sexta-feira, 30 de março de 2012

Uruguai

Localizado entre dois gigantes - Brasil e Argentina - o paisito, como os uruguaios carinhosamente chamam o seu pequeno país, tem um charme especial. E grande parte desse charme está na cadência, no modo de o uruguaio levar a vida.

O Mercado Del Puerto, em Montevidéu
O Mercado Del Puerto, em Montevidéu

Os uruguaios parecem regidos por um mesmo ritmo pacato. Seja em uma praia ou em uma cidadezinha do interior. Seja em uma fazenda ou mesmo em pleno centro de Montevidéu. Uma marca disso é o ritmo nacional: o melancólico tango.


Fuerte de San Miguel, no Chuy
Fuerte de San Miguel, no Chuy

Apesar de muitas vezes ser relegado nos roteiros turísticos, o Uruguai tem muito a oferecer. Da badalação do internacional balneário de Punta del Este ao charme de Colonia del Sacramento, com suas ruas de pedras irregulares.


Vacas, Ovelhas e Uvas

Além da atmosfera pacata e da simpatia do povo, o Uruguai tem como grandes atrativos as vacas, as ovelhas e as uvas. Há cerca de 12 milhões de cabeças de gado bovino. Já as ovelhas são as responsáveis pelos belos casacos de lã... 


O prato tradicional do Uruguai, a parrillada, é composto basicamente de carne de gado. Formam parte dele diversos miúdos, como os intestinos delgado e grosso, os rins e até os testículos.  

O Monumento La Mano, em Punta Del Este
O Monumento La Mano, em Punta Del Este

A sobremesa também vem das vacas: o doce de leite uruguaio é imperdível! Tudo isso regado a um bom vinho. Afinal, a bebida produzida no Uruguai vem ganhando cada vez mais prestígio internacional.  

Uma curiosidade: o Uruguai conquistou a independência em 1828, com a ajuda da Argentina. Por isto, adotou as mesmas cores da bandeira argentina e também o "Sol de Maio".


"Corredor de Plátanos", em Colonia Del Sacramento
"Corredor de Plátanos", em Colonia Del Sacramento


Destaques do Uruguai
Chuy 

49 comentários:

Leonardo Brocker disse...

"Netto Perde Sua Alma" (2001) - 102 minutos

O filme tem locações em Piedra Sola (Uruguai).
E Camaquã, Gravataí, Porto Alegre, Triunfo e Uruguaiana.

Fonte IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" (2001) +++

Diretores: Tabajara Ruas e Beto Souza
Adaptado de novela de Tabajara Ruas
Roteiro:
+ Beto Souza;
+ Fernando Marés de Souza;
+ Lígia Walper;
+ Rogério Brasil Ferrari;
+ Tabajara Ruas.

Elenco
+ Werner Schünemann - General Netto
+ Laura Schneider - Maria Escayola
+ Sirmar Antunes - Sargento Caldeira
+ Bebeto Alves - Violeiro
+ José Antônio Severo - Lucas de Oliveira
+ Lisa Becker - Enfermeira Catarina
+ Nélson Diniz - Teixeira
+ Márcia do Canto - Enfermeira Zubiaurre
+ Colmar Duarte - Calengo
+ Ricardo Duarte - João Antônio
+ Araci Esteves - Sra. Guimarães
+ João França - Capitão De Los Santos
+ Tau Golin - Corte Real
+ Arines Ibias - Dr. Phillip Blood
+ Letícia Liesenfeld - Maria Luiza
+ Milton Mattos - Maj. Davi
+ Laura Medina - Enfermeira Pilar
+ Hamilton Mosmann - Maçon
+ João Máximo - Quero-Quero
+ Fábio Neto - Mr. Thorton
+ Gilberto Perin - Padre
+ Miguel Ramos - Frei Bandoleiro
+ Thiago Real - Joaquim
+ Álvaro Rosa Costa - Palometa
+ Oscar Simch - Ramirez
+ Anderson Simões - Milonga
+ Edílson Villagram - Capataz

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" - Prêmios +++

Festival de Cinema de Brasilia 2001
+ Melhor Ator - Werner Schünemann;
+ Melhor Direção de Arte - Adriana Nascimento Borba.

Festival de Cinema de Gramado 2001
+ Prêmio da Audiência - Melhor Longa Metragem em 35mm Brasileiro - Tabajara Ruas e Beto Souza;
+ Melhor Montagem - Lígia Walper;
+ Melhor Trilha Sonora - Celau Moreira;
+ Prêmio Especial do Júri - Tabajara Ruas e Beto Souza.

Huelva Latin American Film Festival 2001
+ Mejor Fotografía - Roberto Henkin

Festival de Cinema de Recife 2002
+ Prêmio Gilberto Freyre - Tabajara Ruas;
+ Melhor Roteiro - Tabajara Ruas, Beto Souza, Lígia Walper, Rogério Brasil Ferrari, Fernando Marés de Souza;
+ Melhor Atriz Coadjuvante - Sirmar Antunes;
+ Melhor Direção de Arte - Adriana Nascimento Borba.

Adaptado de IMDB

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" +++

Antônio de Sousa Neto é um general brasileiro.
É ferido no combate na Guerra do Paraguai.
A recuperação é no Hospital Militar de Corrientes, Argentina.
Lá ele percebe acontecimentos estranhos.
Um deles envolve o capitão de Los Santos.
Este acusa o cirurgião de amputar suas pernas sem necessidade.
Netto também reencontra um antigo camarada.
O sargento Caldeira, ex-escravo.
Os dois lutaram na Guerra dos Farrapos, décadas antes.
Com Caldeira, Netto rememora sua participação na guerra.
E o encontro com Milonga.
O jovem escravo que se alistou no Corpo de Lanceiros Negros.
Além do período em que viveu no exílio no Uruguai.

Fonte: Wikipedia

Leonardo Brocker disse...

+++ Curiosidades de "Netto Perde Sua Alma" +++

Primeiro longa
É o primeiro longa-metragem dos diretores Tabajara Ruas e Beto Souza.
Ruas encarregou-se da parte escrita e dos atores.
E Souza cuidou das partes visual e técnica.

Filmagem em três etapas
As filmagens de Netto Perde Sua Alma ocorreram em três etapas:
+ setembro de 1999;
+ maio de 2000 e
+ janeiro de 2001.

Adaptado de Adoro Cinema

Leonardo Brocker disse...

+++ Netto: História de lutas, amor, aventura e liberdade +++

O filme baseia-se no livro homônimo de Tabajara Ruas.
E recria a complexa personalidade do general Netto.
Ele comandou a cavalaria de gaúchos e lanceiros negros.
E foi orotagonista de dois episódios-chaves da história brasileira:
+ a Revolução Farroupilha (1835-1845) e
+ a Guerra do Paraguai (1861-1866).

Netto era favorável às chamadas liberdades civis.
Embora não tivesse um perfil claramente republicano.
Era contra a escravidão e nunca deixou de exercer sua liderança política.

Apesar de tantas batalhas, o guerreiro encontrou tempo para casar.
Teve duas filhas e cuidou de sua estância em Piedra Sola.
No distrito de Tacuarembó, no Uruguai.

O personagem vive um conflito com sua própria consciência.
E rememora o período da República Rio-Grandense.
Que ele proclamou em 1836, após o combate do Seival.
Lembra também da derrota, do exílio e da solidão.
Enfoques importantes do enredo que se passa no século XIX.

Adaptado de Página do Gaúcho

Leonardo Brocker disse...

+++ "Netto Perde Sua Alma" - Livro e Filme +++

A abordagem se liga ao romance "Netto Perde Sua Alma".
O processo de transposição para roteiro cinematográfigo.
E o trabalho de co-direção, com Beto Souza.
Bem como o trabalho de montagem do filme.

O general Antônio de Souza Netto fere-se na Guerra do Paraguai (1861-1866).
E é recolhido ao Hospital Militar de Corrientes, Argentina.
Percebe que ali acontecem coisas estranhas.
E uma noite recebe a visita do ex-escravo sargento Caldeira, antigo companheiro.
Juntos lembram guerras e rebeliões, amigos e inimigos, amores e desafetos.
Rememoram o passado comum durante a rebelião republicana no sul do Brasil.
A conhecida como Guerra dos Farrapos (1835-1845).
A Proclamação da República Rio-Grandense.
E a revolta dos soldados negros, após a guerra.
Na ocasião, ocorre o trágico encontro entre Netto, Caldeira e Milonga.
O jovem escravo alistou-se no Corpo de Lanceiros Negros.

Netto recorda também o exílio em Piedra Sola, no Uruguai.
Ali, conviveu com os fantasmas do passado.
E descobriu o amor, com Maria Escayola.

Agora na cama do hospital, Netto se depara com mais um desafio.
Deve vingar o capitão de los Santos.
Os dois veteranos enfrentam a derradeira batalha.
Naquela noite de surpreendentes revelações.
Unidos por um terrível segredo,

Tabajara Ruas, autor do romance e co-diretor do filme

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mulher do Pai" (2016) +++

Diretora: Cristiane Oliveira
Roteiro: Cristiane Oliveira e Michele Frantz

Elenco
+ Maria Galant - Nalu
+ Marat Descartes - Ruben
+ Verónica Perrotta - Rosario
+ Áurea Baptista - Vera
+ Amélia Bittencourt - Olga
+ Jorge Esmoris - Antonio
+ Fabiana Amorim - Elisa
+ Liane Venturella - Carmen
+ Diego Trinidad - Juan
+ Renan Goulart - Fabio

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Cristiane Oliveira é premiada no Festival do Rio +++

A cineasta porto-alegrense ganhou o prêmio de melhor direção de ficção.
Do 18º Festival do Rio com seu primeiro longa-metragem.
"Mulher do Pai" conquistou ainda outros dois troféus na Première Brasil.
Melhor atriz coadjuvante, para a uruguaia Verónica Perrota.
E melhor direção de fotografia, para Heloísa Passos.

A produção gaúcha foi destaque na cerimônia de encerramento.
Ela é ambientada na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai.
Com locações principais em Dom Pedrito.

"Mulher do Pai" acompanha o relacionamento.
De uma menina de 16 anos (Maria Galant) e o pai cego (Marat Descartes).
Por quem a garota fica responsável após a morte da avó.
A distante convivência do homem com a jovem será conturbada.
Pela presença de uma professora uruguaia (Verónica).

Adaptado de Zero Hora (17/10/2016 - 11h12min).

Leonardo Brocker disse...

+++ A Mulher no Cinema Brasileiro +++

A representação da mulher é uma das tendências mais perceptíveis.
No cinema brasileiro recente.
As mulheres estão construindo um discurso e uma visibilidade.
Que já não passam mais despercebidos.
A adolescência tem sido um ponto visitado com frequência.
Em filmes como "Que Horas Ela Volta?", de Anna Muylaert.
"Califórnia", de Marina Person.
E "Mate-me Por Favor", de Anita Rocha da Silveira.
Nessa mesma pegada, chega "Mulher do Pai", de Cristiane Oliveira.

Adaptado de Ernesto Barros (Cine HQ).

Leonardo Brocker disse...

+++ Cristiane Oliveira e O Florescer de Nalu +++

É o primeiro longa-metragem da cineasta.
Que representou o Brasil na Mostra Generation.
No último Festival de Berlim.

O filme é um estudo áspero e doce.
Sobre o florescer de uma adolescente dos pampas.
Cristiane segue o cotidiano de Nalu (Maria Galant).
Uma menina de 16 anos.
Que não consegue ver muito futuro na vida que leva.
E no quase fim de mundo em que vive.
Ao lado da avó (Amélia Bittencourt) e do pai cego (Marat Descartes).
Com o último, mantém pouco contato.
Nalu vai despertar para a sexualidade.
E para o que está além da casinha onde mora.
Numa vila a um passo da fronteira do Brasil com o Uruguai.

Adaptado de Ernesto Barros (Cine HQ).

Leonardo Brocker disse...

+++ Impressões a Partir do Cenário de "Mulher do Pai" +++

O clima e a imagem dos pampas são tão fortes.
Quanto as imagens da caatinga nordestina.
E conferem ao filme um olhar frio e árido.
Este parece fazer eco na situação de Nalu.
Quando a avó morre e ela precisa cuidar do pai.
Apesar disso, eles vencem a distância.
Acentuada pelas exigências de Ruben.
Ao mesmo tempo em que Nalu tem as primeiras experiências sexuais.

Com rara sutileza, Cristiane Oliveira mostra a corrente de desejo proibido.
Que vai levar Nalu a tomar o rumo em sua vida.

Cristiane cria o retrato dessa menina.
Que terá que correr o mundo por conta própria.
A partir da forte impressão deixada pelo cenário do filme.
O vento ensurdecedor e a densa cerração que pairam na região.
Eles traduzem o sentimento de solidão e desnorteamento de Nalu.
Maria Galant e Marat Descartes trocam poucos diálogos.
Mas atuam como envoltos nas sombras.
Entre o que pode ser visto e a completa escuridão

Adaptado de Ernesto Barros (Cine HQ).

Leonardo Brocker disse...

+++ Comentários da Diretora “Mulher do Pai” +++

"É um filme sobre a construção da intimidade".
“É um filme que fala de fronteiras”.
“Sobre encontrar o teu espaço, o espaço do outro".
"O toque está muito relacionado à construção de intimidade”.

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ "Mulher do Pai" - Relação entre Pai e Filha +++

Intimidade é uma palavra-chave em “Mulher do Pai”.
O filme acompanha a relação entremeada por tensões.
Entre Ruben (Marat Descartes) e a filha, Nalu (Maria Galant).
Ele é um homem cego.
E vive da parca aposentadoria e do trabalho de tecelagem.
Ela, uma adolescente de 16 anos.
E sonha em sair daquela vila afastada e dependente da atividade pecuária.
A relação dos dois passa por profundas transformações.
Após a morte súbita da mãe de Ruben.

Nalu precisa assumir certas responsabilidades na casa e no cuidado do pai.
Isso gera estranhamentos jamais verbalizados.

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Experiência da Diretora com a Cegueira +++

Cristiane conta que o filme surgiu da vontade dela.
De “trabalhar a relação pai e filha”.
E admite que há muito de pessoal na história de Ruben e Nalu.
“Eu também vivenciei uma reaproximação do meu pai quando tinha 16 anos”.
Mas ela adicionou elementos a este conflito.
A deficiência visual de Ruben veio da experiência como curta-metragista.
Nela, Cristiane deparou-se com a história de uma jovem cega.
“Eu me perguntei: e se fosse uma filha tendo que descrever o mundo para o pai?”

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Ator Marat Descartes e A Cegueira +++

Marat Descartes já conhecia Cristiane de outros projetos.
Nos quais ela atuara como produtora ou roteirista.
E disse que foi essa vulnerabilidade do personagem que o atraiu.
“Primeiro a coisa dele ser cego.
De cara, um desafio enorme pela frente.
Já que, eu não tendo a enveredar muito pela composição física”.
“Segundo por esse processo pelo qual atravessa o personagem.
Ele começa o filme muito amargurado e vai ficando mais leve”.
“A curva que o personagem passa”.

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Ambiente de Cultura da Pecuária +++

As gravações foram realizadas na vila de São Sebastião.
No distrito de Torquato Severo, município de Dom Pedrito, RS.
“Sempre imaginei, no roteiro, que tornaria a relação deles mais forte”.
Advoga a cineasta a respeito da escolha de um lugar afastado.
Para melhor ambientar a história e fazer as gravações.
“Aquela região foi escolhida pela cultura da pecuária, da criação de gado.
É folclórica da cultura gaúcha”, observa Cristiane.
“É uma cultura que tem o homem como Ögura central”.

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Ambiente de Cultura da Pecuária +++

As gravações foram realizadas na vila de São Sebastião.
No distrito de Torquato Severo, município de Dom Pedrito, RS.
“Sempre imaginei, no roteiro, que tornaria a relação deles mais forte”.
Advoga a cineasta a respeito da escolha de um lugar afastado.
Para melhor ambientar a história e fazer as gravações.
“Aquela região foi escolhida pela cultura da pecuária, da criação de gado.
É folclórica da cultura gaúcha”, observa Cristiane.
“É uma cultura que tem o homem como Ögura central”.

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Processo de Imersão dos Protagonistas de "Mulher do Pai" +++

O processo de imersão foi diferente para Maria e Marat.
Ela já tinha experiência no teatro.
E desenvolveu um laboratório de mais de um ano com Cristiane.
Já Marat chegou com as filmagens por começar.
Mas antes fez um laboratório no Instituto Laramara.
Este presta assistência às pessoas com deficiência visual.

Adaptado de Reinaldo Glioche (Ig São Paulo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Histórico da Produção de "Mulher do Pai"

Filmado em 2015, no interior do Rio Grande do Sul.
A obra traz para as telas o trabalho de Marat Descartes e Maria Galant.
Os protagonistas da trama que conta a história de Ruben e Nalu.
Pai e filha que precisam reaprender a se relacionar após a morte da avó protetora.
Teve destacada trajetória em sua fase de desenvolvimento.
Obteve prêmios nacionais e internacionais.
Tem seu lançamento previsto para o primeiro semestre de 2017.

Adaptado de Okna Produções

Leonardo Brocker disse...

+++ Desenvolvimento do Filme "Mulher do Pai"

O projeto teve destacada trajetória em sua fase de desenvolvimento.
Foi selecionado para o Talent Project Market.
Ali, ganhou o VFF Talent Highlight Pitch Award.
E foi apresentado no concorrido Coproduction Market do Festival de Berlim.
Foi selecionado para o workshop Produire au Sud.
Do Festival 3 Continentes, em Nantes, em França.
E ganhou o Prêmio Santander Cultural para Desenvolvimento.
Com esse histórico, o projeto teve seu financiamento completo através dos editais.
De Coprodução Brasil/Uruguai - Ancine/Icau, Ibermedia.
E na primeira linha voltada à renovação de linguagem.
Lançada pelo Fundo Setorial do Audiovisual.

Adaptado de Okna Produções

Leonardo Brocker disse...

+++ Prêmios na Estreia de a "Mulher do Pai"

O filme estreou no Festival do Rio 2016, no qual ganhou os prêmios de:
+ Melhor Direção (para Cristiane Oliveira);
+ Melhor Fotografia (para Heloísa Passos) e
+ Melhor Atriz Coadjuvante (para a uruguaia Verónica Perrotta).

No mesmo ano, foi exibido na Mostra Internacional de São Paulo.
E lá recebeu o Prêmio da Abraccine para Melhor Filme de Diretor Estreante.

Adaptado de Okna Produções

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Dilemas de Nalu em “Mulher do Pai” +++

“Mulher do Pai” é o longa de estreia Cristiane Oliveira.
E, segundo a diretora, é uma história de duas solidões.
O filme tem Maria Galant e Marat Descartes como protagonistas.
E conta a trajetória da adolescente Nalu.
Ela após a morte da avó, precisa cuidar de Ruben, o pai cego.
Mas, ao mesmo tempo, vive o dilema.
Entre ser tecelã como a avó.
Ou buscar uma nova vida longe da comunidade.

Adaptado de Rota Cult.

Leonardo Brocker disse...

+++ As Fronteiras de “Mulher do Pai” +++

“Duas pessoas que vivem na mesma casa.
Mas que vive cada uma a sua solidão.
É um filme que, de alguma forma, fala sobre todas essas fronteiras.
As emocionais, e a fronteira geográfica, que está de pano de fundo.
E também na cultura dos personagens do filme”.
Define a diretora em vídeo inédito.

Adaptado de Rota Cult.

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Protagonistas de “Mulher do Pai” +++

O trabalho do elenco é ainda mais desafiador.
Em uma história com personagens tão intensos.

A estreante Maria Galant chegou a ter dúvidas.
Se conseguiria dar vida a Nalu.
“Eu achei que não ia ter como fazer a Nalu.
Não ia ter carga emocional para viver uma menina.
Com uma história tão pesada”, conta.

“É um desafio muito grande para um ator. Um prato cheio.
Tem uma coisa peculiar nesse filme.
E eu fiquei realmente imerso nessa vila.
Isso me permitiu um mergulho, completa Marat.

Adaptado de Rota Cult.

Leonardo Brocker disse...

+++ Alguns Prêmios de “Mulher do Pai” +++

O filme já arrebatou oito prêmios em festivais.
Entre eles o de melhor Direção e Melhor Fotografia, no Festival do Rio.
E o Prêmio ABRACCINE na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.
Ambos em 2016.
Também foi selecionado para importantes festivais internacionais.
Como os de Berlim, Guadalajara e o do Uruguai.
No último, ganhou o prêmio da FIPRESCI na competição Ibero-americana.

Adaptado de Rota Cult.

Leonardo Brocker disse...

+++ Uma Novata e Dois Conhecidos, em “Mulher do Pai” +++

O longa conta com a participação do ator paulista Marat Descartes.
Ele é conhecido por sua participação em filmes como "Trabalhar Cansa".
E em novelas da Globo, como "Totalmente Demais".
Também conta com a atriz uruguaia Verónica Perrotta.
Ela ganhou o prêmio de Melhor atriz pelo filme no Festival do Rio.
Por fim, o filme apresenta a jovem gaúcha Maria Galant.

Adaptado de Rota Cult.

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Banheiro do Papa" (2007) +++

Diretores - César Charlone e Enrique Fernández
Roteiristas - César Charlone e Enrique Fernández

Elenco
César Troncoso - Beto
Virginia Méndez - Carmen
Mario Silva - Valvulina
Virginia Ruiz - Silvia
Nelson Lence - Meleyo
Henry De Leon - Nacente
Jose Arce - Tica
Rosario Dos Santos - Teresa
Hugo Blandamuro - Tartamudo

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ Prêmios de "O Banheiro do Papa" +++

Argentinean Film Critics Association Awards (2010)
+ Mejor Película Iberoamericana.

Gramado Film Festival (2007)
+ Latin Film Competition (Prêmio da Audiência) - César Charlone e Enrique Fernández
+ Latin Film Competition (Prêmio da Crítica) - César Charlone e Enrique Fernández
+ Longa Metragem em 35mm, Latinos - Melhor Ator - César Troncoso
+ Longa Metragem em 35mm, Latinos - Melhor Atriz - Virginia Méndez
+ Longa Metragem em 35mm, Latinos - Melhor Roteiro - César Charlone e Enrique Fernández

Guadalajara International Film Festival (2008)
+ Best First Work - Ibero-American Jury - César Charlone e Enrique Fernández

Huelva Latin American Film Festival (2007)
+ Best Screenplay - Enrique Fernández e César Charlone

Lleida Latin-American Film Festival (2008)
+ Best First Work - Enrique Fernández e César Charlone
+ TVE Award - Enrique Fernández e César Charlone

San Sebastián International Film Festival (2007)
+ Horizons Award - Enrique Fernández e César Charlone

São Paulo International Film Festival (2007)
+ Best Feature Film - Enrique Fernández e César Charlone

Adaptado de IMDB.

Leonardo Brocker disse...

+++ A Ideia do Filme +++

O filme baseia-se em um fato real.
E retrata o impacto da visita do Papa João Paulo II, em 1988.
Em uma cidade do Uruguai, Melo.
Próxima à fronteira com o Brasil.
Ali, muitos habitantes vivem de pequenos serviços.
Como contrabandear de bicicleta.
E produtos de consumo comprados em Aceguá, Rio Grande do Sul.
A vinda do Papa é anunciada pela imprensa com grande alarde.
Ela estima que milhares de pessoas viriam ao evento.
Em um panorama de dificuldade de emprego e oportunidades.
A vinda do Papa é vista pela população como uma oportunidade.
De abrandar a pobreza...

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ A "Grande Oportunidade" +++

Um dos personagens da história é o muambeiro Beto.
Ele vive com a esposa Carmen e a filha, Silvia.
Em um ambiente deplorável.
Silvia sonha ser jornalista.
E Carmen guarda todas as suas economias.
Para a realização do sonho da filha.
Mas Beto precisa comprar uma motocicleta.
Para melhorar seus negócios de contrabando.
E vê o que seria a solução de seus problemas.
A construção de um banheiro publico.
Para ser alugado no dia na visita do Papa.
Assim como Beto, há outros habitantes, igualmente pobres.
Eles investiram seus recursos.
E montaram 480 barracas de cachorro quente e demais salgados.
Para atender um publico de peregrinos brasileiros.
Inferior à população de barraqueiros da aldeia.
Os governantes do pais "decepcionam-se" com o insucesso.
Eles teriam investido dinheiro publico.
Asfaltaram as vias de acessos e a própria praça.
Ali, o papa móvel faria a sua derradeira mensagem papal.
"De apenas 15 minutos"...

Adaptado de Wikipedia.

Leonardo Brocker disse...

+++ Sinopse de "O Banheiro do Papa" +++

Ano de 1998.
Cidade de Melo, na fronteira de Brasil e Uruguai.
O local está agitado, devido à visita em breve do Papa.
Milhares de pessoas virão à cidade.
E isso anima a população local.
Este vê o evento como uma oportunidade.
Para vender comida, bebida, bandeirinhas de papel.
Souvenires, medalhas comemorativas e os mais diversos badulaques.
Beto (César Trancoso), contrabandista, decide criar o Banheiro do Papa.
Ali, as pessoas poderão se aliviar durante o evento.
Para torná-lo realidade, ele terá que realizar.
Longas e arriscadas viagens até a fronteira.
E enfrentar sua esposa Carmen (Virginia Mendez).
E o descontentamente de Silvia (Virginia Ruiz), sua filha.
Esta sonha em ser radialista.

Adaptado de Adoro Cinema.

Leonardo Brocker disse...

+++ Crítica "O Banheiro do Papa" +++

Seria cômico, se não fosse trágico.
O filme Banheiro do papa é baseado numa história real.
A visita do Santo Pontífice, movimentou e modificou.
A pacata cidade de Melo, no Uruguai.
Os moradores da cidade vêem nessa visita uma oportunidade.
Mas não são necessariamente religiosas as expectativas.
Com a vinda do Papa se cogita uma invasão brasileira.
Alguns falam de 20, 40, 60 mil pessoas.
Elas atravessariam a fronteira para acompanhar o santo padre.
E claro, os moradores da cidade percebem a oportunidade.
De fazer um dinheiro com a demanda turística.
A história gira em torno do Beto, morador da cidade de Melo.
Ele tem a brilhante ideia de construir um banheiro para a visita do papa.
Pois, os vizinhos farão toneladas de comidas de todas as espécies.
E Beto se pergunta: como se aliviar?

Com essas questões, se entrelaçam um emaranhado de temas importantes.
Como fé, religião, capitalismo e até mesmo o exagero da mídia.
A vinda do papa poderia ser interpretada como a chegada da renovação da fé.
Mas, surge a ocasião perfeita para tirar o pé da pobreza.
Ecom muita fé de ter sucesso, vendem e se endividam para esse evento.

Há um toque de humor nessa tragédia.
Uma história bem simples, interessante e comovente.
Mas que não é triste ao ponto de te levar às lágrimas.
É muito fácil você dialogar com os problemas dos moradores de Melo.
É a esperança que surge no meio da miséria.
É a chance de ter um pouco de atenção, no meio de tanto esquecimento.

Adaptado de Willian M. (Adoro Cinema).

Leonardo Brocker disse...

+++ Cidade de Melo e o Papa +++

A cidade de Melo, no Uruguai, esperava João Paulo II em 1988.
Os moradores viviam de pequenos serviços.
E viram na presença papal a oportunidade de ganhar um trocado a mais.
Pois foi alardeado que milhares de pessoas visitariam a cidade.
Melo fica próxima a fronteira do Brasil.
Porém, apenas a comitiva do Papa e autoridades estiveram no distrito.
Isto deixou os moradores perplexos e endividados.

O drama dos uruguaios foi retratado no filme ‘O Banheiro do Papa’.
Uma produção franco-uruguaia-brasileira.
Que venceu o Festival de Cinema de Gramado em 2008.

O filme mostra as dificuldades do personagem principal.
Ele decide construir um banheiro em sua casa.
Este seria usado pelos turistas em troca de uns trocados.

O filme mostra os moradores investindo em comidas típicas.
Ao final, elas ficam espalhadas pelo chão.
Diante do olhar perdido dos uruguaios...

Adaptado de O Dia

Leonardo Brocker disse...

+++ "O Banheiro do Papa" Faz Humor com Visita ao Uruguai +++

"O Banheiro do Papa" é uma comédia dramática de fundo político.
Co-dirigida e fotografada por César Charlone.
O celebrado diretor de fotografia "Cidade de Deus" e "O Jardineiro Fiel".

O longa-metragem é uma co-produção entre Brasil, Uruguai e França.
E Papa nasceu de uma idéia original do co-diretor Enrique Fernandez.
A partir de notícias de jornal sobre a visita do papa João Paulo II.
À pequena cidade uruguaia de Melo, em 1988.

Na época, os moradores de Melo tinham uma convicção.
Milhares de pessoas cruzariam a fronteira para ouvir o sermão do papa.
Especialmente brasileiros.
Assim, endividaram-se, hipotecaram suas casas.
E emprestaram dinheiro com agiotas.
Tudo isso pensando em lucrar com os visitantes.

Beto (César Troncoso) é um pequeno contrabandista.
E ganha a vida atravessando a fronteira brasileira em sua bicicleta.
Ele tem uma idéia mais original: construir um banheiro diante de sua casa.
O uso será cobrado aos peregrinos.
Na realidade, a passagem do papa por Melo resultou em desastre.
Ao menos, do ponto de vista financeiro.

O filme, porém, mantém o foco na família de Beto.
Formada também pela mulher (Virginia Méndez) e a filha (Virginia Ruiz).
Com espaço para humor e uma esperança que parece invencível.

Em 2007, "O Banheiro do Papa" venceu o prêmio de melhor filme.
Para o júri da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Meses antes, foi exibido na seção Um Certo Olhar, do Festival de Cannes.
Ali, o filme teve sua première mundial.

Adaptado de Neusa Barbosa (Estadão)

Leonardo Brocker disse...

"O Banheiro do Papa" Transformou a Vida de Moradores no Uruguai

A cidadezinha de Melo fica na fronteira do Uruguai com o Brasil
E no ano de 1988, viveu uma revolução.
Com a perspectiva da visita do Papa João Paulo II.
Quase 20 anos depois, o vilarejo se viu mais uma vez agitado.
Com as filmagens do longa "O banheiro do Papa".
Um filme de César Charlone, diretor de fotografia de "Cidade de Deus".
E de Enrique Fernández.
Eles foram até Melo.
Para contar o episódio que entrou para a história da cidade.
E deixou também sua marca.
Ao levar para a tela grande os rostos de pessoas comuns.
Que nunca haviam imaginado se tornar atores de cinema.
Alguns desses não-atores tiveram suas vidas transformadas pelo filme.
Como a jovem Virginia Ruiz.

Aos 13 anos, a moradora de Melo foi chamada por uma amiga.
Para acompanhá-la em um teste de elenco.
Virginia acabou entrando na disputa.
E conquistou o papel de Sílvia, a filha do casal de protagonistas.
Que sonha em sair da cidade para virar jornalista.

"Passei por quatro fases de testes e não acreditei quando passei.
A ficha só caiu quando começamos a filmar.
E eu vi todas aquelas câmeras e os equipamentos".

Adaptado de O Globo

Leonardo Brocker disse...

+++ Uso de Moradores como Atores em "O Banheiro do Papa" +++

César Charlone é um uruguaio naturalizado brasileiro.
E conta que o longa foi feito com apenas cinco atores profissionais.
A idéia era utilizar moradores das redondezas no filme.
Para dar mais verdade à história.
Segundo ele, a experiência foi recompensadora.

"Colocamos atores profissionais somente para alguns personagens.
Os que precisavam de uma caracterização mais complexa.
O casal de protagonistas.
O dono da mercearia, que é gago.
O louco da cidade.
E o policial corrupto".

Adaptado de O Globo

Leonardo Brocker disse...

+++ Mudanças na Vida de Virginia Ruiz +++

Virginia Ruiz nunca havia pensado em ser atriz.
Antes de fazer "O Banheiro do Papa".
E levava uma vida muito parecida com a de sua personagem.
A diferença é que ela planejava ingressar na vida militar.
Mas o cinema abriu seus horizontes.
Ela virou uma celebridade em sua cidade natal.
E recebeu uma bolsa da Prefeitura para estudar Cinema em Montevidéu.
Curso que ela conclui no fim do ano.
Na vida real, Virginia acabou realizando o sonho de Sílvia.

Hoje, Virginia lembra pouco a personagem.
Que deu a ela uma nova perspectiva de vida.
Afinal, ela cresceu.
Com 17 anos, mora na capital uruguaia.
A jovem veste roupas da moda.
Brincos grandes.
Usa bastante maquiagem.
E um piercing no canto da boca.

Mas ela conta que, na intimidade, ela continua sendo a mesma.
Apesar de sua vida ter dado uma virada após o filme...

"Não há muita diferença.
Meus amigos me tratam da mesma forma.
E continuo fazendo hoje o que sempre gostei de fazer.
Eu queria ser militar.
Mas vi que poderia ter uma oportunidade na vida.
Depois que conheci Charlone.
Nisso, eu mudei muito".

Adaptado de O Globo

Leonardo Brocker disse...

+++ Mudanças na Vida de Mário Silva +++

Mário Silva é morador da cidade de San José, próxima a Melo.
E vive o muambeiro Valvulina, no filme.
Mário nunca tinha imaginado que trabalharia como ator.
Até ouvir na rádio local um anúncio sobre testes para o filme.
E teve uma surpresa.
Ao ser escolhido para um dos principais papéis do filme.
O do melhor amigo do protagonista Beto (César Troncoso).

"Foi por acaso.
Ouvi o anúncio na rádio e me apresentei.
Eu não sabia nada de cinema, de câmeras".

Charlone conta que quase não existem atores negros no Uruguai.
E que precisava de alguém que passasse muita dignidade para o papel.
A dupla de diretores convocou moradores para participarem de testes.
E ficou cativada pela figura de Mário.

"Até tínhamos um ator profissional para o papel.
Mas ele era muito monótono.
Bastou que o Mário aparecesse e falasse três frases.
Para que a gente visse que era dele que precisávamos".

O filme ter feito dele quase uma celebridade.
As pessoas sempre o param nas ruas para cumprimentá-lo.
Mas ele continua levando a mesma vida de antes.
Mora em uma casa simples em San José.
E a bicicleta é seu meio de transporte.
Tranqüilo, ele diz que segue vivendo sua vida.
E não está correndo atrás de outros trabalhos.

"Foi uma experiência muito boa e aprendi muita coisa.
Agora tenho muitos contatos nessa área.
Mas não estou procurando.
Se aparecer alguma coisa...".

Mas o cinema tem aberto muitas portas para ele.
Mário já trabalhou em mais três filmes.
Um como ator e nos outros dois como figurante.

"Mas ele foi figurante em grande estilo.
O último trabalho dele foi ao lado da Julianne Moore em "Blindness".

Adaptado de O Globo

Leonardo Brocker disse...

+++ Visita do Papa Causa Furor em Melo +++

Os créditos iniciais já avisam.
"O Banheiro do Papa" é baseado numa história real.
E só poderia ter acontecido por uma tremenda falta de sorte.

A incrível história começa algumas poucas semanas antes.
Da visita do papa João Paulo II a Melo.
Cidadezinha uruguaia quase na fronteira com o Brasil, em 1988.
A presença do Sumo Pontífice causa furor na população do lugarejo.
Mas essa comoção não tem nada de religiosa...
A visita atrairá 20 mil brasileiros ao lugar.
Ou mesmo 40 mil.
60, dizem alguns.

Toda essa brasileirada terá que comer.
E Melo inteira prepara-se como pode para alimentá-los.
Sonhando com a riqueza dos Cruzeiros vizinhos.
Endividam-se...
E tome montagem de barracas.
De linguiça, torta, bandeirola, churrasquinho, empanada...

Adaptado de Érico Borgo (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ Os Planos do Contrabandista Beto +++

Mas o simpático Beto tem outros planos.
É um pequeno contrabandista para as vendinhas locais.
E atravessa a fronteira duas vezes ao dia de bicicleta velha.
Carregando porcarias e fugindo dos oficiais aduaneiros.
Beto pensa além de seus compatriotas.
Se os brasileiros vão comer tanto assim, terão que se aliviar.
Para tanto, precisarão de um banheiro!
E lá vai Beto arrumar dinheiro para os blocos, canos, porta de luxo...
Só falta mesmo o vaso.
Mas esse ele vai buscar ali, rapidinho, do outro lado da fronteira.

Adaptado de Érico Borgo (Omelete)

Leonardo Brocker disse...


+++ A tragicomédia é Irretocável +++

O filme é Uma co-produção entre Brasil, Uruguai e França.
Com os diretores uruguaios Enrique Fernandez e Cesar Charlone.
O último, o celebrado diretor de fotografia de "Cidade de Deus".
Foram muito felizes com o ângulo que encontraram para o filme.
"O Banheiro do Papa" é engraçado e ao mesmo tempo tristíssimo.
Mas sempre otimista.
Com sutis observações sobre a fé, o capitalismo, a sociedade e a mídia.
Elas não parecem nunca lições de moral.
E são absorvidas em meio à bem contada história.

Adaptado de Érico Borgo (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ Seleção do Elenco

Igualmente excepcional é a seleção do elenco.
César Trancoso, o Beto, é um ator incrível.
Seu momento de epifania, quando lhe surge a idéia do banheiro, chega a ser emocionante.
O sujeito mexe duas rugas e pronto...
E lê-se em seu rosto tudo o que ele está pensando.
Como esse, há outros vinte momentos marcantes.
Quando divide a tela com Virginia Mendez, então... dá vontade de reecontrá-los sempre.

Adaptado de Érico Borgo (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ O Povo Esquecido Por Deus +++

Uma produção brilhante sobre um povo esquecido por Deus.
Mas, infelizmente, não por Roma.
E se o Papa morreu "sem saber o mal que fez".
Assim comenta um personagem.
Ao menos, graças a Fernandez e Charlone, nós saberemos.

Adaptado de Érico Borgo (Omelete)

Leonardo Brocker disse...

+++ Latinos se Prejudicam entre Si +++

Ainda era possível falar na divisão entre mundos.
Em 1988, quando a trama de "O Banheiro do Papa" se realiza.
E neste cenário, o povo uruguaio estaria destinado ao Terceiro.

Há realmente algo de intrinsecamente metafórico na visita do Papa.
Um agente do mundo desenvolvido e iluminado.
Que provoca tanta expectativa na população local.
Um sonho destinado ao fracasso desde o momento em que surge.

"O Papa não sabe o mal que fez".
Diz-se, em algum momento da parte final do filme.
Mas se desconta a culpa da ascensão primeiro-mundista.
Sobre a América Latina devastada.

Algo deu errado no plano dos moradores de Melo.
Uma cidade da fronteira Brasil-Uruguai.
Eles adquiriram enormes dívidas.
Para comprar um arsenal de comida.
A ser vendida aos milhares de fiéis brasileiros.
Que iriam assistir a missa papal ali.
Tais dívidas não puderam nunca ser pagas.
Porque os brasileiros simplesmente não apareceram...

Os latinos se prejudicam entre si.
Neste pequeno conto moral do fim dos anos 80.
E não cabe outro papel ao mundo desenvolvido.
Senão passar a mão em nossa cabeça devota e pouco funcional.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Contratempo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Retrato do Espírito Latino +++

Os diretores abandonam o discurso identitário de fundo antropológico.
E dedicam-se a encenar os momentos que ligam as ações dos personagens.
A seu destino continental.
Isso torna "O Banheiro do Papa" menos calculista.
Neste retrato do espírito latino.

Uma série de situações serão forjadas.
Para que todo o corolário de nossa "alma" seja atestado.
Um povo pobre mas cheio de esperança.
Bruto e ignorante, por vezes até infantil em sua crença.
Mas inegavelmente forte, resistente, trabalhador incansável.

O olhar, "de dentro", retira estas características do exotismo.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Contratempo)

Leonardo Brocker disse...

+++ A Alegria de Beto +++

Difícil, por exemplo, não perceber com um sorriso melancólico.
A seqüência em que "O Banheiro do Papa" permite que Beto realize na imagem.
Aquilo que a realidade de sua trama torna cada vez mais distante.
Beto trabalha no contrabando de produtos de consumo.
Entre Melo e uma cidade brasileira da fronteira.
Precisa pedalar 60 quilômetros a cada viagem.
Em uma bicicleta já velha e pedindo aposentadoria.
Sujeito à perseguição dos milicos que guardam a aduana.
E do tipo corrupto e escroque que, evidentemente, não faltaria aqui.
Beto sonha com uma motocicleta.
E Fernández e Charlone lhe proporcionam este pequeno momento de fantasia.
Sem brilho dourado e filtro laranja na câmera.
Que baste para expressar a alegria do sujeito.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Contratempo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Jeito de Filmar Tragédias +++

Mas o brilho ensolarado só existe porque todo o resto é nublado.
Com saturação de cinzas sobre cinzas.
E assim, "O Banheiro do Papa" não deixa de corresponder às expectativas.
Da intelligentsia ocidental desenvolvida.
Há uma marca estética que os realizadores do Terceiro Mundo usam com propriedade única.
E que agora começa a ser importada pelo cinema do Primeiro Mundo.

Que outra contribuição Alfonso Cuarón poderia dar a Filhos da Esperança, por exemplo.
Se não aquele seu mais famoso plano-seqüência com câmera na mão pelo meio do tiroteio.
Como se só no ombro de um latino-americano uma câmera pudesse se alojar.
Com a harmonia certa e justa.

É a esse jeito que temos de filmar nossas tragédias que "O Banheiro do Papa" cede.
Fernández e Charlone não resistirão à super-dramatização.
Quando finalmente todo o plano de enriquecimento e saída da pobreza for frustrado.
Surgem os planos sérios e estáticos à Sebastião Salgado.
Onde os personagens pobres e tristes posam no primeiro plano.
Mantendo relação direta com a câmera.
Enquanto o cenário do desencanto se espalha pelo fundo do quadro.
No caso, pilhas e pilhas de comida nunca comercializada.
Enquanto o narrador da televisão, em toda sua miopia social, insiste que o evento
Levaria o país e a população de Melo a um "futuro glorioso".

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Contratempo)

Leonardo Brocker disse...

+++ Um Filme Atrasado +++

E tudo isto talvez não depusesse tanto contra o filme.
Não fosse o fato de que em 1988 estes conceitos parecessem perfeitamente aplicáveis.
Mas que agora, quando "O Banheiro do Papa" aparece, já estejam completamente obsoletos.
E não há nada no filme de Fernández e Charlone que nos faça pensar num filme de época.
A urgência do registro, a montagem ágil, o trabalho de pós-produção que transforma cores.
Tudo ali nos aponta para o agora.
Mas em 2007, o filme não consegue evitar a sensação de que está vinte anos atrasado.

Adaptado de Rodrigo de Oliveira (Contratempo)

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