domingo, 4 de dezembro de 2016

A Obra de Simões Lopes Neto em Quadrinhos

“Contos Gauchescos” e “Lendas do Sul” em quadrinhos. Esta é a área mais bacana da mostra "Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento". Ela ocorre no Santander Cultural e homenageia João Simões Lopes Neto na ocasião do centenário da morte do escritor.

'No Manantial', Ellen Costa - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'No Manantial'

'Trezentas Onças', Nico Rocha - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'Trezentas Onças'

'Negrinho do Pastoreio', Mateus Conter - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'Negrinho do Pastoreio'

'No Manantial' - Ellen Costa, Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'No Manantial'

'Trezentas Onças' - Nico Rocha, Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'Trezentas Onças'

'Negrinho do Pastoreio' - Mateus Conter, Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'Negrinho do Pastoreio'

'Contrabandista', Mariana Bede - Mostra Simões Lopes Neto, Santander Cultural
'Contrabandista'

20 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Neto +++

Nasceu em Pelotas, em 09 de março de 1865.
Na época, ocorria a Guerra do Paraguai.
Aquele foi o maior conflito armado da América do Sul.

Na adolescência, foi para o Rio de Janeiro.
Lá, chegou a estudar Medicina.
Mas retornou a Pelotas, sem concluir o curso.

Atuou em diversas atividades comerciais.
Também atuou como jornalista.
Mas foi como escritor que conquistou um lugar na história.

As narrativas mais conhecidas: “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914).
Também compilou “O Cancioneiro Guasca” (1910).

Simões Lopes Neto redigiu, ainda, um livro de história local.
Mas “Terra Gaúcha” foi uma publicação póstuma.
Em vida, o escritor não teve qualquer reconhecimento.

Faleceu em Pelotas, em 14 de junho de 1916.
Pobre, doente e desacreditado.
Era um exemplo de azarento e fracassado.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ Nascimento e Infância do Escritor +++

João Simões Lopes Neto nasceu em 09 de março de 1865.
A Estância da Garça ficava a 29 km do centro de Pelotas.
E pertencia ao avô, João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça.
O escritor era filho de Catão Bonifácio Lopes, segundo filho de João.
E de Teresa Freitas Lopes, filha de estancieiros da região.

O primeiro neto homem do Visconde viveu até 1876 na Estância.
Aos onze anos, o escritor perdeu a mãe e mudou-se para Pelotas.
E jamais retornou à Estância da Garça de forma permanente.

Adaptado de Carlos Reverbel, “Um Capitão da Guarda Nacional”.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Origem Nobre de João Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto era neto de um visconde.
E pertencia às camadas mais influentes da sociedade pelotense.
Esta elite vinculava-se a três vias de mobilidade social:
+ Proteção política;
+ Êxito nos negócios e
+ Instrução superior.

A aristocracia do charque estabeleceu-se em Pelotas com ostentação.
Impôs estilos e padrões residenciais característicos.
E exerceu formas de consumo correspondentes.
Isso desenvolveu a atividade de diversos setores da economia.
Como manufatura, prestação de serviços e comércio varejista.
A população da cidade cresceu e desenvolveu-se o setor urbano.

Aldyr Garcia Schlee, “Lembrança de João Simões Lopes Neto”.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça +++

O avô de João Simões Lopes Filho nasceu em 01/08/1817.
Empreendedor, gozava de enorme prestígio e influência política.
Chegou a ser vice-governador da província.
E assumiu o governo pelo impedimento do titular.
Em 1835, militou na frente farroupilha e foi preso.
Na ocasião, deportaram-no para Pernambuco.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Obra de Simões Lopes Neto +++

A fonte de inspiração dos relatos era o folclore gaúcho.
Simões Lopes Neto recriou-o com riqueza poética.
Com uma linguagem revolucionária para os padrões da época.

Pelo legado literário, é o maior escritor regionalista gaúcho.
Simões Lopes Neto levou a mitologia gaúcha ao apogeu.
E depois, a dessacralização.

Mas suas obras têm um valor que ultrapassa o pitoresco.
E transcende a categoria que a literatura costuma fixá-lo.
Afinal, o artista tem algo a transmitir.

As obras impõem-se pela verdade social e psicológica das personagens.
Mesmo ao parecerem só o registro de uma situação cultural específica.

Vemos a singeleza de narradores como Blau Nunes e Romualdo.
Ela atesta a força pessoal de um estilo que domina a própria matéria.
Imprime densidade humana aos tipos regionais.
E inscreve-os no plano universal.

Por tudo isso, Simões Lopes Neto é o patriarca das letras gaúchas.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Contexto Histórico de Simões Lopes Neto +++

Simões Lopes Neto foi a expressão de seu tempo e lugar.
Na época, a atividade pecuária estava em decadência.
E a vivência campeira do escritor limitou-se a onze anos.
Neste período, ele viveu na estância do avô, o Visconde da Graça.
No fim do século XIX, Simões passou a viver em Pelotas.
O núcleo urbano ainda dependia da indústria do charque.
Depois, morou um tempo no Rio de Janeiro, ainda imperial.

Simões Lopes Neto fracassou em tudo em que empreendeu.
Seja nas áreas comercial e industrial.
Seja na prestação de serviços.
Mas a produção literária teve reconhecimento póstumo.
Tanto no caráter inventivo, como no criador.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” +++

O regionalismo de Simões celebra a ancestralidade em Blau Nunes.
E trata das complexidades humanas num mundo de fronteira.
“Contos Gauchescos” emergem de uma realidade nostálgica.
De um mundo em transformação.
Blau, o narrador, é o guasca sadio, a um tempo real e ingênuo.
Impulsivo na alegria e na temeridade.
Sua narrativa revela a rudeza das relações humanas de seu tempo.
Seus temores e suas imposições na vida no campo.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Lendas do Sul” +++

“Lendas do Sul” conduzem o leitor a um mundo fantástico.
Da solidez terrena, parte-se às cenas de transformação.
Na paisagem, no corpo e no espírito do personagem.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Teatro de Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto também foi autor teatro.
Usava o pseudônimo de Serafim Bemol.
E escrevia as peças com parceiros.
Como o cunhado Mouta Rara e o maestro Acosta y Oliveira.
Os textos tratavam de temas urbanos.
Mas em vários momentos, destacava os tipos interioranos.

A maioria da obra situa-se no gênero “teatro ligeiro”.
E tratava de temas leves e atuais.
O objetivo era a diversão pura e simples.
As peças de maior sucesso foram as comédias e as operetas.
Ao todo, João Simões Lopes Neto escreveu 14 peças:

+ “Os Bacharéis” (comédia-opereta, 1894);
+ “O Boato” (revista, 1896);
+ “Mixórdia” (revista, 1896);
+ “A Viúva Pitorra” (comédia, 1896);
+ “Coió Júnior” (cena breve, 1896);
+ “O Bicho” (comédia, 1898);
+ “A Fifina” (comédia, 1900);
+ “O Palhaço” (cena breve, 1900);
+ “Jojô e Jajá e Não Ioiô e Iaiá” (cena breve, 1901);
+ “Amores e Facadas ou Querubim Trovão” (comédia, 1901);
+ “O Maior Credor ou Por Causa das Bichas” (burleta, 1903);
+ “Valsa Branca” (cena breve, 1914);
+ “Sapatos de Bebê” (cena breve, paráfrase, 1915);
+ “Nossos Filhos” (drama, sem data).

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Sérgio Rial +++

João Simões Lopes Neto ultrapassa as tradições gaúchas.
Mas é fiel a uma cultura sólida, enraizada no povo do RS.
Retrata personagens densos, completos em suas peculiaridades.
E que são facilmente identificáveis nas pessoas do nosso cotidiano.

A mostra propõe uma visão ampla da trajetória do escritor.
Registra os legados cívico, jornalístico, dramatúrgico e literário.
Este compreende a família e o universo mítico das “Lendas do Sul”.
Além do regionalismo dos “Contos Gauchescos”.
Nesta, obra o escritor dá voz ao gaúcho.
Valoriza a história e a tradição do homem do campo.
E a própria formação do território do Rio Grande do Sul.

Adaptado do comentário de Sérgio Rial sobre a exposição.
Sérgio Rial é presidente do Santander Brasil.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Walter Lídio Nunes +++

Simões Lopes Neto não conheceu a fama em vida.
E morreu em situação de quase miséria.
Mas deixou o legado para as gerações que o sucederam.
E suas palavras tornaram-se a verdadeira fortuna do povo gaúcho.
Sentimo-nos compromissados de disseminar esta herança.
Que nossos pensamentos ultrapassem as fronteiras do infinito.
Assim como Simões Lopes Neto fez e nos inspira a fazer.

Adaptado do comentário de Walter Lídio Nunes sobre a exposição.
Walter Lídio Nunes é presidente da Celulose Riograndense.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Antônio Carlos Mazza Leite +++

João Simões Lopes Neto é o maior regionalista brasileiro.
Assim, defende Mário Barbosa Mattos, decano dos simoneanos.
Há um motivo: a publicação dos livros do escritor pelotense.
Isto o consagrou como um dos fundadores da literatura gaúcha.
E levou à edição de livros e ao reconhecimento no exterior.

A Livraria Universal (1887) editou os primeiros três livros.
E a exposição exibe as centenárias primeiras edições:
+ “Cancioneiro Guasca” (1910);
+ “Contos Gauchescos” (1911);
+ “Lendas do Sul” (1912).

Adaptado do texto de Antônio Carlos Mazza Leite sobre a exposição.
Mazza Leite é presidente do Instituto João Simões Lopes Neto.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Ceres Storchi +++

A exposição mostra Simões Lopes Neto a uma diversidade de pessoas.
Em especial, a quem talvez nunca buscasse ler o escritor.
Essa é a missão de “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento”.
Levar o visitante a ver e exercitar o mundo de Simões.
Perceber o tempo da sua existência e o seu legado como escritor.

A exposição mostra as visões de Simões em relação ao seu tempo.
E de estudiosos que o pesquisam e pressupõem seu processo criativo.
Os documentos testemunham as diversas atividades do escritor.
A sociabilidade, a visão cívica e o conhecimento da ciência.

Adaptado do comentário de Ceres Storchi, curadora da exposição.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” (Lagoa Vermelha) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Lagoa Vermelha é o cenário de “No Manantial”.
Segue um trecho deste conto:

Eu, desde guri, conheci o lagoão.
Já tapado pelos capins.
Mas o lugar sempre respeitado,
Como um tremedal perigoso:
Até contavam de um mascate.
Que aí se atolou e sumiu-se.
Com duas mulas cargueiras.
E canastras e tudo.

Leonardo Brocker disse...

+++ No Manantial – TV Brasil +++

Para muitos é a obra-prima de Simões Lopes Neto como contista.
Narra episódios que ocorreram na tapera do Mariano.
Lá, até hoje, uma voluptuosa roseira adorna o perigoso lagoão.
Este oculta um sumidouro que até os animais evitam.
Ali, ocorreu a trágica fuga da jovem Maria Altina.
O cargoso Chicão a perseguia.
Enquanto todos se divertiam num casamento na estância vizinha.
O que era uma morada ajeitada e promissora hoje virou tapera.
Com direito a assombrações para os tropeiros que pousam por ali.

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” Filmow +++

O curta se baseia na obra de Simões Lopes Neto.
E mostra a obsessão de um homem por uma mulher.
"Manantial" é uma palavra de origem castelhana.
E significa atoleiro, pântano, sumidouro.
Mas o manantial dessa história não é um lugar qualquer.
Um mistério ronda o banhado.
E a causa é uma emocionante história de amor.
Chicão ama Maria Altina.
Mas ela se apaixonou por André.
Este deu a ela uma rosa vermelha.
E esse simples gesto mudará a vida de todos.

Elenco
+ Ida Celina;
+ João França;
+ Pedro Camargo;
+ Rafael Tombini;
+ Sissi Venturin;
+ Zeca Brito.

Leonardo Brocker disse...

+++ "No Manantial" +++

Mariano veio de Cima da Serra.
Trouxe a filha, a sogra, a irmã da sogre e alguns negros.
Quando Maria Altina tinha 16 anos, o rancho era o paraíso!
Era uma fartura: árvores, lavoura, criação.

Certa vez, eles foram ao povoado rezar o terço.
A reza foi na casa do Brigadeiro Machado.
Lá, Maria Altina conheceu André.
E este deu a ela uma rosa vermelha.
Maria Altina levou a rosa e plantou-a no rancho.
E a roseira pegou.

Outra vez, André hospedou-se no rancho de Mariano.
Foi um arranjo do Brigadeiro.
A alegria foi geral.
E firmou-se o trato de casamento.

A um quarto de légua do rancho, vivia Chico Triste.
E Chicão, o filho mais velho, enrabichava-se por Altina.
Ela, porém, tinha medo e raiva dele.
Chicão pediu à Maria Altina uma muda da roseira.
Ela disse a ele que pegasse.
Chicão trazia bichos de presente para ela.
E Maria Altina soltava-os no campo.

Quando soube do casamento, Chicão espumou de raiva.

Na véspera do caso, houve um batizado na casa de Chico Triste.
A festa seria no dia seguinte.
Na ocasião, só Maria Altina e a avó estavam no rancho.
Da varanda, Maria Altina ouviu um baque na cozinha.
Foi olhar e encontrou a avó no chão.
Chicão acabara de matar a senhora.
Ele agarra Maria Altina, que morde o braço de Chicão.

Maria Altina foge a cavalo.
Mas Chicão a persegue.
Ela corre para o manantial e ali eles afundam.
Só se consegue ver a rosa que Altina carrega.
E da flor, surge uma roseira, que cresce no meio do pântano.

Resumo do conto "No Manantial".

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contrabandista” (Alegrete) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Alegrete é o cenário de “Contrabandista”.
Segue um trecho deste conto:

Foi o tempo do manda-quem-pode!
E foi o tempo que o gaúcho, o seu cavalo e o seu facão, sozinhos, defenderam estes pagos!

Leonardo Brocker disse...

+++ "Contrabandista" +++

O contrabando era anterior ao período das Missões.
De início, era o gado que cruzava pela fronteira.
Mas com a Guerra do Paraguai o dinheiro brasileiro valorizou.
Isso aumentou o contrabando na região.
E Jango Jorge era um dos principais contrabandistas.

Jango pertenceu ao esquadrão do "Anjo da Vitória".
Mas vivia quebrado. Pois era muito "mão aberta".
A mulher de Jango ainda era mocetona.
E a bela filha estava para casar.
Assim, Jango saiu de madrugada para buscar o vestido...

Todos aguardavam o casamento e Jango não retornava.
E a noiva não aparecia, pois não tinha o vestido.
Bateram na porta do porta da moça.
E ela chorava, ainda com o vestido de chita.
Ela ria pelo casamento. Mas chorava pelo vestido que não vinha...

Então, alguém gritou que vinha Jango Jorge com mais gente.
A alegria logo se desfez.
A guarda da fronteira crivou Jango de balas...

A comitiva desceu o corpo de cima do cavalo.
A esposa desamarrou o pacote junto ao corpo do marido.
Dentro, estava o vestido, todo manchado de sangue...

Resumo do conto "Contrabandista".

Leonardo Brocker disse...

+++ Santander Cultural +++

O Banco da Província, o primeiro do RS, surgiu em 1858.
O Banco Nacional do Comércio o sucedeu.
Theodor Wiederspahn projetou a sede, na Praça da Alfândega.
A ornamentação ficou a cargo de Fernando Corona.
E a construção se estendeu de 1927 a 1931.

Destacam-se os ricos detalhes artísticos.
Em uma linguagem arquitetônica eclética.
Com elementos neoclássicos.
No interior, sobressaem-se os vitrais franceses.

Em 1987, o Estado tombou o prédio patrimônio cultural.
A construção passou por restauro e adaptações.
E, hoje, sedia o Santander Cultural.
Com cinema, sala de exposições e palestras.
Além de bar e restaurante.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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