quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O Filme "Contos Gauchescos" - Documentário e Quatro Contos de Simões Lopes Neto

“Contos Gauchescos” adaptou ao cinema quatro contos do livro homônimo de Simões Lopes Neto. E entrou na mostra “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento”. As exibições ocorreram no Santander Cultural.

Documentário Simões Lopes Neto [Contos Gauchescos, 2012]
Documentário Simões Lopes Neto
   
Simões Lopes Neto nasceu em 1865. Faleceu, aos 51 anos, em 1916. Com isso, em 2015, homenagearam-se os 150 anos de nascimento. E, em 2016, os cem anos de morte do escritor regionalista gaúcho.


O Filme “Contos Gauchescos”
Cinco curtas-metragens compõem o filme “Contos Gauchescos”. O primeiro deles é um documentário. Os demais são adaptações de contos de Simões Lopes Neto. As filmagens ocorreram em São Gabriel e Piratini.

Os Cabelos da China [Contos Gauchescos, 2012]
Os Cabelos da China

“Contos Gauchescos” – o livro e o filme – têm Blau Nunes como a figura principal. É o tropeiro quem conta os causos. No filme, “Os Cabelos da China”, “Jogo do Osso”, “Contrabandista” e “No Manantial”.


O Documentário
O primeiro curta aborda a vida e o legado de João Simões Lopes Neto. A infância, na Estância da Garça, em Pelotas. Os estudos no Rio de Janeiro. O retorno. O fracasso nos negócios. E a carreira como escritor.

Jogo do Osso [Contos Gauchescos, 2012]
Jogo do Osso


Os Cabelos da China
A história se passa durante a Revolução Farroupilha. E a cena inicial mostra o final do conto. Blau Nunes aparece no enterro de Rosa, a china. E joga os cabelos dela sobre o caixão. Na época, Blau Nunes ainda era jovem...


“Jogo do Osso”
O narrador, desta vez, conta a história de Chico Ruivo. Chico Ruivo aposta Lalica, a mulher, no Jogo do Osso. Perde o jogo e a bela esposa. O desfecho é trágico. Acaba em morte e fuga. Ou, quem sabe, suicídio...

O Contrabandista [Contos Gauchescos, 2012]
O Contrabandista


“Contrabandista”
Jango Jorge vive de contrabandos. Cruza o rio com mercadorias do Uruguai para o RS. A polícia espera pela oportunidade de pegar Jango. Ela aparece quando Jango cruza o rio com o vestido de casamento da filha...


No Manantial
Chicão corteja Maria Altina. E ela o ignora. Ele descobre o interesse de outro homem. O ciúme o consome. E Chicão persegue Maria Altina, a cavalo, até o manantial. E ali, todos se afogam. No manantial, surge uma roseira.

No Manantial [Contos Gauchescos, 2012]
No Manantial


Impressão Geral do Filme
Os contos abordam crimes e relacionamentos. E o cenário são os pampas gaúchos. Blau Nunes é o elo das histórias. Destaque à paisagem e à música. São os temperos de um enredo que prende a atenção do espectador.

O filme motivou a leitura do livro. Sei que há o risco da decepção. Seja em relação ao filme. Seja em relação ao livro. Afinal, ao lermos, criamos uma imagem que talvez não corresponda à do diretor...

29 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Neto +++

Nasceu em Pelotas, em 09 de março de 1865.
Na época, ocorria a Guerra do Paraguai.
Aquele foi o maior conflito armado da América do Sul.

Na adolescência, foi para o Rio de Janeiro.
Lá, chegou a estudar Medicina.
Mas retornou a Pelotas, sem concluir o curso.

Atuou em diversas atividades comerciais.
Também atuou como jornalista.
Mas foi como escritor que conquistou um lugar na história.

As narrativas mais conhecidas: “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914).
Também compilou “O Cancioneiro Guasca” (1910).

Simões Lopes Neto redigiu, ainda, um livro de história local.
Mas “Terra Gaúcha” foi uma publicação póstuma.
Em vida, o escritor não teve qualquer reconhecimento.

Faleceu em Pelotas, em 14 de junho de 1916.
Pobre, doente e desacreditado.
Era um exemplo de azarento e fracassado.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ Nascimento e Infância do Escritor +++

João Simões Lopes Neto nasceu em 09 de março de 1865.
A Estância da Garça ficava a 29 km do centro de Pelotas.
E pertencia ao avô, João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça.
O escritor era filho de Catão Bonifácio Lopes, segundo filho de João.
E de Teresa Freitas Lopes, filha de estancieiros da região.

O primeiro neto homem do Visconde viveu até 1876 na Estância.
Aos onze anos, o escritor perdeu a mãe e mudou-se para Pelotas.
E jamais retornou à Estância da Garça de forma permanente.

Adaptado de Carlos Reverbel, “Um Capitão da Guarda Nacional”.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Origem Nobre de João Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto era neto de um visconde.
E pertencia às camadas mais influentes da sociedade pelotense.
Esta elite vinculava-se a três vias de mobilidade social:
+ Proteção política;
+ Êxito nos negócios e
+ Instrução superior.

A aristocracia do charque estabeleceu-se em Pelotas com ostentação.
Impôs estilos e padrões residenciais característicos.
E exerceu formas de consumo correspondentes.
Isso desenvolveu a atividade de diversos setores da economia.
Como manufatura, prestação de serviços e comércio varejista.
A população da cidade cresceu e desenvolveu-se o setor urbano.

Aldyr Garcia Schlee, “Lembrança de João Simões Lopes Neto”.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça +++

O avô de João Simões Lopes Filho nasceu em 01/08/1817.
Empreendedor, gozava de enorme prestígio e influência política.
Chegou a ser vice-governador da província.
E assumiu o governo pelo impedimento do titular.
Em 1835, militou na frente farroupilha e foi preso.
Na ocasião, deportaram-no para Pernambuco.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Obra de Simões Lopes Neto +++

A fonte de inspiração dos relatos era o folclore gaúcho.
Simões Lopes Neto recriou-o com riqueza poética.
Com uma linguagem revolucionária para os padrões da época.

Pelo legado literário, é o maior escritor regionalista gaúcho.
Simões Lopes Neto levou a mitologia gaúcha ao apogeu.
E depois, a dessacralização.

Mas suas obras têm um valor que ultrapassa o pitoresco.
E transcende a categoria que a literatura costuma fixá-lo.
Afinal, o artista tem algo a transmitir.

As obras impõem-se pela verdade social e psicológica das personagens.
Mesmo ao parecerem só o registro de uma situação cultural específica.

Vemos a singeleza de narradores como Blau Nunes e Romualdo.
Ela atesta a força pessoal de um estilo que domina a própria matéria.
Imprime densidade humana aos tipos regionais.
E inscreve-os no plano universal.

Por tudo isso, Simões Lopes Neto é o patriarca das letras gaúchas.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Contexto Histórico de Simões Lopes Neto +++

Simões Lopes Neto foi a expressão de seu tempo e lugar.
Na época, a atividade pecuária estava em decadência.
E a vivência campeira do escritor limitou-se a onze anos.
Neste período, ele viveu na estância do avô, o Visconde da Graça.
No fim do século XIX, Simões passou a viver em Pelotas.
O núcleo urbano ainda dependia da indústria do charque.
Depois, morou um tempo no Rio de Janeiro, ainda imperial.

Simões Lopes Neto fracassou em tudo em que empreendeu.
Seja nas áreas comercial e industrial.
Seja na prestação de serviços.
Mas a produção literária teve reconhecimento póstumo.
Tanto no caráter inventivo, como no criador.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” +++

O regionalismo de Simões celebra a ancestralidade em Blau Nunes.
E trata das complexidades humanas num mundo de fronteira.
“Contos Gauchescos” emergem de uma realidade nostálgica.
De um mundo em transformação.
Blau, o narrador, é o guasca sadio, a um tempo real e ingênuo.
Impulsivo na alegria e na temeridade.
Sua narrativa revela a rudeza das relações humanas de seu tempo.
Seus temores e suas imposições na vida no campo.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Lendas do Sul” +++

“Lendas do Sul” conduzem o leitor a um mundo fantástico.
Da solidez terrena, parte-se às cenas de transformação.
Na paisagem, no corpo e no espírito do personagem.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Teatro de Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto também foi autor teatro.
Usava o pseudônimo de Serafim Bemol.
E escrevia as peças com parceiros.
Como o cunhado Mouta Rara e o maestro Acosta y Oliveira.
Os textos tratavam de temas urbanos.
Mas em vários momentos, destacava os tipos interioranos.

A maioria da obra situa-se no gênero “teatro ligeiro”.
E tratava de temas leves e atuais.
O objetivo era a diversão pura e simples.
As peças de maior sucesso foram as comédias e as operetas.
Ao todo, João Simões Lopes Neto escreveu 14 peças:

+ “Os Bacharéis” (comédia-opereta, 1894);
+ “O Boato” (revista, 1896);
+ “Mixórdia” (revista, 1896);
+ “A Viúva Pitorra” (comédia, 1896);
+ “Coió Júnior” (cena breve, 1896);
+ “O Bicho” (comédia, 1898);
+ “A Fifina” (comédia, 1900);
+ “O Palhaço” (cena breve, 1900);
+ “Jojô e Jajá e Não Ioiô e Iaiá” (cena breve, 1901);
+ “Amores e Facadas ou Querubim Trovão” (comédia, 1901);
+ “O Maior Credor ou Por Causa das Bichas” (burleta, 1903);
+ “Valsa Branca” (cena breve, 1914);
+ “Sapatos de Bebê” (cena breve, paráfrase, 1915);
+ “Nossos Filhos” (drama, sem data).

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Sérgio Rial +++

João Simões Lopes Neto ultrapassa as tradições gaúchas.
Mas é fiel a uma cultura sólida, enraizada no povo do RS.
Retrata personagens densos, completos em suas peculiaridades.
E que são facilmente identificáveis nas pessoas do nosso cotidiano.

A mostra propõe uma visão ampla da trajetória do escritor.
Registra os legados cívico, jornalístico, dramatúrgico e literário.
Este compreende a família e o universo mítico das “Lendas do Sul”.
Além do regionalismo dos “Contos Gauchescos”.
Nesta, obra o escritor dá voz ao gaúcho.
Valoriza a história e a tradição do homem do campo.
E a própria formação do território do Rio Grande do Sul.

Adaptado do comentário de Sérgio Rial sobre a exposição.
Sérgio Rial é presidente do Santander Brasil.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Walter Lídio Nunes +++

Simões Lopes Neto não conheceu a fama em vida.
E morreu em situação de quase miséria.
Mas deixou o legado para as gerações que o sucederam.
E suas palavras tornaram-se a verdadeira fortuna do povo gaúcho.
Sentimo-nos compromissados de disseminar esta herança.
Que nossos pensamentos ultrapassem as fronteiras do infinito.
Assim como Simões Lopes Neto fez e nos inspira a fazer.

Adaptado do comentário de Walter Lídio Nunes sobre a exposição.
Walter Lídio Nunes é presidente da Celulose Riograndense.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Antônio Carlos Mazza Leite +++

João Simões Lopes Neto é o maior regionalista brasileiro.
Assim, defende Mário Barbosa Mattos, decano dos simoneanos.
Há um motivo: a publicação dos livros do escritor pelotense.
Isto o consagrou como um dos fundadores da literatura gaúcha.
E levou à edição de livros e ao reconhecimento no exterior.

A Livraria Universal (1887) editou os primeiros três livros.
E a exposição exibe as centenárias primeiras edições:
+ “Cancioneiro Guasca” (1910);
+ “Contos Gauchescos” (1911);
+ “Lendas do Sul” (1912).

Adaptado do texto de Antônio Carlos Mazza Leite sobre a exposição.
Mazza Leite é presidente do Instituto João Simões Lopes Neto.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Ceres Storchi +++

A exposição mostra Simões Lopes Neto a uma diversidade de pessoas.
Em especial, a quem talvez nunca buscasse ler o escritor.
Essa é a missão de “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento”.
Levar o visitante a ver e exercitar o mundo de Simões.
Perceber o tempo da sua existência e o seu legado como escritor.

A exposição mostra as visões de Simões em relação ao seu tempo.
E de estudiosos que o pesquisam e pressupõem seu processo criativo.
Os documentos testemunham as diversas atividades do escritor.
A sociabilidade, a visão cívica e o conhecimento da ciência.

Adaptado do comentário de Ceres Storchi, curadora da exposição.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” Filmow +++

Dirigido por: Henrique de Freitas Lima
Duração: 100 Minutos

Transpõe para o cinema histórias de Simões Lopes Neto.
Isso faz do diretor um remador quase solitário.
Na recriação do passado mítico do Rio Grande do Sul.
O filme é, sobretudo, uma motivação afetiva:
“Se essas histórias não forem contadas por gaúchos, quem vai contar?”.

Simões Lopes Neto publicou “Contos Gauchescos” em 1911.
O lançamento do filme ocorreu em 2011.
Exatamente cem anos após a publicação do livro.
E por força das circunstâncias, coincidiu com a efeméride.

Henrique de Freitas Lima captou as primeiras imagens em 2006.
E as últimas, em 2010.
Cumpriu os percalços recorrentes da produção de cinema no país.
Que são ainda mais penosos a quem se aventura em filmes de época:
“Drama de época é um filme maldito.
A captação de recursos é mais difícil.
Com o filme pronto, poucos distribuidores se interessam por ele”.

O diretor mostra quatro das 19 histórias do livro:
Os Cabelos da China, Jogo do Osso, Contrabandista e No Manantial.
Há ainda um prólogo documental, que Pedro Zimmermann dirigiu.

Freitas Lima desenvolveu o projeto, inicialmente, para a televisão.
E planeja incluir os contos “Trezentas Onças” e “Negro Bonifácio”:
“Pensava em fazer uma versão para a TV e outra para o cinema.
Esta sem o prólogo.
Mas percebi que ele era importante.
Para o público conhecer o autor da obra.
Também deixei a marcação com letreiros.
Nas transições de um episódio para outro.
Penso que o público do filme é variado.
Há conhecedores da obra de Simões Lopes Neto.
E jovens estudantes que podem ser levados ao livro pelo filme”.

As locações ocorreram em Pelotas, São Gabriel e Piratini.
E emprestam ao filme grande autenticidade cênica.
O cuidado também inclui as recriações de festas.
A prosódia, o figurino e os usos e costumes ancestrais.
Eles passaram pelo crivo de historiadores e tradicionalistas.

Leonardo Brocker disse...

+++ Contos Gauchescos: Das Páginas às Telas de Cinema +++

O ano de 2012 marca a efeméride de 100 anos de publicação.
E a releitura mais comentada não é uma nova edição da obra.
Ou um romance que dialogue com o mestre.
E sim um belo filme dirigido por Henrique de Freitas Lima.

“Contos Gauchescos” traz cinco episódios.
Quando reunidos, chegam a 1 hora e 40 minutos.
O primeiro é um documentário sobre Simões Lopes Neto.
Os demais são versões cinematográficas para os contos:
O Cabelo da China, Jogo do Osso, Contrabandista e No Manantial.

O que de imediato impressiona é a beleza da fotografia.
E a meticulosa reconstituição dos cenários e figurinos de época.
Edu Amorim é o diretor de fotografia.
E valoriza o vasto pampa gaúcho com planos abertos.
Eles harmonizam na tela o azul do céu e o verde do pampa.
Cenário invariavelmente rasgado por belos cavalos e cavaleiros.

Pedro Zimmermann é o diretor de cena.
E trabalha com poucos cenários fechados para cada história.
Mas reconstrói esses cenários em detalhes.
Estes ajudam a resgatar o tempo de Simões Lopes Neto.
Revelam uma parte do conto que só tínhamos na imaginação.
E surpreende o espectador que seja também leitor de Simões.

Mas Freitas Lima procura manter o roteiro no texto do autor.
O que talvez seja possível pela própria estética do autor.
Antes desse clássico, ele foi um profícuo autor de peças teatrais.
Assim, o encadeamento das cenas já está no texto.
O diretor soube levá-las à cena e preservou aspectos estruturais.
Como a narratividade, a linguagem e o ponto de vista narrativo.
Por vezes, isso não é o mais comum para o cinema.
No entanto, tal escolha acrescenta muito ao filme.
Como na cena em que a família de Jango observa sua chegada.
Ele retorna à estância, depois de muito atraso.
Na cena anterior, Jango percebe o cerco dos castelhanos.
Diante do perigo iminente, parte em disparada com os amigos.
Aí há um corte.
E vemos a família de Jango Jorge olhando para o horizonte.
Feliz com a chegada do homem.
A câmera acompanha os olhares daquela gente.
Eles se desesperam com o prenúncio da tragédia.
À medida que veem o cavalo vindo com Jango caído sobre ele.

Tal inversão de foco narrativo dá um grau de sutileza ao filme.
Pois transforma o clímax não no tiro levado pelo herói.
Mas no desespero causado na família.

Até porque as histórias de Simões não são de guerras e tiros.
São histórias de amor, ciúme, medo e desespero.
Como os clássicos de todos os tempos e gentes.
Como Shakespeare, Goethe, Machado.

Além disso, o narrador conduz os contos com seu linguajar peculiar.
Por vezes, surge em background no meio da história.

Mas é preciso observar a ausência de contos significativos do livro.
Como “Trezentas Onças” e “O Boi Velho”.
Não que as histórias escolhidas não sejam importantes.
Mas as quatro têm em comum a tristeza, a morte, o desfecho trágico.
Dá a impressão de que essa é a tônica dos contos.
Para quem tem ali o primeiro contato com Simões Lopes Neto.
“Trezentas Onças” inicia o livro e apresenta o perfil e o caráter de Blau.
Culmina num final feliz que abre caminho para as tragédias seguintes.

É evidente, porém, que era preciso fazer escolhas.
Para levar a cabo um projeto como a filmagem de “Contos Gauchescos”.
E o saldo é largamente positivo.
Verdade que agora muitos jovens conhecerão Simões pelas telas.
E alguns talvez o conheçam apenas pelas telas.
Mas isso é apenas sintoma de nossa cultura contemporânea.
Em que o “desafeto pela leitura é um fenômeno reconhecido”.
Conforme palavras de Perrone e Moisés.

Adaptado da Resenha de Marcelo Spalding.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” no Cinema +++

A maioria dos 600 integrantes do elenco são moradores locais.
E atores amadores de grupos de teatro.
Os apostadores coadjuvantes em “Jogo do Osso” são jogadores.
Todos fizeram laboratório com especialistas.
E uma imersão prolongada no universo campeiro.

No elenco principal, destaca-se Pedro Machado.
Ele interpreta Blau Nunes, o narrador de Simões Lopes Neto.
E conduz os espectadores pelas histórias.
Há também nomes conhecidos, como:
+ Leonardo Machado e Roberto Birindelli, em “Os Cabelos da China”;
+ Tiago Real e Evandro Soldatelli, em “Jogo do Osso”;
+ Nelson Diniz e Ingra Liberato, em “Contrabandista”;
+ Sissi Venturin e Rafael Tombini, em “No Manantial”.

Adaptado de Marcelo Perrone, Zero Hora.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Os Cabelos da China” (São João Batista do Erval) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
São João Batista do Erval é o cenário de “Os Cabelos da China”.
Segue um trecho deste conto:

Vancê sabe que eu tive e me servi muito tempo,
Dum buçalete e cabresto feitos de cabelo de mulher?

Verdade que fui inocente no caso.

Leonardo Brocker disse...

“Os Cabelos da China – TV Brasil”

Blau Nunes e Juca Picumã integram um piquete farroupilha.
E desenvolvem uma camaradagem de companheiros de armas.
O velho Juca Picumã entra com a experiência.
E o Blau Nunes com o ardor juvenil.
Nas conversas na beira do fogo, o velho introduz a figura da filha.
Ele envia a ela tudo o que guarda desta vida ingrata.
Uma missão de batalha vai permitir o encontro deles com Rosa.
Ela se amigou com um oficial legalista.
E tem uma trança de cabelos negros que lhe chega aos joelhos.
Mas o feitiço da Rosa se vira contra a feiticeira.
Em uma história de amores brutos e amizade entre guerreiros.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Os Cabelos da China” +++

Blau Nunes joga na cova o cabresto.
E conta a história deste cabresto.
Para isso, precisa falar de Juca Picumã...

Juca vivia de forma precária.
Pobre como um rato de igreja.
Dormia como um lagarto.
Sempre despilchado.
Pois todo o dinheiro que ganhava, mandava para Rosa.
Rosa era a bela filha de Juca Picumã...

Blau Nunes conheceu Juca na Guerra dos Farrapos...

Certo dia, o capitão farrapo convocou Juca Picumã.
Queria que ele e Blau fossem até o acampamento legalista.
E dissessem que eram desertores das tropas farrapas.
Os farrapos já andavam há dois dias no mata.
Estavam no encalço do comandante legalista.
Ele seduziu a china do capitão farrapo.
Assim, Juca e Blau deveriam distrair os legalistas.
E prender o comandante e a china...

A caminho do acampamento, um soldado os parou.
Juca disse que ele e Blau queriam lutar contra os farrapos.
O soldado deixou-os passar.
E disse para falarem que o Marcos deixou-os passar.
O mesmo aconteceu com João Antônio, o segundo sentinela.

No acampamento, indicou a carroça do comandante.
Logo, a china saiu.
Juca cobriu o rosto.
E Blau comentou sobre a beleza da moça.

Um soldado anunciou que os farrapos mataram João Antônio.
Ao ouvir, Ruivo, o comandante fugiu.
A china, também, tentou fugir.
Mas Juca a segurou.
O capitão farrapo, então, pegou a moça.
Preparava-se para passar a faca no pescoço da china.
Mas Juca enfiou o facão no peito do capitão e disse:
"Isso não! É minha filha!"

O capitão segurava a china pela trança.
Juca cortou-a, libertando a filha.
E perguntou a Blau se iria dar parte dele.

Blau Nunes não contou nada sobre o episódio.
E três meses depois, Juca deu a ele o cabresto de presente.
Tempos depois, Picumã estava no leito de morte.
E pediu para ver Blau.
Juca disse que fez o cabresto com a trança do cabelo de Rosa.
Blau prometeu que devolveria o cabresto a Juca.
Antes disso, Juca morreu.
E Blau não soube onde ocorreu o enterro.
Ao saber da morte de Rosa, foi ao cemitério.
E jogou o cabresto na cova china...

Resumo de “Os Cabelos da China”.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Jogo do Osso” – TV Brasil +++

Os jogadores lançam o osso da canela do boi.
Alternam os lances em uma cancha parelha.
Tem-se a “suerte” e o “culo”.
Dependendo da posição em que o osso cai.

Os gaudérios Chico Ruivo e Osoro lançam-se na timba.
Até as últimas consequências...
E a coisa fica perigosa quando a Lalica vira aposta.
Lalica era a china de Chico Ruivo.

A gauchada fica surpresa com os rumos da jogatina.
E acompanha a entrega da prenda como dívida de jogo.
Segue-se o fandango e a canha solta.
Eles serão os responsáveis pela tragédia que passa a espreitar a farra.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Jogo do Osso” Filmow +++

O destino de um homem que não desiste da sorte.
Mesmo que o azar insista em prevalecer.
As mulheres se distraem com as novidades de roupas.
E com os adornos que chegaram.
E os homens se divertem com o jogo do osso.
Um deles aposta tudo o que tem.
Inclusive a própria mulher.
À noite, em um baile, tem o orgulho ferido.
E um acesso de loucura que pode acabar em tragédia.

Elenco
+ Evandro Soldatelli;
+ Lurdes Eloy;
+ Miguel Ramos;
+ Renata de Lelis;
+ Tiago Real.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Jogo do Osso” +++

A vendola do Arranhão ficava pouco para fora da vila.
Arranhão era meio espanhol, meio gringo.
E sempre se enganava para menos no troco.
Arrumava jogos e dançarolas para atrair gente.
E vender bebida, comida e doces.
Esse era o gavião...

Osoro era um moreno milongueiro.
Contava histórias e tomava mate com as mulheres.

Chico Ruivo era um domador e morava com Lalica.
Era agregado num rincão da Estância da Palma.

No dia do jogo, o Chico perdia uma em cima da outra.
Depois de perder tudo, Osoro fez uma proposta.
Sugeriu a Chico Ruivo que apostasse a Lalica.
Chico aceitou.
E perdeu...

À noite, no bolicho do Arranhão, Chico contou à Lalica.
Osoro tirou-a para dançar.
E Chico Ruivo atacou-os com um facão.
Matou Osoro e Lalica com um golpe só.
Deu ordem para seguirem o baile.
E fugiu no cavalo ruano de Osoro.

O Arranhão comentou que eles jogaram o osso o dia inteiro.
E ninguém o pagou...

Resumo do conto “Jogo do Osso”.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contrabandista” (Alegrete) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Alegrete é o cenário de “Contrabandista”.
Segue um trecho deste conto:

Foi o tempo do manda-quem-pode!
E foi o tempo que o gaúcho, o seu cavalo e o seu facão, sozinhos, defenderam estes pagos!

Leonardo Brocker disse...

+++ "Contrabandista" +++

O contrabando era anterior ao período das Missões.
De início, era o gado que cruzava pela fronteira.
Mas com a Guerra do Paraguai o dinheiro brasileiro valorizou.
Isso aumentou o contrabando na região.
E Jango Jorge era um dos principais contrabandistas.

Jango pertenceu ao esquadrão do "Anjo da Vitória".
Mas vivia quebrado. Pois era muito "mão aberta".
A mulher de Jango ainda era mocetona.
E a bela filha estava para casar.
Assim, Jango saiu de madrugada para buscar o vestido...

Todos aguardavam o casamento e Jango não retornava.
E a noiva não aparecia, pois não tinha o vestido.
Bateram na porta do porta da moça.
E ela chorava, ainda com o vestido de chita.
Ela ria pelo casamento. Mas chorava pelo vestido que não vinha...

Então, alguém gritou que vinha Jango Jorge com mais gente.
A alegria logo se desfez.
A guarda da fronteira crivou Jango de balas...

A comitiva desceu o corpo de cima do cavalo.
A esposa desamarrou o pacote junto ao corpo do marido.
Dentro, estava o vestido, todo manchado de sangue...

Resumo do conto "Contrabandista"

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” (Lagoa Vermelha) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Lagoa Vermelha é o cenário de “No Manantial”.
Segue um trecho deste conto:

Eu, desde guri, conheci o lagoão.
Já tapado pelos capins.
Mas o lugar sempre respeitado,
Como um tremedal perigoso:
Até contavam de um mascate.
Que aí se atolou e sumiu-se.
Com duas mulas cargueiras.
E canastras e tudo.

Leonardo Brocker disse...

+++ No Manantial – TV Brasil +++

Para muitos é a obra-prima de Simões Lopes Neto como contista.
Narra episódios que ocorreram na tapera do Mariano.
Lá, até hoje, uma voluptuosa roseira adorna o perigoso lagoão.
Este oculta um sumidouro que até os animais evitam.
Ali, ocorreu a trágica fuga da jovem Maria Altina.
O cargoso Chicão a perseguia.
Enquanto todos se divertiam num casamento na estância vizinha.
O que era uma morada ajeitada e promissora hoje virou tapera.
Com direito a assombrações para os tropeiros que pousam por ali.

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” Filmow +++

O curta se baseia na obra de Simões Lopes Neto.
E mostra a obsessão de um homem por uma mulher.
"Manantial" é uma palavra de origem castelhana.
E significa atoleiro, pântano, sumidouro.
Mas o manantial dessa história não é um lugar qualquer.
Um mistério ronda o banhado.
E a causa é uma emocionante história de amor.
Chicão ama Maria Altina.
Mas ela se apaixonou por André.
Este deu a ela uma rosa vermelha.
E esse simples gesto mudará a vida de todos.

Elenco
+ Ida Celina;
+ João França;
+ Pedro Camargo;
+ Rafael Tombini;
+ Sissi Venturin;
+ Zeca Brito.

Leonardo Brocker disse...

+++ "No Manantial" +++

Mariano veio de Cima da Serra.
Trouxe a filha, a sogra, a irmã da sogre e alguns negros.
Quando Maria Altina tinha 16 anos, o rancho era o paraíso!
Era uma fartura: árvores, lavoura, criação.

Certa vez, eles foram ao povoado rezar o terço.
A reza foi na casa do Brigadeiro Machado.
Lá, Maria Altina conheceu André.
E este deu a ela uma rosa vermelha.
Maria Altina levou a rosa e plantou-a no rancho.
E a roseira pegou.

Outra vez, André hospedou-se no rancho de Mariano.
Foi um arranjo do Brigadeiro.
A alegria foi geral.
E firmou-se o trato de casamento.

A um quarto de légua do rancho, vivia Chico Triste.
E Chicão, o filho mais velho, enrabichava-se por Altina.
Ela, porém, tinha medo e raiva dele.
Chicão pediu à Maria Altina uma muda da roseira.
Ela disse a ele que pegasse.
Chicão trazia bichos de presente para ela.
E Maria Altina soltava-os no campo.

Quando soube do casamento, Chicão espumou de raiva.

Na véspera do caso, houve um batizado na casa de Chico Triste.
A festa seria no dia seguinte.
Na ocasião, só Maria Altina e a avó estavam no rancho.
Da varanda, Maria Altina ouviu um baque na cozinha.
Foi olhar e encontrou a avó no chão.
Chicão acabara de matar a senhora.
Ele agarra Maria Altina, que morde o braço de Chicão.

Maria Altina foge a cavalo.
Mas Chicão a persegue.
Ela corre para o manantial e ali eles afundam.
Só se consegue ver a rosa que Altina carrega.
E da flor, surge uma roseira, que cresce no meio do pântano.

Resumo do conto "No Manantial".

Leonardo Brocker disse...

+++ Santander Cultural +++

O Banco da Província, o primeiro do RS, surgiu em 1858.
O Banco Nacional do Comércio o sucedeu.
Theodor Wiederspahn projetou a sede, na Praça da Alfândega.
A ornamentação ficou a cargo de Fernando Corona.
E a construção se estendeu de 1927 a 1931.

Destacam-se os ricos detalhes artísticos.
Em uma linguagem arquitetônica eclética.
Com elementos neoclássicos.
No interior, sobressaem-se os vitrais franceses.

Em 1987, o Estado tombou o prédio patrimônio cultural.
A construção passou por restauro e adaptações.
E, hoje, sedia o Santander Cultural.
Com cinema, sala de exposições e palestras.
Além de bar e restaurante.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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