sexta-feira, 28 de outubro de 2016

As Ilustrações de Nelson Boeira Faedrich para "Contos Gauchescos" [Simões Lopes Neto]

O centenário da morte de Simões Lopes Neto rendeu várias homenagens ao autor, em 2016. Na Pinacoteca Aldo Locatelli, ocorreu uma mostra com as de ilustrações de Nelson Boeira Faedrich para “Contos Gauchescos”. O artista também ilustrou a obra "Lendas do Sul"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - 'O Negro Bonifácio'
"O Negro Bonifácio"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - 'No Manantial'
"No Manantial"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - Contrabandista
"Contrabandista"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - Deve um Queijo
"Deve um Queijo"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - Duelo de Farrapos
"Duelo de Farrapos"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - Melancia - Coco Verde
"Melancia - Coco Verde"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - O Mate do João Cardoso
"O Mate do João Cardoso"

Nelson Boeira Faedrich, Contos Gauchescos - O Menininho do Presépio
"O Menininho do Presépio"

17 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Neto +++

Nasceu em Pelotas, em 09 de março de 1865.
Na época, ocorria a Guerra do Paraguai.
Aquele foi o maior conflito armado da América do Sul.

Na adolescência, foi para o Rio de Janeiro.
Lá, chegou a estudar Medicina.
Mas retornou a Pelotas, sem concluir o curso.

Atuou em diversas atividades comerciais.
Também atuou como jornalista.
Mas foi como escritor que conquistou um lugar na história.

As narrativas mais conhecidas: “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914).
Também compilou “O Cancioneiro Guasca” (1910).

Simões Lopes Neto redigiu, ainda, um livro de história local.
Mas “Terra Gaúcha” foi uma publicação póstuma.
Em vida, o escritor não teve qualquer reconhecimento.

Faleceu em Pelotas, em 14 de junho de 1916.
Pobre, doente e desacreditado.
Era um exemplo de azarento e fracassado.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” +++

O regionalismo de Simões celebra a ancestralidade em Blau Nunes.
E trata das complexidades humanas num mundo de fronteira.
“Contos Gauchescos” emergem de uma realidade nostálgica.
De um mundo em transformação.
Blau, o narrador, é o guasca sadio, a um tempo real e ingênuo.
Impulsivo na alegria e na temeridade.
Sua narrativa revela a rudeza das relações humanas de seu tempo.
Seus temores e suas imposições na vida no campo.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” (Lagoa Vermelha) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Lagoa Vermelha é o cenário de “No Manantial”.
Segue um trecho deste conto:

Eu, desde guri, conheci o lagoão.
Já tapado pelos capins.
Mas o lugar sempre respeitado,
Como um tremedal perigoso:
Até contavam de um mascate.
Que aí se atolou e sumiu-se.
Com duas mulas cargueiras.
E canastras e tudo.

Leonardo Brocker disse...


+++ “Contrabandista” (Alegrete) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Alegrete é o cenário de “Contrabandista”.
Segue um trecho deste conto:

Foi o tempo do manda-quem-pode!
E foi o tempo que o gaúcho, o seu cavalo e o seu facão, sozinhos, defenderam estes pagos!

Leonardo Brocker disse...

+++ “Deve um Queijo” (Canguçu) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Canguçu é o cenário de “Deve um Queijo”.
Segue um trecho deste conto:

E sisudo.
Não era homem de roer corda.
Nem de palavra esticante.
Como couro de cachorro.

...

E no mais, era pão, pão; queijo, queijo.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Duelo de Farrapos” (Alegrete) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Alegrete é o cenário de “Duelo de Farrapos”.
Segue um trecho deste conto:

Maneei os mancarrões.
E com um olho no padre, outro na missa.
Por entre as ramas da restinga, fui espiar a peleia.

Estavam já, frente a frente, de corpo quadrado.

O sol dava a meio, para os dois.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Melancia, Coco Verde” (Rio Pardo) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Rio Pardo é o cenário de “Melancia, Coco Verde”.
Segue um trecho deste conto:

Eu venho de lá bem longe.
Da banda do Pau Fincado:
Melancia, coco verde
Te manda muito recado.

Na palvadeira da estrada.
O teu amor vem da guerra:
Melancia desbotada!
Coco verde está na terra.

Leonardo Brocker disse...

+++ “O Mate do João Cardoso” (Piratini) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Piratini é o cenário de “O Mate do João Cardoso”.
Segue um trecho deste conto:

A gente daquele tempo,
Até quando queria dizer
Que uma cousa era tardia, demorada, maçante, embrulhona
Dizia – está como o mate do João Cardoso!

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Negro Bonifácio" +++

Bonifácio encontra Tudinha numa carreira de cavalos.
E oferece à moça uma caixa de doces.
Tudinha recusa o agrado.
Negro Bonifácio insiste.
E isso leva a uma briga de facão e pistola.

Fermina, mãe de Tudinha, joga água fervente no negro.
E Bonifácio atravessa o facão em Fermina.
Um homem joga, então, uma boleadeira no pescoço do negro.
Bonifácio cai.
Tudinha tira-lhe o facão e retalhe a cara de Bonifácio.

O Negro Bonifácio foi o primeiro amor de Tudinha.
Mas ele trouxe outra mulher no dia da carreira.
Tudinha ficou com ciúmes e recusou a caixa de doces...

Resumo do conto "O Negro Bonifácio".

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” (Lagoa Vermelha) +++

Os contos de Simões Lopes Neto ocorrem em cidades gaúchas.
Lagoa Vermelha é o cenário de “No Manantial”.
Segue um trecho deste conto:

Eu, desde guri, conheci o lagoão.
Já tapado pelos capins.
Mas o lugar sempre respeitado,
Como um tremedal perigoso:
Até contavam de um mascate.
Que aí se atolou e sumiu-se.
Com duas mulas cargueiras.
E canastras e tudo.

Leonardo Brocker disse...

+++ No Manantial – TV Brasil +++

Para muitos é a obra-prima de Simões Lopes Neto como contista.
Narra episódios que ocorreram na tapera do Mariano.
Lá, até hoje, uma voluptuosa roseira adorna o perigoso lagoão.
Este oculta um sumidouro que até os animais evitam.
Ali, ocorreu a trágica fuga da jovem Maria Altina.
O cargoso Chicão a perseguia.
Enquanto todos se divertiam num casamento na estância vizinha.
O que era uma morada ajeitada e promissora hoje virou tapera.
Com direito a assombrações para os tropeiros que pousam por ali.

Leonardo Brocker disse...

+++ “No Manantial” Filmow +++

O curta se baseia na obra de Simões Lopes Neto.
E mostra a obsessão de um homem por uma mulher.
"Manantial" é uma palavra de origem castelhana.
E significa atoleiro, pântano, sumidouro.
Mas o manantial dessa história não é um lugar qualquer.
Um mistério ronda o banhado.
E a causa é uma emocionante história de amor.
Chicão ama Maria Altina.
Mas ela se apaixonou por André.
Este deu a ela uma rosa vermelha.
E esse simples gesto mudará a vida de todos.

Elenco
+ Ida Celina;
+ João França;
+ Pedro Camargo;
+ Rafael Tombini;
+ Sissi Venturin;
+ Zeca Brito.

Leonardo Brocker disse...

+++ "No Manantial" +++

Mariano veio de Cima da Serra.
Trouxe a filha, a sogra, a irmã da sogre e alguns negros.
Quando Maria Altina tinha 16 anos, o rancho era o paraíso!
Era uma fartura: árvores, lavoura, criação.

Certa vez, eles foram ao povoado rezar o terço.
A reza foi na casa do Brigadeiro Machado.
Lá, Maria Altina conheceu André.
E este deu a ela uma rosa vermelha.
Maria Altina levou a rosa e plantou-a no rancho.
E a roseira pegou.

Outra vez, André hospedou-se no rancho de Mariano.
Foi um arranjo do Brigadeiro.
A alegria foi geral.
E firmou-se o trato de casamento.

A um quarto de légua do rancho, vivia Chico Triste.
E Chicão, o filho mais velho, enrabichava-se por Altina.
Ela, porém, tinha medo e raiva dele.
Chicão pediu à Maria Altina uma muda da roseira.
Ela disse a ele que pegasse.
Chicão trazia bichos de presente para ela.
E Maria Altina soltava-os no campo.

Quando soube do casamento, Chicão espumou de raiva.

Na véspera do caso, houve um batizado na casa de Chico Triste.
A festa seria no dia seguinte.
Na ocasião, só Maria Altina e a avó estavam no rancho.
Da varanda, Maria Altina ouviu um baque na cozinha.
Foi olhar e encontrou a avó no chão.
Chicão acabara de matar a senhora.
Ele agarra Maria Altina, que morde o braço de Chicão.

Maria Altina foge a cavalo.
Mas Chicão a persegue.
Ela corre para o manantial e ali eles afundam.
Só se consegue ver a rosa que Altina carrega.
E da flor, surge uma roseira, que cresce no meio do pântano.

Resumo do conto "No Manantial".

Leonardo Brocker disse...

+++ "Contrabandista" +++

O contrabando era anterior ao período das Missões.
De início, era o gado que cruzava pela fronteira.
Mas com a Guerra do Paraguai o dinheiro brasileiro valorizou.
Isso aumentou o contrabando na região.
E Jango Jorge era um dos principais contrabandistas.

Jango pertenceu ao esquadrão do "Anjo da Vitória".
Mas vivia quebrado. Pois era muito "mão aberta".
A mulher de Jango ainda era mocetona.
E a bela filha estava para casar.
Assim, Jango saiu de madrugada para buscar o vestido...

Todos aguardavam o casamento e Jango não retornava.
E a noiva não aparecia, pois não tinha o vestido.
Bateram na porta do porta da moça.
E ela chorava, ainda com o vestido de chita.
Ela ria pelo casamento. Mas chorava pelo vestido que não vinha...

Então, alguém gritou que vinha Jango Jorge com mais gente.
A alegria logo se desfez.
A guarda da fronteira crivou Jango de balas...

A comitiva desceu o corpo de cima do cavalo.
A esposa desamarrou o pacote junto ao corpo do marido.
Dentro, estava o vestido, todo manchado de sangue...

Resumo do conto "Contrabandista"

Leonardo Brocker disse...

+++ "Duelo de Farrapos" +++

Agosto de 1842.
Bento Gonçalves decreta eleições para Deputado.
Estes se apresentam em novembro.
E assumem em dezembro.

Em novembro, veio uma viúva falar sobre o gado.
E o general convocou ministros e deputados.
Os espanhóis enviaram a beldade.
Aquilo era coisa do Oribe ou do Rivera.
E partir dali começou o zum-zum contra o general.
Em especial, entre Bento Gonçalves e Onofre Pires...

Em 1843, houve guerra em São Gabriel e Vacaria.
E o governo foi de Alegrete para Piratini.
Seguiu a guerra em Jaguarão, Arroio Grande.
Missões, Quaraí, Canguçu.

Em 1844, Onofre Pires escreve barbaridades para Bento.
E este responde de modo sisudo ao coronel.
Os dois travam um duelo de espadas.
Bento fere Onofre Pires no braço.
Foi uma briga de morte.
Mas os dois foram leais sempre.

Resumo do conto "Duelo de Farrapos".

Leonardo Brocker disse...

+++ “Melancia, Coco Verde” +++

O índio Reduzo criou-se na casa dos Costas.
E Costinha, filho do patrão, gostava de Talapa.
Talapa era filha de Severo.
Mas este queria que ela casasse com o primo.
Assim, Costinha e Talapa fizeram um trato.
Ao trocarem cartas, ela seria melancia.
E ele, coco verde.
Após o trato, Costinha parte para a guerra...

Severo organizou, então, o casamento da filha.
Um colega comentou com Costinha, no acampamento.
Disse que Talapa casaria com o primo.
Costinha resolveu desertar.
Mas o comandante pediu que ele coordenasse um ataque.
Costinha solicitou ao índio Reduzo que partisse.
E desse um recado para Talapa (melancia).

O índio chegou à casa de Severo no dia do casamento.
E deu o recado à Talapa através de versos que declamou.
Neles, Reduzo usou as palavras "melancia" e "coco verde".
Talapa compreendeu a mensagem do índio.

Ocorreu a maior quebradeira no casamento.
Dois dias depois, chegou Costinha e pediu a mão de Talapa.

Resumo do conto “Melancia, Coco Verde”.

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Mate do João Cardoso" +++

João Cardoso convidava quem passava a porta.
Para "tomar um amargo" e conversava.
Mas não deixava o visitante ir embora.
A conversa se arrastava por horas.
Assim, quando algo demorava muito, dizia-se:
"Está como o mate do João Cardoso!".

Resumo do conto "O Mate do João Cardoso".

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