quinta-feira, 11 de abril de 2013

Cazuza: Show no Teatro Ipanema - “Bete Balanço”, “Codinome Beija-Flor”, “Um Trem pras Estrelas”, “Solidão que Nada”

“O Poeta Está Vivo” é um álbum de Cazuza gravado ao vivo em 1987, durante uma série de shows no Teatro Ipanema. O show foi produzido por Ezequiel Neves, amigo de Cazuza e produtor de seus discos desde a época do Barão Vermelho.

O Poeta Está Vivo - Capa do Disco Gravado por Cazuza em 1987
Cazuza - O Poeta Está Vivo (1987)


Continuação de...
Cazuza 1987: Show no Teatro Ipanema - 1


“Ritual” (Frejat, Cazuza)
“‘Ritual’ saiu na hora. Foi feita na casa de meus pais, na fase em que retomamos a parceria, após a breve ruptura causada pela saída de Cazuza do Barão Vermelho. Ao contrário do que era comum nos nossos trabalhos, terminamos a música juntos. Gosto muito de ‘Ritual’. A melodia é simples, mas eficiente”. (Frejat)



“Codinome Beija-Flor” (Reinaldo Arias, Cazuza, Ezequiel Neves)
Em 31 de julho de 1985, logo depois de deixar o grupo Barão Vermelho, Cazuza foi internado com febre alta e convulsões. O teste para HIV deu negativo. Aconteciam festas diárias nos dois apartamentos alugados pelos pais de Cazuza no Hospital São Lucas. Os beija-flores que rondavam as janelas do quarto foram a inspiração para a letra de ‘Codinome Beija-Flor’, uma das mais líricas de seu repertório.

“Lá no hospital o Cazuza me disse que estava fazendo uma música porque tinha um beija-flor que aparecia na janela. Pedi para ele me mostrar. Era muito poética. Mas não entendi nada, pois a letra não tinha nenhuma historinha. Quando falei isso, ele reagiu: ‘Está querendo que eu seja o quê? Um babaca? Está querendo que eu faça uma coisa cafona?’ Aí, fez mais duas versões não tão boas. E, ao contrário de usar a expressão segundas intenções, usou terceiras intenções. Achei genial. Essa letra é muito sensível. Parece Cecília Meireles.” (Ezequiel Neves)


“Na hora de gravarmos, aconteceu o absurdo. O Nico Resende tinha feito arranjo de discoteca para a música. Eu estava tão doido de uísque que falei para o Nico: ‘Você não vai fazer isso de jeito nenhum. A música pede piano, voz e, talvez, um violino elétrico’. Foi o que fizeram. Concordaram. Tiraram o bate-estaca e a música foi um sucesso. O Cazuza também me deu parceria nessa canção porque tínhamos mexido juntos na letra ainda no hospital.” (Ezequiel Neves)


“Um Trem pras Estrelas” (Cazuza, Gilberto Gil)
A música foi composta em 1987 por Cazuza e Gilberto Gil para servir de trilha para o filme “Um Trem pras Estrelas” de Cacá Diegues.

“É a história de um garoto, músico. Mas o filme fala também do Brasil. O menino consegue um emprego em minha banda. Eu apareço no filme como Cazuza. Canto uma música que esse menino (Guilherme Fontes) toca”. (Cazuza)


“Para mim, trabalhar com o Gil foi o maior barato, o maior orgulho... Eu fiquei me sentindo tão importante... Nunca pensei que o Gil fosse tão profissional. Ele ensina sem falar nada. É um cara fantástico, sem estrelismo. Foi um encontro muito bonito”. (Cazuza)

“Cacá Diegues disse que ia pedir para Cazuza fazer uma letra, pois via atualidade no trabalho dele. Cazuza me deu a letra e eu a musiquei. Sem nenhuma notificação sobre a origem da letra. Fiz a música rapidamente e sei que Cazuza gostou”. (Gil)


“Quarta-Feira” (Zé Luiz, Cazuza)




“Solidão que Nada” (George Israel, Cazuza, Nilo Romero)
“Meu nome no alto-falante do aeroporto interrompeu o beijo. Senhor Nilo Romero, voo 427 para o Rio de Janeiro, embarque imediato! Tchau, a gente se vê. Ah! E o telefone? Tem um papel? Tenho. Cadê a caneta? Então, tá. Saio correndo, subo as escadas e finalmente entro no avião. Deparo-me, então, com todos os passageiros me olhando com cara de reprovação. Procuro, com o olhar, os meus companheiros, em busca de alguma cumplicidade. Estava atrasado, mas era por uma boa causa. Não adiantou! Estava todo mundo puto. E a fim de ir logo embora para casa. Tudo bem, então vamos sentar. Mas cadê meu lugar? Só tinha um lugarzinho no meio. E odeio viajar no meio. Sou claustrofóbico e gosto mesmo de corredor. Sentado numa das poltronas de corredor estava Cazuza, uma das únicas pessoas de bom humor. Ele sabia que eu detestava poltrona do meio. ‘Deixa que troco de lugar com você, Nilo Romero’. Trocamos. Na passagem, eu deixo cair um papel do bolso. O Cazuza pega, olha e me sacaneia. Pronto, ele ia chegar em casa e fazer mais uma de suas maravilhosas letras. Uma homenagem à vida na estrada, com todo o seu glamour e vazio”. (Nilo Romero)


“A música já existia antes do episódio no aeroporto. Lembro que ela foi feita em um estúdio de quatro canais. Mandamos a demo para o Cazuza. E ele ficou amarrado. Adorei quando ele abriu o leque de parceiros ao sair do Barão. Ele não tinha medo de experimentar seu trabalho com pessoas novas”. (George Israel)


“Bete Balanço” (Cazuza e Frejat)
A canção “Bete Balanço” foi gravada pelo Barão Vermelho em março de 1984, para a trilha sonora do filme “Bete Balanço”. Nessa canção feita sob encomenda para o filme de Lael Rodrigues, o verso perene: ‘quem tem um sonho não dança’. “Bete Balanço” foi lançada em um compacto que trouxe ainda “Amor, Amor” no lado B.

“É uma música encomendada. O pessoal da Embrafilme me chamou, deu o perfil da personagem de Débora Bloch. E eu fui em cima. Mas a Bete Balanço só tem a ver comigo na medida em que eu também sou jovem e estou começando.” (Cazuza)


“Nesse caso, a música saiu antes da letra.” (Frejat)

Segue com...
Cazuza 1987: Show no Teatro Ipanema - 3


Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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