sábado, 6 de abril de 2013

Barão Vermelho 2 - “Pro Dia Nascer Feliz”

Capa do "Barão Vermelho 2", Lançado em 1983
"Barão Vermelho 2", Lançado em 1983

Continuação de:
Barão Vermelho 2 - Parte 1


“Carne de Pescoço” (Cazuza, Frejat)



“Pro Dia Nascer Feliz” (Cazuza, Frejat)
“A noite é uma opção de vida. Gosto de acordar tarde e dormir com o sol nascendo. Por isso, ‘Pro Dia Nascer Feliz’ é a história da minha vida.” (Cazuza)

“O Ney chegou lá em casa, tocou a campainha. A empregada atendeu me acordou dizendo: ‘Ney Matogrosso está aí’. Eu resmunguei: ‘Traz a Gal Costa também’. E eu continuei dormindo. O Ney foi ao quarto e começou a bater na minha cara gritando para eu acordar e ganhar dinheiro. Ele ouviu o disco ‘Barão Vermelho 2’ e resolveu gravar ‘Pro Dia Nascer Feliz’. Eu disse: ‘Não. Pelo amor de Deus, é nossa música de trabalho. Grava outra’. Ele bateu pé. E acabou sendo nossa fada-madrinha. O Ney provou que o Barão é viável. E gravou o mesmo arranjo. Discutiu com a gravadora, que não queria botar a música de trabalho no disco dele, e soltou na rua”. (Cazuza)

“Foi importante que as pessoas começassem a procurar o disco da gente. O Barão era conhecido como grupo maldito. De repente, nosso segundo disco teria passado em branco se o Ney não comprasse essa barra.” (Frejat)

“É claramente a história de uma trepada que durou até o dia seguinte. Não tenho a menor ideia de com quem foi. E nem em que noite isso aconteceu... Mas nós dois sabíamos que essa música ia ser boa. Já pela letra no papel, sabíamos que ela iria funcionar.” (Frejat)

“Tem gente que se irrita porque eu canto que todo mundo vai pegar a sua pasta e ir pro trabalho de terno. E eu vou dormir depois de uma noite de trepadas incríveis. Mas o dia-a-dia não é poético. Todo mundo dando duro e a cada minuto alguém é assaltado ou atropelado. Então, vamos transformar esse tédio numa coisa maior. Li uma vez que você vive não quantas mil horas e pode resumir tudo em apenas cinco minutos. O resto é apenas dia-a-dia. Um olhar, uma lágrima que cai, um abraço... Isso é muito pouco na vida. Mas, para mim, é tudo. Eu prefiro não acreditar no Day after, no fim do mundo, no apocalipse. Um dia, ainda vou andar na nave espacial Columbus. Bêbado, lógico. Mas vou andar.” (Cazuza)



Manhã sem Sono (Cazuza, Dé)
“Essa foi a primeira música que fizemos juntos. Como o Cazuza só dava letras para o Frejat, reclamei e pedi. Quando ele me deu, fiquei anos sem conseguir musicá-la. Certo dia, saí da casa de uma namorada que vivia no Flamengo. Tínhamos acabado de brigar e eu estava bastante aborrecido. Peguei um ônibus para casa, no Cosme Velho. Mas, sem querer, entrei na condução errada, que me levou a Ipanema. E por coincidência, passou bem na porta da casa do Cazuza. Resolvi descer. Eram três da tarde. O Cazuza tomava cerveja e escrevia. Demonstrou alegria em me ver e fez a pergunta óbvia: ‘O que você está fazendo aqui?’. Sem saber o que dizer, eu soltei a primeira coisa que me veio à cabeça: ‘Terminei aquela nossa música’. E ele disse: ‘É mesmo? Então pega o violão e me mostra!’. E a mim, que não havia feito nada, não restou nada a fazer, a não ser começar a tocar. E a música saiu ali, sem que eu soubesse como, extraordinariamente.” (Dé)



Carente Profissional (Cazuza, Frejat)
“Os produtores Guto Graça Mello e Ezequiel Neves inscreveram a canção no festival que a Rede Globo ia produzir em 1983. Mas ele acabou sendo cancelado.”

“No Barão 2, o Cazuza e eu não respeitamos mais aquela rotina do primeiro disco. Ele começou a passar as letras por telefone. E no dia seguinte, eu ligava e cantava para ele. Levava a música para o ensaio e fazíamos o arranjo juntos.” (Frejat)

“Cazuza tinha mesmo essa coisa de carência. Mas a letra extrapola a vida pessoal dele. Os versos retratam o cotidiano de uma geração no início dos anos 80. Toda a meninada era carente profissional. Rolava muito mandrix... E as pessoas babavam contentes.” (Ezequiel Neves)



Blues do Iniciante (Barros, Cazuza, Dé, Frejat, Goffi)
“Uma música nossa foi censurada por burrice. O cara não entendeu a letra e ficou com medo de liberar. Foi o ‘Blues do Iniciante’. Não é uma letra direta. Você tem que pensar. E como o cara não tem capacidade de pensar, resolveu censurar. Mas não tem pornografia. E você tem o direito de dar o recado. O público é quem vai julgar. Tem que deixar gravar. Pode até proibir de tocar no rádio, de repente. Mas tem que deixar sair.”



Comentários retirados do livro “Preciso Dizer que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”

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