segunda-feira, 28 de março de 2016

Festival de Cinema de Gramado de 2015

O Festival de Cinema de Gramado exibe e premia filmes latino-americanos. Durante o dia, podem-se assistir filmes fora da competição. Premiados em outros festivais, eles são exibidos gratuitamente.

Kikito e Lustre na Entrada do Palácio dos Festivais
Kikito na entrada do Palácio dos Festivais


Filmes Gratuitos no Festival
Há anos, não acompanhava o Festival de Cinema de Gramado. A experiência serviu de lição. Para assistir aos filmes da competição, paga-se muito mais pela badalação do que pela qualidade dos mesmos.

O que mais vale à pena são os filmes fora da mostra. Nesse caso, pode-se assistir a excelentes obras sem custos. Algumas premiadas em outros festivais. Outras exibidas pela primeira ao público.

Desenho da Estátua do Kikito - Gramado (RS)
Desenho da Estátua do Kikito

Estas exibições ocorrem às 14h e às 16h, no Palácio dos Festivais, em Gramado. No mesmo local onde, à noite, são apresentados os filmes da mostra competitiva. Em geral, os públicos são distintos.


Seleção de Filmes para Assistir
Com alguns dias de folga em vista, procurei pelo site do Festival o que me interessava. As informações são bem básicas. Assim, para saber mais sobre os filmes, recorri a sites com mais dados sobre os filmes.

Ficaria de segunda até quinta-feira na casa de meus pais, em Canela. E selecionei as opções para os quatro dias. Assisti só a longas-metragens. Alguns, gaúchos. Outros, latino-americanos.

Kikito na Entrada do Palácio dos Festivais - Desenho
Festival de Cinema de Gramado

Deixei Porto Alegre, dia 10/08/15, após almoçar. O Festival de Cinema de Gramado havia começado três dias antes. Fiquei sem o início e o final do Festival. Falo sobre o “recheio” que degustei, em quatro dias...


Sobre Amanhã
É um documentário sobre o grupo gaúcho DeFalla. Este surgiu na melhor safra de grupos de rock do RS, em meados dos anos 80. E o título do filme veio emprestado de um dos maiores sucessos dos caras.

“Sobre Amanhã” registra um show de 2011. O DeFalla se reuniu, na ocasião, após anos sem tocar junto. O mais legal, porém, são os depoimentos de integrantes e de colegas do meio musical da época. É hilário!

Formação Original do Grupo DeFalla - Desenho
Formação Original do Grupo DeFalla

Não me lembro de ter rido tanto num documentário antes. As histórias que Carlos Miranda, produtor musical, e Edu K, vocalista do DeFalla, contam são incríveis. Eis uma excelente obra sobre o rock nacional dos anos 80...


“Tormenta”
Este filme conta a história de Vera Tormenta, artista plástica carioca. Vera Tormenta Goulart nasceu no Rio de Janeiro, em 1930. Hoje ela vive, no Parque das Cachoeiras, em Vacaria, no Rio Grande do Sul.

Vera estudou desenho na Paris do pós-guerra. E ao retornar ao Brasil, circulou pela boemia carioca. Na agitação dos círculos intelectuais, conviveu com Ferreira Gullar, Candido Portinari, Jorge Amado, Vinícius de Moraes.

Vera Tormenta Goulart - Desenho em Preto e Branco
Vera Tormenta Goulart


“Conducta”
Este filme cubano foi uma grata surpresa. Confesso certo receio ao ver a origem do filme. Ainda mais se considerarmos a tendência esquerdista de certos cineastas. Eu não poderia estar mais longe da realidade...

“Conducta” conta a história de um jovem desajustado. Apenas a professora parece compreender o menino. Em casa, convive com a mãe alcoólatra. E o suposto pai vive através das apostas em brigas de cães.

Conducta - Escola de Havana
Conducta - Escola de Havana

É claro, há diversas histórias paralelas. E nenhuma faz a defesa do regime comunista. Ao contrário: muitas posições vão de encontro ao regime. A história é comovente. Este filme sozinho já valeu por todo o Festival.


“Errante: Um Filme de Encontros”
Assisti a um curta-metragem de Gustavo Spolidoro, em outro Festival de Cinema de Gramado. Aquele filme tinha uma característica em comum com “Errante”: a facilidade do diretor em jogar o cotidiano na tela.

“Errante” parece todo feito ao acaso. Gustavo acorda numa manhã de carnaval com uma ideia. Decidi filmar. Ali, surge outra ideia, que emenda uma história na outra. Ou seja, tudo sem qualquer planejamento.

Errante - Um Filme de Desencontros
Errante: Um Filme de Desencontros

Isto me fez pensar que o dia-a-dia pode virar cinema. Cru. Sem temperos. A vida como ela é. Sem aquelas histórias cheias de reviravoltas, que só acontecem no cinema. Porém, boa parte da plateia desistiu do filme...


“El Perro Molina”
O filme argentino foi o único que, realmente, não me agradou. É um filme policial que mescla prostituição e violência. Não agradou pelo enredo, nem pela edição. Dá a impressão de ser amador em diversos momentos.


“Nós Duas Descendo a Escada”
O filme conta o romance de uma jovem recém-formada e de uma arquiteta. O legal é o detalhe. Ou seja, os encontros em escadarias de Porto Alegre. Quem conhece a cidade, logo reconhece os cenários do filme.

Nós Duas Descendo a Escada
Nós Duas Descendo a Escada

É claro: o longa-metragem contém diversas cenas polêmicas. Quando eu assisti ao filme, havia alunos de uma escola de Porto Alegre no cinema. Boa parte dos alunos abandonou o filme nos minutos iniciais...


Con El Alma en Una Pieza, La Leyenda de El Personal
Este documentário conta a história do grupo mexicano El Personal. Uma história triste. Afinal, dois integrantes do grupo falecem por complicações da AIDS. Os dois na segunda metade dos anos 80.

Con El Alma en Una Pieza, La Leyenda de El Personal
Con El Alma en Una Pieza,
La Leyenda de El Personal

Algumas semanas antes, li sobre celebridades mortas por complicações da doença. A lista é imensa. E contempla diversas áreas. Assistir a este filme me fez recordar diversos nomes daquela lista... 

10 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ “Sobre Amanhã” (2014) +++

Documentário sobre o surgimento da banda DeFalla.
Uma das mais instigantes dos anos 1980.
Do chamado novo rock brasileiro.
E que teve uma trajetória diferente a cada disco.
O título é o de uma das melhores músicas desta safra.
Em 2011, o grupo reuniu-se novamente.
O show comemorava os 25 anos do primeiro álbum.
O documentário registra esta noite histórica.
E traz o impacto estético na cena roqueira.

Duração: 53min
Diretores: Diego de Godoy, Rodrigo Pesavento
Roteiro: Rodrigo Pesavento, Diego de Godoy

Depoimentos:
+ Castor Daudt;
+ Edu K;
+ Biba Meira;
+ Flávio "Flu" Santos;
+ Carlos Eduardo Miranda;
+ Wander Wildner.

Leonardo Brocker disse...

+++ DeFalla – A Banda de Rock +++

Surgiu em Porto Alegre, em 1985.
Carlos Pianta, o primeiro baixista, batizou a banda.
Uma homenagem ao compositor espanhol Manuel De Falla.
Em 1985, participou de uma coletânea gaúcha.
“Rock Grande do Sul” contava mais quatro grupos.

A banda destacou-se pelo estilo musical irreverente.
Pelas constantes mudanças na formação.
E pelas apresentações estéticas.
Inseriu-se no circuito do rock alternativo de Porto Alegre.
E depois, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Leonardo Brocker disse...

+++ “DeFalla – Papaparty” (1987) +++

O primeiro disco do DeFalla.
Lançado em plena efervescência do rock nacional.
É o típico caso que se passa com promessas locais.
A banda é agraciada pela crítica.
Mas não chega a lograr reconhecimento do público fora do RS.
Surgiu em meio ao oba-oba do rock brasileiro dos anos 80.
O título foi uma das apostas do selo Plug, da gravadora RCA.
Junto com as bandas cariocas Picassos Falsos e Hojerizah.
Fez a cabaça dos jovens que fuçavam as lojas em busca de novidades.
E a crítica especializada rendeu-se ao álbum. E ao DeFalla.
Elegeu-o como uma das propostas mais criativas do rock nacional.
O repertório do disco reunia canções como:
+ “Não me Mande Flores”, uma declaração de desamor;
+ “Sodomia”, uma declaração à perversão;
+ “Sobre Amanhã” é a desilusão gótica.
A última antecipa a sonoridade caótica dos trabalhos posteriores.
Um flerte desvairado entre pós-punk, microfonias, colagens, ruídos.
O jornalista Marcelo Ferla aponta o disco como um retrato da época:
“É a pós-modernidade do Bom Fim transposta para o disco. O bairro era ‘o lugar’ de Porto Alegre, naquele momento”.

Fonte: Aplauso: Cultura em Revista, Ano 9, No 83 (2007)
“Os 10 Melhores Discos do Rock Gaúcho” (pág. 26-34)

Leonardo Brocker disse...

+++ “DeFalla – It’s Fuckin’ Borin’ to Death” (1988) +++

É o segundo disco da banda. O último pelo selo Plug.
A crítica aguardava da banda um novo sopro de criatividade.
E o DeFalla não frustrou as expectativas.
Partiu do pós-punk do primogênito LP.
E criou um crossover maluco de rap, funk e heavy metal.
Isso prova que estavam atentos às últimas tendências estrangeiras.
São notáveis as influências de Run-DMC, Beastie Boys.
Além de Red Hot Chili Peppers, que saí do berço.
Mas a banda não perdeu de vista microfonias e vinhetas absurdas.
E as letras fundindo português e inglês.
É o caso de “I Have Sing a Song”.
Também não fizeram concessões à obcessão por sexo e violência.

O disco é um dos pioneiros no uso de sampler, no Brasil.
Há uma fala do ator Dennis Hopper, no filme “Veludo Azul”.
E na abertura, “Como Vovó Já Dizia”, de Raul Seixas.
Uma versão rap, com muitos escratch.
E batidona arrasa quarteirão.
Gustavo Bittencourt, da banda Walverdes, opina:
“Nesse disco, a mistura de pop, hip-hop, rock, pós-punk e funk soa incrivelmente chinela e sofisticada, ao mesmo tempo”.

A insanidade prossegue faixa após faixa.
Como na versão desconstruída de “Revolution”.
Inicialmente, era para ser uma versão dos Beatles.
Mas não ficou nada semelhante à original.
E virou música do DeFalla mesmo.
“Repelente” tornou-se um hit absoluto da banda.

O lado B inicia com a clássica “It’s Fuckin’ Borin’ to Death”.
A balada cita o filme “Nascido para Matar”, de Stanley Kubrick.
E prossegue com o groove demoníaco “Satã (É Coisa do Diabo)”.

Fonte: Aplauso: Cultura em Revista, Ano 9, No 83 (2007)
“Os 10 Melhores Discos do Rock Gaúcho” (pág. 26-34)

Leonardo Brocker disse...

+++ “Tormenta” (2015) +++

Vera Tormenta Goulart nasceu no Rio de Janeiro, em 1930.
Hoje, vive em uma casa de madeira, em Vacaria.
Cercada de árvores e de belas cachoeiras.
Através de suas histórias, embarcamos em uma viagem.
Ao velho mundo. À Paris do pós-guerra.
O jazz invadia as caves parisienses.
E Vera percorria as estreitas ruelas até a Academie Julian.
Lá, Vera iniciou os estudos artísticos.

Retornou ao Brasil, nos anos 50.
O pano de fundo é a boemia carioca.
Neste cenário, os personagens são os artistas.
Ferreira Gullar, Darel Valença Lins, Rossini Perez.
Eles contam como era a ambiência entre a elite cultural.
Histórias que envolvem nomes destacados.
Como Jorge Amado e Vinícius de Morais.
Ou Cândido Portinari e Oscar Niemeyer.

Vera também teve longa carreira como jornalista.
E divulgadora das artes, em veículos de peso.
Como a revista Manchete e o jornal Última Hora.
E no Quinzenário da Cultura Paratodos.

Na turbulência dos anos 70, Vera abandona a capital carioca.
A desigualdade social aumentava no Rio de Janeiro.
Ver e a família decidem se isolar no interior do RS.
Numa fazenda que, por 20 anos, foi autossustentável.

Hoje, a vida de Vera nada tem a ver com as cidades grandes.
Ou com a agitação dos círculos intelectuais do Rio de Janeiro.
O barulho mais alto que ouve é o das águas do rio.
O rio que corre ao lado de sua casa.

Duração: 53min
Diretor: Lucas Costanzi
Roteiro: Lucas Costanzi

Leonardo Brocker disse...

+++ Numa Escola de Havana (Conducta) (2014) +++

Chala é um garoto de onze anos.
Vive com sua mãe viciada em drogas, Sonia.
Para sustentar a casa, ele treina cães de briga.
É ajudado por um homem que pode ser ou não seu pai biológico.
As dificuldades de sua vida se refletem na escola.
Lá, é aluno de Carmela, por quem ele tem um grande respeito.
Mas Carmela fica doente e tem que se afastar.
E Chala não se adapta à nova professora.
Ele sugere que ele seja transferido para um internato.
Quando Carmela retorna, não aceita essa medida.
Nem outras imposições que aconteceram em sua ausência.
A relação entre Carmela e Chala se intensifica.
E os dois passam a ser perseguidos na escola.
Isso leva a um conflito.
E se reflete o complexo sistema contemporâneo de Cuba.

País: Cuba (Havana)
Duração: 1h48min
Direção: Ernesto Daranas Serrano
Roteiro: Ernesto Daranas Serrano

Elenco
+ Miriel Cejas (Maria);
+ Yuliet Cruz (Sonia);
+ Armando Valdes Freire (Chala);
+ Idalmis Garcia (Mercedes);
+ Armando Miguel Gómez (Ignacio);
+ Amaly Junco (Yeni);
+ Alina Rodríguez (Carmela);
+ Sílvia Águila (Raquel).

Leonardo Brocker disse...

+++ “Errante: Um Filme de Encontros” (2014) +++

Sozinhos, o diretor e a câmera vão ao encontro do inesperado.
Ele despertou, em uma manhã do carnaval de 2011.
Guiado pelo acaso, partiu da primeira imagem.
E seguiu, por cinco dias, ao sabor dos encontros.

Duração: 70min
Direção: Gustavo Spolidoro;
Roteiro: Gustavo Spolidoro.

Elenco:
+ Gustavo Spolidoro;
+ Ricardo Machado;
+ Stephanie Piou;
+ Lívio André Menezes.

Leonardo Brocker disse...

+++ El Perro Molina (2014) +++

Antonio Molina é um criminoso em declínio.
Tenta segurar a qualquer custo o respeito pela amizade.
E pela palavra empenhada.
O comissário Ibanez vive um drama amoroso com a bela esposa Natália.
E ela se entrega à prostituição, contrariando assim a vontade do marido.
Este envolve Molina com uma tragédia.
De proporções para as quais ninguém pode estar preparado.

País: Argentina (Mar del Plata)
Duração: 1h28min
Diretor: José Celestino Campusano
Roteiro: José Celestino Campusano

+ Daniel Quaranta (Antonio Molina);
+ Florencia Bobadilla (Natalia);
+ Carlos Vuletich (Calavera);
+ Damián Ávila (Ramón);
+ Ricardo Garino (Ibañez);
+ Assiz Alcaráz (Gonzalito);
+ Fabio L. Ragone (Benavídez);
+ María Vivas (Rosa);
+ Fabio Zurita (Chofer);
+ Yuko Artak (Colega).

Leonardo Brocker disse...

+++ “Nós Duas Descendo a Escada” (2015) +++

Elas são bem diferentes.
Adri acabou a faculdade de artes.
Mas vive naquele limbo posterior à formatura.
Perdida entre a terapia e um bico em uma livraria.
Além das conversas com o único amigo.
Mona é uma arquiteta sem neurose.
Com planos, dinheiro e uma turma cheia de parcerias.
Então, as duas se conhecem, ao acaso.
Na escada de um prédio comercial de Porto Alegre.
Uma paixão, com a cidade de fundo.
E o vento soprando os dias.
Entre a primavera e o inverno.
Entre o céu azul e o algodão das nuvens.
Elas redescobrem que a intimidade tem seus encantos.
Nove meses. Nove escadas. E nove estações de amor.

Duração: 1h47min
Diretor: Fabiano de Souza
Redação: Fabiano de Souza

Elenco:
Carina Dias (Mona)
Miriã Possani (Adri)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Con el Alma en Una Pieza, La Leyenda de El Personal" +++

O documentário conta a história de El Personal.
A mais representativa banda de rock de Guadalajara.
E surgiu a partir da perspectiva de alguns dos membros da banda.
Assim como de diferentes personalidades do rock mexicano.
Eles recuperam uma história polêmica.
Nela, o humor se junta à tragédia e às sociais estigmas.

Ano: 2015
País: México (Guadalajara)
Duração: 1h35
Diretor: Jorge Bidault
Roteiro: Jorge Bidault

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