sábado, 13 de abril de 2013

Cazuza: O Tempo Não Para ao Vivo - “Ideologia”; “Todo Amor que Houver Nessa Vida”; “Codinome Beija-Flor”

O disco “O Tempo Não Pára” foi gravado, ao vivo, no Canecão, Rio de Janeiro, nos dias 14, 15 e 16 de outubro de 1988. O disco, produzido por Ezequiel Neves e Nico Romero, foi lançado em janeiro de 1989. “O Tempo Não Pára” foi o único disco ao vivo lançado enquanto Cazuza vivia.

O Tempo Não Para ao Vivo - Disco lançado por Cazuza em 1989
Cazuza - O Tempo Não Para (1989)

“Vida Louca Vida” (Lobão, Bernardo Vilhena)

“Boas Novas” (Cazuza)
“Essa letra foi um telegrama que mandei para os amigos. A maneira de dizer que continuo vivo, sim. E que eles terão que me aturar por mais tempo”. (Cazuza)

“Eu tenho um lado que leva as coisas muito a sério. Eu pareço uma pessoa que não leva nada a sério! E o que me salva na vida é que não tenho conseguido levar esse meu lado tão a sério. Mas eu tenho esses rompantes. De dizer coisas definitivas. Eu sei, eu vi, eu quis, eu vi a cara da morte... É como dar um testemunho”. (Cazuza)



“Ideologia” (Frejat, Cazuza)
“A música foi feita em abril ou junho de 1987, com o Frejat. Fala da minha geração sem ideologia, compactada entre os anos 60 e os dias de hoje. Fui criado em plena ditadura, quando não se podia dizer isso ou aquilo. E tudo era proibido. A geração é desunida. Nos anos 60, as pessoas se uniam pela ideologia: ‘Eu sou de esquerda. E você? Então, a gente é amigo’. A minha geração se uniu pela droga: ele é careta e ele é doidão! Droga não é ideologia. É opção pessoal. A garotada teve a sorte de pegar a coisa pronta. E aí poder decidir o que fazer pelo país. Embora, do jeito que o Brasil está, haja muita desesperança”. (Cazuza)

“Ideologia é comunidade, o contrário de solidão. É união de pessoa, ser humano. É a luta pela sobrevivência. É uma grande maneira de todos se unirem. É o contrário da solidão. Quem inventa idéias, partidos políticos ou coisas assim. São formas de não se ficar só”. (Cazuza)


“Na verdade, a letra de ‘Ideologia’ fala sobre a minha geração. Sobre aquilo que eu acreditava quando tinha 16, 17 anos. E sobre como estou hoje. Achava que tinha mudado o mundo. E dali para frente, as coisas avançariam ainda mais. Não sabia que ia acontecer esse freio. É como se agora a gente tivesse de pagar a conta da festa”. (Cazuza)

“Quando a letra de ‘Ideologia’ ficou pronta, Cazuza ligou para dizer: ‘Brou, fiz uma letra que só você pode musicar. É a letra que dá o tom do meu novo trabalho’. Ele já estava doente e consciente de tudo o que queria fazer. Assim que eu terminei a melodia, gravei uma fita e mandei para Cazuza. Ele cantava essa música nos piores momentos de crise em Boston. ‘Ideologia’ foi uma das amarras de sobrevivência de Cazuza naquela época”. (Frejat)

“Todo Amor que Houver Nessa Vida” (Frejat, Cazuza)
“Em julho de 1983, Caetano Veloso incluiu a canção no show ‘Uns’. Foi uma ajuda fundamental para popularizar o Barão Vermelho.”


“A música ‘Todo Amor que Houver Nessa Vida’ é uma obra-prima. O Cazuza era um romântico autêntico. Isso foi o que deu à poesia dele um poder de comoção muito grande. Porque ele era cem por cento autêntico e isso a gente sentia. Ele entrou na MPB com uma marca enormemente original. E seu trabalho com o Barão e, depois, sozinho representa uma coisa grande. E com papel importante no desenvolvimento da música popular brasileira.” (Caetano Veloso)

“Nessa época, nós não tínhamos a menor ideia da dimensão que esse repertório iria tomar. Na verdade, quando fizemos essas músicas, elas foram gravadas quatro ou cinco meses antes de estourarem. E um ano antes de o Caetano se pronunciar. Nós estávamos felizes, mas não tínhamos a menor ideia do que estava acontecendo. A letra é a cara da geração da gente. E a música é um new wave travado pra caralho. Como letra escapa do universo roqueiro. Mas foi muito mal tocada.” (Frejat)

“Codinome Beija-Flor” (Reinaldo Arias, Cazuza, Ezequiel Neves)
Em 31 de julho de 1985, logo depois de deixar o grupo Barão Vermelho, Cazuza foi internado com febre alta e convulsões. O teste para HIV deu negativo. Aconteciam festas diárias nos dois apartamentos alugados pelos pais de Cazuza no Hospital São Lucas. Os beija-flores que rondavam as janelas do quarto foram a inspiração para a letra de ‘Codinome Beija-Flor’, uma das mais líricas de seu repertório.


“Lá no hospital o Cazuza me disse que estava fazendo uma música porque tinha um beija-flor que aparecia na janela. Pedi para ele me mostrar. Era muito poética. Mas não entendi nada, pois a letra não tinha nenhuma historinha. Quando falei isso, ele reagiu: ‘Está querendo que eu seja o quê? Um babaca? Está querendo que eu faça uma coisa cafona?’ Aí, fez mais duas versões não tão boas. E, ao contrário de usar a expressão segundas intenções, usou terceiras intenções. Achei genial. Essa letra é muito sensível. Parece Cecília Meireles.” (Ezequiel Neves)

“Na hora de gravarmos, aconteceu o absurdo. O Nico Resende tinha feito arranjo de discoteca para a música. Eu estava tão doido de uísque que falei para o Nico: ‘Você não vai fazer isso de jeito nenhum. A música pede piano, voz e, talvez, um violino elétrico’. Foi o que fizeram. Concordaram. Tiraram o bate-estaca e a música foi um sucesso. O Cazuza também me deu parceria nessa canção porque tínhamos mexido juntos na letra ainda no hospital.” (Ezequiel Neves)

Segue com...
Cazuza 1989: O Tempo Não Para - Parte 2

Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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