sábado, 9 de abril de 2016

Passeio pelo Bairro Belém Velho

O bairro Belém Velho fica na zona sul de Porto Alegre. E abrigou o primeiro núcleo urbano da cidade. Ali, restaram a Praça de Belém Velho e antiga capela. Resquícios dos primórdios da capital gaúcha.

Vitral  de Nossa Senhora de Belém - Praça Belém Velho, Porto Alegre
Vitral de Nossa Senhora de Belém

Continuação de...
Porto Alegre Rural


Roteiro Porto Alegre Rural
A passagem por Belém Velho faz parte do roteiro Porto Alegre Rural. Neste roteiro, você passará por três de vinte propriedades dos Caminhos Rurais. No fim do percurso, a vista panorâmica a partir do Santuário.

O roteiro ocorre no segundo domingo de cada mês. Dei sorte: sexta-feira, procurei como fazer o passeio. Descobri que haveria um, dois dias depois. E garanti meu lugar. Comprei o ingresso pelo PagSeguro, por R$ 130,00.

Caminhos Rurais de Porto Alegre
Caminhos Rurais de Porto Alegre

Deixei um plantão de 24h, na manhã de 14/02/16. Passei em casa para tomar um banho e comer algo. Não sabia se era seguro deixar o carro no local de onde parte o passeio. Assim, resolvi ir e voltar de ônibus.

Saí de casa às 7h45. Desci no ponto final, em frente à Santa Casa de Porto Alegre. E segui a pé ao Largo Zumbi dos Palmares. Caminhei pouco mais de 1 km. Cheguei às 8h20 e aguardei no Centro de Turismo.


Da Cidade Baixa ao Belém Velho
Deixamos a Cidade Baixa, às 9h15. Seguimos pela Avenida João Pessoa, passando ao lado da Redenção. E no trajeto, reparávamos nos estragos da ventania de duas semanas antes: árvores caídas em ruas e parques.

Avenida Azenha, em 1930 - Porto Alegre, RS
Avenida Azenha, em 1930

Cruzamos a Avenida Ipiranga sobre o Arroio Dilúvio. O guia Mauri Webber chamou a nossa atenção para as palmeiras imperiais sobre a ponte. Este é o único caso no mundo de palmeiras imperiais plantadas sobre uma ponte.

Seguimos pela interminável Avenida Oscar Pereira. Na semana anterior, eu passara no local, visitando os principais cemitérios da cidade. Passamos pelo bairro da Medianeira, pela Glória e, depois, pela Cascata.

Avenida Azenha e Ponte sobre Arroio Dilúvio, em 1951 - Porto Alegre, RS
Avenida Azenha e Ponte sobre Dilúvio (1951)


Hospital Parque Belém
Entramos no pátio do Hospital Parque Belém. A construção ocorreu durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1940. O local funcionou como sanatório. E mantinha os tuberculosos longe da população.

O bairro Belém Velho fica no alto de um morro. A temperatura é em 2 a 5º inferior a do centro de Porto Alegre. O ponto alto, com ar puro e longe da poluição do centro favoreceria o tratamento dos tuberculosos.

Figueira Tricentenária - Praça Belém Velho, Porto Alegre
Figueira de 300 Anos - Praça Belém Velho

Cerca de 95% dos pacientes morriam. Os que não morriam, trabalhavam no bairro. Mas não era deles que os moradores tinham medo. Eles temiam as águas do Arroio Cavalhada, que passava ao lado do sanatório.

O cemitério da Rua Nossa Senhora do Rosário dá uma ideia do impacto da doença. De 1940 a 1966, registraram-se só o enterro de tuberculosos. Com o controle da doença, registraram-se outras causas de morte.

Em 1972, o Hospital Parque Belém deixou de ser um sanatório. Hoje, o local passa por enormes dificuldades financeiras. Mas ainda é uma referência nacional no tratamento de dependentes químicos.


Os Primórdios de Porto Alegre
O atual território de Porto Alegre era dividido em três sesmarias. Nossa Senhora de Santana pertencia a Jerônimo de Ornelas. São José, a Sebastião Francisco Chaves. E São Gonçalo, a Dionísio Rodrigues Mendes.

Casario Açoriano - Praça Belém Velho, Porto Alegre
Casario Açoriano

As terras de Jerônimo de Ornelas de Menezes de Vasconcelos iam do Rio Gravataí ao Rio Jacareí. No local, havia jacarés. Daí, o nome Jacareí (Rio dos Jacarés). Hoje, ele é conhecido como Arroio Dilúvio.

Do Rio Jacareí até o Arroio da Cavalhada, ficava a sesmaria de Sebastião Francisco Chaves. As terras a partir do Arroio da Cavalhada pertenciam a Dionísio Rodrigues Mendes. Ali, fica o bairro Belém Velho.


Praça de Belém Velho
Dionísio Rodrigues Mendes plantou as três figueiras da Praça de Belém Velho. Estas árvores têm mais de 300 anos. Como a madeira delas é flexível, não quebra. Porém, ela também não serve para a construção.

Fruto Figueira - Praça Belém Velho, Porto Alegre
Fruto da Figueira - Praça Belém Velho

A figueira é um ecossistema. Dá frutos em diferentes épocas. Os pássaros comem o pequeno figo e defecam sobre outras árvores. E a partir daí, surge a figueira. Esta árvore cresce destruindo a árvore original.

Em frente a uma das figueiras da Praça de Belém Velho, fica o casario açoriano. O conjunto, tombado, não conserva a arquitetura original. Mas registra a história dos primórdios da capital gaúcha.


Capela de Nossa Senhora de Belém
Em frente à praça, fica a Capela Nossa Senhora de Belém, de 1830. Ela é fruto da devoção de dona Francisca em Nossa Senhora de Belém. Francisca Maria de Jesus era nora de Dionísio Rodrigues Mendes.

Capela de Nossa Senhora de Belém - Praça Belém Velho, Porto Alegre
Capela de Nossa Senhora de Belém

Francisca conservava a imagem, esculpida em madeira, em Portugal. Por volta de 1824, ela passou a visitar casas da região, levando a imagem. A devoção à Nossa Senhora de Belém levou à construção da capela.

Na época, a Vila de Belém tornou-se a primeira freguesia de Porto Alegre. O templo foi quase totalmente destruído em 1872. Restou só a capela-mor. E a reedificação ocorreu somente em 1890.

Imagem de Nossa Senhora de Belém - Praça Belém Velho, Porto Alegre
Nossa Senhora de Belém

Uma característica das igrejas da época era o frontão gigantesco. Ele era grande e desproporcional ao tamanho do templo. A função era assustar quem via a igreja do rio ou do mar. Isso indicava um grande povoado.

O relato segue com...
Floricultura Rossatto Garden Center


Fotos antigas adaptadas do site www.curtopoa.com.br

15 comentários:

Leonardo Brocker disse...

Arroio Dilúvio

O antigo Rio Jacareí nasce na Lomba do Sabão, em Viamão.
As pontes antigas do Arroio Dilúvio têm escadarias.
Antigamente, as mulheres lavavam roupas no local.
Getúlio Vargas ordenou a plantação de palmeiras em avenidas.
Na Avenida João Pessoa, acabaram plantando sobre a ponte.
Como a raiz é superficial, as palmeiras cresceram.

Leonardo Brocker disse...

++ Oscar Pereira ++

Era médico pneumologista e professor universitário.
Oscar Pereira fundou o Hospital Parque Belém.
A Avenida Oscar Pereira estende-se por mais de 8 km.
No bairro Cascata, ela passa pelo Morro da Polícia (Embratel).
A subida é conhecida como Lomba da Embratel.
Antigamente, o local era conhecido como a Serra Porto-alegrense.
Ali, ficavam as casas de veraneios dos mais abastados.

No número 5260 da Oscar Pereira, morava o cantor Teixeirinha.
A casa possui uma piscina em forma de cuia.
O trampolim tem forma de bomba de chimarrão.
Há uma cerca baixa em frente ao terreno.
Teixeirinha dizia que era para os fãs sempre entrarem.
Afinal, tudo o que conquistou foi graças a esses fãs.

Leonardo Brocker disse...

++ Glória ++

O nome do bairro é uma referência à Maria da Glória.
Dona Maria da Glória era esposa do Coronel Manoel Py.
Os dois viviam em um grande sobrado no local.
E Dona Maria da Glória conhecia bem as trilhas da região.
Assim, orientava os viajantes que passavam por ali.
As pessoas diziam: “Vamos para a casa da Glória”.
Logo, logo, diziam: “Vamos para a Glória”.
Assim, o local ficou conhecido como Arraial da Glória.

Há outra teoria, porém, sobre o nome do bairro.
A Proclamação da República ocorreu em 1889.
Um ano depois, Luís Silveira Nunes nomeou o bairro.
Fez referência à glória alcançada no ano anterior.

O bairro da Glória ainda abriga diversas casas açorianas.
Outro atrativo é a Igreja Nossa Senhora da Glória.
Junto a ela, encontra-se o Colégio Marista.
A poucos metros dali, fica o Colégio da Glória.
Antigamente, os colégios eram divididos.
O Marista era dos meninos. O da Glória, das meninas.

Já a Gruta da Glória fica hoje no bairro Cascata.
E abriga a imagem de Nossa Senhora de Lourdes.
Quando criada, a gruta pertencia ao bairro da Glória.

Leonardo Brocker disse...

++ Hospital Parque Belém ++

Um estudo de Nova York estabeleceu o local para a construção.
O local era alto, com ar puro. O ar salino da Lagoa dos Patos.
Era o lugar ideal para o tratamento de tuberculosos.
A doença não tinha tratamento na época.
O Sanatório Belém data da década de 1940.
E na época, era o melhor hospital da América Latina.
Contava até com cinema e igreja.
A construção em forma de mão aberta favorecia a ventilação.
No primeiro ano, três pessoas sobreviveram.
Este fato foi muito comemorado na época.

Leonardo Brocker disse...

++ Portugueses x Espanhóis ++

Colônia de Sacramento era um local estratégico.
Dali, os portugueses monitoravam os navios espanhóis.
Mais exatamente, as cargas de ouro e de prata.
Os portugueses precisavam, assim, expandir o território.
Uma das formas de conseguir isso foi através dos tropeiros.
Quando os jesuítas foram expulsos, o gado ficou solto.
Os tropeiros vagavam pelo sul do país, capturando o gado.
Foram eles que começaram o povoamento de Porto Alegre.
A Coroa Portuguesa dividiu o território em três sesmarias.
Três tropeiros receberam essas sesmarias.
A sede das propriedades ficava no ponto mais alto.
Afinal, era o local ideal para a observação do território.

Dionísio Rodrigues Mendes recebeu a sesmaria mais afastada.
Suas terras ficavam entre o Arroio Cavalhada e o Arroio Salso.
Ele ocupou o local em 1735.
Ou seja, 37 anos antes da fundação de Porto Alegre.
A Igreja de Belém Velho é a segunda mais antiga do RS.
A mais antiga fica no município de Viamão.
Dionísio Rodrigues Mendes plantou três figueiras na sesmaria.
Todas próximas a casa onde residia com a família.
Os raios acabaram destruindo uma das figueiras.
A mais afastada da igreja fica em uma “encruzilhada”.
Por isso, era usada para “trabalhos” de religiões afro-brasileiras.
O fogo das velas colocou a antiga figueira em risco.
A prefeitura, então, cercou a árvore.
E esta perdeu a conotação religiosa.
Acredita-se que Dionísio vivia na casa verde, em frente à figueira.
Ela possui eira e beira, como as casas tombadas ao lado da praça.

Leonardo Brocker disse...

++ Belém Velho ++

O Belém Velho acabou-se tornando um local de excluídos.
O Instituto São Beneditino atendia ex-escravas e abandonados.
O Amparo Santa Cruz abrigava os filhos de leprosos.
O leprosário ficava em Itapuã, Viamão.
E o Sanatório Belém tratava os tuberculosos.
O Arroio Cavalhada passava junto ao sanatório.
Ele aterrorizava a população, temerosa com o risco da
Além disso, a região ficava longe da água (Lago Guaíba).
Assim, parte da população deslocou-se em direção ao centro.
O bairro próximo ao Guaíba ficou conhecido como Belém Novo.
E o antigo bairro, localizado no morro, como Belém Velho.

Leonardo Brocker disse...

+++ Caminhos Rurais +++

A Zona Sul de Porto Alegre também merece a sua atenção.
São poucas as capitais que tem o luxo de dispor de uma rica área rural.
Os moradores de grandes cidades têm cada vez menos contato com a natureza.
Sempre ditados pelo relógio, vivem em uma rotina que pode ser esgotante.
Ainda mais, se não for equilibrada com momentos de lazer.

Vivenciar o dia-a-dia dos agricultores e colher fruta no pé.
Apreciar a paisagem e degustar produtos coloniais.
Eis uma experiência de lazer e relaxamento.
É o que você encontrará nos Caminhos Rurais de Porto Alegre.

Além de trilhas ecológicas, há áreas de preservação ambiental.
Assim como os açudes para pesca e recreação infantil.

Imperdível:
+ Santuário Mãe de Deus (Morro Pedra Redonda): vista panorâmica da cidade;
+ Rotina rural e degustação de produtos nas propriedades.

Adaptado de Prefeitura Municipal de Porto Alegre

Leonardo Brocker disse...

+++ Estância de Sant’Ana +++

Esta sesmaria pertencia a Jerônimo de Ornellas.
Ficava entre o Arroio Dilúvio e o Lago Guaíba.
E cedeu espaço à povoação que surgiria junto ao Porto do Dorneles.
A estância equivaleria, mais ou menos, aos atuais bairros:
+ Bom Fim;
+ Centro;
+ Cidade Baixa;
+ Moinhos de Vento;
+ Navegantes e
+ Passo d’Areia.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ricos e Pobres no Centro do Século XIX +++

A Rua João Manoel era uma divisora de territórios.
Dali até a Volta do Gasômetro ficava a população mais pobre.
Da Rua João Manoel até a Santa Casa, os mais ricos.

Apolinário Porto Alegre ilustra isso no conto “Mandinga” (1867).
Os bagadus representavam os desvalidos de sorte.
E os tinteiros, as crianças que sabiam ler e escrever.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Becos e Ruas da Antiga Porto Alegre +++

Inicialmente, os becos tinham o nome dos moradores.
De peculiaridades do terreno.
Ou das atividades que ali se realizavam:
+ Beco da Ópera (atual Rua Uruguai);
+ Beco do Barbosa (Rua Barros Cassal);
+ Beco do Oitavo (Rua André da Rocha);
+ Beco do Bota Bica (Rua General Portinho);
+ Beco do Poço (Avenida Borges de Medeiros);
+ Beco dos Guaranis (Rua General Vasco Alves);
+ Caminho da Azenha (Avenida João Pessoa);
+ Caminho Novo (Rua Voluntários da Pátria);
+ Rua Clara (Rua João Manoel);
+ Rua da Figueira (Rua Coronel Genuíno);
+ Rua da Ladeira (Rua General Câmara);
+ Rua da Margem do Riacho (Rua João Alfredo);
+ Rua da Olaria (Rua General Lima e Silva);
+ Rua da Passagem (Rua General Salustiano);
+ Rua da Varzinha (Rua Demétrio Ribeiro);
+ Rua de Bragança (Rua Marechal Floriano);
+ Rua do Arvoredo (Rua Fernando Machado).

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ As Duas Primeiras Linhas de Bonde +++

A Cia Carris de Ferro iniciou as operações em 1874.
Os bondes funcionavam por tração animal.
E as duas linhas tinham como destino o Menino Deus.

Uma delas saía da Praça da Matriz.
E passava pela Várzea, hoje Parque Farroupilha.
Outra linha saía do Mercado Público.
E passava pela Rua da Margem, atual João Alfredo.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Cidade Baixa +++

A região apresentava características de zona rural.
Sujeita às frequentes enchentes do Arroio Dilúvio.
E servia inclusive para refúgio de escravos.
Ao menos, até a metade do século XIX.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Parque da Redenção +++

É o mais antigo parque de Porto Alegre.
E também um dos maiores do Brasil.

Em 1997, o Município tombou o parque.

A Redenção, hoje, abriga inúmeros monumentos.
Um orquidário e o lago com pedalinhos.
Parque de diversões e quadras esportivas.
E o Auditório Araújo Vianna.

Leonardo Brocker disse...

+++ História do Parque Farroupilha +++

O local servia para guardar o gado que vinha do interior.
E que se venderia, posteriormente, na cidade.

O primeiro ajardinamento da área ocorreu em 1901.
Para a Grande Exposição daquele ano.
Na ocasião, construíram também os locais para touradas.
E para as corridas de cavalos e de bicicletas.

Em 1914, surgiram os novos jardins.
Em 1930, saneou-se a área, antes pantanosa.
Construiu-se, então, o grande lago.

Em 1935, recebeu a Exposição Comemorativa.
Ao Centenário da Revolução Farroupilha.
Na ocasião, recebeu a denominação atual.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Brique da Redenção +++

Em 1982, começou a funcionar o “Brique da Redenção”.
Uma feira que se tornou tradional.
E acontece aos domingos na Avenida José Bonifácio.
Junto ao Parque Farroupilha.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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