sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Roteiro com as Escadarias do Filme “Nós Duas Descendo a Escada”

Assisti ao filme “Nós Duas Descendo a Escada”, no Festival de Cinema de Gramado de 2015. Ele conta a história do relacionamento de nove meses de Adri e Mona. E os encontros e desencontros em escadas de Porto Alegre.

Escadaria do Ricaldone, entre as Ruas Santo Inácio e Marquês do Pombal , Porto Alegre
Escadaria do Ricaldone, em Porto Alegre

A cidade é repleta de altos e baixos. E as escadas são uma alternativa óbvia para vencer os desníveis das ruas. Nem tão óbvio, porém, é pensar um roteiro que contemple a visitação dessas escadarias.


Escada da Rua Cônego Viana
Esta escadaria comunica a Rua Cônego Viana, o ponto mais alto, com a Dr Lauro de Oliveira. Acaba próxima à entrada do Colégio Americano. A Rua Rua Cônego Viana caracteriza-se pelas casas de arquitetura modernista.

Escadaria entre Rua Cônego Viana e Dr Lauro de Oliveira, Porto Alegre
Escadaria da Rua Cônego Viana

Mapa com a Localização da Escadaria da Rua Cônego Viana à Rua Dr Lauro de Oliveira, Porto Alegre (Mapa)
Mapa da Escadaria da Rua Cônego Viana


Escada da Avenida Maryland
Fica na Rua Tito Lívio Zambecari, no bairro Bela Vista. No ponto em que e rua cruza a Avenida Maryland. Só estranha a falta de capricho no cuidado da escadaria. Ainda mais se considerarmos que fica em um bairro nobre.

Escadaria da Rua Tito Lívio Zambecari até a Avenida Maryland, Porto Alegre
Escadaria da Avenida Maryland

Mapa com a Localização da Escadaria da Rua Tito Lívio Zambecari até a Avenida Maryland, Porto Alegre (Mapa)
Mapa da Escadaria da Avenida Maryland


Escada do Morro Ricaldone
Comunica a Rua Santo Inácio, no bairro Moinhos de Vento, com a Rua Marquês do Pombal, no bairro Auxiliadora. É uma das escadarias mais belas de Porto Alegre. Do alto, avista-se o Lago Guaíba, no centro da cidade.

Escadaria do Ricaldone: comunica as Ruas Santo Inácio e Marquês do Pombal, em Porto Alegre
Escadaria do Ricaldone

Mapa com a Localização da Escadaria do Ricaldone, Porto Alegre (Mapa)
Mapa da Escadaria do Ricaldone


Escada da Rua Couto de Magalhães
Menos conhecida, a vertiginosa escadaria fica na Rua Couto de Magalhães. Entre as ruas Filadélfia e Maryland, no bairro Higienópolis. Como moro por ali, subo e desço esta escadaria com alguma frequência...

Escadaria da Rua General Couto de Magalhães, Porto Alegre
Escadaria da Rua Couto de Magalhães

Mapa com a Localização da Escadaria da Rua General Couto de Magalhães, Porto Alegre (Mapa)
Mapa da Escadaria da Couto de Magalhães


Escada 24 de Maio
A escadaria fica na continuação da Rua 24 de Maio. Entre as ruas Duque de Caxias e André da Rocha. Ela comunica o Centro Histórico à Cidade Baixa. Esta escadaria é a que mais chama a atenção, por ser colorida...

Escadaria 24 de Maio, Centro de Porto Alegre
Escadaria 24 de Maio

Mapa com a Localização da Escadaria 24 de Maio, Centro Histórico de Porto Alegre
Mapa da Escadaria 24 de Maio

  
Escada do Viaduto Otávio Rocha
Sem dúvida, é a escadaria mais famosa de Porto Alegre. Ela fica no Viaduto Otávio Rocha. O ponto onde a Avenida Borges de Medeiros cruza abaixo da Rua Duque de Caxias. Ao redor, bares e o Hotel Everest.

Escada do Viaduto Otávio Rocha,  Centro de Porto Alegre
Escada do Viaduto Otávio Rocha

Mapa com a Localização da Escadaria do Viaduto Otávio Rocha, Centro Histórico de Porto Alegre
Mapa da Escada do Viaduto Otávio Rocha

15 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” (2015) +++

Elas são bem diferentes.
Adri acabou a faculdade de artes.
Mas vive naquele limbo posterior à formatura.
Perdida entre a terapia e um bico em uma livraria.
Além das conversas com o único amigo.
Mona é uma arquiteta sem neurose.
Com planos, dinheiro e uma turma cheia de parcerias.
Então, as duas se conhecem, ao acaso.
Na escada de um prédio comercial de Porto Alegre.
Uma paixão, com a cidade de fundo.
E o vento soprando os dias.
Entre a primavera e o inverno.
Entre o céu azul e o algodão das nuvens.
Elas redescobrem que a intimidade tem seus encantos.
Nove meses. Nove escadas. E nove estações de amor.

Duração: 1h47min
Diretor: Fabiano de Souza
Redação: Fabiano de Souza

Elenco:
Carina Dias (Mona)
Miriã Possani (Adri)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” +++

Escrito e dirigido por Fabiano de Souza.
Estrelado por Carina Dias e Miriá Possani.
A produção acompanha nove meses do relacionamento de duas mulheres.
Iniciando pelo final de semana em que elas se conhecem.

"A ideia era fazer um filme com intensidade que reverberasse a alma apaixonada.
Um filme que vibrasse com cores, diálogos e músicas.
Embebido de melodrama, musical, comédia, cinema íntimo, existencial.
Com alegria e tristeza no último volume", explica o diretor.

A música original foi composta por Frank Jorge.
Inspirada nos primeiros filmes do mestre francês François Truffaut.
"Me ajude a lembrar" é uma canção de clima sessentista.
E ganhou um videoclipe produzido pela Rainer Cine.

Adaptado de Roger Lerina, Zero Hora

Leonardo Brocker disse...

+++ Festival de Gramado 2015 +++

Éneas de Souza debateu ideias do livro “Trajetórias do Cinema Moderno”.
Depois, o público dirigiu-se ao Palácio dos Festivais.
Para assistir ao filme “Nós Duas Descendo a Escada”.
Eis o novo longa-metragem Fabiano de Sousa, filho de Eneas.
O filme participou da Mostra de Longas Gaúchos (não competitiva).

E conta o amor homoafetivo entre duas mulheres.
Uma arquiteta e uma jovem recém-formada pela Faculdade de Artes.
E gerou uma brincadeira com o título do longa de 107 minutos:
“Azul é a Cor Mais Morna”.
Uma referência ao filme do franco-tunisiano Abdelatif Kechiche.

Há muito sexo no filme de Fabiano.
Mas não tão explícito e intenso quanto o poderoso longa.
Que conquistou, dois ou três anos atrás, a Palma de Ouro em Cannes.

Fabiano concebeu O filme antes de “Azul é a Cor Mais Quente”.
Mas como veio, cronologicamente, depois, a comparação será inevitável.
As duas protagonistas do filme são talentosas.
Principalmente a que interpreta a jovem recém-formada.

O forte e poético registro da cidade de Porto Alegre nos cativa.
Em especial, em seus edifícios e escadarias.

A leveza da câmara de Bruno Polidoro é o que o filme tem de melhor.
É tributária dos filmes da Nouvelle Vague, em especial os de Rohmer.

Mas falta força ao roteiro.
Fato agravado por uma direção de arte excessiva e fashion.

Adaptado de Maria do Rosário Caetano, Revista de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Emociona Menos do que Poderia +++
 
É a primeira comédia romântica brasileira protagonizada por duas mulheres.
Diz o material publicitário de "Nós Duas Descendo a Escada".
O longa foi escrito e dirigido por Fabiano de Souza.
Mas não é plenamente bem­sucedido.
Apesar da representatividade, sempre bem­vinda e necessária.

O filme alterna tiques habituais do cinema gaúcho contemporâneo.
Com uma bela e intensa história de amor.
"Nós Duas Descendo a Escada" emociona menos do que poderia.
Apesar do ótimo trabalho das atrizes, Miriã Possani e Carina Dias.

No início é como "Azul É a Cor Mais Quente", de Abdellatif Kechiche.
Com cenas de sexo entre Adri (Possani) e Mona (Dias). 
Depois lembra "Amores Urbanos".
A surpreendente estreia de Vera Egito no longa­metragem.

A semelhança com o filme de Kechiche está:
+ no erotismo homossexual feminino visto por um olhar masculino;
+ na impressão de que as duas atrizes mereciam direção mais criteriosa.

Trata­se de uma obra de cinéfilo.
Há a referência ao "Nu Descendo a Escada", de Marcel Duchamp.
Tem alusões a filmes de Godard, a"Casablanca", a longas de Arnaldo Jabor.
E uma homenagem a Carlos Reichenbach, falecido em 2012.

Alguns momentos são fortes, como a despedida no aeroporto.
O choro da pessoa amada é uma das coisas mais tristes do mundo. 
Mas no geral o filme é bem irregular. 

Adaptado de Sérgio Alpendre, Folha de São Paulo

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica Cine Pop +++

Me ajude a lembrar quantas declarações de amor eu falei.
Como nosso amor começou?
"Nós duas descendo a Escada" chega diretamente de Porto Alegre.
Uma das gratas surpresas do universo cinematográfico brasileiro deste ano.
Dirigido pelo cineasta Fabiano de Souza, é um leve e bonito conto moderno.
Que fala sobre o amor entre duas mulheres de maneira cativante.

A trilha sonora do filme é belíssima.
Às vezes um pouco demasiada demais para algumas sequencias.
Porém com força o suÒciente para se destacar.
Sem incomodar na maior parte do tempo.

Na trama, conhecemos Adri (Miriã Possani), uma jovem cheia de sonhos.
Em um encontro inusitado, acaba conhecendo Mona (Carina Dias).
Uma carismática mulher por quem se apaixona perdidamente. 
Assim, suas semanas nunca mais serão as mesmas.
Os dias mais intensos.
Sempre em busca de fugir da tal da solidão longe de seu grande amor.

Basicamente, as idas e vindas de um amor entre duas jovens.
Completamente diferentes.
E que encontram no amor a poesia das metáforas do cotidiano.

Referências à sétima arte, ao mundo das artes, à literatura.
O roteiro navega em águas categóricas para criar suas interações.
Em alguns momentos parece que estamos vendo declamações de poemas.
Uma espécie de licença poética impactante em meio à trama.

A história é contada de maneira cronológica.
E não deixa de ser objetiva.
Há uma grande sacada para a fluidez da.
A personalidade, bem distanciada, das duas protagonistas.


A bicicleta como carruagem.
Um manual para despedidas.
Cartazes de filmes,
um drink bate igual a três quando se está sozinho.
Quem não quer um final feliz pra sua história?

O longa também fala sobre a saudade.
A única palavra que tem tradução somente no português.
E nesse sentimento que só nós temos a tradução.
É onde o filme navega por águas melancólicas com subidas e descidas.
Estas podem tocar alguns, outros não.
Mas que sempre conta com a força cênica e talentosa.
De duas atrizes que dão luz à esse belo conto de amor.

Adaptado de Rafael Camacho

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica da Revista Veja +++

O drama brasileiro "Nós Duas Descendo a Escada" acompanha nove meses do romance.
Entre a tímida Adri (Miriã Possani) e a vulcânica Mona (Carina Dias).
Com uma caprichada seleção de temas musicais.
As atrizes convencem sobretudo nas cenas de intimidade à flor da pele.
Apesar do enredo singelo.

Adaptado da Tiago Faria

Leonardo Brocker disse...

+++ "Vermelho é a cor mais quente" +++

A trama lembra a de um dos filmes mais marcantes desta década.
O francês "Azul é a cor mais quente" (2013).
Mas a história tem brilho próprio.
Conta paixão entre a jovem e inexperiente Adri (Miriã Possani).
E a segura e determinada Mona (Carina Dias).

Este é o segundo longa-metragem do cineasta Fabiano de Souza.
Ele estreou em 2010 com "A última estrada da praia".
Depois de dirigir ótimos curtas.
Como "Um estrangeiro em Porto Alegre" (1999).
E especialmente "Cinco naipes" (2004).

Os cabelos loiros de Mona são como os azuis de Emma.
A personagem de Léa Seydoux no filme de Abdellatif Kechiche.
A metáfora de um novo mundo que se descortina para Adri.
Espécie de Adèle a flanar hesitante pelas ruas da Capital.

Fabiano de Souza as filmou durante nove meses.
E apresenta o arco da relação, estabelecido nesse período.
Em capítulos correspondentes a cada mês do relacionamento.
Esses entrechos não são fechados em si.
Mas funcionam isoladamente.
Em parte por conta da elaboração do roteiro em meio às filmagens.
Os intervalos funcionam como grandes elipses narrativas.
E cada um dos mergulhos na intimidade das duas têm as próprias revelações.
Geralmente sobre temas usuais das relações.
Ciúme, possessão, renúncia a projetos pessoais em nome da parceria.

Trata-se de uma maneira inventiva de apresentar os clichês dos romances.
O que já vinha prenunciado pela escolha de duas personagens do mesmo sexo.
Mas a maior força do filme está na maneira de abordar o tempo nesse contexto.
O próprio diretor assina o roteiro.
E a organicidade deste é semelhante à de "Boyhood" (2014).
Ainda que o período destacado pelo longa gaúcho seja bem menor.
Na comparação com o ensaio sobre o amadurecimento de Richard Linklater.
Nós duas... é, também, um filme sobre o crescimento.
Mais de Adri do que de Mona.
Mas fundamentalmente do que Adri vivenciou desde que conheceu Mona.

Miriã Possani dá conta do desafio.
Adri tem seu olhar doce e inseguro.
E ao mesmo tempo, movimentos de quem domina plenamente o espaço cênico.
Vale conferir seu trabalho corporal no curta "Escotofobia".
Ou ainda em "Nua por dentro do couro".
E na série "Notas de amor", disponível na Netflix.

Há muito sexo em "Nós Duas Descendo a Escada".
E classificação etária 16 anos, o que é adequado, embora surpreendente.
Dada a polêmica da insana censura imposta (e depois revogada) a Aquarius.

O que prejudica um tantinho a fruição é a literariedade de certos diálogos.
Que vai de encontro ao naturalismo que marca todo o projeto.

As escadarias aparecem constantemente.
Em geral como cenário dos passeios das duas personagens.
E fazem parte de uma visão singular de Porto Alegre.
Que só o observador mais perspicaz é capaz de ter.
Ponto para o diretor e seu fotógrafo, Bruno Polidoro.

O título menciona que o casal está "descendo".
Isso não significa necessariamente pessimismo.
Nós duas... mostra os altos e baixos do namoro.
E não apenas uma coisa ou outra.
É no primeiro ato que Adri usa um vestido vermelho marcante.
Mas é esta a cor do relacionamento entre ela e Mona.
Da primeira à última sequência.

Adaptado de Daniel Feix, Zero Hora

Leonardo Brocker disse...

+++ "Nós Duas Descendo a Escada" - O Filme +++

Na França, o azul até pode ser a cor mais quente.
No Rio Grande do Sul, o vermelho parece dar este tom.
De acordo com o belo "Nós Duas Descendo a Escada".
É o que nos mostra o vestido de Adri.
Logo que ela adentra uma festa estranha.
Com gente esquisita – aos olhos dela, ao menos.
Todos torcedores do time de futebol Internacional.

Eles saúdam a escolha da cor do vestido.
Enquanto a jovem busca por todos os lados a real razão de estar ali.
Mona, uma mulher de cabelos loiros e curtos.
Com atitude libertária em seus modos.
E uma irresistível paixão por viver o agora.
Juntas elas passarão nove meses intensos.

Ao cabo deste tempo, será que o amor perdura?
As diferenças serão empecilhos?
E as escadas?
Serão enfrentadas de mãos dadas?

Além de dirigir, Fabiano de Souza escreve o roteiro do longa-metragem.
E o fez de forma diferente, assim como se deu a execução das filmagens.
A ideia foi realizar duas diárias por mês, em um período de nove meses.
Para conseguir capturar o passar do tempo daquele casal de namoradas.
A troca de estações, etc.

Existia um argumento no início.
Com a ideia geral do longa descortinada ali.
E o roteiro ia sendo criado a cada novo mês.
Assim como as filmagens iam se desenrolando.
Com isso, "Nós Duas Descendo a Escada" ganhou um caráter mais aberto.
Mais ao sabor dos ventos.


Na trama, Adri (Miriã Possani) vive um período de estagnação na vida.
Formada em artes, trabalha em uma livraria, sem muitas perspectivas.
Deixa o consultório psiquiátrico.
E se vê obrigada a descer as escadas do prédio.
Ali, conhece a bela Mona (Carina Dias).
Deste encontro fortuito surge um convite para uma bebida.
Este logo descamba para uma apaixonada transa no apartamento de Adri.

A partir daí, vemos momentos do relacionamento do casal a cada novo mês.
E somos informados do que acontecia no Brasil e no mundo.
Através de recortes de jornais e músicas de Pop Rock.

O que mais chama a atenção é a relação do casal principal.
Existe paixão ali.
Assim como existe muita insegurança, possessão e ciúme.

A construção deste relacionamento é um dos acertos do filme.
Por conseguir transmitir um senso de verdade naquele casal.
Ajuda o fato de Possani e Dias estarem seguras nos papéis.
Em personagens que pedem muita entrega.

Os diálogos, por vezes literários demais, atrapalham um pouco.
Quando pensamos no naturalismo que o filme parece buscar.
Mas em boa parte das vezes, as atrizes conseguem suplantar.
O desconforto de textos mais rebuscados.
E se saem bem.


Adaptado de Rodrigo de Oliveira, Papo de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Nós Duas Descendo a Escada" - Trilha e Fotografia +++


"Nós Duas Descendo a Escada" se revela quase um musical.
Cada novo mês acaba servindo como um segmento.
E uma música dá o tom do que veremos naquele trecho.
Canções de Graforréia Xilarmônica, Nei Lisboa, Frank Jorge, Júpiter Maçã.
Elas constroem a trilha sonora, com regravações ou versões originais.
Os cenários de Porto Alegre encaixam com cada uma das canções.
Méritos da montagem de Milton do Prado.

O roteiro acaba por apresentar alguns problemas.
Talvez por ter sido construído de forma aberta.
Com uma ou outra revisão maior, poderiam ser sanados.
Um deles é a falta de um grande conflito.
Em um filme romântico o casal principal sempre se separa.
Para que, ao final, retome ou não o relacionamento.

As razões do rompimento do namoro surgem de forma intempestiva.
Como uma necessidade da trama.
Podemos acreditar que as duas guardavam mágoas há tempos.
E que explodiram naquele momento.
Uma construção melhor destas angústias resolveria este problema.

Há também a inclusão de personagens que aparecem e desaparecem.
Isso parece mais descuido do que intenção.

Plasticamente é belo.
Com a sempre competente fotografia de Bruno Polidoro.
Reforça o tema do amor sem barreiras e sem fronteiras.
"Nós Duas Descendo a Escada" é um esforço interessante.
De um realizador criativo.
Que usa de sua cinefilia para preencher a boca dos personagens.
Com citações saborosas.

É certo que existem arestas a serem aparadas.
Mas em seu segundo longa, Fabiano de Souza mostra um trabalho intenso.
Por vezes divertido, outras vezes emocionante.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira, Papo de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ José Ricaldone +++

O pneumologista italiano chegou, no início da década de 1920.
Ex-seminarista na Itália, Ricaldoni era protegido do Papa Pio X.
E comprou as terras dos padres jesuítas do Colégio Anchieta.
A chácara de 5,5ha ficava atrás dos reservatórios da hidráulica.
Em 1923, José Ricaldone loteou o terreno da antiga chácara.
E construiu o palacete onde viveu, na Rua Santo Inácio.
O nome desta homenageia o fundador da Companhia de Jesus.

A área valorizou, em especial, após as enchentes dos anos 1920.
Na época, palacetes e mansões ocuparam as novas ruas.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Becos e Ruas da Antiga Porto Alegre +++

Inicialmente, os becos tinham o nome dos moradores.
De peculiaridades do terreno.
Ou das atividades que ali se realizavam:
+ Beco da Ópera (atual Rua Uruguai);
+ Beco do Barbosa (Rua Barros Cassal);
+ Beco do Oitavo (Rua André da Rocha);
+ Beco do Bota Bica (Rua General Portinho);
+ Beco do Poço (Avenida Borges de Medeiros);
+ Beco dos Guaranis (Rua General Vasco Alves);
+ Caminho da Azenha (Avenida João Pessoa);
+ Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria);
+ Rua Clara (Rua João Manoel);
+ Rua da Figueira (Rua Coronel Genuíno);
+ Rua da Ladeira (Rua General Câmara);
+ Rua da Margem do Riacho (Rua João Alfredo);
+ Rua da Olaria (Rua General Lima e Silva);
+ Rua da Passagem (Rua General Salustiano);
+ Rua da Varzinha (Rua Demétrio Ribeiro);
+ Rua de Bragança (Rua Marechal Floriano);
+ Rua do Arvoredo (Rua Fernando Machado).

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ruas de Porto Alegre com Mais de Um Nome +++

+ 24 de Outubro: Caminho dos Anjos;
+ 24 de Outubro: Estrada da Aldeia;
+ 24 de Outubro: Estrada dos Moinhos de Vento;
+ Andradas: Rua da Graça ou Rua da Praia;
+ Caldas Jr: Beco do Inácio, Beco do Quebra Costas ou Beco do Fanha;
+ Duque de Caxias: Rua Formosa, Rua da Igreja ou Rua do Hospital;
+ General Bento Martins: Beco do Jogo de Bola;
+ General Bento Martins: Beco dos Nabos a Doze;
+ General Bento Martins: Beco dos Pecados Mortais;
+ General Canabarro: Beco do Pedro Mandinga ou Rua Direita;
+ Independência: Caminho dos Anjos;
+ Independência: Estrada da Aldeia;
+ Independência: Estrada dos Moinhos de Vento;
+ Riachuelo: Rua da Ponte ou Rua do Cotovelo.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Proclamação da República +++

Com a Proclamação da República ocorreram mudanças.
Nos nomes de avenidas, praças e ruas de Porto Alegre.
Seguem exemplos com o antigo nome e o atual:

+ Praça Conde D’Eu, hoje Praça 15 de Novembro;
+ Praça Dom Pedro II, hoje Praça Marechal Deodoro;
+ Rua do Imperador, hoje Rua da República;
+ Rua Dona Isabel, hoje Rua Demétrio Ribeiro;
+ Rua Imperatriz, hoje Rua Venâncio Aires;
+ Rua Imperial, hoje Rua Benjamin Constant.

Também vieram as homenagens aos positivistas:

+ Avenida Assis Brasil;
+ Avenida Borges de Medeiros;
+ Monumento a Júlio de Castilhos;
+ Praça Júlio de Castilhos;
+ Praça Otávio Rocha;
+ Rua Alberto Bins;
+ Rua Júlio de Castilhos;
+ Viaduto Otávio Rocha.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Cidade Baixa +++

A região apresentava características de zona rural.
Sujeita às frequentes enchentes do Arroio Dilúvio.
E servia inclusive para refúgio de escravos.
Ao menos, até a metade do século XIX.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Deslocamento das Elites de Porto Alegre +++

No início da década de 1920, as elites deixam o Centro.
As residências deslocam-se gradualmente.
Deixam as áreas mais altas e sãs da Rua Duque de Caxias.
E seguem em direção à Avenida Independência.
E ao futuro bairro Moinhos de Vento.
Ali, surgiam a Hidráulica e a Praça Júlio de Castilhos.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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