quinta-feira, 14 de julho de 2016

Centro Histórico de Triunfo

Muitos prédios de Triunfo denunciam a colonização açoriana da cidade. Um exemplo é a Biblioteca Pública. E em um rápido passeio pelo Centro Histórico, você mergulhará na história da cidade.

Biblioteca Pública Coronel João Maia, Triunfo (RS)
Biblioteca Pública Coronel João Maia


Chegada a Triunfo
Deixei Porto Alegre, às 7h25min, do dia 01/06/16. Pouco mais de uma hora depois, cheguei a Triunfo. Planejei passar, primeiro, na Prefeitura Municipal. Estacionei, em frente. E entrei para pedir informações.

Sobrado da Secretaria da Indústria e Comércio de Triunfo (RS)
Sobrado da Secretaria da Indústria e Comércio

Procurava por um mapa com os atrativos da cidade. A dica foi passar na Secretaria de Cultura e Turismo, na rua lateral. Aproveitei para fotografar o prédio da Secretaria da Indústria e Comércio, ao lado da Prefeitura.

Prédio Térreo da Secretaria da Indústria e Comércio de Triunfo (RS)
Prédio Térreo da Secretaria da Indústria e Comércio

Segui pela rua lateral, margeando os rios Jacuí e Taquari. Na Secretaria de Cultura e Turismo, a Ivete disse que chegaria uma turma de Porto Alegre. Se eu quisesse, poderia acompanhar a caminhada pela cidade.


Museu Farroupilha de Triunfo
Em 2009, a Prefeitura fechou o Museu Farroupilha, para restauro. A empresa encarregada derrubou uma parede do prédio. E o IPHAN multou a Prefeitura. O acervo, desde então, está na Secretaria de Cultura e Turismo.

Museu Municipal Farroupilha de Triunfo (RS) - Armas Revolução Farroupilha
Armas da Revolução Farroupilha

Na verdade, uma pequena parte do acervo. Seja como for, aproveitei para conhecê-lo. A instituição surgiu em torno de peças da Revolução Farroupilha. Com o tempo, incorporou doações de moradores da cidade.

Museu Municipal Farroupilha de Triunfo (RS) - Algemas de Escravos
Algemas de Escravos

Além de armas, o Museu Farroupilha de Triunfo abriga maquetes de alguns prédios históricos. Há também urnas funerárias e utensílios dos índios patos, que viviam na região, antes da chegada dos colonizadores açorianos.


Praça Bento Gonçalves
A Ivete convidou para irmos até a praça, onde esperaríamos a excursão. Em torno da Praça Bento Gonçalves, há o Teatro União, a Igreja Matriz e a Casa de Bento Gonçalves. Aproveitei para fotografar o Teatro União.

Salão Paroquial de Triunfo (RS)
Salão Paroquial de Triunfo

A Igreja Matriz Bom Jesus do Triunfo integra a terceira paróquia mais antiga do RS. Junto a ela, fica o salão paroquial, construção mais recente. Do outro lado da rua, o Teatro União, segundo mais antigo do Estado.

Palco do Teatro União de Triunfo (RS) Visto do Mezanino
Palco do Teatro União de Triunfo

A Casa de Bento Gonçalves abrigava o acervo do Museu Farroupilha de Triunfo. Ou seja, é o prédio envolvido nas questões citadas há pouco. A ideia da Prefeitura era reinaugurar o local ainda em 2016.


Apresentação de Gildo Campos
Enquanto eu fotografava a fachada do Teatro, Ivete tentou abrir a porta principal. Não houve jeito! Entrei pela porta lateral. Olhava um quadro e um senhor perguntou se eu gostaria que ligasse a luz.

Gildo Campos no Teatro União, em Triunfo
Gildo Campos no Teatro União

Subi no mezanino e vi o mesmo senhor instalando um amplificador. Segui para o palco. Ele solou “Bate o Sino”, ao violão. Eu disse: “Essa é de natal!”. E ele disse: “E essa aqui, de carnaval”. E solou “Festa no Interior”.


Então, tocou o “Brasileirinho”. E disse: “Agora, em Lá menor. E agora, em Dó maior”. Ivete entrou com o pessoal da excursão e apresentou Gildo Campos. Ele tocou seu maior sucesso: “É Disso que O Velho Gosta”.


E eu pensei que conversara, minutos antes, com um funcionário do teatro...


A Excursão de Professoras Aposentadas
Juntei-me à excursão de professoras aposentadas. Nós cruzamos a Praça Bento de Gonçalves e entramos na Igreja Matriz. Contemplamos a Capela do Divino. E passamos pela Casa de Bento Gonçalves.

Capela do Divino Espírito Santo de Triunfo (RS)
Capela do Divino Espírito Santo

Seguimos à Secretaria de Cultura e Turismo, onde o pessoal conferiria o acervo do Museu Farroupilha. Depois, passamos pela Biblioteca Pública. E na esquina seguinte, a Casa de Qorpo Santo, em ruínas.

Excursão de Professoras Aposentadas pela cidade de Triunfo (RS) - Professoras em Frente à Biblioteca Municipal
Professoras em Frente à Biblioteca

Completamos nossa caminhada, passando pelas secretarias de Educação e Trabalho. Na sequência, a Casa do Artesão e a Cruz do Marco Zero. E, por fim, o Túmulo de Luiz Barreto, a última parada antes do almoço.

O relato segue com...
Jerônimo de Ornellas e A Cidade de Triunfo

9 comentários:

Sant' Anna disse...

Legal o relato.

Leonardo Brocker disse...

+++ Biografia de Qorpo Santo +++

Nasceu José Joaquim de Campos Leão.
Na cidade gaúcha de Triunfo, em 19/04/1829.
Foi dramaturgo, poeta, jornalista, tipógrafo e gramático.
Faleceu em Porto Alegre, em 01/05/1883.

Em 1839, veio para Porto Alegre.
Para estudar gramática e conseguir emprego.
Logo após a morte do pai.
Em uma emboscada, durante a Revolução Farroupilha.

Inicialmente, trabalhou no comércio.
A partir de 1850, habilitou-se para o magistério público.
Em 1851, fundou um grupo dramático.
E a partir de 1852, começou a escrever regularmente.
Para jornais da sua província.

Em 1855, deixou o magistério público.
E passou a lecionar em vários colégios.
Para amparar a mãe, que estava doente.

Assumiu a direção do Colégio São João, em 1856.
No mesmo ano, casou com Inácia de Campos Leão.
Em 1857, mudou com a família para Alegrete.
Na cidade, fundou um colégio.
E adquiriu respeitabilidade como figura pública.
Escrevia para jornais locais.
Foi delegado de polícia e vereador.

Em 1861, voltou a Porto Alegre.
E seguiu a carreira de professor.
Em 1862, começou a escrever “Ensiqlopédia”.

No mesmo, surgiram os primeiros sinais psíquicos.
O escritor se via cada vez mais isolado.
Acreditava em uma perseguição ideológica.
No ano seguinte, resolveu denominar-se Qorpo Santo.
Alegou, na época, uma espécie de “iluminação”.

Em 1873, abandonou definitivamente o jornalismo.
Passou por dificuldades financeiras.
E abandonou o trabalho de escritor por um tempo.
Fechou o Jornal "A Justiça".
Que circulava em Porto Alegre e Alegrete.

Em 1877, constituiu uma gráfica, em Porto Alegre.
Nela, editou a produção da sua “Ensiqlopédia”.
Faleceu de tuberculose, em 1883.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Suposto Transtorno Psiquiátrico +++

Em 1862, surgiram os primeiros sinais psíquicos.
O diagnóstico era de “monomania”.
Afastaram Qorpo Santo do ensino.
Esposa e filhos interditaram-no judicialmente.

Alegava-se uma "superexcitação de atividade cerebral".
Sobretudo pela compulsão de "tudo escrever".
De janeiro a maio de 1866, escreveu 17 peças teatrais.
Somente em maio, o escritor redigiu oito peças.

Qorpo Santo não aceitou o enquadramento psiquiátrico.
Foi ao Rio de Janeiro, e passou um mês no Hospício Pedro II.
Os médicos da capital diferem do diagnóstico de monomania.
E não endossam a interdição judicial de Qorpo Santo.

"O paciente goza de boa saúde mental".
Assim sentenciou João Vicente Torres Homem.
Médico pessoal do Imperador Dom Pedro II.

Qorpo Santo consultou com vários médicos.
Salvo uma exceção, não confirmaram a loucura do escritor.
Porém, a interdição judicial, em Porto Alegre, permaneceu...

Adaptado de:
Wikipedia;
Zero Hora: “Um Qorpo que Não Morre”.

Leonardo Brocker disse...

+++ Obras de Qorpo Santo +++

“Ensiqlopèdia: ou Seis Mezes de Huma Enfermidade”

É a reunião de toda produção do escritor.
Qorpo Santo publicou a obra em 1877.
Em nove volumes, o escritor mistura:

+ Artigos de análise política;
+ Comentários sobre a cidade;
+ Maledicências contras indivíduos;
+ Passagens autobiográficas;
+ Peças de teatro;
+ Poemas;
+ Receitas de comidas e remédios caseiros;
+ Sugestões para os governantes.


“Teatro Completo”

As dezessete peças fazem parte do volume IV da “Ensiqlopèdia”.
Qorpo Santo escreveu entre 31 de janeiro e 16 de maio de 1866.
O professor Guilhermino César editou-as “Teatro Completo”.
De acordo com a ordem da publicação:

O Hóspede Atrevido ou O Brilhante Escondido;
A Impossibilidade da Santificação ou A Santificação Transformada;
O Marinheiro Escritor;
Dois Irmãos;
Duas Páginas em Branco;
Mateus e Mateusa;
As Relações Naturais;
Hoje Sou Um, e Amanhã Sou Outro;
Eu Sou a Vida, Eu Não Sou a Morte;
A Separação de Dois Esposos;
O Marido Extremoso ou O Pai Cuidadoso;
Um Credor da Fazenda Nacional;
Um Assovio;
Certa Identidade em Busca de Outra;
Lanterna de Fogo;
Um Parto;
Uma Pitada de Café.


“Poemas Qorpo Santo” (2000)

Denise Espírito Santo reuniu poemas de Qorpo Santo.
A Livraria Contra Capa publicou a obra da pesquisadora.


“Miscelânea Quriosa” (2003)

Denise Espírito Santo selecionou textos de Qorpo Santo.
São aforismos, textos autobiográficos e outros excertos.
A Casa da Palavra publicou a obra da pesquisadora.


Adaptado de:
“Teatro Completo”, Editora Iluminuras, 2001.
“Um Autor Ainda Fora do Lugar”, Zero Hora (16/11/13);
Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Redescoberta de Qorpo Santo +++

Aníbal Damasceno Ferreira redescobriu Qorpo Santo.
O professor iniciou as buscas na década de 1950.
Procurou pela a obra do escritor com colecionadores.
E passou a divulgá-la entre intelectuais de Porto Alegre.

O grande achado foi um volume com 17 peças.
É a parte mais conhecida da produção de Qorpo-Santo.

A primeira montagem veio em 1966.
Um espetáculo com três desses textos.
Sob a direção de Antônio Carlos de Sena, amigo de Aníbal.
Foi um sucesso de público e de crítica.
Depois, Guilhermino Cesar divulgou a obra dramática.

A segunda montagem ocorreu no Rio de Janeiro, em 1968.
E selou o reconhecimento nacional.
Saudaram Qorpo-Santo como precursor do teatro do absurdo.

À época, o crítico Yan Michalski, era referência no país.
E escreveu que a redescoberta do autor "torna parcialmente obsoletos todos os livros de história da dramaturgia brasileira".

Adaptado de “Um Autor Ainda Fora do Lugar”, Zero Hora, 16/11/13.

Leonardo Brocker disse...

+++ Comparação com Movimentos Europeus +++

Guilhermino César, professor de literatura, editou o teatro completo.
E situou Qorpo Santo como precursor do teatro do absurdo.
Depois, procurou situá-lo como antecessor do movimento surrealista.

Eudinyr Fraga publicou trabalho na década de 1980.
E defendeu o enquadramento como autor surrealista.
Pelo uso constante do chamado "automatismo psíquico".
O que caracterizaria aquela corrente estética.

Hoje, vê-se Qorpo Santo como um indivíduo criativo.
E fora de seu tempo.
Não se propõe mais a intenção de inovador da estética.
E sim de um artista envolvido e dedicado à própria obra.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Inserção no Contexto da Literatura Brasileira +++

Flávio Aguiar, professor de literatura da USP aposentado.
E publicou, em 1975, o livro Os Homens Precários.
O resultado de sua dissertação de mestrado.
Nela, Aguiar analisou o teatro de Qorpo-Santo.
E mostrou a relação com o teatro brasileiro do século XIX.
Com a comédia de costumes e o teatro realista.
E com as farsas portuguesas de Antonio José.

“Só que Qorpo-Santo misturou tudo.
Num coquetel extremamente original para a época.
Que não foi nem poderia ser compreendido.
Nesse sentido, ele foi um precursor das vanguardas do século XX”.

A pesquisadora Denise Espírito Santo tem outra opinião.
E defende a associação à tradição do romantismo do século XX.

“O romantismo brasileiro é muito eclético.
Temos a vertente que Antonio Candido chama de poesia pantagruélica.
De autores como Álvares de Azevedo e Bernardo Guimarães.
Estes eram poetas mais lunares.
Muitos faziam uma poesia de sentido jocoso. Um humor negro.
Qorpo-Santo está inscrito, em certa maneira, nesta vertente.
A tradição romântica do ‘fora do lugar’, do ‘fora do esquadro’.”

Adaptado de “Um Autor Ainda Fora do Lugar”, Zero Hora, 16/11/13.

Leonardo Brocker disse...

+++ Homossexualidade na Dramaturgia +++

A polêmica surge na peça “A Separação de Dois Esposos”.
Ela encerra com um diálogo fora do comum para a época.
A conversa ocorre entre Tatu e Tamanduá.
Decididamente, o primeiro casal gay da dramaturgia brasileira.

“A Separação de Dois Esposos” precedeu “Bom Crioulo”.
O segundo, obra do escritor naturalista Adolfo Caminha.
Este inseriu com explícito destaque o amor entre dois homens.
Algo inédito na história da literatura ocidental.
E ainda colocou um homem negro como o grande herói.

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidades sobre Qorpo Santo +++

# O Predestinado #

Considerava-se destinado a feitos maiores, a glórias celestiais.
Para isso, ele deveria manter o corpo santo.
Sem contato com a impureza das mulheres.
Por isso escreveu sobre atrações e repulsas com o sexo oposto.


# A Reforma Ortográfica #

José Joaquim foi professor de português.
E tinha uma proposta de reforma ortográfica.
Buscava simplificar a grafia da língua materna.
Assim, transformou “corpo” em “qorpo”.


# Os Trabalhos #

José Joaquim trabalhou no comércio.
Foi professor, jornalista, impressor.
Delegado de polícia, dono de colégio e vereador.
Foi oficial da Guarda Nacional e membro da Maçonaria.


# As Cidades #

José Joaquim viveu em Triunfo, Porto Alegre.
Alegrete, Santo Antônio da Patrulha e Cachoeira do Sul.


# O Patrimônio #

José Joaquim acumulou bens em escala apreciável.
No testamento, arrolou sete casas em Porto Alegre.
Uma casa em Triunfo e um terreno na capital.
Além de vários objetos de valor.
E razoáveis investimentos bancários e comerciais.
Não era pouco, numa sociedade marcada pela escravidão...

Adaptado de “Um Qorpo que Não Morre”, Zero Hora.

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