sábado, 13 de abril de 2013

Cazuza: O Tempo Não Para ao Vivo - “Só As Mães São Felizes”; “Exagerado”, “Faz Parte do Meu Show”

“Sinto pouco o desejo da vingança. Sou muito cristão nesse aspecto. No sentido da compaixão, da piedade. Tenho pena das pessoas. Quando alguém me sacaneia, eu penso: coitada dessa pessoa! Não estou dando uma de grandioso. Mas não sinto a vontade de me vingar. De devolver. Pão, pão; queijo, queijo”. (Cazuza)

O Tempo Não Para ao Vivo - Disco de Cazuza de 1989
Cazuza - O Tempo Não Para (1989)

Continuação de...
Cazuza 1989: O Tempo Não Para - Parte 1


“O Tempo Não Pára” (Arnaldo Brandão, Cazuza)
“‘O Tempo Não Pára’ fala sobre essa velharia que está aí e vai passar. Vão ficar as idéias de uma nova geração”. (Cazuza)

“A música ‘O Tempo Não Pára’ nasceu em 1987, por minha iniciativa. O Cazuza já estava doente, às vésperas de viajar para mais uma temporada de tratamento em Boston, quando fui visitá-lo. Já havíamos feito juntos ‘Nem Sansão, Nem Dalila’. E desta vez, havia feito a música numa levada meio blues, com bateria eletrônica. Ao ouvir a fita, Cazuza ficou muito feliz. Disse que tinha adorado. E que iria fazer uma coisa meio Bob Dylan, pois a melodia pedia isso. Cerca de duas semanas depois, eu recebi um telefonema de Ezequiel Neves, emocionado. Contou que a letra já estava pronta e era uma das mais fortes da obra de Cazuza. Achei perfeito o casamento da letra com a música. O grupo Hanoi Hanoi, que eu liderava, fez a primeira gravação de ‘O Tempo Não Pára’, no disco Fanzine, de 1988. Na minha gravação a música é mais lenta, mais para o blues. É quase um lamento. Eu soube que Cazuza ouviu e gostou”. (Arnaldo Brandão)




“Só As Mães São Felizes” (Frejat, Cazuza)
“Desde o primeiro disco do Barão, o Zeca me chamava a atenção para o meu lado transgressor. Em minhas letras, sempre me desnudei. O Zeca dizia: ‘Vá com calma. Nós estamos em 1982. E a barra está pesada. Diga tudo o que passar pela cabeça. Mas vou mandar para a censura letras diferentes. Depois você canta e grava o que quiser cantar’. Quase sempre deu certo. Isso porque, no caso de ‘Só As Mães São Felizes’, eu bobeei e mandei a letra certa. Vetaram, é lógico. Não entenderam que era uma coisa moralista, pós-Nelson Rodrigues. Usei imagens fortes. Para falar de meu preconceito de não permitir a nenhuma mãe do mundo encarar as barras que eu encarava. Era como se eu dissesse que as mães são para serem colocadas num altar, para serem veneradas.” (Cazuza)

“Fiz uma música sobre um bar de São Paulo, o Val Improviso, chamada ‘Só As Mães São Felizes’. O Val Improviso era um lugar chique. As pessoas mais ricas chegavam lá e encontravam os marginais. Acho que a noite tem isso. Todo mundo vira irmão. É meio chapliniano. É o bêbado que no dia seguinte não te reconhece”. (Cazuza)

“Essa letra foi feita a partir de um verso de Jack Kerouac, tirado do livro ‘Scattered Poems’. Um verso de um poema dele que me deixou muito intrigado: ‘Só As Mães São Felizes’. Dita deste modo parece que ninguém mais é. Eu usei essa frase como uma brincadeira. Pois, na verdade, a música é uma homenagem a todos os poetas malditos. Eu quis homenagear esse tipo de poeta, de cantos. Esses loucos que têm pela vida. E são santos e demônios ao mesmo tempo.” (Cazuza)


“A música não tem qualquer ligação com a minha mãe. Nem quis a homenagear. A homenagem é a todas as pessoas diferentes e aos poetas. O Kerouac está presente apenas nessa frase. Eu a coloquei no final, de brincadeira, para dar razão ao título.” (Cazuza)

“Nunca fui uma pessoa da noite. Mas o Cazuza me deu a letra e disse que me ouvia cantando essa canção. Embora ela não tivesse nada a ver com a minha história. Eu acabei gravando somente em 1999, no disco ‘Balada MTV’ do Barão.” (Frejat)


“O Nosso Amor a Gente Inventa (História Romântica)” (Rogério Meanda, Cazuza e João Rebouças) 
“Os versos de ‘O Nosso Amor a Gente Inventa’ são baseados no drama amoroso de um amigo. Eu vampirizo meus amigos”. (Cazuza)

“Cazuza me deu essa letra logo depois de uma grande desilusão amorosa que sofri. Era completamente apaixonado e minha namorada foi embora sem dizer adeus. E era como se Cazuza estivesse me dizendo, na letra, coisas que eu deveria aprender com essa experiência. Fiz a música na praia. E fui cantando até em casa para não esquecer. Eu morava em Copacabana. Depois, procurei o João Rebouças e ele me ajudou a fazer o lado B. Foi uma época difícil para mim. E Cazuza escreveu minha história nessa canção”. (Rogério Meanda)



“Exagerado” (Leoni, Cazuza, Ezequiel Neves)
“Talvez ‘Exagerado’ seja a minha música mais autobiográfica. Mas quando eu fiz a letra, estava pensando no Zeca (Ezequiel Neves).” (Cazuza)

“Quando eu e Zeca mandamos a letra de ‘Exagerado’ para o Leoni musicar, eram trinta e tantos versos. Ele teria que enxugar um pouco. Só que enxugou demais. Até o título poderia ser ‘Tímido’, pois ele cortou ótimos versos. Basta dizer que não havia mais os versos: ‘Por você eu largo tudo / Carreira, dinheiro e canudo’. Mas a música estava ótima. E nós só tivemos que colocar novamente os versos cortados. Foi o que fizemos. E a música acabou se transformando no meu cartão de visitas.” (Cazuza)

“Eu queria um hit para o quarto disco do Barão. E não gostei da melodia de Frejat para ‘Exagerado’. Aí procurei o Leoni, do Kid Abelha, que é um hitmaker. Lembro de correr para o estúdio em que o Leoni estava gravando e pedir a ele um hit. Ele, realmente, fez a música. Mas tirou alguns versos da letra. E me disse que era para amenizar um pouco. Na verdade, ele tirou o que de melhor havia nela. O Frejat, no entanto, nos incentivou a colocar tudo de volta. Foi o que nós fizemos.” (Ezequiel Neves)


“Quando Ezequiel e Cazuza me levaram a letra de ‘Exagerado’, o Cazuza me falou que tinha imaginado uma melodia latina, um bolero. Mas ‘Exagerado’ acabou sendo a música mais pop do disco dele. Ao mostrar a melodia, cerca de uma semana mais tarde, Cazuza ficou amarradão.” (Leoni)


“Faz Parte do Meu Show” (Renato Ladeira, Cazuza)
“Faz Parte do Meu Show” fez parte da trilha sonora da novela “Vale Tudo”, exibida em 1988, pela Rede Globo. Foi gravada originalmente, em 1986, pelo grupo Herva Doce, do qual Renato Ladeira fazia parte.

“A música não é uma new bossa nova como andam dizendo. É bossa velha mesmo. E eu canto com a voz mais tranquila. Mais gostosa”. (Cazuza)


“Eu fiz um rock balada. Não era bossa nova. E mandei a melodia para Cazuza. Uma noite, estava com um amigo num bar do Leblon. Lá pelas quatro da madrugada, o Cazuza aparece cantando, aos berros: ‘Faz parte do meu show, meu amor... Eu fiz a nossa música’. Era perto das seis da manhã quando consegui tirá-lo do bar. Nós fomos para a casa dele. Então, Cazuza mostrou a música inteira. Pouco mais de um ano depois, ele estava no estúdio gravando ‘Ideologia’ e me encontrou. Quando me mostrou a gravação, fiquei chapado. Ele havia refeito parte da letra, como sempre acontecia em nossas parcerias”. (Renato Ladeira)

Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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