segunda-feira, 20 de junho de 2016

O Misterioso Caso Kliemann

A Rua Barão do Santo Ângelo, em Porto Alegre, foi cenário de um misterioso crime. Em 20/06/1962, ocorreu no local o assassinato de Margit, esposa do deputado Euclydes Kliemann. Após 54 anos, o caso segue sem solução.

Margit Kliemann, Esposa do Deputado Euclydes Kliemann
Margit Kliemann


O Assassinato de Margit
Euclydes encontrou Margit “caída, de bruços, com a cabeça numa poça de sangue”. Conforme a perícia, ela fora atacada no alto da escada. E golpeada repetidas vezes com um objeto cortante, enquanto rolava pelos degraus.

O sangue jorrou a uma distância de 2,5 metros. As lesões concentravam-se na cabeça. Havia pequenas equimoses nos braços. Segundo os peritos: ”Os membros inferiores só apresentavam rupturas nas meias de náilon”.

Casa dos Kliemann, na Rua Barão do Santo Ângelo, 406
Casa dos Kliemann, na Rua
Barão do Santo Ângelo, 406


O Casamento
Euclydes Nicolau Kliemann e Margit Irene Mailaender casaram-se em Santa Cruz do Sul, em 20/06/1944. Ambos eram naturais daquela cidade. Ele tinha 22 anos. Ela, 20. Na ocasião, Euclydes atuava como comerciário.

O casal teve quatro filhas: Sílvia, Suzana, Virgínia e Cristina. A primogênita faleceu em 28/12/1951, aos cinco anos de idade. E pouco mais de um ano depois, nasceu Cristina, a filha mais nova, em fevereiro de 1953.

Casamento de Margit Irene Mailaender e Euclydes Nicolau Kliemann
Casamento de Margit e Euclydes


O Contexto Político
Em 03/10/1958, Euclydes Kliemann elegeu-se deputado estadual. Assumiu o cargo em 31/01/1959. E mostrou-se um ferrenho opositor de Leonel Brizola, governador gaúcho, na ocasião. Destacou-se pelos discursos inflamados.

Kliemann denunciou, em 19/06/1962, a ameaça de morte feita à esposa do jornalista José Bacchieri Duarte. O deputado trava uma áspera discussão com o colega Sereno Chaise. No dia seguinte, Margit é assassinada.

Deputado Estadual Euclydes Nicolau Kliemann
Deputado Euclydes Nicolau Kliemann


Investigação Policial
O delegado Júlio de Souza Moraes, responsável pelo Caso Kliemann, definiu que Euclydes matou a esposa. Evidências o inocentavam. Porém, o delegado afastou os investigadores que defendiam a inocência do marido.

A imprensa criou histórias fantásticas. Algumas, alimentadas por Júlio Moraes. A mais famosa era a da Dama de Vermelho, a suposta responsável pelo crime. Até uma cartomante, Madame Ninon, envolveu-se no caso.

Delegado Júlio de Souza Moraes
Delegado Júlio de Souza Moraes


O Assassinato de Euclydes
Em 31/08/1963, Euclydes Kliemann concedeu entrevista à rádio de Santa Cruz do Sul. O vereador Floriano Peixoto Karan Menezes, o Marechal, chegou transtornado ao estúdio. E iniciou uma série de críticas ao deputado.

Num momento, disse que Kliemann era “suspeito no caso havido com sua esposa”. Euclydes, que ainda estava na rádio, foi tirar satisfações. Ao entrar no estúdio, foi alvejado no peito. O assassinato foi transmitido ao vivo.

Delegado Júlio de Souza Moraes e Deputado Euclydes Kliemann
O Delegado e O Deputado


O Provável Assassino de Margit
Luiz Fernando Kliemann Kurth, sobrinho de Euclydes, é o provável assassino de Margit. Com 16 anos na época, ele participara de uma série de assaltos nos dois anos anteriores. E teve passagens pelo Juizado de Menores.

Ao que parece, supondo vazia a casa, Luiz Fernando decidiu assaltá-la com Malafói, um comparsa. Ao deparar-se com Margit, ele a teria assassinado para não ser reconhecido. Assim, o assalto tornou-se latrocínio.

Luiz Fernando Kliemann Kurth, sobrinho de Euclydes Kliemann
Luiz Fernando, sobrinho de Euclydes Kliemann


A Inocência de Kliemann
Abalado emocionalmente, o deputado nunca superou a morte da esposa. Sem fazer campanha, reelegeu-se. Concedeu entrevistas ao jornal e à TV. Mas até ser morto, Euclydes Kliemann não comprovara a inocência.

Em 09/03/1965, a Gazeta do Sul, de Santa Cruz do Sul publicou: “A morte de D. Margit – Kliemann é inocente”. Os jornais de Porto Alegre ignoraram esta notícia. E, oficialmente, o Caso Kliemann segue sem solução...

Margit Kliemann e As Filhas
Margit Kliemann e As Filhas

O texto e as fotos foram adaptados do livro "Caso Kliemann: A História de Uma Tragédia", Celito De Grandi - Editora Literalis (2009)

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