terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estação Júlio Prestes - Um Marco da Era do Café

Deixamos a Catedral Ortodoxa com a visita guiada à Sala São Paulo agendada. Já havíamos passado pelo local, no sábado, dois dias antes.  Na ocasião, visitamos a Estação Pinacoteca, ali ao lado. A Estação Júlio Prestes e, por consequência, a Sala São Paulo estavam fechadas.

Agora, as coisas seriam diferentes. Conhecemos a bela estação, construída pelos cafeicultores paulistas. A arquitetura francesa do local foi uma clara provocação aos ingleses. Estes construíram e exploravam a Estação da Luz, ali perto...

Teto do Grande Hall - Estação Júlio Prestes
Teto do Grande Hall - Estação Júlio Prestes


Continuação de...
Primeiro, o Almoço

No sábado, havíamos almoçado no restaurante grego Acrópoles. No retorno, nós por uma rua marcada pelo comércio popular. Na ocasião, vi um restaurante em um dos prédios. 

Comentei com a família e paramos ali para almoçar antes de seguir à Estação Júlio Prestes. Afinal, a visita guiada iniciaria só às 14h...

Estação Júlio Prestes - Marco da Era do Café
Estação Júlio Prestes - Marco da Era do Café


O Relógio da Estação Júlio Prestes

Após o almoço, seguimos para a estação. Aproveitei para tirar algumas fotos da fachada...

Com três pavimentos, a contrução apresenta um belo relógio em uma de suas extremidades. O relógio parece ser uma marca registrada das antigas estações ferroviárias. Não só de São Paulo, fique claro!

A Estação da Luz, ali perto, também ostenta um belo relógio. O mesmo pode ser dito da Central do Brasil, localizada no centro do Rio de Janeiro.

Relógio da Estação Júlio Prestes
Relógio da Estação Júlio Prestes


O Maestro Eleazar de Carvalho

Tiradas as fotos, entrei no prédio para comprar o ingresso da visita guiada. Em frente à entrada, há uma estátua do maestro Eleazar de Carvalho. Irei falar um pouco sobre ele na postagem referente à Sala São Paulo...

Pois bem, a visita iniciou às 14h e a guia era a Grazi. Foi com ela que eu havia falado ao telefone, quando liguei da Catedral Ortodoxa, de manhã.

Estátua do Maestro Eleazar de Carvalho na Estação Júlio Prestes
Maestro Eleazar de Carvalho

Por que a Estação Júlio Prestes foi construída?

A Estação Júlio Prestes foi construída para fazer o transporte de café. Até então, ele era feito através de mulas. Além de lento, as quantidades transportadas eram mais limitadas. E boa parte da carga acaba sendo perdida ao longo da viagem.

Os ingleses construíram a Estação da Luz e alguma parte café era transportado por trem. Mas o preço praticado pelos ingleses é abusivo. Isto aumentava os custos, encarecia o produto e reduzia o lucro dos barões do café.

E esta foi uma das razões que levou os cafeicultores paulistas a erguerem uma estação ferroviária em estilo francês. Era uma provocação e espécie de desforra em relação aos ingleses. 

Grande Hall - Estação Júlio Prestes
Grande Hall - Estação Júlio Prestes


As Crises Econômicas Afetaram a Construção

Mas as coisas, que começaram muito bem, não evoluíram da mesma forma. A construção iniciou em 1926, sendo concluída apenas 12 anos depois, em 1938. Alguns acontecimentos históricos afetaram diretamente a empreitada...

Em primeiro lugar, houve a crash da Bolsa de Nova York, em 1929. Com isto, observou-se uma grande redução na exportação do café.

No ano seguinte, ocorreu a Revolução de 30. E Getúlio Vargas assumiu o poder. Assim, houve uma quebra no rodízio de São Paulo e Minas no governo. Ou seja, os incentivos e benefícios a cafeicultura também diminuíram.

Detalhe de Vitral da Estação Júlio Prestes
Detalhe de Vitral da Estação Júlio Prestes

Por fim, ocorreu a Revolta Constitucionalista de 32, uma tentativa de derrubar Vargas do poder. Patrocinada pelos barões do café, a revolta foi mal-sucedida. E isto levou a uma grande perda de dinheiro.

Os três fatores associados diminuíram o poder e o patrimônio dos cafeicultores. E com menos dinheiro disponível, a construção foi conduzida à "marcha-lenta". Tanto que o luxuoso quarto pavimento da estação, não saiu do papel. Este local aparece apenas nos desenhos do arquiteto Cristiano Stokler...


O bairro Campos Elísios também é afetado...

Não foi só a estação ferroviária que foi afetada por tudo isto. A região em torno dela foi projetada para acomodar a elite cafeeira. O bairro dos Campos Elísios era uma referência ao Champs Elyses, de Paris.

A região acabou se popularizando e degradando. Nos anos 70, era conhecida como "Boca de Lixo". Hoje, é onde fica a "Cracolândia".

Detalhe do Interior da Estação Júlio Prestes
Detalhe Interior - Est Júlio Prestes


A Queda da Rede Ferroviária no Brasil

Por mais paradoxal que possa parecer, as ferrovias começaram a cair na fase de industrialização do país...

A grande questão era a pequena quantidade delas no Brasil. Assim, havia uma tensão constante de o país parar caso os ferroviários entrassem em greve. Por isso, partiu-se com tudo para o transporte rodoviário, recortando o Brasil com rodovias.

Getúlio Vargas reduziu os investimentos em ferrovias. E JK quebrou de vez com o sistema. Nos anos 80, a FEPASA quebrou. E na década de 90, a Estação Júlio Prestes estava abandonada.

Vitrais da Estação Júlio Prestes
Vitrais da Estação Júlio Prestes

Atualmente, a CPTM utiliza a estação apenas para o transporte metropolitano. No auge, os trens que saíam dali iam até Minas Gerais e Mato Grosso.

O relato segue com
Contabilidade do Dia
Metrô Estação Paraíso - Estação da Luz = R$ 2,90
Almoço no Restaurante Trattoria (Luz) = R$ 9,30
Gasto Diário = R$ 12,20

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