sábado, 3 de dezembro de 2016

Exposição sobre o Escritor Simões Lopes Neto no Santander Cultural: “Onde Não Chega o Olhar, Prossegue o Pensamento”

Várias exposições lembram os cem anos de morte do escritor gaúcho João Simões Lopes Neto, em 2016. A do Santander Cultural pareceu-me a mais completa. Ela combinou as obras ficcionais com os registros históricos.

Simões Lopes Neto na Estância da Graça (1897) - Mostra do Santander Cultural
Simões Lopes Neto na Estância da Graça


O Gaúcho e O Pampa
A exposição “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” distribui-se em diversas ilhas de temas. Na entrada, cruza-se o galpão campeiro. Este remete ao tema ficcional da mostra: o gaúcho.

Crânio de Touro no Galpão Campeiro - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
O Galpão Campeiro

Em frente, o filme no telão projeta o visitante ao ambiente dos pampas. E uma mostra reúne cinco contos de Simões Lopes Neto. A estrutura lembra a das histórias em quadrinhos.

João Simões Lopes Neto - Mostra do Santander Cultural
João Simões Lopes Neto


Distribuição da Exposição
A distribuição da exposição divide, de maneira clara, os temas. À esquerda, ficam as referências à obra de Simões Lopes Neto. Ali, você verá ilustrações dos contos e edições de diversas épocas e idiomas.

Edições em Outros Idiomas - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
Edições em Outros Idiomas

À direita, você verá a parte histórica. Tanto de Simões Lopes Neto como da cidade de Pelotas e do Rio Grande do Sul. Ali, você conferirá documentos e fotografias que registram essa história.

Pelotas no Início do Século XX - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
Pelotas no Início do Século XX


Simões Lopes Neto: A Ficção
Uma parte da mostra mescla ficção e realidade. Painéis registram trechos de contos com a cidade a qual se relacionam. Lembro que quando estive em Quaraí, conheci o cerro da “Salamanca do Jarau”.

Baú com Trabalhos do Escritor - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
Baú com Trabalhos do Escritor

A seguir, vemos os desenhos. Nelson Faedrich ilustrou “Contos Gauchescos” e “Lendas do Sul”. Edgar Vasques desenhou os principais cavalos dos contos de Simões Lopes Neto. Glênio Bianchetti ilustrou o “Jogo do Osso”.

'Jogo do Osso' - Glênio Bianchetti (Linoleogravura, 1955)
'Jogo do Osso' - Glênio Bianchetti


Simões Lopes Neto: A História
No fundo do Santander Cultural, um mapa registra os principais pontos de Pelotas, no início do século XX. A seguir, diversas fotos. Destaque para a que Simões Lopes Neto aparece deitado, na Estância da Graça.

Estância da Graça, Pelotas - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
Estância da Graça, em Pelotas

Há mais duas curiosidades. O baú reúne documentos de trabalhos de Simões Lopes Neto. E há ainda o “Painel Farroupilha” que ele criou, em 1909, na inauguração do Monumento a Bento Gonçalves, em Rio Grande.

Painel Farroupilha - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
Painel Farroupilha

17 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Neto +++

Nasceu em Pelotas, em 09 de março de 1865.
Na época, ocorria a Guerra do Paraguai.
Aquele foi o maior conflito armado da América do Sul.

Na adolescência, foi para o Rio de Janeiro.
Lá, chegou a estudar Medicina.
Mas retornou a Pelotas, sem concluir o curso.

Atuou em diversas atividades comerciais.
Também atuou como jornalista.
Mas foi como escritor que conquistou um lugar na história.

As narrativas mais conhecidas: “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914).
Também compilou “O Cancioneiro Guasca” (1910).

Simões Lopes Neto redigiu, ainda, um livro de história local.
Mas “Terra Gaúcha” foi uma publicação póstuma.
Em vida, o escritor não teve qualquer reconhecimento.

Faleceu em Pelotas, em 14 de junho de 1916.
Pobre, doente e desacreditado.
Era um exemplo de azarento e fracassado.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ Nascimento e Infância do Escritor +++

João Simões Lopes Neto nasceu em 09 de março de 1865.
A Estância da Garça ficava a 29 km do centro de Pelotas.
E pertencia ao avô, João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça.
O escritor era filho de Catão Bonifácio Lopes, segundo filho de João.
E de Teresa Freitas Lopes, filha de estancieiros da região.

O primeiro neto homem do Visconde viveu até 1876 na Estância.
Aos onze anos, o escritor perdeu a mãe e mudou-se para Pelotas.
E jamais retornou à Estância da Garça de forma permanente.

Adaptado de Carlos Reverbel, “Um Capitão da Guarda Nacional”.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Origem Nobre de João Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto era neto de um visconde.
E pertencia às camadas mais influentes da sociedade pelotense.
Esta elite vinculava-se a três vias de mobilidade social:
+ Proteção política;
+ Êxito nos negócios e
+ Instrução superior.

A aristocracia do charque estabeleceu-se em Pelotas com ostentação.
Impôs estilos e padrões residenciais característicos.
E exerceu formas de consumo correspondentes.
Isso desenvolveu a atividade de diversos setores da economia.
Como manufatura, prestação de serviços e comércio varejista.
A população da cidade cresceu e desenvolveu-se o setor urbano.

Aldyr Garcia Schlee, “Lembrança de João Simões Lopes Neto”.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça +++

O avô de João Simões Lopes Filho nasceu em 01/08/1817.
Empreendedor, gozava de enorme prestígio e influência política.
Chegou a ser vice-governador da província.
E assumiu o governo pelo impedimento do titular.
Em 1835, militou na frente farroupilha e foi preso.
Na ocasião, deportaram-no para Pernambuco.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Obra de Simões Lopes Neto +++

A fonte de inspiração dos relatos era o folclore gaúcho.
Simões Lopes Neto recriou-o com riqueza poética.
Com uma linguagem revolucionária para os padrões da época.

Pelo legado literário, é o maior escritor regionalista gaúcho.
Simões Lopes Neto levou a mitologia gaúcha ao apogeu.
E depois, a dessacralização.

Mas suas obras têm um valor que ultrapassa o pitoresco.
E transcende a categoria que a literatura costuma fixá-lo.
Afinal, o artista tem algo a transmitir.

As obras impõem-se pela verdade social e psicológica das personagens.
Mesmo ao parecerem só o registro de uma situação cultural específica.

Vemos a singeleza de narradores como Blau Nunes e Romualdo.
Ela atesta a força pessoal de um estilo que domina a própria matéria.
Imprime densidade humana aos tipos regionais.
E inscreve-os no plano universal.

Por tudo isso, Simões Lopes Neto é o patriarca das letras gaúchas.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Contexto Histórico de Simões Lopes Neto +++

Simões Lopes Neto foi a expressão de seu tempo e lugar.
Na época, a atividade pecuária estava em decadência.
E a vivência campeira do escritor limitou-se a onze anos.
Neste período, ele viveu na estância do avô, o Visconde da Graça.
No fim do século XIX, Simões passou a viver em Pelotas.
O núcleo urbano ainda dependia da indústria do charque.
Depois, morou um tempo no Rio de Janeiro, ainda imperial.

Simões Lopes Neto fracassou em tudo em que empreendeu.
Seja nas áreas comercial e industrial.
Seja na prestação de serviços.
Mas a produção literária teve reconhecimento póstumo.
Tanto no caráter inventivo, como no criador.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” +++

O regionalismo de Simões celebra a ancestralidade em Blau Nunes.
E trata das complexidades humanas num mundo de fronteira.
“Contos Gauchescos” emergem de uma realidade nostálgica.
De um mundo em transformação.
Blau, o narrador, é o guasca sadio, a um tempo real e ingênuo.
Impulsivo na alegria e na temeridade.
Sua narrativa revela a rudeza das relações humanas de seu tempo.
Seus temores e suas imposições na vida no campo.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Lendas do Sul” +++

“Lendas do Sul” conduzem o leitor a um mundo fantástico.
Da solidez terrena, parte-se às cenas de transformação.
Na paisagem, no corpo e no espírito do personagem.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Teatro de Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto também foi autor teatro.
Usava o pseudônimo de Serafim Bemol.
E escrevia as peças com parceiros.
Como o cunhado Mouta Rara e o maestro Acosta y Oliveira.
Os textos tratavam de temas urbanos.
Mas em vários momentos, destacava os tipos interioranos.

A maioria da obra situa-se no gênero “teatro ligeiro”.
E tratava de temas leves e atuais.
O objetivo era a diversão pura e simples.
As peças de maior sucesso foram as comédias e as operetas.
Ao todo, João Simões Lopes Neto escreveu 14 peças:

+ “Os Bacharéis” (comédia-opereta, 1894);
+ “O Boato” (revista, 1896);
+ “Mixórdia” (revista, 1896);
+ “A Viúva Pitorra” (comédia, 1896);
+ “Coió Júnior” (cena breve, 1896);
+ “O Bicho” (comédia, 1898);
+ “A Fifina” (comédia, 1900);
+ “O Palhaço” (cena breve, 1900);
+ “Jojô e Jajá e Não Ioiô e Iaiá” (cena breve, 1901);
+ “Amores e Facadas ou Querubim Trovão” (comédia, 1901);
+ “O Maior Credor ou Por Causa das Bichas” (burleta, 1903);
+ “Valsa Branca” (cena breve, 1914);
+ “Sapatos de Bebê” (cena breve, paráfrase, 1915);
+ “Nossos Filhos” (drama, sem data).

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Sérgio Rial +++

João Simões Lopes Neto ultrapassa as tradições gaúchas.
Mas é fiel a uma cultura sólida, enraizada no povo do RS.
Retrata personagens densos, completos em suas peculiaridades.
E que são facilmente identificáveis nas pessoas do nosso cotidiano.

A mostra propõe uma visão ampla da trajetória do escritor.
Registra os legados cívico, jornalístico, dramatúrgico e literário.
Este compreende a família e o universo mítico das “Lendas do Sul”.
Além do regionalismo dos “Contos Gauchescos”.
Nesta, obra o escritor dá voz ao gaúcho.
Valoriza a história e a tradição do homem do campo.
E a própria formação do território do Rio Grande do Sul.

Adaptado do comentário de Sérgio Rial sobre a exposição.
Sérgio Rial é presidente do Santander Brasil.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Walter Lídio Nunes +++

Simões Lopes Neto não conheceu a fama em vida.
E morreu em situação de quase miséria.
Mas deixou o legado para as gerações que o sucederam.
E suas palavras tornaram-se a verdadeira fortuna do povo gaúcho.
Sentimo-nos compromissados de disseminar esta herança.
Que nossos pensamentos ultrapassem as fronteiras do infinito.
Assim como Simões Lopes Neto fez e nos inspira a fazer.

Adaptado do comentário de Walter Lídio Nunes sobre a exposição.
Walter Lídio Nunes é presidente da Celulose Riograndense.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Antônio Carlos Mazza Leite +++

João Simões Lopes Neto é o maior regionalista brasileiro.
Assim, defende Mário Barbosa Mattos, decano dos simoneanos.
Há um motivo: a publicação dos livros do escritor pelotense.
Isto o consagrou como um dos fundadores da literatura gaúcha.
E levou à edição de livros e ao reconhecimento no exterior.

A Livraria Universal (1887) editou os primeiros três livros.
E a exposição exibe as centenárias primeiras edições:
+ “Cancioneiro Guasca” (1910);
+ “Contos Gauchescos” (1911);
+ “Lendas do Sul” (1912).

Adaptado do texto de Antônio Carlos Mazza Leite sobre a exposição.
Mazza Leite é presidente do Instituto João Simões Lopes Neto.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Ceres Storchi +++

A exposição mostra Simões Lopes Neto a uma diversidade de pessoas.
Em especial, a quem talvez nunca buscasse ler o escritor.
Essa é a missão de “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento”.
Levar o visitante a ver e exercitar o mundo de Simões.
Perceber o tempo da sua existência e o seu legado como escritor.

A exposição mostra as visões de Simões em relação ao seu tempo.
E de estudiosos que o pesquisam e pressupõem seu processo criativo.
Os documentos testemunham as diversas atividades do escritor.
A sociabilidade, a visão cívica e o conhecimento da ciência.

Adaptado do comentário de Ceres Storchi, curadora da exposição.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Doze Cavalos da Obra de Simões Lopes Neto +++

O cavalo é um elemento presente na iconografia e história gaúchas.
O artista Edgar Vasques pintou doze cavalos, em aquarela.
São os principais cavalos que Simões Lopes Neto cita em sua obra:
Alasão, baio, bragado, colorado, lobuno e mouro.
Picaço, ruano, tobiano, tordilho, tostado e zaino.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Baú de Simões Lopes Neto +++

Em 30/11/43, a viúva do escritor escreveu a Manoelito de Ornellas.
Comunicou que recebeu uma mala, de uma cunhada.
Ali, estavam documentos de trabalhos de Simões Lopes Neto.
A Revista do Globo de 25/08/45 trouxe matéria de Carlos Reverbel.
O jornalista reportou o encontro com a viúva do escritor.
Ela apresentou a arca com antigos papeis. Reverbel registrou:
“São diversos manuscritos em papeis amarelados pelo tempo.
Cheirando forte à coisa velha, que muito pasto deu às traças”.
Em 22/06/77, Reverbel relembrou o encontro, na Folha da Tarde.
Disse que a viúva chamou de baú o espólio da obra do escritor.
Era uma antiga e desgastada mala cinza, de papelão grosso.
Ela reunia manuscritos, livros técnicos e documentos.
Além de jornais e recortes do arquivo de Simões Lopes Neto.

Acervo de Fausto J. L. Domingues

Leonardo Brocker disse...

+++ Painel Farroupilha de Simões Lopes Neto +++

O escritor João Simões Lopes Neto elaborou o painel, em 1909.
Na ocasião, inaugurou-se o monumento-jazigo de Bento Gonçalves.
Ele fica em Rio Grande e abriga os restos mortais do general.

Acervo de Fausto J. L. Domingues

Leonardo Brocker disse...

+++ Santander Cultural +++

O Banco da Província, o primeiro do RS, surgiu em 1858.
O Banco Nacional do Comércio o sucedeu.
Theodor Wiederspahn projetou a sede, na Praça da Alfândega.
A ornamentação ficou a cargo de Fernando Corona.
E a construção se estendeu de 1927 a 1931.

Destacam-se os ricos detalhes artísticos.
Em uma linguagem arquitetônica eclética.
Com elementos neoclássicos.
No interior, sobressaem-se os vitrais franceses.

Em 1987, o Estado tombou o prédio patrimônio cultural.
A construção passou por restauro e adaptações.
E, hoje, sedia o Santander Cultural.
Com cinema, sala de exposições e palestras.
Além de bar e restaurante.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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