sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Roteiro Aldo Locatelli em Porto Alegre [Artigo 6]: “As Artes”, no Instituto de Artes da UFRGS

O pintor recebeu convite para lecionar no Instituto de Belas Artes, em 1951. Em 1958, Aldo Locatelli criou o mural “As Artes”. Ele fica no oitavo andar do Instituto de Artes da UFRGS, em Porto Alegre.

'As Artes', Aldo Locatelli (1958) - Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre
"As Artes", Aldo Locatelli (1958)

Este Artigo Faz Parte da Série...
Roteiro Aldo Locatelli em Porto Alegre


Sem Sorte na Biblioteca...
Cheguei ao Instituto de Artes, às 17h45min. A biblioteca fecharia às 18h. Perguntei pelo mural de Aldo Locatelli na recepção do prédio. Depois, na biblioteca. Porém, as informações eram vagas, pouco precisas.

As Moças na Fonte - João Fahrion, 1945
"As Moças na Fonte" - João Fahrion, 1945

Na verdade, na recepção nem sabiam informar. Na biblioteca, perguntei por livros sobre Aldo Locatelli. O funcionário orientou que buscasse na internet. Ele achava que o mural ficava no Centro Acadêmico.

Painel Cerâmico de Fernando Corona, 1955
Painel Cerâmico de Fernando Corona


A Procura pelo Mural de Locatelli
Segui para o oitavo andar do Instituto de Artes. O elevador vai até o sétimo. Para chegar ao oitavo, continua-se de escada. Ao chegar ali, ouvi sons de sax e cordas. Supus que os alunos ensaiavam numa das salas...

Fernando Corona e Aldo Locatelli - 'As Artes', Aldo Locatelli (1958) - Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre
Fernando Corona e Aldo Locatelli

Procurei pelo Centro Acadêmico. Uma corrente fechava a porta de madeira. Parecia pouco provável que o mural estivesse ali. Circulei um pouco, sem encontrar indícios de onde poderia estar a abro de Aldo Locatelli.


Finalmente Encontro o Mural...
Percebi silêncio na sala 83, onde os alunos ensaiavam. Bati na porta. E pedi licença. Perguntei pelo mural. O professor apontou a parede. E permitiu que eu fotografasse a pintura, se fizesse isso rapidamente.

Curso de Música - 'As Artes', Aldo Locatelli (1958) - Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre
Curso de Música

No mural “As Artes”, o pintor Aldo Locatelli homenageia a música e as artes visuais. No lado direito do mural, o artista mostrou a orquestra do Curso de Música. Os músicos tocam flauta, harpa, piano, violino e violoncelo.


Os Homenageados no Mural
O artista e professor Fernando Corona aparece no centro da obra. Ao redor, estão os alunos e os colegas. Uma curiosidade: Aldo Locatelli aparece, em primeiro plano, de jaleco branco, com uma pasta na mão.

João Fahrion e Os Irmãos Tasso e Ernani Correa - 'As Artes', Aldo Locatelli (1958) - Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre
João Fahrion, Tasso e Ernani Correa

João Fahrion e os irmãos Ernani e Tasso Correa eram artistas e colegas de Aldo no Instituto de Artes. Olintho de Oliveira idealizou-o. E Carlos Barbosa Gonçalves aprovou a criação do Instituto de Artes, em 1908.

Olintho de Oliveira e Carlos Barbosa Gonçalves - 'As Artes', Aldo Locatelli (1958) - Instituto de Artes da UFRGS, Porto Alegre
Olintho de Oliveira e Carlos Barbosa Gonçalves

24 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ Mural “As Artes”, de Aldo Locatelli +++

Aldo Locatelli criou “As Artes”, em 1958.
Na mesma época que João Fahrion criou “As Musas”.
Os dois murais ficavam no Salão de Festas do IBA.
E marcaram os 50 anos de fundação da escola.

Adaptado de “Catálogo da Pinacoteca Barão do Santo Ângelo II”.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Núcleo Central do Mural “As Artes” +++

“As Artes” têm dois núcleos figurativos na zona central.
Estes se equilibram com dois polos menores, nas laterais.
No centro, está o Professor Fernando Corona, de perfil.
Com um esteco, ele modela o busto de José de Francesco.
Francesco era um artista contemporâneo de Corona.
Corona destaca-se entre estudantes e colegas de profissão.
Atrás, à esquerda, está Maria José Cardoso, Miss Brasil, em 1956.
E atrás, Círio Simon, em formação no Curso de Artes Plásticas.
O artista representa a disciplina de Escultura.

À direita, um autorretrato de Locatelli, de avental.
O autorretrato possui dimensões sutilmente maiores.
Era a maneira dos renascentistas assumirem a autoria da obra.
Atrás da imagem de Locatelli, há outra figura feminina.
Com um pincel e uma paleta, ela remete à disciplina de Pintura.
A moça sentada, na base do grupo, tem lápis e prancheta.
Ela representa a disciplina de Desenho.
Ao pé dela, “Inca”, escultura em bronze de Fernando Corona.
“Inca” integra o acervo do Museu de Arte do Rio Grande do Sul.

Adaptado de “Catálogo da Pinacoteca Barão do Santo Ângelo II”.

Leonardo Brocker disse...

+++ Regiões de Tons Médios de “As Artes” +++

Indicam as atividades características do Curso de Música.
Aldo Locatelli representou os cursos disponíveis, na época:
Harpa, violino, violoncelo, flauta, canto e piano.

Adaptado de “Catálogo da Pinacoteca Barão do Santo Ângelo II”.

Leonardo Brocker disse...

+++ Extremidades Laterais do Mural “As Artes” +++

O artista representou o amparo político-administrativo do IBA.
À esquerda, os integrantes do Conselho Técnico Administrativo:
+ Tasso Corrêa (1901-1977): diretor do IBA;
+ Ernani Corrêa (1900-1982): professor do IBA;
+ João Fahrion (1898-1970): professor do IBA.

Na extremidade oposta, Locatelli representou dois médicos.
Foram as personalidades política que constituíram o IBA:
+ Olympo Olintho de Oliveira (1865-1956);
+ Carlos Barbosa Gonçalves (1851-1933).

Carlos Barbosa tem o rosto totalmente visível.
O de Olintho de Oliveira é parcialmente encoberto.

Adaptado de “Catálogo da Pinacoteca Barão do Santo Ângelo II”.

Leonardo Brocker disse...

+++ Fernando Corona, o Arquiteto +++

Fernando Corona nasceu em Santander, em 26/11/1895.
Faleceu em Porto Alegre, em 1979.
Foi escultor, arquiteto, ensaísta, crítico e professor de arte.
E era filho de Jesús Maria Corona, escultor e arquiteto espanhol.

Diplomou-se na Escola de Belas Artes de Vitória, na Espanha.
Chegou a Porto Alegre em 04/03/1912.
Para auxiliar o pai na oficina de João Vicente Friedrichs.
Ali, Fernando Corona foi aprendiz de decoração predial.

Corona ornamentou alguns prédios históricos da capital gaúcha.
Um exemplo é o antigo prédio de Correios e Telégrafos.
E trabalhou na decoração da ala residencial do Palácio Piratini.

Mais tarde, desenvolveu uma carreira individual como arquiteto.
E desenhou o exterior do prédio do Banco Nacional do Comércio.
Uma adaptação de projeto anterior, de Theo Wiederspahn.
No local, funciona hoje o Santander Cultural.

Fernando Corona projetou a Galeria Chaves.
E o Instituto de Educação General Flores da Cunha.
Foi um dos precursores da arquitetura moderna na cidade.
Com destaque para o Edifício Guaspari e o Edifício Jaguaribe.

Corona projetou o Edificio Colonial, na Rua 24 de Outubro 820.
E Tasso Corrêa construiu este tradicional prédio residencial.

Adaptado de Acervo de Artes da UFRGS e Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Fernando Corona, o Professor e Escultor +++

Em 1938, Tasso Correa convidou-o para lecionar no IA.
Corona defendeu a tese Fídias Miguel Ângelo Rodin.
E venceu concurso para a cátedra de Escultura e Modelagem.
Assim, ingressou no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.
Corona inaugurou o curso de Escultura na instituição.
E ali, Fernando Corona lecionou até 1965.
Também foi um dos fundadores do curso de Arquitetura.
Influenciou, assim, gerações de artistas locais.
E granjeou estima e respeito de colegas e alunos.

A dedicação de Corona ao IA foi ilimitada.
O professor chegou a hipotecar a própria casa.
Para auxiliar a construção de outro edifício.

Corona exerceu significativa atividade como escultor.
Esculpiu a imagem de Nossa Senhora do Líbano.
Ela fica na fachada da igreja de mesmo nome.
Criou a máscara de Beethoven, no Parque Farroupilha.
E o grupo escultórico do frontispício do Santander Cultural.
Também projetou a Fonte Talavera, em frente à Prefeitura.

Corona tem peças em coleções particulares e no MARGS.
Recebeu medalha de ouro no IV Salão Gaúcho de Belas Artes.
E realizou duas exposições individuais na cidade nos anos 50.

Ao longo da carreira, recebeu inúmeros prêmios em salões.
Como no 7º Salão de Belas Artes do RS.
Naquela ocasião, Corona obteve a Medalha de Ouro.
Em 1940, participou do Salão Nacional de Belas Artes no RJ.
E recebeu Medalha de Bronze em Arquitetura.

Adaptado de Acervo de Artes da UFRGS e Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Fernando Corona, o Escritor +++

Como ensaísta, Corona deixou uma obra fundamental.
Seus ensaios integram a historiografia da crítica de arte no RS.
"Caminhada das Artes", de 1977, reuniu crônicas e críticas.

Escreveu "Cinquenta Anos de Formas Plásticas e Seus Autores".
Esta monografia fala das transformações urbanísticas no RS.
Fernando também colaborou assiduamente em páginas de arte.
Em periódicos como o Correio do Povo e a Revista do Globo.

Corona escreveu, ainda, o livro “Caminhada das Artes”.
Ele reúne crônicas, ensaios e impressões pessoais.
Sobre o ambiente artístico gaúcho e brasileiro da época.
Assim como sobre as personalidades mais marcantes.

Fernando Corona também deixou outros registros.
Sobre o início do ensino da escultura e da arquitetura no RS.
Este material conste em artigos da Enciclopédia Riograndense.
Mas pesquisas recentes contestam algumas declarações.

Adaptado de Acervo de Artes da UFRGS e Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Fernando Corona: Mural do Instituto de Artes +++

O mural ocupava local de destaque no momento da conclusão.
Em meados da década, ali funcionava o Salão de Festas do IBA.
E o mural ornamentava as aberturas de acesso ao espaço.
Ali aconteciam importantes encontros culturais.
Entre a classe artística e o público.

A caracterização humana aparece na indumentária masculina.
Há o chiripá, a guaiaca e as botas de garrão de potro.
O arranjo das figuras sugere a atmosfera mítica.
Na base, encontram-se os seres terrenos.
Na metade superior, há figuras femininas nuas em suspenso.
Elas sugerem as divindades.
O conjunto remete às missões jesuítico-guaranis.

O mural sustenta uma proposta modernista.
Tanto pela técnica como pela temática.
É bidimensional e de linguagem bastante enxuta.
Sobretudo pela simplificação e o alongamento das formas.
O professor mostrava, assim, as novas possibilidades da escultura.
E legitimava a cerâmica enquanto disciplina.
E principalmente como uma modalidade artística.
Naquele momento, ela deixava ser uma mera etapa da escultura.
E ganhou reconhecimento acadêmico e apreciação técnica.

Adaptado de “Catálogo da Pinacoteca Barão do Santo Ângelo II”.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion – Visão Geral +++

João Fahrion nasceu em Porto Alegre, em 04/10/1898.
E faleceu, também em Porto Alegre, em 11/08/1970.
Foi pintor, ilustrador, desenhista, gravador e professor.
Levou uma vida discreta.
Inteiramente dedicada à carreira.
Mas em certos períodos apreciou a boemia.
Passou anos atribulado por crises periódicas de depressão.
Isso, nos anos finais de vida, deixou Fahrion incapacitado.

João Fahrion recebeu uma sólida formação acadêmica.
De 1920 a 1922, estudou em Amsterdam, Berlim e Munique.
Com bolsa que o governo do Rio Grande do Sul concedeu.
Mas entrou em contato com as vanguardas modernistas.
E delas recebeu influência.

Nos anos 1930 e 1940, foi e ilustrador da Revista do Globo.
E de livros infantis que a Editora Globo publicou.
Fahrion criou imagens que se alinharam à estética modernista.
Essas imagens circularam por todo o Brasil.
E creditaram-no como um dos grandes ilustradores da geração.

Fahrion lecionou no Instituto de Belas Artes de Porto Alegre.
De 1937 a 1966, formou gerações de alunos.
E destacou-se pela excelência acadêmica.

Na pintura deixou obra extensa.
Com destaque para os retratos e os autorretratos.
E para as cenas de bastidores do teatro e do circo.
Os retratos são tipicamente conservadores.
Uma produção que atendeu à elite gaúcha.
E trouxe uma apreciável fama neste círculo.
Os autorretratos e as cenas têm algo em comum.
A influência da Nova Objetividade e do Expressionismo alemães.
Neles, Fahrion deixou a contribuição mais original à arte gaúcha.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Infância de João Fahrion +++

João Fahrion nasceu em Porto Alegre.
Filho de Johann Willelm Fahrion.
Dono de serraria em Novo Hamburgo.
E Lina Catarina Ganns.
De família abastada de São Leopoldo.
Teve um irmão cinco anos mais velho, Ricardo.
O pai suicidou-se quando João Fahrion tinha oito anos.
A mãe caiu na miséria e tirou Ricardo do colégio.
Lina aprendeu técnicas elementares de odontologia.
E percorreu o interior. Fazia obturações e extrações.

João tinha saúde frágil e temperamento instável.
No colégio, era encrenqueiro e isolado.
Não falava com ninguém.
Distraía-se nas aulas e passava o tempo desenhando.

O primeiro professor de desenho foi Giuseppe Gaudenzi.
Um decorador e escultor de formação acadêmica.
Ele lecionava na Escola Técnica Parobé.
Sob sua tutela, João expôs pela primeira vez em 1920.
Nos altos da loja Esteves Barbosa.
Os trabalhos tiveram boa receptividade.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion: Estudos na Europa +++

Em 1920, recebeu bolsa de estudos do Governo do Estado.
Foi se aperfeiçoar na Alemanha, onde estudou gravura.
A mãe e o irmão acompanharam-no.
Primeiro, ficaram em Amsterdã.
João Fahrion seguiu para Munique e fixou-se em Berlim.

Em Berlim, ele ingressou na Academia de Belas Artes.
Dedicou-se à litografia e à pintura.
A cidade era um fervilhante centro cultural.
Embora decadente, na ocasião.
Multiplicavam-se cabarés de atmosfera sórdida.
A corrupção era comum.
E a pobreza, generalizada.

João Fahrion se associou a um grupo de judeus.
Eram afeitos ao teatro e à vida boêmia.

Fez contato com artistas das vanguardas modernistas.
Defensores do Expressionismo ou da Nova Objetividade.
Outros ligados à fundação da Bauhaus.
Estes pregavam a integração de arte, artesanato e indústria.
Bem como a reestruturação das academias.
No contexto de uma Alemanha que buscava se reerguer.
Após os desastres da I Guerra Mundial.

João Fahrion não chegou a concluir o curso regular.
A mãe se preocupava com as influências das "más companhias".

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion: Retorno ao Brasil +++

Em 1922, por pressão da família, Fahrion voltou a Porto Alegre.
E expôs no Salão Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Recebeu a Medalha de Bronze, por “Velha Holandesa”.
Em 1924, recebeu a de prata.
E no ano seguinte, reapareceu na cena gaúcha.
Participou do localmente importante Salão de Outono.

Mas o ambiente artístico no estado ainda era modesto.
E João Fahrion teve de aceitar trabalhos "menores".
Atuou como ilustrador e decorador para o próprio sustento.
Ilustrou edições da revista Madrugada.
E seções do Diário de Notícias.
Entre 1927 e 1930, passou a dar aulas de desenho.
Em regime esporádico, na Escola Complementar de Pelotas.
Também decorava festas e outros eventos em Porto Alegre.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Início de Carreira de João Fahrion +++

João Fahrion surgiu na cena artística gaúcha em 1925.
No famoso Salão de Outono de Porto Alegre.
A organização foi do Grupo dos Treze.
Ele foi uma das forças de renovação das artes sulinas.
E dele fazia parte Fernando Corona.
Na época, iniciou um debate entre os acadêmicos e os modernos.

O Salão de Outono representou um divisor de águas.
Ele abriu o debate em torno das novas correntes artísticas.
Os modernistas se agrupavam no Clube Jocotó.
E o Instituto de Artes permaneceu um bastião do tradicionalismo.
Ali, Angelo Guido pontificava na teoria e crítica.
E Libindo Ferrás chefiava as aulas práticas de pintura.
Ambos tinham inclinação acadêmica.

Apesar da resistência inicial, o Modernismo veio e venceu.
Na década seguinte era abraçado até pela oficialidade.
Em 1935, o Governo promoveu a Exposição do Centenário Farroupilha.
E os pavilhões temporários eram de estética modernista.

No Instituto, as gerações se sucediam.
E os novos traziam novas referências.
O professor Francis Pelichek morreu, em 1937.
E Fahrion foi convidado a lecionar Desenho do Modelo Vivo.
Na época, Fahrion firmara como um dos melhores em atividade no RS.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Contexto Político da Época +++

Um novo modelo de civilização estava aparecendo.
E lutava para se impor.
Sobre um contexto dominado por convenções tradicionalistas.
Estas eram consagradas no ideal da arte acadêmica.

Uma oligarquia autoritária, mas progressista, governava o RS.
Ela se pautava na doutrina do Castilhismo.
A versão local do Positivismo.
Isto explica a reurbanização da capital no início do século XX.
Ela mudou radicalmente a face da cidade.
Substituiu o casario colonial por construções de vários pisos.
Com fachadas ornamentadas.
E suntuosos edifícios públicos de dimensões palacianas.
As ruas estreitas originaram amplos bulevares e avenidas.
A renovação urbana foi bem acolhida pela população.

Até na arte da ilustração as novidades tiveram êxito imediato.
Mas nas artes "eruditas" os cânones antigos ainda tinha muito peso.
Somente quem podia consumir esta arte era a elite endinheirada.
Para eles o Academismo ainda tinha um forte apelo.
Era símbolo de status, riqueza, poder e tradição.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion: Editora Globo +++

Em 1929, ingressou na importante Editora Globo.
Conseguiu uma colocação fixa no atelier de ilustração.
O comandado era de Ernest Zeuner.
Logo, Fahrion destacou-se na equipe.
A Editora usou ilustrações de Fahrion em várias publicações.
Com destaque para livros infantis de grande circulação.
Como Alice na Terra das Maravilhas, Heidi e A Ilha do Tesouro.
Também criou dezenas de capas para a Revista do Globo.

O ambiente de trabalho era animado.
Com a participação de outros artistas e visitantes.
Mas o salário mal cobrisse o sustento básico do artista.

O grupo da Editora Globo costumava se reunir em bares.
Para discutir temas artísticos.
Como a carência de espaços de exposição na cidade.
Disso resultou a criação da Associação Francisco Lisboa.
Fahrion foi um dos fundadores, em 1938.
E participou salões.
Eles eram um fórum de discussão e divulgação das obras.
Muitos dos artistas que não encontravam espaço no IBA.
E sentiam-se excluídos do circuito oficial.
Ainda hoje, essa é uma das mais importantes associações no RS.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Professor do Instituto de Belas Artes +++

Em 1937, Fahrion aceitou emprego de mais prestígio.
O de professor de desenho de modelo vivo e pintura.
No Instituto Livre de Belas Artes de Porto Alegre.
Na ocasião, deixou o posto na Editora Globo.
Mas a experiência como artista gráfico foi útil no IBA.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion: O Ilustrador +++

Fahrion se notabilizou como ilustrador no surto editorial dos anos 30.
Na época, o mercado passou a investir em edições nacionais.
E não mais tanto na importação.

As ilustrações eram um dos pontos fortes dessas publicações.
Eram reproduzidas para impressão a partir de originais.
Em pintura a óleo, guache, gravura, aquarela, desenho.
E possuíam muitas vezes altas qualidades plásticas e estilo inovador.

Para os artistas plásticos, era um grande campo que se abria.
Embora a ocupação fosse vista como uma arte menor.
E desprezada pelos artistas com pretensões a erudição.

No caso de Fahrion, foi um ganha-pão.
E um trampolim para de o talento.
Dentro de linhas originais e arrojadas.

As primeiras experiências na área foram ao lado de Sotéro Cosme.
Como capista e editor de arte da revista Madrugada, de 1926.
Ligada ao Modernismo, ela se notabilizou pela ousadia gráfica.

Na Editora Globo, a reputação como ilustrador se consolidou.
Ernest Zeuner liderava a equipe de ilustradores da casa.
Fahrion destacou-se assim que se uniu à equipe.
Ela criava o que se referisse à ilustração e projeto gráfico.
Desde cenas figurativas complexas.
Até simples vinhetas, lettering e molduras para fotos.
Elas deviam virtualmente seduzir e divertir o público.

Fahrion ilustrou a capa e/ou o miolo de mais de cinquenta livros.
A maior parte deles para o público infantil.
As criações mais importantes neste campo são as ilustrações para:
+ “A Ilha do Tesouro”, de Robert Louis Stevenson;
+ “Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol;
+ “As Aventuras do Avião Vermelho”, de Érico Veríssimo;
+ “David Copperfield”, de Charles Dickens;
+ “Heidi”, de Johanna Spyri.

Na literatura adulta, destacam-se “Noite na Taverna” e “Macário”.
As obras Álvares de Azevedo forma publicados, em 1952.
Em um mesmo volume.

Fahrion lia atentamente todos os livros que ilustrava.
Buscava penetrar no espírito da narrativa.
Preferia histórias que se passassem em tempos remotos
E países distantes.

Entre as capas, o artista tinha uma favorita.
A do romance “A Boa Terra”, de Pearl S. Buck.

Quase todos os originais dessas ilustrações se perdeu.
Uma vez que permaneciam em posse da editora.
Com a exceção notável da série para “Noite na Taverna”.
O próprio artista salvou-a.
Indignado com o tratamento que seus trabalhos recebiam.
Após a reprodução impressa.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion: O Pintor +++

A obra se divide basicamente em dois grandes grupos.
As obras encomendadas e as criadas de motu proprio.

No primeiro grupo, estão os retratos.
Em geral, de membros da alta sociedade porto-alegrense.
Muitas vezes não era um trabalho que lhe agradasse.
Era preciso que o pintor sentisse uma empatia pelo modelo.
O que nem sempre ocorria.
Mas os retratos proporcionaram o reconhecimento público.

Fahrion produziu dezenas de retratos entre os anos 40 e 60.
Várias pinturas acabaram nas capas da Revista do Globo.
Ela era uma das passarelas da moda e da sociedade de então.

Nestas obras, Fahrion é, em geral, mais conservador.
Até porque precisava agradar seus patronos conservadores.
Mas pode introduzir inovações de maneira sutil.
Na composição dos fundos e dos planos.
Nas padronagens decorativas e grafismos.
Que traem sua especialização nas artes gráficas.
E revelam a importância do desenho em sua obra pictórica.

A formação acadêmica se revela na sólida estrutura compositiva.
Na felicidade da construção anatômica.
No eficiente modelado dos volumes.
No sugestivo manejo da luz.
Na fluência da pincelada.

As mulheres são muitas vezes transfiguradas em divas.
De uma beleza estatuesca e um tanto fria.
Mas ao mesmo tempo trazendo à tona sua sensualidade.
Seja pelos cenários luxuosos.
Seja pela própria beleza física dessas mulheres.
Com ombros e braços desnudos e silhuetas de sereia.

Destes podem ser destacados os retratos de:
+ Helga Marsiaj;
+ Luísa di Primio Conceição;
+ Maria José Cardoso.

Por vezes, o clima é de maior informalidade.
Como nos retratos de Inge Gerdau e Roseli Becker


A produção mais pessoal são os autorretratos.
E as cenas de bastidores de teatro e de circo
Neles a influência do Expressionismo se faz mais clara.
São todas composições de atelier.
Especialmente interessantes pelo caráter quase de abstração.
As figuras humanas não evidenciam maior relação entre si.
Parecem alheias a tudo o que se passa à volta.

Palhaços e pierrôs. Dançarinas e mágicos.
Eles vivem para dar alegria aos outros.
E aparecem pensativos, cabisbaixos, melancólicos, inquisitivos.
Há ainda as cores incomuns e a iluminação teatral.
Isso empresta a essas obras uma atmosfera quase de sonho.
E dá um sentimento de solidão, mal-estar e perturbação.

Entre esse grupo podem ser citados como exemplo:
+ Camarim (1942);
+ Bastidores (1951);
+ Duas mulheres com figuras (1959);
+ Bailarina com espelho (1961) e
+ Cena de circo (sem data).

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Autorretratos de João Fahrion +++

Fahrion retratou a si mesmo de vários modos.
Em dezenas de obras criadas ao longo da sua carreira.
Em várias, dá vazão a um elemento brejeiro, jocoso.
E se retrata fantasiado.
Como na mais antiga delas, de 1925.
Esta obra mostra o pintor vestido de arlequim.
Sentado como um modelo a posar.
Com expressão compenetrada.
O olhar é, via de regra, penetrante.
Quase desafiador.

Em termos técnicos, são muitas vezes obras arrojadas.
Com enorme liberdade e violência na pincelada.
Desestrutura a continuidade dos planos do espaço.
Rarefaz a matéria pictórica.
E formando a figura apenas com traços toscos.
Mas precisos, seguros e essenciais.
Eles tornam muitas delas desenhos a pincel.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Opinião da Crítica sobre Fahrion +++

Desde cedo, João Fahrion recebeu críticas positivas.
A primeira exposição pública ocorreu em 1920.
E rendeu elogios de Fernando Corona e José Rasgado Filho.
No ano seguinte, Fahrion partiu para estudar na Europa.
E família recebeu uma carta de um dos seus professores.
Scerk atestou "o zelo e o talento extraordinário”.

Participou do Salão Nacional, no Rio de Janeiro, em 1922 e 1925.
E recebeu medalhas.
Ao retornar a Porto Alegre, recebeu atenção do público e da crítica.

Nos anos 30 e 40, dedicou-se à carreira de ilustrador.
E seu nome tornou-se conhecido e prestigiado em todo o Brasil.
Os retratos da elite confirmaram sua fama no RS.
Na época, recebeu vários outros prêmios nacionais e estaduais.

O nome “João Fahrion” batiza espaços institucionais:
+ na Casa de Cultura Mário Quintana;
+ no Centro Cultural APLUB;
+ no Instituto de Artes da UFRGS;
+ no MARGS;
+ na Reitoria da UFRGS.

As obras públicas de João Fahrion encontram-se:
+ no Instituto Cultural Brasileiro Norte-americano;
+ no Museu da UFRGS;
+ no Museu de Arte do Rio Grande do Sul;
+ no Museu Nacional de Belas Artes;
+ na Pinacoteca Aldo Locatelli;
+ na Pinacoteca APLUB;
+ na Pinacoteca Barão de Santo Ângelo;

Leonardo Brocker disse...

+++ Premiações Mais Significativas +++

1922 – Medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes;
1924 – Medalha de prata no Salão Nacional de Belas Artes;
1939 – Prêmio Hemisfério Ocidental no Salão Nacional de Belas Artes;
1940 – Medalha de Ouro no II Salão de Belas Artes do RS;
1940 – Prêmio Aquisição no Salão Nacional de Belas Artes;
1944 – Medalha de prata no Salão Nacional de Belas Artes;
1953 – Prêmio Aquisição no Salão Nacional de Belas Artes;
1955 – Prêmio Caixa Econômica do RS no Salão de Belas Artes do Estado.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion e A Depressão +++

João Fahrion era assombrada pelo fantasma da depressão.
A doença vitimou o pai e, antes, o avô, também um suicida.

O problema de depressão de Fahrion era recorrente.
Mas o diretor da escola, Tasso Corrêa, decidiu apoiá-lo.
E contou com a ajuda de Angelo Guido.
Este, um professor de história da arte.
E influente crítico de arte na imprensa.
Outro professor, Benito Castañeda, também auxiliou.

Tasso ignorava as frequentes ausências de Fahrion.
A depressão deixava-o incapacitado para tudo por semanas.
João Fahrion passava os dias trancado em casa chorando.

O humor continuava oscilante.
Carlos Raul Fahrion, sobrinho de João Fahrion disse:
"Quando entrava em euforia, pintava e farreava sem parar”.
“Aí ele achava tudo muito bom e bacana”.
“E dava obras de presente para o primeiro que aparecesse".

A família tinha dificuldades para lidar com a situação.
Sabia que os ciclos se repetiam.
E depois da euforia, ele mergulharia de novo na doença.
Então, João destruía em fúria muito do que fizera antes.

Fahrion internou-se várias vezes em clínicas.
Para tentar controlar os sintomas, recebeu eletrochoques.
Saía mais calmo das aplicações.
Mas cada vez mais introspectivo e taciturno.

O artista, porém, disse que não abriria mão da doença.
Pois ela tinha importante participação no estímulo de seu talento.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Vida após a Morte da Mãe +++

Em 1945, a mãe de João Fahrion faleceu.
E isso deu a ele certa liberdade.
Liberdade que ele só conhecera durante os estudos na Alemanha.
Afinal, a mãe sempre exerceu um estrito controle sobre o filho.

A partir de então viveu com o irmão, a cunhada e o sobrinho.
Junto com seus vários gatos.

João Fahrion passou a frequentar novamente a boemia.
Muitos outros artistas e intelectuais eram também assíduos.
Fahrion registrou o ambiente noturno de Porto alegre.
Fez várias caricaturas e pinturas.
E cenas dos bastidores do teatro, um dos temas preferidos.

O prestígio como ilustrador e retratista se firmava solidamente.
A partir da década de 1940, era cada vez mais requisitado.
E fazia retratos de personagens da elite gaúcha.
Principalmente de mulheres.
Também recebeu vários prêmios em salões de arte.

Mas no fim da vida sofreu um completo bloqueio criativo.
Por causa do avanço da esclerose.
Já não se sentia capaz de desenhar nem objetos simples.
E isso o entristeceu profundamente.
Mesmo assim não abandonou de todo a pintura.
Mas disse que essa produção tardia e emergencial não valia nada.
Em comparação com o que fizera antes.

Em 1966, foi aposentado compulsoriamente pelo Instituto de Artes.
Mas ainda frequentou por algum tempo a academia.

João Fahrion permaneu solteiro por toda a vida.
Em 1970, no leito de morte, casou com sua cunhada, já viúva.
Para que a pensão que recebia da UFRGS passasse para ela.
Uma recompensa aos anos que recebeu cuidados em sua casa.

Adaptado do Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ João Fahrion: Impressões sobre o Homem +++

Justino Martins chamou-o de "caramujo de cultura invejável".
E formou-se uma imagem de arredio e taciturno.
Se isso em parte é correto, não lhe faz, porém, toda justiça.

José Bertaso, da Editora Globo, registrou que ele fora:
"Uma das pessoas mais interessantes que conheci.”
“Apesar de ser homem de poucas falas".

Waldeny Elias, um de seus alunos, disse que:
"Fahrion foi uma das criaturas mais puras que conheci”.
“Apesar de caladão, para quem convivia com ele era espirituoso”.
“Tinha saídas muito 'voltaireanas'”.
“E numa roda de amigos ele gostava da glosa...”.
“Tinha uma capacidade humanística muito grande".

Alice Soares e Alice Brueggemann lembraram:
“Às vezes, ele contava histórias que faziam todos rebentar de rir".

Fahrion era um professor muito organizado e metódico.
Dava a todos uma atenção cuidadosa.
Embora fosse muito tímido.
Seu olhar, entretanto, parecia atravessar as pessoas.

Alice Loforte, arquiteta, foi aluna na década de 50. E disse:
"Seus olhos não fixavam o mundo, mas distâncias infinitas".

Adaptado do Wikipedia.

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