quarta-feira, 7 de setembro de 2016

O Salão Mourisco e As Obras Raras da Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul

A Biblioteca Pública do Estado fica em Porto Alegre e iniciou as atividades em 1871. O prédio de influência positivista abriga 240 mil volumes. Há setores de obras raras, em braile e sobre o Rio Grande do Sul.

Esfinge - Salão Mourisco, Biblioteca Pública do Estado do RS
Esfinge no Salão Mourisco da Biblioteca Pública

Continuação de...
Casa de Cultura Mário Quintana: De Alto a Baixo


Setor de Obras Raras
Este era o maior objetivo ao visitar a Biblioteca Pública: conhecer o setor de obras raras. Ao consultar o site, observei títulos que despertaram minha curiosidade. Com destaque para “A Divina Comédia”.

Ao chegar ao local, veio a decepção: o setor de obras raras só funciona em dias de semana. Aos sábados, ocasião em que visitei a biblioteca, não há expediente. Além disso, é preciso agendar para consultar as obras.

Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, Isaac Newton - Biblioteca Pública do Estado do RS
Princípios Matemáticos da Filosofia Natural

Resignei-me em contemplar os livros nos armários. Atrás dos vidros, vi obras como “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural”, de Isaac Newton, e “Don Quixote de la Mancha”, de Cervantes.


Salão Mourisco da Biblioteca Pública
Quase ao lado do setor de obras raras fica o Salão Mourisco. É a mais bela sala da Biblioteca Pública do Estado o Rio Grande do Sul. Ali, comumente, há concertos musicais. Em especial, de música erudita.

Pintura no Teto do Salão Mourisco - Biblioteca Pública do Estado do RS
Pintura no Teto do Salão Mourisco

O piano ao fundo da sala logo denuncia o principal uso local. Mas o que mais chama a atenção é a decoração da sala. As paredes douradas. Os bustos de escritores. E uma escultura, em mármore, da Esfinge.

O contraponto negativo é o mal estado de conservação do Salão Mourisco. O local insere-se, contudo, no contexto de má conservação geral do prédio. Seja como for, vale mais aprofundarmos a decoração local...


A Decoração do Salão Mourisco
O pintor Ferdinand Schlatter decorou o salão. E inspirou-se em Alhambra, em Granada. O palácio espanhol é um dos representantes mais famosos da arte e da arquitetura islâmicas na Europa.

Mural na Entrada da Biblioteca Pública do Estado do RS
Mural na Entrada da Biblioteca Pública do Estado

O Salão Mourisco combina as pinturas douradas com as luminárias em estilo florentino. Em cada canto, há uma coluna de mármore com os bustos de Dante Alighieri, Homero, Luís Vaz de Camões e William Shakespeare.

Além dos grandes nomes da literatura mundial, o salão abriga os bustos de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. Os líderes políticos gaúchos foram os principais representantes do positivismo no Rio Grande do Sul.


Obras do Rio Grande do Sul
A última parada foi o setor de obras do Rio Grande do Sul. Érico Veríssimo é tido como o principal escritor gaúcho. No fim da manhã, visitara o memorial do escritor. No início da tarde, estive na Biblioteca Érico Veríssimo.

Lendas do Sul, Simões Lopes Neto (Edição de 1913) - Biblioteca Pública do Estado do RS
Lendas do Sul (Edição de 1913)

Assim, direcionei minha atenção a Simões Lopes Neto. O ano de 2016 marca o centenário de morte do escritor. Lopes Neto sedimentou a imagem do gaúcho na literatura. E compilou canções tradicionais e lendas gaúchas.

Destaque ao exemplar de 1913 de “Lendas do Sul”. Ali, está “O Negrinho do Pastoreio”, famosa lenda gaúcha. E fotografei a capa do livro “Cancioneiro Guasca”, termo gaúcho que dá nome ao blog Guasca Tur.

Cancioneiro Guasca - Simões Lopes Neto - Biblioteca Pública do Estado do RS
Cancioneiro Guasca

9 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ João Simões Lopes Neto +++

Nasceu em Pelotas, em 09 de março de 1865.
Na época, ocorria a Guerra do Paraguai.
Aquele foi o maior conflito armado da América do Sul.

Na adolescência, foi para o Rio de Janeiro.
Lá, chegou a estudar Medicina.
Mas retornou a Pelotas, sem concluir o curso.

Atuou em diversas atividades comerciais.
Também atuou como jornalista.
Mas foi como escritor que conquistou um lugar na história.

As narrativas mais conhecidas: “Contos Gauchescos” (1912),
“Lendas do Sul” (1913) e “Casos do Romualdo” (1914).
Também compilou “O Cancioneiro Guasca” (1910).

Simões Lopes Neto redigiu, ainda, um livro de história local.
Mas “Terra Gaúcha” foi uma publicação póstuma.
Em vida, o escritor não teve qualquer reconhecimento.

Faleceu em Pelotas, em 14 de junho de 1916.
Pobre, doente e desacreditado.
Era um exemplo de azarento e fracassado.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Obra de Simões Lopes Neto +++

A fonte de inspiração dos relatos era o folclore gaúcho.
Simões Lopes Neto recriou-o com riqueza poética.
Com uma linguagem revolucionária para os padrões da época.

Pelo legado literário, é o maior escritor regionalista gaúcho.
Simões Lopes Neto levou a mitologia gaúcha ao apogeu.
E depois, a dessacralização.

Mas suas obras têm um valor que ultrapassa o pitoresco.
E transcende a categoria que a literatura costuma fixá-lo.
Afinal, o artista tem algo a transmitir.

As obras impõem-se pela verdade social e psicológica das personagens.
Mesmo ao parecerem só o registro de uma situação cultural específica.

Vemos a singeleza de narradores como Blau Nunes e Romualdo.
Ela atesta a força pessoal de um estilo que domina a própria matéria.
Imprime densidade humana aos tipos regionais.
E inscreve-os no plano universal.

Por tudo isso, Simões Lopes Neto é o patriarca das letras gaúchas.

Adaptado do Memorial do Rio Grande do Sul.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Contexto Histórico de Simões Lopes Neto +++

Simões Lopes Neto foi a expressão de seu tempo e lugar.
Na época, a atividade pecuária estava em decadência.
E a vivência campeira do escritor limitou-se a onze anos.
Neste período, ele viveu na estância do avô, o Visconde da Graça.
No fim do século XIX, Simões passou a viver em Pelotas.
O núcleo urbano ainda dependia da indústria do charque.
Depois, morou um tempo no Rio de Janeiro, ainda imperial.

Simões Lopes Neto fracassou em tudo em que empreendeu.
Seja nas áreas comercial e industrial.
Seja na prestação de serviços.
Mas a produção literária teve reconhecimento póstumo.
Tanto no caráter inventivo, como no criador.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Contos Gauchescos” +++

O regionalismo de Simões celebra a ancestralidade em Blau Nunes.
E trata das complexidades humanas num mundo de fronteira.
“Contos Gauchescos” emergem de uma realidade nostálgica.
De um mundo em transformação.
Blau, o narrador, é o guasca sadio, a um tempo real e ingênuo.
Impulsivo na alegria e na temeridade.
Sua narrativa revela a rudeza das relações humanas de seu tempo.
Seus temores e suas imposições na vida no campo.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ “Lendas do Sul” +++

“Lendas do Sul” conduzem o leitor a um mundo fantástico.
Da solidez terrena, parte-se às cenas de transformação.
Na paisagem, no corpo e no espírito do personagem.

Adaptado do texto de Ceres Storchi, a curadora da exposição “Simões Lopes Neto - Onde não chega o olhar, prossegue o pensamento” no Santander Cultural.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Teatro de Simões Lopes Neto +++

João Simões Lopes Neto também foi autor teatro.
Usava o pseudônimo de Serafim Bemol.
E escrevia as peças com parceiros.
Como o cunhado Mouta Rara e o maestro Acosta y Oliveira.
Os textos tratavam de temas urbanos.
Mas em vários momentos, destacava os tipos interioranos.

A maioria da obra situa-se no gênero “teatro ligeiro”.
E tratava de temas leves e atuais.
O objetivo era a diversão pura e simples.
As peças de maior sucesso foram as comédias e as operetas.
Ao todo, João Simões Lopes Neto escreveu 14 peças:

+ “Os Bacharéis” (comédia-opereta, 1894);
+ “O Boato” (revista, 1896);
+ “Mixórdia” (revista, 1896);
+ “A Viúva Pitorra” (comédia, 1896);
+ “Coió Júnior” (cena breve, 1896);
+ “O Bicho” (comédia, 1898);
+ “A Fifina” (comédia, 1900);
+ “O Palhaço” (cena breve, 1900);
+ “Jojô e Jajá e Não Ioiô e Iaiá” (cena breve, 1901);
+ “Amores e Facadas ou Querubim Trovão” (comédia, 1901);
+ “O Maior Credor ou Por Causa das Bichas” (burleta, 1903);
+ “Valsa Branca” (cena breve, 1914);
+ “Sapatos de Bebê” (cena breve, paráfrase, 1915);
+ “Nossos Filhos” (drama, sem data).

Leonardo Brocker disse...

+++ Biblioteca Pública do Estado +++

A história inicia durante o reinado de Dom Pedro II.
Em 1871, aprovou-se o projeto de Alphonse Hebert.
A construção iniciou em 1912.
Com forte influência da doutrina de Auguste Comte.
Tanto na fachada como no interior do prédio.

A fachada neoclássica ostenta colunas da ordem jônica.
E tem revestimento que imita pedra romana.
Além disso, dez bustos de mármore contornam o prédio.
São os patronos do calendário positivista.

Os espaços internos possuem sofisticada decoração.
Nas pinturas das paredes, nas luminárias, nos pisos.
Nas esquadrias, nas escadas, nas colunas.

Em 1986, ocorreu o tombamento como patrimônio estadual.
Em 2000, como patrimônio nacional.
E em 2013, adotou o nome de Biblioteca Pública Moacyr Scliar.
Uma homenagem ao escritor gaúcho.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Calendário Positivista +++

Na fachada da Biblioteca Pública do Estado há dez bustos.
Eles representam os patronos do Calendário Positivista.
Acredita-se que esses bustos vieram da França.

Auguste Comte criou o calendário com 13 meses de 28 dias.
Há um dia completar, no caso, 31 de dezembro.
Ele corresponde à festa universal dos mortes.
E o dia bissexto de 29 de fevereiro.
Esta data se reserva à festa geral das mulheres santas.

Na fachada da Biblioteca Pública, estão os seguintes meses:

3º mês (26/02 a 25/03) – Aristóteles;
5º mês (23/04 a 20/05) – Júlio César;
6º mês (21/05 a 17/06) – São Paulo;
7º mês (18/06 a 15/07) – Carlos Magno;
8º mês (16/07 a 12/08) – Dante;
9º mês (13/08 a 09/09) – Gutenberg;
10º mês (10/09 a 07/10) – Shakespeare;
11º mês (08/10 a 04/11) – Descartes;
12o mês (05/11 a 02/12) – Frederico II;
13º mês (03/12 a 30/12) – Bichat.

Faltam os bustos correspondentes aos seguintes meses:
1º mês (01/01 a 28/01) – Moisés;
2º mês (29/01 a 25/02) – Homero;
4º mês (26/03 a 26/04) – Arquimedes.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Proclamação da República +++

Com a Proclamação da República ocorreram mudanças.
Nos nomes de avenidas, praças e ruas de Porto Alegre.
Seguem exemplos com o antigo nome e o atual:

+ Praça Conde D’Eu, hoje Praça 15 de Novembro;
+ Praça Dom Pedro II, hoje Praça Marechal Deodoro;
+ Rua do Imperador, hoje Rua da República;
+ Rua Dona Isabel, hoje Rua Demétrio Ribeiro;
+ Rua Imperatriz, hoje Rua Venâncio Aires;
+ Rua Imperial, hoje Rua Benjamin Constant.

Também vieram as homenagens aos positivistas:

+ Avenida Assis Brasil;
+ Avenida Borges de Medeiros;
+ Monumento a Júlio de Castilhos;
+ Praça Júlio de Castilhos;
+ Praça Otávio Rocha;
+ Rua Alberto Bins;
+ Rua Júlio de Castilhos;
+ Viaduto Otávio Rocha.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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