domingo, 15 de janeiro de 2012

A Mágica Sala de Poesias no Museu da Lingua Portuguesa em São Paulo

Após conferir a exposição do Osvald de Andrade e assistir a um filme, seguimos para o terceiro andar. O último andar do Museu da Língua Portuguesa é, sem dúvida, o que reserva a maior surpresa.

Na verdade, não é bem uma surpresa, pois não há nenhum mistério ou suspense envolvido! O que você verá será um pequeno filme de caráter documental. Mas as maiores emoções ficam para depois deste filme...

Todos são convidados a ocupar um local que até poderia ser chamado de "Sala de Poesias". Ali, a poesia é apresentada de uma forma que nunca vista antes! É sensacional! Vale à pena conferir... 

Continuação de...
Estação da Luz e Museu da Língua Portuguesa

Epílogos, do Baiano Gregório de Matos
Epílogos, do Baiano Gregório de Matos


A Origem da Língua Portuguesa

No terceiro andar do museu, você poderá assistir a um filme sobre a origem da língua portuguesa. Para assistir a este filme, é necessário um bilhete pego na entrada do museu.

A fila é bem grande. E ao lado, forma-se uma fila de espera. Como as exibições ocorrem, mais ou menos, a cada 30min, os bilhetes têm horário. Assim, os que pegam o horário das 17h podem entrar às 14h, se sobrar lugar...

O filme, narrado pela Fernanda Montenegro, é bem curto. Mostra um grande tronco comum a inúmeras línguas. E registra que a origem delas ainda é incerta.

Também relaciona os países colonizados por portugueses. Dentre eles, Angola, Moçambique, Timor Leste... Todos usam a língua portuguesa.


A "Sala de Poesias"

Após o filme, o telão é girado e todos são convidados a entrar numa sala atrás do telão. Ali, há pequenas arquibancadas nas laterais para a turma se sentar. É uma experiência poética completamente diferente!

Letras, palavras e luzes são projetadas no teto e nas paredes. Tudo em sintonia com o som das poesias, declamadas por músicos e atores. Você ouvirá as vozes de Maria Bethânia, Paulo José, Matheus Nachtergaele, Juca de Oliveira.

João Cabral de Melo Neto declama uma poesia de sua autoria. E Chico Buarque declama a "Canção do Exílio", do romântico Gonçalves Dias.

"Epílogos", um dos poemas mais famosos do poeta baiano Gregório de Matos é apresentado na forma de rap. O poema "A Onda", de Manuel Bandeira, também é musicado. Carlos Drummond de Andrade declama "Quadrilha".


A Poesia é Apresentada às Pessoas 

A "Sala de Poesias" é uma experiência mágica! Emocionante. Só ela já justifica a visita ao Museu da Língua Portuguesa.

A forma como a apresentação foi estruturada mexe tanto com a audição como com a visão. E mescla sensações, estimulando a audição e a visão de maneiras distintas.

O som vem através de palavras declamadas e cantadas. A visão é estimulada tanto pelas palavras como pelo jogo de luzes. Ao fim da sessão, trechos de poesias aparecem iluminados no chão...

Trata-se de uma bela maneira de apresentar a poesia às pessoas. Ainda mais num país como o Brasil, de tradições muito mais musicais do que literárias.

E se os romances já são pouco lidos, as poesias são restritas a um público ainda menor. Não por uma questão econômica e sim cultural, fique claro!

O relato segue com...
Ouro, Prata e Óperas no Museu de Arte Sacra 

4 comentários:

Leonardo Brocker disse...

+++ Canção do Exílio (Gonçalves Dias) +++

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Leonardo Brocker disse...

+++ "Epílogos" (Gregório de Matos) +++

Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe que perdeu
Negócio, ambição, usura.

Quais são seus doces objetos?... Pretos.
Tem outros bens mais maciços?... Mestiços.
Quais destes lhe são mais gratos?... Mulatos.

Dou ao Demo os insensatos,
Dou ao Demo o povo asnal,
Que estima por cabedal,
Pretos, mestiços, mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?... Meirinhos.
Quem faz as farinhas tardas?... Guardas.
Quem as tem nos aposentos?... Sargentos.

Os círios lá vem aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, guardas, sargentos.

E que justiça a resguarda?... Bastarda.
É grátis distribuída?... Vendida.
Que tem, que a todos assusta?... Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa
O que El-Rei nos dá de graça.
Que anda a Justiça na praça
Bastarda, vendida, injusta.

Que vai pela clerezia?... Simonia.
E pelos membros da Igreja?... Inveja.
Cuidei que mais se lhe punha?... Unha

Sazonada caramunha,
Enfim, que na Santa Sé
O que mais se pratica é
Simonia, inveja e unha.

E nos frades há manqueiras?... Freiras.
Em que ocupam os serões?... Sermões.
Não se ocupam em disputas?... Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluo na verdade,
Que as lidas todas de um frade
São freiras, sermões e putas.

O açúcar já acabou?... Baixou.
E o dinheiro se extinguiu?... Subiu.
Logo já convalesceu?... Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece:
Cai na cama, e o mal cresce,
Baixou, subiu, morreu.

A Câmara não acode?... Não pode.
Pois não tem todo o poder?... Não quer.
É que o Governo a convence?... Não vence.

Quem haverá que tal pense,
Que uma câmara tão nobre,
Por ver-se mísera e pobre,
Não pode, não quer, não vence.

Leonardo Brocker disse...

+++ "A Onda" (Manuel Bandeira) +++

A onda anda
Aonde anda
A onda?
A onda ainda
Ainda onda
Ainda anda
Aonde?
Aonde?
A onda a onda

Leonardo Brocker disse...

+++ "Quadrilha" (Carlos Drummond de Andrade) +++

João amava Teresa
Que amava Raimundo
Que amava Maria
Que amava Joaquim
Que amava Lili
Que não amava ninguém.

João foi para o Estados Unidos.
Teresa para o convento.
Raimundo morreu de desastre.
Maria ficou para tia.
Joaquim suicidou-se.
E Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.

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