurança da jovem.
O cara não deixa nem Eliseu se aproximar da garota, por ciúmes.
Já que ele é apaixonado por ela, mas sem coragem de expor os sentimentos.
O Guarda-Costas (Leandro Facchini) trabalho no estilo Kevin Costner.
Chega até a alugar o filme "O Guarda-Costas".
Para tentar se aproximar de Niandra.
E dar uma indireta sem sucesso.
Em outra cena canta a música de Whitney Houston sozinho no escuro.
Com uma arma na mão.
Enquanto o assassino está a solta.
Ótima cena, rendeu boas gargalhadas.

A avó de Felipe M. Guerra também participa.
Oldina Cerutti do Monte vive Dona Pamela, a mãe de Geison.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Citações de Filmes +++


O filme é diversão garantida e descompromissada.
Não se leva a sério em nenhum momento.
Faz homenagens e tira sarro de clássicos do horror.
E de alguns filmes não tão bons assim.
Ouvimos sobre "A Hora do Pesadelo", "Sexta-feira 13", "O Albergue".
Filmes e o estilo de Rob Zombie.

O assassino está sempre muito calmo.
Não corre, não tem pressa para pegar as armas.
E as vítimas, além de não fugir e não se defender, ficam séculos gritando...

No final, a revelação do assassino...
É incoerente e engraçada.
Tanto como algumas, ou quase todas, do próprio filme Pânico.
E de outros slashers.

Quem não conhece os filmes de Felipe vai se divertir duplamente.
Com o forte sotaque dos barbosenses e suas gírias.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Mortes Criativas +++

Mesmo com poucos recursos, as mortes são muito criativas.
Vemos pessoas mortas por um espeto de salsichão, por exemplo.
No primeiro filme tinha uma torneira no pescoço da vítima.
Dessa vez temos uma garrafa na barriga de alguém.
Que para não perder sangue põe uma rolha na mesma.
Hilário.

Felipe M. Guerra contou com a colaboração de Ricardo Ghiorzi.
Ele ficou responsável pelos horripilantes efeitos especiais.
Como tripas, cortes e cabeças decepadas.
Além de muitos litros de sangue falso.
Mas não faltou espaço para as improvisações caseiras,

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Trilha Sonora +++

Em razão dos direitos autorais, a trilha sonora é confusa.
Para mim foi o maior defeito do filme.
Já que algumas músicas não combinam com as cenas.
E outras acabaram sendo desnecessárias.
Como "Midnight, the Stars and You".
Enquanto Eliseu investiga a casa de Geison.
Talvez uma homenagem a "O Iluminado de Stanley Kubrick".

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Roteiro +++

O roteiro está afiado.
Mas muitas cenas quebraram o ritmo do filme.
Seja por seu conteúdo ou pela duração.
Mas nada disso compromete o resultado que podemos ver ao final.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Baixo Custo +++

O primeiro filme custou apenas 250 reais.
Este teve 3 mil de investimento.
Além de ser gravado em vídeo digital.
E editado no computador.
Bem melhor que a edição do anterior, feita pelo vídeo cassete.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Entrei em Pânico... Parte 2" - Paixão e Criatividade +++


Este é o filme mais sangrento de Felipe M. Guerra.
E também o mais divertido e engraçado.
Repleto de cenas e frases que vão ecoar na sua mente.
E te fazer rir mesmo depois do término do filme:
"Eu nunca mais vou comer beringela na minha vida!".

A paixão e a criatividade que envolvem o filme são enormes.
Guerra entrega um filme apaixonado.
Mesmo sem dinheiro.
Sem atores profissionais.
Apenas com muita vontade de contar uma boa história.

Quem tiver a oportunidade, não se esqueça de conferir.
E de prestigiar o cinema fantástico independente!

Quem não conseguiu ver o primeiro filme não se preocupe.
Os personagens dão as explicações.
E o diretor insere várias cenas do primeiro filme no início deste.
A única coisa ruim é que você vai ficar morrendo de vontade de ver o outro.

Adaptado de Camila Jardim (Boca do Inferno)

Leonardo Brocker disse...

+++ Eu Eu Eu José Lewgoy (2011) +++

Diretor: Cláudio Kahns
Roteiro: Marta Nehring

Depoimentos
Mauro Alencar;
Sérgio Augusto;
Glória Bissani;
Leonildo Bissani;
Luciane Bissani;
Gilberto Braga;
Fabiano Canosa;
Tônia Carrero;
Chico Caruso;
Eliana Caruso;
Helena Farina Casarin;
Mario Casarin;
Walmor Chagas;
Guilherme de Almeida Prado;
Anselmo Duarte;
Millor Fernandes;
Lucy Thereza Giugno;
Marisul Terezinha Giugno;
Valdete Giugno;
Anna Hocsman;
Felipe Rosa Hocsman;
Fernanda Rosa Hocsman;
Fernando Rosa Hocsman;
Henrique Dahmer Hocsman;
Luciano Hocsman;
Zélio Hocsman;
Alzira Maria Baptista Lewgoy;
José Lewgoy;
Laura Baptista Lewgoy;
Léo Ismar Lewgoy;
Samuel Lewgoy;
Howard Mandenbal;
Eric Nepomuceno;
Antonio Pedro;
Richard Pena;
Paulo César Peréio;
Glória Pires;
Gene Plotnik;
Marlies Plotnik;
Ana Paula Neu Rechden;
Flora Thereza Benaci Roehr;
Sônia Mari Roehr;
Eva Sopher;
Carlos Alberto Spanhol;
Elliot Stein;
Adriana Bissani Tonial;
Gilberto Tonial;
Pedro Verissimo;
Luis Fernando Veríssimo.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Eu Eu Eu José Lewgoy" +++

O documentário mostra a carreira do ator.
E sua trajetória no Brasil e no mundo.
Além de revelar fatos importantes de sua vida.
Através de depoimentos e muitas imagens de arquivo.
De quem trabalharam com ele no cinema e na televisão.
E compartilham histórias, ao longo dos anos.
Gente como Gilberto Braga, Tônia Carrero, Chico Caruso.
Millôr Fernandes, Luis Fernando Veríssimo, Anselmo Duarte.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidades de "Eu Eu Eu José Lewgoy" +++

+ Documentando ícones: do mesmo diretor de "Mamonas para Sempre" (2011).
+ Atraso no lançamento: a produção acabou em 2009 e foi lançada em 2011.
+ Festivais: exibido na Mostra Internacional de São Paulo de 2010.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Eu Eu Eu José Lewgoy" +++

Retratam-se as várias fases do cinema e da televisão do país.
Por meio de trechos da vida de José Lewgoy (1920-2003).
Um dos mais importantes atores brasileiros.

Original de uma pequena cidade do interior do Sul do Brasil.
Alfredo Chaves, atual Veranópolis.

O ator teve uma rara trajetória internacional.
Percorreu das chanchadas da Atlântida ao cinema francês dos anos 50.
Do Cinema Novo com Glauber Rocha e Fitzcarraldo (1982) de Werner Herzog.
Às novelas da Rede Globo.

Adaptado de Filmow

Leonardo Brocker disse...

+++ "Gallito Ciego" (2001) +++

Facundo é um rapaz comum e normal.
Que precisa de um emprego para sobreviver.
Acabou de terminar o ensino médio.
E está em uma situação crítica.
Que não lhe permite continuar estudando.
Assim, começa a andar pela cidade por vários dias.
Até que numa manhã através de um anúncio, conhece o Dr Benavidez.
Um homem de aparência respeitável.
Que lhe oferece um emprego em condições dignas.
Mas nem tudo é o que parece.

Adaptado de Filmaffinity España

Leonardo Brocker disse...

+++ "Gallito Ciego" - Sinopse +++

Facundo acaba de terminar la secundaria y está desocupado.
Un día encuentra un trabajo.
Y cree que podrá salir de su angustiante situación.
Pero un cheque se cruza en su camino.
Y lo que parecía algo sencillo se convierte en una pesadilla.
Que lo hace andar como gallito ciego.

Adaptado de Cine.Ar

Leonardo Brocker disse...

+++ "Gallito Ciego" +++

Diretor: Santiago Carlos Oves
Roteiro: Santiago Carlos Oves

Elenco
Rodrigo De la Serna - Facundo
Erica Rivas - Fernanda
Aída Luz - Abuela Facundo
Martín Coria - Portero
Paulo Bispo - Negro
Dario Spindler - Flaquito
Alberto Busaid - Enfermero
Silvia Iglesias - Marisa

Rodrigo De la Serna recebeu o prêmio de Melhor Novo Ator.
Da Associação Argentina de Críticos de Cinema, em 2002.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Ficha Técnica +++

Direção: Zeca Brito
Roteirista: Zeca Brito

Participações
+ Camila Amado;
+ Cecil Thiré;
+ Ferreira Gullar;
+ João Bosco;
+ Luís Fernando Veríssimo;
+ Ricardo Cravo Albin;
+ Stepan Nercessian.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Sinopse +++

A trajetória de vida, a obra e a carreira de Glauco Rodrigues.
O gaúcho é um dos principais pintores do pop art latino.
De acordo com críticos, artistas e teóricos.
O documentário funciona como um retrato intimista.
De um dos maiores artistas gráficos da história brasileira.
A partir de entrevistas, arquivos.
E imagens vivenciadas e inspiradas por Rodrigues.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Documentário Convencional +++

À primeira vista, pode despertar apreensão quanto ao formato convencional.
O diretor Zeca Brito ressalta sua ligação pessoal com o pintor Glauco Rodrigues.
Para descrever em seguida a trajetória do artista desde o início.
De modo cronológico e linear.
Baseando-se em depoimentos e imagens das obras de Glauco.
Ou seja, um conceito cinematográfico sem grande novidade.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Questionamentos +++

O filme começa a surpreender quando elabora seus questionamentos:
O que leva um homem a querer produzir arte?
Como ele fabrica e amadurece seu estilo autoral?
De que maneira o meio onde vive influencia suas obras?
Qual é a obrigação de produzir uma obra nova?
Ou obra melhor que outras existentes na época?
Ou mesmo “tipicamente brasileira”?

O ponto de vista cativa mais pelo viés teórico do que historiográfico.
O que distingue este documentário da média dos filmes do gênero.

As respostas oferecidas são múltiplas.
O diretor busca depoimentos de pessoas próximas.
De admiradores, teóricos franceses, alunos de belas artes.
Cada um fornece uma leitura pessoal e apaixonante do estilo de Glauco.
E ressalta a evolução de seus traços e seus temas ao longo das décadas.
Aos poucos, o longa-metragem efetua um caminho do particular ao universal.
No caso, saindo da história pessoal de Glauco em Bagé.
Para percorrer outras cidades do mundo.
E pergunta sobre a pertinência dessa obra não apenas para o país.
Mas para a história das artes plásticas.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Aspectos Negativos +++

Glauco do Brasil não consegue fugir do tom elogioso.
Inclui depoimentos um tanto exacerbados sobre o talento do pintor.
Com citações do tipo “Tudo que ele toca vira beleza”.
É óbvio que Brito possui grande apreço pelo biografado.
Mas o risco de cair na elegia nunca está muito distante.
O deslumbramento com as obras e a figura de Glauco é evidenciado pela montagem.
E este é o aspecto mais frágil do filme.
É uma pena!
Glauco possui uma obra radical e inventiva.
E esta é agenciada em imagens por uma montagem convencional.
Ela apresenta cidades, como Rio de Janeiro, Roma, Paris.
São pobres vinhetas turísticas ao som de canções famosas.
Um homem e um filme tão interessados no retrato múltiplo da cultura nacional.
Mereciam mais do que uma coletânea de clichês.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" - Aspectos Positivos +++

Mas os méritos são evidentes.
Incluindo o belo trabalho de som e fotografia.
Com iluminação cuidadosa durante os depoimentos.
Também é preciso aplaudir o fato de a vida pessoal de Glauco ficar em segundo plano.
Interessa ao diretor sobretudo seu trabalho artístico.
Brito ainda encontra espaço para criticar a herança tropicalista.
E o monopólio da música neste cenário cultural que raramente confere espaço ao pintor.
Glauco do Brasil funciona como um belo estudo da trajetória do artista.
Por enxergar seu tema como um pesquisador ao invés de um fã.

Adaptado de Bruno Carmelo (Adoro Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco e o Grupo de Bagé +++

Henrique de Freitas Lima registrou em "Danúbio" a trajetória de Danúbio Gonçalves.
O primeiro episódio de uma série que o diretor batizou de Grandes Mestres.
Agora, outro dos integrantes do chamado Grupo de Bagé chega às telas.
Glauco Rodrigues (1929 – 2004).

O filme "Glauco do Brasil" (2015) é um documentário.
Sobre a vida e a obra de um dos maiores artistas plásticos do país.
A direção é de Zeca Brito, realizador gaúcho.
Que estreou no longa-metragem com o drama "O Guri" (2011).
E que atualmente finaliza a ficção "Em 97 Era Assim".

Adaptado de Zero Hora (19/03/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um dos Maiores Artistas Plásticos do País +++

"Glauco do Brasil" ressalta a importância do artista.
Pintor, desenhista e gravador gaúcho.
No panorama da arte brasileira do final do século 20.
Por meio de filmes e imagens de arquivo.
E de depoimentos de especialistas e amigos célebres.
Como Ferreira Gullar, Gilberto Chateaubriand, João Bosco.
Luis Fernando Verissimo e Frederico Morais.
A produção advoga uma posição de centralidade no movimento tropicalista.
E até mesmo um pioneirismo na arte pop brasileira para Glauco.
Um dos fundadores dos clubes da gravura de Bagé e de Porto Alegre.
Esse reconhecimento póstumo teria ganho força com a exposição O Anjo da História.
Individual do artista realizada na Escola de Belas Artes de Paris em 2013.
Com curadoria do teórico francês Nicolas Bourriaud – um dos entrevistados do filme.

Adaptado de Zero Hora (19/03/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Diretor Zeca Brito e Glauco +++

Zeca Brito é diretor artístico do Festival Internacional de Cinema da Fronteira.
E revela no começo de "Glauco do Brasil" ligação precoce com o sujeito de sua obra.
Uma das entrevistas que costuram todo o filme.
O realizador gravou com uma câmera amadora em 1998.
Com apenas 12 anos de idade.
Durante o aniversário do pintor, em Bagé – cidade natal de ambos.
O diretor, porém, logo deixa esse viés personalista em segundo plano.
E privilegia a ênfase à relevância do trabalho de Glauco Rodrigues.
Artista que se destacou primeiro como cronista visual da lida do homem do campo gaúcho.
E que mais tarde, já morando no Rio, traduziu em imagens e metáforas vigorosas.
A contraditória geleia geral da cultura nacional.

Adaptado de Zero Hora (19/03/2016)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Glauco do Brasil" – Temática do Pintor +++

O artista plástico Glauco Rodrigues (1929-2004).
É autor de uma obra única.
Que teve início com gravuras próximas ao realismo socialista.
E culminou com uma espécie de pop art tropicalista.
Ainda é menos (re)conhecido no Brasil do que deveria ser.
Para aqueles que pouco sabem sobre sua obra, eis a oportunidade.
O documentário "Glauco do Brasil", de Zeca Brito.

Gaúcho de Bagé, Glauco começou a desenhar e pintar na cidade natal.
Inspirado pelos ideais socialistas e pela estética soviética.
Passeou por diversos estilos.
Nos anos 60, passou uma temporada na Europa.
Teve contato com o que surgia de pop art americana.
E sua obra tomou a face pela qual ficaria mais conhecida.

A pintura de Glauco inspira-se no movimento americano.
No entanto, é tanto temática quanto esteticamente única.
A pop art se traduziu com uma mistura insólita de elementos da brasilidade.
Aguçados por um grande senso crítico e político.
Recriações de trechos de pinturas brasileiras clássicas.
Misturam-se a pássaros e vegetação exuberantes.
Garotas na praia de Ipanema e soldados da Polícia do Exército.
Fazem o contraponto que resume os dilemas brasileiros das décadas de 60 e 70.

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Andy Warhol e Glauco Rodrigues +++

Dos anos 50 à redemocratização, as pinturas de Glauco traçam um quadro.
Ao mesmo tempo alegre e inquietante da nossa realidade.
Triste às vezes, debochado e ácido quase sempre.
Andy Warhol eternizou as sopas Campbell.
E Glauco Rodrigues retratou os militares durante a ditadura.
É… Cada cultura tem seu ícone...

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco - Reconhecimento no Exterior +++

Em 2013, Glauco acabou recebendo reconhecimento no exterior.
Com a exposição "O Anjo da História".
Na Escola de Belas Artes de Paris,
Reconhecimento maior e melhor do que que costuma ter no Brasil.
Quer coisa mais brasileira do que isso?

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco do Brasil - O Documentário +++

Para realizar o filme, Zeca Brito partiu de uma gravação da infância.
Em 1998, aos 12 anos de idade, era um estudante, também de Bagé.
E entrevistou Glauco com uma câmera amadora.
Esse primeiro registro é retomado.
E acrescido de outras entrevistas de arquivo do próprio pintor.
E de conversas com amigos, personagens retratados, colecionadores e críticos.

Adaptado de Marcelo Bauer (BlogDoc)

Leonardo Brocker disse...

+++ Aniversário de 70 Anos de Glauco Rodrigues +++

O jovem Zeca Brito tinha apenas 12 anos de idade.
E foi com a família ao aniversário de um vizinho, em Bagé.
O aniversariante era o pintor Glauco Rodrigues.
Ele comemorava 70 anos.
Aproveitando a ocasião, Zeca levou sua câmera amadora.
E registrou uma rápida conversa com Glauco.
Questionou-o sobre o trabalho, a dimensão da obra.
E coletou conselhos para um artista em formação.
Tanto o próprio realizador-mirim.
Quanto qualquer outro que tivesse acesso a essas imagens.

Pois bem, nascia ali o documentário "Glauco do Brasil".
Dezoito anos depois, ganha enfim às telas de cinema.
E pelo resultado, percebe-se que toda essa espera valeu à pena...

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Cineasta Zeca Brito +++

Mais do que um cineasta, Zeca Brito é um agitador cultural.
Envolveu-se com cinema desde muito cedo.
É responsável pelo Festival Internacional de Cinema da Fronteira.
Esta acontece há quase uma década em sua cidade natal, Bagé.
Muito próxima das divisas com o Uruguai e com a Argentina.

Zeca também é responsável por uma série de curtas.
Alguns deles premiados no Brasil e no exterior.
E pelo longa de ficção "O Guri" (2011).
A história de um menino que vira lobisomem na Campanha gaúcha.

Como se percebe, ele está atento às diversas manifestações artísticas.
Sem preconceito de gênero ou estilo.
Seguindo essa linha, ele se aventura no registro documental.
"Glauco do Brasil" cumpre bem sua missão.
De resgatar a vida e a obra do biografado (1929-2004).
E também se revela inquieto o suficiente para ir além do esperado.
Demonstra paixão sobre a personalidade pela qual decidiu debruçar sua atenção.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco: De Bagé para O Mundo +++

"Glauco do Brasil" é tudo menos um filme bairrista.
Ainda que fortemente identificado com as cores do Rio Grande do Sul.
Assim como seu personagem fez quando vivo.
O longa parte do sul do Brasil para conquistar todo o país.
E ir além, estendendo-se pelo mundo.

Do Clube de Bagé, do qual fez parte.
Ao lado de outros expoentes como Danúbio Gonçalves e Vasco Prado.
Até sua decisão de morar no Rio de Janeiro.
E o quanto sua obra foi se adaptando a cada um dos cenários.
Passa-se também por suas experiências europeias.
Como as passagens pela Bienal de Paris (1961), de Veneza (1964).
E a influência da Pop Art norte-americana.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Trabalhos de Glauco e Depoimentos +++

O documentário não foge do registro mais tradicional.
Apresenta-se como um mosaico.
Composto por depoimentos alternados por imagens dos trabalhos do artista.
E o material coletado é bastante rico.
Tanto visualmente quanto de informações.
O que estimula o espectador a se aprofundar nesse universo.

Glauco foi praticamente relegado em seu país.
Para se tornar um ícone internacional.
Há relatos captados durante a exposição "O Anjo da História".
Esta ocorreu na Escola de Belas Artes de Paris em 2013.
Tais relatos ajudam a ilustrar essa condição.

Há tantos entrevistados.
Desde críticos e teóricos como Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant’Anna.
Até atores como Stepan Nercessian e Camila Amado.
E a conversa informal com o gigante colecionador Gilberto Chateaubriand.
Filho do próprio Chatô.
E dono da maior coleção de arte brasileira do país, com mais de 7 mil obras.

Ë o testemunho original de um profundo conhecedor sobre a grandeza do artista.
Feito determinante para revelar nossa própria ignorância.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Porta de Entrada a Um Grande Talento +++

Zeca Brito é inteligente também em não tornar seu trabalho cansativo.
Deixa o espectador com gostinho de quero mais.
E há muito ainda a ser descoberto sobre a obra de Glauco Rodrigues.
"Glauco do Brasil" é feliz inclusive em seu título.
Pois indica de partida a importância de sua arte.
Para a construção de nossa identidade nacional.
Revela ainda os momentos conturbados do último século.
Didático quando precisa, dinâmico na medida certa em sua construção.
Tem-se um filme iluminado, colorido e alegre.
Que reflete de forma eficiente as imagens perseguidas por Glauco.
E de produção detalhada.
É um longa que cumpre bem seu objetivo.
Não apenas de servir como resgate.
Mas também como porta de entrada a um dos grandes talentos brasileiros do século XX.

Adaptado de Robledo Milani (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco do Brasil - Depoimentos do Documentário +++

O documentário “Glauco do Brasil” resgata a trajetória de vida.
Além da obra e da carreira do gaúcho Glauco Rodrigues.
O diretor Zeca Brito concebeu e realizou o filme.
Este traz uma narrativa costurada por entrevistas.
Com intelectuais, artistas e críticos de arte.
Como Frederico Moraes, Luis Fernando Verissimo, Ferreira Gullar.
Affonso Romano, Sant'Anna, Nicolas Bourbiaud.
E o colecionador Gilberto Chateaubriand.

Adaptado de Correio do Povo (20/03/2016).

Leonardo Brocker disse...

+++ Um dos maiores nomes do Pop Art da América Latina +++

O fio condutor do documentário são os depoimentos de Glauco Rodrigues.
Um dos principais pintores do Pop Art da América Latina.
Depois de sua morte, em 2004, a obra permaneceu obscura até 2013.
Ocasião da exposição “O Anjo da História”.
Na Escola de Belas Artes de Paris.
Esta apresentou um novo olhar sobre o artista brasileiro.
O teórico francês Nicolas Bourriaud foi curador da exposição.
E descreveu Glauco como um artista esquecido em seu próprio país.

Adaptado de Correio do Povo (20/03/2016).

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Filme Essencialmente Gaúcho? +++

Confesso.
Pensei que assistiria a um filme, digamos, essencialmente gaúcho.
Quando vi que um cineasta gaúcho realizou um documentário.
Sobre o artista plástico igualmente gaúcho Glauco Rodrigues,
Nada contra, mesmo porque somos todos sabedores.
Que os gaúchos se constituem no povo que mais preza suas tradições.
E seus valores regionais.

Enganei-me redondamente.
“Glauco do Brasil” é, sim, um documentário.
Sobre um artista plástico gaúcho.
Realizado por um cineasta gaúcho.
Mas com pegada nacional.

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Vídeo Amador e A Exposição em Paris +++

Zeca Brito é roteirista e diretor.
Neste seu longa de estreia.
E nos prepara, no início do filme, uma simpática surpresa.

Brito muniu-se de uma câmera amadora.
E entrevistou Glauco pela primeira vez em 1998.
Na festa dos 70 anos do artista.
Ou seja, quando tinha somente 12 anos de idade.
E sem ainda ter ideia que um dia seria cineasta.

E não foi uma entrevista qualquer.
O material coletado na ocasião tem qualidades.
E está bem aproveitado no longa.
As antigas fitas ficaram “adormecidas” em alguma gaveta.
Até 2013, nove anos após a morte de Glauco.
Quando o artista passou por uma espécie de “redescobrimento”.
Com parte de sua obra ganhando uma exposição.
Na Escola de Belas Artes de Paris.

Brito percebeu então que era o momento de resgatar.
Não apenas o antigo material.
Como também a importância do artista plástico.

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ Glauco, O Tropicalista Renegado +++

Glauco foi também diretor de arte e ilustrador.
E o documentário “Glauco do Brasil” tem o mérito de permitir.
Que a obra do biografado seja de fato o grande objeto do filme.
Suas telas, suas artes gráficas e principalmente suas cores.
Elas explodem na tela do cinema com destaque e vigor.
E permitem que o espectador trave um conhecimento mais próximo de Glauco.
Afinal, este é efetivamente um dos objetivos do filme.
Tentar posicionar o artista no panteão dos grandes Tropicalistas.
Mérito que – segundo os depoentes do documentário – lhe foi negado em vida.
Há até o ensaio de uma espécie de “teoria da conspiração”.
Na qual o gaúcho Glauco permaneceu à margem das badalações da época.
Pelo suposto fato que o Tropicalismo ficou restrito a um grupo.
De artistas e críticos baianos e paulistas.
Talvez a teoria não resista a uma análise histórica mais aprofundada.
Mas esta pequena mágoa é corroborada por alguns depoentes.
Entre eles Luís Fernando Veríssimo.
De qualquer maneira, ficam claras as influências modernistas de Glauco.
Ele incorporou fortemente os elementos antropofágicos.
Criou uma obra claramente Pop.
Misturou santos cristãos com celebridades televisivas.
Cores em profusão.
Textos políticos a siluetas urbanas.
Pitadas de surrealismo.
E uma boa dose de inconformismo.

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Documentário que Efetivamente Documenta +++

A trajetória de Glauco pode ser claramente acompanhada no filme.
Através da evolução de sua arte.
E delineada didaticamente com depoimentos.
Que reúnem de Cecil Thiré e Ferreira Gullar.
De Stepan Nercessian ao já citado Veríssimo.
Além de entrevistas com Glauco em diferentes momentos de sua carreira.
Tudo regado a canções pontualmente escolhidas de João Bosco e Aldir Blanc.
Trata-se de um documentário que efetivamente documenta.
Como digo algumas vezes, brincando, mas nem tanto...

Adaptado de Celso Sabadin (Planeta Tela)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" (2016) +++

Diretor: Fernando Mantelli
Roteiro: Fernando Mantelli, Tiago Rezende

Áurea Baptista - Paula
Daniel Bastreghi - Vitorino
Rita Guedes - Anita
Eri Johnson - Azevedo
Leandro Lefa - Drogado

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

"Mar Inquieto"

Anita (Rita Guedes) era viciada em drogas.
E teve uma juventude conturbada.
Atualmente vive em uma praia.
Leva uma vida sem propósitos.
E amedrontada pelos próprios medos.
Enclausurada nesse local repleto de lendas.
Sobre demônios e vozes que vem do mar.
Mas o que ela mais teme está dentro de sua casa.
O marido, Vitorino (Daniel Bastreghi).

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Estreia do Diretor em Longas +++

Fernando Mantelli tem uma carreira extensa como curta-metragista.
Com trabalhos – em sua maioria – voltados para o fantástico.
Por isso, não é surpresa que seu primeiro longa passeie pelo gênero.
Embora não finque pé nele.
"Mar Inquieto" é uma mistura de sci-fi, thriller policial, suspense.
Com pitadas de comédia.
Apesar do filme não ter uma coesão neste sentido.
Isso acaba sendo um predicado.
Visto que os caminhos por quais a história se embrenha são insondáveis.
Com algumas boas surpresas e atuações acima da média.
O filme é um esforço interessante para um cineasta estreante em longas.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Sinopse +++

Fernando Mantelli e Tiago Rezende assinam a trama.
Nela, conhecemos Anita (Rita Guedes), uma ex-junkie.
Anita vive um relacionamento conturbado.
Com o explosivo Vitorino (Daniel Bastreghi).
Envolvido com negócios escusos, ele sonha ter um filho.
Mas a cada nova tentativa, uma nova decepção.
Anita toma uma atitude intempestiva e irreversível.
Depois de uma discussão acalorada.
E busca ajuda de Paula (Áurea Baptista), vizinha de confiança.
Para ajeitar a bagunça.
Se não bastasse isto, ela desconfia finalmente estar grávida.
E Hugo (Miguel Lunardi), perigoso comparsa do marido, passa a cercá-la.
Seria hora de ela dar ouvidos às vozes que tanto ouve vindas do mar?

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Suroresas do Roteiro +++

É obrigatório que algumas partes da sinopse sejam vagas.
Na tentativa de não estragar surpresas do roteiro.
De qualquer forma, o desenrolar dos acontecimentos surpreende.
Principalmente pela inclusão certeira do humor negro.
Que advém da participação roubadora de cena de Áurea Baptista.
São pitadas galhofeiras na trama.
Que revelam um senso de autorreferência muito curioso.
Quase como se os personagens entendessem que estão em história fictícia.
Talvez por isso o segundo ato do filme cresça tanto em relação ao primeiro.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Rita Guedes e Referências do Filme +++

Rita Guedes é protagonista e assina a produção do longa.
E entrega uma atuação segura.
Vive uma mulher forte e destemida.
Principalmente quando a trama se concentra no tempo presente.
Em que ela precisa se virar para escapar dos olhos de rapina.
De Hugo e seu capanga (Marcos Contreras).
Mas Rita Guedes não convence da mesma forma.
Quando a trama mostra seu passado junkie.

A dobradinha com Áurea Baptista são os melhores momentos do filme.
Por vermos duas mulheres numa relação que lembra muito Pedro Almodóvar.
É clara a referência à Volver (2006).
Um dos mais elogiados trabalhos do cineasta espanhol.
Também sobram referências ao cinema de Quentin Tarantino.
Pela mistura de referências que Mantelli e sua equipe trazem ao filme.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ Esforço da Produção de "Mar Inquieto" +++

"Mar Inquieto" é um produção esmerada.
Que utiliza muito bem o cenário do litoral gaúcho.
E apresenta uma rara e interessante cena em alto mar.
Com um pequeno barco e três personagens a bordo.
Salutar ver como um orçamento limitado.
Não restringe a criatividade ou a vontade de se fazer cinema.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Elementos que Não de Desenvolvem +++

Uma pena os elementos que poderiam ser desenvolvidos.
Mas são jogados e esquecidos pelo roteiro.
Os pontos sobrenaturais são colocados a esmo.
E descartados tão logo são introduzidos.
As lendas e crendices do local poderiam ser aproveitadas.
Mas são apenas citadas em cenas que parecem soltas.
O pretenso envolvimento de Anita com as vozes do mar é mal explorado.
Embora o desenho sonoro destes momentos tenha inegável qualidade.

A cena da carne crua serve como autorreferência.
A um curta anterior do cineasta.
Não é um catalisador plausível à grande virada da história.
Visto que nunca mais retorna à trama aquele gosto culinário curioso.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mar Inquieto" - Mais Acertos que Erros +++

Mas "Mar Inquieto" acerta muito mais do que erra o alvo.
Temos um esmerado trabalho sonoro.
Com a trilha e os efeitos trabalhando nos momentos certos.
Por vezes incomodando propositalmente o espectador.
É ótimo ver um longa nacional que se preocupa em contar a história.
Não apenas com imagens, mas com a ajuda de sons de forma pouco óbvia.
Não raro nos sentimentos desconfortáveis assistindo ao longa.
Principalmente por causa da camada sonora.
Que foi criada para entregar essa atmosfera.
A narrativa não-linear também funciona bem.
E revela informações sobre os personagens.
Ou sobre a trama que em um formato convencional perderiam o impacto.
E, claro, é salutar que acompanhemos uma história.
Encabeçada por uma personagem feminina forte.
Rita Guedes interpreta uma mulher corajosa, mas incompleta.
Alguém que passou pelo diabo no passado.
E só quer começar um capítulo novo em sua vida.
Para isso, no entanto, ela terá de sacrificar pontos.
Que pareciam importantes em sua trajetória.
Algo que se revela o verdadeiro motor do filme.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Papo de Cinema)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" (2001) +++

Diretores: Tabajara Ruas e Beto Souza
Adaptado de novela de Tabajara Ruas
Roteiro:
+ Beto Souza;
+ Fernando Marés de Souza;
+ Lígia Walper;
+ Rogério Brasil Ferrari;
+ Tabajara Ruas.

Elenco
+ Werner Schünemann - General Netto
+ Laura Schneider - Maria Escayola
+ Sirmar Antunes - Sargento Caldeira
+ Bebeto Alves - Violeiro
+ José Antônio Severo - Lucas de Oliveira
+ Lisa Becker - Enfermeira Catarina
+ Nélson Diniz - Teixeira
+ Márcia do Canto - Enfermeira Zubiaurre
+ Colmar Duarte - Calengo
+ Ricardo Duarte - João Antônio
+ Araci Esteves - Sra. Guimarães
+ João França - Capitão De Los Santos
+ Tau Golin - Corte Real
+ Arines Ibias - Dr. Phillip Blood
+ Letícia Liesenfeld - Maria Luiza
+ Milton Mattos - Maj. Davi
+ Laura Medina - Enfermeira Pilar
+ Hamilton Mosmann - Maçon
+ João Máximo - Quero-Quero
+ Fábio Neto - Mr. Thorton
+ Gilberto Perin - Padre
+ Miguel Ramos - Frei Bandoleiro
+ Thiago Real - Joaquim
+ Álvaro Rosa Costa - Palometa
+ Oscar Simch - Ramirez
+ Anderson Simões - Milonga
+ Edílson Villagram - Capataz

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" - Prêmios +++

Festival de Cinema de Brasilia 2001
+ Melhor Ator - Werner Schünemann;
+ Melhor Direção de Arte - Adriana Nascimento Borba.

Festival de Cinema de Gramado 2001
+ Prêmio da Audiência - Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro - Tabajara Ruas e Beto Souza;
+ Melhor Montagem - Lígia Walper;
+ Melhor Trilha Sonora - Celau Moreira;
+ Prêmio Especial do Júri - Tabajara Ruas e Beto Souza.

Huelva Latin American Film Festival 2001
+ Mejor Fotografía - Roberto Henkin

Festival de Cinema de Recife 2002
+ Prêmio Gilberto Freyre - Tabajara Ruas;
+ Melhor Roteiro - Tabajara Ruas, Beto Souza, Lígia Walper, Rogério Brasil Ferrari, Fernando Marés de Souza;
+ Melhor Atriz Coadjuvante - Sirmar Antunes;
+ Melhor Direção de Arte - Adriana Nascimento Borba.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" +++

Antônio de Sousa Neto é um general brasileiro.
É ferido no combate na Guerra do Paraguai.
A recuperação é no Hospital Militar de Corrientes, Argentina.
Lá ele percebe acontecimentos estranhos.
Um deles envolve o capitão de Los Santos.
Este acusa o cirurgião de amputar suas pernas sem necessidade.
Netto também reencontra um antigo camarada.
O sargento Caldeira, ex-escravo.
Os dois lutaram na Guerra dos Farrapos, décadas antes.
Com Caldeira, Netto rememora sua participação na guerra.
E o encontro com Milonga.
O jovem escravo que se alistou no Corpo de Lanceiros Negros.
Além do período em que viveu no exílio no Uruguai.

Fonte: Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidades de "Netto Perde Sua Alma" +++

Primeiro longa
É o primeiro longa-metragem dos diretores Tabajara Ruas e Beto Souza.
Ruas encarregou-se da parte escrita e dos atores.
E Souza cuidou das partes visual e técnica.

Filmagem em três etapas
As filmagens de Netto Perde Sua Alma ocorreram em três etapas:
+ setembro de 1999;
+ maio de 2000 e
+ janeiro de 2001.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Netto: História de lutas, amor, aventura e liberdade +++

O filme baseia-se no livro homônimo de Tabajara Ruas.
E recria a complexa personalidade do general Netto.
Ele comandou a cavalaria de gaúchos e lanceiros negros.
E foi orotagonista de dois episódios-chaves da história brasileira:
+ a Revolução Farroupilha (1835-1845) e
+ a Guerra do Paraguai (1861-1866).

Netto era favorável às chamadas liberdades civis.
Embora não tivesse um perfil claramente republicano.
Era contra a escravidão e nunca deixou de exercer sua liderança política.

Apesar de tantas batalhas, o guerreiro encontrou tempo para casar.
Teve duas filhas e cuidou de sua estância em Piedra Sola.
No distrito de Tacuarembó, no Uruguai.

O personagem vive um conflito com sua própria consciência.
E rememora o período da República Rio-Grandense.
Que ele proclamou em 1836, após o combate do Seival.
Lembra também da derrota, do exílio e da solidão.
Enfoques importantes do enredo que se passa no século XIX.

Adaptado de Página do Gaúcho

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" - Livro e Filme +++

A abordagem se liga ao romance "Netto Perde Sua Alma".
O processo de transposição para roteiro cinematográfigo.
E o trabalho de co-direção, com Beto Souza.
Bem como o trabalho de montagem do filme.

O general Antônio de Souza Netto fere-se na Guerra do Paraguai (1861-1866).
E é recolhido ao Hospital Militar de Corrientes, Argentina.
Percebe que ali acontecem coisas estranhas.
E uma noite recebe a visita do ex-escravo sargento Caldeira, antigo companheiro.
Juntos lembram guerras e rebeliões, amigos e inimigos, amores e desafetos.
Rememoram o passado comum durante a rebelião republicana no sul do Brasil.
A conhecida como Guerra dos Farrapos (1835-1845).
A Proclamação da República Rio-Grandense.
E a revolta dos soldados negros, após a guerra.
Na ocasião, ocorre o trágico encontro entre Netto, Caldeira e Milonga.
O jovem escravo alistou-se no Corpo de Lanceiros Negros.

Netto recorda também o exílio em Piedra Sola, no Uruguai.
Ali, conviveu com os fantasmas do passado.
E descobriu o amor, com Maria Escayola.

Agora na cama do hospital, Netto se depara com mais um desafio.
Deve vingar o capitão de los Santos.
Os dois veteranos enfrentam a derradeira batalha.
Naquela noite de surpreendentes revelações.
Unidos por um terrível segredo,

Tabajara Ruas, autor do romance e co-diretor do filme

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