terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Oigalê Teatro de Rua Apresenta o "Negrinho do Pastoreio", de Simões Lopes Neto

O grupo Oigalê Teatro de Rua, apresentou a lenda “Negrinho do Pastoreio”. O espetáculo ocorreu em frente ao Santander Cultural. Fez parte da mostra “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento”.

Grupo de Teatro de Rua Oigalê -  Negrinho do Pastoreio
Grupo de Teatro de Rua Oigalê

Grupo de Teatro de Rua Oigalê -  Início da Peça Negrinho do Pastoreio
Início da Peça Negrinho do Pastoreio

“Negrinho do Pastoreio” é uma das mais conhecidas lendas gaúchas. Simões Lopes Neto registrou-a no livro “Lendas do Sul”. E isso serviu de base para Aldo Locatelli, quando criou os murais do salão nobre do Palácio Piratini.

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - O filho do estancieiro chicoteia o Negrinho
O filho do estancieiro chicoteia o Negrinho

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - A Pedinte - Mulher pede abrigo ao Estancieiro
Mulher pede abrigo ao Estancieiro


O Grupo Oigalê Conquista a Plateia
A adaptação é fruto de alguma liberdade artística. O público do teatro de rua não é o mesmo que vai às salas de espetáculo. A linguagem, a dinâmica e os recursos da peça, assim, também devem ser diferentes...

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - O vizinho do Estancieiro propõe a corrida de cavalos
Vizinho do Estancieiro propõe corrida de cavalos

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - Corrida de Cavalos - O Baio e O Mouro
Corrida de Cavalos: O Baio e O Mouro

E o grupo Oigalê logo conquistou a plateia. Antes da peça, fez uma pesquisa. Perguntou qual música queríamos ouvir: “Aquela” ou “A Outra”. A segunda foi a vencedora. Depois, tocaram “Aquela”, que era idêntica...

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - O filho do estancieiro procura o Negrinho
O filho do estancieiro procura o Negrinho

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - O Estancieiro e O Negrinho
O Estancieiro e O Negrinho


Adaptação da Lenda “Negrinho do Pastoreio”
A lenda fala de um menino escravo. Ele sofre nas mãos do estancieiro. E ao perder o cavalo, recebe a primeira punição. A ela, outra se segue. Enfim, o filho do estancieiro o mata. E ele ressurge com Nossa Senhora.

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - Procissão de Nossa Senhora
Procissão de Nossa Senhora

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - O Negrinho procura o cavalo baio
O Negrinho procura o cavalo baio

Ou seja, a história é triste. Mesmo com o esperançoso final. O grupo Oigalê mudou a abordagem. Combinou humor com linguagem simples. Por vezes, vulgar. Contou a mesma história de forma que todos entendessem.

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - O Segundo Castigo do Negrinho
O Segundo Castigo do Negrinho

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - Filho do estancieiro mata o Negrinho
Filho do estancieiro mata o Negrinho


Minha Impressão sobre a Adaptação
Não fiz pesquisas sobre o grupo antes de assistir à adaptação. Não sabia o que esperar. E a impressão que tive foi excelente. O grupo recontou a lenda. E quem não conhecia conheceu o “Negrinho do Pastoreio”.

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - Velório do Negrinho
Velório do Negrinho

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - Estancieiro vai dormir
Estancieiro vai dormir

O teatro de rua proporciona maior liberdade ao elenco. A interação com a plateia é maior. O público não é um mero espectador. Em vários momentos, participa. E isso inseriu crianças e idosos naquele palco improvisado...

Grupo Oigalê - Negrinho do Pastoreio - Nossa Senhora e O Negrinho
Nossa Senhora e O Negrinho

Grupo de Teatro de Rua Oigalê - Fim da Peça Negrinho do Pastoreio
Fim da Peça Negrinho do Pastoreio

15 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Neto +++

Nasceu em Pelotas, em 09 de março de 1865.
Na época, ocorria a Guerra do Paraguai.
Aquele foi o maior conflito armado da América do Sul.

Na adolescência, foi para o Rio de Janeiro.
Lá, chegou a estudar Medicina.
Mas retornou a Pelotas, sem concluir o curso.

Atuou em diversas atividades comerciais.
Também atuou como jornalista.
Mas foi como escritor que conquistou um lugar na história.

As narrativas mais conhecidas: “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914).
Também compilou “O Cancioneiro Guasca” (1910).

Simões Lopes Neto redigiu, ainda, um livro de história local.
Mas “Terra Gaúcha” foi uma publicação póstuma.
Em vida, o escritor não teve qualquer reconhecimento.

Faleceu em Pelotas, em 14 de junho de 1916.
Pobre, doente e desacreditado.
Era um exemplo de azarento e fracassado.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ Nascimento e Infância do Escritor +++

João Simões Lopes Neto nasceu em 09 de março de 1865.
A Estância da Garça ficava a 29 km do centro de Pelotas.
E pertencia ao avô, João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça.
O escritor era filho de Catão Bonifácio Lopes, segundo filho de João.
E de Teresa Freitas Lopes, filha de estancieiros da região.

O primeiro neto homem do Visconde viveu até 1876 na Estância.
Aos onze anos, o escritor perdeu a mãe e mudou-se para Pelotas.
E jamais retornou à Estância da Garça de forma permanente.

Adaptado de Carlos Reverbel, “Um Capitão da Guarda Nacional”.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Origem Nobre de João Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto era neto de um visconde.
E pertencia às camadas mais influentes da sociedade pelotense.
Esta elite vinculava-se a três vias de mobilidade social:
+ Proteção política;
+ Êxito nos negócios e
+ Instrução superior.

A aristocracia do charque estabeleceu-se em Pelotas com ostentação.
Impôs estilos e padrões residenciais característicos.
E exerceu formas de consumo correspondentes.
Isso desenvolveu a atividade de diversos setores da economia.
Como manufatura, prestação de serviços e comércio varejista.
A população da cidade cresceu e desenvolveu-se o setor urbano.

Aldyr Garcia Schlee, “Lembrança de João Simões Lopes Neto”.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Filho, o Visconde da Garça +++

O avô de João Simões Lopes Filho nasceu em 01/08/1817.
Empreendedor, gozava de enorme prestígio e influência política.
Chegou a ser vice-governador da província.
E assumiu o governo pelo impedimento do titular.
Em 1835, militou na frente farroupilha e foi preso.
Na ocasião, deportaram-no para Pernambuco.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Obra de Simões Lopes Neto +++

A fonte de inspiração dos relatos era o folclore gaúcho.
Simões Lopes Neto recriou-o com riqueza poética.
Com uma linguagem revolucionária para os padrões da época.

Pelo legado literário, é o maior escritor regionalista gaúcho.
Simões Lopes Neto levou a mitologia gaúcha ao apogeu.
E depois, a dessacralização.

Mas suas obras têm um valor que ultrapassa o pitoresco.
E transcende a categoria que a literatura costuma fixá-lo.
Afinal, o artista tem algo a transmitir.

As obras impõem-se pela verdade social e psicológica das personagens.
Mesmo ao parecerem só o registro de uma situação cultural específica.

Vemos a singeleza de narradores como Blau Nunes e Romualdo.
Ela atesta a força pessoal de um estilo que domina a própria matéria.
Imprime densidade humana aos tipos regionais.
E inscreve-os no plano universal.

Por tudo isso, Simões Lopes Neto é o patriarca das letras gaúchas.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Contexto Histórico de Simões Lopes Neto +++

Simões Lopes Neto foi a expressão de seu tempo e lugar.
Na época, a atividade pecuária estava em decadência.
E a vivência campeira do escritor limitou-se a onze anos.
Neste período, ele viveu na estância do avô, o Visconde da Graça.
No fim do século XIX, Simões passou a viver em Pelotas.
O núcleo urbano ainda dependia da indústria do charque.
Depois, morou um tempo no Rio de Janeiro, ainda imperial.

Simões Lopes Neto fracassou em tudo em que empreendeu.
Seja nas áreas comercial e industrial.
Seja na prestação de serviços.
Mas a produção literária teve reconhecimento póstumo.
Tanto no caráter inventivo, como no criador.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” +++

O regionalismo de Simões celebra a ancestralidade em Blau Nunes.
E trata das complexidades humanas num mundo de fronteira.
“Contos Gauchescos” emergem de uma realidade nostálgica.
De um mundo em transformação.
Blau, o narrador, é o guasca sadio, a um tempo real e ingênuo.
Impulsivo na alegria e na temeridade.
Sua narrativa revela a rudeza das relações humanas de seu tempo.
Seus temores e suas imposições na vida no campo.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Lendas do Sul” +++

“Lendas do Sul” conduzem o leitor a um mundo fantástico.
Da solidez terrena, parte-se às cenas de transformação.
Na paisagem, no corpo e no espírito do personagem.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Teatro de Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto também foi autor teatro.
Usava o pseudônimo de Serafim Bemol.
E escrevia as peças com parceiros.
Como o cunhado Mouta Rara e o maestro Acosta y Oliveira.
Os textos tratavam de temas urbanos.
Mas em vários momentos, destacava os tipos interioranos.

A maioria da obra situa-se no gênero “teatro ligeiro”.
E tratava de temas leves e atuais.
O objetivo era a diversão pura e simples.
As peças de maior sucesso foram as comédias e as operetas.
Ao todo, João Simões Lopes Neto escreveu 14 peças:

+ “Os Bacharéis” (comédia-opereta, 1894);
+ “O Boato” (revista, 1896);
+ “Mixórdia” (revista, 1896);
+ “A Viúva Pitorra” (comédia, 1896);
+ “Coió Júnior” (cena breve, 1896);
+ “O Bicho” (comédia, 1898);
+ “A Fifina” (comédia, 1900);
+ “O Palhaço” (cena breve, 1900);
+ “Jojô e Jajá e Não Ioiô e Iaiá” (cena breve, 1901);
+ “Amores e Facadas ou Querubim Trovão” (comédia, 1901);
+ “O Maior Credor ou Por Causa das Bichas” (burleta, 1903);
+ “Valsa Branca” (cena breve, 1914);
+ “Sapatos de Bebê” (cena breve, paráfrase, 1915);
+ “Nossos Filhos” (drama, sem data).

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Sérgio Rial +++

João Simões Lopes Neto ultrapassa as tradições gaúchas.
Mas é fiel a uma cultura sólida, enraizada no povo do RS.
Retrata personagens densos, completos em suas peculiaridades.
E que são facilmente identificáveis nas pessoas do nosso cotidiano.

A mostra propõe uma visão ampla da trajetória do escritor.
Registra os legados cívico, jornalístico, dramatúrgico e literário.
Este compreende a família e o universo mítico das “Lendas do Sul”.
Além do regionalismo dos “Contos Gauchescos”.
Nesta, obra o escritor dá voz ao gaúcho.
Valoriza a história e a tradição do homem do campo.
E a própria formação do território do Rio Grande do Sul.

Adaptado do comentário de Sérgio Rial sobre a exposição.
Sérgio Rial é presidente do Santander Brasil.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Walter Lídio Nunes +++

Simões Lopes Neto não conheceu a fama em vida.
E morreu em situação de quase miséria.
Mas deixou o legado para as gerações que o sucederam.
E suas palavras tornaram-se a verdadeira fortuna do povo gaúcho.
Sentimo-nos compromissados de disseminar esta herança.
Que nossos pensamentos ultrapassem as fronteiras do infinito.
Assim como Simões Lopes Neto fez e nos inspira a fazer.

Adaptado do comentário de Walter Lídio Nunes sobre a exposição.
Walter Lídio Nunes é presidente da Celulose Riograndense.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Antônio Carlos Mazza Leite +++

João Simões Lopes Neto é o maior regionalista brasileiro.
Assim, defende Mário Barbosa Mattos, decano dos simoneanos.
Há um motivo: a publicação dos livros do escritor pelotense.
Isto o consagrou como um dos fundadores da literatura gaúcha.
E levou à edição de livros e ao reconhecimento no exterior.

A Livraria Universal (1887) editou os primeiros três livros.
E a exposição exibe as centenárias primeiras edições:
+ “Cancioneiro Guasca” (1910);
+ “Contos Gauchescos” (1911);
+ “Lendas do Sul” (1912).

Adaptado do texto de Antônio Carlos Mazza Leite sobre a exposição.
Mazza Leite é presidente do Instituto João Simões Lopes Neto.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentário de Ceres Storchi +++

A exposição mostra Simões Lopes Neto a uma diversidade de pessoas.
Em especial, a quem talvez nunca buscasse ler o escritor.
Essa é a missão de “Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento”.
Levar o visitante a ver e exercitar o mundo de Simões.
Perceber o tempo da sua existência e o seu legado como escritor.

A exposição mostra as visões de Simões em relação ao seu tempo.
E de estudiosos que o pesquisam e pressupõem seu processo criativo.
Os documentos testemunham as diversas atividades do escritor.
A sociabilidade, a visão cívica e o conhecimento da ciência.

Adaptado do comentário de Ceres Storchi, curadora da exposição.
A exposição sobre Simões Lopes Neto ocorreu no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ Santander Cultural +++

O Banco da Província, o primeiro do RS, surgiu em 1858.
O Banco Nacional do Comércio o sucedeu.
Theodor Wiederspahn projetou a sede, na Praça da Alfândega.
A ornamentação ficou a cargo de Fernando Corona.
E a construção se estendeu de 1927 a 1931.

Destacam-se os ricos detalhes artísticos.
Em uma linguagem arquitetônica eclética.
Com elementos neoclássicos.
No interior, sobressaem-se os vitrais franceses.

Em 1987, o Estado tombou o prédio patrimônio cultural.
A construção passou por restauro e adaptações.
E, hoje, sedia o Santander Cultural.
Com cinema, sala de exposições e palestras.
Além de bar e restaurante.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Palácio Piratini +++

Substituiu o Palácio de Barro, de 1772.
Aquela foi a primeira sede do Executivo Estadual.
E atendeu às funções por mais de um século.

O francês Maurice Gras projetou o novo palácio.
A construção prolongou-se de 1909 a 1921.
Ano em que o governo Borges de Medeiros instalou-se, ali.

Em 1955, o prédio recebeu o nome de Palácio Piratini.
Uma homenagem à primeira capital Farroupilha.

A entrada principal fica junto à Praça da Matriz.
Ali, há duas esculturas do francês Paul Landowski.
Elas representam a agricultura e a indústria.

Em 1986, o Estado tombou o prédio patrimônio cultural.
O Palácio Piratini também é patrimônio federal.
E integra o sítio histórico da Praça da Matriz.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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