sexta-feira, 12 de abril de 2013

Cazuza: “Ideologia”, “Brasil”, “Boas Novas”, “O Assassinato da Flor”

“Ideologia” é o terceiro álbum de estúdio do Cazuza. Foi gravado em janeiro e fevereiro de 1988, sendo lançado em abril do mesmo ano. Este álbum foi produzido por Ezequiel Neves e Nilo Romero.

“Ideologia” Capa do Disco que Cazuza Gravou em 1988
Cazuza - Ideologia (1988)


“Não tenho nenhum pudor em documentar os meus momentos de dor e angústia. E não entro nessa de dizer que está tudo bem, sempre. Não é assim. Porque senão a música não vira documento, história, registro de vida”. (Cazuza)


“Ideologia” (Frejat, Cazuza)
“A música foi feita em abril ou junho de 1987, com o Frejat. Fala da minha geração sem ideologia, compactada entre os anos 60 e os dias de hoje. Fui criado em plena ditadura, quando não se podia dizer isso ou aquilo. E tudo era proibido. A geração é desunida. Nos anos 60, as pessoas se uniam pela ideologia: ‘Eu sou de esquerda. E você? Então, a gente é amigo’. A minha geração se uniu pela droga: ele é careta e ele é doidão! Droga não é ideologia. É opção pessoal. A garotada teve a sorte de pegar a coisa pronta. E aí poder decidir o que fazer pelo país. Embora, do jeito que o Brasil está, haja muita desesperança”. (Cazuza)

“Ideologia é comunidade, o contrário de solidão. É união de pessoa, ser humano. É a luta pela sobrevivência. É uma grande maneira de todos se unirem. É o contrário da solidão. Quem inventa idéias, partidos políticos ou coisas assim. São formas de não se ficar só”. (Cazuza)


“Na verdade, a letra de ‘Ideologia’ fala sobre a minha geração. Sobre aquilo que eu acreditava quando tinha 16, 17 anos. E sobre como estou hoje. Achava que tinha mudado o mundo. E dali para frente, as coisas avançariam ainda mais. Não sabia que ia acontecer esse freio. É como se agora a gente tivesse de pagar a conta da festa”. (Cazuza)

“Quando a letra de ‘Ideologia’ ficou pronta, Cazuza ligou para dizer: ‘Brou, fiz uma letra que só você pode musicar. É a letra que dá o tom do meu novo trabalho’. Ele já estava doente e consciente de tudo o que queria fazer. Assim que eu terminei a melodia, gravei uma fita e mandei para Cazuza. Ele cantava essa música nos piores momentos de crise em Boston. ‘Ideologia’ foi uma das amarras de sobrevivência de Cazuza naquela época”. (Frejat)


“Boas Novas” (Cazuza)
“Essa letra foi um telegrama que mandei para os amigos. A maneira de dizer que continuo vivo, sim. E que eles terão que me aturar por mais tempo”. (Cazuza)


“Eu tenho um lado que leva as coisas muito a sério. Eu pareço uma pessoa que não leva nada a sério! E o que me salva na vida é que não tenho conseguido levar esse meu lado tão a sério. Mas eu tenho esses rompantes. De dizer coisas definitivas. Eu sei, eu vi, eu quis, eu vi a cara da morte... É como dar um testemunho”. (Cazuza)


“O Assassinato da Flor” (Cazuza)
“Todo mundo pega uma flor por amor. Mas você vê que, quando pega uma flor, ela grita. Sai sangue dela. É uma prova de amor. Eu quis brincar com essa idéia. Você mata uma flor quando a colhe. Porém você a está colhendo para dá-la à pessoa que ama”. (Cazuza)

“Essa letra é fruto de uma fase de maior reclusão minha. Eu fiquei meio na janela, observando o mundo, escondido na minha casa. E com menos amigos. Só os mais chegados. E aí começaram a pintar umas idéias de letras. Eu estou mais solto para escrever. Crio a partir do que pinta na minha cabeça”. (Cazuza)


“A Orelha de Eurídice” (Cazuza)


“Guerra Civil” (Ritchie, Cazuza)



“Brasil” (George Israel, Nilo Romero, Cazuza)
A música foi composta, sob encomenda, para a trilha sonora do filme ‘Rádio Pirata’, do cineasta Lael Rodrigues. “Brasil” também foi o tema de abertura da novela “Vale Tudo”, da Rede Globo, em 1988. Nesta versão, a música era cantada por Gal Costa.

“A letra de ‘Brasil’ é como um cara pobre, normal, vê, sem paternalismo, este 1% da população que está se dando bem. E da qual eu faço parte. Sempre tive horror de política. Mas há coisas que você nem precisa saber. Qualquer um vê”. (Cazuza)

“‘Brasil’ é uma música crítica. Mas não tem nada a ver com uma fase política em minha obra. Eu simplesmente passei o ano passado (1987) do lado de dentro. E ao abrir a janela vi um país totalmente ridículo. O José Sarney, que era o não-diretas, virou o rei da democracia. O Brasil é um triste trópico”. (Cazuza)


“A droga que vem malhada não é só o pó, mas o salário que já vem assim também. ‘Brasil’ é um deboche sem autocompaixão em que eu peço à pátria que conte todas as suas sacanagens, que eu não vou espalhar para ninguém”. (Cazuza)

“Os problemas do Brasil parecem os mesmos desde o descobrimento. A maioria da população sem acesso a nada, renda concentrada... A classe média paga o ônus de morar num país miserável, coisas que parecem que vão continuar assim”. (Cazuza)

“O problema todo do Brasil é a classe dominante. Os políticos são desonestos. E a mentalidade do brasileiro é muito individualista. Adora levar vantagem em tudo. A educação é a única saída que poderá mudar esse quadro”. (Cazuza)

“Essa letra nasceu da necessidade de Cazuza escrever algo que ficasse marcado na vida de todo brasileiro. Como se fosse um hino à intolerância perante o pouco caso das pessoas que tomam as decisões no país. Lael Rodrigues convidou Cazuza para fazer a música de seu próximo filme. Este filme abordaria escândalos financeiros e impunidade. E foi a centelha”. (Nilo Romero)


“O curioso dessa história é que eu e o George Israel tínhamos combinado de fazer uma com três acordes. Tinha aquela história de que a música pop apenas tinha três acordes. E nós, de brincadeira, decidimos fazer uma música assim. Nós queríamos, também, juntar samba e rock, pois alguns artistas vinham propalando essa mistura aos quatro ventos. Na nossa opinião, ninguém havia conseguido fazer. Então, saiu a música”. (Nilo Romero)

“Certo dia, Cazuza falou do convite para fazer a música de um filme. Não tínhamos muita idéia sobre o que era o filme. E como a referência era de que o diretor era o mesmo de ‘Bete Balanço’, achamos que nossa música seria ideal. E quando Cazuza apareceu com aquele petardo, eu pensei: ‘Caramba! Se soubesse que a letra seria esta, talvez tivéssemos feito algo mais elaborado’. Mas talvez não tivesse saído tão bom”. (Nilo Romero)

Segue com...
Cazuza 1988: Ideologia - Parte 2

Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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