segunda-feira, 19 de maio de 2014

Porto Alegre, no Século XVIII: Jerônimo Ornellas e Porto dos Casais

Na ocasião do Descobrimento do Brasil, a região de Porto Alegre era habitada pelos índios guaranis, charruas, minuanos e tapes. E conforme o Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, o Rio Grande do Sul era de domínio espanhol. Os portugueses, no entanto, ocuparam a região.

Assinatura do Tratado de Tordesilhas, 1494
Assinatura do Tratado de Tordesilhas, 1494


Jerônimo de Ornellas
Em 1725, o português Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcelos escolheu a Lagoa de Viamão – hoje, o Lago Guaíba, como ponto de repouso para suas tropas. As tropas seguiam para a Feira de Sorocaba. As margens da Lagoa de Viamão serviram, pois, como um entreposto para os tropeiros.

Em 1732, Manoel Gonçalves Ribeiro recebeu uma sesmaria nos Campos de Viamão. E ali formou um povoado: Capela Grande de Viamão. Ainda em 1732, Ornellas instalou uma estância de criação de gado no Morro Santana. Na época, o Arroio Dilúvio abrigava, na desembocadura, o Porto do Viamão.


Porto dos Casais
Em 1752, 60 casais de açorianos chegaram e se fixaram junto a esse porto. E por esta razão, o local ficou conhecido como Porto dos Casais. Jerônimo de Ornellas sentiu-se prejudicado pela ocupação e vendeu as terras. Apesar de o local ser público, conforme a “Carta de Confirmação” da sesmaria.

Jerônimo de Ornellas Menezes e Vasconcelos
Jerônimo de Ornellas

Ocupada por pequenos estaleiros, a antiga sesmaria de Ornellas passou a crescer nos anos 60. O povoado estava concentrado na Rua da Praia, com armazéns, aquartelamentos e dezenas de casas. Ao redor do centro, as lavouras de trigo prosperavam.


Viamão
Das 44 estâncias registradas no território rio-grandense em 1741, 31 estavam nos Campos de Viamão. Campos de Viamão era o nome dado às terras situadas entre Tramandaí e Guaíba. E naquele ano, começou a ser erguida uma capela nas terras doadas por um estancieiro.

Inaugurada em 1746, a capela é inaugurada. A comunidade é elevada à paróquia e, no ano seguinte, à freguesia. E a capela passou a reunir, à sua volta, as casas dos fazendeiros. De 1763 até 1773, durante o período da invasão de Rio Grande pelos espanhóis, Viamão sediou o governo do Estado.

Carreteiros em Porto Alegre, em 1890
Carreteiros em Porto Alegre, em 1890

Capital do Estado
Em 26/03/1772, o povoado de Porto dos Casais é elevado à Freguesia de Porto de São Francisco dos Casais. Em 25/07/1773, esta é transformada em capital. E o governador José Marcelino comunica que a capital mudava para a freguesia de Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre.

O capitão José Marcelino de Figueiredo sempre visava à defesa estratégica. E Porto Alegre foi elevada à capital tanto pelo aumento de sua população como pela posição estratégica de seu porto. Assim, iniciou-se a urbanização, com a construção da Igreja Matriz e do Palácio do Governo.

Fotos antigas adaptadas do site www.curtopoa.com.br.


Veja também...
Porto Alegre, no Século XIX: Desenvolvimento da Cidade e Revolução Farroupilha

7 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ Lago Guaíba +++

Para ele convergem os rios da metade norte do RS.
E através dele, as águas destes rios chegam à Lagoa dos Patos.
Esta, enfim, conduz as águas ao Oceano Atlântico.
O Lago Guaíba teve importância fundamental.
Quando a maior parte do transporte era por rotas fluviais.
Importações e exportações da metade norte passavam por ele.
Em virtude disso, Porto Alegre tornou-se capital da província.
Dali controlava-se o tráfego do interior e da Lagoa dos Patos.
A península também oferecia um porto natural no lado norte.
Este era razoavelmente fundo.
E protegido dos ventos dominantes que vêm do sul.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Estância de Sant’Ana +++

Esta sesmaria pertencia a Jerônimo de Ornellas.
Ficava entre o Arroio Dilúvio e o Lago Guaíba.
E cedeu espaço à povoação que surgiria junto ao Porto do Dorneles.
A estância equivaleria, mais ou menos, aos atuais bairros:
+ Bom Fim;
+ Centro;
+ Cidade Baixa;
+ Moinhos de Vento;
+ Navegantes e
+ Passo d’Areia.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ O Calçamento da Rua da Praia +++

Ele fica entre as ruas Marechal Floriano e Dr. Flores.
E inicialmente, tinha uma calha central.
Para ela, inclinavam-se as calçadas laterais.
Em 1860, introduziu-se o sistema de pista abaulada.
Com as sarjetas junto ao meio-fio.
E o calçamento com pedras irregulares.

Em 1923, José Montaury modificou a pavimentação.
Ele implantou o granito regular de duas cores.

Em 1989, o município tombou o calçamento.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Saint-Hilaire e o Anfiteatro +++

Auguste de Saint-Hilaire usou uma curiosa metáfora.
O cronista passou por Porto Alegre em 1820 e disse:
“A cidade se eleva em anfitetro, sobre um dos lados da colina”.

Podemos ver Porto Alegre como um anfiteatro natural.
O palco seria o Lago Guaíba.
E ao fundo, o horizonte. O norte geográfico.
A Rua da Praia seria a primeira fila da plateia.
E a última, a Rua da Igreja, atual Duque de Caxias.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Rua da Praia no Fim do Século XIX +++

Em 1897, publicou-se a novela “Estrychnina”.
Texto de Souza Lobo, Mário Totta e Pauulino Azurenha.
A novela descrevia a Rua da Praia na virada do século.
Na época, um cenário de novidades.
Uma marca da cidade grande que Porto Alegre queria ser.
Da vida social, em torno da Praça da Alfândega.
E da democrática convivência entre pessoas de distintas classes.

Nesta rua, localizava-se, também, o comércio mais sofisticado.
Joalherias, lojas de tecidos finos, luvas, chapéus, porcelanas.
Assim como as livrarias e as papelarias.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Rua da Praia e a Cultura Pública +++

A Rua da Praia sempre foi a rua comercial por excelência.
Por décadas, foi passarela social, política e cultural da cidade.
Era estreita a ligação com o jornalismo e a boêmia.
Ali, situava-se o espaço de experiências urbanas.
E de atuação profissional de um grupo de letrados.
Uma região que reunia bares, cafés, restaurantes.
Cinemas, clubes, hotéis e casas comerciais.
Além de repartições públicas, redações de jornais, livrarias.
Onde trabalhavam artistas, escritores, músicos e jornalistas.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

Leonardo Brocker disse...

+++ Ruas de Porto Alegre com Mais de Um Nome +++

+ 24 de Outubro: Caminho dos Anjos;
+ 24 de Outubro: Estrada da Aldeia;
+ 24 de Outubro: Estrada dos Moinhos de Vento;
+ Andradas: Rua da Graça ou Rua da Praia;
+ Caldas Jr: Beco do Inácio, Beco do Quebra Costas ou Beco do Fanha;
+ Duque de Caxias: Rua Formosa, Rua da Igreja ou Rua do Hospital;
+ General Bento Martins: Beco do Jogo de Bola;
+ General Bento Martins: Beco dos Nabos a Doze;
+ General Bento Martins: Beco dos Pecados Mortais;
+ General Canabarro: Beco do Pedro Mandinga ou Rua Direita;
+ Independência: Caminho dos Anjos;
+ Independência: Estrada da Aldeia;
+ Independência: Estrada dos Moinhos de Vento;
+ Riachuelo: Rua da Ponte ou Rua do Cotovelo.

Fonte: “Viva o Centro a Pé”, Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, 2014.

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