terça-feira, 9 de abril de 2013

Cazuza 1985: "Exagerado", “Mal Nenhum”, “Balada de Um Vagabundo”

Em setembro de 1985, Cazuza gravou “Exagerado”, seu primeiro disco solo após sair do Barão Vermelho. “Exagerado” foi produzido por Nico Rezende e Ezequiel Neves e lançado em novembro daquele mesmo ano.

“Neste disco, a base é formada por apenas quatro músicos. Há apenas uma faixa em que coloquei cordas. Ao procurar o Nico e o Ezequiel para discutir a concepção do disco, chegamos à conclusão que queríamos fazer uma garagem de luxo. Uma garagem com Rolls Royce dentro. Então, o som saiu simples, básico, com bateria, guitarra, baixo e teclados. Ao mesmo tempo, queríamos um som sofisticado. Creio conseguimos atingir esse resultado.” (Cazuza)

Capa do disco Exagerado, lançado em 1985 por Cazuza
Cazuza 1985 - Exagerado


“Exagerado” (Leoni, Cazuza, Ezequiel Neves)
“Talvez ‘Exagerado’ seja a minha música mais autobiográfica. Mas quando eu fiz a letra, estava pensando no Zeca (Ezequiel Neves).” (Cazuza)

“Quando eu e Zeca mandamos a letra de ‘Exagerado’ para o Leoni musicar, eram trinta e tantos versos. Ele teria que enxugar um pouco. Só que enxugou demais. Até o título poderia ser ‘Tímido’, pois ele cortou ótimos versos. Basta dizer que não havia mais os versos: ‘Por você eu largo tudo / Carreira, dinheiro e canudo’. Mas a música estava ótima. E nós só tivemos que colocar novamente os versos cortados. Foi o que fizemos. E a música acabou se transformando no meu cartão de visitas.” (Cazuza)


“Eu queria um hit para o quarto disco do Barão. E não gostei da melodia de Frejat para ‘Exagerado’. Aí procurei o Leoni, do Kid Abelha, que é um hitmaker. Lembro de correr para o estúdio em que o Leoni estava gravando e pedir a ele um hit. Ele, realmente, fez a música. Mas tirou alguns versos da letra. E me disse que era para amenizar um pouco. Na verdade, ele tirou o que de melhor havia nela. O Frejat, no entanto, nos incentivou a colocar tudo de volta. Foi o que nós fizemos.” (Ezequiel Neves)

“Quando Ezequiel e Cazuza me levaram a letra de ‘Exagerado’, o Cazuza me falou que tinha imaginado uma melodia latina, um bolero. Mas ‘Exagerado’ acabou sendo a música mais pop do disco dele. Ao mostrar a melodia, cerca de uma semana mais tarde, Cazuza ficou amarradão.” (Leoni)


“Medieval II” (Rogério Meanda e Cazuza)



“Cúmplice” (Zé Luiz e Cazuza)



“Mal Nenhum” (Lobão e Cazuza)
“É uma letra bem minha mesmo. De uma fase em que nem eu me aguentava. Eu andava meio agressivo. E o Lobão estava parecido comigo.” (Cazuza)

“O primeiro link de minha relação com Cazuza foi o Julio Barroso. Ficamos meio órfãos quando Julio morreu. E ainda mais ligados depois. Pela nossa expulsão por comportamento. Ele do Barão Vermelho. E eu dos Ronaldos. Encontramo-nos certa noite no baixo Leblon. E ele sugeriu uma parceria. Fui até sua casa pegar a letra. E, apesar de parecer simples, foi uma melodia bastante trabalhada. A música acabou entrando no filme ‘Areias Escaldantes’, dirigido por Francisco de Paula.” (Lobão)



“Balada de Um Vagabundo” (Waly Salomão e Frejat)
“Conheci Cazuza desde os lendários idos das dunas do barato, início dos anos 70, Ipanema. Cazuza era um garotinho que ficava de longe, roendo as unhas. Morria de vontade de som de ‘Vapor Barato’. De flautas de cannabis. Batia palmas para o por do sol. Depois, sumiço. Ele foi para San Francisco, a Meca beatnik. Lá se impregnou da raiva profética de Jack Kerouac e Allen Ginsberg.” (Waly Salomão)

“Eu voltei a acompanhar a trajetória de Cazuza desde os tempos de germinação do Barão Vermelho. No começo, embaixo da lona do Circo Voador. O João Araújo veio pedir a minha opinião sobre o trabalho do filho. E espera de mim o distanciamento crítico típico de um intelectual. Mas eu não tive dúvidas. E disse com toda a ênfase que Cazuza ia arrasar. Pois sabia, como ninguém, transformar o tédio em melodia.” (Waly Salomão)

“Escrevi a ‘Balada de Um Vagabundo’ para Cazuza. Teci este poema como mentira sincera de uma suposta simbiose de Hélio Oiticica e Cazuza. Como se os cavalos de Oiticica e de Cazuza tivessem baixado em mim.” (Waly Salomão)


“Fizemos uma viagem à Bahia, no início dos anos 80. Cazuza era incontrolável. Saía nu, no meio da noite, pelos corredores do hotel cinco estrelas. E quebrava os vasos de plantas, invadia quartos, assaltava geladeiras. Ele foi um dos maiores turbilhões que eu conheci.” (Waly Salomão)

“Ignoro essa discussão de se sua obra é ou não poesia. E se vai permanecer ou não no tempo. Considero que Cazuza conseguiu ser a face turbilhante de seu tempo e lugar. Desceu fundo no inferno de sua época. E de lá retornou trazendo centelhas luminosas. Não tenho a menor dúvida: Cazuza vai ficar como desvelador impiedoso das pessoas fracas, caretas e covardes.” (Waly Salomão)

“Esta música me define muito bem. Gosto, especialmente, do trecho que resume a minha personalidade: ‘Eu sou o beijo da boca do luxo na boca do lixo.” (Cazuza)

Segue com...
Cazuza 1985: Exagerado - Parte 2


Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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