quarta-feira, 4 de maio de 2016

Museu do Grêmio: Os Três Estádios

Ao longo dos mais de cem anos de história, o Grêmio está em seu terceiro estádio. O Fortim da Baixada ficava no bairro Moinhos de Vento. O Olímpico, na Azenha. E a Arena, fica no bairro Humaitá.

Fortim da Baixada - O Primeiro Estádio do Grêmio
Fortim da Baixada: O Primeiro Estádio do Grêmio

Continuação de...
Meio ano após a fundação do clube, Augusto Koch percorreu Porto Alegre em busca de um terreno. A ideia era ter um campo próprio. Koch encontrou o local: a baixada da Chácara Mostardeiro, pertencente aos Mostardeiro.

Chácara Mostardeiro (1895) - Hoje, esquina da Rua Dona Laura com a Rua Florêncio Ygartua
Chácara Mostardeiro (1895): Hoje, esquina da
Rua Dona Laura com a Rua Florêncio Ygartua.

Por sete anos, o Grêmio pagou aluguel. E em 1911, concretizou a compra. O Fortim da Baixada foi casa do clube por 50 anos. E ficava entre as atuais ruas Mostardeiro e Dona Laura. Junto ao Parque Moinhos de Vento.

Baixada e Clube de Atiradores (1904)
Baixada e Clube de Atiradores (1904)

Até 1912, o Grêmio alugava os vestiários do casarão localizado acima do campo. O local sediava o Clube dos Atiradores (Tiro Alemão) e o Clube Caixeiros Viajantes. O último funciona ainda hoje no mesmo local.

Rua Mostardeiro e Baixada do Moinhos de Vento (1912)
A Rua Mostardeiro e o Campo da
Baixada do Moinhos de Vento (1912)

Em 1938, ocorreu a demolição do Segundo Pavilhão. A ideia era construir um novo estádio no local. A Prefeitura não autorizou. Assim, de 1939 a 1944, havia somente estruturas provisórias em torno do gramado.

Time do Grêmio de 1914 - Tetracampeão da Cidade
Time do Grêmio Tetracampeão da Cidade (1914)

Um novo pavilhão de madeira foi inaugurado em 1944. Nos anos seguintes, várias melhorias ocorreram no local. Em 22/12/1953, o Grêmio disputou a última partida no Fortim da Baixada. Perdeu para o Brasil de Pelotas.


Surge o Olímpico
Em 1941, a direção lançou a pedra fundamental, na Azenha. O apego ao Fortim da Baixada tardou o início da construção. Saturnino Vanzelotti assumiu a presidência do Grêmio, em 1948. E retomou o projeto.

Construção do Estádio Olímpico - Transferência da Vila Cai do Céu e Terraplanagem (1951)
Construção do Olímpico: Transferência da
Vila Cai do Céu e Terraplanagem (1951)

A Prefeitura cedeu o terreno da Azenha em troca da Baixada. A demora da Grêmio em iniciar a construção levou à ocupação da área pela Vila Caiu do Céu. Durante o ano de 1951, os moradores da vila foram realocados.

Getúlio Vargas, Jango e Maquete do Olímpico (1952)
Vargas, Jango e Maquete do Olímpico (1952)

Em 1952, a diretoria mostrou a maquete do novo estádio a Getúlio Vargas e João Goulart. Eles visitavam São Borja. Em abril 1953, as obras iniciaram. A inauguração do Estádio Olímpico ocorreu em setembro de 1954.

Construção do Estádio Olímpico (1953)
Construção do Estádio Olímpico (1953)

Entre 1958 e 1961, ocorreu a primeira fase ampliação do estádio. De 1968 a 1974, a segunda. E em 1977, a última. Em 1980, o anel superior é concluído e o Estádio Olímpico torna-se Monumental.

Trabalhadores que Concluíram a Construção do Olímpico Monumental (21.06.1980)
Trabalhadores que concluíram a construção
do Olímpico Monumental (21.06.1980)

O Estádio Olímpico Monumental foi o cenário de diversas conquistas. Ali, o Grêmio conquistou: a Copa Libertadores da América de 1983; o Campeonato Brasileiro, em 1981 e 1983; a Copa do Brasil, em 1989 e 1994.


Arena do Grêmio
Duda Kroeff lançou a pedra fundamental, em 20/09/2010. E Paulo Odone inaugurou a Arena, em 08/12/2012. Foi o primeiro estádio da nova geração no país. E é uma das maiores arenas multiuso da América do Sul.

Maquete da Arena do Grêmio
Maquete da Arena do Grêmio


Museu do Grêmio x Museu do Inter
Dias antes de visitar o Museu do Grêmio, eu conheci o Museu do Inter. E não gostei do que vi no museu do meu time. Deixei o local e segui para a Arena. A ideia era comparar os museus. Mas o do Grêmio estava fechado.

Carlos Mostardeiro (Xiru) - Jogou de 1909 a 1912 e Hemetério Mostardeiro (de bigode). Foto de 1915.
Carlos Mostardeiro, o Xiru:
 jogou no Grêmio de 1909-12.
Hemetério Mostardeiro, o pai
 (de bigode). Foto de 1915.

Quando visitei o Museu do Grêmio, encontrei parte do que senti falta no do Inter. A história é mais bem contada. Com destaque para os fardamentos, os estádios e a história do hino. Troféus, é claro, há nos dois museus.

Segundo Pavilhão do Fortim da Baixada (1918)
Segundo Pavilhão do Fortim da Baixada (1918)

O Museu do Grêmio também faz um melhor uso da tecnologia. Diversos monitores mostram lances emblemáticos e depoimentos de torcedores. Há ainda vídeos com conteúdo promocional do clube.

Grupo de Escoteiros e Pavilhão Social do Fortim da Baixada (1924)
Grupo de Escoteiros em frente ao Pavilhão
Social do Fortim da Baixada (1924)

Senti falta, nos dois museus, de registros em vídeos dos momentos mais marcantes. Seja a seleção de principais gols de um jogador. Seja a festa de comemoração de um título. Seria um arquivo histórico interativo...

Demolição do Segundo Pavilhão (1938)
Demolição do Segundo Pavilhão (1938)

Muitos torcedores gostariam de ver as memoráveis defesas de Eurico Lara. Ou jogadas primorosas do Rolo Compressor. Se houver registros de imagens como estas, é dever dos clubes compartilhá-los com os torcedores... 

O relato segue com...
Arena Tour: Visita ao Estádio do Grêmio

Última Foto do Fortim da Baixada (1953)
Última Foto do Fortim da Baixada (1953)

17 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ O Bairro Moinhos de Vento +++

O atual bairro era um arraial onde ficavam os moinhos de trigo.
A região, também, era a saída da cidade rumo a Gravataí.
O "Caminho dos Anjos" comunicava as duas cidades.
Hoje, ficam ali as ruas 24 de Outubro e Plínio Brasil Milano.
Anos antes, nas colinas do bairro ficavam pontos de observação.
Eles serviram na defesa da cidade durante a Guerra dos Farrapos.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Família Mostardeiro +++

Antônio Mostardeiro e Laura eram de origem humilde.
Fizeram fortuna com muito trabalho e tino empreendedor.
Antônio José Gonçalves nasceu no interior de Mostardas.
E tornou-se vendedor mercadorias diversas.
Quando chegava, as pessoas diziam: "Olha o Mostardeiro".
Daí, surgiu o nome Mostardeiro.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Chácara dos Mostardeiro +++

Em 1867, Antônio Mostardeiro chegou a Porto Alegre.
Avistou do barco as colinas no atual bairro Moinhos de Vento.
E decidiu que construiria ali a casa da família.
Comprou, então, um terreno de 64 hectares.
Ele compreendia o Moinhos de Vento e parte do Rio Branco.
No atual bairro Rio Branco, ficava, na época, a colônia africana.
Antônio Mostardeiro adquiriu, também, terrenos semirrurais.
Neles, ficam hoje os bairros Petrópolis e Santa Cecília.
Mas se instalou na região do atual bairro Moinhos de Vento.
Ali, estavam a horta, a criação de gado e um lago com cisnes.
O local ficou conhecido como a Chácara dos Mostardeiro.
Ali, a família fez fortuna e desenvolveu o comércio.
Tornou-se uma das famílias mais influentes de Porto Alegre.
Antônio Mostardeiro faleceu em 1893.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Nome das Ruas +++

Uma das ruas centrais do Moinhos de Vento chama-se Mostardeiro.
Ela homenageia Antônio José Gonçalves Mostardeiro.
E passa ao lado do Parque Moinhos de Vento.
Este parque, o Parcão, fica na antiga Chácara dos Mostardeiro.
A rua paralela, Dona Laura, homenageia a esposa de Antônio.
Ela fica entre a Rua Mostardeiro e a Rua Castro Alves.
A última homenageia o poeta abolicionista baiano.
E marcava o fim da chácara e o início da colônia africana.
A propósito: Dona Laura organizava festas aos operários.
Centenas de pessoas participavam.
Boa parte eram negros libertos recentemente.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Fortim da Baixada +++

O Grêmio surgiu em 1903 e precisava de um campo.
Sugeriram um terreno conhecido como Schützenverein Platz.
A Praça do Clube de tiro ficava numa baixada, entre duas colinas.
Junto a ela ficava a Chácara dos Motardeiro.
Em parte desta propriedade, construiu-se o Fortim da Baixada.
Os dirigentes do Grêmio negociaram com Hemetério Mostardeiro.
O filho de Antônio e Laura vendeu o terreno por 10 contos de réis.
E a inauguração do campo ocorreu em 14 de agosto de 1904.
Foi uma festa com valsa, polca e modinhas.
O prefeito José Montaury era o convidado de honra.
Junto com a família Mostadeiro.
Carlos Mostardeiro também era filho de Antônio e Laura.
O "Xiru", como era conhecido, jogou no Grêmio de 1909 a 1915.

Leonardo Brocker disse...

+++ Desenvolvimento do Bairro Moinhos de Vento +++

A região começou a se desenvolver antes do Fortim da Baixada.
O atual bairro Moinhos de Vento já abrigava a Hydráulica Guahybense.
E com a expansão do município, valorizou-se imensamente.
Os casarões da Independência avançaram para a Mostardeiro.
O mesmo ocorreu com as linhas de bonde.
Em 1912, loteou-se o bairro vizinho, Auxiliadora.
No mesmo ano, ocorreu a compra do terreno do Hospital Alemão.
Mais tarde, ele ganhou o nome atual: Hospital Moinhos de Vento.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Surgimento do Grêmio +++

Em 07/09/1903, o Rio Grande, time de futebol veio jogar em Porto Alegre.
Exibiu-se no Campo da Várzea, hoje o Parque da Redenção.
A exibição atraiu cinco mil pessoas.
Lá pelas tantas, a bola murchou.
Cândido Dias da Silva ofereceu uma bola.
O comerciante de Sorocaba usava-a para brincar em piqueniques.
Pediu, em troca, que os jogadores explicassem as regras.
Oito dias depois, Cândido fundou o Grêmio, com uma turma de amigos.
A primeira sede ficava na Rua Santa Catarina, hoje, Dr Flores.
Um ano depois, o clube instalava-se na Baixada, no Moinhos de Vento.

Leonardo Brocker disse...

+++ Grêmio x Fussball +++

A fundação dos dois times ocorreu no mesmo dia: 15/09/1903.
O Fussball, pela manhã. O Grêmio, à noite.
Os dois times eram rivais.
Tinham sedes diferentes e estádios próprios.
O Fussball tinha uniforme verde e branco.
E a sede era na Rua Dr Timóteo.

O Fussball surgiu a partir de um grupo de ciclistas.
Eram descendentes de alemães.
E integravam a Sociedade Radfahrer Verein Blitz.
Fussball e Grêmio enfrentavam-se semestralmente.
Disputavam a Taça Wanderpreis.
Este era o nome do torneio de Porto Alegre, na época.

O campo do Fussball era a Chácara das Camélias.
O clube acabou, em 1944, após 40 anos de história.
E o Nacional, um time de ferroviário, ficou com o campo.

Leonardo Brocker disse...

+++ Lupicínio Rodrigues e O Grêmio +++

Em 1907, surgiu o Rio-Grandense, um time de negros.
Em 1911, ele tentou-se inscrever na Liga de Futebol de Porto Alegre.
Na época, o pai de Lupicínio Rodrigues era o presidente do clube.
E o colorado Henrique Poppe presidia a Liga de Futebol.
O Grêmio votou a favor e foi voto vencido.
O Rio-Grandense não foi aceito.
E criou o torneio de futebol dos negros.
A imprensa apelidou de "Liga da Canela Preta".
E o nome pegou.
Mais tarde, Lupicínio Rodrigues tornou-se gremista.
E eternizou a paixão pelo clube no Hino do Cinquentenário.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Lara, O Craque Imortal" +++

Lara era um homem de pouquíssimos recursos financeiros.
Aurelio Py, dirigente gremista, buscou o goleiro em Uruguaiana.
Lara veio a contragosto, mediante transferência militar compulsória.
Chegou ao Grêmio, em 1920, sob resistência de alguns dirigentes.
Paupérrimo, morava no Fortim da Baixada, onde era zelador.
E logo, conquistou lugar nobre, garantindo a aceitação dos dirigentes.
O temperamento sério e a disciplina militar contaram muito.
Lara defendeu o Grêmio até 1935, quando faleceu.
Lupicínio Rodrigues imortalizou o goleiro no Hino do Cinquentenário.

Leonardo Brocker disse...

+++ Pombal: O Primeiro Pavilhão Social +++

Assim que passou a usar o campo, o Grêmio cercou-o.
E construiu um coreto para as autoridades e os convidados.
Com o tempo, uma multidão passou a vir aos jogos.
O clube decidiu adquirir o terreno em definitivo.
A decisão ocorreu no início do Campeonato da Cidade de 1910.
Após isso, passou a investir em melhorias na estrutura.
Em 1912, ergueu o pavilhão de madeira.
Logo, ele ganhou o apelido de Pombal.
Este pavilhão simbolizava o crescimento do Grêmio.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ampliação do Fortim da Baixada +++

Em 1918, foi necessário ampliar o prédio da Baixada.
Criou-se uma nova estrutura sobre o pavilhão original.
A estrutura de alvenaria substituiu a anterior, de madeira.
A administração do clube ficou sob as arquibancadas sociais.
Ali, ficavam, também, uma sala de reuniões o salão de festas.
Em meados dos anos 20, cobriram-se as arquibancadas.
No caso, as da Rua Dona Laura.
No lado oposto ao do pavilhão social.

Leonardo Brocker disse...

+++ Últimos Anos do Fortim da Baixada +++

No fim dos anos 30, ocorreu a profissionalização do futebol.
Na ocasião, o Fortim da Baixada tornou-se pequeno.
E a Prefeitura vetou a construção de um estádio maior no local.
No início da década seguinte, ocorreu a permuta de terrenos.
O Grêmio cedeu a área no bairro Moinhos de Vento.
E a Prefeitura ofereceu um amplo terreno na Azenha.

De 1939 e 1944, havia só estruturas temporárias ao redor do campo.
Em 1944, inaugurou-se um novo pavilhão, maior que o anterior.
Todo em madeira. Afinal, era uma solução provisória.
O Fortim da Baixada sediou os jogos do Grêmio até 1953.
O pavilhão de madeira resistiu durante todo esse período.

Leonardo Brocker disse...

+++ Primeira Ampliação do Estádio Olímpico +++

A primeira ampliação do projeto original ocorreu de 1958 a 1961.
Construiu-se uma nova seção do pavilhão superior coberto, no setor sul.
E ampliou-se o primeiro andar do setor norte.
No local, acomodaram-se mais setores administrativos.
Também se concluiu neste período:
+ o campo suplementar no lado norte;
+ o primeiro ajardinamento do pátio;
+ as paredes do ginásio de esportes.

Leonardo Brocker disse...

+++ Última Ampliação do Estádio Olímpico +++

A última ampliação do Estádio Olímpico iniciou em 1977.
Nela, iniciou a construção do módulo I, no setor Sul.
E em 1980, ocorreu o fechamento do anel superior.
Em 21/06/1980, ocorreu a reinauguração do Estádio Olímpico.
Na ocasião, o Olímpico tornou-se “Monumental”.
Hélio Dourado era o presidente do Grêmio.

Leonardo Brocker disse...

+++ Antônio José Gonçalves +++

A Chácara Mostardeiro originou o bairro Moinhos de Vento.
Ou melhor, a porção sul do bairro...

Antônio José Gonçalves era comerciante.
E adotou o nome Mostardeiro.
Estabeleceu-se em Porto Alegre, em 1864.
Fundou a Mostardeiro Irmãos e Cia.
E a Companhia de Seguros Terrestres Porto-Alegrense.
Antônio Mostardeiro foi presidente do Banco Província.
E da Associação Comercial de Porto Alegre.

A Chácara Mostardeiro tinha 64ha, com os seguintes limites:
+ Rua Ramiro Barcelos, a oeste;
+ Rua Quintino Bocaiúva, a leste;
+ Rua 24 de Outubro, ao norte;
+ Rua Castro Alves, ao sul.

A família vendeu terrenos para a criação do Prado Independência.
Do Fortim da Baixada, o primeiro estádio de futebol do Grêmio.
E da Associação dos Caixeiros Viajantes.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Deslocamento das Elites de Porto Alegre +++

No início da década de 1920, as elites deixam o Centro.
As residências deslocam-se gradualmente.
Deixam as áreas mais altas e sãs da Rua Duque de Caxias.
E seguem em direção à Avenida Independência.
E ao futuro bairro Moinhos de Vento.
Ali, surgiam a Hidráulica e a Praça Júlio de Castilhos.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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