domingo, 20 de maio de 2012

Museo de la Cidad e Convento de San Francisco, Buenos Aires

Como registrei na postagem anterior, a nossa visita ao bairro de Montserrat, em Buenos Aires, acabou sendo abreviada pela forte chuva. Conseguimos conhecer, mesmo que externamente, a Manzana de Las Luces, primeiro núcleo intelectual da cidade, criado pelos jesuítas. Depois visitamos a Libreria de Ávila e Farmácia de la Estrella. Encerramos nosso giro por Montserrat visitando o Museo de la Cidad e a Iglesia y Convento de San Francisco.


Continuação de...

Topo da Torre da Iglesia y Convento de San Francisco, Buenos Aires
Topo da Torre da Iglesia y Convento de San Francisco


Museo de la Cidad: O Museu da Família de Classe Média

O Museo de la Cidad é um museu de entrada gratuita e com um acervo de itens domésticos. Ali você verá móveis e brinquedos antigos. Há salas recriando peças de uma casa, como o quarto do casal, o escritório, uma pequena biblioteca. 

No quarto do casal, o que mais deve chamar a sua atenção é um grande berço de madeira. Em formato de concha, ele possui uma haste em uma de suas extremidades. Ela servia para pendurar o mosqueteiro, um tecido que permite a passagem de ar, mas não a de insetos...

Carrinho de Madeira no Museo de la Cidad, Buenos Aires
Carrinho de Madeira no Museo de la Cidad

A coleção de brinquedos do museu é bem interessante. Triciclos pequenos, triciclos grandes, cavalos de madeira. Há um pôster ilustrando diversos jogos e brincadeiras infantis. Dentre eles, a pipa, o peão, o jogo de futebol, a amarelinha, a cabra cega e a brincadeira de esconde-esconde. Algumas brincadeiras eu não consegui identificar. Talvez por isso, o mais legal seria visitar o Museo de la Cidad com pessoas de diferentes idades. Assim, o que um não saiba outra pode se recordar...

Móveis em Casa de Classe Média no Museo de la Cidad, Buenos Aires
Museu da Cidade: Móveis em Casa de Classe Média

O Museo de la Cidad proporciona boas e gostosas lembranças. É um museu adequado a qualquer faixa etária e visitá-lo é uma garantia de diversão ligada, principalmente, a sentimentos nostálgicos. Na verdade, o Museo de la Cidad poderia muito bem se chamar Museo de La Casa. Afinal, tudo ali remete ao lar de uma família de classe média. Tanto a mobília, como as brincadeiras e os jogos infantis.


Museo de la Cidad x Museu de Arte Decorativo

É interessante visitá-lo após conhecer o Museu Nacional de Arte Decorativo (MNAD). Este fica no Palácio Errázuriz, uma enorme mansão localizada na Recoleta. Seu dono era um riquíssimo embaixador chileno. E o palácio que construiu é estonteante mesmo para os padrões elitizados da Recoleta. Lá você verá esculturas do período clássico, tapetes holandeses com mais de 500 anos. Nem precisa dizer mais nada, pois já devem ter percebido que o contraste entre os dois é imenso...

Triciclo em Foto no Museo de la Cidad, Buenos Aires
Triciclo em Foto no Museo de la Cidad

Confesso que não havíamos planejado visitar estes dois museus de maneira sequencial. Na terça-feira, visitamos o MNAD. Na quarta-feira, o Museo de la Cidad. Na verdade, eram dois museus que havíamos relacionado para visitar. Apesar de o MNBA e o Malba serem prioridades, é claro. Se você ficar mais dias em Buenos Aires, recomendo que os visite. Por retratarem o ambiente doméstico, aproximam-se um pouco mais de nós. Por mais que no caso do MNAD esta realidade seja bem distante...


Iglesia y Convento de San Francisco

Ao relatar a visita ao Museo de la Cidad, esqueci de registrar um detalhe. Em algumas das peças em que você irá circular, é possível acessar a sacada ou, simplesmente, olhar por alguma das janelas. Sempre que tiver esta oportunidade, desfrute dela. 

Interior da Iglesia de San Francisco, Buenos Aires
Interior da Iglesia de San Francisco 

Assim será possível observar os prédios do entorno, a partir de um ângulo diferente. Bem em frente ao museu, por exemplo, fica a Iglesia y Convento de San Francisco. A partir do museu, você conseguirá tirar fotos que seriam impossíveis a partir da rua.

E foi justamente a Iglesia y Convento de San Francisco o último local que visitamos no bairro de Montserrat. Assim como a Igreja de San Ignacio de Loyola, a de San Francisco foi projetada pelos jesuítas. Suas dimensões são ainda maiores. Na época – início do século XVIII, deveria ter as dimensões de uma catedral...

Torre da Iglesia y Convento de San Francisco, Buenos Aires
Torre da Iglesia y Convento de San Francisco

Melhor conservada externamente, a Igreja de San Francisco merece uma série de reparos em seu interior. Por fora, as torres são o que mais chama a atenção. A do sino merece destaque: em cada um de seus quatro ângulos, a escultura de um santo. Além disso, há as colunas clássicas e as imagens de anjos. Internamente, as alegorias com São Francisco de Assis merecem ser conferidas.

Alegoria em Gesso de São Francisco na Iglesia de San Francisco, Buenos Aires
Alegoria em Gesso de São Francisco

O relato segue com...
Malba e Palácio Alcorta, em Palermo, Buenos Aires

22 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ Iglesia de San Ignacio – Construção +++

Em 1675, levantou-se uma capela de adobe.
O que restou dela fica no claustro da atual igreja.
Sobre a Rua Bolívar, 225.

Em 1722, inaugurou-se o atual templo.
Um dos prédios mais antigos da cidade.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Iglesia de San Ignacio – Interior +++

O retábulo, de estilo barroco, data de 1750.
Indígenas elaboraram grande parte do mobiliário.
Durante o tempo das missões jesuíticas.

A cor celeste atual alude ao céu.
E corresponde à decoração original.
Combina azul de Prússia com leite de cabra.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Manzana de las Luces +++

Antigo centro de saber.
Cuja cultura nasceu da iniciativa jesuíta.
Reuniu as primeiras instituições culturais.
Educativas e religiosas da cidade de Buenos Aires.

Abriga a antiga e enigmática série de túneis.
Cinco metros abaixo da cidade de Buenos Aires.
Supõe-se que serviram a objetivos políticos.
Em distintas épocas.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Jesuítas em Buenos Aires +++

Os jesuítas chegaram para evangelizar, em 1608.
E buscaram estabelecer suas residências e instituições.
Entre elas, uma escola e um templo.
Em 1661, receberam o terreno que seria definitivo.
O mesmo que hoje abriga o complexo cultural histórico.
Que resgata e preserva aquele valioso patrimônio.
O solar recebeu a atual denominação em 1821.
Um periódico batizou como Manzana de Las Luces.
Em alusão às instituições do saber.
Que resplandeciam desde seus salões.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Patio de La Procuraduría +++

Conjunto de edifícios de 1730.
Na esquina das ruas Alsina e Peru.
Ali, funcionou a Procuraduría de Las Misiones.
Esta administrava e capitalizava os benefícios do comércio das reduções.
E aloja os índios das missões jesuítas que vinham a Buenos Aires.
O benefício econômico destinava-se aas comunidades nativas.
E ao Colegio de San Ignacio.
Este ficava junto ao templo.
Onde se encontra, hoje, o Colegio Nacional de Buenos Aires.
No prédio, também funcionavam a farmácia e instituições acadêmicas.
Além, da imprensa que imprimiu o primeiro periódico de Buenos Aires.
Esta impressão ocorreu em 1801.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Túneis Subterrâneos +++

Por baixo da Manzana de Las Luces, correm túneis da época colonial.
Em grande parte do subsolo da antiga cidade.
Ficam a quase seis metros de profundidade.
Tinham três usos: defesa, comunicação e comércio.
E uniam igrejas, prédios públicos e o forte.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Salas dos Representantes +++

Recinto de 1821.
Foi palco de relevantes momentos da história Argentina.
Como o juramento do primeiro presidente, Bernardino Rivadavia.
E a ascensão de Juan Manuel de Rosas.
Como governador da província de Buenos Aires.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Palermo: Origem do Nome +++

Não está clara a origem do nome do bairro.
A inspiração pode ser a figura de Juan Domínguez Palermo.
No princípio do século XVII, ele era o dono das terras locais.
Outra origem pode ser um oratório.
Nele, venerava-se a imagem de San Benito de Palermo.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Palermo: História do Bairro +++

Juan Manuel de Rosas foi governador da província de Buenos Aires.
E até 1836, adquiriu grandes porções de campos.
Instalou sua residência nas atuais avenidas Del Libertador e Sarmiento.
Ali, vemos, hoje, o Monumento de los Españoles.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Palermo: Parques do Bairro +++

Em 1875, Palermo viu surgiu o Parque 3 de Febrero.
E, com o tempo, o Jardín Botánico e o Zoológico.
Assim, o bairro ganhou fama e expandiu-se.
Hoje, o extenso bairro divide-se em zonas.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ MALBA +++

Museu moderno e luminoso.
Com obras dos mais importantes artistas latino-americanos.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Coleções do MALBA +++

Abriga uma das coleções mais importantes do continente.
Com pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, colagens, fotografias.
De artistas da América Latina.
Desde o México e o Caribe até a Argentina.

O patrimônio é parte da Coleção de Arte da Fundação Costantini.
Com cerca de 400 obras.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ MALBA: Modernidade e Vanguarda +++

Os grandes movimentos europeus são uma referência mundial.
No século XIX, os artistas latinoamericanos sintonizaram-se a eles.
Essa inclinação seguiu ao longo do século XX.
Podemos ver tendências expressionistas, cubistas e futuristas em:
+ “La Canción Del Pueblo”, de Emilio Pettoruti;
+ “Neocriollo”, de Xul Solar;
+ “Antropofagia”, de Tarsila do Amaral.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ MALBA: Arte e Política +++

Nos anos 30, firmou-se o exercício arte-política.
Sob os conceitos de “realismo social”, “nativismo”.
E de “novo realismo” e “arte crítica”.
Antonio Berni foi a clara referência deste compromisso.
No MALBA, há a obra “Manifestación”, de Berni.
E trabalhos dos mexicanos Diego Rivera e David Alfaro Siqueiros.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ MALBA: Surrealismo +++

Desde a década de 1920.
Os artistas investigaram o mundo do mágico e do fantástico.
Com técnicas de colagem e de fotomontagem.
Um exemplo é “La Decadencia Del Misticismo”.
Obra de 1942, de Roberto Matta.
Também há trabalhos de Maria Martins e Frida Kahlo.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ MALBA: Arte Conceitual e Pop +++

Com o passar do tempo, surgiram novas disciplinas e suportes.
Construções, instalações, objetos e vídeos.
Ambientações, intervenções e performances.
Como na obra “Pruebe de Nuevo” (1963).
De Jorge de La Vega.
Ou nas obras de Fernando Botero e León Ferrari.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

Museo Nacional de Arte Decorativo

Fica no Palacio Errázuriz.
Um imponente exemplo do estilo eclético francês.
Onde se encontram notáveis móveis de época.
Peças orientais, esculturas, tapetes.
E obras de El Greco, Sorolla, Fragonard, Manet.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Recoleta e Retiro +++

Comunicam-se pelas avenidas Alvear e Del Libertador.
Os bairros caracterizam-se pelo contexto seleto e refinado.
A opulência de muitas edificações coroa este refinamento.
Vemos isso em igrejas, palácios e torres.
E até em um cemitério – um autêntico museu a céu aberto.

As terras altas despertaram o interesse da alta sociedade portenha.
Durante a epidemia de febre amarela, no século XIX.
O temor da enfermidade levou ao êxodo das famílias mais abastadas.
Estas viviam dispersas de sul a norte, pela metrópole.
Isso explica o perfil da área que compreende, hoje, Recoleta e Retiro.
Que passou a ser conhecida como a pequena Paris.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Museo Nacional de Bellas Artes +++

É o museu de arte mais importante da Argentina.
Com uma coleção de obras que abrange a arte antiga e da Ásia.
Além de arte pré-hispânica e colonial.
Assim como peças do século XII à atualidade.
O museu expõe cerca de mil obras de um acervo de 13 mil.
O mais importante patrimônio artístico público da América Latina.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Museo Nacional de Bellas Artes: História +++

No Natal de 1896, inaugurou-se o museu.
A partir de um decreto presidencial do ano anterior.
O local reúne o maior patrimônio cultural público da Argentina.
Mas as primeiras doações vieram de coleções privadas.
E reunia, a princípio, 163 obras.
A sede ficava onde hoje se encontram as Galerías Pacífico.
Em 1909, mudou-se para um prédio no Retiro.
E passou para o local atual, na Recoleta, em 1933.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

+++ Palácios Suntuosos de Recoleta e Retiro +++

Muitas residências do Retiro testemunham a riqueza.
Da Belle Époque do final do século XIX.
O mesmo acontece na Recoleta.
Isso confere a característica de exclusividade destes bairros.
Com elegantes ruas e avenidas que alimentam esse glamour.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

Leonardo Brocker disse...

++++ Palácios na Recoleta ++++

O Palacio Ortiz Basualdo, desde 1939, abriga a Embaixada da França.
O notável edifício, originalmente, foi uma mansão aristocrática.
Este “hotel particular” pertenceu à família Ortiz Basualdo.

Com projeto de 1912, a construção prolongou-se até 1918.
Em 1925, serviu de residência oficial a um ilustre visitante.
Eduardo de Windsor, Príncipe de Gales, passou uma temporada ali.

Até a primavera de 2014, foi mais de um ano de restauração.
Para o prédio recuperar todo o explendor de suas fachadas.
A entrada principal, os salões de recepção e o mobiliário.

A antiga residência fica a poucos metros de outros palácios.
Como Álzaga Unzué, Casey, Fernández Anchorena e Pareda.
Todos na zona norte da cidade de Buenos Aires.

Para muitos o Palacio Dahau é o expoente máximo de um período.
A residência é o maior representante da Belle Époque portenha.
Um dos últimos exemplos de prédios posteriores ao neoclassicismo.

O Palacio Dahau insere-se no estilo vitoriano tardio.
Com inspiração no castelo de Marais (Ile-de-France).

Palacio Ortiz Basualdo – Calle Cerrito, 1399.
Palacio Dahau – Avenida Alvear, 1661.

Fonte: Buenos Aires a Pie - National Geographic, 2016.

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