segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Mostra de Filmes Nacionais no Festival de Cinema de Gramado 2016

O Festival de Cinema de Gramado ocorre, no mês de agosto, no Palácio dos Festivais. Em uma semana, exibe uma maratona de filmes locais, nacionais e estrangeiros. Nem todos fazem parte, porém, da mostra competitiva.

Fabio Marcoff e Bruno Kott, em 'El Mate' (2016)
Fabio Marcoff e Bruno Kott, em 'El Mate'


Política, Cinema e Viagens
Em 2016, ocorreu a 44ª edição do festival. A tônica foram as manifestações políticas. Mas em muitos casos a intensidade dos protestos foi inversamente proporcional à qualidade dos filmes...

Não sou crítico de cinema ou de arte. Só edito um blog de viagens. Assim, resigno a registrar impressões sobre os filmes que assisti. Afinal, o Festival de Cinema é um dos principais atrativos turísticos de Gramado.

Epidemia de Cores, Mário Eugênio Saretta (2016)
'Epidemia de Cores', Mário Eugênio Saretta



Longas-metragens Gaúchos
A exibição de longas-metragens gaúchos ocorreu de segunda a sexta-feira, 29/08 a 02/09, à tarde. Em comum, as locações em Porto Alegre. A maior parte da mostra paralela era de documentários.


Epidemia de Cores
O documentário mostra a rotina dos participantes da Oficina de Criatividade, no Hospital Psiquiátrico São Pedro. E fala sobre arte, loucura e liberdade. O diretor expõe, nele, o saldo de dois anos de filmagens.

O antigo hospício já foi um cárcere de loucos. A oficina de arte auxiliou a integração social de pacientes. A pintura, para muitos deles, é a mais clara forma de expressão. O filme mostra, assim, o lado humano da loucura.

Rafael Mentges, em 'Desvios', de Pedro Guindani (2016)
Rafael Mentges, em 'Desvios'


“Desvios”
Daniel dá um golpe de R$ 15 milhões numa empresa de investimentos. E o primo policial deve arrumar um passaporte falso para a fuga. O filme mostra a angústia durante a espera do passaporte que nunca chega...

A sinopse empolgou. Os minutos sem diálogos, porém, parecem infindáveis. Talvez, a ideia seja angustiar o expectador. Mas a impressão é de um roteiro capenga. Poderia render, quem sabe, um ótimo curta-metragem...

O Último Poema, Mirela Kruel (2015)
'O Último Poema', de Mirela Kruel


“O Último Poema”
Helena Maria Balbinot, professora de Guaporé, correspondeu-se, por 24 anos, com Carlos Drummond de Andrade. O filme alterna depoimentos de Helena e trechos de cartas, até pouco antes da morte do poeta.

A história confunde-se com a poesia. E com isso, o filme deixa de ser um documentário. Também não possui o roteiro claro de uma obra de ficção. O grande valor é mostrar Drummond como alguém simples e acessível.

Central - Tatiana Sager e Renato Dornelles (2015)
'Central' (2015)


“Central”
Neste documentário, policiais, detentos e familiares descrevem a rotina do Presídio Central de Porto Alegre. Destacam-se a superlotação e as facções. Estas comandam alas e pavilhões da maior penitenciária gaúcha.

Algumas situações revoltam. A ampla maioria dos presos não trabalha. E os líderes faturam milhares de reais com o tráfico de drogas e a corrupção da polícia. Alguns ganham mais do que se estivessem nas ruas...

Anita, de Olindo Estevam
'Anita', de Olindo Estevam


Filme Convidado
O Festival de Cinema de Gramado convidou um longa-metragem brasileiro. “Anita” participou fora da mostra competitiva. E mostrou uma versão para a vida Anita Garibaldi até o primeiro casamento, aos 14 anos de idade.

Pouco se sabe sobre a infância de Anita. Pensei que o filme resultasse de uma investigação histórica. Saí com a impressão de ser uma obra de ficção. Sem qualquer compromisso com possíveis fatos históricos.

Resta destacar as paisagens. As filmagens ocorreram em cidades gaúchas e catarinenses: AraranguáBalneário GaivotaJacinto Machado; São Francisco de PaulaSão José dos AusentesSombrio.

Cromossomo 21, de Alex Duarte
'Cromossomo 21', de Alex Duarte



Sessão Especial
Assisti a dois filmes em sessões especiais. O curioso é que a plateia também era “especial”. Uma contou inúmeros portadores de Síndrome de Down. E o outro, com a cônsul tcheca, vinda do consulado de São Paulo.


“Cromossomo 21”
Mostra a relação amorosa de Vitória, com Síndrome de Down, e de Afonso, sem a doença. O filme repercute a reação da sociedade. O objetivo é iniciar o movimento “Cromossomo 21”, em prol dos portadores da síndrome.

O filme concilia a comovente história com uma linda trilha sonora. E uma fotografia encantadora. Peca, por vezes, na clareza dos diálogos. Polêmica, a obra convoca à reflexão. Busca a inclusão. E combate o preconceito.

'El Mate', de Bruno Kott (2016)
'El Mate', de Bruno Kott (2016)


Longa-metragem Brasileiro
Em 2016, o Festival de Cinema de Gramado reprisou os filmes da mostra competitiva. As reprises ocorriam no Teatro Elisabeth Rosenfeld, na manhã seguinte. Assisti a um filme nacional apenas: ”El Mate”.


”El Mate”
Armando, um assassino de aluguel argentino, mantém uma encomenda em casa. O russo está atado a uma cadeira na garagem. A campainha toca. O evangélico Fábio traz a Palavra do Senhor. E muda a história de todos...

É um filme de emoções contraditórias. Em alguns momentos, ele pretende chocar. Noutros, é difícil conter o riso. Talvez a história surreal seja um motivo pelo qual o filme não ganhou prêmios no festival...

21 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ Vencedores do Festival de Cinema de Gramado 2016 +++

Curta-Metragem Brasileiro
+ Melhor Fotografia: Bruno Polidoro, por "Horas";
+ Melhor Trilha Musical: Kito Siqueira, por "Super Oldboy";
+ Melhor Direção de Arte: Camila Vieira, por "Deusa";
+ Melhor Desenho de Som: Jeferson Mandú, por "O Ex-Mágico";
+ Melhor Montagem: André Francioli, por "Memória da Pedra";
+ Melhor Roteiro: Gui Campos, por "Rosinha";
+ Melhor Atriz: Luciana Paes, em "Aqueles Cinco Segundos";
+ Melhor Ator: Allan Souza Lima, em "O que Teria Acontecido ou Não naquela Calma e Misteriosa Tarde de Domingo no Jardim Zoológico";
+ Melhor Direção: Felipe Saleme, por "Aqueles Cinco Segundos";
+ Melhor Filme: Gui Campos, por "Rosinha".

Júri da Crítica - Melhor Curta: Fabio Rodrigo e Caroline Neves, "Lúcida";
Júri Popular - Melhor Curta: Eliane Coster, "Super Oldboy".

Prêmio Especial do Júri:
+ Elke Maravilha, por "Super Oldboy";
+ Maria Alice Vergueiro, por "Rosinha".

Prêmio Canal Brasil: Gui Campos, por "Rosinha".

Leonardo Brocker disse...

+++ Vencedores do Festival de Cinema de Gramado 2016 +++

Longa-Metragem Brasileiro
+ Melhor Fotografia: Ralph Strelow, por "O Roubo da Taça";
+ Melhor Trilha Musical: Domingos Oliveira, de "Barata Ribeiro, 716";
+ Melhor Direção de Arte: Fábio Goldfarb, por "O Roubo da Taça";
+ Melhor Desenho de Som: Daniel Turini, Fernando Henna, Armando Torres Jr. e Fabian Oliver por "O Silêncio do Céu";
+ Melhor Montagem: Tiago Feliciano, por "Elis";
+ Melhor Ator Coadjuvante: Bruno Kott em "El Mate";
+ Melhor Atriz Coadjuvante: Glauce Guima em "Barata Ribeiro, 716";
+ Melhor Roteiro: Lusa Silvestre e Caíto Ortiz, por "O Roubo da Taça";
+ Melhor Atriz: Andréia Horta, em "Elis";
+ Melhor Ator: Paulo Tiefenthaler, em "O Roubo da Taça";
+ Melhor Direção: Domingos Oliveira, "Barata Ribeiro, 716";
+ Melhor Filme: Domingos Oliveira, por "Barata Ribeiro, 716".

+ Prêmio Especial do Júri: "O Silêncio do Céu".

Júri da Crítica - Melhor Filme: Marco Dutra, por "O Silêncio do Céu";
Júri Popular - Melhor Filme: Hugo Prata, por "Elis'.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Epidemia de Cores" (2016) +++

O documentário narra a rotina da Oficina de Criatividade.
Esta ocorre no Hospital Psiquiátrico São Pedro, em Porto Alegre.
E dela participam moradores e ex-internos do antigo manicômio.
Além de frequentadores interessados em arte e arteterapia.
Ou no desenvolvimento de atividades expressivas.
Dentre elas: pintura, bordado, escultura em argila e escrita criativa.

O antropólogo Mário Eugênio Saretta dirigiu e produziu o filme.
Foram mais de dois anos de filmagens, no Hospital Psiquiátrico São Pedro.
Local onde realizou, antes, diferentes pesquisas e trabalhos acadêmicos.
O diretor interagiu com os participantes da Oficina de Criatividade.
Entrevistou pacientes, funcionários e voluntários que colaboram com a instituição.
E buscou o uso de uma linguagem audiovisual ética e esteticamente sensível.

"Epidemia de Cores" é um filme sobre arte, loucura e liberdade.
E repara em acontecimentos insignificantes aos registros institucionais.

Duração: 1h11min
Direção: Mário Eugênio Saretta
Roteiro: Mário Eugênio Saretta

Leonardo Brocker disse...

+++ "Epidemia de Cores" - Participantes do Filme +++

João
Foi interno do Hospital Psiquiátrico São Pedro por doze anos.
Deu entrada na instituição durante a década de 1960.
Na época, havia ali aproximadamente 5.000 internos.
João falou sobre as injeções e os eletrochoques.

Depois de décadas, João retornou ao hospital psiquiátrico.
Desta vez, para participar da Oficina de Criatividade.
Ali, realizava pinturas acrílicas sobre tela e esculturas em argila.
João faleceu durante as gravações do filme.


Maria
Realizava pinturas guache e desenhos de giz de cera sobre papel.
Faleceu antes da conclusão do filme "Epidemia de Cores".
Era muda.
O diretor mostrou a ela uma primeira versão do filme.
Um trecho no qual Maria aparecia.
Ela aplaudiu e sorrir, apontando ao documentário.


Clemente
Pinturas em guache sobre papel
Também gostou do trecho em que aparecia no filme.


Guilherme
Adora fazer contas e jogar jogo da velha.
Ao assistir o filme, apontava para cada participante que via na tela e que estava por perto na Oficina de Criatividade.


Lessa
Pintava em guache sobre papel
E riu muito ao se ver numa primeira versão do filme.
O diretor perguntou se gostaria de alguma modificação.
Ela disse: "Não precisa mexer em nada, pode deixar tudo como está!".
Lessa faleceu uma semana antes da estreia do filme no cinema.


Natália
Participante ativa da Oficina de Criatividade.
As obras de Natália já participaram de muitas exposições.
Dentre elas, a "Eu Sou Você", no Museu da UFRGS.
Natália pinta em guache e desenha com giz de cera sobre papel.

Leonardo Brocker disse...

+++ Oficina de Criatividade e Nise da Silveira +++

A Oficina de Criatividade surgiu em 1990.
A inspiração foi a revolucionária iniciativa da psiquiatra Nise da Silveira.
A médica alagoana atuava em um hospital psiquiátrico do Rio de Janeiro.
E nos anos 1940, propôs essa forma de tratamento humanizado.
Era um contraponto a métodos violentos como eletrochoques e lobotomia.
Nise usou a arte como um eficaz canal de comunicação.
Como uma forma de reconexão dos pacientes com a vida que cerca.

Roberto Berliner dirigiu o filme "Nise — O Coração da Loucura".
Na cinebiografia, Glória Pires vive o papel de Nise.
O filme registra um momento da vida da pioneira da terapia ocupacional no Brasil.
Ao sair da prisão, Nise volta a trabalhar.
Em um hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro.
E propõe uma nova forma de tratamento aos pacientes que sofrem da esquizofrenia.
A psiquiatra propõe a eliminação do eletrochoque e da lobotomia.
Mas os colegas de trabalho discordam do seu meio de tratamento e a isolam.
Resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional.
Ali, ela inicia uma nova forma de lidar com os pacientes, através do amor e da arte.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Desvios" (2016) +++

Daniel é um jovem corretor de valores.
E dá um grande golpe em sua empresa de investimentos.
Faz com que ela compre R$ 15 milhões em ações de uma empresa fantasma.
Romano, o primo policial, fica encarregado de obter um passaporte falso.
Assim, Daniel poderá fugir do Brasil e recomeçar a vida em outro país.
Enquanto espera, deve-se esconder por alguns dias, "até a poeira baixa".
E aluga um velho apartamento no centro de Porto Alegre.

Mas a poeira nunca baixa...
Daniel embarca em uma viagem paranoica.
E vai se deixando consumir pela espera.
Pela prisão que se impõe.
E pelo medo de falhar em sua ambiciosa empreitada.
Isso coloca em risco não só o dinheiro, mas também sua sanidade.

Duração: 1h24min
Direção: Pedro Guindani
Roteiro: Pedro Guindani

Elenco
+ Rafael Mentges (Daniel);
+ Cassiano Ranzolin (Romano);
+ Anselmo Vasconcelos (Landlord);
+ Heinz Limaverde (Garçom);
+ Fernanda Menezes (Carol);
+ Carolina Silvestre (Amanda);
+ Eduardo Steinmetz (Homem de Jaqueta);
+ Carina Dias (Esposa de Romano) (voz).

Leonardo Brocker disse...

+++ 'Desvios" - Opinião da Crítica +++

A premissa, em si, é bastante interessante.
Infelizmente, "Desvios" não responde nenhuma questão essencial:
Como exatamente executou o golpe?
Quais foram os conhecimentos necessários?
Mais alguém sabe, além de Daniel e do primo Romano?
O que levou o rapaz pacato a praticar o crime?
Não se mostra nenhuma cena referente ao ato.
Para o público, fica a sensação de frustração.
A história torna-se improvável.
Como um sujeito simplório orquestrou um plano tão rebuscado?

O diretor Pedro Guindani limita-se a filmar o tédio dentro de casa.
Isolado, Daniel dorme bastante.
Lê um livro, escova os dentes, faz abdominais.
Depois, repete essas atividades uma, duas, três vezes.
Por que ele não tem nenhum equipamento eletrônico em casa?
O que o impede de se divertir com telefone, computador, TV?
Por que se alimenta só de macarrão instantâneo?
Afinal, o sujeito tem todo o tempo do mundo...
A imagem estereotipada da monotonia impregna o ritmo do filme.

O mesmo vale para a atuação e para os quesitos técnicos.
Rafael Mentges parece vazio em cena.
Com emoções e sensações difíceis de decifrar.
O momento em que uma garota abandona a sua cama é flagrante.
O rapaz está de olhos abertos.
Mas não se sabe se tem cansaço, medo, angústia, ou apenas tédio.
O roteiro tenta levar Daniel à paranoia, com medo de ser perseguido.
Mas a linguagem cinematográfica neste momento é a mais simples possível.
Multiplicam-se os ruídos na banda sonora, aumentam os volumes.
E a câmera treme durante uma crise do personagem.

Talvez "Desvios" buscasse ser uma espécie de "Crime e Castigo".
Mas esta obra literária estava baseada num profundo conflito moral.
E o filme não oferece um conflito psicológico notável.
Já que Daniel parece indiferente às circunstâncias do próprio crime.
E não dá ferramentas que joguem o espectador para dentro da trama.
Sem elas, contemplamos somente o retrato linear de algumas semanas de tédio.

Adaptado da crítica de Bruno Carmelo, do site Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ 'Desvios" - Opinião da Crítica +++

É o primeiro longa para cinema de Pedro Guindani.
Em 2007, ele já havia dirigido, o televisivo "Os Olhos de Capitu".
Durante uma hora e meia, a câmera de Guindani gruda no sujeito.
Registra seu cotidiano de repetições, absolutamente enfadonho.
E as raras idas à rua, onde encontra com o primo e parceiro de crime.
E conhece a jovem Carol, que poderá reconectá-lo ao mundo.

A premissa poderia gerar coisas bem interessantes.
Guindani parece querer acompanhar A degradação mental do protagonista.
Isso imediatamente remete à trilogia do apartamento de Roman Polanski:
"Repulsa ao Sexo" (1965); "O Bebê de Rosemary" (1968) e "O Inquilino" (1976).
Mas "Desvios" não consegue mergulhar tão fundo na loucura do personagem.

Guindani até é bem eficiente na construção das sensações de tédio.
Este é marcado pelos atos repetidos de Daniel dentro do apartamento:
Comer macarrão instantâneo, escovar os dentes, dormir.
E ler o livro "O Estrangeiro", de Albert Camus.
Também é eficiente na paranoia.
Toda vez que Daniel sai à rua e vê alguém o seguindo.
Mas o salto daí para a loucura é de forma excessivamente repentina.
E, pior, não tem suas consequências minimamente exploradas no filme.
Quando Daniel comete o ato nesse último estágio, "Desvios" termina.

Resta entender o filme como uma realização genérica mesmo.
Sem nenhuma identidade visual com o cinema ao qual tenta se filiar.
Guindani desperdiça a chance de brincar com a tradição do thriller.
De fazer citações aos filmes que o inspiraram, de ser inventivo.
"Desvios" não consegue ser um exercício criativo de um estreante na direção.
Nem avançar suficientemente na história que se propõe a contar.

Adaptado da crítica de Wallace Andrioli, do site Papo de Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Último Poema" (2015) +++

Helena Maria Balbinot foi professora no interior do Rio Grande do Sul.
E correspondeu-se por 24 anos com Carlos Drummond de Andrade.
O filme revela parte da correspondência com o poeta modernista.
Em cenas poéticas, esta amizade é reinventada, ressignificada.
E tece no imaginário do espectador o encontro de dois universos.
O de Helena Maria e o de Carlos Drummond de Andrade.

Duração: 1h12min
Direção: Mirela Kruel
Roteiro: Mirela Kruel

Elenco
+ Helena Maria Balbinot Vicari (Ela mesma);
+ Rodrigo Fiatt (Carlos Drummond de Andrade);
+ Ana Júlia Chiodi Alberti (a jovem Helena);
+ Janaína Kremer Motta (Helena).

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Último Poema" - Crítica +++


O filme conta a história de Helena Maria Balbinot Vicari.
A professora aposentada sempre apreciou poesia.
Em especial, a de Carlos Drummond de Andrade.
Para ela, o maior poeta modernista brasileiro.

A gaúcha e o mineiro nunca se encontraram.
Mas se corresponderam de 1962 a 1986.
Nos últimos 24 anos de vida de Drummond.
Ela guarda as cartas como um pequeno tesouro.

A relação, mesmo à distância, desafiava as convenções.
Mas Helena lamenta o encontro real que nunca aconteceu.
E fala sobre o que mudou após a aproximação com Drummond.

O filme aproxima o espectador do universo de Helena.
Mostra como o contato com o poeta ainda permeia seus sentimentos.
E vira referência aos poemas que ainda hoje ela escreve.

"O Último Poema" cria, enfim, uma rede de memórias.
Esta se desdobra em poesia, amizade, sonhos e desencontros.

O filme fala sobre a força da poesia.
E sobre o sonho que os poemas proporcionam à Helena.
Ela encontra primeiro na poesia de Drummond, e depois na correspondência com ele, uma alternativa para a vida monótona de professora e dona de casa do interior do RS.

A história ainda revela uma literatura inédita de cartas de Drummond.
Estas repousam silenciosas em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul.

Adaptado do site Revista de Cinema, UOL.

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Último Poema" - Crítica +++

O filme conta a influência de Drummond na vida de féis leitores.
Há declamações de trechos, relatos pessoais sobre a época.
E refexões sobre a vida e a sociedade ao longo dos anos.
Além de curiosidades sobre a mente por trás dos textos.

O cinema e a poesia são alimentados das nossas camadas mais secretas.
O filme atinge exatamente esse ponto: nos faz sonhar.
E querer conhecer, cada vez mais, a obra deste grande poeta.

Adaptado da crítica de Raphael Camacho, do site CinePop Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Central" (2015) +++

O Presídio Central de Porto Alegre é o tema do documentário.
Este baseia-se no livro ‘Falange Gaúcha’ (2008), de Renato Dornelles.

O presídio é notícia constante nas mídias nacional e internacional.
A CPI do Sistema Carcerário, em 2008, considerou-o o pior do país.
Definiu-o como "A Masmorra do Século 21".

Em 2013, a Organização dos Estados Americanos recebeu denúncias.
Segundo elas, o Presídio Central violaria os direitos humanos.

No filme "Central", pequisadores analisam a situação da prisão.
O Poder Judiciário e o Ministério Público também se manifestam.
E policiais, presos e familiares relatam o cotidiano da cadeia.
Descrevem problemas como o uso de drogas e a superlotação.

Imagens inéditas mostram o interior das galerias.
Ali, guardas não entram.
E presidiários, organizados em facções, detêm o comando.

Duração: 1h18min
Direção: Tatiana Sager
Co-direção: Renato Dornelles
Roteiro: Tatiana Sager, Renato Dornelles e Luca Alverdi

Leonardo Brocker disse...

+++ "Central" - Opinião da Crítica +++

“Central” é baseado no livro “Falange Gaúcha”, do jornalista Renato Dornelles.
E conta a história daquele que foi considerado o pior presídio da América.
As imagens mostram a degradação do edifício.
Projetado para receber 1600 pessoas, já chegou a albergar mais de 5 mil.
As consequências estão à vista: uma gritante superlotação, esgotos a céu aberto.
Falta de saneamento básico, de energia eléctrica e de água potável.

O documentário dá uma visão sobre o sistema penitenciário em si.
Vemos como cai pelo chão o afã teórico de “correção”.
A taxa de reincidência é da ordem dos 70%.
A ideia de diminuir o crime aumentando as detenções não passa de um engano.
Um jovem de 18 anos entra no Central por vender de drogas. E cumpre a pena.
Sai em liberdade e dá-se conta de que poucas opções lhe restam.
E volta ao crime.
Por dívidas e compromissos contraídos na prisão.
Ou simplesmente por não conseguir um trabalho.

“Quanto pior estiver a situação na prisão, melhor para o crime”, diz um entrevistado.

O filme desmonta a teoria da ressocialização.
Mostra as complexas dinâmicas internas do presídio. Os jogos de poder.
E o equilíbrio alcançado entre as autoridades e os presos.
As constantes negociações com os líderes das facções criminosas.
Estas quase partilham a gestão da Central com os guardas.
Grande parte das decisões precisa da aprovação dos chamados Plantões.

Negociar é a palavra de ordem.
Essa foi a forma de minimizar as rebeliões.
Diminuir o número de mortes dentro do presídio.
Isso beneficia o Estado e o próprio crime organizado dentro e fora do presídio.

O crime organizado tem a possibilidade de se fortalecer mais dentro do Central.
A enorme escassez de tudo é colmatada pelo mercado clandestino.
Vende-se desde alimentos a produtos de higiene básicos.
E este comércio paralelo é uma enorme fonte de rendimento aos criminosos.
Eles lucram ainda como uma espécie de dízimo.
Os membros das facções devem pagá-lo a cada mês.
Algumas famílias gastam cerca de 200 reais por semana.
Outras familiares são obrigadas a prostituir-se para pagar favores alheios.

“Central” mostra que não se pode combater o crime sem um combate sério contra a pobreza e a exclusão social.

Adaptado da crítica de Aline Frazão, do site Rede Angola.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Central" - Opinião da Crítica +++

O Presídio Central, no Rio Grande do Sul, já foi considerado o pior do país.
Por condições estruturais e pela quantidade de mortes, rebeliões e fugas.
Hoje, a estrutura mudou, e o número de mortes caiu para próximo de zero.
Isso significa que chegamos a um modelo ideal de prisão?
Não exatamente.
A diretora Tatiana Sager investiga as origens do crime organizado.
Este mantém a aparência de tranquilidade enquanto profissionaliza o tráfico de drogas.
E transforma a prisão numa empresa bastante lucrativa.

A diretora recorre a diversos tipos de linguagens e ferramentas documentais.
Imagens de arquivos, entrevistas com antigos detentos e familiares.
Imagens feitas pelos próprios internos, com uma câmera fornecida pela diretora.
E principalmente os depoimentos excelentes porque conflitantes.
Pesquisadores e advogados reforçam a tese da prisão como “escola do crime”.
A Brigada Militar comanda o Presídio Central e afirma o contrário.
A separação de criminosos por facções impediria o aprendizado de práticas ilícitas.

Estamos, portanto, num registro dialético e reflexivo.
Ao invés de apontar carrascos, prefere dar um passo atrás.
E compreender a origem da estrutura atual.

O olhar da diretora é abrangente.
Ela questiona desde os critérios para a prisão às condições como são tratados.
Até chegar nos meios financeiros levados à instituição e à distribuição dos mesmos.
Acima de tudo, o filme investiga estruturas de poder.
Expôe como novos presos são cooptados por facções.
E forçados a praticar crimes que nunca tinham cometido, dentro e fora da prisão.

Fala-se também no sistema financeiro elaboradíssimo dentro da instituição.
Na entrada livre de telefones celulares e computadores.
Na movimentação de dinheiro que torna alguns detentos ricos durante a pena.
E na importância das drogas como meio de manter os presos calmos, impedindo revoltas.

"Central" revela um sistema corrompido, no qual os detentos são os verdadeiros dirigentes.
O governo e a Brigada Militar fecham os olhos a tal funcionamento.
Porque custa pouco ao Estado e traz lucros consideráveis.

Mas talvez a principal contribuição do projeto seja mostrar de que maneira os crimes efetuados dentro da prisão refletem na vida de toda a sociedade fora do cárcere.
C comprova que a instituição inviabiliza a reinserção na sociedade.
E força antigos detentos a voltarem para práticas criminosas.

Todos estes questionamentos são costurados por uma montagem precisa, um roteiro inteligente.
E pela ótima qualidade de captação de som e luz dos depoimentos.
Se existe um pequeno porém, ele se encontra nas cenas de abertura e encerramento.
A cena inicial investe em ruídos assustadores, desnecessários.
E menos impactantes do que qualquer outra cena captada dentro do presídio
E a conclusão se arrasta um pouco.

Adaptado da crítica de Bruno Carmelo, do site Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Anita" (2016) +++

O filme conta a história de Anita Garibaldi.
Desde o nascimento, em 1821, ao primeiro casamento.
Anita casou-se, em 1835, com Manuel Duarte de Aguiar.
Antes de conhecer Giuseppe Garibaldi.
Em 1839, ela casaria com revolucionário italiano.
E ganharia a fama de guerreira libertária.
Uma mulher que abalou o mundo com sua bravura.

O roteiro procura mostrar o lado humano de Anita.
Ou melhor de Ana Maria de Jesus Ribeiro da Silva.
Retrata-a na sua simplicidade de cidadã comum.
Uma menina frágil e questionadora.
Que se transformou na revolucionária corajosa.
O objetivo do filme é expor essa transição.
De Ana Maria para Anita Garibaldi.

Diretor: Olindo Estevam
Roteiro: Rolando Christian Coelho

Elenco
+ Lize Souza (Anita);
+ Nadya Mendes;
+ Sebastião Fonseca;
+ Germano Pereira (Manuel Duarte de Aguiar);
+ Jackson Antunes;
+ Luciano Szafir;
+ Rosi Campos;
+ Roberto Birindelli;
+ Neusa Borges;
+ Walter Breda;
+ Anselmo Vasconcellos.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Cromossomo 21" +++

Vitória é uma moça portadora de Síndrome de Down.
E leva uma vida completamente normal.
Frequenta aulas de natação, piano e faculdade.
Até conhecer Afonso, que não tem a deficiência.
A paixão é instantânea.
Os dois iniciam uma linda história de amor.
E nenhuma diferença conseguirá abalar.

Direção: Alex Duarte
Roteiro: Alex Duarte

Elenco
+ Adriele Lopes Pelentir (Vitória);
+ Luís Fernando Irgang (Afonso);
+ Fernando Barbosa Lima;
+ Marisol Ribeiro;
+ Suzy Ayres;
+ Fenanda Honoratto;
+ Nêmora Cavalheiro;
+ Deborah Finocchiaro;
+ Saulo Meneghetti;
+ Tatiana Monteiro;
+ Fernanda Ávila.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Cromossomo 21" - Curiosidades +++

+ Alex Duarte nasceu em São Luiz Gonzaga;
+ Deixou a cidade, em 2008, e vive, no Rio de Janeiro;
+ Lançou o livro duplo "Cromossomo 21", em 2015;
+ O primeiro é a história de Vitória e Afonso, que originou o filme;
+ O segundo é a pesquisa de Alex Duarte, que iniciou em 2009;
+ A pesquisa fala de jovens com Down que alcançaram a independência;
+ A ideia surgiu quando era reporter do jornal A Notícia, em São Luiz;
+ Ali, deveria cobrir a aprovação de Adriele Pelentir no vestibular de Nutrição;
+ Ela descontruiu os conceitos de Alex sobre a síndrome de Down;
+ Ao se formei em Publicidade, Alex largou o emprego;
+ E dedicou-se, por oito meses, a conhecer a história da Adriele;
+ Decidiu contar a história a partir dos livros e do filme;
+ O romance de Afonso e Vitória é uma metáfora das impossibilidades que a sociedade coloca;
+ Passou também a integrar a ONG Unidos para o Amanhã;
+ Ali, fez a primeira pesquisa sobre síndrome de Down como experiência para o filme.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Cromossomo 21" - Escolha dos Atores +++

+ Alex Duarte é publicitário e diretor de cinema;
+ Realizador o documentário "Haiti, a Missão de Nossas Vidas";
+ Foi professor do Curso de Cinema, pelo Ministério da Cultura;
+ Atuou na Fundação Roberto Marinho;
+ Hoje, é diretor de Marketing do Instituto Tânia Zambon.

Como ocorreu a escolha do elenco do filme "Cromossomo 21":
+ Primeiro: Alex Duarte escolheu Adriele, para viver a protagonista;
+ Segundo: selecionou Luis Fernando Irgang, em um teste de elenco;
+ Terceiro: convidou atores com experiência na área, como,
# Deborah Finocchiaro (A Casa das Sete Mulheres);
# Susy Ayres (Rota Comando e A Praça é Nossa);
# Marisol Ribeiro (Família Vende Tudo e Vips);
# Nêmora Cavalheiro (Malhação e A Favorita);
# Fernanda Honorato (TV Brasil).
+ Os demais atores são iniciantes e passaram por um curso de interpretação.

Leonardo Brocker disse...

+++ "El Mate" (2016) +++

"El Mate" mostra uma noite na vida de Armando.
O assassino de aluguel portenho vive sozinho.
Mora em uma estranha casa no centro de São Paulo.
É nesse lugar que Armando mantém uma encomenda.
Um russo aguarda amarrado e espancado.
Os mandantes do sequestro devem chegar em breve.
Tudo vai mal para o russo e bem para Armando.
Até que Fábio, um jovem evangélico, toca a campainha.
Ele traz a palavra de Deus e um estranho conflito.
Um disparo de arma muda o percurso da madrugada.
E une duas pessoas de mundos extremamente diferentes.

Duração: 1h10min
Direção: Bruno Kott
Roteiro: Bruno Kott e Fabio Marcoff

Elenco
+ Fabio Marcoff (Armando);
+ Bruno Kott (Fábio);
+ Vadim Nikitim (Liev Michkim);
+ Eduardo Gomes (Ronaldo);
+ Rodrigo Fregnan;
+ Mauro Vedia;
+ Carlota Joaquina;
+ Michelle Boesche.

Leonardo Brocker disse...

+++ "El Mate" - Bruno Kott, o Diretor +++

Ator, autor e diretor;
Iniciou a carreira no teatro;
Pesquisador de liguagens que misturam teatro e audiovisual;
Desde 2014, escreve e dirige a série "No Divã do Dr Kutzman";
A série é uma parceria com Matheus Parizi que o Canal Brasil exibe;
Em 2016, atuou no filme "Os Amores de Vera", de Fábio Zanoni e Rafael Nobre;
E escreveu e dirigiu a peça "O que me Falta é o que te Sobra".

Leonardo Brocker disse...

+++ "El Mate" - Opinião da Crítica +++

O diretor Bruno Kott apresentou o filme no Festival de Gramado.
E fez questão de frisar que se tratava de uma “produção horizontal”.
Ou seja, uma estrutura de cooperação mútua, sem hierarquias.
A ideia, aplicada ao cinema, é bastante ousada.
Os filmes costumam ser regidos por uma estrutura.
Esta é dominada pelo produtor (no cinema de estúdio).
Ou pelo diretor (no cinema autoral).
A criação coletiva seria uma subversão às noções de autoria no cinema.

Como isso se traduz em imagens?
Primeiro, numa produção pequena.
"El Mate" se passa quase todo numa única casa, ao longo de uma noite.
Há meia dúzia de atores, nos quais se insere o próprio diretor.
Segundo, na desconstrução da figura do protagonista e do herói.
Há duas figuras centrais: o assassino de aluguel e o garoto religioso.
Nenhum dos dois particularmente íntegros em suas ações.
Terceiro, as ações ocorrem apesar dos protagonistas.
Armando e Fábio se envolvem em conflitos além do seu controle.
Quem dita a ação, portanto, é o acaso.
Assim, não existem atos espetaculares, nem clímax.
Nem cena que brilhe mais do que outra.
O ritmo do filme é igualmente horizontal ou, no caso, linear.

O filme aposta na estrutura fluida e na duração limitada.
E torna-se uma comédia de absurdos.
Os conflitos são simples.
Um celular que cai na privada.
Um tiro acidental.
A vizinha que bate à porta...
Mas são potencializados pela estranheza dos diálogos.
E pela excelente atuação de Fábio Marcoff.
O ator já havia brilhado em "O Roubo da Taça".

Talvez a mesma dinâmica se passasse bem no teatro.
Afinal, a obra usa pouco escolhas cinematográficas específicas.
E funciona dentro da proposta despretensiosa.
Isso não impede que alguns momentos pareçam arrastados.
"El Mate" estira as piadas ao limite.
Como na longa tirada sobre Jean Claude Van Damme.
Ou na tentativa de comunicação com o russo.
Elas são bem controladas pelos atores.
Mas enfraquecidas pela duração excessiva.

Questiona-se o assumido amadorismo na edição.
Seja na captação de som. Seja na direção de fotografia.
Isto é pertinente à estética de um filme caseiro.
Mas prejudica a compreensão de determinados instantes.
Como na caótica cena da festa.

Como comédia, o roteiro chama a atenção por subverter estereótipos.
Aos poucos, o evangélico se liberta de algumas amarras morais.
E o assassino revela-se uma figura amigável.
A lógica, no entanto, apela ao simples jogo de opostos.
Sagrado/profano, mulher/homem, adulto/jovem.
Talvez a modéstia do filme seja seu mérito e sua limitação.
Por um lado, o projeto executa bem o pequeno programa a que se destina.
Por outro lado, talvez as ambições cinematográficas sejam pequenas demais.

Adaptado da crítica de Bruno Carmelo, do site Adoro Cinema.

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