sexta-feira, 12 de abril de 2013

Cazuza: “Faz Parte do Meu Show”, “Um Trem pras Estrelas”, “Blues da Piedade”, “Minha Flor, Meu Bebê”

“Esse disco era para ser gravado em 15 de outubro de 1987. Mas aí eu tive uma ziguezira. Fui internado nos Estados Unidos e só voltei em dezembro. Então, minha vida era outra. Escrevi várias letras nos Estados Unidos. E depois que cheguei aqui, aprontava duas músicas por semana, antes de entrar em estúdio. Hoje tenho feito coisas diferentes, músicas românticas, mas do meu jeito. Eu já tinha umas quatro composições prontas antes de viajar. Mas, do projeto inicial, eu só mantive o título: ‘Ideologia’”. (Cazuza)

Capa do Disco “Ideologia”, que Cazuza Gravou em 1988
Cazuza - Ideologia (1988)



Continuação de...
Cazuza 1988: Ideologia - Parte 1


“Um Trem pras Estrelas” (Cazuza, Gilberto Gil)
A música foi composta em 1987 por Cazuza e Gilberto Gil para servir de trilha para o filme “Um Trem pras Estrelas” de Cacá Diegues.

“É a história de um garoto, músico. Mas o filme fala também do Brasil. O menino consegue um emprego em minha banda. Eu apareço no filme como Cazuza. Canto uma música que esse menino (Guilherme Fontes) toca”. (Cazuza)


“Para mim, trabalhar com o Gil foi o maior barato, o maior orgulho... Eu fiquei me sentindo tão importante... Nunca pensei que o Gil fosse tão profissional. Ele ensina sem falar nada. É um cara fantástico, sem estrelismo. Foi um encontro muito bonito”. (Cazuza)

“Cacá Diegues disse que ia pedir para Cazuza fazer uma letra, pois via atualidade no trabalho dele. Cazuza me deu a letra e eu a musiquei. Sem nenhuma notificação sobre a origem da letra. Fiz a música rapidamente e sei que Cazuza gostou”. (Gil)


“Vida Fácil” (Frejat, Cazuza)
“Essa letra não foi feita para papai (João Araújo). Mas se encaixa como uma luva”. (Cazuza)



“Blues da Piedade” (Frejat, Cazuza)
“Estou com uma visão muito forte do mundo, mais observador. Ao andar na rua, eu presto muito a atenção nos restos das outras pessoas. Estou mais interessando nos outros. Hoje quero falar sobre outras coisas, outras pessoas. O ‘Blues da Piedade’, a última que fiz, define muito bem isso. A minha visão desse momento”. (Cazuza)


“Cazuza, ao me entregar essa letra, pediu que eu fizesse um blues. Em janeiro de 1988, meu irmão precisou fazer uma operação nos Estados Unidos e acompanhei-o até lá. Comprei uma guitarra e criei a melodia quase de uma tacada, num quarto, ao lodo de meu irmão. As partes da música me vinham seguidamente. Achava que já havia escutado a melodia em algum lugar. Perguntei para o meu irmão e ele me disse que nunca havia ouvido. É uma das minhas músicas que mais gosto. A letra é um exemplo da maturidade poética de Cazuza”. (Frejat)


“Obrigado (Por Ter Se Mandado)” (Zé Luiz, Cazuza)


“Minha Flor, Meu Bebê” (Dé, Cazuza)
“Acho essa música carinhosa. Fiz para um casal de namorados, amigos meus. Mas tem umas imagens cruéis. Porque relata o relacionamento que você mais protege do que ama uma pessoa que é mais frágil que você. E você fica cuidando, fingindo, mimando... Isso pinta muito num casal. Às vezes tem a pessoa que é mais forte e se prende um pouco para a outra poder brilhar quando os dois estão juntos. São as regras de quando se ama”. (Cazuza)


“O Cazuza preparava o disco ‘Ideologia’, quando nos sentamos à beira da piscina de seu apartamento, na Lagoa. Estávamos sós naquele fim de tarde. E partilhava com ele meu sofrimento, por ter tido conhecimento de alguns fatos envolvendo a pessoa que eu amava. E ficamos conversando sobre como era esse amor que eu sentia. E à noite não conseguia dormir, louca pela pessoa amada. E olhava para ela, em seu sono profundo. Como era esse amor em que a gente se fingia de burro para o outro poder sobressair. E Cazuza me dizia: sai dessa Marcinha! E depois, no estúdio, ele cantou ‘Minha Flor, Meu Bebê’ e perguntou: conhece essa história”. (Márcia Alvarez – amiga e última empresária de Cazuza)

“Eu tive muita dificuldade para terminar essa música. Já estava com a letra. E fiz a primeira parte. Mas não conseguia terminar a segunda. Cazuza começou a gravar e me cobrava. Meu irmão, o Ricardinho, guitarrista, estava tocando com ele no disco. E também trazia os recados: cadê a música? Um dia, ele disse: terminei a música para você! Estava no estúdio gravando e como eu não comparecia, terminou para mim. Foi a música que me deu menos trabalho, porque eles fizeram para mim. E eu e o Cazuza, malandramente, não demos a parceria para ele. O Ezequiel sacaneava: parece aquelas coisas do Lupicínio Rodrigues, famoso por pagar cachaça para uns e ficar com a música. Mas o Ricardinho é meu irmão, ficou tudo certo.” (Dé)


“Faz Parte do Meu Show” (Renato Ladeira, Cazuza)
“Faz Parte do Meu Show” fez parte da trilha sonora da novela “Vale Tudo”, exibida em 1988, pela Rede Globo. Foi gravada originalmente, em 1986, pelo grupo Herva Doce, do qual Renato Ladeira fazia parte.

“A música não é uma new bossa nova como andam dizendo. É bossa velha mesmo. E eu canto com a voz mais tranquila. Mais gostosa”. (Cazuza)


“Eu fiz um rock balada. Não era bossa nova. E mandei a melodia para Cazuza. Uma noite, estava com um amigo num bar do Leblon. Lá pelas quatro da madrugada, o Cazuza aparece cantando, aos berros: ‘Faz parte do meu show, meu amor... Eu fiz a nossa música’. Era perto das seis da manhã quando consegui tirá-lo do bar. Nós fomos para a casa dele. Então, Cazuza mostrou a música inteira. Pouco mais de um ano depois, ele estava no estúdio gravando ‘Ideologia’ e me encontrou. Quando me mostrou a gravação, fiquei chapado. Ele havia refeito parte da letra, como sempre acontecia em nossas parcerias”. (Renato Ladeira)

Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

0 comentários:

Postar um comentário

 
Free Host | new york lasik surgery | cpa website design