domingo, 7 de abril de 2013

Barão Vermelho: Maior Abandonado - “Sem Vergonha” e “Você se Parece com Todo Mundo”

“Maior Abandonado”, o terceiro disco do Barão Vermelho, foi gravado em julho de 1984 e lançado em setembro do mesmo ano. Este disco foi produzido por Ezequiel Neves e pelo próprio Barão Vermelho. Posto aqui as primeiras cinco músicas deste disco.

Capa do disco Maior Abandonado, lançado em 1984 pelo grupo Barão Vermelho
Barão Vermelho: Maior Abandonado (1984)

“Maior Abandonado” (Cazuza e Frejat)
“O maior abandonado é a pessoa de maior que está solta no mundo. Ele precisa de proteção do governo e não tem. É também aquele que está vivendo o trauma dos 18 anos. É quando você fica mais carente, porque sabe que está ficando mais velho e ainda não é muito safo.” (Cazuza)

“’Mentiras sinceras me interessam’, um verso da música, é uma discreta e candente referência ao estertor da carência afetiva. Parece um cara, à cinco hora da manhã, andando pelas ruas, sozinho, atrás de uma mulher. E dali sai um grande amor. O grande amor da sua vida. Pura ilusão.” (Cazuza)

“Recebi carta de um garoto de Porto Alegre. Perguntou se eu não tinha consciência de que estava pirando a cabeça de todo mundo. Escrevi para ele dizendo: esquece. Não quero mudar a cabeça de ninguém. Estou falando da minha vida. E levando a vida na arte. Acho que não tem nada melhor nem mais bonito do que contar sobre a minha vida.” (Cazuza)

“O menor abandonado é um problema social. Mas no fundo quase todos nós somos ‘maiores abandonados’ no sentido afetivo. Nessa de querer ficar com qualquer um, com qualquer pessoa, só para não ficarmos sozinhos. Porque 99,9% da população é ou já foi algum dia um maior abandonado.” (Cazuza e Frejat)



“Baby, Suporte” (Cazuza, Ezequiel, Barros, Pequinho)
“A versão definitiva de Baby, Suporte nasceu duma música de Péricles, o Pequinho, meu irmão. O Cazuza gostava da música, mas achava a letra original juvenil, meio bobinha. Ele achava que podia ser melhorada. E ele a melhorou de fato.” (Maurício Barros)

“Cazuza criou a nova letra inspirado numa frase que viu escrita na minha agenda. Por essa razão, fui incluído como parceiro na música. A frase era a pergunta: ‘Que diferença há entre o amor e o escárnio?’. A partir daí, Cazuza criou a letra, uma das mais fortes de sua obra. Ele ficou louco com a frase. E criou imagens fortes como ‘cada carinho é o fio de uma navalha’, um primor. A novelista Janete Clair odiava a música, que entrou na trilha sonora de sua última novela, ‘Eu Prometo’ (Rede Globo, 1983), contra a vontade da escritora.” (Ezequiel Neves)



“Sem Vergonha” (Cazuza e Frejat)
“Cazuza gostava muito de cantar a música. Os versos de ‘Sem Vergonha’ traduzem o universo passional de Cazuza. A letra tem a ver com aqueles desencontros de bar e de noite. Você sai com uma pessoa. E ela fica fazendo pirraça pra lá e charme prá cá. E no dia seguinte, você dá na cara dela. Por ser uma das músicas preferidas de Cazuza, ‘Sem Vergonha’ teve presença garantida em toda a turnê de lançamento do disco Maior Abandonado.” (Frejat)



“Você se Parece com Todo Mundo” (Cazuza e Frejat)
“A letra foi inspirada na experiência de um amigo de Cazuza do Baixo Leblon. Ao se separar da mulher, ele descobriu traços banais e negativos no caráter dela. Ele só descobriu que a mulher era assim ao acabar a paixão do casamento. E disse que ela se parecia com todo mundo. Daí nasceu o título da canção. Cada vez que Cazuza ia ao Baixo Leblon a experiência servia de laboratório para ele.” (Frejat)



“Milagres” (Cazuza, Denise Barroso e Frejat)
“Os versos desta música, que falam ‘a fome está em toda parte, mas a gente come, levando a vida na arte’ são cruelmente verdadeiros. Pois o garotinho chega ao bar, morto de fome, vendendo drops, e a gente comendo um filé enorme”. (Cazuza)

“Do segundo disco do Barão Vermelho em diante, Cazuza começou a compor com outras pessoas. Não me importava. Mas, às vezes, ficava chateado quando pegava uma letra que já tinha me mostrado e dava para outra pessoa. Ao compor Milagres com Denise Barroso – irmã de Julio Barroso, já falecida, e ex-integrante do grupo Gang 90 – para o terceiro disco do Barão, eu despertei a curiosidade de Cazuza. Ele queria saber como estava a letra. Deixei uma fita com ele, que melhorou algumas coisas na letra. Denise era uma pessoa queridíssima nossa. E Cazuza estava louco para participar. Ele não ia querer ficar de fora dessa parceria. E como tinha uma capacidade maravilhosa de escrever, acabou entrando nela.” (Frejat)



Segue com...
Barão Vermelho: Disco Maior Abandonado - Parte 2

Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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